Primeiro capítulo
Capitulo dedicado a minha sobrinha Débora, minha leitora mais fofa :)
( Plágio é crime!!!!!!!!!!!!)
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Eu tinha 12 anos quando decidi- me tornar uma fada. Eu havia ficado muito doente e minha mãe mais que depressa me levou ao curandeiro. Foi então que eu conheci a irmã Mary, guardiã chefe das fadas curandeiras; ao vê-la chacoalhando sua varinha sobre mim e rapidamente o meu estado de saúde melhorar, eu a enchi de perguntas sobre as fadas. Ela então me explicou que elas eram divididas em classes: havia as fadas do inverno, responsáveis por manter o frio e a neve em Pandora, tinha também as fadas protetoras que defendiam o portão, evitando assim a entrada das criaturas sombrias do mundo lá fora, as fadas conselheiras, que eram o nosso clero e cuidavam da Árvore da Vida, nosso maior tesouro que guardava toda a magia presente em Pandora e, por fim, as fadas curandeiras que cuidavam da saúde dos moradores. Juntas todas as fadas eram guardiãs do equilíbrio.
Fiquei fascinada com o trabalho que elas faziam e naquele momento vendo as asas de Mary e o seu incrível talento para a cura eu decidi que iria ser uma fada curandeira. Eu não tinha dúvidas sobre isso, nunca pensei em me casar e construir uma família eu não era igual à Kate minha irmã gêmea que desde pequena sonhava em se casar com o príncipe Isaac, eu nunca amei e nunca me vi na cerimônia pronta para receber o coração de alguém.
A cerimônia era lei em Pandora; todos os garotos, sem exceções, perdem seu coração quando nascem. O pai do garoto o arranca e o guarda em uma pequena caixa de ouro, o coração então é encaminhado para o Monte e fica lá sobre os cuidados do Destino, que tem como missão encontrar a alma gêmea do dono do coração. Quando o rapaz faz 20 anos, ele e todas as garotas da sua idade participam da cerimônia, o Destino devolve ao jovem rapaz seu órgão e lhe diz quem é a sua alma gêmea, então o garoto entrega para a moça o seu coração e ambos fazem o juramento de se amarem para sempre. Quando um dos dois morre, o outro também morrerá porque o coração de ambos estará unido; por fim, eles têm apenas um mês para se casarem, caso contrário são exilados e mandados para o mundo lá fora.
Era proibido namorar antes da cerimônia, nem sequer dar um beijo sem importância e caso alguém fosse visto namorando alguma pessoa que o Destino não havia lhe escolhido, essa pessoa era banida. Enfim, todos nós sabíamos que o Destino nunca erra. Porém, às vezes, em raríssimas exceções, se o número de garotas ou vice e versa era menor, alguém era banido pelo fato de não ter alma gêmea.
Eu nunca quis isso para mim, por isso logo implorei para os meus pais me alistarem, pois o destino sabia quem era nascida fada, e se uma nascida nunca percebesse a sua vocação e participasse da cerimônia, ela seria exilada, pois fadas não têm alma gêmea.
Meus pais se alegraram ao saber do meu desejo de ser uma guardiã, nunca tivemos uma fada na família, o que os deixou esperançosos. Eles me levaram para o Monte exatamente na data de alistamento; todos os anos havia uma semana dedicada para que moças ou crianças que quisessem se alistar. No dia do meu alistamento não havia muitas garotas, realmente, o número de fadas era bem menor. Ficamos esperando no salão principal, que era o mesmo salão onde ocorria a cerimônia. O local era imenso com capacidade para vinte mil pessoas, em Pandora havia bem menos moradores. As cadeiras eram almofadadas e em volta delas havia ouro, assim como o teto que tinha uma pintura do nosso fundador Henrique o Primeiro, as paredes eram da cor creme com cortinas douradas que cobriam todo o salão, e na frente de todos ficava um imenso palco.
As fadas conselheiras pegaram nossas fichas de inscrição e se consultaram com o Destino sem a nossa presença, eu me lembro de ter ficado cerca de dez horas esperando o resultado quando por fim a fada conselheira chefe apareceu e chamou os devidos nomes; para a minha felicidade, ela me chamou. Naquele mesmo dia, tive que me despedir da minha família, pois eu já não pertencia mais a eles. Eu moraria no Monte junto com as demais fadas, seria devidamente educada e aprenderia tudo sobre magia. Despedi-me dos meus pais e da minha irmã Kate que, apesar de ser minha irmã gêmea, não era nada parecida comigo, nós éramos gêmeas fraternas. Ela tinha olhos verdes, cabelos platinados e era toda extrovertida, já eu tinha olhos castanhos, cabelo escuro e era bem tímida. Kate queria se casar com o príncipe, mas eu não, eu seria uma fada.
Somente o Destino determina qual é o tempo necessário para se tornar uma fada, eu, por exemplo, demorei cinco anos para me formar. Durante a minha aprendizagem no Monte, eu ganhei uma correntinha que continha uma pequena pedra de cristal, era ele que me daria os meus poderes e também ganhei uma varinha de condão. No início, nós tínhamos acesso a todo o conhecimento da magia, porém quando nos formássemos, ganharíamos os poderes de acordo com a nossa função. As fadas protetoras tinham o poder de bloquear todo o território de Pandora para as criaturas sombrias, as conselheiras eram as mais fortes elas controlavam quase todo o tipo de magia, exceto a cura, que era o poder das fadas curandeiras, e por fim, as do inverno que podiam controlar o tempo; magia mais simples todas as fadas podiam fazer. Caso alguma fada fizesse uso de um algum tipo de magia que não fosse da sua categoria, ela seria castigada.
Quando eu completei treze anos, fui ordenada para ser uma fada curandeira como era o meu desejo e também ganhei minhas asas, aquele foi o momento mais feliz da minha vida era a realização de um sonho. A sensação de ter as minhas asas me encheu de infinita alegria.
Durante os anos que se prosseguiram, eu me mudei definitivamente para o quarto permanente das fadas, pois antes eu dormia em um dormitório junto com as demais meninas. Eu dividia o meu quarto com a Estér, uma amiga que eu fizera. Nosso quarto era pequeno com o chão de madeira e duas camas que mal nos cabiam, apesar de ser rara às vezes que dormíamos (nós fadas não sentimos muito sono), as paredes dele eram cobertas de cortinas vermelhas, que era a cor favorita de Estér (ela sempre negou, mas eu desconfiava que o que ela queria mesmo era ser uma fada conselheira), só podíamos visitar nossas famílias apenas duas vezes no ano, no baile anual do aniversário de Pandora e na cerimônia, ambas as datas eram no mesmo fim de semana, e elas eram as únicas datas comemorativas do nosso reino.
No nosso reino só existia o inverno, as demais estações eram inimigas das nossas plantações que só davam frutos no inverno, por isso o Destino trouxe o inverno definitivo para Pandora. Nosso reino era dividido em aldeias, a aldeia do norte era onde ficavam as fadas protetoras, no oeste estava a maior parte das nossas plantações, no leste se concentrava a nossa magia e a Árvore da Vida e no sul era a onde ficava o Monte e o palácio da família real.
Eu tinha acabado de completar vinte anos, aquele ano seria a cerimônia da minha irmã, faltava uma semana para isso. Aquela não seria uma cerimônia qualquer, era a cerimônia mais esperada dos últimos anos, desta vez o coração do príncipe Isaac iria ser entregue a alguém e provavelmente seria entregue a uma plebéia, algo que nunca aconteceu antes, porque na cerimônia dos antigos reis sempre havia varias moças da nobreza, filhas de duques e condes, porém desta vez a única mulher nobre a participar era Yamá, irmã gêmea do príncipe.
Sim, o príncipe também tinha uma irmã gêmea assim como eu e por coincidência nós nascemos no mesmo dia. Por conta das leis de Pandora, só homens podiam governar, por isso Yamá estava fora da disputa pela coroa; quando um rei não consegue ter filhos homens, o herdeiro ao trono passa a ser o parente homem mais próximo do rei. Assim que um príncipe completa vinte anos, ele pode ser coroado, por isso todos sabiam que o príncipe Isaac se tornaria rei após a cerimônia.
Como morávamos no sul, era comum ver alguns membros da família real. Quando eu e Kate éramos pequenas subíamos na árvore do quintal da nossa casa, que dava para ver o castelo, assim espiávamos de longe o príncipe com a ajuda de um binóculo, ele era igual a mim exceto pelo cabelo que era loiro escuro, já Yamá era morena e tinha olhos tão azuis que me assombravam. Essa era uma das poucas vezes que víamos o príncipe, ele e os irmãos passavam a maior parte do tempo no castelo que ficava no alto da montanha e era todo construído sobre diamantes e pedras preciosas. Kate sempre me dizia que um dia ela iria morar ali, que o coração do príncipe lhe pertencia.
Voei sobre o sul, estava ansiosa para ver os meus pais, eu os vi poucas vezes quando eles me visitavam no curandeiro e quando tinha algum dia de folga, mas nunca podia dormir na casa deles, sem ser na semana da cerimônia. A maior parte do tempo eu voava, por isso eu sempre andava descalça, e nós usávamos vestidos da cor da nossa função. As fadas conselheiras usavam vermelho, as do inverno azul, as protetoras usavam amarelo, e nós curandeiras o branco, as mais jovens usavam vestido mais curto e as mais velhas longo, eu usava um vestido branco curto, evasê, rodado de renda, cujo bordado eram de cristais; o meu vestido era igual ao os das demais fadas da minha classe, e como eu não suava e não precisava de banho, dificilmente eu trocava o vestido, eu tinha dois iguais a ele, e mais dois vestidos diferentes que eu poderia usar em ocasiões especiais.
Bati três vezes na porta de casa; assim como a maioria dos moradores, meus pais moravam em uma pequena casa de madeira, meu pai era padeiro e vendia o nosso pão no armazém do senhor Raul, em Pandora era comum os filhos seguirem a mesma profissão dos pais, exceto as mulheres que só tinham duas opções na vida, ser dona de casa ou ser professora, e como o curso na academia real de letras de Pandora era caríssimo, a maioria seguia a primeira opção. Ouvi gritos vindos de dentro de casa, decerto seria a minha mãe e Kate brigando mais uma vez, rodei duas vezes e assumi a forma miniatura (para mim já era natural fazer isso), entrei na fechadura da porta e voltei ao meu tamanho normal. Minha mãe quase teve um infarto ao me ver fazer isso, e Kate ficou com a boca aberta por uns segundos, às vezes elas esqueciam que eu era uma fada.
— Deus do céu! Nunca mais faça isso! — gritou minha mãe com as mãos no coração. — Graças a Deus você chegou, você veio voando? — perguntou enquanto me abraçava suavemente por causa das minhas asas.
Fiz que sim com a cabeça, e corri para abraçar Kate, ela me olhou e me abraçou também, mas pela sua cara ela devia estar muito brava.
— Está vendo? Até ela tem vestidos bonitos! — falou, se referindo ao meu vestido.
— É claro, ela é uma fada — respondeu minha mãe.
— Por que parece chateada, irmã? — perguntei.
— Porque não tenho vestido para o baile e nem para a cerimônia — me respondeu com lágrimas saindo dos seus olhos verdes.
— Claro que não! Você tem vestido sim para a cerimônia, eu mesma comprei no mês passado — disse mamãe enquanto tentava costurar alguma coisa.
— Sim, mas não tenho nada para o baile — Kate resmungou.
— Ah Kate, você nunca se importou com o baile, por que agora você quer ir toda arrumada? — perguntei irritada, afinal o baile sempre acontecia no salão da cidade e a família real nunca comparecia para comemorar conosco.
— Porque o baile não vai ser no salão anual e sim no palácio real!
Kate pegou uma pequena carta que estava em cima da mesa e me mostrou, ela dizia o seguinte:
Caro senhor Alden, filho de Ezeus,
A família real convida o senhor e sua adorável família para o Noningentésimo baile anual de aniversário da nossa querida Pandora, desta vez o baile será no Palácio da família real, esperamos que todos vocês venham comemorar conosco essa data tão especial.
Atenciosamente,
Sua majestade real, o Rei Carlos segundo (Que o Destino salve Pandora!).
— Então é por isso que você está assim — falei enquanto lhe entregava a carta.
— Todos os cidadãos de Pandora vão estar lá, todas as aldeias, e especialmente o príncipe — falou com os olhos brilhando.
— Ah Kate, você não sabe se ele é sua alma gêmea, pare com essas tolices! — disse irritada com o comportamento obsessivo dela.
— Eu sei sim! Nós nascemos no mesmo dia, não é óbvio pra você? — ela teimou comigo.
— O mais óbvio pra mim é que Georgiana seja a escolhida, ela é a mais rica das moças da cerimônia.
— Não diga besteiras! — ela gritou. — Você não sabe de nada! Georgiana e nem ninguém ficara com o príncipe, sabe por quê? Porque ele é meu!
Ela correu para o nosso quarto, tinha me esquecido de quanto a Kate era apaixonada pelo príncipe Isaac. Minha mãe me encarou, os olhos dela estavam preocupados.
— Se ele não entregar o coração para ela, eu não sei o que fazer.
— Ela terá que aceitar — falei.
— Eu sei, é que...
— Não se preocupe mamãe, lembre-se, o Destino nunca erra.
Os olhos da minha mãe estavam cheios de lágrimas, ela voltou para a máquina de costura, ela não sabia costurar e mesmo assim se esforçava para fazer o melhor vestido para Kate. Porém minha irmã era teimosa, eu sabia que ela tinha vergonha de suas origens, nossos pais eram pobres, crescemos usando roupas usadas de moças ricas da nossa aldeia, como a Georgiana, que para falar a verdade, eu a detestava.
— Quer que eu faça? — perguntei me aproximando do tecido azul do vestido que ela tentava fazer.
— Você não sabe costurar.
— Nem você.
Ela riu, e me deixou ficar com o tecido, eu chacoalhei a minha varinha e falei:
— Tesoura, linha e agulha eu quero vestido digno de uma princesa!
Todos eles me obedeceram, eu chacoalhei minha varinha sobre eles e acompanhei o movimento de cada um, minha mãe fez cara de boba, aos poucos eu coloquei até a máquina de costura para trabalhar, todos os objetos se juntaram e fizeram um belo vestido azul rodado, com cintura marcada e decote em v todo bordado com algumas pedras brilhantes que minha mãe tinha na sua caixa de costura, nem Georgiana que era a moça mais rica da aldeia do sul tinha um vestido daqueles.
— Parem! — ordenei. Todos eles voltaram ao normal, minha mãe me olhou maravilhada e eu estava feliz pelo trabalho que tinha acabado de fazer.
— O que um pouco de magia não faz? — falei enquanto sorria admirada.
Eu e minha mãe chamamos Kate, que ficou radiante com o novo vestido, ela esperava que no baile o príncipe a olhasse com outros olhos e com certeza ele a olharia, pois Kate estaria vestida como uma princesa.
Meu pai apareceu na hora do almoço, ele me abraçou e perguntou como andavam as coisas, eu disse que estava tudo bem e logo a Kate mostrou para ele o vestido que eu havia feito. A comida em casa era melhor do que a do Monte apesar de simples, no Monte eu estava acostumada a comer folhas, frutas e saladas (as fadas chefes exigiam que tivéssemos uma dieta balanceada) em casa eu podia desfrutar de carne, batata, pão dentre outras guloseimas que só minha mãe sabia fazer. Depois do almoço, meu pai pediu para eu acompanhar Kate até o armazém para levar os pães que ele havia feito.
Eu e Kate caminhamos pelas ruas da aldeia do sul, a neve caía sobre nós, em Pandora era assim ou sempre nevava ou estava frio; Kate estava com um vestido longo que era o que as mulheres daqui sempre usavam e dois casacos pesados. Uma das melhores coisas de ser fada era não sentir frio e nem calor, por isso aproveitei e toquei a neve que caía sobre mim.
— Então, você vai estar na cerimônia?
— Sim, Kate, eu sei que você está com medo, mas fique calma, ok? Você sabe, o Destino nunca erra.
— É que eu tenho medo, sabe? Medo de que o príncipe não me entregue seu coração, de que eu não seja a alma gêmea dele.
Kate parecia preocupada, ela tinha essa paixão platônica pelo príncipe Isaac desde que era criança, no fundo eu sabia que ela queria se casar com ele por causa da coroa e não por amor. Fazia tempo que eu havia percebido que ela me escondia algo, sua alegria de uns anos pra cá tem sido meio forçada, era como se algo terrível tivesse acontecido com a minha irmã, mas ela não queria me contar. Percebi também que depois disso sua obsessão pelo príncipe aumentou.
— Você já o viu? — perguntou-me enquanto mordia os lábios.
— O vi quando era criança.
— Sabe Becca, você sempre teve certeza disso?
— Certeza do quê? — perguntei curiosa.
— De ser fada, você nunca pensou na sua alma gêmea?
— Eu não tenho alma gêmea, Kate — falei, certa de minhas palavras. — Fadas não se apaixonam.
— Que bom então.
— Por quê?
— Porque se você não fosse fada, fosse normal como eu, provavelmente o coração do príncipe já seria seu.
Olhei-a espantada, nunca pensei algo assim.
— Kate, essa não é uma escolha do príncipe e sim do Destino.
— Tenho certeza que o Destino a escolheria, é a mais bonita da nossa idade, poderia ser a rainha mais bela que Pandora já teve.
Ri alto, Kate devia ter esquecido de que nós somos irmãs gêmeas e que, apesar de não sermos idênticas, temos características parecidas.
— Ai Kate, só você mesma pra pensar essas bobagens!
— Irmã, outra coisa me aflige.
Kate parecia estar bem preocupada então nós paramos de caminhar e eu a olhei esperando com que ela se abrisse comigo.
— Os nossos pais, eles não tiveram filhos homens, depois da cerimônia irei morar com o meu marido e sua família, quem irá ajudar o papai e a mamãe nos negócios? Eles estão muito velhos já, tenho medo de que o governo os mande para um asilo.
Lembrei-me que em Pandora quando os pais não têm filhos homens e quando chega à velhice, o governo os manda para o asilo que era um lugar horrível.
— Conversarei com as fadas conselheiras e pedirei um cargo com salário, assim poderei ajudá-los — afirmei.
— Mas para você conseguir isso precisa ser promovida, certo?
— Sim, mas já estou responsável pela a área de emergência no curandeiro, acho que mereço uma promoção — disse, sorrindo.
— Sabe irmã, eu queria ser professora. — falou Kate enquanto voltávamos a andar.
— Eu sei Kate, mas é muito caro.
— Por isso quero um marido rico! — ela falou rindo da situação.
— Mas se você for princesa não precisa ser professora.
— Ah sim.
— O que aconteceu com você, irmã? Semana passada mamãe me escreveu uma carta me contando que você estava tendo uns pesadelos, e que te pegou chorando pelos cantos da casa, você está bem? — perguntei preocupada com a situação dela.
— Eu estou ótima! — ela fingiu um sorriso. — Logo eu serei princesa, porque eu não estaria feliz? Mamãe anda vendo coisas!
— Tem certeza? — indaguei percebendo que ela estava me escondendo algo.
— Sim! — me garantiu.
Nós conversamos bastante e rimos muito também, tinha me esquecido de como era bom ter uma irmã. Quando nos aproximamos do armazém, avistamos aproximadamente cem duendes cantarolando enquanto trabalhavam na construção de um novo prédio.
— O que eles estão fazendo? — perguntei parando para observá-los.
— Estão construindo o novo prédio da escola, o prédio anterior desabou depois da forte nevasca do mês passado.
— Ai, são uns fofos! — falei observando aqueles seres pequenos e com orelhas pontiagudas.
— São uns chatos, isso sim! Não param de cantar! — reclamou Kate.
— Kate se não fosse eles, quem faria o serviço pesado? Além disso, eles parecem felizes.
Os duendes eram os nossos operários, eles eram pequenos e tão fofos que tive vontade de apertar as bochechas de cada um deles, mas eu sabia que eles eram reclusos. Lembrei-me da minha infância. Quando eu era criança um jovem duende me acompanhou na minha primeira missão, foram dias inesquecíveis.
Eles cantavam em conjunto uma canção que falava sobre a beleza do nosso reino, estavam tão bons que até faziam coreografia, aos poucos todos estavam olhando aquele pequeno espetáculo.
Salve Pandora! Nossa querida terra
Onde a neve sempre cai e não nos congela.
Salve Pandora! Terra da magia
Onde a Árvore da Vida guarda nossa alegria
Aqui não existe tristeza, o Destino nos guia.
Salve Pandora! Lugar do verdadeiro amor
Não temos maldade e nem dor.
Aqui as criaturas sombrias não entram
Aqui os nossos rios são rodeados de cristais e diamantes
E tudo que é ruim fica bem distante.
No fim da canção um duende muito pequeno entra na frente dos demais e canta o último refrão da musica.
Que bom é morar aqui
E servir ao nosso rei.
Na cerimônia do domingo
O coração do nosso príncipe a uma bela dama
Irá pertencer.
Ao terminar a canção, o pequeno duende se aproximou de mim e me entregou uma rosa vermelha.
— Para você, bela dama — ele falou sorridente.
— Obrigada — agradeci.
— Está vendo? Até os duendes gostam de você — resmungou Kate.
— Não fale besteiras, irmã!
Entramos no armazém carregando os pães do papai, se o meu pai não tivesse os embrulhado bem, provavelmente eles já estariam frios. No balcão do armazém estava Luke, filho de Raul, Luke tinha a nossa idade ele era moreno, alto, um rapaz bem simples, mas que não era feio. Quando entregamos a ele os pães, Luke encarou a minha irmã, decerto ele devia gostar dela.
— Oi Kate, tudo bem? Você está linda! — falou enquanto olhava admirado a minha irmã.
— Estou ótima — ela o respondeu friamente.
— Ah, me desculpe, tudo bem com você Rebecca? — disse quando finalmente percebeu que eu estava ali também.
— Sim — respondi animada.
— Esperem um pouco, vou lá dentro trazer o dinheiro de vocês.
— Tudo bem — respondi.
Enquanto esperávamos Luke, sentamos em uma mesa próxima ao balcão, de repente uma moça alta e muito magra e com cabelos negros como a noite se aproxima de nós.
— Olá, tudo bem com vocês? Pois para mim tudo está perfeito! — falou a garota com uma voz terrivelmente esnobe, era Georgiana, filha do presidente do banco de Pandora.
— Ah, é você. — falou Kate com desdenho.
— Rebecca, quanto tempo! Você até que está bonitinha com essas asas — disse enquanto me olhava de cima para baixo, aquela garota era tão desprezível!
— Obrigada pena que eu não posso dizer o mesmo.
Eu era uma fada e fui criada e educada para ser boa, mas não podia ser legal com Georgiana, ela era terrivelmente insuportável e invejosa. Lembro que quando eu decidi me alistar para ser uma fada, Georgiana por pura inveja também se alistou para me provocar, porém ela não era uma nascida fada, agora a sua missão era brigar pelo príncipe com a minha irmã.
— Ficou sabendo, Kate? Eu fiquei amiga da Rainha, ela mesma veio me procurar ela acredita que eu seja alma gêmea do seu filho, hoje mesmo irei tomar chá no castelo.
Enquanto pronunciava essas palavras, Georgiana mexia no cabelo de forma irritante.
— O meu vestido para o baile foi feito pela madame Charlotte costureira da família real, custou mais de cem pandores e, você Kate vai usar o quê? Vai vestida de padeira? — ela soltou uma risada do mal, eu olhei para Kate, ela estava pronta para dar umas bofetadas nela.
— Escuta Georgiana, por que não sai daqui? Não percebe que não é bem vinda?— disse Kate tentando se controlar.
— É mesmo Georgiana, é melhor você ir embora e tomar seu chá com a rainha — completei irônica.
— Vou mesmo, não quero ser vista com vocês, são tão pobres e mal vestidas, quando eu for rainha vou tentar dar um jeito de evitar que a aldeia tenha tanta gente como vocês.
— Escute bem Georgina, quem disse que você será rainha? O Destino é que vai dizer quem é a alma gêmea do príncipe e eu torço para que não seja você! — falei de forma bem grosseira, não suportava aquela garota.
— Veremos, Rebecca.
Ela foi embora, e eu e Kate respiramos aliviadas. Logo em seguida, Luke trouxe para nós o dinheiro dos pães, e foi uma completa decepção: papai só havia ganhado vinte e cinco pandores, o que mal dava para os gastos que tínhamos.
Na volta para casa, cumprimentamos e conversamos com várias amigas que eu não via há anos, todas elas estavam ansiosas com a cerimônia e principalmente com a pergunta que todos do reino estavam fazendo: quem ganharia o coração do príncipe?
— Ele deve se tão bonito, seria um sonho ficar com ele — disse Anne.
— Ah sim e principalmente usar a aquela coroa de princesa! — exclamou Suzana.
— Ele será meu, eu tenho certeza, nascemos no mesmo dia! — falou Kate como se ela soubesse que ela e o príncipe haviam nascidos um para o outro.
Enquanto assistia aquela discussão para saber quem era melhor para o príncipe, me senti aliviada; nunca tinha pensado em me casar, em ter filhos, eu certamente seria uma péssima princesa, eu não tinha vocação para isso, não era engraçada como a Kate, elegante como a Georgiana (apesar de ela ser chata), romântica e justa como a Anne e ambiciosa como a Suzana, de fato eu não havia nascido para isso, eu era uma fada, logo seria uma fada chefe e dei graças ao bondoso criador pelo o príncipe Isaac não ser meu.
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