X.
Era quarta feira de manhã e eu deveria estar na sala de Tadeu Cross ouvindo mais um de seus intermináveis discursos sobre o quanto eu parecia culpada e minha raiva reprimida estava afetando meu comportamento e consequentemente os outros alunos. Ironicamente tinha ciência de nem ao menos vinte e cinco por cento dos internos sabiam o meu nome ou menos que eu era, muito menos se afetariam com qualquer possível surto que Tadeu acreditaria que eu estava tendo ou teria. Ele era um velho babaca que não tinha mais o que fazer além de fumar aquele cachimbo nojento e encher o meu saco. Nota-se que acordei com o pé esquerdo, um mal humor terrível me cercava, queria ficar na cama e esperar até que me sentisse melhor, mas isso implicava ter de encarar a cara de vagabunda da Leslie o resto do dia. A vadia havia enganado Dona Catalina dizendo que estava com cólica e não conseguiria assistir as aulas, ingênua a mulher caiu em tal mentira.
Limpava a mão suja de biscoito no moletom cinza que estava vestindo, o clima havia mudado completamente, os dias de sol pareciam se despedir de Sinevillage, o clima estava frio e lá fora parecia garoar, era uma pena afinal pretendia ir até o lago novamente.
Cocei a nuca ao me lembrar que estava indo na direção errada, seguia para a sala de Tadeu, no entanto não o visitaria hoje, preferia assistir a aula de inglês com o professor barrigudo que sempre chegava atrasado e ainda usava suspensórios, precisava apenas, pegar meu material. Dei meia volta correndo, como de costume, pelo corredores até alcançar a porta do quarto. Giro a maçaneta ouvindo o ranger da porta e coloco um pé para dentro observando o quarto. Arregalei os olhos ao ver Leslie sobre minha cama, vasculhando a gaveta da cabeceira, meu primeiro instinto foi pular encima dela e puxar seu cabelo cor água de salsicha para fora do quarto, mas respirei e contei até três antes de me pronunciar.
-Como dizem, o dono saí e o rato, ou melhor, a rata faz a festa. - ela se assustou com o meu tom de voz e deixou cair no chão algumas coisas que segurava, incluindo meu Ipod, o único contato com o mundo exterior que ainda tinha.
-Só estava procurando um absorvente, não queria suas porcarias. - rolei os olhos descrente com a sua mentira.
-Nos poupe Leslie, de o fora da minha cama e deixa minhas coisas em paz. - ela estava prestes a levantar quando pareceu desistir, me encarou com seu nariz exageradamente empinado e sorriu indiferente.
-Ou o que Sabinezinha? Vai sair correndo para contar aos diretores, de novo? - debochou me forçando a fechar a mão esquerda em punho, como queria socar sua cara naquele instante. - Nada de violência, ou vai acabar de castigo de novo. - fechei os olhos procurando forças para não me deixar levar por suas provocações.
-Você esta testando a minha paciência no dia errado, saia da minha cama. - repeti sendo rude. - Vem falando a língua das vadias a tanto tempo que não consegue compreender um bom português agora? - grunhi sentindo minhas unhas forçarem a pele da minha mão machucando.
-Você acabou de me chamar de vadia? - perguntou se exaltando. Pulou da cama e veio em minha direção apontando o dedo. - A única vadia aqui é você, todos sabem. Vai negar que fica por ai se esfregando em todos? Seduziu até o pobre do Tim, você não presta, promíscua. - Por um instante me esqueci da vontade de agredi-la e quis rir. Seu novo alvo era o Tim, ótimo.
-Desde quando você se preocupa com ele? Não vai me dizer que esta apaixonada por ele, por que se for sinto lhe avisar que ele não vai olhar pra você, aposto que sente nojo dessa sua cara de vadia asquerosa. - cuspi as palavras em sua cara. Um sorriso glorioso apareceu em meu rosto quando ela pareceu atingida com meu comentário, mas não durou, vez que logo depois sua mão áspera acertou meu rosto em um tapa certeiro.
Fiquei em choque. Apesar de já termos brigado antes, não imaginava que as coisas chegariam a isso novamente. Minha bochecha ardeu onde sua mão pegou, tive vontade de chorar, mas me segurei.
-Isso é pra você aprender a nunca mais falar sobre o que não sabe. - murmurou entre dentes fungando.
A encarava engolindo em seco, não disse uma palavra após aquilo, afinal não importava. Ela era uma desgraçada, e por mais que meu rosto estivesse dormente ela receberia seu troco. Estico a mão sobre seu rosto deixando o eco do tapa fazer barulho pelo quarto, mas isso não era tudo. Suas mão agarrou meus fios puxando com força o suficiente para me fazer gritar. Ergui os braços tentando me desvencilhar e estapeei seu pescoço. O agarro forçando a mão, apesar de ficar vermelha ela não larga meus cabelos. Era uma luta silenciosa, a garota me encarava com tanto ódio que parecia possuída.
-Ei! - Sasha entrou no quarto se metendo entre nós duas e nos separou por fim. Estava ofegante, levei a mão ao peito me sentindo incomodada com o olhar de maluca que Leslie me lançava. Dei um passo para trás quando ela tentou avançar novamente, Sasha continuo intervindo, não estava com medo de apanhar dela, mas estava fora de si. - Se a Catalina pega vocês brigando aqui, é castigo na hora. Mas que droga! - ela resmungou empurrando novamente Leslie. - Tens que esfriar a cabeça, não quer ir pro calabouço. - senti um leve arrepio na espinha ao ouvir sobre o lugar.
A pacificadora deixou o quarto levando Leslie para o corredor, agradeci mentalmente mas não demorei muito. Guardei minhas coisas de volta. Estava tão furiosa que me esqueci que ela poderia ter encontrado o diário de Heloise, o que poderia ser meu fim. Peguei o material que precisava e em poucos minutos estava puxando novamente a maçaneta e deixando o quarto. A duas conversavam em tom baixo, o maluca parecia mais calma, Sasha sabia controlar a situação, era boa pessoa apesar das péssimas amizades.
Acenei de forma sútil para a minha salvadora e dei as costas seguindo pelo corredor. Cinco passos depois ouço a voz de Leslie mais alta, poderia jurar que emitia o meu nome seguido de um xingamento, virei o rosto para observa-la por cima do ombro. Péssima ideia. Tropecei em um prego meio solto, minhas pernas perderam a sintonia e se embolaram alavancando meu corpo pra frente com velocidade o suficiente para voar alguns centímetros.
Pisquei os olhos estava no ar.
Pisquei os olhos, estava no chão.
Por sorte não bati a cabeça, fui rápida o suficiente para apoiar as mãos no chão. Mas da cintura para baixo sentia que algo estava fora do lugar. Me ergui aproveitando a pouca adrenalina e sentei no chão vendo meu material espalhado. Chequei minhas pernas notando meu joelho molhado de sangue, estava ardendo, talvez fosse o que não estava no lugar, já que metade da minha pele estava no chão. Ergui o olhar notando as vozes que se transformavam em risos, Leslie e outra meia dúzia de alunos que abriram a porta para bisbilhotar o barulho no corredor. Senti vergonha por estar jogada no chão, exposta as gargalhadas maldosas dos meus colegas de reformatório, apesar da pacificadora ter tentado me ajudar eu não quis.
Orgulhosa, me levantei em meio as risadas que ficaram mais altas quando agarrei os livros e andei manca. Meu joelho estava doendo, e muito. Desta vez não olhei para trás, continuei a andar engolindo a minha vontade de chorar. Desci as escadas com os olhos ardendo. Ainda ouvia os risos na minha cabeça e aquilo me matava pouco a pouco. Entrei no banheiro e joguei os livros no chão indo até a grande pia de pedra, subi na bancada que a envolvia e liguei a torneira deixando a água cair sobre os cortes que não paravam de sangrar.
Fechei meus olhos e comprimi os lábios. Na minha cabeça eu entonei o nome dele, alto o bastante para que me ouvisse que onde quer que estivesse.
Subitamente seus braços me envolveram, o reconheci prontamente. O seu cheiro de eucalipto fresco era único. Girei o corpo me possibilitando abraça-lo de volta. Então caí em lágrimas, como não fazia me muito tempo, soluçando e apertando meu rosto contra sua camisa.
- O que houve? Lhe machucaram? - perguntou alarmado.
Era atípico me ver em prantos daquela forma. Detestava chorar em público, mas estava em choque. A dor, a vergonha, o meu mal humor, a vontade de me esconder em um buraco e ficar lá até que tudo passasse, no entanto, não podia.
-Sabine me responda. - pediu afastando meu ombro contragosto. - Me diga o que houve minha princesa. - acariciou a lateral de meu rosto com o polegar. - Por favor! - pediu. Invés de me acalmar acabei caindo em prantos novamente, havia água o suficiente em meu corpo para chorar pelas próxima quinze horas, sem parar.
Ficou abraçado a mim até que me acalmasse, demorou, mas as lagrimas diminuíram. Fecho a torneira e viro o corpo me sentando com as pernas penduradas na mesa, ele se pôs entre elas. Passou a mão sobre meus cabelos e ajeitou os fios atrás da orelha.
-Eu caí. - a voz falhou. - Eu caí no corredor. - repeti forçando a garganta.
-Tantas lágrimas derrubadas por uma queda? Não é disso Sabine, sei que não se deixa abalar por pouca coisa. - funguei. Abaixei o olhar encarando o botão de sua calça. - Ei.. - murmurou levantando meu queixo.
-Leslie e eu brigamos, depois eu caí e todos riram de mim. - comprimiu os lábios, pensei que fosse me dar um sermão.
-Por isso o vermelho em seu maxilar. - pensei em olhar no espelho, mas achei melhor não. Concordei. - Essa garota me irrita, alguém deveria dar um jeito nele. - seu tom de voz mudou. Antes suave, agora ríspido. Me assustei com a transformação. - Te machucar, isto é demais.
Se afastou seguindo para a porta como se realmente fosse atravessa-la. Um tremor formigou em minha coluna, será que ele faria aquilo que penso que seria incapaz de fazer?
-Justin, não! - digo saltando da bancada, sentindo meu joelho fisgar. - Aí! - murmurei. Voltou no mesmo instante, dando-me apoio. - Não machuque ninguém por mim. - supliquei.
-Oh Sabine, eu não...- desistiu de completar a frase e voltou a me abraçar.
-Só fique um pouco comigo, pode me acompanhar até a sala de aula? - perguntei, mesmo sabendo que já deveria estar no fim.
-Posso sim, o que quiser minha Sabine. - um mísero sorriso transpareceu em meu rosto.
Permaneceu comigo até que e sentisse aptar a ir a sala e não chorar na frente de todos. Passo rapidamente na enfermaria pegando uma faixa escondida da enfermeira, ela tinha quase oitenta anos e me faria perguntas sem parar sobre o machucado. Como prometido ele me acompanhou até a sala, deu-me um beijo na testa sem que ninguém visse e esperou que eu entrasse.
Invés de prestar atenção na aula do barrigudo acabei criando hipóteses na minha mente. Onde Justin ia quando não estava comigo? Talvez ficasse na floresta ou nos corredores, o que importa é que quando chamar, ele sempre estará lá.
[...]
https://youtu.be/ylLpplWSrNk
Costumo dormir como uma pedra a noite inteira. Não ouço nada além do que surge em meus sonhos e agradeço por isso. Contudo, acordei no meio da noite, tão suavemente que quem visse acharia que havia sido de forma natural. Abri os olhos encarando a escuridão parcial do quarto, a pouca luz que entrava era da janela, a luz estava quase cheia. Via a ponta da cama de Leslie e o cobertor caído no chão de Sasha. Voltei a acomodar a cabeça no travesseiro quando ouvi meu nome.
"Sabine"
Ressonou pelos meus ouvidos como um sussurro. Franzi o cenho e levantei novamente a cabeça, não podia ser nenhuma das minhas colegas, o tom de voz não era incompatível. Estava delirando de sono. Deitei novamente a cabeça no travesseiro. Chamou-me outra vez. Sabine! Sabine! Querida Sabine. A voz cantarolou na minha cabeça, fechei os olhos a ignorando.
Desconheço os meios que me fizeram chegar ao corredor, empunhando uma lanterna em mãos. Respirei como se tivesse acordado de uma vez, olhei envolta vendo as portas fechadas, ainda era madrugada, todos dormiam, menos eu. Meio sonambula no meio do corredor. Cocei a cabeça cogitando voltar ao quarto, mas antes que o fizesse a voz voltou a chamar por mim.
Segui seu chamado fazendo um caminho comum. Escadas, corredor, algumas portas, mais alguns degraus e lá estava eu a frente do porão. Engoli em seco, tive medo de entrar, tinha medo daquele lugar, ao menos de entrar sozinha. Porém minha curiosidade ou seja lá o que estivesse me movendo até ali, forçou-me a entrar.
"Sabine..."
Mordi o lábio forte o suficiente para sentir o leve gosto de sangue. Estava apavorada, mas não parei, afinal a porta atrás de mim já estava fechada. O som ficou mais alto, limpo. Era uma voz feminina. Não cogitei ser algum dos internos, na verdade estava com receio de pensar muito e molhar as calças. Estava dentro da sala, aquela mesma cheia de caixas que vi com George. Tudo estava do mesmo jeito, exceto o espelho.
Lembro-me de ter o coberto novamente antes de deixar o local. Ele refletia algo brilhante, dourado eu diria. Me aproximei erguendo a lanterna para enxergar melhor. Procurei na lente do vidro pelo vestígio de brilho, quando, de repente, o vidro se explodiu em luz, tão forte que me fez dar alguns passos sem jeito para trás e procurar apoio as caixas atrás de mim. Espremi os olhos tentando me acostumar com a luz forte. Assim como veio, ela se desfez deixando apenas meu reflexo. Pelo menos era o que achava, com a visão embaçada. Mas estava errada.
O rosto angelical me encarava do outro lado. Sua pele era rosada e visivelmente delicada. Seu rosto tinha formato oval, bochechas cheias e coradas. Lábios finos e desenhados, tinham o tom avermelhado, vivo. Seus olhos eram claros, mas não muito expressivos. Seu cabelos extremamente loiros, pareciam fios de ouro, mechas enroladas em grandes cachos caiam sobre seus ombros. Vestia algo que parecia com um vestido, em tons azulados. Tornando sua imagem quase divina.
Ela se moveu.
Dou um pulo exasperada, um passo para trás e trombo novamente nas caixas atrás de mim, sentia-me encurralada. Não era uma imagem a minha frente, era ela.
-Sabine! - suspirou em alivio. - Que bom que veio. - acrescentou. - Sabe quem sou, certo? - indagou. Deve ter notado a expressão de confusão em minha face.
-Sei sim. - afirmei. Não me esqueceria dela, havia visto seus vários retratos no museu. - Você é Heloise, Heloise Chermont. - minha voz era tão confiante, que nem parecia eu mesma.
Talvez meu consciente esteja se acostumando em lidar com tas criaturas. Estava acostumada com Justin, então aquilo não seria problema. Certo?
'' ...nem todos eles gostam dos vivos, como eu. Podem fazer coisas ruins...''
Lembrei-me do que Justin havia dito outro dia, será que ela me faria mal?
-Muito me agrada que saiba quem sou. - seus lábios se esticaram e ela sorriu. - Precisava saber se esta bem, queria vir antes mas ele não me deixava. - confidenciou franzindo o cenho.
-Ele quem? - sinto minha garganta seca.
-Minha nossa, foi ele quem lhe machucou? - pergunta apontando para o roxo na altura do meu maxilar. - Deveria ter vindo antes, me desculpe. É tudo culpa minha. - moveu os braços e pareceu flutuar dentro do espelho.
-Foi minha colega de quarto. A quem você se referindo? - pergunto novamente. Ela para e me encara. Me arrependo de ter perguntado.
-Justin. Meu assassino. - me arrependo muito de ter perguntado. - Ainda há tempo de se afastar menina Sabine, vá embora ou seu fim vai ser tão pior quanto o meu, quanto o das outras. - choramingou. - Não desejo a ninguém passar o resto da eternidade presa neste lugar por causa de um sádico. - suas palavras pareciam tão verdadeiras que me doía ouvir.
-Não, não pode ser. Ele não é mau. - afirmo me segurando por um fio no que dizia. - Justin me jurou que nunca machucou ninguém.
-Sempre diz isso, aposto que disse que haviam outros e nós éramos os vilões da história. Usa de tal técnica para acobertar suas covardias. - parou um instante abaixando o olhar. - Não acredite em suas palavras, é uma farsa.
Sentei em uma das caixas deixando os ombros cair, não sabia como, mas estava crendo nas palavras de Heloise. E deveria, afinal ela o conhecia. Sabia muito mais do que eu, pensei. Puxei ar para os pulmões perdendo o olhar no detalhe amadeirado do refletor. Fiquei em silêncio por alguns instantes, mas logo as palavras voltaram a minha boca.
-Disse que ele te matou. - rangi os dentes nervosa. - Como foi? - ela limpou a garganta e abraçou os cotovelos antes de começar a falar.
-Justin e eu tínhamos um caso, por mais de um verão. Eu estava apaixonada pelas coisas que fazia comigo, o que me ensinava. - sua rosto ficou vermelho e meus olhos rolaram automaticamente, não percebeu, já que continuou a falar. - No entanto ele era só um faz tudo na fazenda e eu a filha do dono, não podíamos ficar juntos. Um dia meu pai chegou com uma novidade, queria me casar e então me mandar para morar na capital. Sempre quis ir para a capital. Justin não ficou feliz, odiou a ideia e pediu, melhor, ordenou que eu não fosse. Pensei em ficar, mas era um oportunidade única. Tudo que sempre quis foi mudar deste lugar. Então aceitei o noivado mesmo em contragosto do rapaz. Ele me odiou e disse coisas horríveis, ameaçou matar meu noivo e quem mais se colocasse em nosso caminho, ele estava louco, fora de si. - sua voz embargou por um instante. - Dias antes da minha viagem ele me chamou para conversar no celeiro, então brigamos novamente. Ateou fogo no local e não me deixou sair. Ainda me lembro de como me segurava com os olhos enevoados, as chamas nos consumiam e ele parecia feliz em me ver queimar até a morte. - levei as mãos a cabeça sentindo uma breve falta de ar. - Se não pode viver comigo, morrerá comigo. Foram as últimas palavras que ouvi dele. - chorou abalada, mas nada pude fazer.
Sabe quando aperta algo tão forte que a coisa escorrega por tamanha pressão? Essa coisa era minha cabeça agora. Ela não só esta escorrendo com a pressão como se debatia entre todos os objetos zonza, como um avião sem sinal para pouso. Pisquei sentindo minhas pálpebras pesarem, meu braço formigou e um suspirou escapou dos meus lábios.
-Como ele pôde fazer isso? - questiono retoricamente. - Ele pode ter mudado, faz muito tempo.
-Bem que queria Sabine, mas ele não mudou. - sua voz aumentou. - Esta tão pior quanto. Tem que se afastar enquanto há tempo. - implorou.
-Isso é loucura. - coço a nuca e me levanto esticando o máximo que posso a coluna, fingindo estar convicta.
-Tens de acreditar em mim. - murmurou. - Ele irá lhe usar enquanto convém e depois ira lhe matar como fez com todas as outras. É um ciclo vicioso. - me virei carregada confusão. Tentava focar a lanterna com a mão trêmula. - Me escute menina.
-Já chega! - esbravejei me sentindo sufocada.
Segui para a porta se saída enfrentando o corredor do porão. A voz dela voltava ressoar em minha cabeça, agora mais alta.
-Você terminará assim como eu, morta!
Corri o mais rápido que as minhas pernas podiam. Ela não se conteve, continuou falando coisas terríveis, falando repetidamente as formas que ele me mataria.
- Queimada, asfixiada, enforcada, sangrara até a morte, engasgada, traumatismo, seu coração ira parar e ele ira devorar sua alma.
-PARA! - supliquei. A pressão aumentava me deixando tonta. Subi as escadas de forma ligeira demais para o meu joelho debilitado. A visão turva me impediu de ver os degraus e um foi perdido. O chão faltou sob meus pés e eu caí batendo com tudo nos blocos de madeira. Rolei escada a baixo sentindo o impacto do meu corpo sendo debatido como frutas em um liquidificador. Cheguei aos pés da escada provando o gosto de sangue da boca. Estava ferrada. Não tive energia para levantar ou chamar por alguém. A última coisa que vi foi o rosto de Heloise, ela acariciava meus cabelos. Não tive mais forças para manter meus olhos abertos.
FIM (mentira)
Notas finais:
A música que usei para escrever este capítulo - e estou ouvindo no repeat pelas ultimas horas - é Numb by Marina and the Diamonds (esta no player) , mesma interprete da música tema da história, Teen Idle. Quem ainda não viu o trailer da uma olhada lá, que é pics hahah. Espero que tenham gostado, até mais, meus amores. XOXO
Alguém palpite para o próximo capítulo? Será que Sabine ainda esta viva? Heloise falou a verdade? Leslie vai levar a surra que merece?
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