
1.2 - Intenso
- Você nunca vai ser respeitável, Callie. - Ele disse sem rodeios.
- Mas é claro que não! - Ela concordou. - Sou uma atriz pornô super quente!
Ambos gargalharam da dancinha sensual que ela fez.
- Nós dois tínhamos tudo para dar certo, Jack. - Ela suspirou.
- Somos amigos demais para isso, ruiva. - O ator respondeu antes de pegar as chaves do carro. - Você vem comigo?
- Para onde, bonitão?
- Para as estrelas!
Ninguém recusava um convite de Jack O'Connell. A ruiva divertida que sorria para ele também era incapaz de fazer isso. Pelas horas seguintes, o casal de amigos percorreu a cidade, meio que sem destino, buscando algo interessante para fazer naquela folga. A amizade entre O'Connell e Hodrick começou na agência, quando foram escalados para fazer um trabalho juntos. A garota ficou tão impressionada com o carisma de Jack, que não conseguiu fazer as cenas de sexo. A realidade é que foi uma paixão à primeira vista. Callie apaixonou-se por Jack, mas ele nunca percebeu. E ela se apaixonou assim que colocou os olhos nele, por isso, não poderia trabalhar com ele. Em contrapartida, a química entre eles era incrível e todos os diretores queriam juntá-los a qualquer custo. O custo para Jack foi bem grande, pois a rescisão de quatro contratos gerou um problema financeiro enorme para ele. O moreno conhecia a trajetória de Callie, e seria muita canalhice fazer com que ela perdesse seu emprego. Ele conseguiria outros trabalhos muito mais rentáveis logo, porque no universo obscuro da pornografia, poucos homens conseguiam o posto de ícone, e, por algum motivo, ele conquistou o posto logo de cara.
- Por que você recusou aqueles trabalhos comigo? - Ela quis saber.
- Porque você só faltou chorar na primeira cena. - Ele lembrou e sorriu. - E olha que a gente só tinha feito algumas brincadeirinhas bobas, e trocado o quê? Uns dois ou três beijos. Nem sequer encostei em você, literalmente, minhas mãos não encostaram em você.
- É porque você é muito ruim de cama, Jack. - Ela provocou. - Eu seria incapaz de fazer sexo com você.
Ele sorriu para ela, e Callie quase se desmanchou no banco do carona. Contracenar com Jack seria o fim de Callie, porque no ramo deles, tudo terminava na cama ou em qualquer outro ambiente, sem roupas e com muitos gemidos para acompanhar. Se ficasse com ele apenas uma vez, estaria acabada.
- Chegamos, ruiva! - Ele exclamou.
- Que lugar é esse? - Ela quis saber.
- Já está escurecendo, e achei que é um ótimo momento para olhar as estrelas. - Ele disse, apontando para um Observatório. - Vamos logo!
- Jack, você está mudando para o lado rosa da força? - A ruiva arqueou a sobrancelha.
- Cala essa boca e vamos olhar as estrelas! - Dito isso, o homem agarrou a amiga pelas coxas e a jogou sobre os ombros enquanto ela dava gritinhos histéricos.
Callie sabia que não teria escapatória, as estrelas esperavam por eles, e no final das contas, ela amou o passeio. Discretamente observava o amigo, suas feições, as covinhas que formavam-se em seu rosto quando ele sorria, a linha de seu maxilar quando ele ficava concentrado. Jack tinha uma personalidade fácil, sempre brincalhão e fazendo piadas, era fácil para a ruiva conviver com ele. Diferentemente de seu namorado Justin. O namorado tornara-se seu agente e era melhor amigo de Jack, na verdade a relação começou profissional, e depois de certo tempo, tornou-se pessoal. Justin sabia que Callie tinha se apaixonado pelo ator, cuidou dela por muito tempo quando carregar aquele fardo tornou-se complicado demais para ela.
- Justin está ligando. - Ela avisou a Jack.
- Manda ele parar de se esconder atrás da sua saia e vir falar comigo pessoalmente. - O homem mantinha o olhar fixo no telescópio enquanto falava.
- Vem, Jack. - Ela segurou o ombro dele. - Me leva pra casa.
O moreno não ofereceu resistência e endireitou o corpo, enlaçando a cintura de Callie para depois segui-la para fora dali. Os amigos caminharam lado a lado, sorrindo e comentando sobre as constelações que foram identificadas, constatando que as estrelas podem oferecer bom entretenimento quando observadas com mais cuidado.
- Você fica aí. - Ele disse quando estacionou em frente à casa dela. - Obrigado por me acompanhar hoje.
- Você é um amigo incrível, sabia? - Ela bajulou e acariciou o rosto dele.
- Incrível é você. Não deixe que o Justin seja um babaca contigo. - Ele colocou uma mecha do cabelo ruivo atrás da orelha de Callie. - E sim, você é muito respeitável.
Callie sorriu e beijou a bochecha de Jack. Movida pelo impulso, escorregou os lábios para junto dos dele, experimentando-os um pouco. Ele abriu os olhos, e moveu-se para trás, na tentativa de romper o contato, mas Callie seguiu em frente, beijando-o com mais intensidade. A mão dela encontrou o nuca do moreno e os dedos embrenharam-se nos cabelos dele, trazendo-o mais pra perto. Jack colocou as mãos nos ombros da amiga, acariciando um pouco, mas logo aumentou o aperto, afastando-a decididamente.
- O que foi isso? - Ele quis saber.
- Um beijo. - Ela respondeu num sussurro, tentando esconder a mágoa.
- Pelo amor de Deus... - Jack gemeu e abraçou o volante. - O que estava pensando?
- Em nada. - Ela cortou o assunto e abriu a porta. - Esquece isso, o beijo nunca aconteceu.
Ele abriu a boca para responder, mas Callie já tinha batido a porta e estava correndo para dentro de seu prédio. Ele levou a mão direita ao rosto, cobrindo os olhos e depois os lábios, sacudiu a cabeça e deu a partida no carro, querendo chegar logo em casa.
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