Move
- Alícia, desembucha. Tá me assustando, peste. - Dou um tapa no braço dela e ela me dá um sorriso leve.
- Não é algo extremo...eu acho. Mas não deixa de ser importante.
- Fala logo, porra!! Você fica me deixando ansiosa pra caralho.
- Okay, calma...bom, sabe a vovó Íris?
- Sei. Mãe do papai. A que mora em Santa Catarina, né?
- É, ela mesma. Então, a vovó Íris teve uma conversa séria com o papai e disse que o ambiente aqui está escroto demais para nós duas. Com essas mesma palavras. E bem, enquanto a poeira por aqui não baixar...ela exigiu que fôssemos morar com ela para o nosso bem.
Eu juro que me animei muito, na mesma hora.
- E concordaram? - Digo, com uma animação que surpreende Alícia.
- Bom, o papai se sentiu até feliz, já que é a mãe dele. Deve ter feito ele sentir como se ele tivesse ganho a nossa guarda. E a mamãe sempre gostou da vó Íris, e como ela é de outro estado, significa distância do papai. Logo, ela também aceitou. Mesmo...sendo meio em cima da hora.
- Hã...Em cima da hora quanto?
- Digamos...que precisamos estar amanhã à noite na casa da vovó.
- AMANHÃ À NOITE? Mas é muito em cima!!
- Eu sabia que você ia ficar tensa com isso. Meu Deus... - Alícia põe as duas mãos no rosto, sem saber o que dizer. Eu me aproximo dela tentando acalmá-la.
- Relaxa, Alícia. Só me assustei por ser tão do nada. Mas você deve ter percebido que eu tô no tédio ultimamente por aqui. - Alícia volta seu olhar para mim novamente e concorda. - Então. Eu fico feliz de passar um tempo longe dessa merda de rotina. Acho ótimo, até. O problema mesmo é a escola e...pra mim só. Mas e o Rapmon?
- Ah...é. Tem ele. - Ela coloca uma mecha de cabelo atrás da orelha, sem graça, dando um sorriso de canto. - Você sabe...ele faz medicina também, na mesma faculdade que eu. E perto de onde a vovó mora tem uma unidade da mesma faculdade. Eu posso ser transferida pela mamãe e...como o Rapmonnie é quem paga a dele, ele resolveu se mudar conosco.
- Mesmo? Que ótimo!! Fico feliz por vocês. - Dou um abraço em Alícia. - Então parece que precisamos arrumar as coisas, né?
- Sim. Vovó deixou tudo pronto para nós. Não precisamos fazer quase nada além de arrumarmos as coisas, nos despedirmos de todos e partir amanhã.
Me levanto da cama dela e me volto para a mesma, segurando suas duas mãos. Sorrio para minha irmã mais velha. Estava com uma sensação boa.
- Então, acho melhor nos apressarmos. Não queremos atrasar nada nem ninguém.
Ela sorri de volta para mim e se levanta da cama me dando um abraço e logo depois me soltando e se dirigindo ao seu armário. Alícia começa a fuçar suas coisas e jogar algumas roupas em cima da cama, retirando uma grande mala de lá de dentro logo após.
- Vou começar agora. Rapmonnie já deve até ter preparado as coisas dele. Ainda mais que vovó preparou tudo para nós, mas apenas viu se em sua vila havia alguma casa vaga para ele. Ele realmente vai fazer uma puta mudança. - Eu rio.
- Verdade, Alícia. Bem, vou arrumar minhas coisas então. Nunca pensei que fosse fazer algo maluco assim, mas okay!! Vai ser bom passar um tempo na vovó. Pena que não vamos ficar lá pra sempre.
- Há. Quem sabe? Você conhece a vovó. Ela sempre apoiou o papai e a mamãe, mas sempre que eles brigavam, a solução era nos mandar pra longe das guerrinhas dos dois.
- Na maioria das vezes pra casa dela e outras vezes pra casas de coleguinhas da escola.
- Pois é. Vai lá, Anaíz. Não podemos demorar com isso.
- Tudo bem. Tchau!
Depois de me despedir de Alícia, saio de seu quarto e fecho sua porta, indo até o meu quarto. Chegando lá, fico escolhendo tudo o que levarei comigo para Santa Catarina. Pego meu malão e dobro algumas roupas dentro dele. Coloco alguns livros em outra bolsa e pego o resto das minhas coisas e embalo tudo. Em algumas horas, assim como a nossa preparação para o dia seguinte, o dia também já tinha chegado ao seu fim. Estava bem cansada e precisava descansar, mas antes disso, vou até a cozinha procurar algo para comer e me deparo com minha mãe, meu pai e Alícia. Minha mãe e meu pai estavam discutindo baixo, enquanto Alícia colocava minhas malas e as malas dela perto da porta da sala de casa.
- Mãe!! Pai!! Eu não sei se vocês estão ligados nisso, mas eu e a Any vamos embora amanhã!! - Alícia dava um esporro muito bem dado nos dois.
- É, né? Será que dava pra calar a merda da boca por mais algumas horas? Voltem com essa porra de briga quando estivermos fora de casa, se quiserem. Com todo respeito, claro. - Digo, sarcástica.
Mamãe e papai ficam um pouco nervosos com o que eu digo, mas resolvem apenas ficarem quietos. Eles sabiam que nós duas estávamos na razão de reclamarmos. Era briga o dia todo quando estavam juntos, e quando estavam separados, era um falando mal do outro. Puta que me pariu. Sem ofensas, mas já ofendendo, mãe.
- Eu fiz arroz e frango o suficiente para vocês duas. Está no fogão. - Isabel, nossa mãe, aponta para o bendito fogão, onde estava minha amada comida. Com fome? Imagina. Só quase morta de fome.
Eu não estava com nem um pouco de paciência pra aturar a continuação da briga dos dois. Que era certeza que ia ter, depois que nós duas saíssemos. Lanço o meu olhar para Alícia de "Vamos sair logo dessa merda dessa cozinha antes que nossos pais comecem a terceira guerra mundial de palavrões" e sim, ela atendeu. Logo que terminamos de comer, saímos rapidamente da cozinha, escovamos os dentes e fomos as duas para o meu quarto. Algo que não foi conversado antes. Simplesmente resolvemos ficar juntas. Eu e Alícia fechamos a porta do meu quarto e soltamos um mesmo suspiro de alívio.
- Ufa, que merda. Não aguentava mais aquele clima. - Alícia se joga de costas na minha cama.
- É, cara. Puta merda. Parecia que iam um comer o cu do outro. - Alícia começa a rir e acabo por rir também logo depois. Começo a pensar em algumas coisas não muito inocentes sobre o que tinha acabado de falar e começo a rir mais ainda.
- Eita. Que foi? - Alícia olha pra mim assustada.
- Imagina se amanhã quando nós duas sairmos, nossos pais se peguem?
- Eta, carai. - Alícia dá um sorriso de canto. - Com todo esse "amor", eu nem duvido. Nem que seja sem compromisso.
- Também não duvido.
Um breve silêncio se faz no quarto e Alícia se levanta e troca de roupa, colocando seu pijama. Eu já estava com o meu, então assim que ela se deitou na minha cama, apenas me deitei ao seu lado e ficamos uma de frente para a outra.
- Vai dormir aqui, é? - Olho para Alícia, sorrindo.
- Vou, sim. Por que? Não pode? - Alícia sorri de volta, me provocando.
- Hm...hoje eu tô boazinha. Pode ficar aqui. - Me aproximo mais dela e a abraço. - Faz muito tempo que não dormimos juntas...
- É verdade, Any. Éramos tão pequenas da última vez que dividimos a cama.
- Sim....Aly?
- Oi, Any?
- Vamos sempre ficar juntas, né?
- Claro, Anaíz. Sempre, sempre.
- Que bom. Acho que...mesmo com todas essas merdas, ainda vou sentir falta dessa casa.
- Eu também. Mas vai ser bom fazermos novas lembranças. E descansar disso tudo.
- Só desejo sorte para nossos pais. Que eles não se matem aqui em casa.
- Que assim seja...Any?
- Oi, Aly?
- Canta pra mim? Pra gente dormir?
- Hm, gosta de me ouvir?
- Gosto muito.
- Tudo bem. Quer que eu cante o que?
- Deixa eu ver...Paper Hearts?
- Opa, boa! Tori Kelly, vamos lá...
Começo a cantar baixinho para Aly:
Remember the way you made me feel
Such young love but
Something in me knew that it was real
Frozen in my head
Pictures I'm living through for now
Trying to remember all the good times
Our life was cutting through so loud
Memories are playing in my dull mind
I hate this part paper hearts
And I'll hold a piece of yours
Don't think I would just forget about it
Hoping that you won't forget about it
Aly dormiu antes de mim, mas não demorou, minhas pálpebras começaram a pesar e logo, eu também já havia adormecido.
...
EU APENAS AMO ESSE COVER DO CHOKOOKIE <3
Anyeon, meus filhos. Aqui é a Ayejay (Ah, vá)
Estou gostando muito de escrever essa fanfic *w*
Tô amando e podem deixar que a enrolação pros boys aparecerem não vai durar muito mais. Ah, e comentem. Eu não mordo =3
Bjundas <3
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