Look Here pt. 4
Anaíz Wayoli P.O.V
Ding Dong
Quando ouvi o som da campainha da cobertura, senti que parei de funcionar por alguns segundos. Meu corpo parou enquanto estava terminando meu pão com ovo. Meu coração começou a acelerar. Alícia, que estava prestes à se sentar na cadeira do meu lado, parou com a mão no encosto e trocamos olhares.
- Eu atendo, pode comer. - Digo, levantando.
- Não, precisamos receber eles, as duas. - Ela responde.
- Eu já terminei. - Ponho o último pedaço de pão na boca. - Você ainda nem começou. E estava passando mal. Deixa eu cuidar de você dessa vez, Alícia. Fica e come. Eu atendo.
Ela queria protestar mais, mas eu levantei rápido e dando os últimos goles no meu suco, fui levar tudo pra pia.
Fui corrente até o interfone e disse que já ia atender. Não dei tempo pra ninguém responder, só desliguei o interfone e fui atender. Quando parei na frente da porta e segurei a maçaneta, parei. Por que estou hesitando tanto? É medo, não é? Bom, mas eu preciso fazer isso. Logo.
Destranco a porta e viro a maçaneta. Meu coração parece que está mandando o passinho do romano no meu peito. Alguém me leva pro hospital.
Assim que a abro, tento sorrir, mas sinto que tudo que consigo fazer é abrir a boca e arregalar os olhos. Qual a sensação de estar se olhando no espelho. Você sabe, não sabe? É quase o que eu estou sentindo. Eu acho que sou a minha própria mãe. E quanto o meu pai, consigo ver exatamente de onde ela puxou várias coisas. E isso é chocante. E eles dois pareciam compartilhar bastante do sentimento.
Viro pra trás, assustada, após ouvir o som de um prato se chocando com o chão e se estilhaçando em mil pedaços.
Alícia estava lá, olhando pras duas pessoas do outro lado da porta com uma expressão de espanto, sem ao menos se importar com o prato. Vejo ela dar alguns passos desajeitados pra trás e piscar várias vezes. Corro até ela e ajudo ela a se sentar, deixando eles na porta.
- Alícia, tudo bem? - Pergunto. Agora os olhos dela estavam vidrados no chão. Ela estava respirando um tanto rápido.
- Eu...não. Não, eu não sei. - Me levanto.
- Fica aqui. Respira.
Vou até a porta e tento encarar eles novamente, mas é difícil não ficar petrificada com eles ali.
- É...e-entrem, por favor. Eu vou pegar uma vassoura e uma pá. - Digo, tentando soar simpática. Eles parecem sair de um transe antes de um deles me responder.
- Ah, sim. Com licença. - A mulher diz e entra, acompanhada pelo homem.
Me apresso pra limpar o chão, depois de entregar um copo d'água pra Alícia, que sentava agora em uma poltrona, enquanto os dois estavam em um sofá ao lado. Encarando e analisando ela todo tempo. Que estranho...
Depois de tudo limpo, sento entre Alícia e eles dois, no sofá, mas ainda mais perto da poltrona de Alícia. Respiro fundo, tentando pensar em algo pra falar.
- Bem...oi. - Digo, sorrindo, nervosa.
A mulher desperta atenção em mim agora, e arruma a postura. Ela me devolve um sorriso sem jeito, parecendo tentar formar uma frase.
- Oi. Nós...chegamos em um momento muito ruim? - Ela pergunta.
- NÃO! - Digo, um pouco mais alto do que eu gostaria, que assusta ela. Tento me consertar. - Perdão. Não. Está tudo bem...ou vai ficar.
- Não se preocupem...por favor. - Alícia fala, depois de dar mais um gole na sua água.
- Ah...certo. Então está tudo bem.
Um momento de silêncio passa pela sala, e eu começo a ficar realmente confortável. Silêncio não...por favor.
- É...então são vocês. - Digo. Eles me olham com uma expressão curiosa. Eles se entreolham por um momento, e enquanto a mulher olha pra própria bolsa em seu colo com seriedade, o homem parece ficar sem graça.
- Sim. Somos...somos nós. - O homem diz.
- Bem. Eu sou Anaíz. - Responde.
- E eu sou a irmã mais velha, Alícia.
Apresentadas, sorrimos, e esperamos pela parte deles. Eles parecem tentar absorver cada parte do que dizíamos, partindo de nossos nomes, como se eles fossem um jogo travando.
- Eu me chamo Helena Youth. - Ela diz.
- Thommas Angels. Prazer. - Ele diz também, parecendo um pouco mais emocionado com a situação do que ela.
Helena e Thommas...
Agora que Alícia parece melhor, a vejo na mesma situação que eu, mais preocupada em formular uma conversa e conseguir, ao mesmo tempo, processar tudo que tá acontecendo. Tem muito o que ser falado.
- Então, vocês...quiseram nos conhecer pessoalmente. - Olho para quem lançou a pergunta, Helena, me sentindo um tanto estranha.
- É...queríamos conhecer vocês dois depois que...descobrimos. Não foi da maneira que nós gostaríamos. - Alícia se pronuncia. - Mas acho que ninguém gostaria de descobrir que é adotada, né? Só esperava que tivessem me contato antes de ter a cabeça tão feita.
Thommas parece mais surpreso em ouvir isso do que Helena.
- Vocês...souberam faz pouco tempo? - Ele pergunta.
- Descobrimos esse ano, por acaso. Tive um desentendimento com a Isabel, e...ela soltou um comentário não muito singelo. - Explico, não querendo me fixar muito na memória.
- Eu não imaginei isso. Que tinha sido feito assim. - Ele diz.
- Mesmo? Pra ser bem sincera, eu achei que apesar de termos sido deixadas lá, vocês tinham ao menos se mantido em contato com os pais adotivos. Mas se estavam tão dispersos... - Começo à falar, mas Helena me interrompe.
- Ele não sabia de nada. - É o que ela diz.
- Como? - Alícia parece mais curiosa sobre o assunto agora.
- Sobre o orfanato. Ele não sabia que vocês foram deixadas lá por mim. Na verdade...ele nem ao menos sabia que vocês duas estavam vivas. - Helena explica com cada palavra usando muita calma.
Mas um nó se forma no meu estômago quando ouço isso. Como ele não sabia?
- Perdão se é inoportuno, mas... - Ouço a voz de Alícia um tanto fraco ao meu lado.
- Tudo bem. Eu conto tudo. Acho que já deu de segredos. - Ela diz, e respira fundo. Algo me diz que nada bom vem à partir daqui. - Quando nós dois nos conhecemos, eu vivia muitos problemas com a minha mãe. Ela era alcoólatra, saía com muitos homens, e eu não tinha muita paz dentro de casa. Thommas era minha válvula de escape e me trazia muita felicidade. - Ela dá uma pausa aqui, fechando os olhos por alguns segundos. - Minha mãe não aprovava nosso relacionamento. Mas eu não me importava com isso e mantive nossa relação em segredo. Depois de dois anos juntos, eu engravidei. Era Alícia. - Ela olha para minha irmã. - Eu estava muito feliz. Nós dois. Apesar de sermos muito novos, queríamos assumir isso. Eu sempre quis ser mãe e dar pra qualquer filho meu o amor que eu não recebi da minha mãe. Mas eu era nova e minha saúde nunca foi muito forte. Eu fiquei doente e deixei de visitar Thommas. Minha mãe tinha começado a suspeitar que eu ainda estava com ele, então passei algumas semanas em casa. Mas meu problema não melhorava. Fiquei muito fraca e um dia, acabei indo atrás do Thommas. Estava com medo de perder a criança e queria estar com ele. Porque... - Thommas segura a mão dela, e ela deixa, hesitante. - ...ele sempre me fez...sentir melhor. Mas no dia que eu fui até a casa dele, minha mãe me seguiu e me virou. Não tive tempo de chamá-lo na porta, então ela me arrastou até a nossa casa, e lembro de ter apanhado muito. Como eu não queria preocupar ele, então guardei esse segredo. Apesar de todos os problemas, pude dar luz à Alícia. Mas...a minha mãe não queria que eu ficasse com ela. Então ela me obrigou a colocar Alícia no orfanato. Muito nova. - Nesse momento segurei a mão de Alícia, porque tive certeza de como ela se sentia ouvindo isso. - Passei mais algum tempo em casa, até conseguir algum momento pra sair e ir atrás do Thommas. Quando encontrei ele, pedi desculpas por sumir e disse que tinha perdido o bebê por causa da minha saúde. Escondi a verdade sobre a minha mãe e o nascimento da Alícia.
- Helena... - Ele chama ela.
- Deixa eu terminar...por favor... - Ela seca uma lágrima que descia pelo seu rosto. - Foi um momento da minha vida que melhorou, ao lado dele. Foi muito curto, mas tentamos novamente ter uma filha. Após termos conversado muito sobre isso. Então... - Ela olhou nos meus olhos. E senti que estava sendo puxada pela alma. - Eu fiquei grávida de você. Descobri isso enquanto estava na casa da minha mãe, e ela viu o teste de gravidez. Ainda com pouco tempo de grávida, ela disse que eu faria o mesmo que fiz com Alícia, que já tinha sido adotada pela Isabel e pelo Davi. Porque não admitia que eu tivesse nenhum filho.
Lágrimas escorrem pelo meu rosto ao ouvir a parte da história que me incluía. Porque eu não imaginava que algo assim seria o motivo de tudo isso.
- Essa gravidez foi escondida do Thommas...porque ela não me deixou sair de casa até você nascer. Eu desapareci. E hoje é a primeira vez que o vejo desde que sumi naquele dia. - Ela diz, por fim.
- Mas...eu não me lembro dos nossos pais adotivos terem me apresentado uma irmã adotada. Como que... - Alícia estava prestes à fazer uma pergunta que eu também tinha engasgada na garganta, mas Helena responde antes dela terminar.
- Pedi pra minha mãe que eu pudesse ao menos entrar em contato com a família que adotou Alícia 9 meses antes da Anaíz nascer. Dias depois que eu descobri que estava grávida. Queria que eles armassem a situação pra que nenhuma das duas soubessem que tinham nascido de outra mulher. Então, Isabel fingiu estar grávida. Disse que pensava em adotar outra criança, e que se fosse assim, seria menos doloroso pras vocês duas. Ela concordou e isso foi feito.
- Então por isso não existe gravação do meu nascimento. - Digo, soluçando.
- E é por isso que ela nunca me deixou tocar na barriga dela. - Alícia conclui.
- Isabel nunca esteve grávida. Ela é estéril. - Helena fala a última coisa, parecendo que está tirando um peso das costas.
Eu estava tentando me preparar pra qualquer coisa que pudesse vir da razão pela qual fomos deixadas no orfanato, mas eu nunca imaginei que algo assim poderia ser a razão.
Eu estava sentindo que um vazio no meu coração tinha sido preenchido. Porque, afinal, ela não tinha nos abandonado por nada. Mas ainda assim, saber que minha avó materna foi uma pessoa tão ruim, que fez as duas netas passarem por isso tudo sem nem mesmo uma razão cabível, me fazia sentir vontade de vomitar.
É claro que eu só conseguia chorar. Com uma mistura de sentimentos bons e ruins no peito. E Alícia também.
- Eu lhes devo desculpas. Aos três. Eu era a única que sabia sobre tudo isso por muito tempo. Eu nunca concordei com a decisão da minha mãe, mas... - Ela parece desistir de secar suas lágrimas. - Ela já tinha descoberto. Tinha medo dela me machucar e algo pior acontecer. Eu queria ao menos que vocês estivessem vivas. Nunca perdoei ela por me obrigar a abandonar vocês. Mas também nunca me perdoei por não ter feito nada. Peço perdão pros três. Alícia, Anaíz e Thommas. Perdão...
Helena Youth P.O.V
Enquanto secava meu rosto com as mãos, apoiada com os cotovelos mos joelhos, senti alguém me envolver com os braços. Não apenas uma pessoa, mas com o passar dos segundos, mais uma, e outra. Mas eu...não mereço isso.
- Sshhh...mãe. Não...não foi sua culpa. Não pede desculpas. Você fez o máximo que pôde por nós. - Ouço a voz de Anaíz recitando as palavras com dificuldade por conta do seu próprio choro.
- Se você quer saber...você foi mais mãe do que qualquer mãe adotiva que a gente poderia ter. - A mais velha, Alícia, diz.
Além delas, Thommas também estava me abraçando, e eu ficava imaginando o que estava na cabeça dele sobre tudo isso. Todos estão realmente do meu lado? Depois de tudo?
Abraço eles de volta, mesmo com dificuldade. Meu coração parece mais leve, apesar da dor da culpa que ainda estava em mim. Sinto que talvez, apenas talvez, ela não fique por muito tempo.
Alícia Wayoli P.O.V
- Vocês...são garotas incríveis. - Meu pai, Thommas, diz.
Eu estava preparando alguns biscoitos enquanto Anaíz fazia um bolo com a nossa recém reposta mãe. Todos estávamos na cozinha, tentando aproveitar um tempo bom, tentando não chorar, e também, tentando agir naturalmente e absorver tudo isso.
Sorrio pra ele, me sentindo ainda anestesiada.
- Obrigada, pai. - Ele olha pra mim sorridente, depois olhando pra mim mexendo a massa.
- Deixa eu te ajudar, por favor. Eu tenho um restaurante. Posso ser útil. - Ele diz, e deixo ele pegar a colher de pau.
- Mesmo? Achei que vocês tivessem algum emprego chato. - Digo.
- Bom, a mãe de vocês tem. O meu é ótimo. - Ele diz, mexendo a massa alegremente.
- Meu trabalho não é chato. Eu amo meu trabalho, Thommas. - Ela diz, falsamente com raiva. Mas sorri.
- No que trabalha? - Anaíz pergunta.
- Sou empresária. Mas não é tão chato quanto ele diz. Aliás, como sabe que sou empresária?
- Você não é uma empresária desconhecida. Quando se é garota propaganda de perfumes e produtos de beleza...não é difícil achar informações. - Ele diz.
- Você faz isso???? - Pergunto.
- Bem...às vezes. Trás uma boa imagem pra empresa. - Ela explica. - Mas não é nada muito frequente. São só algumas fotos e comerciais.
- Isso é impressionante. Não achei que vocês fizessem coisas legais, também. - Anaíz responde.
- Se quiserem, posso ensinar algumas receitas que eu aprendi com a experiência na cozinha. Perdi muito tempo com vocês, e mesmo que não consiga recuperar tudo, quero ensinar alguma coisa pra vocês. - Ele diz.
Vejo nossa mãe sorrir suavemente. E me pergunto se, em algum lugar dentro dela, ainda existe algo do meu pai.
- Meninas, eu...seria muito estranho se... - Ela começa a falar, e eu, minha irmã e meu pai, olhamos pra ela. - ...se eu chamasse vocês pra passarem essa semana na minha casa?
Repentino. Mas estranhamento penso em considerar. São nossos pais, afinal de contas. E é nossa última semana no Rio. Seria o ideal...eu acho.
Abaixo a cabeça sorrindo, e penso. Olho para Anaíz que não parecia esperar o convite, mas não acho que pense em recusar.
- Eu tinha alugado essa cobertura pra vocês ficarem o resto da semana, mas...eu queria realmente que vocês viessem pro meu ambiente. Eu tenho um apego grande pela minha casa e as pessoas que vivem comigo lá. É um lugar confortável. - Ela continua.
Pessoas que vivem com ela? Será que ela formou uma família durante esses anos e ela quer que...a gente conheça eles?
- Bem, eu...acho que não me importaria. - Anaíz responde. - Já estamos aqui todos juntos. Interagindo bem. Conhecer mais da rotina de vocês pode ser...interessante.
E...foi o que a gente fez. Nós quatro resolvemos passar os últimos dias juntos, na casa da nossa mãe.
Anaíz Wayoli P.O.V
Foi um pouco estranho no início, quando chegamos lá. Acho que principalmente pro Thommas, meu pai. Ele parecia perdido dentro da casa da mamãe. E sim, ainda é estranho pra mim e Alícia usarmos "mamãe" e "papai". Mas estamos nos habituando.
O primeiro dia na casa foi parado. Depois que fomos guiados pros nossos quartos, nenhum de nós queria sair, ao não ser pela dona da casa, claro. Parecia que faríamos alguma besteira ou nos perderíamos, mas minha mãe tentou nos encorajar a sair e conhecer o lugar.
É uma casa bem grande. Não exageradamente grande, mas é bem espaçosa e os tons de branco e as paredes de vidro fazem tudo parecer maior. É um espaço bem aproveitado também.
No segundo dia na casa, resolvemos festejar com um churrasco. E na área da piscina da casa. Nossos pais ainda pareciam se estranhar um pouco, mas estavam conversando. Isso pareceu bom.
Não esperava que eles voltassem a ficar juntos, só queria que eles não se odiassem...fossem amigos. Já estava ótimo. Parece que posso ter isso.
Nesse meio tempo, quando quis sair da piscina depois de nadar muito, conheci Bae Yoobin, que veio várias vezes perguntar se eu queria uma toalha. Ela parece ser muito tímida, mas conversa realmente muito bem. Ela me lembra Haechul, às vezes. Esse lugar, num todo, me lembra muito a casa dos pais do Jimin. É estranhamente reconfortante.
- Você gosta de música, senhorita Wayoli? - Yoobin pergunta, em um momento que ela vem me oferecer frango.
- Hm? Eu gosto sim. Por que pergunta?
- Ah, é que eu passei ao lado do quarto da senhora quando eu cuidava do jardim e a vi cantando e dançando. Parecia bem envolvida. Perdão se vi algo que não deveria.
Apesar de me sentir um pouco sem feito, fico feliz.
- Não se preocupe com isso. Eu faço isso com frequência. Não é nenhum segredo. Eu gosto muito de música sim. - Respondo.
- Mesmo? Eu gosto muito de apreciar as batidas. Queria poder viajar por aí e conhecer ritmos diferentes de cada país...e alguém que possa compartilhar isso comigo. - Ela explica. - Eu gosto de ficar perto de pessoas calmas, mas que podem impressionar a gente, sabe? Eu queria realmente encontrar alguém assim, e que soubesse sobre música...batidas. Não sou muito de dançar, mas o ritmo realmente me dá vontade de me mexer.
- Gosta de pessoas calmas...? Hm...não querendo me influenciar a largar a casa nem nada. Mas já pensou em sair daqui? Vai ser difícil conseguir o que você quer se ficar vivendo aqui pra sempre. - Pergunto, com uma ideia em mente.
- Eu...já. Mas eu cresci aqui. Tenho medo de não dar certo e...não saber me guiar. - Ela diz, deixando a bandeja de frango em uma mesa ao nosso lado.
- Domingo, eu e Alícia vamos voltar pra Santa Catarina. Ainda faltam alguns dias. - Ela olha pra mim com uma expressão de esperança. - Não quer ir com a gente?
- Mesmo??? Eu...não sei, eu...adoraria. Mas largar tudo assim...
- Ah, o fundamental da vida é feito disso. Pegar oportunidades. Por que não tenta? Fala com a minha mãe e tenta se planejar essa semana. Pode dar certo. - Sugiro.
- ...tudo bem! Vou tentar! - Ela sorri.
Tem alguém que eu queria que Yoobin conhecesse. Tenho quase certeza que vão se dar bem.
No final do dia, todos nós nos reunimos pra jantar juntos. Nós quatro. E uma conversa veio em questão.
- É uma pena que vocês tem que voltar. - Papai diz. - Vocês vão voltar pra Santa Catarina, não vão?
- Vamos...vamos sim. - Alícia responde. - Nós formamos uma vida lá nesse meio tempo que ficamos com a nossa avó. Não podemos voltar pra cá. São muitas questões.
- Não se preocupem. Se ao menos pudermos nos ver de vez em quando, já fico feliz. Ao menos conheci vocês. - Ele responde.
Mamãe parece concordar com ele.
- E, meninas. - Olhamos pra ela. - Estava pensando e queria perguntar. Vocês tem namorado?
Troco olhares com Alícia, tossindo. Ela sorri suavemente, preparando uma resposta. Tenho medo do que vai ser dito.
- Sim. Eu...namoro faz alguns anos. Estamos conversando sobre uma próxima etapa do nosso relacionamento. E...Anaíz também está com alguém que conheceu em SC, não é? - Ela passa a bola pra mim, e arregalo os olhos, limpando arroz da boca. Não acredito nessa merda.
Sorrio calmamente quando vejo nossos pais olhando pra mim. Surpresos. Anaíz, plenitude.
- É...é verdade. Tem isso. - Bebo um gole do suco. Nervosa. O que Alícia me fez dizer?
- E estão juntos faz muito tempo? Você e ele? - Meu pai se inclui no assunto.
- Não...ainda vai fazer um ano.
- Não seja tão tímida, Anaíz. - Alícia empurra mais o assunto. Claramente se divertindo. - Fale mais dele. Olha, ele é uma pessoa incrível. Dança, é bonito, divertido. Fala, Anaíz.
- Ele dança? Que diferente. Gosto de dança. Acho super elegante. Como ele se chama? - Minha mãe pergunta.
- Então...é...
É claro que eu só tenho um nome pra falar. Mas eu não falei com ele. Como eu vou sair do Rio jogando uma verdade dessas do nada?
- É Jimin. - Falo, um pouco baixo.
- Jimin? Ele é coreano? - Meu pai pergunta, estranhando o nome.
- É. Meu namorado também é. - Alícia acrescenta.
- Mais da metade da galera que a gente conhece é, na verdade. - Digo, me sentindo estranha.
- Ah, é verdade que tem muitos dos orientais vindo viver no Brasil recentemente. Mas é bom que tenham achado garotos legais. Não tinha imaginado que minhas filhas já estavam comprometidas. - Mamãe diz.
Bebo mais um gole do meu suco, sorrindo torto.
É muito estranho falar disso.
Agora minha mãe acha que eu namoro o Jimin.
...
E é assim que tem que ser, querida.
Olá, meus filhos. Aqui é a Chimchim (Ah, vá).
Agora a fanfic vai ficar bem soft.
Os capítulos de encerramento chegaram e agora vamos ter muita coisa suave, soft (hur dur), os finais dos protagonistas e alguns outros personagens, e já venho dizer que estou triste que minha fanfic vai acabar ;---;
Falta pouco gente. Muito pouco.
Mas, vou indo. Não tem muito o que ser dito.
Bjs da omma <<33
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