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🌻 Rᥱᥲdყ To Bᥱ: Convidada para jantar


Nᴏᴛᴀs: Tá liberado deixar comentários com as impressões de vocês. Ajuda muito saber se estão curtindo ou não ;) 


"Parabéns, nós conseguimos." "Nós vamos viajar." "Nós fizemos um bom trabalho."

Nós uma ova cara pálida! O olhar incisivo de Jackie atravessou o retrovisor encarando Morgana no banco do carona, dando gargalhadas e sorrindo feliz enquanto todo o trabalho recaía sobre suas costas. Começando por dirigir até o aeroporto. Joanne, sentada ao seu lado era o único motivo para não ter jogado o carro da ponte que liga a interestadual. 

Ela sabia que deveria ter notado que tudo estava bom demais para ser verdade. Todos os elogios e incentivo vindo da sua chefe, tudo se organizando perfeitamente nos últimos dias para que a mala de afazeres caísse em suas pernas. Sua língua estava coçando para perguntar o motivo de ter sido encarregada de levar todos ao aeroporto, quando cada sorriso naquele carro tinha seu próprio carro e um celular com aplicativo de viagens. Menos Shownu, que sentava atrás de Jackie ao lado da namorada cantarolando a música que tocava o rádio.

De todas as inconsistências naquele início de viagem,  a presença dele era de longe a mais incomum. O homem não fazia parte da cena, da equipe e menos ainda do intuito daquela viagem. A sua presença só traria distração. Ela estava certa disso. 

Check-in. Sala de embarque. Quarenta minutos depois todos estavam se acomodando em suas cadeiras, incovenientemente próximas. Jackie colocou seus fones de ouvido e tentou se acomodar na cadeira, era a primeira que viajava na classe executiva e sinceramente não sabia que as cadeiras poderiam ser tão espaçosas e confortáveis. Normalmente, ela acabaria fazendo alguma reclamação por causa do espaço. Não só ela, mas inúmeras pessoas passavam pelo mesmo problema, e continuavam sendo ignoradas.

Esticou as pernas e colocou um episódio da sua série favorita, já que estava ali o mínimo que poderia fazer por si era aproveitar. E tentou, aproveitou bons vinte minutos de This Is Us, até notar o movimento repetitivo no corredor. Olhou para o lado e Joanne dormia com uma mascara tampando os olhos. Ergueu o rosto e Morgana não estava diferente, também dormia feito uma pedra como uma máscara de skincare no rosto. 

Suspirou pesadamente e decidiu ignorar, Randall estava na tela, não era muito difícil se distrair com a sua beleza, mas diabos, Shownu não parava se mexer na cadeira a sua frente. 

— Se continuar batendo o pé no carpete vai abrir um buraco na lataria e todos nós vamos morrer. — reclamou ao inclinar o rosto para a frente. 

Um suspiro de alívio deixou os lábios rosados antes de virar o corpo a procura da figura da mulher. Jackie estranhou como os olhos sempre cafajestes pareciam oscilar, quase amedrontados. Uma camada fina de suor molhava sua testa e ele parecia respirar arrítmico. 

— Me desculpa, não notei. — a resposta fez a mulher enrugar a testa.

— Esta se sentindo bem? — balançou a cabeça em negação — Comeu algo? Esta doente? — voltou  a negar, dessa vez apertando o descanso da poltrona.  — Deixa eu adivinhar, você tem problemas voando?

— Eu nunca voei antes na verdade, tenho medo de altura.

— O que tá fazendo aqui então? — os dedos gordinhos lhe acertaram a testa. Ele teria sorriso com a sua preocupação se não estivesse sentindo o corpo dormente. Agarrou a mão macia e entrelaçou os dedos aos seu inconscientemente.

— Não pensei que fosse ser tão ruim. — a frase fez a mulher rolar os olhos, quem em sã consciência, com medo de altura decide entrar em um avião. — Todo mundo diz que o medo passa quando o avião decola. — ele engole em seco, o polegar alisa as costas da mão de Jackie que mesmo oscilando o olhar não tem coragem de se afastar.

— Nem sempre enfrentar o medo resolve o problema. — ditou vasculhando com a mão livre a bolsa. — Vou te dar um remedinho para dormir, ainda falta uma hora pra gente chegar.

— Eu não posso sentar com você? — questionou com um tom de voz pedinte, parecendo mais uma criança do que o homem de 1,81m. 

— Se tiver coragem de acordar Joanne. — olhou de canto de olho para a amiga.  — Ela provavelmente te jogaria pela porta de emergência.

— Tem razão. —  Jaqueline notou como o rapaz havia curvado todo o corpo, as pernas no corredor e o rosto quase encontrando o seu na linha da poltrona. 

— Toma metade de um, vai acalmar seus nervos e quando pousarmos não vai estar muito grogue. — soltou os dedos dos seus para abrir a cartela. 

Pegou o comprimido e a garrafa de água chique deixada por uma aeromoça ali e jogou garganta a dentro de acordo com as suas instruções.

— Obrigada por cuidar de mim Docinho. — sua voz soou um pouco mais baixa que o normal, quase como quem confidenciava um segredo.

— É, eu bem mereço um aumento por ser sua babá em tempo integral. — provocou, mas a expressão do homem não tornou-se ofendida, um sorriso tolo se esticou em seus lábios. Chegou até a esquecer que estava ali a milhares de pés do chão. 

— Eu posso pagar com — o dedo gordinho afundou nos lábios carnudos o impedindo de continuar a frase.

— Vai dormir garoto.


━━━━.⋅ εïз ⋅.━━━━


Os olhos de Jaqueline simplesmente não conseguiam acreditar no que viam, mas dessa vez era algo realmente bonito para se admirar. O local da reunião era nada mesmo que um hotel Resort, um dos maiores e mais elegantes do país. Engoliu em seco ao tocar a maçaneta dourada entrando em sua suíte. Largou as malas no chão e não pensou duas vezes ao se jogar na cama grande e macia. Precisava saber que tipo de amaciante eles usavam naqueles lençóis, pois uma vez que deitou foi necessário um mantra divino para a fazer levantar. 

Deu uma olhada na varanda, o céu ganhando tons alaranjados indicando o início do fim da tarde, sem contar os corpos bonitos transitando de um lado para o outro entre as piscinas. Prometeu a si mesma que não iria embora sem entrar pelo menos uma vez na hidromassagem.

Enquanto sonhava com as coisas que poderia fazer por ali ouviu o telefone tocar. Joanne fez questão de, detalhadamente, listar os motivos pelo quais a amiga deveria descer imediatamente para o lobby, uma vez que a reunião só aconteceria no dia seguinte. Em suas palavras, tinham que aproveitar a boca livre. 

Com o tablet entre mãos e um conjunto de shorts e camisa que gritava férias de verão, ela pegou o primeiro elevador. Havia ido direto para o quarto, pois queria descansar e se preparar para amanhã, mas poderia fazer isso em outro cômodo do resort. Juntou-se a Joanne imediatamente, ouvindo a fofoca de que Morgana estava na piscina com seu namorado troféu e todas as senhoras do local não paravam de olhar para ele.

— Ela realmente esta lá fora pegando um bronze enquanto você tem que revisar apresentação? — enrugou o nariz ajeitando o óculos sob o nariz encarando o caminho que levava a piscina. — Isso não é justo.

— O que é justo nessa vida minha amiga? — uniu os lábios sugando a Piña colada do canudo, não era boba nem nada. — Só preciso checar se todos os arquivos estão aqui e dar uma olhada, última checada, sabe?

— Falando em checada, porque o sugarbaby estava segurando sua mão com aqueles olhinhos brilhantes no avião? — Jackie era realmente a única que Morgana confiava seu segredo, mas Joanne não era burra, com a proximidade e um pouco de noção ela logo descobriu como funcionava a relação da sua chefe com o namorado.

— Hm? — soltou o canudo dos lábios quase engasgando com o gole. Tinha certeza que a amiga dormia. — Ele tem medo de voar, eu só ajudei dando um comprimido.

— E sua mão e sua empatia e seu tempo e ... — balançou a cabeça em negação e estalou a língua no céu da boca. — As vezes parece que ele esta em relacionamento com você e não com ela. 

Jaqueline abriu os olhos, não por surpresa, mas pelo absurdo contido naquela afirmação. Soltou uma gargalhada, genuína e alta. Não podia acreditar no que ouvia sair da boca da secretária.

— Você é hilária. — tomou outro bom gole da piña colada. — Chega de mojitos para você, já esta alucinando.

— Falo sério, ele sempre esta a sua volta como um filhotinho de Golden retriever. 

— Por que eu sou a amiga Joanne, aquela amiga. — o sorriso morreu gradativamente ao dizer aquelas palavras voltando sua atenção para o tablet.

Que amiga

— Oi!

A voz que rompeu em meio a conversa demorou bons segundos para ser percebida. Os olhares subiram pela figura de camisa branca e calça social quase que em câmera lenta. Algo no momento pedia por isso. O homem não era estranho, Jackie havia o visto no dia da primeira apresentação na empresa. Mas naquele momento ele parecia maior, mais bonito e definitivamente mais sexy. A pele bronzeada, barba, o rosto marcado em linhas másculas e expressivas. Se pudesse comparar alguém a ele seria Michele Marrone, mas se fosse ser sincera Paolo Santini era muito mais bonito que o ator italiano.

— Olá. — responderam em uníssono.

— Será que eu poderia me juntar as senhoritas?

— Sim, definitivamente. — a voz da secretária soou muito antes de sua amiga pudesse raciocinar.

Paolo sentou-se a mesa exalando simpatia, fez questão de agradecer a presença da equipe ali e não perdeu tempo ao começar a perguntar sobre a apresentação para o dia seguinte. Logo Joanne notou que a conversa acontecia mais entre os dois, mas não se ofendeu.

— Acho que tomei mojitos demais, vou para o meu quarto. 

— Quer que eu vá com você? — afinou o olhar, Jackie era uma amor de pessoa, mas nem tanto.

— De jeito nenhum, tenho certeza que Paolo quer ouvir mais sobre você e a apresentação.

Disse e saiu, sem dar tempo da amiga pensar, outra vez. Paolo riu, em um tom rouco e arrastado mantendo os olhos grandes e castanhos fixados na figura da mulher.

— Ela está certa.

— Mas, acho que já te falei tudo que podia sobre a apresentação.

— Estou falando sobre você, gostaria de ouvir mais sobre você. — os olhos arregalados em surpresa o fizeram abrir um sorriso ainda mais largo, Paolo era encantador sem esforço. — Sobre seu trabalho na empresa, como entrou no mundo da perfumaria, isso certamente me ajudaria a entender melhor a empresa com a qual vamos fechar contrato. — completou tentando soar mais sutil. Teve receio de assusta-la ainda mais. 

— Oh, eu sou apenas uma assistente, não seria melhor falar diretamente com a Diretora?

— Você quem se encarregou da apresentação, prefiro falar diretamente com você. — ao notar que a mulher estava prestes a encontrar mis empecilhos Paolo tomou frente. — Um jantar, te espero ás nove no restaurante do Resort, e eu não aceito não como resposta. — levantou-se olhando o relógio grosso no pulso. — Preciso ir agora, te vejo mais tarde Jaqueline. 

— Certo. — engoliu em seco sentindo o rosto formigar em animação, soltou uma risada. — Nos vemos mais tarde Senhor Santini.

— Paolo, por favor. — ajeitou a gola da camisa branca. 

— Te vejo mais tarde, Paolo. — ele piscou antes de virar as costas e Jackie quis gritar no mesmo tom de uma adolescente entusiasmada.


━━━━.⋅ εïз ⋅.━━━━


Morgana estava com enxaqueca. Bem, ela havia repetido isso ao menos sete vezes na última hora, até se render a ideia de tomar um relaxante, que a deixaria dormindo até o dia seguinte. Demorou a aceitar a ideia, pois queria a todo custo aproveitar a noite com o namorado. Shownu por outro lado não sentiu pesar algum ao começar a ouvir a respiração pesada da mulher ao seu lado na cama. 

Mais cedo naquele dia havia visto que o Resort oferecia inúmeras atrações durante a noite, começando pelo bar, música ao vivo e atividades ao ar livre. Ele queria aproveitar um pouco, por isso deixou o quarto na primeira oportunidade que teve. Morgana não tinha feito qualquer pedido que o obrigasse a ficar ali, em sua cabeça, um deles precisava se divertir. 

Ele só não iria fazer isso sozinho. Seus pés o levaram diretamente ao quarto de Jackie. Bateu duas vezes na porta antes de ser atendido por uma Jackie produzida dos pés a cabeça. Sapatos de salto, jeans skinny de lavagem clara e detalhes de rasgos falsos, uma regata de alça clássica e kimono de estampa floral sobrepondo o look. Os fios longos estavam soltos, assim como a franja caindo sobre o rosto maquiado. Shownu engoliu o ar.

— Onde você vai toda produzida? — entra no quarto mesmo sem ser convidado. Jackie estava colocando os brincos de pérolas. — Não vai dizer que estava esperando por mim?

— Com certeza não. — virou-se checando a produção no espelho do banheiro, próximo a porta.

— Ela vai em um encontro. — a voz de Joanne soou do interior do quarto, estava esparramada na cama da amiga.

— Encontro? — a face relaxada ficou séria de repente. —Com quem? Nem deu tempo de conhecer alguém, ou deu? Se for um daqueles caras de aplicativo é roubada.

Jackie não respondeu nenhuma das perguntas passando pelo rapaz a procura do perfume. Borrifou no pescoço e pulso. Retocou o batom e virou-se para a amiga.

— E ai, como estou? — deu um sorriso com os lábios pintados em vermelho.

— Tá linda. — quem responde é Shownu encostado na parede de braços cruzados. — Quem é esse cara? Eu conheço ele?

— Minha nossa! — ela se vira para ele. — Você não o conhece e o resto não é da sua conta. — disse entre dentes, mais aborrecida do que realmente brava.

— Você conhece Jô? 

— Sim, ele é um gato. Tipo, bonito de verdade e com uma energia de macho alfa. — ela suspirou agarrando o travesseiro. — Estou torcendo para nossa querida Jackie nem voltar para o quarto hoje. — soltou uma gargalhada de duplo sentido, mas ele não riu.

— É claro que ela tem que voltar, trabalha amanhã. — limpou a garganta.

— Apesar de ser muito divertido ficar aqui ouvindo vocês falando sobre mim como se não estivesse aqui eu vou indo. — pegou a Chanel sob a cama e virou o corpo. — Tchauzinho.

Assim que saiu do quarto Shownu fez o caminho até a cama sentando ao lado de Joanne que encarava a televisão. Soltou um longo suspiro e espremendo os lábios em um bico zangado.

— Por que veio aqui mesmo?

— Ia chamar Jackie pra curtir o Resort. — enrugou o nariz e encostou na cabeceira da cama. — Esse cara é confiável? — Jô acenou positivamente. — E bonito? — outro aceno. —Muito macho alfa? Tipo eu?

— Hm? — virou o rosto lentamente, uma confusão cômica se formando em seu rosto. —  Não mesmo, com todo respeito sugarbaby, ele é um macho alfa de verdade. — a resposta não o agradou em nada, resmungou algo em meio o próprio suspiro. — Afinal, por que se importa?

— Ela é minha amiga e sabe como é, homem não presta.

— Sabe, se eu não soubesse que você é apaixonado pela chefinha começaria a achar que esta com ciúmes da Jaqueline. 

Shownu desvia o olhar, encara a televisão esboçando certo desdém, dá de ombros agarrando o travesseiro jogado no meio da cama.

— Não mistura as coisas, só estou sendo um bom amigo. Nada mais.


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