Capítulo Nove: Carrinhos de supermercado e dias da semana
Quinta, 25 de abril de 2024.
— Nossa, que cara de morto é essa? — Seungmin deu espaço na mesa onde estava.
O movimento na faculdade era intenso como sempre, Bangchan até chegou mais cedo, só que sua razão era outra. O australiano joga sua bolsa na mesa e se afunda na cadeira ao lado de seu melhor amigo.
— Essa? — ele aponta para si mesmo — Cara de quem teve que aguentar o Kevin a madrugada toda sendo um filho da puta.
— Ele voltou mesmo? — pergunta o estudante de arquitetura — Nossa senhora, que terror...
Bangchan assentiu e suspirou enquanto esfregava o rosto. Ele estava exausto, nada o destruía mais do que uma noite mal dormida.
— Ei me conta, como foi aquela história do Minho vir te buscar. Mana, está um bafafá sobre isso, a faculdade toda comentando — Seungmin cutucou, ao que Chan mostra sua mão devidamente marcada com um anel de compromisso de prata, cravada em seus ramos com pequenas pedrinhas de diamante. O Kim gritou — Caralho!!! Ele
— É.
— A Santa Maria mãe de Deus rogou por nós pecadores, Christopher BangoFrango!!
Chan deu de ombros, mas o verdadeiro assunto preso na sua garganta era outro. Ele boceja e então se vira para seu melhor amigo com uma expressão séria e cansada.
— Na real, preciso de um conselho.
— Manda.
— É que... — ele suspira e seus ombros cedem, sentia-se bobo por deixar seus sentimentos tão expostos — Na terça depois da aula eu fui num jantar na casa dos Lee e cara, que lugar satânico. A mãe dele é o próprio capeta, se for o caso, porque na minha imaginação o capeta é super gente boa. Mas a questão é: o Minho oficializou a gente pra família dele, me apresentou como noivo e tudo mais, foi bem tenso. A mãe dele falou umas merdas, Minho ficou abalado e eu tirei ele de lá, deixei ele em casa e tal.
Seungmin tocou no braço de Chan, pedindo para ele parar, o encarando consternado.
— Você... dirigiu?
— Dirigi.
Com o coração acelerado, com medo de errar e a mente cheia de pensamentos envolvendo, principalmente, a ideia de tirar Minho daquele inferno.
— Não vamos discutir sobre meu senso de proteção ter me feito atravessar uma barreira minha, acho que não quero pensar nisso agora — o Kim concordou com a cabeça, indicando que seu amigo continuasse. — A questão principal é, o aniversário do Lucas tá chegando e essa seria uma boa oportunidade de... apresentar ele pros meus pais. Eu falei com a mãe Haeri ontem e ela disse que a festinha vai ser na quinta, mas elas podem mudar a data pra eu ir.
Seungmin permaneceu calado enquanto pensava. Chan queria roer as unhas mas as coitadinhas já não estavam em uma situação muito boa, ele se deixou afundar em seus próprios pensamentos, fantasiando mil situações boas e ruins sobre como seria esse encontro.
— Leva ele.
— Quê?
O Kim deu de ombros — Você disse que ele te apresentou pra família dele e independente do quão ruim foi, tem literalmente uma aliança no teu dedo, vocês tiveram vários encontros para se conhecerem melhor. A relação de vocês é estreita a ele querer um contrato de casamento e você uma chance de se dedicar ao que ama — Seungmin apontou para a mesa, como se espalhasse cartas de um baralho —, só que nitidamente não é só isso. Chan, se analisar bem, e eu digo isso não sabendo de tudo ainda que você me conte muita coisa, né? Mas cara, tu já vê o Minho como uma pessoa a ser protegida, e isso diz muito sobre o quanto você gosta e respeita ele, assim como ele também da forma dele, parece fazer o mesmo por você. Tu entrou na casa dele, viu como ele tava vulnerável depois do B.O. no jantar... Tipo... eu, Seungmin, não me imagino conseguindo me deixar tão vulnerável na frente de alguém, a menos que eu confie muito nessa pessoa.
Nessas horas Bangchan se lembrava de como dentro do corpo de Seungmin havia um velho sábio e milenar e o quanto ele o odiava com todas as suas forças por ser tão certeiro.
— É precipitado se pensarmos num relacionamento normal, vocês se conhecem a mais ou menos um mês e tanto, levar um cara pra conhecer teus irmãos e teus pais é meio que uma loucura, mas vocês estão noivos e vão se casar. Juro por Deus, não tem nada mais doido do que isso. Conhecendo a tia Haeri como eu conheço ela sabe que tu tá escondendo alguma coisa e seria muito bom saber o aval dela e o da tia Jéssica sobre o relacionamento de vocês e o que elas acham do Minho. Dito isto, chama ele pro aniversário do Luquinhas.
Bangchan não queria pensar, ele queria dormir. Uma cama bem quentinha e confortável, se debruçar num silêncio reconfortante enquanto os anjos embalam seu sono, isso mesmo.
— Boa tarde queridos — Changbin fez carinho nos cabelos de Chan, depois nos de Seungmin e puxou as duas cadeiras na frente do australiano — como estamos?
— O Chan tá com sono e entrando em parafusos, eu tô apaixonado por um anônimo que comenta nas minhas fanfics. Cadê a Sasa?
— Falando com uma caloura dela — ele apontou para a direita — daqui a pouco ela vem. Ei Chan, por que tu não dorme lá em casa? Sabe aquele áudio que tu mandou no grupo do cu de periquito do Kevin fazendo barulho de madrugada? Pela misericórdia, a gente já tinha caído no soco com esse caralho!
Bangchan deu uma risadinha, aquele definitivamente era seu hyung mais engraçado.
— Eu falei com o pessoal que administra o dormitório, eles iam tomar as providências.
— Já viu filho de rico tomar outra coisa além de uma reclamação mixuruca? — Seo olhou feio para o seu amigo — Fala sério, Chris.
— Não quero pensar.
O olhar dele se aliviou — Tudo bem, desculpe. Mas se quiser pode dormir lá comigo, está feita a oferta.
— Agradeço muito, Bin hyung.
Ele não aceitaria, todos sabiam, Chan tinha um senso de não incomodar extremamente perturbador, mas resta saber o quanto ele aguentaria até explodir com Kevin.
Aquele fim de tarde se arrastou no refeitório até perto da hora das aulas, quando infelizmente o grupo de amigos separou-se para suas respectivas turmas. A cabeça de Chan estava uma água, por sorte que sua aula se baseou em leitura e explanação do texto. Sua participação foi mínima, mais concentrado no desenho que Taehyung fazia ao seu lado.
Ele queria postergar o sofrimento, sabendo que tudo estaria uma zona quando chegasse ao dormitório. Chan não queria pensar, e talvez estivesse caminhando a passos de tartaruga pelo campus, conversando com quem ele conhecesse, trocando sorrisos cansados e acenos falsamente animados.
Não adiantou muita coisa, porque todos os que se aproximavam olhavam o anel em seu dedo, queriam falar sobre, ele desconversava colocando como se não significasse nada. Todos ficavam assustados. Chan estava cansado e com sono.
Mas como um anjo enviado por Deus, Yugyeom apareceu jogando o braço por seu ombro e suspirando, também cansado, o quarto dele era a parede do quarto que Chris dividia com Kevin.
— Que noitezinha difícil, né amiguinho?
— Bote difícil, Yug.
Eles estavam caminhando para o último bloco que faltava até chegar na entrada da faculdade, o resto do trajeto até o dormitório tomava pouquíssimo tempo, coisa de no máximo dois minutos ou três, o céu estava limpo até mesmo de estrelas.
— Eu vou dormir fora, vi o Heeseung dizendo que você podia ficar no quarto dele já que o Soobin costuma ficar na casa da namorada dele — Yugyeom bagunçou os cabelos de Chris. — Não fiquei louco por causa daquele cara, durma fora. Pelo menos até a gente resolver a situação.
— E resolve? — o australiano ironizou.
— Nem sei.
Eles riram, cansados.
E Christopher aguentou, não calado, é claro. Ele trocou farpas com Kevin, sobre como era um porre aguentá-lo com horários irregulares e como ignorava as normas de convivência do próprio prédio estudantil. Ele estava se afundando em cansaço e exaustão.
Sonecas na biblioteca não fechavam sua carga horária mínima de sono para ser um ser humano decente, junto disso sua alimentação estava indo pro caralho e seu humor estava péssimo. Ele estava, aos poucos, se tornando um zumbi. O que era horrível porque Chan odeia zumbis.
Ele dormiu na cama de Soobin na sexta, no sábado ele cochilou pela tarde e fez bolo de noite enquanto Kevin vomitava no banheiro, seu quarto gradativamente cheirava a cerveja e drogas, domingo seu celular vibrou sobre a cama de Heeseung enquanto eles estudavam em cantos opostos do quarto.
Lee Minho [2:36pm]
Oi Bangchan, vou fazer supermercado
Quer ir comigo?
Eu [2:36pm]
quero
quer um pedaço de bolo de abacaxi?
Lee Minho [2:37pm]
Quero
Tô aqui pertinho, mando mensagem quando chegar
O australiano juntou suas coisas e fechou o computador que antes estava em seu colo, Heeseung olhou para ele com duas interrogações na cabeça. Chan carregou suas coisas até seu quarto, ele se jogou uma água, trocando sua camisa surrada por uma preta, mas permanecendo com seu mini short preto. Ele tentava a todo custo ignorar as roupas de Kevin espalhadas pelo quarto e a mesa cheia de comida pela metade. Na verdade, ele queria morrer, mas aquela era uma briga perdida. Chan pegou um boné preto de seu guarda roupa, o colocou virado para trás e escovou os dentes, borrifando um perfume suave no pescoço por fim procurando seus chinelos favoritos.
A mensagem de Minho veio rápido, ele realmente estava perto do dormitório. Quando Chris saiu, Kevin estava com os pés no sofá comendo salgadinhos enquanto assistia algo na televisão com o volume alto, ele conteve a vontade de jogar o molho de chaves que havia acabado de pegar na cabeça do outro.
Chris se despediu do Senhor Xian assim que pisou no saguão, o carro de Minho estava literalmente na frente da entrada, na verdade, ele não reconhecia o carro de agora, era um SUV preto, ele só soube que era Minho ali porque os vidros escuros estavam abaixados.
Assim que entrou no carro ele reconheceu que nos alto falantes vinha a voz Ariana Grande cantando "eternal sunshine". Minho olhou para Chan, e ele não fazia ideia de como o coração do coreano ficou feliz em vê-lo.
— Oi Bangchan.
— Oi Minho.
Eles não falaram nada além disso, o australiano colocou o cinto de segurança e se deixou levar para onde quer que Minho fosse. O telefone dele estava em sua perna, a playlist era uma tarefa de quem estava no carona, então ele esperou o fim da última música para colocar Alone With You de Alina Baraz, porque gostava de como ela era calma e o deixava sonolento.
Ele estava cochilando quando chegaram no supermercado. Minho esperou enquanto Kyle Lux cantava Are U In Love?, o nome da música chegava a ser irônico para si. Mas ele não tinha pressa. Quando Christopher, melhor, quando Bangchan entrou no carro ele viu suas olheiras, os olhos vermelhos e os ombros caídos, da forma lenta como falou seu nome quando o cumprimentou. Então ele deixou Chan cochilar. Não há pressa.
Poucos minutos depois o australiano piscou seus olhos lentamente, ele estava em um estacionamento, o carro estava ligado mas sem se movimentar, ao seu lado Minho estava quieto olhando fixamente para frente, não parecia estressado, mas sim afogado em pensamentos.
— Hyung... — o peito de Minho tropeçou junto de algumas batidas, ele olhou para o rosto sonolento de Chris. — Desculpe ter cochilado.
Minho riu de uma forma tão leve que o coração vagaroso de Chan errou duas batidas.
Eles desceram do carro, Chris perguntando se deveria pegar uma cesta ou carrinho, Minho pediu a última opção e então eles entraram juntos. Ao invés das notas do celular, o Lee tinha uma caneta azul e uma folha de caderno cortada pela metade toda cheia de anotações. O ritmo deles era algo como "Dois arrozes" e então Minho os pegava e Chris arrumava o carrinho e o empurrava, depois dizia "Quatro pacotes de macarrão" e os buscava e podia jurar que Chan estava repetindo baixinho cada coisa que eles pegavam.
— Tá tudo bem no seu dormitório? — ele comentou como quem não quer nada enquanto riscava onde escreveu "4 macarrão" da lista.
Chan olhou para as costas de Minho ao se questionar se deveria ser sincero ou não mas acabou se perdendo ao processar que o coreano usava uma camisa preta gigantesca escrito "I LOVE CATS" na frente e uma calça de moletom, é a primeira vez que ele o vê tão à vontade. É realmente fofo.
Chan pisca os olhos, se forçando a voltar ao tópico principal, pois bem, sinceridade sempre foi o lema deles desde o primeiro acerto dos termos, dessa forma, o australiano nem deveria ter dúvidas sobre qual escolha tomar.
— Não, na verdade tá um clima bem desconfortável. A estrutura original do dormitório é para comportar duas pessoas por quarto, e eu passo boa parte do semestre sem ninguém pra dividir porque o cara que fica lá, o Kevin, some bastante e sinceramente? Eu daria a vida pra ele continuar longe — Bangchan ri. Minho para na frente do rapaz com três pacotes de açúcar e os entrega a ele mas ao invés de continuar a riscar coisas na sua lista, o Lee direciona sua total atenção para o mais novo. — Enfim faz três dias, eu acho, que ele voltou e o quarto tá virado de ponta cabeça e cheirando a maconha e cachaça. Ele é o combo do riquinho problemático. Ninguém suporta ele.
— Você pode ficar na minha casa.
— Oh. Eu... agradeço a oferta mas...
Minho cruzou os braços em frente ao peito.
— Lembre-se do motivo pelo qual vamos nos casar. Deixa eu te ajudar. Minha casa recebe no máximo uma visita do Hyunjin de vez em quando, você pode estudar a vontade e até dormir se quiser, tem um quarto de hóspedes à disposição. Eu fico boa parte do dia fora e chego em casa pelo fim da tarde, é só eu colocar seu horário disponível para o Senhor Choi te levar pra faculdade e buscar. Simples.
Chan não sabe aceitar, então ele tenta arrumar uma desculpa.
— Não acho que seja bom eu bagunçar sua vida desse jeito — ele precisa encontrar outro assunto urgentemente, sua mente vibra com a lembrança de uma informação. — Aliás, tenho uma proposta pra você.
Minho não diz nada sobre o australiano estar mudando o rumo da conversa. Ele descruza os braços e continua a pegar coisas e riscar sua lista ao dizer:
— Proponha, meu bem.
— Eu quero te apresentar pra minha família — Minho imediatamente olha para Chan —, no dia dois de maio é aniversário do meu irmão caçula e eu vou ir prá lá passar o fim de semana com eles. Você quer ir também? Não vai ser bombasticamente traumática igual a sua, mas prometo que somos muito queridos e cozinhamos muito bem!
Minho não sabia exatamente como reagir, seu cérebro parecia uma massa molenga se enrolando nas engrenagens de sua mente, as obrigando a trabalhar lentamente. Ele não conseguia entender como Chris chegou à conclusão de que o apresentaria a seus pais. Veja bem, uma coisa é Minho e a pressão de se livrar das ligações insistentes de sua mãe e encontros às cegas marcados sem sua autorização – os quais ele faltava, mas mandava um caro presente para a pessoa como pedido de desculpa, sempre alegando ter um compromisso mais importante – mas Bangchan... até onde Minho sabe não havia qualquer pressão para o rapaz o apresentar aos seus pais. Não que o Lee não queira, ele quer, na verdade seu coração está animado e um pouco aterrorizado com a ideia, isso o atrapalha a juntar as letras em uma frase que faça sentido, considerando que ele está calado por mais tempo do que o normal. No certo pelo incerto, ele escolhe o típico:
— Tem certeza? Uma coisa é a minha situação, outra é você me inserir no meio da sua família.
Bangchan balança as mãos como se todo o redemoinho que a mente de Minho fez fosse uma grande bobajada.
— Mamãe Haeri suspeita que eu tô escondendo alguma coisa faz tempo, vou só te jogar de bandeja na cova dos leões e deixar que elas me digam se o casamento vai dar certo ou não.
— Não gostei da parte da bandeja e dos leões.
— Elas vão gostar de você — o australiano coloca sua mão no bíceps de Minho, dando uns apertos amigáveis —, relaxa. A Hannah e o Jeongin são mais difíceis, apenas uma questão de receio.
Minho torceu o cenho.
— Não sei se me sinto aliviado ou mais pressionado. Quando vamos comprar os presentes?
— Eu queria ir no sábado de manhã, mas dependendo do Seungmin, ele queria ir comigo porque tá devendo umas coisas pra Hannah e eu também tenho consulta marcada.
— Posso levar vocês. Consulta de quê? Você tá bem?
Bangchan balançou a mão, com se afastasse a preocupação alheia.
— Vou ver como está o meu grau e encomendar meu óculos.
— Hm... Ah pois bem, me deixe levar vocês. Aliás nós temos umas conversas bem sérias pra ter, sobre a cerimônia de casamento — ele balançou a listinha na direção de Chan. — Preciso que você encontre alguém de confiança que te ajude a tomar os mais variados tipos de decisões. O Hyunjin entrou em contato com um casal de cerimonialistas que planejou o casamento de um amigo dele, disse que a festa foi incrível e o feedback foi super positivo — então ele puxou o papel para si mesmo, como se estivesse afastando das garras de alguém. — A mamãe queria meter o bedelho enxerido dela e assumir as rédeas, mas eu não deixei. É o nosso casamento e nós vamos fazer da forma que possivelmente sonhamos.
Ai puta que pariu.
Bangchan estava zonzo. Todas as abas de seu cérebro estavam abertas com letras em caixa alta escrito "CASAMENTO" na cor vermelha neon, ele precisava de socorro.
— Aliás — Minho imitou o mesmo tom que Bangchan usou anteriormente —, como vai ser um intenso período de vai pra lá e pra cá fazendo essas coisas, eu recomendo que você fique comigo, seria muito proveitoso.
E então ele se calou e continuou suas compras, fingindo não notar a cabeça de Chan dando sete voltas ao redor dos últimos minutos de conversa. Se Bangchan achou que iria tacar o terror na cabeça de Minho com a questão de levá-lo para conhecer sua família, Minho já estava voltando com a pólvora em mãos e jogou prontamente toda uma bomba na cabeça de Chan.
— Você gosta de besteirinhas? — Minho encarou uma prateleira de refrigerantes — Quero experimentar coisas novas mas não tenho muitas opiniões.
Bangchan apontou uma bebida e outra que lembrava de Seungmin e Hwasa terem o feito provar. Eles seguem pelo supermercado, Minho sempre questionando sobre o que Chan gostava de comprar e tentando o tirar das ladeiras de seus pensamentos, porque ele sabia muito bem que soltar as informações sobre os preparativos do casamento deixaria Bangchan um tanto pilhado, mas era por uma boa causa, ele esperava que o australiano reconhecesse que seria melhor ficar consigo do que se desgastar com o novo morador insuportável. De qualquer forma, ele não esperava vê-lo mudando de ideia tão rápido, já conhecendo o perfil analista e reflexivo de seu noivo.
Seu noivo.
Oh, o coração de Minho se vê tremendo um pouco, como se suas veias estivessem se esforçando com a quantidade de sangue entrando e saindo, tum-dum, tum-dum numa sinfonia tão... cativante, sensível e doce.
Antes de dormir ele ficou algumas horas encarando o anel em seu dedo, a mão para o alto contra a luz, as pedrinhas de diamante brilhando entre os ramos de prata. Ele sabia que era o metal errado, anéis de noivado, de acordo com a regra, deve ser em ouro e anéis de namoro são em prata. Mas ele não ligava, Bangchan não ligava. Então se não era algo que os incomodava, quem deveria se sentir no direito de desgostar? Ninguém. A constatação e o alívio que tomaram o corpo do Lee ao se dar conta de que aquilo era somente deles foi... como o mar tocando uma longa faixa de areia, vindo a primeira vez com leveza, depois mais certeira e alta, recuando e o afogando novamente, puxando para si e levando num rebuliço ao mar. Confuso, leve e salgado.
Gostar... é um sentimento difícil de ser processado, ainda mais por alguém tão ferido.
— Minho, o seu bolo! — ele vê Chan dar um tapa na própria testa — Cacete, eu esqueci. Enfim, na volta eu te dou.
— Tudo bem — o Lee dá de ombros riscando mais um item na sua lista — coloquei uns materiais na lista pra deixar em casa e você usar ao seu bel prazer. Não se preocupe muito, tem um supermercado no condomínio, você também pode pegar alguma coisa que falte e deixar na minha conta.
— Minho... — o australiano quase suplicou, a cabeça tombando para o lado como um lobinho, e o coreano imitou quando disse:
— Bangchan...
Eles ignoraram os arrepios que percorreram seus braços.
— Eu não posso... é seu espaço.
— E somos noivos — Minho mostrou seu anel. — Meu espaço também é seu.
Bangchan queria arrancar todos os seus cabelos na pinça.
— Minho hyung — ele jogou baixo, fazendo uma carinha triste, os lábios formando um biquinho — me entenda, hm?
Minho queria morder Bangchan, depois colocar suas mãos em cada lado do rosto dele e espremê-lo.
— Não faz essa cara — ele apontou para o rosto alheio, olhar era um jogo fácil, difícil era desviar. Ele riu incrédulo — você é do tamanho de um cavalo e tá aí fazendo cara fofa.
— Se apesar de ser um cavalo você diz que eu faço cara fofa é porque algum ponto eu tenho, né hyung?
Minho balbucia, aponta o dedo para a cara de Chan e seu cérebro parece não querer formular qualquer frase condizente.
— Seu... diabinho.
Lee Minho vira de costas, se escondendo atrás das coisas de sua lista. A tarde passa de forma agradável, com alfinetadas aqui e ali, porque eles funcionam bem assim.
Após as compras serem pagas e devidamente colocadas no porta malas, a tarde se desmonta num céu começando a ganhar tons amarelos rajados no azul quase limpo de nuvens branquinhas, os vidros do carro estão baixos enquanto Baekhyun cantava Love Scene embalando aquele trajeto numa zona doce e confortável. Eles fizeram uma pequena pausa numa barraquinha de rua para comprar kamdja tok, que nada mais era do que uma salsicha empanada, após Minho comentar que faziam um bom tempo que ele não comia comida de rua, eles estacionaram o carro e comeram numa discussão acirrada sobre qual apelido destaque eles dariam para a mãe de Minho.
— Bruaca de rosa — ofereceu o Lee.
Chan mexeu o dedo indicador como quem está com uma ideia bombástica em mente, ele termina de mascar e diz:
— Baranga de rosa — Minho parece gostar, considerando que suas sobrancelhas se levantam em reconhecimento — Aliás, ela sempre usa rosa mesmo?
— Quase sempre — Minho termina de comer para falar — senão num tom específico, ela alterna entre vários, se por um livramento mudar de cor, vai ter rosa em algum lugar.
— Chocado.
— É — Minho dá um gole na garrafinha de água e a entrega para Chan. — Sua mãe tem alguma mania de cores?
— Desse nível? Não — ele morde seu último pedaço do kamdja tok e dá um tempo antes de tomar água —, mãe Haeri gosta de vestidos florais e claros, mãe Jessica gosta de cores mais fortes, tipo vinho e verde escuro.
A mente de Minho estalou.
— Oh, você tem duas mães! Elas são casadas?
Bangchan sorriu ao ver o brilho genuíno que havia nos olhos de Minho. Ele não conteve dar um peteleco em seu nariz bonito.
— Deixe que a mamãe Jessica te conte a história delas, eu não tenho permissão pra isso. É mais... bonito ouvir delas. Tanto amor e força. É inspirador.
Os olhos de Bangchan estavam brilhando e levemente vermelhos, Minho não conteve o impulso de levar a mão até a bochecha de Chan, acariciando perto de seus olhos, esperando caso as lágrimas viessem, como um príncipe cuidando de sua raposa.
— Obrigado por dividir sua vida comigo, mesmo que um pouco. Você me cativou bastante — ele brincou com as palavras de seu livro, seu querido e amado livro da infância. O carinho permanece, o polegar indo e vindo com doçura e admiração.
Bangchan sorriu para Minho, derretendo no afago, na voz melodiosa de Mitski em My Love Mine All Mine, cada leveza sentimental gotejando ali como mel deslizando por seus lábios.
— Passou do "Se tu me cativas", em? Seria muito querido ou romântico dizer que agora tu és único pra mim? — eles gargalharam.
A mão de Minho desceu até a de Chan, eles viram quando colocaram as mãos esquerdas uma ao lado da outra, o anel de prata com as raízes finas se enrolando ao dedo anelar, cravadas com seus nomes, pequenos diamantes brilhando delicadamente entre uma curva e outra. Pequena, sutil, bonita, uma chama nascendo entre as raízes, marcadas por dentro, como se estivesse pirografado em seus ossos. Os seus olhos diziam tanta coisa mesmo que não estivesse se olhando para ler cada uma delas.
Seria mais, em algum momento.
Mais sentimental e sincera.
Mais... sincera.
O tempo iria responder.
Como um pianista
derramando-se
nas
teclas
lentamente.
Apenas uma questão de tempo.
Rítmica, folhas passando, dias e sinceridade.
— Eu tô com medo e ansioso — Minho sussurrou, o dedo mindinho escorregando pelo anel de Chan — as coisas do casamento, tantas decisões e... é diferente.
— Fico ansioso só de pensar. Eu sou totalmente inexperiente nisso. Vamos precisar de reforços.
O canto dos lábios de Minho se puxaram levemente num sorrisinho.
— Buscarei muitos reforços.
— Agradeço muitíssimo.
— Vamos lá pra casa? — pergunta esperançoso. — Você precisa se acostumar com o Sonnie e o Doongie. Vamos fazer muitas reuniões lá. Anda, por favor!
— Ok, ok, mas só porque seus gatos são super fofuchos.
Minho deu de ombros se afastando em direção ao volante, ele estava sorrindo.
— Me importa que vá, o que o leva é o de menos.
Bangchan não argumentou, se resguardando em um sorriso discreto e sentando corretamente.
Minho colocou o carro de volta à rota enquanto Dance With Me de beabadoobee tocava.
Naquele fim de tarde eles arrumaram as compras, os gatos de Minho farejando cada um dos quilos de comida numa minuciosa vistoria de qualidade. Bangchan achou graça.
A casa de Minho era cheia de tapetes, móveis para gatos e cores. Era confortável, nada hostil, muito bem organizada e repleta de personalidade. As paredes eram de um verde calminho, haviam mangás numa estante e outra, mini estátuas de personagens de desenhos e diversos gatos coloridos espalhados pela casa, na estante da televisão, na mesinha de centro, na prateleira da cozinha, em uma caneca sobre o balcão, plantinhas na sacada de fora, por sinal, na mesinha da sacada havia uma estátua de gatinho.
— Quando meu pai viajava a negócios pro Japão ele sempre me trazia uma estátua de gatinho de presente — Minho apontou para a imagem sobre o balcão, notando o interesse de Bangchan, que estava sentado no chão entre a sala e a cozinha acariciando as costas de Soonie. — Independente da idade, ele sempre me trouxe. Vai ter gato pela casa toda.
— Percebi. Achei fofo.
Minho sumiu pela área de serviço enquanto continuava a falar.
— No quarto de hóspedes tem cama, um guarda-roupa, banheiro próprio e uma mesa grande de estudo. Talvez seja bom eu colocar uma estante de livros? Acha que precisamos mudar alguma coisa?
O australiano olhou para cima, Minho estava de volta e de pé ao seu lado olhando para uma porta fechada.
— Pra quê?
— Ora pra quê, pra você, queridinho.
— Minho eu já disse que não precisa se estressar fazendo nada, vai ser uma hora e outra, não vou morar aqui!
O coreano prontamente, cruzou os braços olhando para seu noivo parecendo totalmente ofendido.
— Nunca pensei que eu seria um noivo tão enjeitado! De que adianta me casar se eu nem sequer posso te mimar, em?
— Meu Deus que palavra feia de usar! — ele reclamou num muxoxo — Credo Minho... Você não é enjeitado. Olha esquece essa coisa de enjeitado, quer bolo? Se tiver tempo vou te ensinar a fazer... — seu celular havia começado a vibrar em seu bolso, ele tomou um segundo para pegá-lo — bolo... Pera aí um instante. Oi Heez.
Minho conteve uma divertida revirada de olhos enquanto Bangchan se concentrava na ligação.
— Ah, porra. Sério? Tenho uma chave aqui. Mas eu ia demorar pra voltar, de qualquer forma valeu por avisar — ele desliga e dá um sorriso sem ânimo, mais incrédulo do que qualquer coisa — Esse cara... ainda vou quebrar a cara dele. Um dia com a pá virada e ele se fode na minha mão.
— Precisa de ajuda?
— Preciso fazer um bolo antes que eu vire uma bomba relógio — Bangchan reclama, Minho o leva até a cozinha para organizarem os materiais do bolo. — Tem batedeira?
— Tenho — ele puxou a batedeira de uma das portinhas superiores da dispensa — aqui. O que mais?
— Três ovos e uma vasilha pequena pra eu ver se não estão podres. E uma vasilha de bater bolo. Limão também e...
Minho caminhava de um lado para o outro dando o que Bangchan pedia, com todos os ingredientes acessíveis ele ficou um pouco atrás de Chan vendo o que estava fazendo.
— Venha aqui — Minho chegou mais perto —, você quebra um pedacinho da casca do ovo, tira e derrama a clara através do buraquinho, só a clara. Faz isso com todos e você vai bater a clara com uma colher de chá de suco de limão, o limão é pra tirar o cheiro do ovo. Você vai bater até ficar bem fofinho parecendo neve, ele costuma duplicar de tamanho — ele colocou para bater, o barulho da máquina abafando os sons dos gatos brincando em algum lugar, alguns minutos depois ele para —, tá vendo? Fofinho, né? Numa outra vasilha você bate três colheres de sopa bem generosas de manteiga comum com duas xícaras de açúcar. A gente bate até a manteiga ficar bem clarinha, quase branca.
— Por quê bater eles separados? — questionou o mais velho apontando para onde Bangchan acrescentava o açúcar.
—Também não sei, só sei que eu aprendi assim, as vezes que tava sem tempo e fiz junto não deu problema, mas parece que fica menos fofinho? Não sei.
— Tudo bem então.
Eles voltaram a bater a massa, agora até a manteiga ficar clarinha. Bangchan mostrou a Minho como ficava, o Lee estava curiosíssimo, quase um passarinho em seu ombro.
— Agora você junta os dois e mistura. Esse bolo é pra você, e vamos descobrir como anda seu coração. Quer saborizado ou de leite?
Os lábios de Minho se torceram, parecia uma decisão séria. O australiano achou uma gracinha a expressão concentrada do homem.
— Chocolate!
— Ok — cantarolou, já indicando a Minho seus próximos passos —, pegue pra mim uma peneira.
O Lee se afastou para buscar, já voltando com um "Aqui" na ponta dos lábios. Eles descobriram se dar bem nessa dança de dê-me isso, misture aquilo, bata ali e acrescente este aqui. É fluído. Bangchan admiraria isso mais tarde, intrigado por nunca deixar ninguém tocar em sua cozinhar quando está fazendo bolo, mas facilmente ter deixado Minho dançar essa música consigo.
O trigo, chocolate e leite já estavam peneirados e batidos, a massa estava bonita mas Bangchan parecia ainda ter mais algumas observações.
— Prove a massa.
— Assim? — Minho apontou para a bacia com massa sem entender muito. Estava cru.
— É, assim.
— Mas
— Deixa de ser besta menino, só prova. Enfia o dedo e puft!
Minho o fez, parecendo estranho ao ato, ele enfiou o dedo na massa e provou.
— Doce.
— Sim, sabe como suavizar? Você coloca uma pitada de sal, senão o doce fica enjoativo. — o mais novo colocou a bendita pitada de sal e bateu, voltando a apontar que Minho provasse.
— Melhor — admirou.
— Unte uma forma média com manteiga e depois jogue trigo nela e bata nas laterais pro trigo espalhar na manteiga e fazer uma camada. Antes me dê o fermento e uma colher de chá. Ah e coloca pra aquecer o forno.
— Fermento e colher de chá — entregou, já indo procurar a forma para assar o bolo. Ele revirou um pouco suas panelas, encontrou uma forma agradável e mostrou a Chan, recebendo um aceno de cabeça positivo enquanto batia o fermento.
Minho se apressou em untar sua forma, e colocar sobre o balcão, a massa foi dispensada dentro da forma e logo Minho a colocou no forno. Quando se virou, Chan estava muito entretido comendo as sobras de massa das paredes da vasilha.
— Esse bolo é seu. Vamos saber como é seu coração, senhor Lee Know. Espero que não me decepcione.
O coreano sorriu, se encostando no mesmo balcão oposto a Chan enquanto conversavam.
— O que você espera?
— Do bolo, espero que fique fofo e macio. De você, bem — ele deu de ombros —, não sei o que esperar. Não acho que isso seja ruim, só é meio desconhecido. Mas em suma, coisas boas.
Em algum canto da casa Doongie estava miando com seu irmão. Eles estavam ali na cozinha, um bolo assando, xícaras e colheres na pia, farinha de trigo e chocolate respingados no balcão.
Os cabelos de Chan estavam meio revoltosos sob o boné, um fio e outro meio ondulado escapando, ele estava sem óculos e Minho havia reparado que seus olhos estavam um pouco vermelhos, às alianças não estava em seus dedos e sim no balcão, já que eles haviam retirado para cozinhar. Minho estava ali, encostado no balcão, confortável em seu moletom, os cabelos partidos no meio um pouco desalinhados, o rosto limpo e um sorriso leve nos lábios.
— Eu espero coisas boas de você — Chan falou após um tempo caladinho, ele colocou a bacia na pia e lavou a mão antes de sentar no chão, Minho sentou também, as pernas aquase se encostando — Porque no início eu decidi não fazer um pré conceito, e esperei que viesse qualquer coisa... mas você é bom Minho. Seu coração é bom. Sua pessoa é... — ele queria palavras, um conjunto de vogais e consoantes que transpassasse o sentimento que atingiu no dia que foi demitido, quando seu óculos quebrou e ele se sentiu ansioso só de pensar em lidar com as crianças estando fora de seu prumo, do que invadiu seu coração após ver Minho naquela tarde, naquele dia infernal que se transformou num paraíso de águas calmas lavando seus ombros assim que seus olhos se cruzaram... ele respira fundo e pisca os olhos para recuperar sua fala — algo que consegue trazer conforto em dias tão ruins que parece impossível até de respirar, sabe?
Minho... estava de peito cheio, cheio de ar. Difícil de soltar, processar e libertar. Ele expira, todo o ar saindo enquanto aliviava suas bochechas e orelhas vermelhas. Ele queria entender, destrinchar as palavras de Bangchan, abrir uma nota para cada uma delas, até entrar em sua mente com seu total significado. Então, ele decide abrir uma de suas portas. Apenas uma. Um lado. Só agora. Com cuidado, a mão buscando remexer onde deveria estar a aliança, um hábito em desenvolvimento.
— Você é... um sábado.
Bangchan solta um arzinho revirado numa risada, ele parece curioso, aqueles olhos bonitos brilhando em busca de entender.
— Sábado?
— Sábado é meu dia favorito. — Ah. — Aos sábados eu leio pela manhã, a gente se encontra e o dia corre assim, eu gosto da tua companhia porque é leve. Não tem pressão de ser alguém que não seja eu mesmo, com todas as besteiras que isso demanda. É eu e você. Duas pessoas. É o dia mais humano da minha semana. Você faz as pessoas não terem medo de serem elas mesmas, ou mesmo tendo, é uma queda de braço invisível porque você é tão doce que se despir de quem quer que você se obrigue a ser é fácil.
É eu e você. Duas pessoas. É o dia mais humano da minha semana.
Sábado é meu dia favorito.
— Eu vou matar você — Bangchan conseguiu dizer, escondendo as orelhas vermelhinhas com as mãos e evitando encarar Minho, que tinha um sorrisinho convencido nos lábios.
— Alguém te falar verdades te assusta Christopher Bang? — Ele cutucou o joelho do australiano, perturbando-o — Em Christopher Bang? Saber que você é um grande querido lhe assusta?
— Assusta — assumiu. Minho parou. — Mas que bom que você se sente confortável comigo. Eu sempre tentei ser a pessoa que traz conforto, que bom que não é só coisa da minha cabeça.
— Não é, você é tipo aquele urso azul dos Ursinhos Carinhosos!
Bangchan engasgou.
— Meu Deus! Minho onde você foi chegar?! Cara isso é antigo! Minha mãe tinha uma coleção de cadernos deles. Eu colava as figurinhas na porta da geladeira. Amava comprar cartela de adesivo pra colar nas coisas, faço até hoje...
Eles eram... domingo. Um dia de paz após uma semana turbulenta, o dia de reunir, descansar, de sair, barulhar ou, no final do dia, de ficar triste porque depois vem mais turbulência. Tendo em mente que o dia calmo volta.
Sempre haverá outro domingo.
Assim como antes dele, houve um sábado.
🐰🐺১ NOTAS
SÁBADO TIPO
enfim amores obrigada por lerem!!
dani e lila obrigada por me aguentar falando sábado sábado durante a madrugada de hj, os amo.
obrigado agustdjsuk pela revisão tmj aí na atividade
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