XXII
O olhar apático de Tadeu Cross me causou um arrepio na espinha de imediato. O velho de sorriso amarelado me mediu dos pés a cabeça enquanto mascava sabe-se lá dentro de uma agulha de pouco mais mais de vinte centímetros. Não fazia ideia do que se tratava quando fui avisada ainda em sala que deveria aparecer em escritório. Já não haviam mais consultas e estava certa de que o tinha feito acreditar que eu estava bem, ao menos diante do que ele achava que eu tinha. Estava não apenas saudável, mas sem arrumar brigar com os meus colegas ou ser pega em meio a situações no mínimo embaraçosas. Estava me esforçando ao máximo para não passar outra vez pela sessões de tortura psicológica que ele tanto clamava serem para o meu bem.
Engulo em seco quando se aproxima, ele parece ter se mesclado com o odor de mofo das paredes, ou talvez fossem as suas roupas. A camisa xadrez que usava por baixo do colete cinza parecia tão velha quanto as rugas do seu rosto denunciavam que ele era. Viro o rosto alguns centímetros encarando o chão e esboço um sorriso nervoso e desconfortável, mas ele não parece se importar com aquilo.
—Os últimos meses tem sido um tanto quanto produtivos, vejo que não há mais qualquer tipo de reclamação contra a senhorita e até as freiras tem elogiado o seu comportamento. — aceno positivamente, apenas concordando com o que dizia. —Desta forma não vejo mais motivos para continuarmos com o seu tratamento, a declaro oficialmente reabilitada. — apesar do rosto sereno, eu sentia vontade de rir.
—Eu tenho me sentindo muito bem, graças ao senhor. — tento sorrir, mas há limites para a minha atuação. Estico os lábios e apenas aceno. —Hoje também é o meu último dia de castigo na lavanderia.
—Isso é ótimo. Vou fazer algumas anotações na sua ficha para futuras pesquisas, foi um prazer insistir em nosso tratamento. — meu estômago revira quando sua mão se estica, posso ver a pele enrugada e cabeluda apoiar em meu ombro, apertando. Sinto vontade de vomitar. —Esta curada, aposto que logo irá voltar para casa e ser uma pessoa melhor. — meu pescoço dói e tenho a impressão de que tenho acenado desde que cheguei ali como um boneco bobble head.
Solto um longo suspiro ao colocar os pés para fora da sala e caminhar em passos rápidos pelo corredor a fora. Nem mesmo avia notado que segurava a respiração até sentir meu pulmão comprimir. Estava livre? Vivendo naquele casarão qualquer sinal de liberdade parecia uma alegria demasiadamente utópica. Era pouco mais de três horas da tarde e todas as minhas atividades já haviam sido cumpridas, como o trabalho na horta pela manhã — a terra embaixo da minhas unhas deixava evidente — as aulas do dia e faltava apenas a última ida a lavanderia para finalizar meu castigo. Ironicamente não era tão ruim quanto parecia, além de poder aproveitar a pouca movimentação do espaço ainda conseguia falar com o Zelador Mills as vezes, ele sempre parecia ter algo para me contar e dado ao que parecia saber eu sempre estava disposta a ouvir. Na ultima vez que nos falamos ele contou sobre sua filha e os planos que ela tinha antes de toda a tragédia acontecer e que estava feliz por ela não estar mais ali com as "outras", como ele mesmo dizia.
Quando entro na lavanderia posso ouvir uma dupla de freiras cochichando sobre a festa que havia acontecido no final de semana anterior, cinco dias depois e elas ainda pareciam horrorizadas com os jovens que tinham sido pegos aos amassos em uma das salas de aula. Praguejavam e faziam sinal de cruz a cada duas frases como se aquilo fosse fazer apagar o fato de serem tão fofoqueiras. Creio que se soubessem o que eu tinha feito onde estávamos possivelmente e expulsariam do internato a ponta pés.
Esvazio uma máquina de roupas colocando-as em um cesto, pareciam uniformes dos poucos funcionários do local. Depois me atolava em montanhas de toalhas e lençóis que não pareciam ter fim, aparentemente tinham reservado o melhor para o meu último dia. Não reclamo, afinal de contas não era bom brincar com a sorte. A terra escura embaixo das minhas unhas logo desaparecem e a ponta dos meus dedos começa a ficar enrugada de tanto afundar as mãos dentro de bacias de água.
Quando a primeira levada de lençóis fica limpa sou aconselhada a coloca-los na secadora que fazia um barulho tão irritante que as vezes preferia torcer com as próprias mãos. Jogo a dúzia de lençóis coloridos na máquina de cor cinza sujo e aperto o botão cogitando tampar os ouvidos. Parecia um moinho de ferro sendo retorcido com pequenos toques de engrenagem travando.
— O senhor Mills poderia consertar isso. — digo como quem não quer nada, afinal de contas ele trocava as lâmpadas e consertava os fornos, que mal tinha abrir aquela ata velha e fazer funcionar direito?
— Deveríamos ter pensado nisso antes dele ir embora. — comentou distraída com as roupas que dobrava e separava em caixas. Ergo o corpo a encarando.
— Embora? — paro o que estou fazendo para encara-la.
— Sim, pediu as contas tem dois dias. Ele disse que estava velho demais para o ritmo do internato. Mas que Deus abençoe aquela alma, ele nos ajudou muito. — a mulher fez uma pausa e suspirou pensativa. — Você não imaginaria criança.
— O Sr. Mills era um bom homem, gostava de conversar com ele. — admiti relaxando os ombros um pouco desanimada.
— Acredito que ele deixou algo para você menina Sabine. — a outra freira, com uma prancheta em mãos disse em alto em bom tom.
— Para mim? — franzi o cenho confusa.
— Aparentemente ele também gostava de conversar com você.
xxx
As coordenadas que havia recebido eram básicas. Apesar de ter deixado o internato dois dias atrás Sr. Mills havia levado apenas as suas roupas, o restante havia ficado na casinha dos fundos nas extremidades da floresta. Ainda iriam organizar o local para ver o que podia ou não se reaproveitado, pelo que havia ouvido ele não tinha muita coisa, vivia de forma simples e colecionava apenas itens de limpeza.
Saio pela porta dos fundos, o lanche da tarde estava sendo servido. Algumas frutas, pão e suco com o aroma de laranja que inundava a cozinha mas que pela cor não parecia ser fresca. É possível ver a casinha assim que começo a caminhar, mas me toma bons sete minutos — para mais ou menos, com certeza para mais — ,apesar dos dias de chuva terem dado uma trégua podia sentir o ar gélido se chocando contra seu rosto mesmo com os raios de sol quentes. O inverno estava batendo na porta.
Próximo a entrada havia um cercadinho que delimitava o terreno do casebre, havia passado por ali poucas vezes, normalmente minhas idas a floresta eram pela lado contrário. Me aproximo do cercadinho levando a mão a pequena cancela de madeira, empurro a portinha entrando. Um caminho simples de ladrilhos coberto por terra levavam a porta de entrada. Exatamente nove passos largos que não chegaram a ser cumpridos. Sinto aquela sensação estranha, não é um arrepio ou desconforto, é apenas uma sensação estranha. Murmuro o nome de Justin achando ser ele, poderia ser, mas a sua energia não me alcançava.
Olho para os lados confusa, a procura de algo, praticamente preparando para tomar um susto ou sabe-se lá o que aparecer. Mas tudo que vejo é um gato malhado pulando uma pilha de utensílios de limpeza. Vassouras, baldes, rastelos. Sasha.
— SASHA! — exclamo estarrecida ao encarar o corpo da menina rolar entre os baldes de metal empilhados.
Jogo-me de joelhos ao seu lado, seguro seu rosto sibilando seu nome chorosamente. Ela não podia estar morta. De novo não. Agarro seu pulso apertando o membro molenga e preciso parar um instante para pensar na forma adequada de fazer aquilo. Estava afobada, em pânico. Inclino o rosto deixando o ouvido na altura do seu nariz procurando pela sua respiração. Estava fraca, mas ainda estava ali.
— Sasha, você pode me escutar? — dou leve batidinhas no seu rosto na tentativa de traze-la a sua consciência. —Vamos lá, acorde. — chacoalho seu corpo com o cuidado que a situação me permite ter.
Poderia chamar por ajuda, mas poderiam pensar que eu fiz aquilo, ou pior. Levanto a cabeça olhando para os lados a procura de algo que pudesse me ajudar, quando a figura inesperada do meu amigo de fios ruivos aparece saindo da floresta. Entre as frestas do cercadinho de madeira vejo o garoto caminhando em passos afoitos e abotoando a calça. Eu teria rido se não estivesse demasiadamente preocupada com aquela que jazia desacordada a minha frente.
— George! — o garoto congelado onde estava procurando pela voz que o chama. —Aqui seu pervertido. Atrás do cercado.
Ele pareceu hesitar por um momento. Afundou a camisa polo dentro da calça agora fechada e começou a andar receoso até o momento que pôde me ver e esboçar um sorriso sacana. Ele era impossível.
— O que fez com ela? — perguntou depois de alguns segundos encarando nós duas no chão..
— Nada, ele estava assim quando entrei aqui.
— Tem certeza? Sabe que não vou te julgar e...
— Pelos céus George. Não fiz nada, pode vir aqui e me ajudar?
O ruivo ponderou sobre a situação por breves momentos antes de saltar o cercado ignorando a porta aberta e aproximou-se, ele tinha um cheiro forte e pela minha própria sanidade preferi não questionar naquele momento. Trocamos olhares, ele tocou o rosto da loira e encarou.
— Talvez água ajude. — apesar da ideia um tanto primitiva não tentei impedi-lo, afinal de contas não tinha muitas opções ali.
Levantou-se em direção a uma mangueira do outro lado do jardim precário e encheu um pote menor retornando em seguida, abaixou e respingou algumas gotas em seu rosto. Outra vez nos entreolhamos, aquilo não parecia estar dando certo. Tentei chacoalhar seu corpo outra vez mas acabei parando quando o ruivo despejou toda a água de uma só vez no rosto de Sasha.
— Minha nossa, você ficou maluco. — resmunguei lhe dando um tapa no braço. —Desse jeito vai afogar ela.
— Afogar não, mas acho que deu certo. Olha! — abaixo o olhar outra vez vendo a menina abrindo os olhos vagarosamente.
A garota balbucia algumas coisas parecendo fora deste pleno terrestre, confusa demais para responder qualquer das nossas indagações. George acaba por me auxiliar a leva-la de volta para o casarão sem sermos pegos, caso contrário nenhum de nos seria absolvido. Deixo o ar sair dos meu pulmões pela primeira vez desde que deixamos o cercadinho do antigo zelador senhor Mills, uma sensação ruim me corroía a nuca, tinha receio de saber quem de fato tinha feito aquilo com Sasha.
Pigarreo me sentando á beirada da sua cama, apesar de termos a encontrado desacordada ela não tinha nenhum machucado que pudesse causar preocupação, novamente, eu fazia questão alguma de ir a enfermaria, vez que havia me tornado uma visita quase periódica. Encaro Sasha que brincava com os próprios dedos enquanto George andava pelo cômodo aproveitando para bisbilhotar nas gavetas, meninos não eram permitidos no dormitório das meninas e ele aproveitava o momento.
— Se lembra o que aconteceu? — perguntou com a voz mais mansa que poderia ter em meio a tamanha curiosidade.
— Me lembro sim. — enrugou o nariz fazendo cara de dor e massageou a parte de trás da cabeça. —Eu estava recolhendo algumas coisas no cercadinho, a mando das freiras quando Leslie apareceu.
— Aquela diaba apareceu para ajudar? — indagou George retirando a cabeça de dentro de uma das gavetas.
— Antes fosse, Leslie não parecia bem, ela estava transtornada. — Sasha encarava um ponto cego na parede, parecia reviver o momento e não gostara nenhum pouco. — Nós discutimos, queria ajudar, mas ela acabou ficando irritada e me acertou com alguma coisa quando virou de costas.
— Como tem certeza que foi ela? — precisei levantar de onde estava para tirar das mãos de George um sutiã que ele tentava vestir por cima de sua camisa suada. —Ei, eu estava experimentando isso.
— Fica quieto ou vou e chutar para fora daqui. — nossas cabeças se moveram no mesmo instante encarando Sasha que voltava a se pronunciar algo que trazia a toma um olhar de temor em nós dois.
— Logo depois de me derrubar ela me encarou nos olhos e as duas orbes estavam completamente brancas, como se...
— Se ela estivesse possuída? — minha voz soou fraca e amedrontada e os motivos eram auto explicativos.
As horas se estenderam sem demora até o final da tarde, George havia me deixado pouco tempo demais para se lavar, não queria pensar em voz alta, mas ele cheirava a sexo e cigarro barato, o que não fazia muito sentido já que estava no meio da floresta densa e não em um cabaré, se bem que já não deveria me surpreender com ele. Sasha adormeceu mesmo eu dizendo que não era uma ideia, ela parecia assustada e exausta afinal de contas.
Refiz o trajeto até o antigo lar do Senhor Mills e finalmente adentrei o casebre, era de fato bastante simples, poucos móveis e na sua maioria de madeira velha e acinzentada, as paredes eram lisas e muito mais limpas que as do casarão, quase imaculadas ao se comparar com o bolor que decidia ou não me matar. O chão rangia em alguns espaços, no entanto o barulho não era incomodo, tal como o cheiro. O porão onde ficavam as coisas da minha avó morta cheirava a veneno para baratas, mas a antiga casa do zelador tinha cheiro de folhas molhadas, cheiro de vida. O que se tornava um grande contraste com todo o resto daquele terreno.
Na mesinha próxima a uma segunda porta vista na casa uma carta jazia embaixo de uma chaleira velha, leio uma meu nome no verso assim que tenho o papel em mãos ansiosa para saber o que tinha ali, imaginando que ele estava se despedindo e bem, eu odiava despedidas, mas escritas em um papel pareciam um tanto quanto aceitáveis. Decido voltar antes que o sol me deixasse em uma completa escuridão ali fora, voltaria ao lugar antes de contratarem um novo zelador, o clima ali era muito melhor do que o casarão.
Querida Sabine, imagino que já tenho ouvido sobre a minha partida devo lhe dizer que não sinto qualquer remorso em me libertar desse lugar que me trouxe tanta dor e angústia, sinto que posso viver meus últimos dias nessa terra em paz, minha filha esta em um lugar bom e eu estarei um dia também. Por favor, regue minhas plantas quando puder, acabei de me lembrar que não poderei as levar. A razão para a minha carta é algo que descobri a algum tempo, mas não tive coragem de realizar, creio que me faltou a coragem que vejo que existo no seu espirito indomável. Há uma forma de acabar com esse ciclo vicioso, libertar todas as pobres almas aprisionadas neste inferno real. A casa é o hospedeiro, se puder queimar aquelas paredes sujas ao chão não haverá nada mais que os prenda a esse plano. Por isso eu imploro, queime tudo e não deixe nada de pé e se liberte também, antes que acabe aprisionada para sempre neste lugar.
Com carinho e respeito, Harold Mills.
Dobro o papel o deixando sobre a mesa da biblioteca, havia escolhido o lugar mais calmo para ler, poucas pessoas apareciam ali naquele horário e os casais só usavam o ambiente como motel durante a madrugada.
Com os lábios comprimidos tentava absorver o que tinha acabado de ler, confiava no zelador e por isso sabia que ele não iria sugerir algo tão absurdo se não fosse necessário. Eu precisava queimar a casa para quebrar o ciclo, o que fazia sentido uma vez que a maioria dos corpos das meninas que foram assassinadas nunca foram encontrados, elas provavelmente estavam ali. O fogo e seu ocus pocus fariam seu trabalho, em contra mão havia Justin. O que além da casa ligava ele ainda a esse mundo? Nada. O que me levava a pensar imediatamente que se libertasse a todos ele também iria embora, a questão era que a simples ideia disso causava um aperto no meu peito. Ele iria embora para todo o sempre.
Como se pudesse sentir a aflição que se transformava em penumbra nos meus pensamentos, o cheiro de hortelã invadiu minhas narinas sem aviso e se corpo se chocou ao meu em um abraço desajeitado.
— Sua energia... — ele sussurrou contra o meu ouvido, me mantendo em um abraço ladino. — ...o que há milady?
— Senti sua falta. — retribuo o abraço escondendo o rosto no seu ombro.
— Faz poucas horas que nos vimos ou esqueceu que dormimos juntos? — indagou se afastando para me encarar. — Há algo mais, me conte. — balanço a cabeça em negação sentindo meus olhos ameaçarem transbordar em lágrimas. — Por favor, o que te deixou assim meu amor?
— Preciso tomar uma decisão que pode mudar tudo. — falo finalmente, seus ombros se enrijecem mas ele não me solta. — Eu não quero perder você de novo.
— Sabine, que bobagem. — seu polegar delineou minha bochecha limpando uma lágrima e na sequência se inclinou selando meus lábios demoradamente. — Nunca vai me perder, sempre estarei com você independente do que aconteça, ou onde esteja. Confio em você e o que quer que escolha estarei com a minha milady até o fim.
— Não vai me odiar mesmo? — acabo fungando em meio a frase.
— A algum tempo percebi que o meu juízo final foi apitado e nele dizia que serei condenado a te amar até a minha próxima vida.
xxx
A penumbra noturna invade a janela do quarto quando já estava embaixo dos lençóis, repassava toda a carta de senhor Mills na minha mente procurando uma segunda alternativa, talvez uma brecha no que dizia, pois a ideia de desistir de Justin ainda me parecia cruel demais. Rolo de um lado ao outro da cama, tento dormir, mas o sono não vem por nada, penso em chamar Justin, mas algo me dizia que eu apenas cairia no choro envolta aos seus braços como mais cedo na biblioteca. Precisava pensar claramente e a presença dele não me deixava fazer isso. Aquele par de olhos cor de mel me faziam desistir de tudo na vida sem muito a dizer.
A luz é acesa quase que ao mesmo tempo do rompante em que a porta é aberta, imagino que seja Sasha retornando do seu lanche noturno e não me dou ao trabalho de virar o corpo, até ouvir o assobio ritmado que soa no cômodo.
—Está tarde, por que a cant- viro o rosto alguns centímetros o suficiente para reconhecer a silhueta diferente de Sasha. —Leslie! — a encaro me sentando rapidamente na cama, não era ela e eu podia dizer sem pensar duas vezes. —Onde estava, todos estavam te procurando por você.
— Comendo coelhinhos na floresta — disse e seu tom de voz habitua vacilou.
— Voltou com um belo senso de humor. — pigarreo desviando o olhar dela.
— Sim e trouxe também um recadinho.
— Se for da Dona Catalina eu posso ouvir amanh- fui cortada por um shishu dela que tomou alguns passos a frente me encarando.
— Pare de bancar a burra Sabine, agora escute. — tive a estranha sensação de visão duplicada ao ver o espectro de Heloise se movendo a centímetros do meu rosto. —Você tem até amanhã para juntar seus trapos e ir embora daqui ou eu vou fazer você se arrepender de ter aberto aquele diário. — e lá estavam olhos brancos que Saha havia falado.
— Eu já me arrependi. — murmurei congelada no lugar em que estava.
— Não sua vadiazinha, eu estou dizendo que vou fazer você chorar sangue e implorar por misericórdia e ninguém vai estar lá para te ajudar.
Notas Finais:
Olá, alguém ainda por aqui? XOXO
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