Capítulo 2
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Ele abriu os olhos, mas a claridade incomodou, então precisou piscar várias vezes para que sua visão se adaptasse. Percebeu que estava no hospital, o que não era novidade considerando seu histórico. Tinha um medidor de batimentos cardíaco preso no peito, uma IV presa no seu braço de onde vinha soro, um cateter nasal lhe entregando oxigênio, fora aquela incômoda e constrangedora camisola hospitalar.
— Danny! — Ele sussurrou com sua voz quebrada.
Estava separado de todos por cortinas fechadas esverdeadas. Ele conseguia ouvir pessoas lá fora e o bip bip dos seus batimentos cardíacos soando da máquina, mas não havia nenhum Danno.
Steve demorou alguns segundos para conseguir se levantar, ele precisava sair dali para achar seu parceiro. Ele precisava fazer isso agora!
— Ow, calma aí — Chin disse passando pela cortina — você precisa voltar para a cama agora.
— Não... Eu preciso...Ir até...— Ele se sentiu um pouco tonto e precisou parar onde estava — vou procurar...
— Você vai voltar para a cama e descansar um pouco — Chin falou o conduzindo de volta a maca e o fazendo se sentar — agora você me diz o que está procurando que eu vou buscar.
— Danny — Steve ofegou, ter tirado o oxigênio tinha sido uma péssima ideia, por isso o Chin o ajudou a recolocar.
— Era por isso essa confusão toda? — O policial sorriu, então abriu a cortina lateral esquerda e lá estava Danny, deitado em sua maca e descansando tranquilamente.
McGarrett suspirou aliviado, Danny estava bem. Ele até deitou de volta na maca, agora era só se recuperarem.
— Acalmou? — Chin brincou.
— Ele está bem?
— Sim, ele está bem, só está descansando como você também deveria estar — Chin estava se divertindo com a preocupação do amigo — Vai conseguir dormir ou preciso empurrar sua cama até a do Danny?
— Pare com isso — Steve revirou os olhos — eu estou com sede.
— Vou pegar água para você — o policial saiu, mas sem esconder o sorriso.
Steve respirou fundo, fez os exercícios de respiração para que seus batimentos ficassem sob controle, se não daqui a pouco algum médico iria lá para encher o saco. Ele olhou em volta, eles tinham sobrevivido. Por alguns segundos ele chegou acreditar que era o fim, foi aterrorizante ver Danny sem conseguir respirar, mas no final eles tinham sido salvos.
Ele olhou para o parceiro, o detetive também tinha um cateter nasal, uma IV no braço, vestia aquela camisola de hospital horrível, apesar de estar coberto com lençol, e tinha um curativo na lateral da testa. Mas o importante era que seu peito continuava subindo a cada respiração e a máquina mostrava que seus batimentos cardíacos estavam regulares. Perfeito.
As lembranças do que tinha acontecido desde que viu Danny correndo na sua direção o puxando, o barulho enorme, eles tentando escapar, seus corpos batendo contra o chão, a escuridão e o fato que um se agarrou ao outro para sobreviverem. Foi então que o peso do segredo de Danny atingiu o SEAL de uma vez, ele estava falando a verdade? O que aquilo significava? Deveria significar alguma coisa?
— Se continuar a me encarar enquanto durmo, vou pedir uma medida protetiva contra você — Danny murmurou abrindo os olhos devagar.
— Vai ficar difícil, contando que eu sou o seu chefe — Steve brincou e viu o detetive sorrir de volta — estou feliz que está bem.
— É claro que eu estou bem, você é tão teimoso que não ia deixar a gente morrer. Se a equipe não nos resgatasse, era capaz de você cavar o caminho de saída nas unhas. — Danny respondeu, ele tentou se esticar, mas doeu a costela, então resolveu ficar quieto — Steve, obrigado por não me fazer desistir e, sabe, por estar lá comigo.
— Foi o contrário, você que entrou naquele prédio para me salvar. Se não fosse por você, eu estaria morto — o comandante o corrigiu.
— Ok, eu consigo aceitar isso — o loiro riu, mas acabou tossindo — merda!
— Danny — Chin disse passando pela cortina, ele deixou a água na mesa ao lado da maca do chefe e foi até o loiro para lhe cumprimentar — que bom que você acordou, o Steve não estava aguentando de preocupação.
— Qual é? — Steve revirou os olhos, mas Danny riu.
— É que ele me ama, não pode viver sem mim. Acabou de admitir que fui eu que salvei a vida dele.
— E eu perdi isso? — Chin se fez de chateado.
— Se não há provas, não aconteceu — o SEAL comentou bebendo sua água.
— Devagar, se não vai passar mal — Chin o avisou — irmão, é sério, vai com calma.
— Ô animal, bebe essa água devagar — Danny falou, Steve revirou os olhos de novo, mas começou a tomar a água em pequenos goles.
— Bom saber que as coisas já voltaram ao normal — o policial brincou.
— Danno — Grace falou passando pela cortina e correndo até o pai — eu fiquei preocupada.
— Oi minha princesa — ele disse com ternura a abraçando— eu estou bem, me perdoa por ter te preocupado.
— Danno — Charlie ficou na ponta das pontas do pé para ver o pai, então Chin o levantou, o colocando na maca.
— Tio Steve — Grace abraçou o SEAL com força — por que são sempre vocês dois que se metem nessas coisas?
— Eu também não sei princesa — Steve respondeu, retribuindo o abraço — não é de propósito.
— Sei — ela o encarou desacreditada e o abraçou de novo — eu estava enlouquecendo sem poder vir aqui ver vocês.
— Grace, que tal jantarmos todo mundo na próxima terça — Danny sugeriu, ele ainda estava abraçado com Charlie — é o tio Steve que vai pagar.
— Você? — ela perguntou ainda mais desacreditada — Eu topo, apesar de duvidar que você vai pagar.
— Está me chamando de caloteiro? — o SEAL se fez de ofendido, fazendo a garota rir.
— Irmão, você não tem moral nenhuma — Chin respondeu — mas desde quando o Steve se oferece para pagar alguma coisa?
— Acho que ele acreditou que íamos morrer mesmo e prometeu me levar para jantar toda terça, sendo que é ele que vai pagar. Como estamos bem vivos, ele vai ter que cumprir.
— Espera, não estipulamos um prazo final para esse acordo — o moreno disse.
— Isso mesmo, sem prazo final, quer dizer que vai durar muito, muito tempo — o loiro provocou.
— Deixa eu ver se entendi, vocês estavam presos naquele lugar, a beira da morte. Mas enquanto nós surtávamos aqui fora de desespero e eu chorei horrores de tanto medo, o que fizeram foi combinar que, caso sobrevivessem, teriam encontros em forma de jantares toda semana? E o tio Steve que vai pagar por isso? — Grace perguntou sorrindo sem acreditar.
— Sim — os dois responderam. A menina começou a negar com a cabeça quanto ria.
— Danno — Charlie o chamou — Grace disse que você é um herói e por isso que está no hospital. Mamãe disse que você é louco.
— Louco é aquele ali — ele apontou para Steve — eu sou só um pouco dedicado ao meu trabalho.
— Claro que foi isso — Grace revirou os olhos e Chin começou a rir.
Era noite, todos os seus amigos tinham passado pelo hospital para visita-los e fizeram tanta bagunça que quase foram expulsos. O lado bom de Steve e Danny serem tão próximos, era que os amigos de um também eram os amigos do outro. Na hora de irem embora Kono e Adam avisaram que buscariam o cachorro de Steve e o levariam para casa com eles, já que ele teria que passar a noite no hospital em observação. Aliás, ele tinha achado aquilo exagero, mas Danny mandou calar a boca e falou que eles iam ficar aquela noite sim.
McGarrett respirou fundo, se virando na maca, era desconfortável dormir daquele jeito, mesmo que, segundo Danny, ele já devesse estar acostumado. Ele teve alguns cochilos, mas não conseguia relaxar e descansar de fato, algo na sua mente o mantinha acordado, como um grande sinal apitando que algo estava errado.
— Se você se revirar de novo, vou até aí te bater — Danny resmungou de olhos fechado.
— Não estou conseguindo dormir — o outro se justificou.
— Percebi, mas agora nem eu estou conseguindo — ele abriu os olhos e encarou McGarrett — o que foi?
— Nada, eu só estou me sentindo estranho, impaciente.
— Estranho e impaciente é o seu normal — Danny brincou — mas o que está te incomodando tanto?
— Realmente não sei — Steve suspirou.
— Steve, você quase morreu, é normal se sentir assim. Foi uma experiência complicada e você se cobra demais, o tempo todo você age como se fosse o responsável por tudo e precisasse manter todos a salvo. A equipe inteira está bem, você está bem, eu estou bem, é nisso que você deveria pensar.
— Tudo bem — ele suspirou. Danny tinha razão, todos estavam bem, então por que ele ainda sentia que tinha algo errado?
— Certo — o loiro suspirou — sobre o que você quer conversar?
— Achei que você ia dormir.
— Eu ia, mas pelo jeito você não vai, então eu também não vou. O que nos resta é conversar para ver se conseguimos distrair sua mente, para você relaxar e dormir. Voltando a minha pergunta, sobre o que quer conversar?
— Não sei, alguma sugestão? — Steve perguntou escondendo o sorriso.
— E aquela garota que você estava saindo? Não vi mais.
— Não deu certo — McGarrett deu de ombros — ela queria alguém que estivesse sempre à disposição, que sempre saísse juntos, um cara para apresentar para a família, sabe, essas coisas.
— Tipo um relacionamento sério e estável? — Danny o provocou.
— Sim, mas eu não consigo confiar completamente em alguém, então nunca consigo desenvolver intimidade suficiente para um relacionamento. E o ideal de relacionamento que ela tinha, não parecia ser algo a ver comigo. Não me vejo indo em encontros toda semana, dormindo junto e levando para tomar café da manhã ou contando tudo sobre a minha vida. E quando eu tivesse que partir para missões, como seria? Para eu manter um relacionamento, a pessoa teria que entender como pode ser um caos a minha vida. Como posso trazer alguém para isso?
— Eu realmente te entendo, mas você se cobra demais. Relacionamentos devem vir de forma natural, quando você perceber já estará apaixonado. Não tem uma regra para isso, então pare de pensar em hipóteses do que pode ou não acontecer. Você só vai descobrir, se tentar. Da próxima vez vá de mente aberta para as possibilidades, só se permita — o detetive aconselhou.
— Vou tentar, mas e você e a Amber?
— Melissa — o loiro o corrigiu revirando os olhos, ele ia fazer isso toda vez?
— Quem?
— Minha namorada chama Melissa.
— Você trocou de namorada? — Steve se fez de confuso.
— Não idiota, o nome dela sempre foi Melissa. Por que você sempre a chama de Amber?
— Porque eu sempre achei que fosse Amber.
— Eu já te falei milhares de vezes que é Melissa!
— Ok, da próxima vez eu a chamo de Melissa.
— Não vai ter próxima, nós terminamos.
— Por que?
— Rotina, tanto o trabalho dela quanto o meu estavam pesando. Mas antes que você comece, foi um término tranquilo. Nós conversamos bastante e entendemos que agora não era um bom momento para ambos. Talvez no futuro nós voltemos, por enquanto não.
— Tipo a Rachel e o Ross?
— Por que eu que fiz você assistir essa série comigo? — Danny esbravejou consigo mesmo, para divertimento de Steve — Não, não é igual, nós terminamos e eles estavam dando um tempo. E não comece essa discussão de novo.
— Mas ele não a traiu!
— É claro que você acha que ele não a traiu, você é um psicopata.
— Se eles estavam dando um tempo, estavam separados, então não foi traição.
— Digamos que seja isso mesmo, mas foi traição da confiança — Danny explicou — eles tinham acabado de conversar sobre o relacionamento deles, ainda não tinham decidido o que fariam. Em vez de pensar nisso, a primeira coisa que ele fez foi sair e ficar com outra, como se ela não importasse.
— Era direito dele ficar com outra pessoa se eles não estavam juntos — Steve falou, mas ele nunca tinha visto por aquele ângulo.
— Assim como foi direito dela se sentir traída, ela se sentiu trocada. Ele a amava tanto que a substitui por outra na mesma noite? Isso é um tipo de traição.
— Talvez ele só estivesse com coisas demais na cabeça.
— Isso não é desculpa para machucar alguém. Nada te dá motivos para machucar outra pessoa, ainda mais alguém que se diz amar.
— Desde quando você entende tanto de relacionamentos? — Steve perguntou depois de alguns momentos em silêncio.
— Primeiro, em comparação a você, qualquer um sabe muito sobre relacionamentos. Segundo, eu já fui casado, lembra?
— Com a Rachel e o relacionamento de vocês não é um sinônimo de normal. Nem de algo bom.
— Não foi tão ruim assim — o detetive se defendeu.
— Ela escondeu que você era o pai do Charlie por anos.
— Ok, esse não foi o nosso melhor momento. Mas isso foi só depois que nos separamos.
— Aliás, quem engravida a ex-mulher? — o moreno zombou.
— Corrigindo, esse não foi o MEU melhor momento — Danny riu — mas eu amo meus filhos e não os trocaria por nada.
— Eu também amo os seus filhos, só acho a sua relação com sua ex meio bizarra. Ela sempre está a volta, tentando chamar a sua atenção. Qualquer coisa que acontece ela liga para você e não para o marido dela. Parece que ela quer que você seja propriedade dela e não consegue te ver se sendo feliz.
— Você não é o maior fã dela.
— Ela parece aqueles animais predadores que fica espreitando nas sombras até a presa estar vulnerável e atacar — Steve fazia os gestos com as mãos para dramatizar a cena.
— E eu sou a presa? — Danny riu.
— Sim, você tem esses olhinhos brilhantes bonitinhos e é todo bom moço, querendo fazer o certo e ajudar as pessoas — McGarrett enumerava.
— Cala a boca! — o loiro falou aos risos, se ele tivesse algo em mãos, teria acertado amigo — Vai dormir.
— Ok — o moreno ria — boa noite Danny
— Boa noite, Steve. Você me deve os jantares.
— Eu sei — o outro resmungou.
— E a manutenção do meu carro.
— Você nunca vai esquecer disso?
— Não enquanto eu viver.
— Bom dia, comandante McGarrett — a simpática médica sorria para ele.
— Bom dia, doutora Banton — ele respondeu educado, lendo o crachá preso no jaleco branco.
— Eu vim verificar como você está, para poder te dar alta — ela disse pegando em seu braço, por trás dela Danny revirou os olhos e deitou a cabeça no travesseiro.
— Já estou bem, eu só quero ir embora — Steve respondeu olhando da médica para o amigo.
— Sim, você está ótimo — a médica respondeu apertando seu braço levemente. Danny fez sinal com os dedos de arma e fingiu dar um tiro na própria cabeça.
— Obrigado? — McGarrett esperou a médica começar anotar coisas na prancheta e perguntou sem voz para o amigo o que estava acontecendo. Danny não respondeu, apenas negou com a cabeça e fez cara de descaso.
— Então, eu posso te chamar de Steve? — a médica perguntou.
— Pode, claro — ele respondeu vendo Danny revirar os olhos de novo.
A médica encostou o estetoscópio nas suas costas e ficou ouvindo sua respiração, ela fez mais algumas perguntas e anotava tudo, mas o tempo todo estava tocando demais dele, inclusive chegou a passar a ponta do dedo pelas suas costas.
— Conseguiu tomar café da manhã? — ela perguntou.
— Sim, normal.
— Teve alteração de apetite?
— Acho que não, eu jantei ontem a noite e comi hoje de manhã sem problemas — ele respondeu confuso.
— Idiota — Danny murmurou vendo a cena, porque era obvio que a médica estava dando em cima dele e ou Steve era muito tapado para entender, ou ele estava gostando.
— Que ótimo — ela sorria — então, quem sabe, podemos sair para jantar algum dia?
— Com licença — Danny interferiu — antes de vocês continuarem esse flerte, você poderia me examinar e me dar alta? Eu gostaria muito de ir embora, prometo que depois vocês podem voltar a fazer o que estão fazendo.
— Bom dia — Chin disse entrando no quarto com Grace, mas perceberam o clima estranho — tudo bem por aqui?
— Claro, tudo ótimo — Danny respondeu — Então doutora?
A médica os examinou, o quarto ficou um silêncio constrangedor. Grace e Chin não entenderam nada, mas também não puxaram assunto. A médica assinou os papeis de alta e entregou aos dois, juntos dos papeis de Steve, entregou o número do seu telefone e piscou para o SEAL.
— O que aconteceu lá dentro? — Grace perguntou enquanto passavam pela recepção do hospital.
— Nada princesa, não precisa se preocupar — Danny sorria presunçoso e abraçou a filha — vamos para casa.
— Ah, eu entendi — Chin sorriu apontando para o papel com o número da médica, junto com a alta de McGarrett.
— Não foi nada — Steve respondeu rápido, amassando e jogando o papel fora.
— Sem estresse, eu não falei nada — Chin levantou as mãos em sinal de paz, mas ria do amigo.
O policial deixou Grace e Danny na casa dele, a garota jurou que ia cuidar muito bem do pai, depois levou Steve para sua casa, que estava vazia já que seu cachorro ainda estava com Kono.
— Tem certeza que não quer que eu fique aqui? — Chin perguntou.
— Tenho, vou tomar um banho e descansar, depois eu peço algo para comer — o SEAL garantiu.
— Certo, mas qualquer coisa você me liga e lembre-se que não é para fazer nenhum tipo de esforço.
— Eu sei mamãe — Steve zombou — vou ficar quietinho aqui em casa.
— Como se isso fosse possível — o policial revirou os olhos, abrindo a porta.
— Você está andando demais com o Danny, já está falando como ele.
— Mas se fosse ele aqui, ele conseguiria te manter na linha — Chin devolveu — Até mais, irmão.
Steve fechou a porta e olhou em volta, ele estava na sua casa, o seu lar, seu lugar seguro, mas junto veio o silêncio. Não que ele não gostasse do silêncio, porque ele realmente amava. As vezes o mundo era muito barulhento e tudo que ele precisava era voltar para sua casa, deitar na sua cama e ficar ouvindo as ondas do mar ao fundo.
Porém, naquele momento, o silêncio era esmagador. Trazia uma sensação de abandono, como algo faltando. O problema era que Steve sabia que esse sentimento não vinha da casa, mas de dentro dele. Era algo dentro dele que estava quebrado, mas ele não fazia a menor ideia de como consertar.
Tomou um longo banho frio, ele não era de enrolar tanto no chuveiro, mas sentiu que precisava. Esfregou muito bem sua pele, tirando qualquer resquício de poeira que possa ter sobrado daquele prédio em ruinas. Depois desceu as escadas e resolveu fazer um lanche.
O dia foi monótono, se Eddie, seu cachorro, estivesse em casa, eles poderiam ter saído para uma corrida, mas Kono o avisou que só o traria no dia seguinte, para que descansasse completamente. Esse era o problema de ter amigos tão próximos, eles te conheciam muito bem.
— O que será que Danny está fazendo? — acabou murmurando a pergunta distraído, mas balançou a cabeça e tentou voltar a prestar atenção no terrível filme de ação que estava assistindo.
O dia não acabava, já tinha passado da hora do almoço e ele ainda estava largado no sofá, sem coragem ou animo para se mexer. Se fosse um dia normal ou eles estariam investigando um caso e Danny estaria xingando Steve de psicopata por causa do seu modo de dirigir, ou estariam voltando do almoço e Danny e ele estariam discutindo por qualquer motivos que eles conseguissem encontrar.
Se eles tivessem ido no food truck do Kamekona teriam comido camarão, já que o cardápio inteiro tinha isso como base. Danny comeria camarão frito no alho, ele era viciado naquilo. Se tivessem ido em um restaurante qualquer, Danny reclamaria que os havaianos tem mania de colocar abacaxi em tudo.
Steve sorriu com os pensamentos, até que percebeu que todo o seu foco sempre voltava ao Danny. Ele sabia como seu parceiro falaria, o que ele pediria, qual seria a sua reação, como ele estaria vestido... Bem, ele sempre pensou que sabia tudo sobre Danny. Aparentemente agora ele sabia.
Bissexual... porque ele nunca disse?
Não que faça alguma diferença, porque não faz, ele só não entendia porque Danny nunca tinha contado. Eles são melhores amigos há anos, você não esconde algo assim do seu melhor amigo, do seu parceiro, não é? Por que ter ficado quieto? Steve não estava bravo, claro que não, era só que ele achava que Danny deveria ter falado antes porque... porque... porque eles eram amigos.
— Não é da minha conta mesmo, ele faz o que quiser da vida dele — Steve falou sozinho e deu de ombros — Eu não conto tudo da minha vida também.
Certo, era mentira, ele contava sim. Exceto as coisas que eram sigilosas das missões como SEAL, mas o resto Danny sabia.
Ele ficou batucando seus dedos no braço do sofá, será que Danny já tinha se envolvido com outro homem? Se sim, ele tinha namorado de verdade ou eram casos de algumas noites? Danny conheceu Rachel quando já era policial, antes disso ele teve uma vida, fez coisas, aproveitou momentos...
— Por que eu estou pensando nisso? — esbravejou para si mesmo.
A questão era que ele não conseguia de parar de pensar nisso desde que Danny contou que era bissexual. O pior era que ele só contou porque achou eles iam morrer, então se não fosse por essa situação, Steve não saberia até agora que Danny era bissexual.
— Por que isso é tão importante? — ele brigou consigo mesmo desligando a TV — Que merda!
Sexualidade é só uma característica, não era para ter mexido tanto com ele isso, mas ele não conseguia pensar em outra coisa. E não era de um jeito ruim, com nojo ou qualquer merda assim. Era algo parecido com curiosidade, ele queria saber mais e isso o estava deixando maluco.
Se ele não fosse um SEAL altamente treinado, teria dado um pulo de susto quando seu celular começou a tocar, rompendo o silêncio incomodo da casa.
— Oi princesa, está tudo bem? — ele perguntou preocupado com a ligação de Grace.
— Oi tio, está sim. Liguei para saber como você está — Grace respondeu e ele quase podia ver a menina sorrindo.
— Morrendo de tédio — respondeu sincero e ela riu.
— Danno também, você não quer vir aqui para casa, aí eu cuido dos dois? — ele sorriu com sugestão.
— Não vou atrapalhar?
— Por favor, tio Steve — ela bufou — aposto que você nem almoçou direito. Vem aqui que eu vou cozinhar, assim você faz companhia para o Danno enquanto eu preparo o nosso jantar.
— Eu não sou um cachorro para precisa de companhia — ele ouviu Danny bufar ao fundo.
— Não, mas tem horas que age como um bebê — a menina respondeu para o pai, o que fez Steve rir.
— Tudo bem princesa, eu já estou indo. Precisa que leve alguma coisa?
— Não, eu já tenho tudo que vamos precisar. Antes de buscarmos vocês, o tio Chin me levou no mercado e nós compramos muita coisa. Não sei como meu pai me sobrevive aqui, praticamente não tinha comida.
— É por isso que eu tenho que leva-lo para comer fora — Steve brincou, disfarçando que tinha ficado incomodado com o "tio Chin", ser tio era o cargo dele.
— Sim — ela riu — estou te esperando, não demore.
— Não vou.
Ele correu para o andar de cima, trocou de roupa, pegou sua carteira, distintivo, chaves e uma arma, proteção nunca era demais. A viagem de carro demorou cerca de dez minutos, então ele estava batendo na porta que conhecia bem.
— Aloha — Steve disse quando Danny abriu a porta.
— Aloha — Danny respondeu a contragosto.
— Que mau humor é esse?
— Grace não me deixa fazer nada e eu estou falando nada mesmo — ele bufou.
Danny estava vestindo uma camiseta preta e uma calça de moletom cinza, confortável para ficar em casa. Como ele não é, digamos, alto, a barra da calça ficava raspando no chão, o que era fofo e... Steve desviou o olhar na hora, que merda foi essa?
— Tio Steve — Grace veio abraça-lo — que bom que você já chegou.
— Vim o mais rápido que pude.
— Aposto que sim — Danny resmungou.
— Ignore, Danno está rabugento hoje, por isso que eu precisava que você viesse aqui, para ver se consegue melhorar o mau humor dele.
— Jura? Ele? Por favor, a coisa que o Steve mais faz é me irritar — Danny sumiu no corredor, indo até a sala.
— Eu vou ver o que posso fazer — McGarrett respondeu a garota.
— Ótimo, eu vou estar na cozinha, se precisarem me chame. Se divirtam crianças!
— O que está assistindo? — Steve perguntou se sentando do lado dele no sofá.
— Nada, na verdade eu estou procurando algo. Incrível como você pode ter todos os canais do mundo, mas terá algum momento que não terá nada bom passando — o loiro respondeu.
— Olha, está passando John Wick, eu gosto desse filme.
— É claro que gosta, ele mata todo mundo, é a sua cara — Danny deu de ombros, mas deixou o filme passando.
— Ele tem direito, a mulher dele morreu e mataram o cachorro dele.
— Steve, você não precisaria que matassem o seu cachorro para atropelar alguém. Ou para explodir algo.
— Não entendi o que você quis dizer — o SEAL de fez de desentendido.
— Você já explodiu um portão só porque o cara não abrir — Danny o lembrou.
— Nós precisávamos interroga-lo — Steve se justificou como se fosse obvio.
— Aqui crianças — Grace entregou um balde de pipoca — estou na cozinhando fazendo o meu dever, se precisarem é só me chamar.
— Tudo bem princesa — Danny sorriu para a filha, a garota beijou a testa do pai, depois de Steve e voltou para a cozinha sorrindo.
Os dois se ajeitaram melhor no sofá ficaram assistindo o filme, Steve demorou para perceber que a sensação de algo faltando, não estava mais lá.
Pergunta: Qual personagem da série NÃO pode faltar na fic?
E, lembrem-se, a opinião de vocês é muito importante para mim, o que estão achando?
Aviso rápido: eu não sou uma pessoa imparcial e nem finjo ser, não gosto da Rachel (ex do Danny) e vou fazer vocês não gostarem também!!!! kkkkkkkkkk
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