XXIX. 𝑫𝒆𝒂𝒅𝒍𝒚 𝒏𝒊𝒈𝒉𝒕𝒔𝒉𝒂𝒅𝒆
CADA PALAVRA DITA pela boca da mulher parecia carregar um peso, como se cada sílaba solta fosse um feitiço. Quem era essa mulher e o que queria? A menção de sua gravidez fez o sangue de Verena gelar. O instinto de proteger seu filho, ainda não nascido a fez apertar a mandíbula, sentindo a ira se misturar ao sangue em suas veias como veneno.
—— E o que você quer, Alys? —— Verena perguntou. —— Por que me mostrar tudo isso?
Alys deu alguns passos à frente, a distância entre elas diminuindo.
—— Você carrega um fardo, uma vida dentro de você. Isso a torna vulnerável. E essa vulnerabilidade pode ser sua ruína.
A sala parecia vibrar, as tochas lançando sombras que dançavam em um ritmo próprio. Verena sentiu a magia dentro dela responder ao desafio, crescendo e se expandindo, uma força primitiva e poderosa despertando em resposta à ameaça da outra mulher na sala. Uma névoa gélida começou a se formar ao redor de Alys, se expandindo como uma teia de aranha, engolfando tudo em seu caminho. As tochas tremularam e quase se apagaram, deixando a sala mergulhada em uma penumbra sinistra. Verena não estava de bom humor recentemente e o surgimento inesperado dessa desconhecida estava a deixando ainda mais agitada e raivosa.
Alys tremeu e de repente o chão desapareceu, substituído por uma extensão infinita de água negra, fria e implacável. As águas escuras começaram a se agitar, ondas surgindo e se quebrando ao redor de Alys, que agora se via cercada por um oceano interminável. No horizonte, raios de luz esverdeada cortavam o céu, lançando sombras sinistras sobre a superfície que ondulava. Alys começou a caminhar, tentando manter o equilíbrio enquanto as ondas aumentavam em intensidade. Ela lançou um olhar ameaçador para Verena, que permanecia com um sorriso petulante nos lábios. Alys podia saber brincar com magia, mas Verena era feita de pesadelos e sombras, ela era feita de magia. De repente, figuras começaram a emergir das águas. Silhuetas espectrais de pessoas que Alys reconhecia — antigos rivais, vítimas de sua magia, e até mesmo aqueles que ela amou e perdeu ao longo dos anos. Seus rostos estavam torcidos em expressões de dor e acusação, suas vozes sussurrando seu nome com um tom de desespero e condenação.
—— Isso é impossível! — Alys gritou, tentando dissipar a ilusão com um gesto furioso. Mas as figuras continuavam a subir, suas mãos espectrais estendendo-se para agarrá-la, puxando-a em direção às profundezas escuras.
Alys começou a lutar freneticamente contra as figuras translúcidas, suas mãos passando por elas como se fossem feitas de névoa, mas o terror em seus olhos era real. As vozes tornaram-se mais altas, mais insistentes, até que ela não conseguia mais distinguir uma da outra. A água subiu até seus joelhos, depois até a cintura, enquanto as figuras continuavam a puxá-la para baixo.
—— Pare com isso! — Alys gritou, o pânico crescendo em sua voz.
Finalmente, Alys caiu de joelhos, cercada pelas águas escuras e pelas figuras fantasmagóricas. Seu olhar encontrou o de Verena, cheio de ódio e desespero. Verena riu e então, com um último gesto, ela dissipou a cena, trazendo-as de volta ao salão de pedra de Harenhal, Daemon estava sentado no chão e parecia que havia acabado de acordar de um pesadelo, o suor escorrendo pela testa. Seus olhos encontraram os de Verena, e por um momento, ela viu um brilho de reconhecimento e alívio. Verena resmungou em seu lugar, só ela poderia atormentar o príncipe rebelde, o que aquela aprendiz de bruxa estava achando que conseguiria fazer?
Alys, ainda ofegante e tremendo, levantou-se lentamente do chão, seus olhos queimando de fúria e humilhação. Verena, observando a mulher se recompor, sentiu uma satisfação sombria. Ela sabia que havia tocado um ponto sensível na outra. Daemon, que ainda parecia atordoado pelo que havia experimentado, olhou ao redor, confuso. Ele esfregou os olhos, tentando dissipar a névoa de desorientação.
— O que foi isso? — ele perguntou, sua voz rouca.
Verena, com um sorriso de satisfação, se aproximou de Alys, que estava ajoelhada, os olhos brilhando com um ódio contido. Ela sentia a energia da vitória ainda pulsando dentro dela, uma sensação de poder que era difícil de ignorar. Ela gostava daquilo, sempre gostou. Alys parecia derrotada, mas Verena sabia que não podia baixar a guarda.
—— Apenas uma pequena lição sobre o que acontece quando se tenta brincar com forças maiores do que a sua. — Verena disse, sua voz cheia de desdém. —— Espero que tenha aprendido algo sobre suas próprias fraquezas.
—— Eu vou matá-la. — Daemon gritou assim que recuperou os sentidos completamente. Seus olhos ardiam com fúria enquanto ele se levantava. Verena riu, levando a mão a boca.
—— Faça o que quiser, eu estou indo terminar meu livro. — Verena se virou para a mulher ainda no chão. —— Respire o mesmo ar que o meu e eu arranco seu coração com as minhas próprias unhas e dou ao meu dragão como aperitivo. Verena diz com uma frieza quase desumana.
—— Então, o que sugere que façamos com ela? — Daemon perguntou. Verena estranhou a pergunta direcionada a ela, Daemon geralmente fazia primeiro e perguntava depois.
—— Garanta que não tenha mais oportunidades para causar danos. E se precisar se livrar dela, certifique-se de que será feito de maneira que não traga mais problemas. — Verena responde simplesmente, as mãos descansando no ventre por cima do vestido roxo escuro que usava.
Daemon a encarou, ele sabia que seu afilhado ficaria decepcionado com a esposa quando soubesse que ela estava escondendo a gravidez dele. Rhaenyra ficaria uma fera quando soubesse que ele estava acobertando a esposa de seu filho mais velho, mas ele não poderia fazer nada a não ser tomar como responsabilidade para si, o bem estar da criança no ventre de Verena e da própria bruxa de seu enteado. A ameaça daquela mulher sobre eles estava o correndo. Alys estava ameaçando seu sangue, sua família e ela pagaria por tal ousadia com aço e fogo.
Verena se afastou, deixando o salão em um silêncio carregado. Daemon observava enquanto ela saía. Alys ainda no chão olhava para o príncipe com expectativa e certo receio em seus olhos.
★̶̲Peço perdão desde já por qualquer erro ortográfico, eu tento ao máximo revisar, mas sempre escapa um ou outro, caso achem, me avisem para que eu possa arrumar. Não se esqueçam de deixarem suas opiniões sobre o capítulo. Eu amo ler os comentários. Beijos da Thay.
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