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Histórias cruzadas




Dias atuais
— Lisa Manoban.

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— Era uma sexta-feira à tarde, mas não era uma sexta-feira à tarde comum. Era uma sexta-feira à tarde tediosa, daquelas que te fazem ver videos de procedência duvidosa no Youtube. Era uma sexta-feira à tarde abafada, calorenta, infernal. Rosé apareceu por volta das três horas, ela estava meio nervosa, não sei, parecia nervosa. Roía as unhas com aquelas bochechas de esquilo. Ela vestia um... okay, isso não é novidade, ela sempre usava vestidos, mas aquele vestido estava meio amassado, como se ela tivesse acordado na pressa. Enfim, quem sou eu para falar mal da roupa dos outros, não é? Quando Rosé apareceu aqui, eu não tinha feito horário de almoço ainda, mas vou ser sincera, dez minutos não deve ser considerado "horário de almoço", dez minutos é no máximo uma pausa para lanche e...

— Foco, Sana — pedi.

Ela rolou os olhos, jogando uma mecha de cabelos loiros para trás.

— ... Rosé apareceu aqui e perguntou se eu estava trabalhando. — Sana apontou para a pista de boliche, onde um senhorzinho conversava no celular. — O Seu Costela falou que sim, que eu estava trabalhando, mesmo que eu tenha deixado claro que se uma loira oxigenada de bochechas grandes e meio piradinha aparecesse perguntando sobre o meu paradeiro, era para ele mentir, mas..

— Sana, foco! — gritei.

— Argh, você pediu para contar desde o início! — Ela rebateu.

Troquei o peso de um pé para o outro, me debruçando no balcão colorido, com luzes LED ao redor. As mesmas luzes estavam no teto da pista de boliche, lançando uma luz roxa. Um globo de luz rodava acima das nossas cabeças.

— Mas nem tão do início assim, senão vamos ficar aqui o dia todo — expliquei pausadamente.

Sana se sustentava em cima de um par de patins brancos, enquanto segurava uma vasilha cheia de coxinhas. Ela comia todas as coxinhas de forma igualitária, de uma só vez, dando uma mordida em cada uma. A pista de boliche que ela trabalhava era temática dos anos 80, as atendentes viviam indo de lá pra cá em cima de patins brancos e collants de purpurina.

— Rosé estava acompanhada? — perguntei.

Sana olhou para os lados, com medo de ser pega conversando em horário de serviço. Ela se aproximou, os patins deslizando pelo piso brilhante enquanto esfregava as mãos engorduradas no collant brilhante.

— Quem sou eu para fazer fofocas, né? Mas ela estava junto daquele novo amigo de cabelo vermelho, o Tiago.

— Taehyung — corrigi.

— Ah, algo assim... — Sana maneou a cabeça em afirmação. — Achei que Rosé fosse sapatão e tudo mais, aí eu perguntei se ela tinha passado pela cura gay, se estava namorando a Jisoo ainda... não era pra fazer fofoca, ok? Odeio fofoca, mas uma garota loira precisa estar bem informada. Não queremos parecer burras.

Rolei os olhos, isso não fazia sentido nenhum.

— E o que ela respondeu?

— Que ele era a "cota gay da história", já que Sehun foi esperto o bastante para ir embora quando teve a chance. — Sana fez uma careta. — No começo do semestre, Rosé fez um concurso para procurar um novo amigo gay e o cone de trânsito preencheu a vaga.

— Okay, e o que mais ela falou? — quis saber.

Sana bateu as unhas de strass no queixo, pensando.

— Bom, você sabe como Rosé é: cheia de segundas intenções e planos mirabolantes, jogando aquele cabelo loiro de farmácia pra cima de mim... quer dizer, você sabe que eu sou loira natural, certo? Enfim, ela veio me convencer a trabalhar para ela novamente, estava encabeçando um novo Plano J e precisava do meu serviço... Ô, Karina! Avisa pro Seu Costela que eu tô no meu horário de almoço! — Ela voltou sua atenção para mim, cruzando os braços. — Eu preciso muito desse emprego, sabe? E o que mais tem aqui é garota fofoqueira, é cada uma por si... não existe essa de sororidade.

Fechei os olhos com força, me arrependendo amargamente de estar ali com Sana, mas não tínhamos informações claras sobre o paradeiro de Rosé e era difícil traçar uma linha cronológica dos seus últimos passos, já que ela conhecia muita gente e vivia zanzando pelo campus como uma barata tonta.

— E o que você respondeu? — perguntei. — Aceitou a proposta?

Sana lambeu os dedos gordurosos um por um.

— Primeiro eu disse: "Você quer que eu seduza um cara em troca de seis enrolados de salsicha? Você nem me pagou as cinco coxinhas que me deve, Rosé!" Depois eu disse: "Tudo bem, eu topo". — Sana cruzou os braços, dramatizando. — Ela é muito cara de pau, né? Só não recusei a oferta porque não se recusa comida. Meu pai é pedreiro, diz que por um cafezinho ralo e um marmitex com churrasco constrói sozinho uma mansão. — Sana abocanhou mais um pedaço da coxinha. — Acho que peguei isso dele.

Olhei para ela com uma sobrancelha arqueada.

— O que foi? — Sana limpou a boca com o guardanapo. — Rosé veio aqui e me deu os salgados, mas a Gisele da recepção roubou tudo. Precisei de uma faca enferrujada e meio metro de barbante para conseguir essas belezinhas de volta... — Ela comeu um grande pedaço do enrolado de salsicha e da coxinha ao mesmo tempo, mal conseguia falar.

Repousei os braços no balcão polido, ao lado dos all star para locação. As luzes rodopiantes faziam a minha cabeça doer.

— Você não disse que tipo de serviço ela te pediu pra fazer.

— Seduzir um cara, um tal de Jungkook... — Sana respondeu de boca cheia. — Mas eu fiquei com medo porque a namorada dele é meio barraqueira...

— Namorada dele? — repeti.

— É. — Sana me encarava como se eu fosse burra. — Ariana.

— Não faço a mínima ideia de quem seja. — E queria responder que não tinha o mínimo interesse, mas Sana prosseguiu:

— Baixinha, anda por aí com um rabo de cavalo do tamanho dela. Boatos que todo aquele cabelo é das garotas que davam em cima dele e ela as escalpelou.

Por um momento perdi o rumo da conversa. Agora eu precisava de foco.

— Rosé está se metendo com esse tipo de gente? — falei o pensamento em voz alta.

— Aparentemente sim — respondeu Sana, abocanhando a última coxinha. Ela se equilibrava em cima dos patins de uma forma que parecia mágica, indo para frente e para trás suavemente.

Tentei me focar na parte que importava.

— E qual foi a última vez que você viu Rosé com vida?

Eu sempre quis dizer isso, era tão emocionante.

— Ontem de ontem — disse Sana.

Acariciei o queixo, pensando. Há dois dias atrás, à tarde, Rosé foi à pista de boliche entregar o pagamento de Sana, mas algo ainda não fazia sentido. Balancei a cabeça, confusa.

— Como você sabe que Rosé trouxe os salgados, se quando ela veio novamente, você não a viu?

Sana balançou os ombros.

— Ué, quem mais poderia ser?

Massageei as pálpebras.

— Okay, entendi.

Só para deixar claro, eu não estava levando a sério o desaparecimento de Rosé, não tão a sério como Jennie ou Jisoo. Rosé não foi sequestrada, não estava em um cativeiro e sequer havia sido roubada. Ela apenas cavou a própria cova — e não literalmente, meu Deus, péssimo timming. Algo nesse novo plano foi o responsável pelo desaparecimento dela, e não era nada grave. Não podia ser algo grave.

— Obrigada, Sana — Coloquei o óculos escuro. — Se lembrar de mais alguma coisa, entre em contato comigo.

Entreguei um pedaço de papel cortado a ela. Sana me olhou, confusa.

— Lisa, eu já tenho o seu num...

— Shiiuuu... — Pressionei o dedo indicador em cima dos lábios dela. — Entre em contato comigo.

Saí da pista de boliche com a abertura de CSI tocando nos fones de ouvido, sem ao menos me importar com o carro de polícia na porta do lugar.

✐ ✎ ✐. . .


— Camila Cabello, segundo ano de fisioterapia, disse ter visto Rosé e um garoto em cima de uma árvore, há dois dias atrás — recitou Jennie, como se apresentasse as notícias do jornal nacional. — Segundo ela, Rosé fez um sinal para que saísse da frente, mas Camila demorou a entender e acabou sendo atingida por várias mangas que Rosé arrancou da árvore. Ela está com um olho roxo, mas não vai prestar queixa.

— Nayeon disse que Jihyo ficou sabendo que Daniel viu Rosé em algum lugar na sala dos professores. — Jisoo se afundou na cadeira, massageando as pálpebras. — Droga, eu desisto.

Nos entreolhamos, sentadas na mesma mesa, na mesma lanchonete que costumamos ficar. Na época, Rosé falava demais, preenchendo qualquer silêncio que ameaçasse acabar com a conversa, enquanto Momo enrolava um baseado, Jisoo comia besteira e Jennie e eu trocávamos beijinhos. Sehun soltava comentários aleatórios sobre como não suportava mais ver Rosé, mas algo sempre o fazia ficar. Agora, tudo parecia vazio e sem graça.

Jisoo me encarou, parecia pensar o mesmo que eu.

— Não seria melhor chamar a polícia...? — ela sussurrou. — Rosé está desaparecida.

Jennie suspirou, repousando as mãos na mesa lotada de embalagens de Fandangos e chocolate sortido. Sentei-me ao lado dela, fitando as poucas informações que tínhamos no meio do resto de comida.

— Não é uma boa ideia chamar a polícia — respondi, observando o fluxo de universitários passando à nossa volta, com a mínima esperança de ver Rosé no meio deles. — Ela só... só está participando de algum plano maluco. Ela vai voltar.

Jennie esfregou os dedos na testa, jogando uma mecha dos cabelos castanhos para trás.

— Espero que seja isso, porque não é a primeira vez que Rosé desaparece.

Jisoo olhou para nós duas, alternadamente, e em choque.

— Por que não me contaram isso antes!?

— Porque foi a muito tempo atrás. — rebati. — Rosé tem tantas histórias malucas que poderia virar um livro maior que a bíblia.

Jennie maneou a cabeça em concordância.

— Quando tínhamos 14 anos, ela queria sequestrar o Harry Styles. Juntou o dinheiro do lanche por meses, pegou um ônibus sozinha e foi pra São Paulo, pro show da One Direction. Voltou quatro dias depois, dizendo que o plano não deu certo. Na altura do campeonato, a foto dela já estava no site de crianças desaparecidas e até hoje não conseguiram tirar.

Encostei-me na cadeira, lembrando de Rosé no terminal rodoviário, com uma faixa da boyband na cabeça e lágrimas nos olhos, contando que seu plano de raptar Harry Styles não saiu como o esperado. Seu pai a xingava, aliviado e raivoso, enquanto tirava um metro de corda e fita crepe da bolsa dela.

— Aos 16, ela saiu da escola e não chegou em casa — acrescentei, rindo pela nostalgia. — A cidade montou um grupo de busca para encontrá-la, mas Rosé só estava dormindo no banco da praça. Ela comeu demais, ficou com preguiça de ir para casa e resolveu tirar um cochilo ali. Acordou 10 horas depois. Um morador de rua a encontrou e pensou que estivesse morta.

Jisoo passou as mãos pelo rosto.

— Por que ela é assim? — murmurou pra si mesma. — Então precisamos checar todos os lugares para ter certeza. Banheiros femininos, arquibancadas e hospitais psiquiátricos.

O celular de Rosé estava desligado, provavelmente descarregado, não conseguimos rastreá-lo. A última pessoa que a viu foi Sana e, mesmo assim, não a viu pessoalmente, já que recebeu as coxinhas e supôs ter vindo de Rosé.

Momo insistia que a viu presa no mundo dos anjos, mas deixou claro que sua bola de Cristal precisava de ajustes. Entre anjos e coxinhas, a questão era a mesma: Rosé estava desaparecida e precisava de terapia, juízo e amigos confiáveis, de preferência amigos que não fossem fadas, que não fossem propensos a brigas e que não fossem tão burros... bem, ela acabaria sem amigos se seguisse essa recomendação.

Jennie me olhou com um biquinho nos lábios, manhosa, e repousou a cabeça nos meus ombros. Inclinei-me, tocando meu nariz no dela.

— Rosé não está desaparecida. — Jennie sussurrou pertinho de mim. — Isso foi só... — Ela apertou a minha mão, nossas palmas estavam suadas. — Foi só um surto. Ela vai aparecer, não é, Lalisa? Ela sempre aparece.

Jennie me fitava intensamente, procurando apoio. Desviei do olhar dela, pairando em Jisoo, absorta nas provas que já revisamos mil vezes antes.

— Ela vai aparecer, morena. — Tentei parecer confiante.

Jennie maneou a cabeça algumas vezes, rápido demais.

— Ela vai aparecer — repetiu.

No mesmo segundo, dois toques na madeira nos despertaram do transe. Um fiapo de esperança me fez levantar o rosto com expectativa, mas no fim, era só Seulgi.

— Olá! Alguém aqui pediu Red Velvet? — Ela empurrou o pedaço de bolo vermelho em direção a Jisoo. — Eu sei que você ama esse bolo. — Seulgi deu uma piscadinha para a Kim, depois nos olhou. — Por que estão com essa cara...?

Jennie puxou o ar com a boca,  cerrando os dentes.

— Porque a namorada de Jisoo está desaparecida, caso não saiba.

Seulgi fez um biquinho desafiante. Ela era a típica estudante de medicina que não tirava o jaleco nem para dormir, parecia atuar em Grey 's Anatomy: crocs, cabelos amarrados e estetoscópio em volta dos ombros. Ela deixou o jaleco no encosto da cadeira e se sentou ao lado de Jisoo.

— Infelizmente fiquei sabendo desse inconveniente, o que é uma pena, já que Jisoo parou de frequentar o hospital desde que Rosé desapareceu — ela respondeu.

Jisoo se encolheu no assento, já Jennie, se inflou como um balão de gás hélio. Enquanto os ânimos estavam exaltados, foquei no bolo que Seulgi trouxe, vermelho.

— Sabe o que é mais inconveniente? Ex-namoradas que ressurgem das cinzas só para causar conflito na história! — Jennie exclamou.

— E sabe o que é muito mais inconveniente? — rebateu Seulgi. — Amigas que se metem na vida da outra!

Debrucei-me na mesa, em frente ao bolo vermelho. Eu precisava me lembrar de algo... algo vermelho.

— Ah, por favor! — Jennie retrucou. — Você nem devia estar aqui! Red Velvet é outra categoria!

Seulgi colocou a mão no peito.

— O que tem de errado com o meu bolo!?

— AHÁ! — gritei, interrompendo a discussão. — O cabelo vermelho!

Elas olharam para mim, confusas, como se tivessem se lembrado da minha presença naquele momento. Meus olhos estavam arregalados.

— Deixamos passar algo muito importante... — sussurrei, sem piscar, ainda em transe olhando para o pedaço de bolo. Estava na cara esse tempo todo, sendo repetido diversas vezes por todos que viram a Rosé. Como não pensamos nisso antes? Estamos andando em círculos como baratas tontas, quando o motivo do desaparecimento de Rosé está visível.

As três se aproximaram da mesa.

— O que? — Jisoo perguntou, também sussurrando.

— O que Rosé estava fazendo pouco antes de desaparecer? — perguntei.

Jennie olhou para os lados, confusa.

— Comendo?

— Argh, não! — protestei, impaciente. — Ela estava tramando algo para...

— O plano J! — Jisoo exclamou, tapando a boca.

— Exato! — Apontei o dedo em direção a Jisoo. — A história está se repetindo... temos uma nova Lisa, uma nova Jennie, uma nova Miyeon e...

— Uma nova Rosé! — Jennie respondeu, com os olhos arregalados.

— Só que homem, só que meio burro, só que com o cabelo vermelho... — acrescentei.

— É o Tiago? — Seulgi perguntou.

— Taehyung — corrigi. — Taehyung, qual a dificuldade? — Rolei os olhos. — Se acharmos ele, vamos achar Rosé! Ele foi visto com Rosé duas vezes!

Nos entreolhamos, confiantes.

Rosé estava ali, em algum lugar, e estava ao nosso alcance.

✐ ✎ ✐. . .


Os alojamentos masculinos fediam a suor e mijo, além de ter a maior porcentagem de babacas por metro quadrado, sujeira e desenhos de pintos nos quadros de aviso. Jennie franziu o nariz de nojo quando um garoto sem camisa passou por ela, brilhando suor.

— O que acha que Seulgi está fazendo aqui, com a gente? — ela perguntou.

Observamos Seulgi e Jisoo há alguns metros de distância. A primeira batia nas portas dos quartos masculinos e a segunda bisbilhotava dentro deles assim que a porta se abria.

— Acho que ela só está aproveitando que Rosé não está aqui para reconquistar Jisoo — respondi.

Assim que fechei a boca, Seulgi se voluntariou para limpar o óculos de Jisoo, esfregando a lente na barra da blusa. Ao ver a cena, Jennie maneou a cabeça, incrédula.

— Fura olho — balbuciou.

Elas chegaram até nós, Jisoo ajeitava os óculos com as bochechas vermelhas.

—  Não acho que encontraremos Taehyung assim, batendo de porta em porta... — Suspirou.

Seulgi concordou com um balançar de cabeça.

— Temos que pensar como eles... — Ela olhou para as portas enfileiradas no corredor. —  O que homens costumam fazer?

Dei de ombros.

— Jogam bola?

— Coçam o saco? — Jennie murmurou.

Jisoo ergueu o dedo, animada.

— Já sei, eles falam "nem todo homem" sempre que podem!

Seulgi nos olhou com censura.

— Isso é o que homens héteros fazem, Taehyung é gay, então o que homens gays costumam fazer?

Jennie levantou o dedo indicador.

— Eles dão o c...

— Meu Deus! — Seulgi exclamou. — O que costumam fazer no dia a dia? Um hobby, um lugar que costumam ir... coisas do tipo!

Jisoo, Jennie e eu entoamos um "ãaam" em entendimento.

— Agora eu saquei — respondi, lentamente. — Mas ainda não sei a resposta.

Os minutos se passaram. Já estávamos suadas, com pizza debaixo do braço e garganta seca, mas o sol estava longe de ir embora. Alguma de nós precisava ter uma ideia, como eu tive horas atrás.

— Tem certeza que não sabe qual o quarto dele? — Jennie perguntou a Jisoo. — Ele era amigo de Rosé, certo?

Jisoo piscou algumas vezes, como um desenho animado.

— Rosé e eu, nós... — Ela molhou os lábios de saliva. — Bem, hmmm, eu sei uma coisa sobre Taehyung. Ele faz filosofia.

Filosofia, a faculdade que eu secretamente larguei há alguns meses atrás. Um fio de suor desceu pela minha testa. Toda a atenção do grupo estava voltada para mim.

— Que pena hahaha... — Cocei os cabelos. — Só vagabundos e padres fazem filosofia hoje em dia.

Jennie me olhou com o cenho franzido.

— Você faz filosofia, Lisa.

— Ah sim, s-super... é.... — Engoli o seco. —  Vou em todas as aulas... — Forcei um sorriso. — Filosofia... yes!

Jennie não tirava os olhos de mim enquanto tentava não encará-la.

Seulgi pigarreou.

— Ele pode ser da sua sala, não?

— Quem sabe? — Dei de ombros. — Sou uma péssima observadora... — O olhar de Jennie em mim era tão intenso que mais uma gota de suor se formou na minha testa. — Pensando melhor, eu acho que vi ele algumas vezes, sim... bem raramente...

Jennie se aproximou de mim, parando na minha frente e me obrigando a encará-la. Ela parecia um gatinho briguento, pronto para atacar.

— O que você está escondendo de mim, Lalisa? — disparou, baixinho, como se houvesse apenas nós duas naquele corredor.

— Por que eu estaria escondendo algo de você? — respondi, tentando, apenas tentando, parecer tranquila.

Ela bufou, impaciente.

— Porque você está estranha!

— Eu não estou estranha! — rebati.

— Está um pouco... — Jisoo comentou, atrás de nós. — Mas só um pouco...

— Eu não estou estranha! Eu só não... — Suspirei, deixando meus ombros caírem, desistentes. — Eu só não sei se Taehyung está ou não na minha sala, porque eu não faço mais filosofia.

O silêncio não durou muito tempo dessa vez, já que Jennie, ainda sem tirar os olhos de mim, começou a rir. O que não combinava em nada com a expressão angustiada que ela estampava, mas o riso foi morrendo na garganta, formando um som estranho.

— Como assim... como assim não faz mais filosofia? — Ela gargalhava, sem humor. — Não faz...? Não faz mais...

— Eu larguei o curso — respondi de forma clara.

O semblante de Jennie se fechou.

— Desde quando, Lalisa?

Ela queria mesmo começar uma discussão ali? Na frente delas? No meio do corredor dos alojamentos masculinos?

— Temos assuntos mais importantes para tratar agora — sussurrei entredentes, como uma mãe que não quer xingar o filho na frente de todo mundo.

— É claro que é importante! — ela esbravejou. — Você estava mentindo pra mim esse tempo inteiro!

— Eu só tranquei o curso, porque está tão brava!?

Ela apontou o dedo na minha cara.

— É a porra do nosso futuro! O que mais você esconde de mim? Você está mesmo ficando só comigo? Você gosta mesmo de mim? Onde você ia quando dizia estar nas aulas? Você mantinha outra namorada esse tempo todo? Está com nós duas e...

— Para de show, Jennie, que merda! — gritei, com a face próxima à dela. Nossas respirações arfantes se mesclavam. —  Você desconfia de mim o tempo inteiro! Quando vai perceber que essa insegurança tá acabando com a gente?

Jennie soltou a respiração em um jato, os olhos cheios d'água.

— O que...? — ela balbuciou.

Nem o vento ousou atrapalhar nossos olhares. Foi erro meu pensar que depois que Jennie e eu começássemos a namorar seríamos "Felizes para sempre." Porque, mesmo que agora não precisássemos fingir nos odiar, continuávamos com os mesmo problemas de antes. Ainda tínhamos segredos e, acima de tudo, ainda não esclarecemos as coisas. Imagino que todo esse lance do desaparecimento de Rosé seria solucionado se conversássemos mais, se fossemos claras umas com as outras, se não tivéssemos essa mania de manter segredos. Se tornou tão cansativo para mim.

Jisoo apertou o ombro de Jennie.

— Meninas... — ela nos encarou, temerosa. — Precisamos ir até eles.

E apontou para os dois garotos no fim do corredor. Abaixei a cabeça por um momento, processando a discussão, me lembrando do que viemos fazer ali. Os garotos estavam discutindo. O mais alto agarrou o colarinho do mais baixo e o prensou no pequeno muro do corredor. As costas do mais baixo se dobraram em duas e, se o mais alto o soltasse, ele cairia um andar abaixo. Jungkook e Jimin, os reconheci em um piscar de olhos. Se eles estavam brigando ali, Taehyung estava próximo, se Taehyung estava próximo, Rosé estava próximo.

Jisoo pensou mais rápido e começou a correr até eles.

— Ei! Vocês! — chamou, balançando as mãos acima da cabeça.

Os garotos estavam tão entretidos na briga que não perceberam a aproximação dela. Eles trocavam ameaças e empurrões.

— Ei! — Jisoo chamou de novo, os alcançando.

Jungkook soltou Jimin. O garoto deu um passo desajeitado para trás e acertou Jisoo em cheio.

Ela pareceu uma formiguinha amassada, os braços balançavam loucamente, empurrando o garoto para longe, mas ele também estava na borda do muro. Jimin se equilibrou e saiu de cima de Jisoo, mas ela perdeu o apoio com a falta das costas dele e tombou para trás, caindo prédio abaixo.

— AAAAAAAaaaaaaaahhh — o grito foi diminuindo até o barulho do baque interrompê-lo.

Jisoo tinha acabado de cair de um prédio. A situação demorou a fazer sentido na minha cabeça. Prendi a respiração.

— Merda — praguejei atrás de Jennie e Seulgi, que já estavam na borda do muro.

Jisoo estava lá embaixo, no pátio, caída no meio do jardim, pernas emboladas e braços para o lado, como um bonequinho de trânsito. Aos poucos, algumas pessoas formaram uma roda em volta dela.

— Jisoo!? Tá tudo bem aí!? — Jennie perguntou em um grito.

— Sim! — Ela respondeu em um fiapo. — Acho... acho que sim!

Soltamos um suspiro de alívio. Jisoo aceitou a ajuda de uma garota e se remexeu, tentando se levantar.

— Ah, porra! — Ela voltou a se deitar, com a mão na costela. — Retirem o que eu disse! Chama o SAMU!

Seulgi saiu correndo pelo corredor, descendo as escadas atrás dela e, ao meu lado, ouvi Jennie engoli o seco.

— Acho que você tem razão... — sussurrou ela, desgostosa. —  As coisas estão se repetindo.

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