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|livro um| octo

Um aviso antes de começarem o capítulo, há um pequeno gatilho, é rápido, mas achei melhor avisar. Se cuidem, bebam água e boa leitura!

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Pisco mecanicamente, ainda atordoada ao ver Lalisa na porta do quarto tão tarde da noite. De repente, esqueço que ela havia me traído, esqueço a raiva e a mágoa que ela me causou, tudo isso é enterrado no fundo da minha mente e estou sorrindo, boba, inocente e surpresa. Mas pela cara que ela me devolve, sei que está pensando se foi uma boa ideia vir.

— Jennie — é o que ela diz, seu peito enche de ar e depois solta, em uma espécie de deleite e tentação ao pronunciar o meu nome.

— Lalisa — respondo, da mesma maneira.

— Jisoo — Jisoo diz o próprio nome.

Pisco algumas vezes, lembrando-me dela no mesmo de nós duas. Lalisa finalmente interrompe o momento constrangedor.

— Você me chamou para o evento hoje, pensei que estaria presente.

O evento de Woozi. Me esqueci totalmente dele, ao menos esperava que Lalisa quisesse minha companhia depois de deixar claro que não seria viável estarmos juntas. Quando Yeri nos pegou naquela sala presumi que a ideia estaria extinta de sua mente, mas lá está ela, usando um vestido rosa claro cheio de coraçõezinhos vermelhos, com saltos da mesma cor que também combinam com o batom. Os cabelos castanhos — sempre soltos — estão levemente ondulados nas pontas. Lalisa espera uma resposta minha com a ansiedade palpável de um garoto buscando sua acompanhante para o baile da escola.

É a oportunidade perfeita para tentar entender porque Jimin estava em sua casa, então, o que me resta é engolir o orgulho e sorrir.

— Você pode me esperar por dez minutinhos? Vou trocar de roupa, é rápido.

Lalisa concorda e Jisoo pede "licença" antes de fechar a porta. Assim que a maçaneta gira e a porta se fecha, ela se vira para mim.

— AAAAAAAH FUNCIONOU! — e grita.


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O evento está a todo vapor quando chegamos. A capela surge como um cartão postal onipresente. Ao redor do gramado e das árvores que tomam as margens da construção, vários piscas piscas foram presos em uma linha de luz sem fim, como se fossem estrelas caindo do céu, cruzando metros acima das nossas cabeças.

O cheiro de algodão doce enche o ambiente junto a pipoca e bolinho de arroz. Os alunos passam em grupo, conversando, dançando, sentados na grama, comendo, rindo. Um palanque de madeira ocupa a frente da capela, já equipado com os instrumentos da banda. Não vejo Woozi ou ninguém conhecido, mas recebo olhares assim que entro, como se estar ao lado de Lalisa fosse um destaque próprio.

Ela não parece ligar, não falou muito por todo o caminho e se mantém ao meu lado sob vigília. Meu estômago ronca mais alto do que eu gostaria e caminhamos em direção a fila da pipoca.

— Eles fizeram um bom trabalho, não acha? — Lalisa diz, encantada, olhando tudo ao redor com os olhos brilhando.

— Hm... podia ser melhor.

— Você quer dizer: eu faria melhor.

— Isso é óbvio — respondo.

— Então porque não fez? — ela rebate.

Levanto uma sobrancelha, encarando o semblante desafiante que Lalisa me devolve.

— Estava ocupada presa em uma cama de hotel, esperando você me foder.

— Você fala demais, Jennie. — Com a cabeça levemente arqueada Lalisa olha tudo ao nosso redor, quando se dá por satisfeita e percebe que não estamos sendo observadas, se aproxima um passo e diz: — Conheço outras formas de ocupar essa boca.

A fila diminui e seguimos mantendo distância do casal a frente. Não ligo se ficarmos mais alguns minutos assim, mas o nome de Lalisa é chamado.

— Professora! Porque está na fila? — O garoto responsável pela máquina de pipocas pergunta, ele já está com um balde cheio nas mãos. Ninguém parece se importar quando furamos a fila para pegar a pipoca. O menino encara Lalisa como se ela fosse uma estrela brilhante demais para ver sem semicerrar os olhos.

Ele me faz lembrar Jimin, mesmo que não tenha absolutamente nada parecido além do fato de ser homem, observo a nossa volta louca para vê-lo entre os transeuntes. Não sei o que faria se o visse, mas gostaria que ele estivesse aqui.

— Sehun, fiquei sabendo sobre a morte da sua cachorrinha... — Ela passa a mão no ombro do garoto numa forma de conforto. — Sinto muito, me conte, como aconteceu?

Passamos cinco minutos ouvindo-o falar sobre a cadela morta como se fosse sua filha, estou me controlando para não rolar os olhos ou bocejar. Invejo Lalisa por conseguir agir assim, como se o relato dele fosse importante, olhando-o sem ao menos piscar e soltando reações condizentes com a fala: "Levei Vivi para o veterinário e ele disse que já era tarde demais" e então ela leva a mão a boca e seus olhos se enchem d'água, "Depois disso voltei a fumar" e ela responde, aflita: "Sehun, você é melhor do que isso!"

— Pipoqueiro, minha pipoca acabou. — Me intrometo na conversa para devolvê-lo o balde e acrescento: — Acho que as outras pessoas também estão esperando pipoca, se você não viu a fila tá bem grande.

Lalisa me olha com as sobrancelhas juntas, como se perguntasse o que caralhos eu estava fazendo, e se vira para Sehun, tentando controlar a situação.

— Meus pêsames pela sua perda. Se precisar de um prazo maior para os trabalhos vá até a minha sala e... — Ela tira o celular da bolsa. — E vou te passar o telefone de uma psicóloga, tenho certeza que ela vai ficar feliz em recebê-lo.

Como uma pessoa pode ser tão prestativa? Aquilo me dá nos nervos, não consigo esconder quando estou com tédio ou quando um lugar não me desperta interesse, não consigo manter um sorriso impassível e olhar doce, ouvir relatos pseudo tristes sem segurar o riso. Mas Lalisa parece querer estender a tortura, ela o espera salvar o número e termina a conversa com um abraço longo, que me faz bater os pés no chão em uma birra silenciosa.

Ela não me adverte pela má educação de antes e o silêncio me causa desconfiança, talvez Lalisa saiba sobre algo, talvez tenha ouvido meus gritos. Não, não, não, passo a mão na bochecha, onde o arranhão que eu mesma causei quase não aparece.

Sentamos em um dos poucos bancos ao redor do gramado com mais uma leva de pipoca, e comigo ainda de cara emburrada. A conversa é alta e começa a formar um zumbido incômodo, pelo menos a noite é quente, o que me fez abusar de roupas com pouco pano, mas até aquela mini vitória não consegue me deixar feliz. Tiro os tênis e os coloco em baixo do banco, cruzando as pernas. Lalisa permanece sentada como uma moça, as mãos repousadas no colo, o vestido com um decote pequeno e abaixo do joelho, como uma professora deve se portar.

Ela acena para uma garota do outro lado do gramado e depois se aproxima de mim.

— Você sabe que não deve agir desse modo.

— Você sabia que eu agiria desse modo.

— Como uma cadela ciumenta? — Lalisa tem um olhar tão inocente que, por um segundo, me pergunto se ela sabe o significado dessa palavra.

— Você se envolve com outros alunos? Ou eu sou a primeira pessoa que te fiz quebrar a regra?

Me vejo ansiosa pela resposta, os segundos parecem longos quando percebo seus lábios formarem uma linha tênue.

— Você é a primeira — diz.

— Você está mentindo. — A constatação chega de forma tão avassaladora que minha voz sai em um suspiro, é como se eu fosse uma criança que acaba de descobrir que o coelhinho da páscoa não existe. Me sinto ingênua e burra quando ela leva o indicar até o bico protuberante nos meus lábios.

— Por que acha que estou mentindo?

Não posso falar sobre Jimin, se eu disser sobre ele, ela saberá que arrumei uma forma de vigiar a sua casa pela estrada acima do condomínio e não poderei ir mais lá, ou pior: ela pode me repudiar totalmente.

— Seus olhos — respondo —, consigo ver pelos seus olhos.

O que é uma mentira deslavada, nunca consegui interpretá-la da maneira que gostaria. Ela sabe disso, por que solta uma leve risada.

— Eu já disse o que eu gosto em você?

Meneio a cabeça em negação, ciente da minha fragilidade tal qual uma órfã ouvindo promessas de adultos que não vão adotá-la.

Estamos sentadas em uma distância segura, mas a orientação do meu corpo pende para o lado de Lalisa como girassóis crescendo na direção onde o sol nasce. Me pergunto se dá para perceber o "algo a mais" que nos ronda, com aquela malícia intrínseca que faz alguém ter certeza que duas pessoas já transaram apenas olhando-as.

— Você me surpreende — ela fala pausadamente. — Acho que nunca encontrei alguém tão interessante e maluca assim, quando penso que você vai para um caminho, acaba indo para outro. Fico esperando o próximo passo com a certeza de que não será nada do que planejei.

Me ouço fungar, idiotamente alimentando-me daquelas palavras. Preciso desviar do olhar de Lalisa para conseguir respirar fundo.

— Você amar estar no comando das coisas.

— Menos quando a coisa é você. — Ela levanta uma sobrancelha.

— Essa é a sua tentativa de ser romântica? Me chamar de "doida" e de "coisa"?

Lalisa ri, suas bochechas se erguem e os dentes branquinhos aparecem. Desejo ter uma máquina fotográfica para eternizar aquela cena: Lalisa sorrindo com seus cabelos ondulados, batom vermelho e olhos brilhantes, a luz dos piscas-piscas acima de sua cabeça como pequenas estrelas customizadas apenas para realçar aquele momento.

— Professora Lalisa! — Uma voz chama e ela se vira, afastando-se de mim.

Fecho os punhos em ódio, mas dessa vez consigo esconder meu desagrado ao passo que duas meninas se aproximam. Uma é alta e tem cabelos castanhos ao contrário da outra, loira e baixinha. A mais baixa parece um chaveirinho encolhida atrás da maior e as invejei por estarem de mãos dadas.

— Você vai dar ponto de presença para quem estiver no evento?

Lalisa se levanta e dá um beijo na bochecha das duas, seu modo professora está on.

— Você não tem vergonha na cara, Joy? — Ela aponta um dedo acusatório e a menina se desata a rir. — Me pedindo ponto na frente desta garota bonita? É a sua namorada?

A garota mais baixa cora e olha para Lalisa daquele jeito admirado que todos ficam ao conhecê-la pela primeira vez. Minha postura muda, estou atenta a conversa.

— Wendy, como eu te falei, essa é a professora Lalisa, professora, essa é a minha namorada, Wendy. Ela faz medicina em Busan e veio passar esses dias difíceis comigo.

— Mal cheguei e já ouvi falar muito sobre a senhora. — Wendy cumprimenta Lalisa com uma reverência.

— Senhora está no céu! — Ela coloca a mão no peito, em choque. — Não precisa ser tão cordial, querida, meus alunos me tratam informalmente.

— Ah, desculpe! — A menina fica vermelha. — É que eu supus que fosse casada.

Faço uma careta involuntária ao imaginá-la casada. Lalisa é uma daquelas pessoas que nunca se sujeitaria a colocar uma aliança com o nome de alguém no anelar, ficaria no limiar entre morar junto e nunca oficializar a união.

A tal de Joy prossegue:

— Na verdade, eu vim até aqui para entregar o livro que estava nas coisas de Yeri. — Ela larga a mão da namorada para virar a mochila que carrega, tira o livro e entrega a Lalisa. — Acabei encontrando-o enquanto esvaziava o dormitório. Éramos colegas de quarto, você sabe. — Joy diz a última frase com um suspiro.

O nome da garota vaga por alguns segundos na minha mente até me lembrar a quem pertence. O choque da nova informação é tão intenso que demorei a associar Yeri, a garota que nos interrompeu no momento em que estávamos... bem, em uma situação que não devíamos estar.

Me levanto, ficando ao lado de Lalisa.

— Yeri? Do sexto período? — Joy confirma com um menear. — Porque ela foi embora?

Joy começa a se embolar nas palavras, como se não tivesse certeza do que sairia da própria boca.

— ... Então, é porque... como eu disse, éramos colegas de quarto, mas ela não quis me dizer o que estava acontecendo. — Joy se remexe, incomodada. A namorada aperta com mais força a mão dela, como se dissesse "tome cuidado com o que diz" mas ela continua. — Era o sonho dela fazer música, ela não tinha... não tinha nenhuma... eu não consigo entender... — Seus olhos já estavam cheios d'água, mas uma lágrima fujona consegue descer por suas bochechas, responsável por fazê-la chorar de verdade. A namorada faz um carinho nas costas de Joy, mas Lalisa a toma em um abraço apertado.

Me sinto deslocada no meio das três, sem saber o que porra está acontecendo.

— Está tudo bem... — ouço Lalisa sussurrar. — Ninguém consegue prever esse tipo de situação, Joy. Você não deve se culpar...

— Se culpar? — pergunto, aflita. — Por que ela se culparia pela menina ter ido embora?

Dessa vez é Wendy que responde, provavelmente me achando uma intrometida.

— Yeri cometeu suicídio.

Pisco algumas vezes, atordoada.

É estranho como certas palavras com uma carga pesada demais perdem o sentido quando são ditas de maneira séria. Nós faz permanecer com um semblante congelado, perguntando um "o quê?" idiota e inútil, como se quiséssemos ouvir de novo, como se assim fosse haver uma correção que nos fizesse suspirar aliviados e dizer "Ah, que susto!" Mas ali isso não acontece. Lalisa ainda consola a menina, segura os braços dela, firme, enquanto diz:

— Eu a vi um dia antes, ela foi a minha sala pedir esse livro, e eu nunca poderia imaginar, se pudesse teria feito com que ela ficasse, mas é esse o problema, entende? Nós nunca saberemos, não temos controle sobre isso.

Joy tenta limpar as lágrimas na blusa.

— Eu li esse livro inteiro em uma noite, queria saber se ela havia deixado um sinal, uma carta, qualquer coisa... — ela soluça. — Mas não há nada.

Não há nada. Repito. Não há nada. Como é possível? Por que Lalisa não falou comigo sobre isso? A mesma garota que nos pegou naquela sala cometeu suicídio e ela não me diz nada? Em menos de uma semana? Meu coração bate rápido, o tum tum tum que pressiona meu peito e ressoa pela minha cabeça. Sinto a boca seca, a língua áspera no céu da boca. Estou chorando? Por que estou chorando? Passo os dedos pelas bochechas sentindo-as molhadas, estou chorando tanto que não consigo parar, o olhar de algumas pessoas próximas a nós atravessam meu corpo com aquela curiosidade mórbida. Não há nada, como não há nada?

Minhas pernas tomam a decisão antes de mim e quando vejo já estou correndo, pedindo licença em meio às lágrimas, trombando em quem não sai do meu caminho a tempo. O campus em um sábado a noite é mais escuro que o de um dia comum, a falta de movimentação longe da área do evento me faz pensar estar em um filme de terror, observando as sombras entre os prédios, o som das cigarras e tudo que as árvores podem esconder.

Não sei quanto tempo leva, porém, chego no mesmo lugar que mostrei o corpo de Rosé a Jisoo. As quadras se apresentam à minha frente como se soubessem meu segredo, mas cobrassem um preço alto demais. As marcas do pneu ficaram gravadas no chão, formando uma crosta seca pela terra molhada, me sento em cima delas.

Os passos pela grama rala se tornam mais altos, mas não olho quando Lalisa finalmente chega. Ela não se senta, permanece ao meu lado sem dizer nada, olhando para o céu como se esperasse uma estrela cadente.

— O que houve com ela? — pergunto, a voz fraca. Minhas pernas estão sujas de terra, o laço enorme na frente da minha blusa, provavelmente, é a única coisa limpa naquele momento.

— Não sei, Jennie. Eu fiquei feliz, feliz em saber que o que ela viu ficaria só com ela. Depois me senti culpada por me sentir feliz com uma situação dessas, acho que ainda me sinto culpada. Se eu não tivesse me levado pela sua presença teria percebido alguma coisa... eu deveria ter notado.

Ficamos minutos em silêncio. A presença de Lalisa é quase esquecida por mim, não ouço sua respiração. Quando olho para cima ela ainda encara a imensidão azul, aquele ângulo acentua sua clavícula, maxilar e os lábios fartos.

— Você tem certeza? — pergunto novamente.

Lalisa me encara, as sombras formam uma expressão dura demais nos traços finos do seu rosto. Consigo imaginá-la puxando meus cabelos, as mãos em volta do meu pescoço, apertando, os dedos longos acertando a glote, indo fundo... seguro um gemido.

— O que mais poderia ser? — E com o mesmo semblante, volta a encarar o céu.

Lembro da voz da minha mãe dizendo que "Acidentes acontecem e devem ser bem acobertados" e um estranho calafrio me toma, mas não consigo pensar muito sobre isso. Lalisa interrompe meus anseios e se posiciona em cima de mim, ela me fode no meio daquele canteiro sujo de terra.

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