Capítulo 6 - "Senhor Certinho"
Capítulo 6
Jasmine Fitzgerald
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O barzinho onde Tyler marcou parece ter uma vibe boa. Tem uma luz fraca, música tocando e o pessoal curtindo. Eu demoro um pouco para localizar onde ele está, o vejo sentado em uma banqueta no canto do bar e me aproximo, ele está distraído mexendo no celular.
— Boa noite. — Digo próximo ao seu ouvido e sinto seu perfume masculino que me deixa fraca pois convenhamos um homem cheiroso mexe com qualquer sentido. Juro eu estou há tempo suficiente sem transar para já desconfiar que voltei a ser virgem, então qualquer coisa já está mexendo com a minha libido.
Paul nunca quis me encostar a mão nem quando lá no começo do namoro eu me jogava nele praticamente, ele sempre dizia que me queria “limpa” no dia do nosso casamento, mas pergunta se ele esperou até depois do casamento.
— Boa noite, você como sempre me fazendo ser paciente.
— Desculpe, eu tive um imprevisto. Podemos começar a beber antes do interrogatório? — Já vou logo me antecipando pois sei que ele vai querer me bombardear de perguntas.
Ele concorda e levanta dois dedos para o garçom que já sabe o que ele está pedindo e logo nos serve duas doses de vodka.
— Algo forte e quente para começar a noite. — Abro um sorriso e brindo o copinho no dele e viramos.
— Como conheceu meu pai? — Começamos bem.
Ele está me dando total atenção, peço uma cerveja para o garçom e ele também. Preciso estar com álcool na veia para dar uma relaxada.
— Em um aplicativo e acabamos saindo, antes que pergunte não foi para eu transar com ele, desde então somos amigos até hoje.
— Não teve intenção nenhuma?
— Eu estava precisando de dinheiro e me inscrevi em um app onde você é acompanhante de pessoas em eventos e coisas relacionadas. Seu pai estava precisando para um evento de empresa eu acho e me escolheu, quando o conheci eu exclui o app pois ele me propôs o negócio de ser sua “dominadora” eu gostei da ideia e estamos aí, fim. — Viro a cerveja com ele ainda muito interessado em mim, quase nem pisca.
Tyler é muito gato, primeiro porque tem barba e eu adoro homem com barba mas a dele é curta e bem feita, seu cabelo está sempre perfeitamente penteado e é de um loiro bem escuro além de ser alto e malhado será que é realmente gostoso por baixo dessa roupa?
— Ei eu não sou um objeto em exposição para você ficar quase babando em cima de mim, menina. — Ele diz e da um gole em sua bebida.
— Que? Eu estava te olhando pois espero uma resposta. — Digo na defensiva e ele abre um sorriso sacana.
— Sabe o que eu não entendo? Você tem uma vida dupla e ainda por cima tá noiva, certeza que o cara iria odiar saber o que você faz na Capital.
— Não tem o que entender, só para de pegar no meu pé se eu quisesse roubar seu pai já teria feito há muito tempo.
— Seu pai é pastor, respeitado na Cidade e você tá aqui. Faz isso por prazer?
— Por necessidade lindo, mas não vou falar o motivo real pois isso só desrespeita a mim. Agora podemos parar de falar sobre isso, e sei lá conversar sobre o tempo? — pergunto querendo fugir urgentemente da minha vida de merda — Ou podemos fazer melhor, falar sobre o porquê você tem essa necessidade enorme de me ver e sabemos que não é por causa do seu pai.
Olha que bonitinho ficou total sem reação.
— Talvez seja porque eu queira conhecê-la melhor. — Reviro os olhos, pois é claro, quer me conhecer para saber das minhas reais intenções com o filho... ops pai dele.
Ele apoia um braço no balcão e olha nos meus olhos e eu logo sinto sua mão em meu joelho.
— Além de você ser muito bonita e ter me chamado muita atenção. — Sua mão vai subindo por entre minhas pernas e quando vai chegar lá, ele para e pega a cerveja tomando o restante.
Ainda estou sentindo a sensação de sua mão na minha perna, quando um cara se aproxima de nós bem rápido e da um belo soco no rosto de Tyler que se desequilibra e cai no chão. E eu quase tenho um treco do coração pois foi tudo muito rápido.
— Seu filho da puta comedor de mulher casada, achou que eu não ia te encontrar? — O homem grita e eu seguro em seu braço para que ele não bata novamente em Tyler que está meio desnorteado.
— Para com isso seu maluco. — Grito e o cara me olha.
— Tira as mãos de mim sua puta. — Eu permito ser chamada de tudo, menos de puta pois primeiro isso não é uma ofensa mas eles usam como tal e segundo nenhuma mulher deveria ser chamada assim, ainda mais por um homem ridículo como esse.
— Do que você me chamou? — Pergunto para ter certeza.
— De puta, duvido que não tá chifrando o corno do marido e... — Eu não o deixo terminar de falar pois dou um belo soco no rosto dele e nem sei onde pega, só sei que eu acho que quebrei minha mão o bom é que foi por uma boa causa.
Tyler levanta com tudo.
— Respeite uma dama seu bastardo. — Dito isso ele parte pra cima do homem e eles caem em cima de uma mesa e trocam socos adoidados até sermos convidados de forma brusca a nos retirarmos do local e eu fico puta pois fui expulsa por causa de briga dos outros.
Saio bufando como uma animal selvagem.
— Jasmine espera.
— Espera nada, me chamou pra cá para ser humilhada e ter que presenciar briga eu jurava que você era o Senhor Certinho pois o tanto que me investiga por “ficar” com o seu pai não tá escrito. Mas, estou vendo que você é mais fodido que nós dois juntos. — Falo puta da vida.
Pego meu celular afim de chamar um uber ou um táxi que me leve para longe daqui pois já deu, estou de saco cheio.
— Me desculpe, por favor não vai embora podemos ir para outro lugar um restaurante talvez. — Solto uma gargalhada totalmente forçada.
— E ser vista com você em público de novo? Meu amor agora foi um soco que você levou, na outra será um tiro e o tiro sempre acerta na inocente que não tem nada a ver, adivinha quem morreria? — Ele se aproxima todo culpado e pega minha mão que está vermelha e inchada, com a raiva eu nem senti.
Misericórdia eu dei um belo soco no rosto daquele idiota, mas ele mereceu jamais chame uma dama de puta ainda mais eu uma filha de pastor, minha infância dando surra nos garotos da escola serviu para algo no final das contas.
— Podemos ir para o meu apartamento, você precisa colocar gelo na mão caso contrário vai inchar mais e doer.
— Eu não vou pra sua casa, nem te conheço. Irei embora sozinha.
— Não sou um assassino Jasmine.
— E quem me garante? Eu assisti “You”, e eu nem sei como você do nada me encontrou e apareceu na igreja do meu pai, eu confio em você menos ainda. — Ele pensa por um momento e concorda com a cabeça.
— É, concordo que tem muito o que desconfiar de mim. Mas, se eu quisesse te matar ou qualquer coisa do gênero já teria feito. Você vai ou não? Se não for posso te levar pra casa.
Penso por um momento, até dar a hora de eu ir pra casa ainda falta bastante então preciso passar tempo e se ele me matar também não será algo tão ruim assim pela minha atual condição de vida.
— Tá vamos lá. — Eu o sigo até seu carro e entro.
Minha mão está doendo pra caramba e certeza que vai ficar inchada, estou usando anéis então eles machucaram meus dedos com a porrada. Tyler dirige em silêncio total e eu não faço questão nenhuma de conversar.
Quando chegamos em seu apartamento eu pego meu celular e mando uma rápida mensagem para Rolly.
Jasmine:
Se eu sumir minha última localização é aqui, procure pelo filho do Magno hein.
Mando a mensagem e logo depois minha localização. Olho tudo com curiosidade, jurava que a casa dele seria enorme, é tudo bem espaçoso porém nada comparado ao que eu pensei achei que fosse ser como o apartamento dos caras de livros e séries.
— Jurava que você morava em uma super cobertura triplex.
— Pra que algo tão grande se eu sou um só?
— Tem razão, daria um trabalho enorme. — O apartamento é em conceito aberto e a cozinha tem eletrodomésticos super modernos e em inox.
A parede onde fica a TV é de tijolinhos brancos e as demais em tons pastéis, vejo um corredor com quatro portas e uma varanda espaçosa e bonita. É tudo impecável de limpo e organizado, não tem uma coisinha fora do lugar.
— Quer beber alguma coisa?
— Quero saber como você me encontrou, você já me interrogou pra cacete acho que chegou a hora de eu saber um pouco sobre você. — Digo sem responder sua pergunta e me deixo cair em cima do sofá macio.
Ele passa a mão pelo cabelo e me olha.
— Consegui pelo seu pix. — Diz indo até a cozinha e mexe no freezer.
— Minha chave pix é aleatória e o meu registro no banco é anônimo.
— Tenho contato no banco foi assim que consegui descobrir quem era você e depois as redes sociais me ajudaram. Jasmine Fitzgerald tem poucas por aí.
— Ele me entrega um saco de gelo protegido por um pano de prato e eu coloco sobre minha mão.
— Que absurdo nossos dados não estão mais protegidos em lugar nenhum. — Me deito no sofá e ele se senta no chão me olhando enquanto segura um outro punhado de gelo contra seu maxilar já marcado pela porrada.
— Por que você está noiva? — Pergunta e eu continuo olhando pro teto.
Não sei o que responder, eu poderia mentir dizendo que amo Paul mas, não consigo mais viver em volta de tantas mentiras eu já não sei mais qual é a minha verdade de tantas histórias que venho contando.
— Porque meu pai quis assim, Paul era um bom partido agora está sendo teleguiado pelo pai dele e pelo meu.
— Seu pai dita as regras sobre sua vida? Ele não pode te obrigar a casar com um cara que você não quer.
— Meu pai dita as regras sobre a vida de todos da minha família. Eu não ligo mais, não estou nem aí pra nada. Agora eu preciso ir, daqui a pouco Paul vai me buscar.
— Não dá pra ficar mais?
— Não, aliás só chama um uber e eu vou você nem precisa sair de casa. — Ele insiste em me levar mas eu consigo o fazer desistir da ideia.
Ainda faltava umas horas para Paul vir me buscar mas, eu não queria ficar mais tempo na presença dele pois não quero falar sobre a minha vida em West e muito menos falar sobre meu pai.
Tyler me leva até a portaria.
— Tudo bem se eu te mandar mensagem? — Levanto uma sobrancelha o questionando com o olhar.
— Ué, pensei que você quisesse distância de mim e que eu ficasse bem longe do seu pai.
— Meu pai é um problema a parte. Eu sou outra coisa, nada a ver com ele.
— Tanto faz, você que sabe. Tchauzinho. — Dou um beijo em sua bochecha e entro no uber que já me espera.
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