Uma longa conclusão sobre o amor e suas consequências nem tão devastadoras
3 meses depois.
O quarto estava escuro, exceto pela bola de cristal que emitia uma luz bruxuleante nas paredes. Entrava uma brisa fresca pela janela aberta, esvoaçando a cortina, mas não era o suficiente para esfriar aquela madrugada quente. Um ventilador com duas hélices funcionando girava e girava, como um helicóptero pairando acima das nossas cabeças. Me sentei, tirando a blusa molhada de suor e deixando apenas de topper, a respiração rápida dela acertou o meu cangote quando me deitei novamente.
— Isso não estaria acontecendo se você não tivesse doado a minha cama pra Universal, Momo — disse.
— Você sumiu! E aquela cama ocupava muito espaço! — Ela virou de barriga para cima.
— Eu sumi por uma semana, qual é!? — Me virei de barriga para cima também. — Custava ter me perguntado se era pra doar a porra da cama?
— Você tem dinheiro para comprar uma cama nova, o que você mais tem é dinheiro, Roseanne.
— Isso não está em questão!
Momo se remexeu loucamente, quase me derrubando da cama.
Eram três horas da manhã, talvez quatro. Já já o sol ia nascer e eu teria um trabalho importante para apresentar na primeira aula e depois, férias. As tão esperadas férias, as férias que sempre esperei desde que tinha seis anos, onde Jennie, Lisa e eu seriamos amigas protagonizando um comercial de margarina, sem discussões, brigas, sem nada a não ser sol, risos e... fechei os olhos, tentando memorizar nós três de volta a nossa cidade, mas, sem querer, meu cérebro projetou aquela quarta pessoa. Balancei a cabeça rápido, como se quisesse tirar o devaneio manualmente, mas era tarde demais, Jisoo estava lá, sorrindo, com a perna engessada, um chapéu de palha e a mão macia em cima da minha.
Me deixei levar pensando nas mãos dela, pequenas e habilidosas, e as senti subindo vagarosamente pela minha perna... até que abri os olhos e dei um tapa na mão de Momo.
— Hoje eu não tô afim, tá muito calor.
Momo suspirou.
— Se você quiser eu chamo a Sana, podemos fazer igual aquele di...
— Eu estava com saudades dela aquele dia! Não vai acontecer de novo!
Momo deu de ombros.
Ficamos um tempo morrendo de calor, encarando o teto e dando suspiros ocasionais.
— Já se passaram três meses, Roseanne, acho que se você conversar com ela, pode ganhar mais uma chance.
— Chance de fazer tudo errado de novo? Jisoo tinha razão. Eu negligenciei nosso namoro, fiquei pensando em Jennie e Lisa o tempo todo, em como juntá-las, no que elas escondiam de mim, eu fiquei obcecada! Jisoo merece alguém que não quebre a perna dela em um plano idiota, que não largue a cadeira de rodas dela em um declive, que não a abandone em uma cachoeira com um corte feio na barriga...
Momo franziu o cenho, os dois últimos neurônios não afetados pela maconha estavam pensando.
— A essa altura você já sacou que é uma sem noção, metidinha, avoada e...
— Ok, eu entendi! — Me sentei, encarando-a com uma expressão em choque. — Eu sei que eu fui esse monte de coisa aí, não precisa jogar na minha cara.
— Mas também é muito dedicada, como uma boa amiga você só quer o bem das pessoas que ama e acha que pode fazer tudo sozinha, você tem essa mania de querer resolver os problemas de todo o mundo, de não largar o barco mesmo quando ele tá afundando... Jisoo sabe disso, ela te ama exatamente por isso, apesar disso ser o motivo dela ter terminado com você... ainda sim, você consegue perceber, não é?
Maneei a cabeça, confusa.
— Argh! Você é a protagonista da história, Roseanne! É normal o protagonista magoar o par romântico, mas aí, no fim, acontece um arco de redenção onde ele percebe seus erros e reconquista a mocinha! Nunca viu Xuxa e os Duendes no Caminho das Fadas?
— Não, Momo, eu não vi Xuxa e os Duendes no Caminho das Fadas!
— A Jisoo saberia o que eu estou falando, ela viu comigo e com Heechul.
Um gosto amargo impregnou no céu da minha boca, e não era o sushi que comi antes de deitar, era decepção. Três meses se passaram comigo na frente da janela do dormitório, como a Bella em Lua Nova quando Edward a deixou. Momo tinha razão, eu tive tempo de sobra para pensar em tudo que aconteceu.
— Eu acho que sou a pior protagonista da história das protagonistas e vou acabar sem a minha mocinha, além do mais, eu consegui o que sempre quis, não é? Toda essa história se resumia a juntar Jennie e Lisa, elas estão juntas agora.
— E você na rua da amargura.
— Obrigada pela parte que me toca, Momo.
— E o que você tá esperando?
— Esperando o quê? Eu não tô esperando nada!
— Roseanne! Você não vai conseguir um arco de redenção dividindo a cama comigo ou se lamentando aí pelos cantos, você precisa colocar essa bunda bonita pra trabalhar!
— Você... — Encarei os olhos brilhantes de Momo no escuro, como uma filha que vai para cama da mãe depois de um pesadelo. — Você acha mesmo que eu vou conseguir?
Momo sorriu.
— Tentar não te custa nada, certo? E se não der pelo jeito fácil, podemos colocar o nome da Jisoo na boca do sapo.
Olhei para os lados, levemente com medo.
— ... Deixa pra próxima.
Eu iria atrás do perdão de Jisoo, não amanhã, não depois que o sol nascer, eu precisava começar agora, antes de perder o resto de coragem que aquela conversa me deu.
(...)
A faculdade era amedrontadora no escuro da madrugada. O céu era de um azul nem tão escuro, logo logo amanheceria, os passarinhos começavam a cantar e o calor não deu nenhuma trégua nesse meio tempo, o suor se acumulava na minha nuca.
Cruzei o pátio vazio e subi as escadas até o segundo andar dos alojamentos femininos.
O quarto de Jennie e Lisa era o ultimo do corredor, mas depois que elas começaram a namorar se tornou o terror do campus. Ninguém queria ser vizinho de duas loucas apaixonadas que transavam com bastante frequência, jogando na cara dos menos afortunados (eu) que estavam bem de vida. Encarei minhas pantufas sujas, o rosa desbotado já cinza e a barra do moletom suja.
Respirei fundo e dei três batidas na porta do quarto. O som foi cortado por passos pesados, um gritinho e, logo depois, uma fresta da porta foi aberta. Metade da cara de Lisa apareceu, suada, franja loira colada na testa e lábios melados.
Ela me olhou de cima a baixo, como um senhorzinho rico pensando se dá ou não esmola para um mendigo.
— Você não deveria estar dormindo, Rosé?
— Você também deveria estar.
— Shhhiuu! — ela cochichou, indignada, e amarrou o roupão em volta do corpo. — Pelo menos eu não estou importunando a foda de ninguém!
— Não tem foda minha pra importunar nem você quisesse e... ah, meu Deus, sua cara tá cheirando... deixa pra lá.
Lisa limpou a boca na barra do roupão.
— Achei que já tivesse superado esse lance com a Jisoo, Sana me disse que você e Momo...
— Não sei do que você está falando! — Pisquei algumas vezes, mecanicamente. — Vai me deixar entrar ou não?
— Quem é? — Jennie perguntou, ao fundo.
— Quem mais seria? — Lisa olhou para Jennie e depois se voltou a mim. — Rosé quer montar outro plano para ferrar com a nova colega de quarto da Jisoo...
— Eu desisti desse plano há dois meses atrás! Chega de planos. Não estou na vibe de planos. — O roupão de Lisa estava frouxo demais e agora, com a porta completamente aberta, a imagem de Jennie nua em cima da cama passou a ser algo que eu respeitosamente queria ignorar. Elas perderam total vergonha na cara nesse meio tempo. — Quer dizer... é um plano bobo, mas é por uma boa caus...
Lisa bateu a porta na minha cara.
— Eu juro que não é furada! — Esmurrei a porta com os punhos, alguém do quarto ao lado ameaçou chamar a polícia. — Eu quero reconquistar a Jisoo e eu preciso de ajuda!
Dei alguns passos vacilantes para trás quando Lisa abriu a porta do quarto novamente, desconfiada. Percebi o cheiro de sexo que não pude notar antes (estava perdendo o olfato gradativamente graças ao misto de maconha e gelo seco que emanava do meu quarto) e tentei sorrir para as duas. Lisa e um roupão mais frouxo que antes e Jennie despretensiosamente meio coberta por um lençol florido.
— Se eu voltar para casa sem Jisoo, nunca mais vou conseguir reconquistá-la, eu só preciso de uma última chance — disse, com a melhor cara confiante que pude fazer.
— Novo plano na área? — Jennie perguntou, animada.
— Nada de planos! — Lisa e eu gritamos em uníssono.
A leva de estudantes no começo daquela manhã parecia um teste para dublê do The Walking Dead. Todos clamavam pelas férias de maneira tão intensa que nem se davam ao trabalho de esconder esse fato. Meninas iam para a aula de pijamas, e-girls com mechas platinadas sem retoque e Jisoo, minha Jisoo, sem o gesso.
Ok, ela tirou o gesso há dois meses atrás, mas aquele pedaço branco esteve colado com ela por 90% do nosso relacionamento, era difícil me lembrar de Jisoo sem ele.
Nós fazíamos uma aula juntas, uma única aula, e eu só tinha esses noventa minutos para observar Jisoo, Jisoo e a forma delicada que pegava a caneta, a mania de deixar a tampa na boca enquanto estava concentrada escrevendo. Os moletons duplamente grandes que a faziam parecer menor ainda, o maldito óculos que ela voltou a usar e precisava ajustá-lo com o mindinho. Quando eu deixei de reparar no quão gracioso era Kim Jisoo controlando o óculos com o dedinho? E havia os cabelos também, ela estava com uma franjinha rala, os lábios em formato de coração ficavam entreabertos sempre que o professor falava algo que ela não entendia... Suspirei, não sei como passei três meses longe dela. Quer dizer, ela me apagou de todas as redes sociais, fingiu que não me via pelos corredores e mandou a nova colega de quarto mentir sobre seu paradeiro todas as setenta e duas vezes que bati lá. A maldita Jihyo que namorava aquele sertanejo famoso (aquele mesmo, o Daniel) e tinha um fetiche em bater a porta na minha cara todas as vezes. Então sim, eu fui obrigada a passar três meses longe de Jisoo.
A sala estava vazia, o sol infernal entrava pela única janela ali e o horário de aula começaria em breve. Minhas mãos trêmulas digitavam loucamente no notebook, meu trabalho estava pronto, até eu resolver mudá-lo na última hora. Um suor que não me abandonou durante dias marcava presença, formando uma pizza debaixo do meu braço e marcando o vestido, e meus cabelos pareciam um ninho de passarinhos que deu errado. Levantei o rosto, limpando a umidade com a palma da mão e me deparei com Lisa e Jennie, entrando na sala.
Lisa colocou um copo de café em cima da minha mesa enquanto, com a mão livre, acendia um cigarro de palha.
— Tudo pronto aí? — ela perguntou.
— Acho que sim — respondi.
— Rosé, como vamos nos misturar com um monte de estudante de psicologia good vibes? — Jennie olhou para os lados, apreensiva.
— Impossível você se misturar, Jennie, você fede a direito — disse, ainda concentrada no notebook. Lisa segurou um riso.
— Ei! Era pra você me defender!
Barulho de tapa.
— Mas ela tá certa, amor!
Sons de beijo.
Rolei os olhos instintivamente.
— Vão logo pros fundos da sala, Jisoo não pode ver vocês duas aqui! Impeçam ela de sair antes de eu terminar de falar, combinado? — Olhei brevemente para as duas antes de voltar a escrever. — E sem as muletas ela corre muito rápido, experiência própria.
— Ela vai saber que estamos aqui, é a Jisoo. Ela é esperta. — Lisa soprou a fumaça do cigarro acima da cabeça de Jennie, em direção a única janela da sala.
— Então a Rosé trouxe a gente pra cá, para nada? — Jennie tomou o cigarro da mão de Lisa e jogou pela janela.
— Pelo menos vamos ver a reconciliação delas ao vivo. — Lisa abriu a pochete e pegou outro cigarro.
— Mas precisava nos interromper as quatro da manhã...? — Jennie tomou o outro cigarro de Lisa.
— Vocês estão me fazendo perder o foco!
— Não é tão difícil te fazer perder o foco, Rosé — Lisa respondeu.
— Haha, engraçadinha. — Maldita hora que fui inventar de juntar as duas. — Vão logo! — gritei.
Lisa levantou as mãos, como um refém preguiçoso, e Jennie saiu batendo as sapatilhas brilhantes para o fundo da sala. Elas formavam um casal engraçado, para não dizer fofo. Jennie e sua camisa de botões sem manchas e bem passada, calça de alfaiataria e sapatilhas que sempre combinavam com a presilha que usava no cabelo, e Lisa 80% brechó e 20% chinelo havaiana da correia azul.
Voltando ao meu tormento pessoal, minhas qualidades e defeitos estavam visíveis para mim agora. Eu era um pouco egoísta (mas essa história continua sendo minha no fim das contas) e com uma memória de longo prazo um tanto defasada, tentei resolver todos os problemas do mundo enquanto andava na corda bamba entre minha amizade com Jennie e Lisa e o namoro com Jisoo e acabei deixando um desses para trás. Agora, passados três meses com minha colega de quarto feérica, filmes da Xuxa, orgias não planejadas, Jenlisa e nenhum incidente causado por um plano mal executado meu, eu me achava capaz o suficiente para pedir desculpas a Jisoo, assumir meus erros e acertos e tentar ser uma boa namorada, boa amiga e boa colega de quarto.
Inspirei e respirei, diferente do meu constante "tudo vai dar certo" preferi pensar que agora as coisas poderiam dar certo, não dependia só de mim.
A sala se encheu depois do sinal e Lisa estava errada, Jisoo não perceberia as duas lá atrás, havia mais de sessenta pessoas naquele forno com um ventilador "Furacão" ligado no máximo, espalhando mormaço pela sala. Jisoo se sentou na segunda fileira, nem tão nerd, nem tão disposta a conversar a aula inteira. Ela vestia um blusão que usava para dormir e shorts, que eu não conseguia ver já que a blusa batia na metade das coxas, e pela cara de sono e bocejos ocasionais, tinha acordado atrasada. Ela se jogou na carteira, repousando a cabeça na mesa até o professor chegar e todos os ocupantes da sala se ajeitarem.
Hoje seria dia de apresentação final e como fui uma das últimas, ninguém estava interessado no que eu iria dizer (férias, lembra?) nem mesmo Jisoo levantou a cabeça quando rumei para a frente da sala, pluguei meu notebook ao datashow e joguei o peso do corpo de um lado para o outro, nervosa como não me lembrava de estar em nenhuma outra apresentação.
Pigarreei.
— Bom dia, sou a Rosé e hoje eu vou falar sobre... hm... — Um fio de suor escorreu da minha testa, ok, meu tema parecia ser bem idiota agora. — Vou falar sobre o amor.
Lisa me lançou um joinha por cima das cabeças sonolentas e Jennie deu um tapa na mão dela. Jisoo levantou a cabeça e piscou algumas vezes, senti meu estomago embrulhar.
— Esse não era meu tema a princípio — continuei. — Na verdade, eu não queria algo tão óbvio. O amor parecia ser óbvio pra mim, aquele tipo de sentimento que a gente não precisa falar muito sobre, sentimos ele em intensidades diferentes e categorias diferentes a todo momento, mas não paramos para descrevê-lo... era dessa forma que o amor se apresentava para mim, óbvio demais. Mas nesse semestre eu descobri que de óbvio o amor não tem nada, ele é muito mais complicado do que pensei e se mascara de muitas maneiras: atrás de puxões de cabelo, discussões acaloradas, palavras não ditas e de ódio, o amor também pode ser ódio...
Olhei para Jennie e Lisa, sentindo meus olhos lacrimejarem.
— Mas o amor também não é complicado o tempo todo, em outras ocasiões ele é fácil, rápido, ele entra sem pedir licença, você o encontra em um balcão de bar, entre uma garrafinha de corote de pêssego e uma briga. — Ouvi alguns risos aqui e ali, e pude sentir o momento exato que Jisoo engoliu o seco. Ela me olhava sem nem mesmo piscar e eu não conseguia olhar para mais ninguém a não ser ela.
— Mas não é porque ele aparece fácil que devemos achar que sua execução também tem que ser fácil, depois de pensar que sabia tudo sobre esse sentimento e perder tudo por achar saber demais, percebi que qualquer definição sobre o amor não vai ser suficiente. Nós nunca vamos conseguir descrevê-lo, tem coisas que não foram feitas para serem descritas. — A sala toda parecia quieta demais, quase como se apenas eu e Jisoo estivéssemos lá. Jisoo não se moveu em nenhum momento, lágrimas se acumulavam no canto dos seus olhos e dos meus também. — Mas tem coisas que podemos fazer para não perdê-lo. Desculpas sinceras é uma delas, desculpas que te fazem rever atitudes e fazer o possível para não repeti-las, não aquelas desculpas esfarrapadas que falamos da boca pra fora em um dia desastroso no meio da chuva, porque não queremos perder alguém. Amor é isso também, é perder, ganhar, completar, é não saber como viver sem a pessoa amada e mesmo assim viver, porque sabe que talvez ela esteja melhor sem você.
Chegou um momento em que eu não consegui dizer mais nada, apesar de querer muito continuar a falar. Eu queria dizer que tudo bem se nada der certo, tudo bem estarmos nadando em planos que deram errado, eu queria dizer que essa história começou unicamente para que eu pudesse juntar minhas duas melhores amigas cabeças duras e salvar minha amizade e acabou muito maior que isso, mas acho que Jisoo entendeu de algum modo, acho que ela sempre soube que esse dia ia chegar. Ela se levantou da carteira e foi em minha direção e... me abraçou.
Nada de beijos calorosos a princípio, só de estar dentro daqueles braços finos me fez chorar ainda mais. Ouvi aplausos ao fundo e senti vergonha também, eu estava chorando em uma sala de aula cheia de gente, mas essa história não poderia terminar sem eu pagar algum mico e causar vergonha alheia.
Dessa vez eu não liguei, porque Jisoo me abraçou forte, me beijou, e me deixou sujar seu blusão com lágrimas.
— Ah, Rosé... me desculpe, eu estou tão orgulhosa de você, eu te amo, sabia? Eu te amo muito... — ela disse, no meu ouvido.
— E não está cansada de mim? — funguei, entre lágrimas.
— Não, nem um pouco.
Ela me deu um selinho casto, daqueles saudosos, que me fez pensar nunca ter perdido ela antes. Jennie e Lisa se aproximaram, eu estava sendo abraçada pelas três. Jisoo, Jennie e Lisa. Éramos partes que se complementavam.
Eu estava rodeada do amor delas e não queria sair dali nunca mais.
(...)
Tivemos que acrescentar algumas cadeiras extras na mesa de madeira da lanchonete. Jennie e Lisa trocavam selinhos enquanto Lisa dava biscoitos na boca de Jennie, que tinha acabado de fazer as unhas e não queria amassá-las. Eu e Jisoo estávamos sentadas do outro lado da mesa, as coxas de Jisoo estavam em cima das minhas. Ela cutucava o milkshake com o canudinho, tentando capturar um pedaço de chocolate que restou. Já Momo usava a mesa para bolar um cigarro de maconha, agora ela lambuzava a seda de saliva.
Sehun se sentou ao meu lado, com uma bandeja de biscoitinhos quebra-quebra.
— Eu não vou voltar, já disse!
— Mas vai ser tão legal, Sehun! — lamuriei, balançando os ombros dele. — Vai ser as férias das nossas vidas!
— Minhas mães disseram que ainda tem Amarulas lá — Jennie disse.
— Não podemos acabar o ano sem participar da época da amarula! — Lisa decretou, mas com a boca no pescoço de Jennie. Ela riu baixinho e deu um tapa na tailandesa.
— Pra mim tanto faz, eu não tenho nada melhor pra fazer nessas férias. — Momo roubou um dos biscoitinhos de Sehun.
— Ué, você não ia em um retiro espiritual no Chile? — Jisoo perguntou, com o canudinho no nariz.
— É, mas eu descobri que o Chile é outro país — Momo respondeu, triste. — Achei que fosse um estado do nordeste, sei lá...
Abri a boca, depois fechei, incrédula.
— Então... Sou a favor de viajarmos no jipe do Sehun, a lata velha de Lisa quebrou no meio do caminho na última vez — resolvi mudar de assunto.
— Ei! Não fala mal da Furiosa, falou? — Lisa jogou um biscoitinho em mim, devolvi na mesma moeda.
— E quem disse que eu vou? — Sehun respondeu.
Algumas respostas foram se misturando com outras, Momo acendeu seu baseado e Jisoo balançava as mãos loucamente para pedir outro milkshake, mas a nossa pequena confusão foi interrompida por um encontrão que levei nas costas. O impacto foi tão forte que eu quase bati a cabeça na mesa e meus cabelos voaram na minha cara, o que me impediu de ver o que tinha acontecido, em um primeiro momento.
O garoto loiro que acertou as minhas costas nem sequer pediu desculpas, ele estava tão concentrado no garoto moreno, que o havia empurrado, que só saiu de cima de mim para dar um soco nele. Tirei os cabelos da cara, observando boquiaberta os dois se socando e rolando no chão da lanchonete, até os garçons tinham parado para ver.
Rompendo pela porta, um garoto de cabelo vermelho saiu empurrando todo mundo que fazia uma rodinha para ver a briga, e entrou no meio dos dois para separá-los.
— Meu Deus, que baixaria... — Jennie sussurrou e depois se virou para Lisa.— Tá filmando, amor?
Senti uma estranha empatia pelo menino de cabelo vermelho, vendo-o tentar separar os amigos enquanto todo mundo estava mais preocupado em tirar foto ou chamar a polícia. Pela primeira vez, estava vendo como as pessoas me viam de fora, tentando separar Lisa e Jennie.
Sehun e mais um garçom aleatório se dispuseram a ajudar o garoto vermelho e eles enfim, conseguiram separá-los. O menino moreno cuspiu no chão e enfiou o dedo indicador na cara do loiro: "Eu vou acabar com você, Park Jimin!" e o tal de Jimin respondeu: "Ah, mama a minha rola, Jungkook!" e uma dezena de palavrões em seguida.
Minha mente deu um clique, se estivéssemos em um desenho animado, uma lâmpada imaginária acenderia em cima da minha cabeça.
Eu conhecia muito bem aquele tipo de ódio.
O menino vermelho veio até mim, enquanto os amigos contidos ainda urrava injúrias um para o outro.
— Me desculpe, moça! Mil perdões! Eles te machucaram? Eu...
— Ei, ei, não precisa! — Agarrei a barra da blusa dele, o impedindo de catar o resto dos biscoitos que foram parar no chão. — Qual o seu nome?
Senti Jisoo ficar atenta ao meu lado, até mesmo Lisa parou de filmar para me encarar, alarmada. Acho que todos perceberam meu interesse de imediato.
— Não, Rosé! — Jennie colocou a mão na boca, arfante.
— Vem aí... — Momo tossiu em meio a fumaça do cigarro.
O menino olhou para todos nós, acanhado.
— Meu nome é Taehyung, prazer...?
— Taehyung... — repeti, ouvindo um misto de suspiros dos ocupantes da minha mesa. Era um sinal, certo? Se aqueles meninos se chamavam Jimin e Jungkook... seria perfeito! Sorri, deixando um espaço na mesa para o garoto vermelho se sentar. — Taehyung... você já ouviu falar sobre o Plano J?
Jisoo tombou a cabeça para o lado.
— E lá vamos nós, de novo...
Bom, quem sabe?
──────
Estou feliz em anunciar o fim da primeira temporada de Plano J! Obrigada por acompanhar Rosé e cia até aqui, todo o desenrolar das maluquices dela e os altos e baixos da trama. Nunca pensei que fosse chegar tão longe e que tantos leitores abraçariam essa história.
E é isso mesmo que vocês leram, primeira temporada, já que muitos me pediram o spin off de Jennie e Lisa, resolvi fazer a segunda temporada delas, já que Rosé estará muito ocupada, como vocês podem ver.
Quero começar a publicar em dezembro, já que em novembro tenho muitos projetos em andamento. Espero vocês!
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