3.6|livro três | carpe noctem
Dois dias depois, chegamos à cidade de Jisoo.
Só viajamos até aqui porque não houve nenhuma morte, o que destoa do modus operandi do assassino que chegou a matar duas pessoas em um intervalo de tempo curto, isso me amedronta.
Pergunto-me se as mortes só deram uma pausa porque Chaeyoung está ocupada ou se, se for mesmo a assassina, está planejando algo grande, algo que vai me atingir diretamente. Mas não consigo dar muita atenção a esses medos porque estou prestes a encontrar Jisoo e o meu coração está apertado, minha respiração descompassada e o suor pegajoso. Há tempos não me sinto assim, ansiosa como uma garotinha que sabe que receberá presentes no natal.
Existe algo de surpreendente e, ao mesmo tempo esperado quando penso em Jisoo.
Não sei como vou encontrá-la.
Ela estará casada, com dois filhos em uma casa de cercadinhos brancos, ou pronta para enfiar uma bala na própria cabeça como a mãe dela fez?
O que vai fazer quando me ver? Fingir que não me viu? Me dar um soco? Ficar feliz? Chaeyoung me fez algumas dessas perguntas quando lhe contei que a minha relação com Jisoo era uma incógnita. É difícil saber o que minha irmã se tornou. Quando a deixei, ela estava em um desses momentos que se tornam decisivos na vida de qualquer um: Bambam matou toda a sua família em uma chacina. É o tipo de coisa que te reergue ou te joga no limbo para sempre. Mas de uma coisa é certa, se eu tivesse ao lado dela as coisas seriam piores. Eu levo o caos para onde piso e sou o lembrete constante de como a vida dela mudou drasticamente.
"Só espero que Jisoo esteja bem", disse a Chaeyoung para encerrar o assunto, pois é realmente o que eu espero, que ela esteja bem e feliz, que more em uma maldita casa de cercadinhos brancos e tenha dois filhos lindos e um marido bondoso que preencha o vazio que eu deixei. Espero que o marido não me deixe vê-lá, que saiba quem sou eu no momento que ouvir o meu nome. Quero que ele me mande ir embora imediatamente. É o que Jisoo merece, paz e uma vida boa, e é o que nunca teve.
Após passar pela placa de 'BOAS VINDAS', da cidade, só há um frigorífico caindo aos pedaços, mas a pichação na porta do lugar chama atenção "Todos os demônios estão aqui". Solto uma risada, sem realmente achar graça naquilo.
O bar a beira da estrada ainda é uma pequena cabana de madeira desgastada. É a mesma que Jisoo me levou uma vez. A luz vermelha vaza das janelas, expondo velhos bêbados rindo alto e segurando garrafas de cerveja. A música country é páreo ao som das conversas arrastadas e do mar batendo nas rochas, logo atrás do casebre. Torna o lugar menor comparado à imensidão escura.
Respiro fundo e olho para Chaeyoung no banco do motorista. A detetive tem se mantido mais quieta do que o esperado.
— Tem certeza que quer entrar lá dentro? — ela me pergunta, mas sinto que a dúvida é mais sua que minha. No escuro do carro, os lábios inferiores estão presos entre os dentes e, num costume recente, ela volta a arrumar a franjinha que continua bagunçada.
Diminuo a nossa distância para arrumar por conta própria, passando as unhas pelas finas mechas castanhas na testa de Chaeyoung. Ela trava com o meu toque, mas não dura por muito tempo. Afasto-me, tentando não olhar para as minhas mãos. Elas decidiram tocar a detetive sem a minha permissão.
— É melhor... — Pigarreio. — É melhor sairmos.
Ela assente sem dizer nada, e não me resta alternativa a não ser abrir a porta do carro. Merda. O incômodo que sinto é grande agora, seja pela cena anterior patética, pelas roupas novas que estou usando compradas em uma loja de conveniência na praia, por estar novamente aqui na companhia da detetive, nessa maldita cidade em que duas pessoas importantes saíram da minha vida, uma de forma definitiva — pelo menos é o que eu achava — e outra estou perto de reencontrar.
Prostitutas se amontoam na porta do bar, usando as mesmas meias-arrastão e saltos de acrílico famosos nos anos 2000, fumando cigarros de palha e se exibindo para todo homem que passa. Algumas estão velhas demais e outras tão novas ao ponto de me preocupar. Não sei porque escolhi vir para cá e não para a casa dos pais de Jisoo, mas o bar é a melhor maneira de encontrá-la. Ele fica perto da base da marinha e, em uma cidade pequena que todo mundo conhece todo mundo, só preciso perguntar para a pessoa certa.
Inundada em dúvidas, não ouço Chaeyoung se aproximar. Ela me alcança e toca o meu ombro, me fazendo pular de susto.
— Desculpe! — Ela se afasta enquanto eu seguro o meu peito com as mãos, sentindo-o bater forte. — Te chamei e você não ouviu, pensei que...
— Eu... — Engulo o restante da frase, ocupada demais me xingando mentalmente pelo descuido. E se ela estivesse pronta para me matar? Se alguém além dela estivesse pronta para me matar? E se... porra, se acalme, Jennie. — Eu estava pensando. Só isso. — Fecho os olhos. — E não me assuste novamente. É sério.
Dou-lhe as costas, ouvindo Chaeyoung se aproximar.
— Problemas no coração?
Diminuo o passo, confusa.
— O quê?
— Perguntei se tem problemas no coração, já que não pode ficar assustada — explica.
Paro de vez, fitando-a com os olhos semicerrados.
— Isso era para ser uma piada, detetive Park?
Um leve sorriso nasce pelos lábios cheinhos de Chaeyoung.
— Talvez. — Ela volta a andar, me olhando de soslaio. — Podemos dormir em um hotel e amanhã de manhã ir à delegacia local perguntar sobre a sua irmã.
Andamos lado a lado, com nossos braços resvalando enquanto as prostitutas nos olham curiosas.
— Tenho certeza que vou conseguir informações aqui, só preciso que me espere do lado de fora — aumento a voz à medida que chegamos ao casebre, a música está alta.
Chaeyoung franze as sobrancelhas, sem entender o que eu disse.
— Eles não vão me contar nada com você do meu lado! — falo mais alto, apontando para a entrada do bar. Então, vejo que a detetive ouviu o que eu disse, ela só não está disposta a acatar o pedido.
Respiro fundo, impaciente.
— Você fede a polícia, Chaeyoung.
— E você parece uma funcionária pública — ela retruca, ofendida.
Fecho o blazer azul-marinho, a única roupa que consegui recuperar das que sujei de lama, e me mantenho impassível. Eu sei que não tenho mais vinte anos, não uso minissaias ou croppeds, mas Chaeyoung realmente parece uma policial. Eu estou mais para uma mãe que veio buscar o filho menor de idade bebendo sem permissão.
— Consigo me misturar melhor que você, já que não tenho um revólver a vista de todo mundo — rebato, apontando para o coldre na sua cintura.
Chaeyoung retira o revólver com brusquidão e o enfia debaixo da blusa, lançando-me um olhar como se dissesse: "Está bom para você?"
Levanto uma sobrancelha.
— Você está falando sério? Até uma prostituta manca pode ver essa arma.
Ela perde a paciência.
— Jennie, sem chances de eu deixar você entrar nesse bar sozinha!
Acho que é a primeira vez que a vejo verdadeiramente irritada. O calor revira a minha barriga. Eu posso ser irritante quando quero, posso ser irritante ao ponto de fazer alguém perder a paciência. Eu era boa nisso.
— Por que não posso entrar no bar sozinha? — pergunto, fingindo confusão.
Chaeyoung arfa.
— Não é lógico?
— Não, detetive — respondo simplista.
Se estivéssemos num local iluminado, eu veria as bochechas de Chaeyoung vermelhas. Ela repousa as mãos na cintura, aceitando a derrota.
— Isso era para ser uma piada, professora Kim?
Sorrio como uma criança sapeca, tinha me esquecido como a sensação era boa. E quando volto a caminhar, finalmente prestes a entrar no casebre, paro para dar o último recado.
— Esconda melhor esse revólver e solte os cabelos. Te faz parecer mais normal.
— Só se você tirar o blazer — retruca ela, soltando os cabelos.
Rolo os olhos.
— Sem chances.
Somos a atração do bar assim que passamos pela porta.
É fácil reconhecer que não somos daqui, as pessoas se afastam quando passamos e os cochichos aumentam. É tão natural para mim ser aceita nos corredores da faculdade que até me sinto deslocada, mas continuo indo na direção do balcão. Chaeyoung está na frente, sendo o único empecilho físico no momento. Ela me olha pelos ombros, sussurrando irritada.
— Eu disse que seria melhor esperarmos amanhã de manhã...
Empurro as suas costas, impaciente.
— Continue andando.
— Não está dando certo! — sussurra ela, mais irritada.
— Só continue andando! — Empurro-a de novo.
Ela empaca no meio do caminho só para me deixar ainda mais nervosa, mas decide me dar passagem para ir ao balcão. Os assentos se esvaziam assim que sentamos. As pessoas realmente estão fugindo de nós.
Chaeyoung observa ao redor, inclinando-se para perguntar no meu ouvido:
— Então, qual o plano?
Afasto-me educadamente. Não gosto da proximidade de Chaeyoung, em como posso sentir o calor do seu braço tocando o meu, dos lábios no meu ouvido soprando uma lufada de ar com cheiro de menta. Da última vez que estivemos em um bar, acabei no meio das pernas dela, chupando a sua arma, e desde então tento esquecer isso.
— Já disse, vou tentar tirar alguma informação com as pessoas certas — sussurro entredentes.
Ela não percebe que quero distância ou só não quer me dar esse privilégio, e se inclina de novo para perguntar:
— Como sabe quem são as pessoas certas?
Fecho os olhos com força.
— Só vou saber quando perguntar.
— E por que aqui? — insiste ela.
Aperto o tampo de madeira do balcão, me aproximando controladamente de Chaeyoung. Ela não se afasta, então nossos narizes quase se tocam.
— Eu também já disse — falo pausadamente.
— Não, não disse — retruca ela. A luz vermelha acentua as maçãs do seu rosto e os lábios cheinhos. Os olhos dessa vez me acompanham atentos, sem piscar. — Sabe, Jennie, eu investiguei você.
A informação me atinge como um soco, mas tento não vacilar.
Chaeyoung continua:
— Mudou de escola várias vezes durante a infância, não tem familiares além da mãe morta... Aliás, depois da morte dela você ficou dois anos fora do radar até se matricular na faculdade. Mas sabe o que é mais curioso? Em todos os registros você é filha única. Então quem é essa irmã? — ela pergunta entre sílabas.
Tenho certeza que cada parte do meu rosto demonstra que estou fervendo de raiva. Finalmente Chaeyoung está mostrando quem realmente é e o que acha desse caso. Por isso pediu a minha ajuda para encontrar o assassino da sua irmã, para procurar provas contra mim. Talvez, até o nosso encontro no Chance foi premeditado.
Cerro o maxilar, tentando controlar a raiva.
— Andou me investigando, detetive? — consigo balbuciar, em um tom de voz afetado.
Chaeyoung se aproxima ainda mais, mas eu não recuo. Nossos narizes tocam.
— É o meu trabalho, Jennie — ela sussurra, confiante, mas hesita por um segundo ao encarar a minha boca. — Minha opinião é a seguinte: você sabe muito bem quem do seu passado está matando os seus alunos, não é? Você estudou na época em que os desaparecimentos estavam em alta, você sabe quem é mas está com dúvidas.
Não digo nada, o que é uma resposta.
— Pode confiar em mim, Jennie, eu quero pegar quem está fazendo isso tanto quanto você, eu...
— Confiar em alguém que está me investigando? — retruco incrédula.
Chaeyoung está pronta para se explicar de novo, mas um tilintar de copos me avisa da senhora no outro lado do balcão. Eu a reconheço de primeira, é a velha que estava aqui quando Jisoo me trouxe. Os anos não foram bons para ela, tem apenas um dente em sua boca. Ela nos encara alternadamente, secando um copo americano com ajuda de um pano velho.
— Posso ajudar, senhoritas?
Afasto-me de Chaeyoung, o bar inteiro estava entretido na nossa conversa.
— Eu... — pigarreio. — Eu procuro Kim Jisoo, sabe me dizer onde ela está?
A velha me olha desconfiada, obviamente não se lembra de mim.
— A menina dos Kim? O que querem com ela?
Chaeyoung repousa os braços acima do balcão, mas não é um gesto legal, porque a senhora se afasta tão depressa que bate as costas na prateleira de bebidas.
— Somos amigas da época da faculdade, passamos por aqui e pensamos que seria uma boa revê-la. — A mentira sai perfeita dos lábios de Chaeyoung.
De imediato, a mulher abaixa a guarda.
— Amigas da faculdade?
— De música — respondo prontamente. — Fizemos música juntas, mas depois da tragédia que aconteceu com a família dela, nos afastamos.
Não sei se Chaeyoung pesquisou o suficiente sobre Jisoo para saber da chacina ou se só entrou na mentira, mas ela suspira.
— Foi uma fatalidade — diz.
Trazer uma informação verdadeira do passado fez a história parecer sólida.
— Foi sim uma fatalidade, o pastor era... — A velha deixa a frase morrer e muda de assunto em seguida, como se não quisesse lembrar do que houve. — Vocês não tiveram sorte hoje, Jisoo não veio trabalhar.
Meu rosto se acende.
— Ela trabalha aqui?
A velha solta uma risada triste.
— Não aqui, lá fora. — Ela aponta para as prostitutas na beira da estrada.
Sigo com o olhar, observando novamente as prostitutas na entrada, e um sentimento estranho toma conta do meu peito, é físico, é tão real que preciso apertar o meu peito para ter certeza que não está sangrando.
E no fim, eu estava certa.
Jisoo é tão imprevisível que não se tornou nenhuma das versões que eu imaginei que seria.
— Eu tenho o endereço dela — a velha acrescenta.
>< >< ><
— Somos irmãs, mas não irmãs de sangue — falo tão baixo que Chaeyoung não ouve de primeira.
Dizer isso em voz alta doí, porque preciso aceitar que todas às vezes que brincamos de pega-pega enquanto papai fritava carnes de hambúrguer na churrasqueira não passa de uma história inventada pela minha mente. Uma história que deve estar eternizada em um filme antigo, dos que minha mãe mantinha na estante da sala. Porém, tem lembranças tão reais, como quando Jisoo me abraçou forte na morte da mamãe, quando eu a ajudei a fugir pela janela para encontrar aquele carinha bonito da escola, quando ela me ensinou a colocar o absorvente da maneira certa na primeira vez que menstruei... eu tinha pesadelos a noite e ia para cama dela. Lembro-me dos braços magros de Jisoo me apertando e do cheiro do seu pescoço quentinho. Ela sempre cantava para eu dormir, mas acabava dormindo primeiro.
Tudo não passa de histórias que inventei ao longo dos anos para matar a saudades que Jisoo deixou, mas se tornaram tão reais que não posso suportar a ideia delas não existirem. Porém, a realidade está ali, no trailer caindo aos pedaços estacionado perto da base da Marinha, na encosta da montanha.
Sempre imaginei Jisoo morando à beira-mar, mas não em um lugar tão inóspito, onde as águas salpicam com força o sopé das rochas e traz consigo o vento salgado e incessante. Chaeyoung desliga o carro e me encara, mas eu não devolvo o olhar, não consigo parar de ver o trailer com as luzes acesas, imaginando se Jisoo está mesmo lá, tão longe e, ao mesmo tempo, tão perto.
A detetive não diz nada, ela me espera secar as lágrimas com força. Não quero chorar na frente de ninguém.
— Não somos irmãs de sangue — repito alto dessa vez. — A família dela morreu em uma chacina há seis anos. Ninguém descobriu quem fez, mas nos distanciamos depois disso. É o que queria ouvir?
Misturei uma mentira com três verdades. A verdade é que Jisoo e eu não temos o mesmo sangue, a família dela morreu e nos distanciamos depois disso. A mentira é que eu sei muito bem quem matou eles e Jisoo também sabe.
— Por que não me disse isso antes, Jennie? — Chaeyoung pergunta, a voz aveludada no escuro do carro.
Encolho os ombros, sem saber o que dizer.
— Como eu te contaria? "Ah, detetive, a família da minha irmã falsa foi assassinada há anos atrás."
Chaeyoung massageia as pálpebras, os cabelos fazem uma cortina à sua volta.
— Desculpe — ela sussurra.
Não entendo a sua fala abafada.
— O quê disse?
Chaeyoung se endireita, olhando-me nos olhos.
— Me desculpe. Eu vi como você ficou quando falei sobre te investigar. Não foi minha intenção duvidar da sua relação com Jisoo ou nada do tipo, eu só...
— Não precisa pedir desculpas — interrompo. — Você não tinha como saber.
Ela quer continuar a discussão, mas desiste. As olheiras estão mais fundas agora, como as minhas, e os cabelos levemente desgrenhados. Nós duas estamos cansadas, é visível até para os desatentos, mas não acho que uma noite de sono seja o suficiente.
— Se quiser, podemos voltar amanhã — ela sugere.
Nego com a cabeça, voltando a olhar para o trailer.
— Preciso ver ela hoje.
— Tem certeza? — Chaeyoung pergunta, mas já estou destravando a porta do carro.
Não posso parar de andar agora, não quando estou tão perto de vê-la. O caminho até o trailer é cheio de concreto quebrado e mato crescendo pelas beiradas, além do escuro tornar tudo mais difícil. Vez ou outra, os carros passam zunindo na rodovia.
Atrás de mim, a porta do motorista bate e os passos de Chaeyoung me acompanham. Paramos em frente ao trailer, sentindo o vento frio com cheiro de pneu queimado e maresia, mas nada disso me atinge de verdade. Meus músculos paralisam. É agora. Após anos, finalmente vou vê-lá. É surreal pensar em como, semanas antes, visitar Jisoo estava fora dos meus planos.
Não sei qual será a reação dela, mas não quero ir embora.
Abro a boca, pronta para gritar o seu nome, mas fecho-a logo em seguida.
A incerteza me faz pensar na possibilidade daquele não ser o endereço de Jisoo, afinal, a mulher do bar parecia desconfiada e para não meter Jisoo em problemas mentiu sobre onde ela estava. É o que eu faria no lugar dela. Talvez eu devesse bater na porta do trailer, quer dizer, na coisa metálica que parece ser uma porta, mas Jisoo pode não ouvir. Por que não ouviria? Não há nada além do mar e aquela estrada, é como se estivéssemos ilhados no topo de uma montanha. Droga, estou perdendo a coragem.
Olho para Chaeyoung e ela percebe o medo cintilar no meu olhar. Sem dizer nada, bate palmas duas vezes. O som do estalo ecoa e, como mágica, tudo fica em silêncio. Pode ser impressão minha, uma situação criada pela minha cabeça que parou de captar sons para prestar atenção no trailer. Nada acontece por um tempo, até uma sombra parar na janelinha ao lado da porta.
A luz do trailer não é das melhores, não consigo ver quem é, mas uma silhueta feminina abre a janela enferrujada. Meu coração erra uma batida e meus joelhos enfraquecem. Preciso engolir uma ânsia de vômito, nunca estive tão nervosa.
Julgo que a mulher tem uma visão melhor que a nossa.
De repente, a luz se apaga.
É isso? É ela? Devo ir até lá? Merda.
Não consigo pensar em nada.
Preciso fazer isso sozinha.
Viro-me para Chaeyoung.
— Você pode esperar aqui?
A detetive concorda, mas não consigo mover os pés e nem tirar os olhos do chão. O silêncio se torna mais denso, interrompido subitamente pelo estalo que passa zunindo perto da minha cabeça. É tão rápido que até Chaeyoung demora para perceber de onde veio, mas ela é rápida em saca o revólver enquanto meu corpo entra em alerta. Encolho-me, apertando a cabeça com as mãos.
A mulher na janela está com uma espingarda mirada em minha direção, mas por sorte o primeiro tiro não me acertou.
— É melhor dar o fora daqui, Jennie. Senão o próximo vai estourar a porra dos seus miolos!
A voz raivosa é familiar.
Não há dúvidas, é a Jisoo.
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