XV. 𝑮𝒖𝒏𝒑𝒐𝒘𝒅𝒆𝒓 𝒂𝒏𝒅 𝒘𝒊𝒄𝒌
A ROSA DO INVERNO QUE foi deixada em seu quarto, ainda estava em seus pensamentos no dia seguinte, causando certa curiosidade. Quando acordou, Jacaerys beijou sua bochecha, ainda zonzo pelo sono e pela noite agitada ao lado do lobo do norte.
— Bom dia, bruxinha. – o príncipe a olhou.
— Bom dia, principezinho. – Verena se levantou, indo diretamente para a penteadeira, depois de fugir das mãos fortes do príncipe.
— Cregan nos convidou para uma caçada com os lordes do norte.
— Posso levar Canibal? – ela perguntou se virando para o noivo.
— Acho que não seria justo com os outros lordes. – Jacaerys riu, levando a mão a testa, o príncipe esfregou o local e depois fez uma careta de dor.
— Vou pedir um chá para você.
Jacaerys não se lembrava de muita coisa de sua noite de bebedeira com o senhor de Winterfell, e Verena deixou que ficasse por isso mesmo. O príncipe não precisava ser lembrado de que ameçou travar uma guerra com o norte inteiro, até descobrir quem havia dado a flor para ela. Eles já estavam em uma guerra e não precisavam adicionar outro inimigo a lista deles. Quando um dos criados trouxe o chá que Verena havia pedido, ela o levou para o príncipe, Jacaerys a puxou para que ela voltasse para debaixo das cobertas.
— Temos um dia cheio. – Verena o lembra, passando as mãos pelo cabelos castanhos do príncipe.
Jacaerys terminou o chá com uma careta, colocando a xícara em cima da mesinha ao lado da cama.
— Nossos compromissos podem esperar. – o príncipe levou as mãos para a cintura da garota, a puxando mais para ele. — senti saudades de dormir agarrado a você.
Verena sorriu, beijando a bochecha do noivo.
— Você ronca. – ela contou.
Jacaerys a encarou em pura descrença.
— Não faço isso não!
— Faz sim! é fofo, parece um porquinho.
Jacaerys balançou a cabeça em negação, com um sorrisinho nos lábios.
[...]
Vestida em peles quentes e com os cabelos devidamente trançados para trás, Verena desceu para o salão, depois de deixar o livro de capa vermelha escondido em suas coisas, junto da rosa do inverno. Alguns lordes conversavam animadamente, pelo lugar. Ela avistou Jacaerys ao lado de Cregan, o príncipe de pedra do dragão estava devidamente arrumado para a caçada. Verena caminhou até ele, entrelaçando sua mão com a do noivo, ela recebeu um sorriso do príncipe em troca.
— Lady Verena!
Verena empurrou a língua contra a bochecha.
— Lorde Stark!
— Acho que a senhorita vai apreciar uma companhia mais feminina, durante nossa caçada. – Cregan fez um gesto com as mãos, chamando alguém.
Duas garotas caminharam até o trio.
— Minha irmã vocês já conhecem e essa, é Lyra Mormont, filha da senhora da ilha dos ursos, Maege Mormont. – Cregan apresentou as duas garotas.
Verena olhou para o noivo, pedindo socorro pelo olhar. O príncipe apenas beijou sua bochecha, em sinal de apoio. Cregan colocou a mão no ombro do príncipe, o guiando para a saída do salão. Verena se virou para as duas garotas.
— Lady Targaryen! – a Mormont comprimentou, abaixando minimamente a cabeça.
Provavelmente a contra gosto, a garota tinha uma feição emburrada no rosto jovem.
— Não sou Lady. – Verena disse simplesmente. — Nem Targaryen.
— Pensei que...
— Ouvi histórias sobre seu dragão. – Sara interrompeu a garota. — Dizem que ele é selvagem e que é diferente dos outros dragões Targaryen.
— Cada dragão é diferente do outro, são criaturas com pensamentos e atitudes próprias.
— Achei que só Targaryen pudessem montar dragões. – Sara voltou a falar.
Lyra olhou as duas garotas notando a tensão que se formava entre elas.
— Minha mãe era Targaryen, filha do rei Jaehaerys. – Verena respondeu de forma rude, ela estava começando a ficar irritada com as falas da garota.
— Verena de Asshai. – Sara cruzou os braços. — Não lembro de ter escutado um Targaryen em seu nome quando fomos apresentadas.
— Acha que dizer meu nome me machuca de alguma forma? está errada! Eu sei quem eu sou e o lugar a que pertenço e certamente não é vivendo da bondade de meu irmão mais velho, esperando que algum lorde de alguma casa pequena ou algum homem de nascimento baixo, venha pedir a minha mão, por que é tudo o que me resta, Snow.
Verena sabia que estava sendo uma megera e que dizer aquilo magoaria a garota, mas Sara devia aprender uma dura lição, uma que Verena havia aprendido há muito tempo atrás, nunca deveria se esquecer de quem é, porque é certo que o mundo não se esqueceria e quanto mais rápido ela aprendesse, mais rápido ela pararia de sofrer por aquilo. Sara não deveria tentar passar por cima dela, muitos tentaram e até agora, todos falharam.
— Bruxinha, seu cavalo está selado. — Jace avisou, caminhando até o trio.
Sara estava com os olhos marejados, Lyra tinha uma expressão confusa no rosto e Verena sorriu para o noivo.
— Tem certeza que não podemos montar nossos dragões principizinho? Canibal está entediado.
Jacaerys alançou a cabeça, oferecendo o braço para que Verena pudesse o segurar. O príncipe direcionou a noiva para fora do salão, deixando as duas garotas para trás.
[...]
Verena sentia falta de Abraxos, a serpente era uma parte dela, tanto quanto Canibal agora também era. Quando descobriu que era uma troca-pele, ela ficou apavorada. Toda as manhãs depois que ganhou a serpente de seu pai, ela acordava com gosto de sangue na boca e se lembrava de sonhar que era uma serpente. Seus professores de Asshai, principalmente Melisandre, a ajudaram a controlar as habilidades, com um longo e cansativo treinamento ela chegou a entrar na mente de corvos e gatos da sombras, mas controlar Abraxos foi um desafio no começo.
Ela gostaria de ter o trazido para o norte, mas não poderia, um troca-pele podia se separar do animal a que era ligado, mas ele sempre sentia que faltava algo. Enquanto cavalgava ao lado de Sara Snow e Lyra Mormont, ela sentiu vontade de simplesmente ser uma serpente e sumir na floresta. As duas garotas estavam caladas, Sara ainda evitava a olhar nos olhos e Lyra, estava com a mesma cara emburrada, a garota provavelmente foi forçada a estar ali.
Um ruigido alto chamou atenção de todos, uma sombra enorme os cobriu. Quando olhou para cima, Canibal voava ao redor da comitiva, o dragão selvagem sumiu e reapareceu nas nuvens e Verena escutou os sons de pavor dos lordes. Jacaerys que estava mais a frente ao lado de Cregan, olhou para ela em repreensão. Verena apenas deu de ombros, sorrindo para o príncipe. Ela não tinha culpa que seu dragão sentia que ela estava com saudade e nada feliz naquele lugar. Canibal deu um último rugido, voando novamente para longe, fazendo alguns dos lordes soltarem suspiros aliviados.
Sem muito o que fazer e pouco tentada a puxar assunto com Sara ou Lyra, Verena voltou a pensar em Alarra Stark e sua conexão com Daenys Targaryen. Ela sabia que Daenys foi nomeada de A sonhadora, e graças a ela, a casa Targaryen saiu de Valíria, antes de sua perdição, mas o que um diário que pertenceu a uma Targaryen que veio antes mesmo de Aegon, O conquistador, estava fazendo nas criptas de Winterfel, no túmulo de uma Stark?
Aquilo se tornou um mistério, um que Verena estava animada em desvendar.
★̶̲ Peço perdão desde já por qualquer erro ortográfico, eu tento ao máximo revisar, mas sempre escapa um ou outro, caso achem, me avisem para que eu possa arrumar. Não se esqueçam de deixarem suas opiniões sobre o capítulo. Eu amo ler os comentários. Beijos da Thay.
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