Capítulo O1
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Grama sintética amarelada, banheiros químicos, pessoas esparramadas embaixo de árvores e em canteiros equilibrando copos de plásticos com cerveja quente, som alto e o DJ mixando canções dos anos 2000. Inspiro profundamente alimentando meu olfato com o cheiro de suor, álcool e poeira no ar. Finalmente estou no maior Festival do ano, pelo menos na minha cidade.
O FestCamp é o meu festival favorito desde que me lembro, sabe, antes mesmo de ter idade o suficiente para frequentar e consumir os drinks servidos em saquinhos de dindin/sacolé ou em forma de gelatina. E esse ano em especial, contava com a organização elaborada pela faculdade que frequento, mas especificamente o pessoal da calourada. Ou seja, não tinha como não ser perfeito.
Depois de uma semana infernal de seminários e preparação do TCC decidi que, a partir do momento que colocasse os pés ali eu me esqueceria que sou universitária. E foi exatamente o que fiz. Me juntei a um grupo de amigas do curso de psicologia e nós saímos festival adentro experimentando tudo que estava ao nosso alcance. Fomos do palco principal a tenda de comidas, depois para o palco médio e quando o sol começou a se pôr só restava eu, Mia, Antonella e Beatriz que vomitava até suas últimas encarnações no banheiro químico.
Balanço a garrafinha de água na mão, depois da segunda beats tive a leve impressão de que acabaria feito Beatriz e isso não estava nos meus planos. Antonella saiu do banheiro tampando o nariz e arrastando nossa amiga pelo braço.
— Vou ligar para o meu irmão para vir buscar a gente. — anunciou Mia encarando amiga e dando batidinhas em seu rosto. — Não tem a menor condição de ficar com ela aqui assim ou mandar sozinha em um Uber. — concordamos em uma gesto quase que coreografado.
— Eu não pretendo ir tão cedo, se a Bea melhorar e você quiser voltar manda mensagem. — avisei me sentindo meio mal, sabia que Mia curtia o festival tanto quanto, na verdade ela estava na equipe da organização. Mas por outro lado nós sabíamos que precisávamos cuidar uma das outras, se não fosse ela talvez eu me oferecesse para ir.
As acompanhei até os portões de saída, um segurança teve que ajudar Bea a entrar no carro, além de triste a situação era no mínimo humilhante. Sabe o que dizem sobre o álcool.
Ao meu lado Antonella escaneia o ambiente como uma águia à procura de sua presa, e bem, eu até imagino quem seja. De todo o grupo de colegas de curso, ela é a que menos sou próxima, e sinceramente não tem um motivo para isso, eu não a odeio ou me incomodo com a sua presença, pelo contrário. Mas nós simplesmente não temos um encaixe. Na maioria das vezes quando ficamos sozinha só temos dois assuntos em comum, os trabalhos que parecem calhamaços de Geralda - professora de psicanálise - e garotos. Na verdade, um garoto em especial. Ele que não me ouça o chamando de garoto.
— Ele não deve tá aqui, o show dele é o próximo. — aviso ganhando um sorriso envergonhado dela. — Vamos tentar pegar grade, o pessoal que chegou mais cedo deve tá cansado agora.
Eu nunca fui nenhuma expert em festivais, mas ser uma grande apreciadora e ter conhecimentos básicos nos garantiu a grade, depois de ser empurradas, amassadas, ameaçadas por um cara de cabelo azul e tomar um banho de cerveja. A minha banda favorita local cantava no palco, ouvir Rainy Days ao vivo me fez esquecer que estava sendo forçada contra barras de metal.
Me divirto ao lado de Antonella, ela é animada mesmo conhecendo poucas músicas. Mas então, estou morrendo de sede. A apresentação acaba e eu sei que o único motivo pelo qual vou permanecer aqui é pela garota ao meu lado e seu fanatismo pela próxima atração.
— Você é a Talita? — um segurança parrudo não muito alto me aborda. Penso antes de confirmar, afinal isso não é muito comum como pode parecer na minha vida.
— Sim, se for uma coisa boa. Não, se algo aconteceu e deram meu nome. — a minha tentativa de soar engraçada foi um completo fracasso, os olhos de decepção do segurança fizeram com que eu me sentisse como uma criança que molhou as calças. — Sim, sou eu.
— Okay, você tem passe livre para o camarote, mas nada de fotos ou importunar os artistas. — avisou pulsando uma trava da grade.
— Como assim? — olho para Antonella, sem entender o que acontecia.
— São ordens da produção, só vem garota.
— Mas, eu não estou sozinha e não vou deixar minha amiga aqui. — explico, mas o meu corpo vai em direção ao espaço sendo aberto na grade.
— Leva ela, eu realmente não ligo.
Decidi não fazer mais perguntas antes que minha sorte retornasse ao estado natural. Agarro a mão dela seguindo o segurança, ele nos leva para os bastidores. Tem instrumentos espalhados por todos os lados, caixa de som, cabos enormes e mais gente do que eu esperava. Somos levadas para uma área especial, uma sala grande com corredores que apontam para os camarotes nas laterais do palco principal.
O show business da cidadezinha estava em peso ali. Pude ver os membros da banda que assisti minutos antes confraternizando no canto da área vip, tomando bons gins e dando sorrisos largos, eles pareciam ainda mais legais ao vivo.
— Ele está aqui. — a voz de Antonella saiu como um sussurro.
— Quem? — virei rosto buscando onde seus olhos miravam. — Ah... é claro que tá, o show dele é próximo.
Do outro lado da sala decorada como um camarim coletivo, estava a atração principal da noite, pelo menos para a garota ao meu lado. Com o corpo esparramado no sofá clássico vintage, os botões abertos da camisa e um copo de whisky na mão, ele tinha o olhar distraído, fixo no telefone sobre a mesa. O rosto moldado como se tivesse desenhado pelo deus mais viril, era bonito feito o diabo. Isso explicava o por que Antonella era completamente maluca por ele.
— Será que podemos falar com ele? — ela perguntou baixinho se esticando e empinando o corpo quando notou o olhar guiar-se em nossa direção.
— Não vai ser preciso. — resmunguei vendo toda sua energia direcionar-se a nós.
Larga o copo sobre uma mesinha e ergue o corpo caminhando vagarosamente em nossa direção, quero dizer que é ridículo como ele anda com uma mão no bolso da calça jeans em câmera lenta, mas o desgraçado faz isso com maestria. Antonella suspira ao meu lado, acho que é a primeira vez que o vê assim.
— Como aceita um convite para o backstage sem saber de quem foi? — Havia uma neutralidade irritante no seu rosto quando me perguntou isso, o tom autoritário de sempre o acompanhava.
— O pior que poderia acontecer é você ter me mandado o convite. — estreitei os olhos dando de ombros, demorou meio segundo para a ficha cair e eu enxergar a possibilidade dele ter mandado o segurança até a grade. — Tá de sacanagem, você não... ?
— Se estiver incomodada em não ser presa contra uma grade ou apalpada por um monte de filho da puta na multidão pode descer, pestinha. — puxou ar aos pulmões e virou os olhos até Antonella, não demorou a retornar a mim. — Mas se for ficar para o show não tente me distrair.
— Não prometo nada, se alguém arremessar uma garrafa no palco é provavelmente por que você é muito ruim. — cruzei os braços sustentando a troca de olhares, é sempre assim. E não significa nada.
— Você é presidente do meu fã clube, se algo parar no palco com certeza vai ser seu sutiã. — seu olhar desceu aos meus seios sem a menor vergonha, cruzei os braços com mais força, imediatamente fazendo careta.
— Nos. Seus. Sonhos. — ditei vagarosamente levantando o dedo do meio. — Não tem um show para fazer? Tchau.
O dono dos fios pretos e longos desviou o olhar para minha amiga, esticou o lábio em um sorriso cafajeste antes de sair em direção ao palco.
— Aproveitem o show. — o ouvimos antes de desaparecer entre cortinas e caixas de som.
Respirei fundo pensando em como poderia realmente arremessar uma garrafa na cabeça dele durante o show, isso certamente me faria sentir melhor. Mesmo sabendo que nossos encontros sempre se resumem a troca de farpas e a minha interminável vontade de agredi-lo e cortar sua língua grande.
— Talita! — me encolhi com o gritinho estridente que soava ao meu lado. — De onde você conhece I.M ? Aliás, como nunca me disse que vocês se conhecem. — esfregou as mãos nos fios claros. — E o que foi isso? Vocês estavam flertando!
— O que? — senti meu rosto retorcer com sua última frase. — De jeito nenhum, ele só é irritante, nos conhecemos a algum tempo. — as pessoas começaram a caminhar em direção aos corredores do camarote. — Eu te conto no caminho, vamos.
Penso em como devo contar aquilo, na verdade, por onde começar. A verdade é que não conheço I.M, eu conheço Chang Kyun, o primo mais velho da minha melhor amiga da infância Suzy. A primeira vez que nos vimos, no auge dos meus dezessete anos e vinte e um dele, ele era mais magro, com menos tatuagens e um príncipe aos meus olhos. Sim, eu obviamente tive uma paixão profunda, incondicional e quase inocente por ele. Eu realmente sonhei com a ideia de que ele seria meu primeiro e agora, no auge dos meus anos universitários, nós dividiríamos um apartamento e seríamos felizes para sempre. O que obviamente não aconteceu. Assim que descobriu a minha paixonite adolescente Chang Kyun não só fez piada sobre isso como me colocou completamente para escanteio. Se um dia existiu um cantinho do pensamento na zona de amizade, havia uma poltrona com o meu nome cravejado ali.
Ele nunca me olhou com os mesmo olhos que olhava para suas ficantes, namoradas e afins. Então, eventualmente eu deixei aquela paixonite morrer. Dois anos atrás Suzy se mudou, foi para outro país ser au pair , ele ficou e vez ou outra nos encontrávamos em festas de família - quais os pais de Suzy nunca deixaram de me convidar -, no meu fastfood favorito, ou simplesmente no campus da universidade. O meu passatempo favorito era fingir que estava o vendo pela primeira vez e perguntar se ele era calouro. Detalhe, estava no último ano. Ocasionalmente, ele se tornou apenas o primo da minha amiga, nunca estive no mundo em que ele era I.M, sabia da sua popularidade nas redes sociais e talvez, só talvez, eu soubesse algumas músicas.
Contei tudo a Antonella, exceto a parte da paixonite, eu não precisava que ela soubesse que fui brutalmente rejeitada.
— Desculpa não ter contado antes, é que eu não sabia como dizer. — ponderei fitando as luzes que mudam de cor a cada troca de música. — Sem contar que nós nem somos tão próximos assim.
A voz cheia de sonoridade chama atenção da plateia, os gritos se tornam mais altos com os comandos, ele pula e dança ocupando todo o espaço. Todos os olhares estão sob ele, sei disso pois não consigo desviar também. O idiota em bom em tudo que faz.
— Entendo. — por um bom tempo aquilo é tudo que ela fala, até Chang nos encontrar no meio da multidão e apontar fazendo um gesto um tanto quanto cafajeste com a ponta dos dedos.— Acha que eu posso tentar falar com ele? — demorei a processar o que queria dizer, ele estava se despindo e não era novidade ver aquele abdômen trincado, mas sempre me pegava de surpresa. A plateia gritou ensandecida.
— Claro, ele é meio idiota mas não vai te morder. — disse fechando os olhos sabendo que não poderia garantir aquilo. — Só não age feito uma fã maluca, ele não curte isso.
— Não vou pedir um autógrafo pra ele. — explicou gesticulando. — Quero perguntar se ele topa passar a noite comigo.
— Passar a noite? — arqueei a sobrancelha em confusão, minha boca secou, eu deveria ter roubado uma garrafinha do camarim. Encostei na barra de metal que parecia uma pilastra quase passando direto, escorreguei e tentei me agarrar em uma coitada próxima a mim pedindo desculpas na sequência.
— Você está afim dele por acaso? — ela me encara estranho. Balancei as mãos em negação.
— De jeito nenhum, isso é o álcool batendo amiga. — eu juro que nunca, nos últimos três anos de curso, chamei Antonella diretamente de amiga. Devo estar bêbada mesmo. — Você deveria tentar, na verdade acho que você faz o tipo dele.
Ela é o tipo de garota que faz o tipo de todos, e certamente faria o tipo dele. Um ano mais velha do que eu, baixinha, um corpo moldado na academia, rosto delicado, sardinhas, cabelo longo e liso em um tom de castanho claro natural e olhos verdes. Antonella era o estilo de namorada troféu que pelo menos oitenta por cento dos caras da faculdade queriam ter. Então, para mim era mais do que óbvio que eu voltaria para casa sozinha em um Uber e ela sairia daqui com seu muso I.M.
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Assim que o show chegou ao fim, nós já estávamos de volta ao salão VIP, esperando Chang retornar. Minha colega parecia uma pilha de nervos, ajeitando o vestido no corpo e retocando o batom, quando pediu para eu checar seu hálito tive que negar. Tudo tem limite.
Logo depois que os músicos da banca retornaram ao backstage ele veio, ainda sem camisa, com uma toalha branca sobre os ombros secando uma garrafinha de água mineral. Parecia uma estrela do rock, legal demais para ser verdade. Seus passos descansados foram direto para o sofá onde estava quando chegamos, gesticulou para um funcionário e recebeu o celular junto a outra garrafa de água.
Senti o empurrão em meu ombro e desci o olhar, já me arrependo de ter concordado em fazer aquilo. Esfreguei as mãos no jeans e segui na direção dele, infelizmente não demoro a ser notada. Ergue o queixo e pisca algumas vezes sem dizer uma palavra.
— Olha, você desafina menos do que eu imaginava. — joguei verde afundando as mãos no bolso traseiro da calça.
— Então você estava prestando atenção no meu show — Chang Kyun não é exatamente a pessoa mais sorridente do mundo, mas é possível identificar a alegria diabólica no seu rosto quando está satisfeito com algo.
— Se não fosse isso eu não poderia pontuar todos os defeitos naquela sua apresentaçãozinha.
— Então me diga tudo, pirralha. — gesticulou apontando para o espaço no sofá.
— E te dar o prazer de me ouvir falando sobre você? Não mesmo. — suspirei olhando discretamente sobre o meu ombro. — Te mando um fax depois, com todos os detalhes e observações, mas hoje o assunto é outro.
O corpo esparramado no móvel ergueu o tronco apoiando os cotovelos sobre os joelhos. Havia algo muito estranho sobre como ele ficava me encarando de baixo para cima, quase parecia inofensivo, mesmo com aquele olhar de caçador.
— O que você quer Tali?
— Tem alguém que quer te conhecer, ou melhor, ela quer muito sair com você. — dei um passo ao lado indicando com a cabeça onde eu sabia que ela estaria parado fazendo poses. — Ela é sua fã e te acha um máximo e em suas palavras, não minhas, quer ir para casa com você.
— Hum... — inclinou o rosto analisando Antonella como se seus olhos fossem um aparelho raio-x. — Diga a ela que não estou interessado. —um suspiro inconsciente escapa da minha boca.
— Tem certeza? Ela é o pacote completo. Bonita, inteligente, sem antecedentes criminais e está realmente interessada, tipo, ela só fala de você.
— Sim, eu não estou interessado. — levantou-se retornando atenção a mim, me encarando nos olhos como sempre fazia. — Eu vou levar alguém para casa. — acenei pouco interessada no que tinha a dizer a seguir e me virei pronta para dar a notícia para minha colega. — Não vai perguntar com quem eu vou para casa?
Estagnei no meio do caminho, entre ele e Antonella, parei de andar me virando o suficiente para ver seu rosto. Seu olhar caminhava entre nós duas e ocasionalmente parou em mim, assim como seus passos que sorrateiramente chegaram a mim.
— Eu vou levar você para casa hoje Tali, só você.
Sinto que ouvi errado, que o tempo parou e eu estou em transe dentro de uma peça de muito mal gosto pregada pela minha mente. Agarrei a alça da bolsa presa ao meu corpo, engoli em seco e virei o rosto. Antonella está de olhos arregalados, em choque.
— Não, absolutamente não. — soltei uma risada nervosa que virou um pedido de socorro quando a mão suada segurou meu braço. — Ele está brincando, o seu senso de humor é coisa de louco. Né Chang Kyun?
— Hm, deixa eu reformular. Quis dizer que nós vamos passar a noite juntos, eu não pretendo sair daqui com mais ninguém, a não ser que seja você Talita.
— Só pode tá de brincadeira. — murmurei vendo os olhos da garota se encherem de lágrimas.
— Nunca pensei que você esse tipo de pessoa. — fungou me encarando com olhos tão acusadores que foi impossível não me sentir culpada. — Sua traíra.
Antes que eu pudesse formular uma desculpa, dizer qualquer coisa que fizesse aquilo soar menos pior ela deixa o backstage correndo. Xingo mentalmente e puxo meu braço fugindo do toque dele. Na verdade a vontade de quebrar uma garrafa na sua cabeça me volta a mente junto a confusão que acabará de causar.
— Qual o seu problema? — empurrei o seu peito me desvencilhando completamente. — Que brincadeira de merda, precisava me incluir? Falasse que ia dormir com qualquer uma, menos comigo, seu imbecil. — deferi outro tapa no seu peito, mas ele segurou minha mão contra a pele suada.
— Não foi brincadeira, eu quero que você vá comigo. — minha mente entra em alerta, é simplesmente demais para digerir de uma só vez.
— Tanto faz, não quero ouvir isso, preciso consertar a merda que você fez.
— Talita, espera! Porra.
Me lancei para fora dos bastidores, mas a verdade é que naquele momento eu gostaria de me lançar em direção a lua, se tivesse sorte o foguete explodiria no meio do caminho e eu não teria que considerar a possibilidade que ele estava realmente falando sério sobre sair dali comigo. Esfreguei as mãos no cabelo buscando Antonella no meu campo de visão, em meio a multidão vi os fios castanhos claro se misturarem na multidão. Apressei os passos correndo atrás dela, mas o mar de pessoas me engole e cospe para todos os lados possíveis.
Tive que dar a volta por banheiro químicos e passar por uma nuvem de cigarro eletrônico que me faz tossir no caminho. Gritei por seu nome, mais de uma vez e eu tenho certeza que me ignorou. Não demoro a ficar cansada, e penso se não deveria desistir de correr e aceitar que ela daria um jeito de me evitar pelo resto da vida.
Por um golpe de sorte ela é parada por um segurança, estamos na segunda catraca de entrada, onde acontecia a revista. Apoio as mãos no joelho recuperando o fôlego. Estiquei o corpo pronta para ir em direção a ela quando um rapaz se aproximou. Um sorriso largo, bebida na mão e uma lábia palpável.
— Onde vai correndo assim? — perguntou sem parar seus passos até que estivesse praticamente grudado a mim. — Se quiser correr para os meus braços, é só vir gatinha.
— Na moral, eu passo amigo. — Dei dois tapinha no seu braço querendo sair dali. Ainda a vejo conversando com o segurança. — Será que dá pra sair da frente.
— Só se você me der um beijo. — sem me dar tempo para pensar o tal rapaz de jaqueta vermelha se inclinou em minha direção tentando roubar um beijo, me prendendo em um abraço forçado.
— Não vai rolar, da licença. — A boca intrusa vinha outra vez em minha direção, meu reflexo não é ruim, mas juro que pude sentir um solavanco para trás.
E o que aconteceu em seguida é loucura. Chung Kyun estava lá, junto ao seu punho que acertou o rosto do cara. Não uma, mas três vezes. O cara revidou jogando o copo de cerveja vazio em direção a ele, sangue escorreu da sua testa. De repente uma multidão se foroua à nossa volta, pessoas tentam intervir na briga que não parecia ter acabado ali.
— Quer jogar sujo? — berrou de peito inflado agarrando o assanhado pela gola. — Então vou jogar sujo com você.
Puxou o corpo mais alto e menos reativo que o seu, acertando o joelho em seu nariz. O corpo mole caiu no chão , quando Chang avançou para desferir um chute foi agarrado por um policial. Merda, a polícia estava ali.
— Encosta um dedo nela de novo em permissão que você tá morto irmão. — berrou tentando se soltar, outro policial apareceu ajudando a contê-lo. — Não consegue ouvir um não?
— Quem é você? Namorado dela por acaso?
— Independente, se ela disse não, é não.
— Chang Kyun, já chega! — disse entrando no seu campo de visão, a polícia não parecia nada feliz tentando contê-lo, o teaser na mão do primeiro policial deixou isso bem óbvio. — Olha pra mim, eu tô bem. Ele não fez nada.
Agarrei seus ombros, é estranho, mas isso pareceu o fazer se acalmar imediatamente. Ele levanta as mãos e a polícia o libera dando um passo para trás, um dos policiais vai em direção ao cara de jaqueta caído no chão choramingando pelo nariz quebrado.
— Vamos sair daqui, vem. — salto um passo para trás fugindo do seu toque.
— Eu não vou a lugar nenhum com você, ainda tenho que consertar um mal entendido.
— Não tem mal entendido nenhum, você é cabeça dura hein, eu quero que você vá para casa comigo, e não saio daqui sem você.
— Já chega desse joguinho, não foi engraçado e você sabe o quão fodido é dizer isso pra mim agora.
— Sei, mas nunca vou acertar se não tentar ao menos uma vez.
— Para, por favor, só para. — pedi sentindo minha cabeça dar um nó.
— Senhor, vai ter que nos acompanhar até a delegacia. — o policial que ficou do nosso lado avisa. Percebi Antonella próxima a ele, arrisco dizer que ouviu toda nossa conversa.
— Vocês não são tão próximos, hm? Sua mentirosa do caralho.
De todos os finais possíveis para a minha noite perfeita, ser pivô de uma briga e causar uma grande confusão ao meu redor simplesmente não se encontrava em posição alguma na minha lista. Observo ao redor absorvendo com certa dificuldade o resultado das minhas escolhas. A amiga que veio comigo chora desesperadamente e me chama de nomes terríveis. A polícia adverte o cara de jaqueta vermelha que foi alvo dos socos do cara sem camisa alguma e corte na sobrancelha. Este cara em questão, é o primo da minha melhor amiga de infância. O mesmo cara que me colocou de escanteio na primeira oportunidade, mas hoje, estava tentando me levar para casa.
É, tem sido uma noite e tanto e a atração principal do festival nem terminou seu show.
Cruzo os braços abraçando meu próprio corpo, tentando evitar que seja tão perceptível o tremor em meu corpo. Sopro entre os lábios, deixando o ar frio escapar. As primeiras gotas de chuva caem sem aviso e uma gritaria se inicia. É um pandemônio quando as pessoas começam a buscar abrigo.
O toque quente e repentino me desperta, os dedos longos e grossos agarraram minha cintura puxando-me contra si.
— Não me faça te jogar no ombro e te arrastar para fora daqui. — advertiu sussurrando ao pé do meu ouvido, quente e direto. — Vamos para casa.
⧪⧪
Hello my peooople! Como estão? Espero que bem e curtindo a história. Os capítulos estão prontos e pré-revisados, logo mais tem atualização, mas claro, preciso saber se estão gostando então deixa um comentário ai na moralzinha e faz essa pobre escritora feliz.
Beijos no coração!!!
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