3. 13|livro três| semper fidelis
Nos capítulos anteriores:
Meus olhos se arregalam e, pelo que parece um século, sinto o meu coração parar. Meus pés decidem por mim e rodo os calcanhares, ainda em choque, ainda sem saber o que falar ou pensar ao vê-la ali, há poucos metros de mim.
Chaeyoung abaixa a arma e sua respiração sai em uma risada incrédula.
— Que surpresa, Jennie! — Em seguida, ela olha para o lado, apontando a arma para algo escondido atrás de uma peça de carne. — Porque você também não vem se juntar a nós, professora Lalisa?
Meu corpo inteiro paralisa, como se eu estivesse congelada. Não, não, não, não, não é possível. Deve ser apenas sonho, um delírio, um engano. Estou esperando a pegadinha ser anunciada, alguém me acordar, dizer que é impossível, mas está ali. Engulo o bolo que dói a garganta, sem saber o que pensar e nem como agir, mas, devagar, alguém sai em meio às peças de carne.
Uma silhueta familiar demais.
Lisa está olhando para o chão, os cabelos tampam o seu rosto, mas vejo os seus olhos brilharem no escuro assim que ela levanta a cabeça e me encara. Viva, em carne e osso.
— Para a minha defesa... — Ela levanta as mãos em posição de refém. — Eu estou tão ou mais perdida que você, Jennie.
Isso não pode ser verdade.
É a única coisa que se passa na minha mente.
Lisa está viva, bem viva, na minha frente. É como se ela nunca tivesse ido embora, mas também como se eu a visse pela primeira vez. Meu coração palpita tanto que parece querer sair do peito, bombeando êxtase que arrepia o meu corpo. E é apenas isso que me mantém de pé, êxtase, esse misto de sentimentos que vai de alegria a temor, que englobam todas as sensações que não consigo descrever. As palavras perdem o sentido e se transformam em um redemoinho. Esqueço que Chaeyoung está com uma arma na minha cabeça, que provavelmente uma de nós sairá morta desse lugar, esqueço de tudo. É como se eu estivesse cara a cara com um anjo, é, um anjo, deve ter o mesmo efeito, morrer e renascer e todas as coisas ditas impossíveis no mundo.
O resto de sanidade que eu tinha se perde neste momento. Não consigo tirar os olhos de Lisa, do rosto machucado de Lisa, cheio de arranhões, do fato que posso tocar nela, que posso... sinto um puxão no meu braço.
Chaeyoung pega o meu revólver, eu também tinha me esquecido dele. Movo o meu corpo para trás, mas ela afunda o cano da arma na minha cabeça enquanto aponta a outra, que roubou de mim, na direção de Lisa.
— O que... o que está acontecendo aqui? — consigo balbuciar.
Ainda com as mãos levantadas, os lábios de Lisa se repuxam em um sorriso.
— Engraçado, era a mesma pergunta que eu iria fazer. Me atualizem... — ela olha alternadamente para mim e Chaeyoung. — Eu acabei de chegar.
Balanço a cabeça, confusa. Tudo parece um sonho que, por mais que eu me belisque, não consigo acordar.
— Como você... — me engasgo. — Você está viva?
Lisa balança os ombros, ou tenta. Ela está com uma roupa bastante inusitada, um vestido dourado rasgado. O topper está tão pequeno que consigo enxergar o contorno dos seus seios sob o pano.
— Achei que pudesse me explicar — ela diz.
Talvez em outro momento eu pudesse explicar, talvez uma outra versão de mim, a que tinha todas as respostas do mundo para dar, e, se não tivesse, sabia de uma teoria que se encaixava com os fatos.
— Não, não, não, não... — Percebo então que estou chorando, lágrimas distorcem a minha visão. — Isso não está acontecendo. Como...?
Chaeyoung bate o cano do revólver na minha cabeça.
— Nem pense, Jennie — ela ameaça. — Eu preciso de você sã, e depois as duas trocam figurinhas, okay?
Pisco algumas vezes, tentando me manter na realidade. Há poucas horas, eu estava com Jisoo, nós duas, e as garotas empaladas no portão como plano de fundo. E se isso tudo foi um plano de Chaeyoung? Chaeyoung sabe o que exatamente? Ela...? Viro a cabeça para o lado, apenas para ver o contorno da detetive atrás de mim, o corpo colado no meu e nossos calcanhares afundados no sangue que cobre o abatedouro.
— Como você sabia que eu estaria aqui? — pergunto.
— Ouvi a sua conversa com a Jisoo, na cena do crime — admite ela. — Nada discretas, aliás.
Lisa interrompe a nossa conversa.
— Sem querer ofender, mas acho que a pergunta de Jennie era para mim.
Chaeyoung perde a paciência e dobra o meu braço, sinto o metal abraçar o meu pulso e logo depois o outro. Ela me algemou. Lisa aproveita a distração para ir para cima de nós, mas Chaeyoung também é esperta e volta a apontar o revólver para Lisa, que solta um palavrão baixinho. Depois de me algemar, Chaeyoung me obriga a sentar abaixo dos seus pés, na poça de sangue, e mantém apenas Lisa na mira do revólver. Não sei porque a detetive não a algema também, mas se eu fosse ela não tentaria. É melhor manter Lisa refém ao longe do que tentar se aproximar. Ela é boa em combate corpo-a-corpo, pelo menos era.
Lisa abaixa as mãos, sinto o seu olhar em mim como um farol e, admito, é difícil manter a minha atenção em outro lugar. Não quero perder nada de Lisa, tenho medo de fechar os olhos e ela desaparecer. Chaeyoung saí detrás de mim, rodeando-me, mas sem tirar Lisa da mira do revólver. A detetive parece outra pessoa, os cabelos estão bagunçados e o rosto em uma carranca que destrói os traços bonitos.
— Então, Jennie, quer saber como eu descobri que a sua professora favorita matou a minha irmã?
Lisa solta uma risada anasalada.
— Que esclarecedor. Pensei que você fosse um fantasma. — Ela está de braços cruzados agora, como se estivéssemos em uma conversa amena entre amigas.
Chaeyoung olha com censura para Lisa.
— Isso não é engraçado, professora Lalisa.
— Não sou professora há algum tempo — ela retruca. — Pode me chamar de Lisa.
Chaeyoung a ignora, coça o nariz com o revólver e volta a caminhar. O único barulho, por um tempo, é dos seus passos afundando na poça de sangue. Não sinto mais o cheiro, já me acostumei, acho que as duas também.
— Sabe... é bastante interessante a forma como a Universidade de Seul lida com docentes assediadores. — A detetive olha para Lisa. — Não é, professora?
Lisa faz uma careta.
— Assediadora, ouch. — Ela aperta o peito. — Essa doeu.
A conversa agora é entre as duas, Chaeyoung se esqueceu de mim. Eu poderia aproveitar a distração e pensar em uma forma de fugir, sei que Lisa esperaria algo assim de mim, mas eu não consigo me mover, não consigo parar de olhar.
Os olhos de Chaeyoung enchem d'água.
— Você não faz ideia... — Ela pisca rápido, afugentando as lágrimas. — Depois de anos procurando, esperando por esse momento, eu finalmente vou descobrir onde está a minha irmã.
Lisa suspira fundo, como se estivesse entediada.
— Fico lisonjeada por achar que eu sei onde a sua irmã está.
— Como não? — Chaeyoung retruca, movimentando intensamente os braços, e o revólver segue o movimento. O outro está em seu bolso de trás. Eu poderia pegá-lo, se fosse rápida o suficiente. — Você sabe onde ela está, sabe onde todos estão. Você está por trás dos desaparecimentos na Universidade de Seul. Foi difícil chegar até você. Eu não tinha nada além do desaparecimento da minha irmã como ponto de partida, até que descobri que ela não era a única desaparecida, que universitários como ela, no último período do curso de Música, estavam desaparecendo sem deixar vestígios há anos e a universidade não fazia nada.
Chaeyoung foi se aproximando de Lisa à medida que suas palavras se tornaram um sussurro raivoso. Ela deveria ter treinado esse discurso muitas vezes na frente do espelho, mas o nervosismo não previsto em situações como essa faz as informações saírem confusas. Então ela é mesmo a irmã gêmea de Rosé? Chaeyoung é responsável pelas mortes que estão acontecendo agora? Como exatamente ela descobriu que Lisa matava os seus alunos? São tantas perguntas, acho que elas também estão presentes na mente de Lisa. Ela olha para Chaeyoung de uma maneira diferente, ela vê o potencial de Chaeyoung, em como a vingança a fez chegar onde chegou, como a fez largar tudo para procurar o assassino da irmã e como estava disposta a matar para conseguir o que tanto queria.
Lisa me olhou assim uma vez, no bar, quando soube que matei Rosé por ela.
Deve ser assim que ela escolhe os seus favoritos, Lisa sabe reconhecer um potencial caótico só pelo olhar. Sabe que, se mexesse os pauzinhos certos, se causasse o trauma ideal, poderia criar um excelente assassino. Talvez seja por isso que me enterrou viva, porque eu não tinha traumas o suficiente. Eu não sabia como era a sensação de morrer, mas agora, toda vez que faço algo inconsequente, me lembro da sensação de ser enterrada viva.
Chaeyoung mal respira, continua falando:
— Muitos alunos eram festeiros, estrangeiros, os familiares moravam longe, eram vítimas fáceis, não é? Se eles sumissem, ninguém levaria a sério. A maioria nem se preocupava em reportar o desaparecimento à polícia ou ao reitor da universidade, ou, quando reportavam, era tarde demais para começar as buscas. Todos os desaparecidos tinham algo em comum... eram os favoritos da professora Lalisa Manoban. — Ela está chorando, lágrimas pesadas escorrem pelas bochechas fartas. — Você era bastante popular no campus, sabia? Doutoranda de Música, em uma rápida conversa com os alunos todos me diziam o quanto você era encantadora, espetacular, mágica... apesar dos relatos que, talvez, fosse mais próxima dos seus alunos do que o recomendado. Fora isso, ninguém tinha nada ruim para falar sobre a professora Lalisa. Minha irmã te amava, te achava uma santa... — Chaeyoung limpa as lágrimas com brusquidão. — Realmente, você era uma santa. E se uma santa pecar, ninguém vai saber, não é?
O silêncio toma conta do abatedouro. Não ouso respirar alto, com medo de chamar atenção. Em segundos, o rosto de Lisa se transforma, contorcendo em culpa. Lágrimas brotam no canto dos olhos, os lábios tremem e um choro compulsivo começa. Ela se joga no chão, mergulhando no sangue que cobre o seu corpo em pouco tempo.
— Me desculpa, me desculpa... — Ela implora, em prantos. — Você tem razão, eu matei a sua irmãzinha... — Ela se engasga com as palavras. — Eu me arrependo tanto! — Ela ergue o rosto na direção de Chaeyoung, respingos de sangue compõem o rosto já machucado de Lisa, que, aos poucos, vai se transformando de novo. — Por favor... — Os lábios tremulam, repuxando-se. — Só não nos mate... — Ela começa a rir, limpando as lágrimas que não caem mais. — É isso que queria ouvir?
Chaeyoung estremece. Acho que ela não sabia com quem estava lidando, acho que, de todos os cenários que pensava enfrentar antes de dormir, nenhum se projetava minimamente parecido com esse.
— Você é... — ela balbucia.
Lisa se levanta, peitando-a.
— Uma lunática sem coração que queria ter matado a sua irmã gêmea só pra ter o prazer em dizer como foi gostoso tirar a vida daquela cadela imunda? É, detetive. Você acha que sabe de muitas coisas, mas não sabe a mísera metade... — Lisa poderia ter desarmado-a ali, Chaeyoung está tão incrédula que não consegue se mexer. — Há muitos furos nessa sua história, o maior deles é que não matei a sua irmã.
Chaeyoung engole o seco, recuperando a linha de raciocínio.
— Você matou tantas pessoas que não se lembra, você está matando agora, você matou aquelas garotas no portão, matou...
As sobrancelhas de Lisa se unem.
— Quê?
— Essa nova onda de assassinatos — esclarece Chaeyoung. — Você é a responsável.
Não, Lisa não faz ideia do que a detetive está falando. Ela segura o riso, mas seus olhos exalam sarcasmo.
— Se eu soubesse que seria acusada de fazer algo que eu não fiz, teria feito muito pior.
Se não foi a detetive a responsável pelos novos assassinatos e muito menos Lisa, então quem foi? Chaeyoung se aproxima, elas têm a mesma altura, talvez Chaeyoung seja um pouco mais alta, mas parece que, com um empurrão, vai se quebrar. Ela tenta erguer o peito, encostando-o no de Lisa.
— Você está mentindo.
— Então atira. — Pelo sorriso que não sai dos seus lábios, ela está gostando tanto disso que não consegue esconder. — Se acha mesmo que eu matei sua irmã, atira.
Chaeyoung ergue o revólver, mas ao invés de afundá-lo em Lisa, ela o aponta para mim. É como se elas tivessem percebido que estou ali só naquele momento, algemada, com o sangue cobrindo minha cintura.
— Não vou atirar em você, vou atirar nela — Chaeyoung diz.
E ela realmente parece tentar atirar, mas seus dedos tremem. Chaeyoung respira fundo, como se implorasse a si mesma concentração, mas ainda está tremendo.
Nesse momento, toda a diversão do rosto de Lisa vai embora. Ela olha para Chaeyoung e, então para mim, e ergue uma sobrancelha. Lisa é esperta o suficiente para conjecturar os motivos que fazem com que Chaeyoung não suporte a ideia de atirar em mim.
— Espera um pouco, vocês... — ela semicerra os olhos. — Vocês já transaram?
Chaeyoung faz uma careta.
— Isso não é da sua conta, Lisa.
— Pra você agora é Lalisa.
Ela joga a detetive no chão. O empurrão é tão abrupto que Chaeyoung cai desorientada e Lisa se aproveita disso para montar em cima dela. O revólver não está nas mãos de Chaeyoung, ela deve ter deixado-o cair. Engatinho até elas, empurrando o mar de sangue com as mãos enquanto os respingos atingem o meu rosto. A briga entre as duas se intensifica, Chaeyoung envolve as pernas na cintura de Lisa e a joga para o lado. Mais um mar de sangue me atinge em ondas. Merda. Eu deveria parar de procurar a arma e ajudar Lisa, Chaeyoung está afogando-a no sangue. Me ponho de pé e caminho aos tropeços até elas. Agarro a cintura da detetive, tentando movê-la de cima de Lisa, mas Chaeyoung é forte e parece inabalável. Ela puxa Lisa pelo topper e dá um soco tão forte em seu rosto que sinto o som seco ecoar pelo lugar. Lisa geme, mas não de dor, e solta uma gargalhada com os dentes manchados de sangue.
— Péssima hora para me deixar excitada.
Agarro os cabelos ensopados de Chaeyoung e consigo puxá-la para trás, mas antes de cair, ela empurra uma peça inteira de boi. Lisa arregala os olhos e tenta rolar para o lado, mas o bicho despenca em suas pernas. O cheiro de carne me atinge, é insuportável. Lisa geme de dor e tenta empurrá-lo para longe de suas pernas, sentada, mas assim que ela se ergue, vejo um metal reluzente do revólver brilhar. É um relance tão rápido que nem Lisa percebe. O revólver que Chaeyoung perdeu.
Posso segurar a detetive por tempo o suficiente.
— Na sua frente! — grito para Lisa.
Não preciso dizer o quê, ela se debruça por cima da carne e vê o revólver, mas nem com os braços esticados consegue alcançá-lo. No mesmo instante, Chaeyoung me empurra, tentando desvencilhar do aperto para ir atrás da arma, mas me agarro como um coala, com as pernas e os braços prendendo-a, mas ela se põe de joelhos comigo agarrada em suas costas.
— Anda rápido! — vocifero, me mexendo para lá e pra cá agarrada às costas de Chaeyoung na tentativa de pesar os seus movimentos, mas ela é forte e consegue ir em direção a Lisa, que solta um grunhido alto enquanto move a peça de carne em cima das pernas, o suor brota em sua testa em meio ao sangue. Não posso deixar Chaeyoung chegar até ela. A firmeza do meu aperto rasga a blusa da detetive à medida que ela anda em direção a Lisa, mas Chaeyoung se lembra do que eu e nem Lisa nos lembramos, a arma em seu bolso. O metal da arma roça na minha cintura, colada em suas costas, no momento que ela a saca e, num movimento que me pega desprevenida, Chaeyoung agarra a minha cabeça por trás e impulsiona o corpo para baixo. O impulso faz o meu corpo ir para frente e não me resta alternativa além de soltá-la.
Felizmente, Lisa consegue empurrar o corpo do bicho no momento que Chaeyoung coloca o revólver na minha orelha.
O som do gatilho faz Lisa parar no ar, como se estivesse congelada.
E, por um minuto inteiro, tudo o que posso ouvir são nossas respirações espaçadas, preenchendo as paredes ocas.
— Me diz... quem matou a minha irmã? — Chaeyoung olha para Lisa de relance, seu peito sobe e desce rápido. — Ou eu atiro nela.
Vou morrer de qualquer forma. Tento sorrir, mas parece um barulho esganiçado.
— Lisa não liga se eu morrer, não é assim que vai conseguir tirar algo dela... — sussurro.
Eu queria poder olhar diretamente para Lisa, tentar me comunicar de alguma forma, mas metade do meu rosto está afundado na poça de sangue bovino que entra pela minha boca e nariz.
— É a minha melhor tentativa... — Chaeyoung retruca, afundando a arma contra meus cabelos.
Lisa levanta as mãos novamente, como uma refém, percebo agora que é uma tática. Ela está de joelhos e se aproximando tão devagar que acho que nem Chaeyoung percebe.
— Eu estou falando a verdade... — A voz de Lisa muda, o tom é tão doce que chega a ser infantil. — Não a matei. — Ela dá um passo largo, Chaeyoung afunda ainda mais o cano do revólver contra minha cabeça. — Rosé foi um presente.
Chaeyoung franze o cenho.
— Um presente...?
O olhar de Lisa vai rapidamente para mim.
— Um presente para a minha aluna favorita — ela sussurra.
Não consigo ver o rosto de Chaeyoung, mas, pela forma como o seu corpo se enrijece, sei que ela entendeu. É o tipo de situação que toma o ar dos seus pulmões com a força de um soco. É o que Lisa queria, deixá-la sem reação.
Lisa mergulha no sangue e pega o revólver, e eu rolo para o lado no segundo em que os dedos de Chaeyoung se afundam no gatilho. O tiro sai num som ensurdecedor, próximo do meu ouvido, e não consigo escutar nada além de um chiado constante. Lisa, já com o revólver em punho, bate o cabo na cabeça de Chaeyoung, uma, duas, três vezes, até a detetive desabar em cima de mim.
O peso dela me paralisa e a respiração baixinha toca o meu pescoço.
Olho para o teto escuro e me foco nos olhos de botão dos animais pendurados que me olham de volta. A cena só muda quando Lisa aparece com os cabelos pingando sangue no meu rosto. Ela suspira aliviada e, num empurrão, tira Chaeyoung de cima de mim, observando-a cuidadosamente enquanto ainda estou processando o que acabou de acontecer. Nós três lutamos e por um fio eu não estava morta, com a cabeça estourada em um abatedouro.
— Ela é boa — Lisa sussurra.
— O quê? — pergunto confusa.
— A garota. — Lisa aponta para Chaeyoung. — Vamos precisar dela. É melhor amarramos antes que ela acorde.
Lisa não espera uma resposta, ela se levanta e, mancando, sai a procura de cordas.
Só então, a minha ficha caí.
Lisa está de volta.
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