IX.
Justin / Ponto de Vista.
Eu sou o vento que sopra a sua orelha e não se vê. Sou o que captura seu sorriso e assiste na primeira fileira quando seus olhos estão calmos. Sou eu quem fica assistindo você dormir. Me intrometo no jogo de futebol e faço a bola entrar no gol. Sou eu quem faz você sentir a pele arrepiada ao acordar. Eu sempre estou aqui, em todos os momentos, mas você não pode me ver querida. Sou um fantasma e nas horas vagas um poltergeist.
Chermont não era a mesma a muito tempo, já deveria ter me acostumado com a falta de cor nas paredes e o cinza que remetia nas cortinas. Em meus tempos de vida, aquela lugar era saturado de alegria, os donos tinham filhos pequenos e parentes que viviam com os mesmos. As dezenas de quartos sempre estavam ocupados com visitantes, Sr Chermont era um homem conhecido pela sua hospitalidade com os amigos, sempre os recebia com o seu sorriso amarelado de fumo. Em contrapartida era um déspota com os empregados, dentre eles eu. Só suportava minha presença na casa pois precisava de mim para os trabalhos manuais que já não tinha forças para realizar , além do mais a Sra Chermont apreciava minha presença, segundo ela eu era um bom homem, mesmo que evidente não ser o bastante para cortejar sua filha.
Os dias eram longos, e as noites mais ainda. Todos os vivos iam dormir, mas eu permanecia de pé zanzando pelos corredores a procura de algo atrativo, não havia um momento qualquer de descanso pois ironicamente deveria estar em meu descanso eterno. Ano após ano as coisas continuavam as mesmas. novos alunos chegavam, outros saiam, um novo papel de parede cobrindo a parede mofada e só.
Houve um tempo em que questionei minha existência, afinal de contas era notório que não deveria estar ali, perguntava-me dia e noite o por que, e ela sempre respondia "você merece". Ao ver o ressentimento estampado em seus olhos não poderia enganar minha mente, eu merecia, mais do que qualquer outro que estava ali, havia feito algo terrível e isso custara minha eternidade de paz, agora um mero desejo. Exausto de nagar contra a corrente decidi aceitar meu destino, acolhi todo o sofrimento que o acompanhava, a ira, a tristeza e armazenei dentro de mim.
Sou um tolo! Admito sem peso na consciência, se é que tenha alguma. O correto a se fazer era manter distância de Sabine, mas não pude. Fui hipnotizado por sua energia pulsante no instante em que ela colocou os pés em Chermont. Deixei as sombras e me atrevi a arriscar tudo para dispor dos prazeres carnais novamente, algo dentro do lugar onde um dia foi meu coração dizia que precisava me aproximar dela, volto a seguir meus instintos, inconsequente, mesmo ciente de que me arrependeria no futuro vez que isso custaria muito mais do que poderia calcular.
Era um grande erro!
Ainda não me arrependo.
Dedilhei a mão da mão livre de Sabine, sua pele emana um calor com o qual não tinha muito contato, ainda era macia e correspondia ao meu toque ficando de pelos arrepiados, apreciava tal ato. Era gratificante ter domínio de algo, mesmo tão simples. Ela falava compulsivamente enquanto devorava um cacho de uvas, pausava a fala entre uma ou outra. Estava reclamando desta vez, na verdade ela estava sempre reclamando, de uma forma encantadora. Usava palavras que nunca ouvira para descrever sua indignação e fazia observações quanto algumas pessoas, por exemplo Tadeu Cross, de quem ela não gostava muito. Tinha razão. Se soubessem o que aquele herege fazia dentro de escritório o velho homem estaria bem longe das terras do casarão.
-Justin! - ela chamou segurando minha mão, ergui o olhar procurando pelo seu e sorri levemente. Estava imerso em pensamentos e acabei me distraindo de sua fala.
-Me desculpe, você dizia? - pergunto tocando com a outra mão sobre a sua e pousando em minha coxa.
-Não era importante...de qualquer forma já falei demais, não tenho filtro como pode perceber. - admitiu amassando o galho de uva vazio e guardando no bolso da bermuda, peça a qual achava desproporcional para uma moça, mesmo que ela continuasse linda, devo admitir que a acho mais linda ainda sem qualquer veste.
-Pouco me importa o quanto fale, aprecio o som de sua voz, mesmo sem entender metade do que diz. - gargalhei baixo encostando na prateleira.
A dispensa havia se tornado nosso local de encontro do momento, como não havia ninguém na cozinha depois do almoço a morena decidiu que seria um lugar agradável para conversarmos, mesmo não tendo sido a primeira coisa que fizemos ao chegar ali, sua camiseta ainda estava enrolada em sua coxa e a alça de sua sutiã caia no ombro a deixando com um ar sexy. A luz era pouca, a lâmpada não tinha força o suficiente para iluminar toda a sala e quantidade de embalagens ali também não ajudava, o lugar parecia menor do que realmente era.
-As vezes esqueço que seu vocabulário é do século passado.- falei virando o rosto em minha direção. - Sem ofensas.
-Não ofendeu, admito não tenho domínio da variação linguística usada atualmente. - afirmei. Seu rosto se retorceu em uma careta seguida de uma gargalhada, não precisava ser um gênio para notar que ela zombava de mim. - Milady! - a repreendi quando sua gargalhada aumentou o tom.
-Me desculpe, mas você não consegue falar uma frase comum, mas sabe muito bem como usar as palavras foder, chupar, gozar. - desviei o olhar, sorte a minha que não mudava de cor, caso contrário parecia um pimentão, ela estava certa. - Você é um fantasma bem devasso. - seu comentário acabou arrancando risadas de nós dois.
Ao notar que parecia se incomodar com o chão frio puxei seu corpo para cima do meu, acomodou-se apoiando os joelhos na lateral da minha cintura e sentando em meu colo. Apoiei a mão suas coxas apertando os dedos em sua pele, era energizando sentir sua carne presa em minhas mãos. Sabine ajeitou a postura deixando a outra alça de seu sutiã cair por seu ombro, sentia uma necessidade de arrancar a peça e saborear a luxúria de seus seios. Ela era perfeita, dos pés gordinhos, passando pelas sardas que tinha envolta aos peitos até seus lindos olhos de coruja, que me observavam atentos. Fui guiado ao seus lábios como metal a imã, pressionando nossas bocas até alcançar um beijo que envolvia nossas línguas e mordidas sorrateiras.
Afastou-me espalmando as mãos eu meu peitoral descoberto, suas unhas desceram pela minha pele forjando arranhões que logo se regeneravam. Mordi o lábio inferior sendo atiçado pelo tesão, seu toque causava aquecimento imediato em meu corpo.
-Posso perguntar uma coisa? - disse sem conseguir minha atenção prontamente, ainda observava seus seios pressionados dentro do sutiã, deveriam ser libertos, quanta injustiça.
-Claro, pergunte. - suspirei procurando meu controle
-Como eu posso lhe ver e os outros não? - suas mãos subiram ate meu pescoço e pararam na altura do maxilar forçando meu olhar ao seu rosto.
-Só você quer me ver, só eu quero que me veja. - disse simplesmente ao arquear uma sobrancelha.
-Já disse isso, quero saber como funciona de verdade, afinal você esta... - a empolgação em sua voz sumiu e suas mãos despencaram de meu rosto até meus ombros.
-Morto, pode falar. - reforcei sem demonstrar qualquer desconforto com aquilo, minha condição não era problema.
-Morto... - repetiu continuando a falar. -Me explica, como é de verdade.
-Tudo bem Milady.
-Sabine - corrigiu movendo a cintura em meu colo.
-Continuando, é como um sistema onde de um lado se puxa e do outro é empurrado. - expliquei e ela permaneceu com a mesma expressão. - Não apareço apenas quando me chama, tecnicamente sempre estou por aqui, no entanto quando quer falar comigo usamos esse mecanismo. Você puxa quando pensa em mim, do outro lado eu empurro para chegar ao mundo dos vivos, como se atravessasse um cano.
-Parece simples, na verdade. - constatou. - Mas como aparece quando não lhe chamo?
-Sou obrigado a usar toda a minha força, foco em alguma emoção e então me lanço de um mundo ao outro, isto requer muita força e me deixa extremamente cansado.
-Que emoção usa para me ver? - indagou franzindo o cenho.
-Na maior parte do tempo, desejo. - respondi. Sua reação foi diferente do que imaginava, se fosse bom em leitura corporal diria que ela havia ficado desapontada.
-Só desejo? - passei a língua entre os lá me perguntando se aquele era um dos momentos em que deveria medir minhas palavras, no entanto preferi manter as coisas claras.
-Não, tem outras emoções que ajudam, como saudade do seu toque. - deslizei a mão por sua cintura até as suas costas. - Afeto pelos seus lábios - rocei a boca na altura da sua. - E carinho. - desci as mãos até o cós de sua calça e a puxei para perto corando nossos troncos.
-Isso sim é uma resposta. -falou antes de inclinar-se me beijando.
Nunca acreditariam se contasse no quanto me sentia presente naquele plano terrestre quando estava com ela, desejava ter a conhecido em tempos que seria possível corteja-la e poder então visitar lugares segurando sua mão. Não seria necessário nos esconder, não haveria segredos e ela poderia aproveitar minha companhia como uma pessoa normal. Talvez não enfrentasse tantos perigos como agora. Queria mante-la a salvo, mas a verdade é que não era capaz de proteger nem a mim mesmo, especialmente por ser eu o causador de seu perigo.
Pressionei sua cintura a ajudando com os movimentos em meu colo, fechei os olhos suspirando pesadamente. Ela murmurava meu nome seguido de alguma besteira e ria. Nada me fazia sentir mais vivo, do que estar dentro dela.
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Notas Finais:
Olá leitoras (os), demorei menos de um mês desta vez, isso é progresso Brasil LOL, espero que tenham gostado. Não foi um capítulo muito elaborado, mas achei importante verem um pouco do lado do nosso fantasminha camarada. Até a próxima, fiquem firmes e não sigam a luz.
XOXO
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