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Onde está Park Rosé?

Dias atuais
— Lisa Manoban
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Antes do médico fechar a porta do quarto de hospital, Jisoo deu um tchauzinho para nós, mas eu ainda conseguia vê-la pelo vidro janelado da porta. Não sei se foi impressão minha, mas pra alguém que acabou de cair do segundo andar de um prédio e fraturou uma costela, Jisoo parecia tranquila.

— E ela vai ficar bem, doutor? — Ao meu lado, Jennie perguntou.

Era a primeira vez que eu ouvia a voz dela depois da nossa briga. Agora, com apenas nós duas e o médico no corredor asséptico, era difícil não perceber o clima estranho.

— Ela fraturou uma costela, então é importante que mantenha o repouso durante o período de recuperação e execute apenas atividades leves — respondeu o médico, um velhinho com uma vibe "gente boa", parecido ao Dr. Drauzio Varella. —  Tencionar os músculos do abdômen pode fazer com que o osso saia do lugar novamente, não queremos isso, certo? — Ele nos esperou acenar negativamente com a cabeça. — É preciso que ela fique no hospital até amanhã, para observação.

— Mas ela vai ficar bem? Quer dizer, sem traumas? — perguntei de novo, para ter certeza.

No mesmo instante, olhamos para a divisão de vidro. Jisoo conversava com Seulgi enquanto bebia um suco de caixinha.

— Ela é frequentadora do hospital, vai ficar bem. É até surpreendente que não tenha fraturado mais nada... — O médico deu um tchauzinho para Jisoo, através do vidro. —  Estávamos com saudades dela.

Jennie e eu nos entreolhamos. Jisoo era mesmo uma hóspede no hospital universitário.

— Aliás, como anda a namorada dela? — perguntou o doutor. Até ele percebeu a ausência de Rosé, o que me lembrou do que fazíamos no alojamento masculino: procurar a nossa melhor amiga perdida.

Jennie suspirou, respondendo em um fiapo.

— Espero que bem, doutor.

— Ótimo! Se tiverem mais alguma dúvida, é só perguntar lá na recepção.

Maneamos a cabeça em afirmação, observando-o se distanciar pelo corredor ensolarado até sumir. O clima que antes era estranho se tornou insuportável agora, e eu estava sem saber o que fazer. Eu deveria conversar com Jennie sobre a briga ou focar em procurar a Rosé? Rosé estava mesmo em apuros ou só dormindo na praça depois de comer coxinhas?

Jennie continuava do meu lado, em silêncio, esperando que eu dissesse alguma coisa, mas nunca tive a sensibilidade necessária para agir em momentos de crise. Eu estava tão ou mais perdida que ela e pronta para dizer isso em voz alta, mas uma presença familiar cruzou o corredor do hospital. Passou tão rápido que pensei ter sido um vulto.

— Acho que vou buscar comida. Quer um sanduíche natural? — Não esperei uma resposta de Jennie. — Um sanduíche natural parece ser bom pra mim. Já volto!

Lancei-lhe um sorriso sem graça enquanto corria atrás do garoto, que já tinha sumido pelo corredor. Eu teria que conversar com Jennie, só não precisava ser agora. Mais tarde, Lisa, prometi a mim mesma. Decidi de última hora encontrar Rosé.

Jungkook estava de costas, andando despreocupadamente, até eu puxar a manga do seu moletom. Ele se virou confuso, até me reconhecer.

— Ah, oi Lisa. — E coçou os cabelos.

Me afastei um passo, tentando soar natural.

— Oi! Então... que loucura foi hoje, né? Foi tipo, que situação e...

Jungkook franziu o cenho.

— Tá tudo bem com você?

Olhei para trás, para ter certeza que Jennie não me seguia, e suspirei fundo. Meus ombros estavam rígidos e minha cabeça doía.

— Tá, tá tudo bem... na medida do possível.— Sentei em uma das cadeiras amarelas, que um dia foram brancas, e o observei sentar ao meu lado.

— Como está a Jisoo? — Jungkook perguntou.

— Já esteve melhor, mas vai ficar bem — respondi.

Ele esticou as pernas como eu.

— Seulgi me disse que vocês estão procurando Rosé e Taehyung. Eu e Jimin também estávamos procurando eles antes de acidentalmente jogarmos a sua amiga do prédio.

Soltei um riso frouxo, lembrando da briga que sucedeu a queda de Jisoo.

— Ah, eu vi como vocês estavam procurando.

— Mas nós estávamos! — ele protestou, a voz se afinando no fim da sentença. —  É que, agrh, aquele garoto me tira do sério!

— E você gosta dele — falei. Os olhos de Jungkook triplicaram de tamanho. Ele abriu a boca, depois a fechou, e então soltou uma série de grunhidos. Será que eu agia do mesmo modo em relação a Jennie? Se sim, devia ser muito divertido. — Acho que é por isso que Rosé e seu amigo estão desaparecidos.

Dessa vez, Jungkook conseguiu falar algo.

— Eles estão desaparecidos porque...

— Porque montaram um plano para juntar você e o cabeça de girassol, mas alguma coisa deve ter dado errado e eles sumiram.

Jungkook piscou rápido, processando a informação.

— Espera aí, repete o que você disse?

— Que alguma coisa deu...

— Não, não, a parte do apelido. Cabeça de girassol? — Ele soltou uma risada extasiada. — Por que eu não pensei nisso antes!

Rolei os olhos.

— É, é, eu sou boa com apelidos, dá pra focar no que eu disse antes disso?

O tom alegre de antes sumiu e ele voltou a enfiar as mãos no bolso do moletom. Parecia numa luta interna, mas finalmente molhou os lábios e disse:

— Ontem eu terminei com a minha namorada porque finalmente admiti pra mim que gosto do Jimin. Mesmo ele sendo loiro oxigenado, mesmo quando tentou me matar três vezes enquanto eu dormia, quando espalhou pela faculdade que eu votei no atual presidente e fez todo mundo me chamar de Renan Bolsonaro... — Jungkook passou as mãos pelo rosto, jogando os cabelos para trás. — Eu tô cansado de mentir, então você tem razão, eu gosto do Jimin. Mesmo não querendo gostar.

Wow, confissões de amor são sempre estranhas. Dei tapinhas nas costas dele.

— Mas você votou?

Ele me olhou confuso.

— Quê?

— Votou no Bolsonaro? — quis saber.

Jungkook ficou ofendido.

— Isso não interessa!

— Okay, se você diz... — murmurei, a fim de mudar de assunto. O que eu tinha para falar era importante, descobrir sobre suas preferências políticas seria deixado para depois. — Olha, eu sei o que você está passando, porque passei pelo mesmo. É visível pra todo mundo a nossa volta, menos pra gente. Podem rolar na porrada, jurar para Deus e o mundo que se odeiam, mas isso só deixa ainda mais na cara que são apaixonados. Se eu fosse você, fazia alguma coisa a respeito. Vocês já perderam tempo demais, então não espere criar uma guerra de legumes na praça de uma cidade do interior para finalmente admitir que o ama.

Jungkook não entendeu a última frase, mas assentiu com a cabeça. Coragem cintilava nas suas pupilas.

— Seria tão mais fácil se pudéssemos resolver isso no soco, sabe? Prefiro brigar com ele do que conversar.

Assenti com a cabeça, repetindo baixinho a última frase. Era mais fácil quando eu e Jennie brigávamos aos tapas. Doentio? Talvez, mas com certeza mais simples. Era por isso que eu fugia de conversas desde que começamos a namorar.

— Eu te entendo — disse. — Só que uma hora, precisamos deixar a nossa parte destrutiva de lado.

Ele me olhou com um sorriso cúmplice. Acho que nós dois aprendemos uma lição naquele momento, mas, na aparente calma do hospital, um grito cortante irrompeu:

— Jisoo!

No fim do corredor, uma Momo transtornada atravessava as portas duplas, carregando uma bola de cristal e um incensário soltando fumaça com cheiro de citronela. Duas enfermeiras vieram atrás, pedindo que apagasse o incenso, mas Momo as chamou de homofóbicas.

Jungkook me deu um cutucão.

— Você conhece ela?

— Infelizmente sim — sussurrei, levantando-me para ir até Momo com Jungkook ao meu encalço.

Uma das enfermeiras a agarrava pelo braço enquanto Momo rodava com o incensário, espalhando fumaça pelo corredor.

— Jisooooô! — ela gritava.

— Ei, ei! Momo, sua maluca! O que tá acontecendo aqui? — perguntei num sussurro nervoso.

— Ah, Lalisa! — Num empurrão grosseiro, ela se desvencilhou da enfermeira. — Eu estava tentando explicar pra elas que a bola de cristal me mostrou tudo!

Abanei o ar, meus olhos lacrimejavam pelo cheiro de citronela misturado a maconha. As enfermeiras entenderam que Momo não causaria perigo iminente e me olharam em advertência, entregando a responsabilidade para mim, antes de se afastarem. Maneei a cabeça para as duas e voltei a atenção a Momo.

— A bola de cristal não estava estragada? — perguntei, apontando para o objeto translúcido na mão dela.

— Ainda está, mas... — Ela se interrompeu, acenando efusivamente para Jungkook. — Oi!

— Oi? — ele respondeu, confuso.

Momo apertou as bochechas dele.

— Gostei da sua aura! É vermelha, laranja, amarela, verde e...

Jungkook olhou para os lados antes de responder.

— Essas não são as cores da bandeira LGBT?

Momo o encarou com uma expressão maliciosa, mas no segundo seguinte já mudou de assunto.

— Eu acordei com um cheiro horrível de suor e miojo de galinha vindo da bola de Cristal. É pouco conhecido pelas pessoas, mas elas também emitem cheiros. — Momo me olhou séria, então percebi que não deveria ter rido. —  É verdade, Lalisa! As visões estão distorcidas, mas eu vi um penhasco. Jisoo estava na beira desse penhasco lutando pela vida, até que um elfo loiro a empurrou para o abismo sem fim e...

— Ela caiu do prédio — cortei o monólogo mágico.

O queixo de Momo se desprendeu do maxilar.

— Ãhn?

—  Jisoo caiu do prédio do alojamento masculino. Quebrou a costela. Tá no quarto 410 — continuei.

Momo tapou a boca com as mãos enquanto lágrimas salpicaram seus olhos e, sem se despedir, saiu correndo. O vestido de estampa indiana esvoaçava junto ao rastro de fumaça com cheiros de ervas.

Jungkook e eu a observamos sumir pelo corredor.

— Ela é sempre assim? — sussurrou ele.

— É, ela é. — Soltei em um suspiro. — Até disse que a Rosé estava presa no mundo dos anjos. 

Jungkook soltou uma risada.

— A delegacia?

Fitei-o com o cenho franzido.

— O quê?

— É, a delegacia. — Ele repetiu. — Meu pai é policial. O distintivo dos policiais daqui tem o formato de asas de um anjo.

Então era isso o tempo todo?

Fazia mais sentido do que eu gostaria de admitir.

✐ ✎ ✐. . .

Como Rosé estava aprontando nas redondezas, procuramos a delegacia mais próxima da faculdade. Jungkook resolveu me levar, junto a Jennie e Jimin. Não queríamos alarmar Jisoo, então omitimos onde estávamos indo. Ela precisava de repouso absoluto e, se soubesse que Rosé estava presa, iria conosco nem que fosse deitada na maca do hospital.

Graças ao fim de semana, o lugar estava cheio de gente de ressaca, vizinhos discutindo e policiais tomando café. O som do burburinho preenchia as paredes desgastadas e as cadeiras vazando espumas.

Assim que entramos, tentei pegar na mão de Jennie, mas ela desvencilhou sem olhar para a minha cara. Idiota, o que eu esperava, afinal?

— Taehyung não deve estar preso. Ele é o cara mais certinho que já conheci. — Jimin retrucou, ajeitando o óculos escuro para esconder a vermelhidão no olho esquerdo, provavelmente da briga de mais cedo.

— Acho que você ainda não entendeu o que Rosé é capaz — respondeu Jennie, analisando a recepção do local, se é que poderia chamar de recepção. A única recepcionista estava batendo papo no celular, atrás da divisória de plástico quebrada.

Jungkook olhou para o mesmo lugar que eu.

— Okay, quem vai lá perguntar?

Lentamente, nós três olhamos para Jennie.

Ela revirou os olhos, ajeitando a camisa de botões e, como alunos da pré-escola acompanhando a professora na excursão, fomos atrás dela. Jennie chegou batendo na mesa da recepcionista e qualquer mínima recusa em nos atender foi interrompida quando ela já emendou:

— Estou procurando uma garota.

— E um garoto — Jimin acrescentou.

Jennie o fitou de cima a baixo, antes de voltar a atenção à recepcionista.

— Tô procurando uma garota... e um garoto. Achamos que eles podem estar aqui.

A recepcionista colocou o celular de lado e trouxe o teclado do computador para perto.

— Okay, onde eles estavam quando foram presos?

— Onde estavam? — me ouvi perguntar, tensa.

— Em algum lugar...  — Jungkook respondeu em seguida. — Eles com certeza estavam em algum lugar.

Jennie até tentou segurar o rolar de olhos, mas desistiu na metade.

— Ela é loira e talvez tenha feito um chilique que os fizeram pensar em mandá-la pro hospital psiquiátrico mais próximo.

A recepcionista parou de teclar, nos fitando.

— E o garoto tem cabelo vermelho?

— Sim! Taehyung! — respondeu Jimin, em expectativa.

A recepcionista soltou um risinho divertido.

— Ah, estão aqui sim, mas não foram presos ainda. Foram pegos tentando invadir uma pista de boliche.

A voz de Sana tomou conta da minha cabeça. Era por isso que, quando cheguei mais cedo na pista de boliche, havia viaturas lá. Eu passei por elas sem nem mesmo notar que Rosé provavelmente estava presa em uma.

— Agora tudo faz sentido — sussurrei inaudível.

— Eles estão ali, ó. — A moça apontou para um corredor. — É só seguirem até o fim e vão encontrá-los algemados em alguma cadeira.

Antes de dar qualquer passo em direção ao lugar indicado pela recepcionista, meu olhar cruzou com o de Jennie e pude ver o alívio que eu sentia cintilando em seus olhos. Ela me deu um sorriso e, dessa vez, aceitou o aperto da minha mão.

✐ ✎ ✐. . .

Rosé estava algemada aos pés de uma cadeira, vestida de preto. Para completar o look, usava uma máscara com dois buracos para os olhos. Taehyung não estava diferente, mas usava uma balaclava.

Acho que de todas as loucuras de Rosé, invadir uma pista de boliche foi o auge. Pela primeira vez, pensei em fazer uma intervenção séria, interná-la em uma clínica de reabilitação. Tem gente viciada em tudo, ela com certeza era viciada em fazer merda. Assim que nos viu cruzar o corredor, se levantou — com o tilintar das algemas no pulso — e perguntou:

— Cadê a Jisoo?

— O carro não coube todo mundo. Agora dá pra explicar o que... — Jennie parecia pensar em um palavrão muito ruim. — Bulhufas aconteceu aqui?

— Foi tudo ideia da Rosé! — Taehyung soltou, apontando para a Park.

— Foi uma ideia em conjunto! — ela rebateu, injustiçada.

— Você jurou que eles estavam ficando escondido! — Ele apontou para Jimin e Jungkook. —  E subornou aquela menina para pegar as filmagens da pista de boliche!

— Eu não poderia imaginar que Sana fosse burra o bastante para me dar as filmagens do dia errado! — Rosé abaixou o tom de voz para completar. — Quando voltamos pra pegar, ela queria mais coxinhas, mas eu não ia dar mais coxinhas pra ela! As coisas estão caras hoje em dia.

— Então você pensou em invadir?— completou Jennie, incrédula.

— Nos filmes parece fácil. A gente só queria as filmagens — ela declarou em seguida.

— Não pensou que seria melhor ter perguntado pra gente... — Jimin apontou para o próprio peito e para Jungkook. —  Se realmente fomos no boliche?

— Inimigos jurados não vão no boliche! — Taehyung exclamou.
Foi uma fala tão parecida com o que Rosé diria, que eu ouvia a voz dela reverberar na minha mente.
O que ela fez a esse pobre garoto?

Jungkook olhou para todos, para as paredes descascando e os estofados velhos, até para o teto, antes de ter coragem para interromper a discussão:

— Eu tive a ideia de levar Jimin no boliche porque queria confessar meus sentimentos. Só que eu quando chegamos eu perdi a coragem e...

— Confessar o quê? — Jimin perguntou, incrédulo.

A expectativa cresceu, como se o ar estivesse carregado de energia. Era difícil respirar e acho que ninguém ousava tentar. Ele realmente iria dizer. Não consigo me lembrar do que se passou na minha cabeça quando eu me declarei para Jennie, mas me lembro de estar cansada e, quando as palavras saíram da minha boca, tudo ficou mais leve.

— Que eu sou apaixonado por você e... — Jungkook deu uma pausa, respirou fundo e continuou: —  E eu sei que você também gosta de mim. Ignoramos esse sentimento há muito tempo, mas agora eu estou cansado de esconder. Eu te amo.

Jimin piscou algumas vezes, mas era difícil dizer o que o seu rosto expressava, porque ficou mais branco que um fantasma.

— Jungkook, que...— Pareceu ter durado uma década até ele completar. —  Que viagem é essa?Eu realmente te odeio, que dizer, você votou no Bolsonaro.

Jungkook caiu em choro e Taehyung foi consolar o amigo.

Enquanto isso, Rosé, Jennie e eu nos entreolhamos, sem saber o que fazer. Nunca estive em um momento tão constrangedor na minha vida. Eu não ouvia nada, nem o burburinho das pessoas na recepção ou o som dos galões de água. Era a vergonha alheia no seu estado mais puro, até a risada de Rosé tomar conta.

— Ah, para, né? Eu sei o que você vai dizer agora, Jimin, admite logo que ama o cara de uma vez e...

— Eu nunca gostei do Jungkook! — insistiu Jimin. — Na verdade, eu sou apaixonado pelo Taehyung.

Puta que pariu.

Okay, agora sim a coisa ficou feia.


✐ ✎ ✐. . .

Limpei a palma suada no shorts de pijamas e me coloquei na frente das três. Jennie estava sentada no colchão, com o mesmo pijama dos Smiliguido de quando tínhamos oito anos, e Jisoo trançava o seu cabelo. Jisoo usava uma faixa ao redor do tórax e não podia fazer movimentos bruscos, mas na segunda semana de tratamento não sentia mais a dor da costela quebrada. Rosé era a única que continuava preocupada com isso, fez questão de trazer o próprio colchão ortopédico para o meu quarto, para ter certeza que Jisoo dormiria em um lugar confortável. Agora prestava atenção em Jennie e Jisoo enquanto colocava metade do pote de ketchup na porção de batatas fritas, no centro do colchão.

— Eu fiz essa festa do pijama porque precisamos colocar os pingos nos "i's".  — disse, capturando atenção das três. Rosé me olhou com as sobrancelhas unidas, enquanto Jennie e Jisoo já sabiam do que se tratava. —  Regras: Não pode bater, não pode interromper a fala da coleguinha e não pode sair daqui com mágoas. Quem quer começar?

Jennie me deu uma joinha de incentivo. Eu estava nervosa em prosseguir com aquilo, mas desde a confusão da delegacia, eu me esforçava para ser o mais clara possível com as minhas amigas. Rosé teve sorte em não ser fichada pela polícia, seu relacionamento com Jisoo parecia ter voltado aos trilhos, como o meu e o de Jennie, mas vi com os meus próprios olhos a relação de Jimin, Jungkook e Taehyung ruir. Aparentemente, nenhum dos três conversavam, tudo por conta de um plano desengonçado e palavras não ditas. Poderia ter acontecido o mesmo entre mim e as garotas, e só de pensar nisso um arrepio cruzava a minha espinha.

— Okay, eu começo. — Jisoo se prontificou, largando as madeixas de Jennie. Ela olhou para Rosé, tensa. — Admito que fiquei balançada quando reencontrei Seulgi. É essa a verdade. Você estava de novo nesse lance de Plano J e não tinha tempo para mim. Ela tinha, e ouvia como foi o meu dia, cozinhava, era gente boa... eu percebi que sentia falta de alguém assim. Só que, quando ela veio dividir o quarto comigo, percebi como era chato não ter uma namorada que ameaça a minha integridade física a todo momento. — Jennie e eu seguramos o riso, mas Jisoo não percebeu e prosseguiu: — Por que no fim é isso, eu gosto das suas maluquices, da falta de bom senso, dos esquecimentos, dos planos malucos, mas eu juro, se você não começar a tratar esse TDAH, o nosso relacionamento não vai dar certo, Rosé.

Rosé abraçou Jisoo de lado e depositou um beijo na sua testa. Os cabelos loiros estavam em duas marias-chiquinhas, o que fazia as bochechas parecerem maiores.

Jennie olhou a cena com o cenho franzido.

— Desde quando você tem TDAH, Rosé?

A loira deu de ombros, afastando-se de Jisoo para dizer:

— Eu descobri essas férias, só que estava meio em negação. — Depois, voltou-se a namorada. — E desculpa, Jisoo, prometi que teria tempo pro nosso relacionamento e só me envolvi em mais situações malucas, mas depois de ser presa, de ferrar com o relacionamento de três pessoas, fazer Sana perder o emprego, perder provas na faculdade e quase perder você, eu aprendi. Vou lidar com o meu TDAH.

Jennie e eu trocamos olhares, ainda não tão confiantes sobre Rosé ter aprendido com o seu erro. Também achamos que ela havia aprendido com o erro passado, e estávamos enganadas. Ainda tenho para mim que, se ela ver duas pessoas brigando na sua frente, a ideia do Plano J se acenderá em sua mente como uma lâmpada em desenho animado.

— Bom, Jennie e eu devemos pedir desculpas a Rosé... — disse baixinho, tomando coragem para continuar. A conversa que tive com Jungkook, há um tempo, logo depois da situação com o cogumelo alucinógeno, tomou conta da minha cabeça. —  Desculpa por te deixar de lado. Jennie e eu estávamos tão entretidas no relacionamento e queríamos tanto saciar o tempo perdido que esquecemos de você.

Rosé fez uma careta para nós, cruzando os braços.

— É, eu percebi, e aceito suas desculpas. A partir de agora será nós quatro de novo, fazendo comprinhas, assistindo filmes horríveis, cantando, sei lá! Acho que poderíamos ser o novo Destiny 's Child, só que com quatro integrantes.

— Sempre me achei parecida com a Beyoncé... — murmurou Jisoo, com um sorriso sapeca no rosto.

Jennie jogou batatas nela enquanto Rosé se rompia em gargalhadas. Eu ri presenciando a cena, feliz por vê-las assim novamente. O meu olhar cruzou com o de Jennie e ela deixou a zoação entre Rosé e Jisoo para continuar a conversa.

— Acho que é a minha vez... — disse com um sorriso amarelo no rosto. — Desculpe por ter surtado quando você disse que largou a faculdade, Lalisa.

Rosé parou de repente, prestando atenção na nossa conversa.

— Você largou a faculdade?

O maxilar de Jisoo se desprendeu do rosto. Aparentemente, esqueci de contar para todo mundo sobre isso.

— É, no começo do semestre — confessei. — Acho que filosofia não é pra mim. — Me sentei no meio das três, com as pernas cruzadas. —  E você não tem que pedir desculpa Jennie, eu deveria ter contato, desde o começo.

Jennie se jogou nos meus braços, me abraçando de uma maneira desengonçada, já que nós duas estávamos de pernas cruzadas e tinha uma porção de batatas fritas no meio.

— Eu sabia que você estava mentindo para mim sobre alguma coisa, achei que tivesse me traído, que eu não fosse suficiente... — Senti uma lufada de ar atingir o meu ouvido e rodei meus braços em volta da sua cintura, apertando-a mais forte. — Eu deixei as paranoias tomarem conta, mas eu juro que vou melhorar. Não vou deixar essas inseguranças acabarem com a gente.

— Owwnn... — Ouvi Rosé dizer, com aquela vozinha que usava para conversar com cachorros. — Podíamos fazer isso mais vezes! No tempo que eu fiquei na delegacia, só conseguia pensar nas coisas que queria dizer a vocês. É bom colocar os pingos nos "i's", e ver que nem tudo é um conto de fadas depois dos "felizes para sempre."

Concordei com um menear, recebendo o abraço de Jisoo e Rosé, em cima do meu e de Jennie. Em algum momento, nos desequilibramos e caímos no colchão, interrompendo em gargalhadas. E nada pareceu tão certo como naquele momento, e nada pareceu tão bom quanto. Seria nós quatro, como deveria acontecer sempre.

Sem planos mirabolantes dessa vez.

— Ei, falando em conto de fadas, alguém tem notícias da Momo?

Nos entreolhamos, sem saber o que dizer.

— Merda — murmurei.

Ela com certeza se perdeu no hospital.


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Oii! Como vocês estão?

Vim avisar que, por enquanto, esse é o "fim" de Plano J. Mas espero voltar com mais capítulos futuramente, porque amo esses personagens e sei que há diversas histórias sobre eles que preciso contar a vocês. Fiquem ligados que nas próximas semanas terá novidades, e é isso!

Beijinhos e espero que tenham gostado :)

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