Chào các bạn! Vì nhiều lý do từ nay Truyen2U chính thức đổi tên là Truyen247.Pro. Mong các bạn tiếp tục ủng hộ truy cập tên miền mới này nhé! Mãi yêu... ♥

XIII.

Me encolho sobre a cadeira fungando. O odor de fumo incomodava minhas narinas e eu desejei vomitar ao ter que encanar novamente a face enrugada de Tadeu Cross. Fito o quadro a minha frente, aquele mesmo com a pintura religiosa destorcida, estava mais cinzenta que o normal, mas não em um total as chamas continuavam lá, vivas, prontas para me consumir. 

Ouço o arrastar de botas velhas no assoalho barulhento e presumo que seja o velho Cross, estava levemente manco, porém não perdia o ar maligno estampado em sua carranca. Jogou-se encima de sua poltrona, puxou o cachimbo na beirada da mesa e enfiou o dedo no objeto amassando o fumo velho. Desvio o olhar imediatamente bufando, meu estômago revira novamente. Aperto os braços envolta das pernas e apoio a cabeça encima dos joelhos, queria sair daquele calabouço o mais rápido possível. 

- Quarta vez em minha sala em menos de seis meses, que diabos andas fazendo senhorita Pitesburg. - ele resmunga, mas não me dou ao trabalhado de olhar para ele. - Isso é péssimo para a minha reputação como aconselhador dos alunos, ajudo todos que vem até mim, mas você esta saindo do meu controle. 

-Que pena para você. - respondo voltando a fungar.

-Para mim? - ri maldoso e posso jurar que leva o cachimbo aos lábios. - A única pessoa que perde com você se comportando como uma maluca neste instituto é você mesma minha cara. - não gostei do seu tom de voz, soou ameaçador, mais do que o normal. - Serei obrigado a tomar decisões extremas senhorita.

-Extremas? - fito seu rosto receosa. - Pretende me trancar na dispensa e esperar que minha suposta loucura passe? - pergunto irônica.

-Não parece má ideia, porem não sou adepto de métodos tão retrogados. - faz uma pausa procurando por algo sobre sua mesa irritantemente organizada. - Iremos conversar e se for necessário lhe colocarei sob medicação, em ultimo caso tratamento de choque. - pensei em rir, mas algo me diz que ele não estava brincando.

-Meus pais nunca deixariam você me diagnosticar e dar inicio a um tratamento fora dos padrões médicos. - engulo em seco fechando as mãos em punho.

-Tanto deixariam como o fizeram, o contrato que assinaram quando lhe deixaram aqui nos dar pleno poderes para fazer o que for necessário para garantir seu bem estar, incluindo procedimentos médicos. - afirma calmo demais para um psicopata. Encontra um isqueiro quase vazio e acende seu cachimbo.

-Só diz isso para me assustar. - resmungo. Meu corpo estremecesse e meus olhos ardem com o pavor de que aquilo fosse realmente possível.

-Então pague para ver Sabine, deixe de se comportar, falte as tarefas e se exclua do grupo a que pertence e veremos se não poderia colocar-lhe em uma camisa de forças. - se exalta espalmando a mão na mesa, inclina-se em minha direção apontando o dedo torto em minha direção. - Irei lhe consertar, como fiz com todos os outros que vieram até aqui. - me encolhi na cadeira assustada.

-Você é insano. - sussurro abalada com a sua reação.

-Sabe o que eu acho insano? Um garota de dezesseis anos tentar afogar a irmã de dois anos na banheira, empurrar o corpo da criança na água quente e esperar até que um bebê vire uma bola roxa sem ar, por puro prazer. - tampo os ouvidos atordoada com o que dizia. - Isso é insano Sabine, ser uma psicótica assassina. - gritou alto.

Fecho os olhos apertando tanto minhas pálpebras que chegam a doer. Não conseguia ouvir, suas palavras traziam lembranças que me causavam dor, como uma lâmina afiada cortando meu tórax de ponta a ponta. As lágrimas molham meu rosto enquanto peço que ele pare com aquilo, não poderia aguentar, não depois de tudo que vivi nos últimos dias. Estava exausta, minha mente pedia socorro implorando para ser desligada e ter um pouco de paz.

-Por que você a machucou? - pergunta e percebo que ele ainda esta próximo a mim.

-Eu não sei. - respondo em agonia, engasgando com o próprio choro.- Eu não sei.

-Você a queria morta...queria matar. 

-Não... - sussurro tampando o rosto. Queria me cobrir e não ter de ver mais nada.

-Tens medo de admitir que queria mata-la, pois sabe que não irão lhe aceitar,  não é mesmo? Você é um monstrinho desequilibrado. - fala em um tom mais baixo, como se tentasse me convencer do que dizia. - Admita Sabine, quanto melhor aceitar quem realmente mais rápido poderemos trata-la. 

-Foi um acidente. - deslizo a mão do rosto até os cabelos e os afago. - Eu juro, foi um acidente. - repito tomando ar entre um soluço e outro.

-Como pode ser um acidente se encontraram sua mão envolta do pescoço dela? - sua voz era tão suave e incriminadora, a ponta de eu me perguntar se estava falando ou não a verdade.  - Admita, seu medo esta lhe causando transtornos. Primeiro a sua queda na escada, e agora isso? Falando sozinha? Não é a primeira que me reportam suas conversas consigo mesma, esta enlouquecendo querida. - não o respondo no primeiro momento.

Desvio o olhar encarando a madeira da mesa que hora ou outra vira um borrão pelas lágrimas que invadem meus olhos, meu peito infla cansado e percebo que já não tenho forças para retrucar suas acusações, ele ganhou. 

-Oka..ay. -minha voz falha. - Estou com medo de que saibam o que eu fiz, sinto muito por isso. - aquela não era a minha verdade, mas estava farta de discutir com Tadeu.

-Ótimo primeiro passo querida. - parece animado com a resposta. Senta-se e volta a tragar o cachimbo. -Agora sim podemos conversar. Comece me dizendo o que estava fazendo tarde da noite pelos corredores do instituto?

-Estava com sede, desci e fui até a cozinha beber água, faço bastante isso pode perguntar Dona Catalina. - funguei reprimindo a voz que ainda embargava ver ou outra. - Achei ter visto algo e corri pela escada, foi quando perdi um degrau e caí da escada.

-Acha que estava sendo perseguida? - pergunta e acabo me distraindo com a fumaça que sob até a sua careca. - Pitersburg?

-Sim, mas deve ser alguma paranoia da minha cabeça, estava cansada e com sono. - acena e começa a rabiscar algo em uma prancheta.   

[...]

Era pouco mais de sete horas quando fui liberada do escritório de Tadeu, pela primeira vez respondi todas as suas perguntas, com falsas verdades obviamente. Deu-me um tapinha nas costas e pediu para voltasse em dois dias para saber se eu me sentia melhor, como se ele realmente se importasse com isso. 

Meu estômago ronca ao sentir o cheiro do jantar sendo servido. Não queria ir até o refeitório e ser alvo os olhares acusatórios, me causaria uma baita asia, tenho certeza. Caminho para a cozinha, onde convenço Freira Martha - quem organizava o jantar hoje - a me deixar comer ali. Ela entende minha resistência em me juntar aos outros e concorda. Me sento a ponta da mesa da cozinha, onde não atrapalharia a mulher, ela me serve um prato de caldo com alguns pãezinhos de acompanhamento. Não é exatamente a minha refeição favorita, mas não estava em condições de responder, no fim das contas estava muito bom e preencheu  buraco que havia se formado em meu estômago. 

Permaneci ali por mais alguns momentos, aproveitando o silêncio. Pilhas e mais pilhas de pratos sujos chegavam a todo instante, logo depois foi servidos algumas frutas, mas não me interessei estava satisfeita e graças a comida me sentia um pouco melhor, ao menos já não queria me atirar ao chão e chorar como um bebê. A conversa com senhor maldito Cross arrancou todas as minhas forças. 

-Vão limpar a cozinha agora, que tal me acompanhar até a capela e lhe deixo no corredor de seu quarto? - ela indaga, mas tenho a impressão é mais uma ordem do que uma pergunta.

-Sim, claro. - respondo com a voz baixa.

Me levanto a acompanhando para fora dali. Passamos por dentro do refeitório, apesar da massa de alunos ter diminuído não foi o suficiente para minimizar os olhares curiosos, encolhi os ombros incomodada. Posso ouvir eles cochicharem e tenho certeza que meu nome esta na sua boca fofoqueira. Apresso os passos quando tenho a impressão de que Martha se afasta de mim, a uso como um escudo, já que não ousariam dirigir uma palavra a unica pessoa realmente agradável naquele lugar.

Nunca havia prestado atenção na capela, mesmo quando era obrigada a ir as missas, sinceramente eu achava uma perda de tempo. Nada menos do que mais uma ferramenta para tentar redimir os jovens pecadores internados ali. Falha eu aposto, afinal, corria boatos de que utilizavam o local para sexo rápido. Não, eles não respeitam nada mesmo.

Ergo o olhar fitando o teto, haviam gravuras similares as grandes igrejas, porém nada realmente extravagante, não era tão feio quanto parecia.  Os adereços para a missa de Abby já haviam sido retirados, sobrava apenas o altar com algumas imagens de anjos, santos e uma cruz ao centro. Havia uma fileira de velas a ponta do altar, algumas apagadas e outras próximas ao seu fim. Martha estava ajoelhada acendendo meia dúzia a mais. Me aproximo sentando em um dos bancos a frente, ironicamente os assentos eram as únicas coisas realmente velhas naquela parte do casarão. Nem mesmo o chão amadeirado rangia, o cheiro de mofo não podia competir com o das flores frescas a porta do pequeno e quase imperceptível confessionário, precisei esticar o pescoço para compreender o que era a grande caixa de madeira no canto esquerdo do altar, próximo ao confessionário algo me chamou atenção. Heloise. O retrato da garota estava ali, em uma moldura oval com mais ou menos trinta centímetros. 

Seus grandes cachos loiros caiam sobre seus ombros. Um sorriso digno de Mona Lisa estampava seu rosto. Não sabia se ela estava com dor de barriga ou zombava de mim. De qualquer forma uma onda de arrepios subia a minha espinha, tinha a leve impressão de que ela realmente me olhava como fazia no outro dia quando nos encontramos. Ela era o retrato da perfeição, doce e delicada como um flor, imagino que sua vida fosse perfeita até conhecer Justin, com aquele par de olhos ela conquistaria o mundo sem muito esforço, diferente de mim.

-Gosta do retrato? - a voz de Martha surge aos meus ouvidos, dou um salto em susto e percebo que estava de pés a frente da fotografia da defunta.

-Só estava observando...por que o retrato dela esta na capela? - nunca havia o percebido ali, na verdade não conhecia sua aparência até o dia em que estive no museu.

-Os Chermont, pais dela, construíram esta capela após sua morte. Costumavam vir aqui adorar e rezar pela alma da filha que perdeu a vida tão precocemente.

-Eles literalmente adoravam a imagem da filha morta? - franzi o cenho confusa com a informação.

-Sim, eles acreditavam que ela era uma santa. E encontraram esta capela como a melhor forma de eternizar sua memória. - balanço a cabeça negativamente, após o que li em seus diários Heloise estava longe de ser uma santa.

-Mas isso não tem pelo menos cem anos? - estico o corpo fitando Martha que se afastava retirando a cera queimada das velas e jogava no lixo.

-Os descendente dos Chermont fazem questão de manter a tradição em respeito a menina. Não me pergunte, eu também não entendo. 

-Quem são eles? 

-Não faço ideia, Catalina é quem lida diretamente com eles e trata de tudo. - explica.

Resolvo cessar a minha sessão de perguntas antes que ela desconfie da minha curiosidade sobre os donos do casarão. Caminho de volta aos banco mas não me sento desta vez. Espero que termine seus afazeres em silêncio. Meus olhos recaem sobre a cruz ao centro do altar, não havia nada demais sobre ela, mas eu posso jurar que sentia algo, no entanto não poderia dizer se era bom ou ruim. Aquela impressão fez meu coração acelerar, mesmo permanecendo intacta ali. 

- Vamos? - a freira parou ao meu lado.

-A senhora realmente acredita em Deus?

-Mas é claro, ele é a razão para estarmos nessa terra, termos esta vida e tudo mais para aproveitar.

-Quer dizer que ele é a razão para as coisas que acontecem em nossas vidas?

-Sim.

-As boas e as ruins?

-Tudo faz parte do plano dele para você. Somos propícios a testes o tempo todo, isso que mostra o quanto merecemos ou não a glória da vida.

-Eu não entendo, como posso aceitar que o plano de Deus é me fazer sofrer até que eu seja merecedora desta tal glória. - meu olhar se perde e a imagem da cruz fica embaçada quando uma lágrima solitária escorre pelo meu rosto. - Então se eu não provar ser digna quer dizer que vou viver em agonia o resto dos meus dias? - ergo o olhar a freira ao sentir seu toque em minha bochecha.

-Não foi isso que disse criança. Tens que ter fé em sua redenção, assim conseguira se livrar da agonia que diz.

-Este é o problema freira Martha, como posso ter fé se não acredito mais em nada? Eu quero rezar, mas tenho a impressão que não há nada além dos meus demônios para ouvir. Estou perdida e não vejo nenhum caminho a minha frente, o que faço?

-Encontre algo para se agarrar e faça disso sua fé, encontrara seu caminho, criança.

      

                                                                                        ...

Esbarro com George no caminho para o dormitório, ele não faz muitas perguntas, sabe que detesto ser interrogada quando não estou me sentindo bem. Após constatar que eu estava com  a cara de quem iria chorar-no-travesseiro-até-me-afogar-e-morrer, segue suas palavras, anunciou que ficaria no meu quarto até que eu me sentisse melhor ou até mesmo dormisse, ainda se atreveu a jogar Leslie pela janela se ela reclamasse, conhecendo o rapaz, eu não duvidaria. Ele tinha um belo histórico de agressão, apesar de parecer um amor de pessoa. 

O quarto estava vazio, nem mesmo Sasha que adorava ficar em sua cama nos dias frios estava ali. Sorte a minha. Me jogo sobre a cama sendo empurrada pelo corpo magrelo do ferrugem que deita ao meu lado, ele esta com um cheiro engraçado de pó de café.

-Onde você estava? - pergunto afofando o travesseiro embaixo da cabeça.

-Pegando o novato machão na dispensa. Hétero, ele disse. - solto uma risada sem ânimo. - Jantou?

-Sim, fiquei na cozinha com a freira Martha.

-Não me diga que ela fez sua cabeça e lhe convenceu a se juntar a classe das Madre Teresa de Calcutá. - torceu o nariz em uma careta.

-Ela é legal ta, a única pessoa que não acredita que nós somos casos perdidos.

-Mas nós somos, quanto mais rápido aceitar isso pode lidar com toda essa merda sem de sentir uma aberração. 

Aquela era de fato a coisa mais coerente que já ouvi o ruivo dizer. Se eu não aceitasse realmente a minha situação atual eu nunca mais conseguiria sair do fundo do poço em que estava. Mudo de posição encarando o teto com manchas de bolor.

-No que você acredita? - quebro o silêncio.

-Acredito em mim, eu sou a minha maior verdade. - o olho de relance, ele esta contemplativo. - E no que vejo, se não esta a minha frente, ao meu alcance, não é real.

-Você acreditaria se eu dissesse que vejo fantasmas? - posso ouvir sua risada abafada.

-Se puder me provar.

-E se eu não puder?

-Ai você é louca minha querida. Mas eu também sou, então posso relevar.

Não importa o abismo em que você se encontra, sempre há essa uma pessoa que esta segurando a sua mão, mesmo quando você acha que esta sozinho, ela te observa de longe e toma conta de você. É normal se sentir sozinha em seus piores momento, pois ninguém compreende sua dor como você, ninguém sente seus cortes arderem como você. Agora eu me vejo andando sozinha em uma estrada sem placas ou indicação de destino, esta frio e eu estou cansada. Mas toda vez que olho para trás eu vejo George, ele esta lá acenando para que eu continue, no final das contas ele é a minha pessoa.

Adormeço sem perceber, e vou parar em um lugar onde nada mais pode me atingir. Não há aflição ou duvidas, apenas um silêncio que alivia o peso em minha mente. Mesmo em repouso eu posso sentir o cheiro de hortelã fresca invadir minhas narinas e um beijo acolhedor deixado a minha testa. 



Olá minhas queridas (os)! Como eu senti falta de postar aaaaaaaaa, finalmente consegui. Espero que não tenham odiado de um todo o capítulo. Pretendo estar de volta em breve, agradeço pela paciência, entendo o quão chato é ter que esperar séculos para um capítulo ser postado. Mil beijos e até breve.

Ps: Eu tô aqui Luanna_Drew (emoji de coração.)

Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro