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3.2 |livro três | adsumus



A bile rompe pela minha boca num amargor que arranha a garganta. Seguro as bordas da privada com mais força, mesmo que as unhas deslizem na porcelana.

Pela primeira vez em anos, sinto que voltei a ser a Jennie caloura, a Jennie que se achava esperta, mas, na verdade, era um poço de ingenuidade. Pela primeira vez depois de muito tempo, me sinto um pião em um jogo de xadrez esperando a rainha ditar o próximo passo.

Talvez seja isso que ela quer, talvez Rosé tenha fugido do porta-malas, da represa, talvez ressuscitou dos mortos como eu saí daquela cova rasa. Ela esperou anos para aparecer, para brincar com a minha sanidade mental.

Um som estranho sai da minha boca e sei o que está prestes a acontecer, um ataque de raiva, mas me obrigo a ficar quieta. Sento-me no chão frio do banheiro e abraço os joelhos, esperando a raiva passar. Não posso virar aquela garota burra de novo, não posso tomar as mesmas decisões que ela. Sou uma mulher adulta agora, não a Jennie que sairia por aquela porta e confrontaria Chaeyoung, que correria para os braços do cadáver de Lisa.

Ergo a cabeça ao ouvir a porta do banheiro abrir e, pela fresta, vejo os sapatos sociais de Chaeyoung se aproximando até parar a poucos centímetros de onde estou. A expectativa preenche o ar como confete, posso senti-la pressionando o meu peito. Imagino Chaeyoung erguendo o pulso uma ou duas vezes até ter coragem de bater na porta.

— Profe... Jennie, está tudo bem? — ela pergunta.

Forço-me a lembrar da voz de Rosé, mas não consigo, não me lembro do tom, não faço ideia se são parecidas ou não, mas a voz de Chaeyoung é um soprano lírico, aveludada, redonda, o tipo de voz de orquestra. Talvez Rosé tivesse o mesmo timbre. Eu não costumava notar isso antes de ser professora.

A observação me acalma, me lembra do que sou agora e do que não posso perder.

Limpo a boca com o dorso da mão e, devagar, me levanto. Ao abrir a porta dou de cara com Chaeyoung. Ela dá um passo para trás e subitamente sem jeito coloca as mãos no bolso.

— Sinto muito, mas precisávamos que constatasse a cena do crime. — Ela olha para os lados, percebendo que estamos no banheiro. — Quer ir para outro lugar?

Penso por um segundo na proposta. Seria confortável recusá-la, afinal, quanto mais longe de Chaeyoung e daquele assassinato na minha sala, mais longe de problemas vou estar, mas acho que é tarde demais para querer me manter longe de problemas. Pelo menos, por hora, não sou suspeita do crime, apesar da pessoa que fez aquilo querer me lembrar que sim, estou ligada a ele.

Maneio a cabeça em afirmação.

— Conheço um bar — falo.

>< >< ><

Nunca voltei ao Chance depois do incidente com Rosé.

Imaginar a minha versão mais nova chegando no bar com um mini vestido, presilhas no cabelo e uma bolsa pequena, ansiando ver a professora favorita à sua espera, faz um sorriso nostálgico atravessar o meu rosto. Nada ali mudou, a disposição das mesas continua a mesma, mas a madeira escura do balcão e das banquetas está acabada, transformando o lugar numa mistura rústica de passado e presente.

Marcamos às seis, o que me deu tempo de passar em casa para deixar Liz e, como as aulas foram suspensas, tomar outro banho. Tracei os meus próximos passos para não ser pega de surpresa.

Seria um fiasco sair com Chaeyoung sem um plano.

Decidi esperá-la na frente do bar. O movimento é pequeno, o que é de se esperar em uma quarta-feira chuvosa. É um milagre ver pessoas dispostas a sair de casa nesse temporal, por isso cheguei a pensar que Chaeyoung não fosse vir, então lembrei-me que é o trabalho dela, ela precisa de respostas.

Pouco tempo depois, uma picape americana estaciona no outro lado da rua. Um carro inusitado para uma detetive.

Chaeyoung atravessa a rua a passos rápidos, fugindo da chuva. Ela veste um sobretudo verde musgo de ombreiras e uma calça justa. A franja castanha está úmida, mas ela arruma com os dedos.

Só então percebo o meu próprio nervosismo. Estou olhando demais.

— Te deixei esperando? — ela pergunta numa aparente tranquilidade.

É como se fôssemos amigas nos encontrando depois do expediente para falar do trabalho e do marido cafajeste. Quase sorrio ao nos imaginar numa ocasião dessas, com certeza seria melhor que conversar sobre o assassinato que aconteceu na minha sala.

Lembro-me que preciso respondê-la.

— Acabei de chegar.

Aponto com a cabeça para dentro do lugar em um convite mudo para ela entrar primeiro. Chaeyoung concorda rapidamente e passa por mim, tirando o sobretudo pesado. Eu entro logo após.

— E como você está? — Ela continua a conversa, parecendo verdadeiramente preocupada.

— Melhor, obrigada por perguntar. — Não soa convincente, mas Chaeyoung está ocupada olhando para as mesas com curiosidade, como uma criança a fim de desvendar onde estamos.

— Você vem muito aqui?

— Vim apenas uma vez — admito.

A melhor tática para a mentira sair de forma sincera é contar o máximo de verdade que puder. É o que eu vou fazer essa noite. Chaeyoung senta em uma das mesas ao lado da janela, perto das outras três pessoas presentes no bar: um casal trocando carícias e uma garota solitária no balcão. Acho que sou a única incomodada com os desconhecidos e com a chuva escorrendo pelo vidro da janela, fazendo o jaz big bands soar abafado nas caixas de som.

O constrangimento segue até Chaeyoung cruzar as mãos acima da mesa, organizando os pensamentos.

— Quer pedir alguma coisa?

Levanto uma sobrancelha.

— Tipo num encontro?

Chaeyoung não consegue segurar a risada, mas não responde a minha pergunta. Ok, estamos num encontro. Um encontro mórbido, e de coisas mórbidas eu sou expert. Pego o cardápio, analisando os coquetéis.

— O que você gosta de beber?

Ela pensa por alguns instantes, olhando para o relógio. Para alguém que sugeriu estarmos num encontro, Chaeyoung parece bem preocupada com o tempo.

— Água.

Ergo uma sobrancelha.

— Vamos de whiskey. — E sem esperar a sua resposta, aceno para o garçom. — Sei que deve estar acostumada a ver gente morta, detetive, mas eu não estou — acrescento.

Não escolhi o Chance por puro acaso. É o lugar que vi Rosé pela primeira e última vez, quando eu a matei, e se há um lugar que pode mexer com essa mulher na minha frente, seja ela quem for, é aqui. Não tiro os olhos de Chaeyoung, esperando uma objeção ou um deslize em seu semblante, mas ela morde os lábios de novo. Não é um ato sexual, é mais um tique. Deve fazer isso quando está indecisa.

— Tudo bem, uma dose de whisky. Talvez clareie a minha mente — ela aceita.

O garçom chega e anota os pedidos, saindo depressa.

— Esse é o seu primeiro caso? — resolvo perguntar.

Faço o possível para transpassar tranquilidade e acho que consigo. Os ombros de Chaeyoung caem e ela encosta na cadeira, massageando as pálpebras.

— É tão visível assim?

— Talvez — respondo em um sussurro.

Ela solta um riso irônico.

— Estou há um mês na divisão de homicídios e tenho certeza que há agentes mais competentes para cuidar desse caso, mas cheguei na cena do crime primeiro, então é meu por enquanto, e quero mostrar ao delegado que sou boa.

Arqueio as sobrancelhas, surpresa em como foi fácil fazer Chaeyoung falar. Lido com alunos o tempo todo, tenho facilidade em fazê-los contar aspectos de suas vidas, mas imaginei que fosse ser mais difícil com adultos. Olhando melhor, Chaeyoung parece ser mais nova que eu, talvez mais nova que a garota igual a ela que matei nesse mesmo bar.

— Por que quis entrar na polícia? — pergunto sem pensar muito a respeito. As palavras saíram da minha boca na mesma velocidade que as pensei.

A postura de Chaeyoung endurece. Merda. Fui rápido demais.

— Eu deveria fazer as perguntas aqui, não acha? — ela retruca.

Faço uma careta.

— Essa frase é bem clichê.

Ela ri, concordando, e nossos whiskeys chegam no mesmo momento.

Volto a olhar as mesas vazias ao redor e percebo que o Chance mudou sim. Antes era um lugar jovial, mas agora parece um bar aconchegante de beira de estrada que paramos no meio da viagem para tomar café. Talvez seja por causa da quarta-feira chuvosa, mas de todo modo é um ótimo lugar para fazer Chaeyoung se abrir. Ela bebe a dose de uma só vez e ruguinhas se formam entre as sobrancelhas.

— Há quanto tempo é professora de Introdução à Teoria Musical?

É uma pergunta arriscada, então decido mudar a dinâmica da conversa.

— Que tal se fizéssemos um jogo? — proponho.

Chaeyoung me olha intrigada, aproximando-se da mesa.

— Qual jogo?

Um sorriso arteiro nasce em meus lábios.

— Primeiro, temos que pedir mais disso aqui — aponto para a dose de whiskey.

>< >< ><

Chaeyoung é irritantemente inocente para uma policial.

Imagino que a investigação continue acontecendo longe daqui, já que a universidade resolveu cancelar as aulas até o suspeito ser preso. Deve haver viaturas rondando os perímetros dos alojamentos, pais desesperados ligando para os filhos, exigindo que voltem para a casa. A imprensa sensacionalista deve ter divulgado tudo sobre a garota morta, tudo que já sei sobre ela: estadunidense que veio fazer intercâmbio na Coreia do Sul por ser fã de K-dramas, sendo uma presa fácil por não falar coreano fluente e ser influenciada por qualquer garoto asiático bonito. Ela é uma vítima fácil, de baixo risco. Quem a matou também sabia disso.

O versículo da bíblia escrito a sangue na mesa pode significar muitas coisas, mas só eu sei o significado: alguém do meu passado está de volta e sabe que a minha sala é de fácil acesso. É a única que permanece aberta dia e noite, um hábito que peguei de Lisa, mas Chaeyoung já deve saber disso — e eu espero que saiba —, porque nenhum policial experiente se embebeda tão fácil na companhia de um desconhecido.

— Agora é a sua vez. — Entrego a garrafa de whiskey a ela.

Bebemos no gargalo, mas a minha tática é ingerir a menor quantidade possível enquanto finjo estar no mesmo nível de embriaguez que ela.

— Você já tentou ser idol? — Chaeyoung estampa um sorriso grande no rosto. As bochechas estão vermelhas e os toques em meu braço passam a ser constantes.

Começo a rir.

— Que tipo de pergunta é essa?

— Qual é, todo mundo já tentou! — ela protesta, também rindo.

Mantenho os olhos fixos em Chaeyoung enquanto viro a garrafa de uma só vez. Permito-me beber um gole longo, lambendo os lábios em seguida. O calor toma conta da minha barriga, eriçando os meus pelos. É gostoso sentir isso depois de tanto tempo, essa incerteza, esse quê de não saber se Chaeyoung quer me beijar ou me matar. Posso sentir o gosto do perigo na ponta da língua.

— Isso diz mais sobre você do que sobre mim — falo.

— Okay, me pegou. — Ela toma a garrafa da minha mão para mais um gole. Agora bebemos porque queremos, o que torna tudo mais divertido. — Eu nunca tentei, mas a minha irmã sim.

"Minha irmã."

Meu corpo paralisa numa expressão que não consigo controlar.

— Irmã? — pergunto, espantada.

Uma parte de mim anseia para saber mais sobre essa irmã enquanto a outra me chama de ingênua por acreditar na história que está por vir. Chaeyoung não percebe o meu tom de voz alarmado e muda de assunto.

— Qual era o jogo que estávamos jogando? Eu esque-

— Você tem uma irmã? — insisto na pergunta.

— Gêmea — ela responde, descansando a cabeça nas mãos. — Por que está com essa cara?

Pisco algumas vezes, tentando suavizar o meu semblante. Não posso me desesperar agora.

— Te achei bastante familiar, pensei ser coisa da minha cabeça, mas... — Deixo a frase morrer propositalmente.

— Não é coisa da sua cabeça, você deve ter visto ela. — Chaeyoung continua a conversa, mas sinto que algo atrapalha a calmaria de antes. Expectativa ou medo. — Ela fazia faculdade lá onde você dá aula e pela sua idade... temos idades próximas, certo? Você deve ter estudado com ela.

Dou de ombros, ou tento.

— Talvez... — Crio coragem para perguntar: — Como... como ela está hoje em dia?

Chaeyoung se encolhe.

— Morta, eu acho — E vira mais uma dose de whisky garganta abaixo.

Pisco rápido, um pouco surpresa pelo jeito como ela falou. Talvez, apenas talvez, não seja despreparo profissional de Chaeyoung, mas sim problemas com bebidas. Ela tomou metade da garrafa e aparenta estar mais sóbria do que eu esperaria. Sua resistência ao álcool é boa como a de um alcoólatra.

Repouso a mão em cima da sua, na mesa.

— Meus pêsames, eu não...

Chaeyoung recolhe a mão.

— Tá tudo bem, ela desapareceu há anos. — A detetive desvia os olhos dos meus, provavelmente nunca imaginou acabar a noite assim, contando sobre algo tão pessoal a uma mulher que acabou de conhecer. — Foi por isso que resolvi entrar na polícia. Só demorei tempo demais para perceber que não vou achar alguém que não quer ser encontrada.

Sutilmente, arrasto a garrafa de whisky para perto de mim. Não quero que ela desvie a atenção de nada.

— Sua irmã não quer ser encontrada? — pergunto, fingindo confusão.

Chaeyoung afirma com um menear.

— Rosé era uma garota problema, tinha tanta passagem pela polícia que chegou a roubar os meus documentos uma vez, para se passar por mim. Quando ela desapareceu, eu sabia que não seria encontrada, mas continuei procurando mesmo assim. — Chaeyoung pisca depressa para não chorar, mas é um esforço em vão. Ela seca a lágrima fujona de forma brusca. — As pessoas me aconselharam a parar de procurá-lá, diziam que Rosé só trazia confusão para a minha vida, mas ninguém consegue entender que depois de um tempo longe de quem amamos, esquecemos as partes ruins e só lembramos das partes boas. Faremos de tudo para ter as partes boas de novo, mesmo se as ruins vierem junto.

O olhar de Chaeyoung fica vago e, no silêncio que ela deixou, percebo que essa frase me afetou mais do que eu gostaria.

Eu não me lembro das coisas ruins que Lisa fez contra mim. Até a mais marcante: me enterrar viva, parece algo distante. Eu sobrevivi, não é? Ela não queria me matar realmente. E quanto as partes boas, elas estão vivas na minha mente como se tivessem acontecido ontem. A primeira vez que a vi, o nosso encontro nesse bar, os momentos no carro, o incêndio na casa do seu tio... eu faria tudo para viver essas partes de novo, para sentir o seu cheiro, a maciez dos seus cabelos e a firmeza do seu toque.

Volto à realidade quando Chaeyoung continua a dizer:

— Rosé era tão... radiante. Se visse alguém triste, não importava se era desconhecido ou não, ela faria tudo para animá-la. Estava numa fase boa, disse que ia mudar e nós acreditamos nela... — Chaeyoung empurra a garrafa de whisky e se levanta de supetão, me assustando no processo. — Desculpe, Jennie, eu... eu acho que bebi demais.

— Não, não, tá tudo bem. — Eu a empurro novamente para a cadeira, repousando a mão em cima da sua e, dessa vez, ela deixa. — Sei como é perder uma irmã. A minha não morreu, mas não nos vemos há anos também. É o tipo de dor que nunca vai embora.

Consigo a atenção de Chaeyoung, mas a um custo muito alto. Não quero falar sobre Jisoo, nunca citei o nome dela em voz alta e tenho medo de não sair agora.

— Brigaram? — Chaeyoung pergunta, atenta.

— Digamos... digamos que sim — falo as palavras cuidadosamente. — Arrumamos muita encrenca. Só isso.

Não falamos nada por um tempo, mas nossas mãos continuam juntas. Eu não sinto nada com o toque, mas espero que ela sinta, espero que perceba como as minhas mãos estão macias e úmidas. Espero que o álcool a faça pensar coisas indecentes com esse simples ato.

Um sorriso fraco ressurge nos lábios de Chaeyoung.

— Não consigo te imaginar entrando em encrencas...

Pobre garota, não sabe da miséria metade.

— É por isso que sou tão popular entre os alunos, já fui uma. — Dou uma piscadinha.

Debaixo da mesa, as nossas coxas se resvalam, a dela coberta por uma calça jeans e a minha por uma saia lápis.

— Na verdade, imaginei que fosse popular na faculdade por ser boa no que faz — responde Chaeyoung, com os olhos estreitos.

Não consigo esconder o triunfo que faz o meu coração bater rápido. É a sensação de perigo adormecida há muito tempo, enterrada junto a Lisa.

E a verdade é que eu não faço ideia do que porra está acontecendo, quem é responsável por esse assassinato, se terá outros, se a porta do inferno se abriu e todos que eu matei saíram atrás de mim, mas eu estou amando isso. Amando ser a Jennie irresponsável de novo.

— Eu sou muito boa no que faço. — Tomo o último gole do whiskey sem tirar os olhos de Chaeyoung, estou quente como o inferno. — Posso te mostrar, se quiser.

Ela sorri convidativa.

E eu tenho a resposta que preciso.

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