IV - Jennie Kim é uma mentirosa
De Lalisa Manoban:
"E foi aos poucos que pode concluir que Jennie não era tão fiel ao namorado assim. Pelo menos seus olhos não eram."
Depois do incidente de alguns dias atrás Lisa não retornou mais ao assunto "Jennie Kim." Não por desistência, não havia se dado por vencida, mas precisava conhecê-la melhor. E foi isso que se dedicou a fazer na última semana.
Garotas como Jennie também tinha aos montes no seu antigo colégio. Só mudavam de endereço: mimadas, fúteis, e se achavam melhores sem sequer notar que no ensino médio todo mundo é a mesma merda. Para completar com chave de ouro um completo filme americano sobre colegial a garota namorava o capitão do time de futebol masculino.
Era tão clichê que fazia seu estômago revirar.
- "Onde está a sua outra garota, biscate? Sapatões trocam tanto de namoradas assim?"
Ouviu Jennie sussurrar para Jisoo quando passou a bola para ela, no último treino de futebol, e quis rir daquela fala.
Se tinha uma coisa que Jennie Kim era, além de uma puta mimada, não era ser hetero.
Lisa nunca entendeu o termo "ficar dentro do armário", já que desde pequena soube que não via os garotos da maneira que suas amigas viam. Teve o apoio dos pais para se assumir sem maiores problemas e poderia se considerar privilegiada por isso, porém só teve certeza após uma experiência amorosa fracassada com um amigo de infância.
E foi aos poucos que pode concluir que Jennie não era tão fiel ao namorado assim. Pelo menos seus olhos não eram, pois no vestiário, era possível vê-los traindo-a o tempo todo. Focados demais no corpo das meninas, especialmente no de Lisa, de uma forma que nenhuma garota hétero olharia.
Se chocava ainda mais porque tudo que ela sabia falar com suas amigas era sobre garotos, bolsas de marca, garotos, roupas de marca, garotos - quando não usava termos pejorativos e homofóbicos para se referir a Jisoo.
O seu gaydar nunca falhara antes, e se aproveitaria disso se conseguisse comprovar sua teoria.
Na segunda-feira teve treino do time de futebol no último horário. E por um motivo que perguntaria depois, Jisoo faltou a aula naquele dia. O jogo foi rápido e quando acabou, esperou que todas as amigas de Jennie fossem embora, até ficar só as duas no vestiário feminino. A treinadora se despediu rapidamente, pedindo-a para se aprontar depressa e deixar a chave com o zelador, porém, a ducha de Jennie continuava ligada, e para pegá-la de surpresa apagou a luz central do cômodo, sentando-se em um dos bancos de metal a sua espera.
Prendeu os cabelos num rabo de cavalo desajeitado assim que ouviu o registro do chuveiro ser fechado, e começou a se despir. Sua pele brilhava pelo suor que ainda impregnava o corpo, mas ficou feliz pelo conjunto de lingerie que escolheu usar, o preto sempre evidenciava suas leves curvas.
Jennie saiu do chuveiro apenas com uma toalha em volta do corpo e quase gritou de susto ao vê-la sentada no escuro, acabando de tirar a blusa do time. Lisa conteve um sorriso ao ver a expressão confusa passar pelas sombras do rosto dela, mas logo foi reprimida e a mais velha passou por si para chegar ao armário no canto oposto do vestiário. Sem dizer nenhuma palavra ácida ou ofensiva, apenas abaixou a cabeça e passou reto.
- Morena? - chamou baixinho, mas sua voz reverberou pelo vestiário vazio. Jennie estava de costas para si e mesmo que todos os seus músculos tenham se retesado ela não se virou. - Morena? - repetiu.
A porta do armário bateu forte e o som preencheu o vestiário. Jennie lhe encarou de volta com todo o ar metido de antes, a mandíbula cerrada pela raiva e as mãos em punho.
- Está me chamando?
Aquilo estava ficando muito divertido.
- Não sabia que tinha mais alguém por aqui... - olhou para os lados.
- Eu não te dei liberdade para me chamar assim, Manoban. Eu mal te conheço.
- Mal me conhece? - bufou. - Me poupe, você fez questão de fazer o dever de casa, sempre me encara quando estou aqui... perdeu alguma coisa em mim, foi?
Se levantou, aproximando a passos curtos. A cada ressonar dos seus pés descalços pelo chão o rosto de Jennie se fechava em uma carranca. Agora, mais perto dela, era visível a raiva estampada nos olhos semicerrados, o corpo molhado que ainda tremia - de ódio ou de frio, poderia ser os dois.
E no momento em que parou, o único barulho além da respiração das duas eram as gotas daqueles cabelos molhados.
- Isso é entre mim e Jisoo, não se meta onde não foi chamada.
- Me meto quando, claramente, ela também não te deu "liberdade" para fazer brincadeiras sem graça.
Jennie riu, encarando-a de cima a baixo.
- Então isso tudo é para defender aquela putinha? Jisoo não é o que parece... conselho de amiga. Você vai ficar bem chocada quando descobrir. - Ela deu uma piscadinha, preparando para se virar novamente, mas Lisa já estava perto o suficiente e deixou de ser sutil, cortando o pouco espaço que existia entre elas.
Jogou o corpo de Jennie sobre o armário. A garota se assustou mais pelo barulho causado do que pelo ato em si, e a surpresa em seus olhos não foi contida dessa vez.
- Que engraçado dizer isso - sorriu. - Você com certeza não é isso tudo que parece ser, morena. Será que eles vão ficar chocados quando descobrirem?
Observou o olhos dela duplicarem de tamanho.
- Do que você está falando?
Lisa abriu a boca para respondê-la, mas logo depois fechou, parando de sorrir assim que a ideia de mostrá-la chegou em sua mente. Espalmou suas mãos no armário atrás de Jennie, prensando seu corpo ao dela. Era engraçado que aquele simples ato tenha deixado a respiração da Kim descompassada.
- Você sabe muito bem do que eu estou falando, não é? - sussurrou. Todos os pelos, da nuca ao braço dela se arrepiaram. Quando a encarou novamente Jennie prendia os lábios com os dentes, num esforço que a fazia suar. - Você sempre me encara quando eu troco de roupa, pensei em fazer uma surpresa... gostou?
O corpo dela tremia violentamente, a respiração saia em jatos quentes, descompassados, e longos segundos se passaram até ter a resposta que queria: Jennie finalmente apertou sua cintura, as mãos trêmulas e geladas sob a pele quente fez um sorriso grande brotar no rosto de Lisa.
- Ah, eu sabia que ia gostar... - murmurou, passando os dedos finos pelas bochechas de Jennie, observando os lábios se comprimir pelo toque.
Desceu os dedos até o pescoço dela, e a morena apertou ainda mais a sua cintura, ainda receosa e claramente numa luta interna sobre aquele ato. Com um só movimento colocou uma das coxas no meio das pernas de Jennie, sentindo-a nua e molhada debaixo da toalha, e não era pelo banho recente. Lisa moveu-se, as pernas dela se abrindo gradativamente para conseguir mais contato com a sua coxa.
- Não se preocupe, eu venho te observando por algum tempo e também notei que gosta de manter segredos, esse pode ser o nosso segredo, putinha - cochichou, propositalmente deixou uma lufada de ar sair para atingir a pele sensível do pescoço de Jennie.
Não recebeu uma resposta verbal, mas o corpo dela ficou mole em seus braços, tão entregue que se saísse dali poderia deixá-la cair.
- Você... também...? - ela deixou a frase no ar, ao menos conseguia dizer a palavra em voz alta.
- Se eu gosto de garotas? Se sou lésbica? Sim, mas eu quero ouvir sobre você. - Lisa sorria, se segurando para não gargalhar em deboche, tinha sido mais rápido do que previu. - Jennie-ah? Eu te fiz uma pergunta e quero uma resposta - agarrou os cabelos castanhos, sentindo-os na palma e puxando-os com força.
Ela gemeu alto. Pela primeira vez uma reação que se empenhou para ver: Jennie Kim admitindo, provando que a sua teoria estava certa, quase babando de prazer, as mãos inexperientes se enrolando na renda da sua lingerie, querendo tirá-la a todo custo.
- Continue, por favor... por favor... - As mãos dela subiram para agarrar forte seus ombros, a medida que a respiração ficou acelerada com os estímulos progressivos. A coxa de Lisa já estava pegajosa pelo pré gozo que escorria no atrito da buceta de Jennie, que sussurrava frases desconexas, xingamentos misturados aos gemidos, os cabelos molhados numa bagunça de mechas grudadas pelo rosto, os dedos arranhando a pele de Lisa, trazendo vergões dourados pelos seus ombros.
- Você admite? Hm? - O corpo das duas se mexiam em sintonia, e tinha que se lembrar constantemente do intuito daquilo, não se deixar levar pela constatação que assolava seu ser: estava gostando mais do que deveria, a toalha tinha caído no chão, e os seios dela preenchiam a visão de Lisa.
Jennie não conseguia esboçar palavras completas, mas tentou, e Lisa não poderia se dar por vencida até ouvir, ao mesmo tempo algo a dizia que perderia o controle se aquilo durasse mais tempo que o necessário.
- Porra... - xingou diversas vezes, baixinho como um rosnado, levando uma das mãos a mandíbula de Jennie e tirando a coxa do meio das suas pernas.
Não houve tempo para reclamações, dois dedos já adentravam a boca dela. Era inútil aquele ato quando Lisa sabia que Jennie já estava molhada o suficiente, mas não podia perder a oportunidade de vê-la chupar com força os dedos, sorrindo ao senti-los adentrar a sua buceta. Por um instante ela prendeu um gemido no ar, a boca aberta enquanto era fodida pelos dedos ágeis da tailandesa.
- Eu admito... eu... eu gosto disso...
Lisa sorriu, tirando os olhos do rosto dela para focar no que fazia.
- Gosta do que, morena?
- De você... me fodendo gostoso.
Só percebeu que o ápice de Jennie chegou quando ela escorou a cabeça em seu pescoço, encolhida pela onda de prazer.
O vestiário era silencioso, fedia a gozo e suor, preenchido somente pelo arfar nervoso das duas, os corpos suados e quentes grudados. Lisa tirou os dedos de dentro dela, melados, e soube que sua calcinha estava da mesma forma. Jennie ainda se escorava em si, os lábios molhados beijando seu pescoço.
E com um pesar amargo respirou fundo, se desvencilhando num empurrão. Os olhos dela eram um misto de cansaço e surpresa pela brusquidão. Lisa, por um momento se esqueceu das palavras que tanto treinou para dizer, Jennie ficava linda depois de gozar.
- Se chegar perto de Jisoo de novo eu conto pra escola toda nosso segredinho, ouviu?
- O quê? - ela riu, incrédula. - Mas você disse...
- E você acreditou? - arqueou as sobrancelhas, irônica. - Eu não tenho nada a perder, e nem escondo quem eu sou de todo mundo, mas e você, Jennie? Seu namorado e suas amigas vão amar saber como você agiu feito uma cadela e como implorou pra eu te "foder gostoso" não vão?
Os olhos dela eram uma bagunça de sentimentos expostos. Jennie Kim não estava nua só fisicamente.
Lisa tentou sorrir, pensou que a vitória teria um gosto melhor do que o que preenchia a sua boca e se afastou quando a expressão dela se recompunha.
- Lalisa Manoban! Sua filha da pu-
Bateu a porta de uma das cabines do vestiário, ligando um dos chuveiros. Sentiu as lágrimas se misturarem a água, sem saber o porquê se sentia tão suja.
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro