Chào các bạn! Vì nhiều lý do từ nay Truyen2U chính thức đổi tên là Truyen247.Pro. Mong các bạn tiếp tục ủng hộ truy cập tên miền mới này nhé! Mãi yêu... ♥

3. 삼




──── ROSÉ ────

No meio da cama de Lisa, entre os lençóis, há um enorme cartaz aberto junto a canetas, réguas e uma faca. Jennie segura a bandeja de batatas fritas, as mãos sujas engordurando a borda do cartaz e a tela do celular. Lisa senta ao lado, a postura ereta enquanto continua atenta a tudo à nossa volta, desde as pessoas passando do lado de fora do quarto até os passarinhos piando na janela.

Ainda não sei o que pensar sobre isso, sobre a repentina saída do exército real, a desconfiança exacerbada e a escuridão que perpassa os seus olhos. Ela não parece a mesma de quando a conheci. O tempo deve ter cobrado mais da sua saúde mental do que ela admitiria em voz alta.

Sento-me próximo a elas, desenrolando um mapa da cidade Downtown, em Jeju.

— Sabe... — Jennie chupa os dedos engordurados. — Ia ser bem melhor... — O som é irritante. — Se fizéssemos... — Ela continua. — Tudo digitalmente.

Arranco a bandeja de batatas das mãos dela.

— Aprendi com você que nada é seguro se não pudermos pegar — respondo.

Ela sorri para mim, debochada.

— Não há de quê, Rosé.

Abro a boca pronta para rebater, mas Lisa estala os dedos na nossa frente.

— Aparelhos eletrônicos podem queimar, descarregar, parar de funcionar... as opções são muitas. É bom começarmos a operação assim, no papel.

Concordo com um menear e Jennie bufa, voltando a comer batatas. Ainda penso bastante sobre o que me fez aceitar a proposta de roubar esse dinheiro. A quantia é realmente surpreendente, mas não é como se eu precisasse. Ganho um bom salário, vivo uma vida confortável e nunca conseguiria parar de trabalhar mesmo com todo o dinheiro do mundo na minha conta bancária. Passei tempo demais afastada do Serviço Nacional para saber que a minha mente não fica bem quando estou entediada. Além do mais, acho que as motivações de Lisa vão além do dinheiro e as minhas também, eu só não descobri ainda.

Já Jennie, bem, introduzi-la no plano é a minha chance de redenção, já que prendê-la foi algo que eu não quis fazer. Ela é boa demais para o lugar que estava antes: em uma lan house podre em Tokyo, vendendo o almoço para comprar a janta e, mesmo assim, quando colocou as mãos em todo aquele dinheiro ilícito hackeando a conta dos bilionários, preferiu doá-lo para um abrigo de animais abandonados. Tem algo de irônico nisso, eu não posso deixar passar.

Trabalhar com as duas vai ser um desafio, muito porque Lisa tem motivos para achar que Jennie vai nos matar enquanto dormimos. Ela é desconfiada por natureza. Lembro-me que, quando nos conhecemos, passei quatro meses sem saber o seu nome verdadeiro porque ela não confiava em mim o suficiente para contar, mesmo que estivéssemos trabalhando em conjunto e transando às vezes. Confiar em Jennie será algo difícil para Lisa, eu sei disso só pela forma que ela não saiu do pé da Kim, como um carrapato insistente, carregando um calibre .40 de maneira visível no coldre e lançando olhares ameaçadores vez ou outra.

Destampo a caneta, escrevendo o valor do dinheiro que roubaremos no topo do cartaz.

— Peraí... — Jennie arfa. — O valor é de 200 milhões e vocês vão me dar só 10?

Lisa dá de ombros, como se fosse óbvio.

— Você é uma convidada, eu e Rosé vamos participar ativamente do roubo.

Jennie não se dá por vencida.

— A minha vida também está em jogo. Se eu for pega com vocês, vou ser sentenciada a mesma pena. — Ela olha para mim e para Lisa alternadamente. — Roubo qualificado com agravante, no mínimo 30 anos de prisão, caso não saibam.

Lisa rola os olhos, impaciente.

— Não vou te dar mais que 10 milhões, Jennie, esquece.

Jennie cruza os braços.

— 11 milhões e não falamos mais disso.

Lisa ri, incrédula.

— Nem pensar.

— 12 milhões só por causa do seu deboche — Jennie rebate.

A voz de Lisa aumenta algumas oitavas:

— Você não vai ganhar 12 milhões!

— 13 milhões porque só a minha mãe grita comigo! — devolve Jennie, também gritando.

— 14 milhões e eu não quero mais saber dessa conversa! — grito mais alto, fazendo as duas calarem a boca.

Lisa me olha, em choque.

— 14 milhões?

Enquanto isso, Jennie está comemorando.

— Eu tiro a minha parte, ok? Agora precisamos conversar sobre o plano. — Aponto efusiva para o papel no meio de nós três. — Terá etapas que precisam ser cumpridas, então eu serei o mais didática possível. Todas as perguntas serão respondidas, então é importante que vocês prestem atenção e parem de contar com um dinheiro que nós ainda não temos. — Olho para as duas, esperando alguma objeção, mas elas estão quietas. Eu continuo: — De acordo com Lisa, o dinheiro saiu de Bangkok hoje de manhã, aliás, isso é mesmo seguro?

Lisa assente.

— Quem me deu a informação foi a conselheira do rei. É seguro.

Jennie desiste de pegar o notebook, na cabeceira da cama, para lançar um sorriso de lado a Lisa.

— Deixe-me adivinhar, Máquina de Combate, você estava dormindo com a conselheira? Mommy issues?

Lisa pisca algumas vezes, estranhamente envergonhada.

— O que há de errado nisso?

— Nada — responde Jennie, divertida. Ela cruza as pernas em uma pose de índio, como uma criança encrenqueira. — A informação provavelmente é segura, sexo é um ótimo método para arrancar segredos das pessoas.

Suspiro, ignorando a conversa das duas, e faço uma seta até a segunda etapa do plano.

— Lisa, me diz exatamente o que a conselheira te contou.

— Segundo Malai, o dinheiro foi despachado de forma anônima em um comboio no navio cargueiro Somchai. Ele é um dos navios usados para mandar minério de ferro para a Coreia do Sul, assim o dinheiro não vai ser descoberto. Ele entrará no país pela baía de Seongsan, na ilha de Jeju. A partir daí, será levado por um carro forte até Downtown, onde fica o banco do senhor Kim. Ele contratou a Kanji Seguranças, uma empresa metade tailandesa e metade coreana, para fazer o carregamento do dinheiro.

Jennie levanta um indicador, como uma aluna ávida para fazer uma pergunta.

— Eu só não entendi uma coisa, a conselheira disse tudo isso durante o sexo? Quer dizer... não sou de julgar fetiches alheios, mas...

Lisa fica vermelha como um pimentão.

— Por que você está tão interessada na minha vida sexual?

— Eu não sabia que robôs podiam transar! — Jennie rebate.

Elas continuam a soltar farpas por mais cinco minutos até eu perder a paciência.

— Chega! — Respiro fundo, controlando-me para não esganar as duas. Trabalhar com elas vai ser mais difícil do que o previsto. — Vamos voltar ao plano, por favor?

Lisa encara Jennie com um olhar fulminante enquanto a Kim segura o riso.

— Precisamos do acesso que o senhor Kim tem para descobrir onde está o dinheiro e onde interpretá-lo sem que precisemos assaltar o banco — diz Lisa.

— É aí que você entra, Rosé. — Jennie aponta para mim e sorri largo, feliz por me ver em uma situação embaraçosa.

Aos pés da cama, há várias sacolas de compras — todas vindas de lojas de grife e bancadas pelo dinheiro que Lisa conseguiu estourando os miolos de homens que despertam fúria o suficiente de seus inimigos ao ponto de alguém mandar matá-los —. As sacolas ocupam o espaço diminuto do flat dela, mas Lisa deixa o lugar bem arrumado e com o mínimo de informação possível, muito porque não sabe como decorar já que nunca teve um lar. O flat continuaria com as prateleiras vazias e tudo bem arrumado se não fosse por Jennie, que conseguiu fazer bagunça nas poucas horas que chegou aqui.

Levanto-me da cama e me aproximo das sacolas, como se estivesse frente a frente a uma bomba relógio. Já precisei me disfarçar em diversas missões, inclusive foi como conheci Lisa, quando precisei fingir ser soldado na corte do rei tailandês. O Serviço de Inteligência sul-coreano lida com problemas que os outros órgãos do governo não conseguiram lidar: invasões hackers, tráfico humano, lavagem de dinheiro e a lista continua extensa, portanto, me disfarçar é um dos requisitos. Mas ter que me disfarçar de amiga de uma garota tão rasa como uma piscina infantil, é a primeira vez.

Observo as roupas dentro das sacolas e pego uma saia plissada.

— Eu vou ter que vestir isso? — Encaro as duas, em choque. — Eu vou para a faculdade, não para um colégio interno.

— A saia plissada foi ressignificada há alguns meses, agora é cool — responde Jennie, o rosto iluminado pela tela do notebook.

— Como você sabe disso? Estava presa há algumas horas — falo.

Jennie me encara com um olhar tão cortante que a imagino pulando da cama e puxando os meus cabelos, mas Lisa está do lado dela a impediria antes que tentasse. Tenho que manter a Manoban por perto para conter a fúria da Kim.

— Vamos recapitular as coisas. — Massageio as têmporas, deixando as sacolas no chão e me juntando a elas, na cama.

Jennie coloca o notebook no colo.

— Agora você se chama Park Chaeyoung. Vou tirar algumas fotos para o seu perfil do Instagram.

Lisa faz um bico nos lábios, sussurrando o meu novo nome.

Chaeyoung... Até que combinou — ela chega a conclusão.

Jennie prossegue:

— Chaeyoung tem 23 anos, estuda odontologia na CEU, em Seul, e está procurando uma nova colega de quarto. Seu pai, Park Josun, é dono de uma agência de turismos e sim, eu fiz um perfil para ele e um site para a agência de turismo. — Ela joga uma mecha de cabelo para trás, soberba. — Baseado nos gostos de Jisoo, tracei as suas principais preferências: Chaeyoung ama Friends, domingos de manhã, Bubble Tea de framboesa e tem uma queda pelo Jeon Jungkook do BTS.

Faço uma careta, mas Jennie a ignora.

— Seu signo é aquário, a saga de livros favorita é After, você não superou a pausa do One Direction, seu artista favorito é o Justin Bieber, o filme preferido é Garotas Malvadas e você usa rosa todas às quartas-feiras. Ah, antes que eu me esqueça, Chaeyoung é hétero, ama viagens e garotos problema. — Ela tira os olhos da tela do notebook. — Alguma dúvida?

— Eu não entendi absolutamente nada do que você acabou de dizer — diz Lisa, baixinho.

Pisco algumas vezes, momentaneamente desorientada.

— Infelizmente eu entendi.

Será pior do que eu imaginei. É um personagem complexo e, ao mesmo tempo, muito genérico. Eu terei que deixar a minha voz mais aguda, diminuir nos palavrões, reclamar do calor, talvez adotar um lulu da pomerânia? Jennie volta a teclar, entrando no perfil de Jisoo.

— Ela deixa a localização do celular ligada...amadora. — Jennie bufa. — Jisoo chegou de Paris hoje e vai se encontrar com o namorado, um herdeiro estadunidense. Ela está procurando novas colegas de quarto e pediu no Instagram algumas recomendações, você irá até Jisoo dizendo ter sido mandada por Kang Seulgi.

Engulo o seco.

— Okay, entendi, mas por que eu vou morar com essa garota mesmo? — Tento sorrir, fingindo bom humor, mas acho que dá para perceber o meu desespero interno. — Quer dizer, eu preciso de acesso ao computador do pai dela, não o dela.

— Jisoo visita o pai constantemente, ela passa os fins de semana na casa dele e faz festas a rodo lá, ser íntima dela vai ter fazer estar no lugar certo e na hora certa — responde Lisa.

Okay, não tem outra opção a não ser seguir com a nova personagem. Vai ser rápido e indolor e em menos de uma semana eu conseguirei o acesso que precisamos. Levanto-me, pronta para me transformar em Chaeyoung.

— Hm, Rosé? — Lisa me chama, receosa. — Seria bom você pintar o cabelo de um loiro mais quente... não combina com Chaeyoung ter cabelos cinza.

Olho para Lisa por longos minutos, sem expressar qualquer reação.

— Não ouse tocar no meu cabelo — decreto.

───「$」───

No banheiro, as cicatrizes ficam expostas no meu corpo despido. A pele pálida implora sol. Respiro fundo algumas vezes, tentando amenizar a ansiedade, até que me lembro da dose de vinho que está no meu casaco. Vou até os ganchos na parede oposta, onde o meu casaco está, igual a uma pessoa vendo água no deserto. Os meus dedos tocam no cantil de metal no bolso interno, o meu coração desacelera e a minha boca fica seca.

Desenroscou a tampa do cantil e ela cai no chão, quicando no azulejo enquanto o vinho quente desce pela minha garganta. Bebo em goladas, sentindo o sabor doce da bebida. Argh, vinho suave. Por que eu coloquei vinho suave no cantil? Ah, claro, para não beber muito. Se eu colocasse um vinho seco, provavelmente não teria nada no cantil a essa altura.

Mastigo o ar, um pouco frustrada. Precisaria de mais algumas doses para ficar tranquila.

Ultimamente, me mantenho em um constante estado de embriaguez que preciso mascarar para Lisa não se preocupar. O Serviço Nacional se preocupou o suficiente para me afastar do emprego. Eu só posso voltar se participar de cinco sessões dos Alcoólicos Anônimos, mas contratei uma garota para se passar por mim e eles descobriram na segunda sessão.

Balanço a cabeça, voltando a realidade, e guardo o cantil no bolso do casaco.

As roupas da Chaeyoung me esperam na bancada da pia e, enquanto tento entender como vestir a blusa cheia de alças, ouço Jennie e Lisa conversando no quarto. Elas parecem se entender.

— Um filme? — pergunta Jennie, a voz inconstante indicando que, talvez, tenha voltado a comer.

Lisa demora um tempo para responder:

— Velozes e Furiosos, Operação Rio.

Jennie demora mais ainda para retrucar:

— Rio?

— De Janeiro — Lisa acrescenta.

Imagino Jennie balançando a cabeça em entendimento, se controlando para não fazer uma piada sobre o fato do filme preferido de Lisa ser um bando de homens roubando um cofre.

— Um cara? — ela volta a perguntar.

Elas devem estar preenchendo alguma lista, as perguntas parecem aleatórias o suficiente. Lisa responde sem pestanejar:

— Vin Diesel.

— Uma mulher? — Jennie pergunta em seguida.

— Todas — Lisa responde mais rápido ainda.

Jennie solta um risinho e, pelo barulho, tenho a impressão que Lisa jogou alguma coisa nela. A Kim continua com as perguntas:

— Uma arma?

Lisa pensa por alguns segundos. Sei que esta é uma pergunta difícil para ela, Lisa é boa em armas, ela tem um fuzil de precisão que usa desde o tempo do exército e o trata como um animal de estimação.

— DSR-Precision DSR-50 — ela responde por fim. — É um atirador de precisão bullpup e rifle anti-material, compartimentado em .50.

Agora eu estou rindo só de imaginar a cara de Jennie.

— Legal... — Jennie balbucia. — Você serviu onde? Na Tailândia?

Sinto o meu corpo tensionar, como o de Lisa também deve ter feito. Falar sobre a nossa participação no exército tailandês é delicado. Lisa e eu fingimos que nos conhecemos do nada, sem o intermédio da maldita missão que sempre me atormenta quando fecho os olhos. A voz de Lisa é um fiapo quando ela responde:

— Não te interessa.

Viro-me para pegar o cantil de novo, mas então me lembro que está vazio.

As minhas mãos estão trêmulas, mas eu às aperto em punho e me forço a sorrir para o espelho. Tenho que me vestir. Passo a alça da blusa do jeito que acho correto e visto a saia quadriculada, a meia calça arrastão branca e o coturno também branco, me certificando do óbvio: estou horrível. Ao abrir a porta do banheiro, Jennie e Lisa estão à minha espera, no quarto, e me encaram no mesmo instante.

Lisa levanta uma sobrancelha, surpresa, e Jennie morde os lábios, segurando um riso. Caminho sob os coturnos até o espelho do quarto, com as duas de cada lado. Jennie faz duas trancinhas laterais nos meus cabelos para me dar um ar doce, mas só realçou as minhas bochechas. Lisa lembra da bolsa baguete e os óculos escuros de moldura quadrada, obrigando-me a pegá-los.

Ótimo, agora pareço uma versão atualizada da Sharpay Evans.

Assim que encaro Jennie, vejo que ela está com o celular em mãos pronta para um clique.

— Se você ousar tirar essa foto, Kim, eu te deixo apodrecer na cadeia! — falo raivosa.

Ela levanta as mãos, rendida, mas o flash vem de Lisa.

— Ah! Valeu! — Jennie pula e elas trocam um toque de mão.

No pouco tempo em que estive no banheiro, as duas formaram um complô contra mim.

Solto um grito afetado, ouvindo a risada delas ressoando nos meus ouvidos. É melhor eu descobrir logo o que me fez aceitar roubar esse maldito dinheiro, porque está fora de cogitação viver no mesmo teto que Jennie Kim e Lisa Manoban.

Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro