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p r ó l o g o



Eu realmente odeio esperar.

Estou nessa sala há exatamente trinta minutos esperando meu chefe que convocou essa reunião com urgência, mas ainda não se deu o trabalho de aparecer para nos informar do que realmente se trata tudo isso.

Não faço a mínima ideia do porquê de tanto alarde, acredito que ele deveria ter sido mais claro no e-mail que enviou ontem à noite para todos da redação, ao invés de só dizer:

Reunião amanhã às 10h. Importante!

Argh! Odeio quando as pessoas não vão direto ao ponto. Sou assim, rápida e prática, não gosto de rodeios, se o final vai vir de qualquer jeito para que adiá-lo?

Movo-me na cadeira a fim de observar meus colegas, que assim como eu estão inquietos. Certamente devem estar imaginando que algo de ruim vem por aí, porque se fosse algo para se comemorar o chefe especificaria no e-mail.

Eduard Hall, meu chefe, é um senhor no auge de seus 60 anos que em nada perde para muitos jovens. Alto, barba estilo lenhador totalmente grisalha, o que dá um charme a mais, e lindos olhos castanhos. Ele esbanja simpatia por onde passa, sempre bem humorado fazendo dos nossos dias nessa revista mais leves. Ele não é aquele tipo de chefe chato e insensível que só se importa com o que os seus empregados lhe geram. Sempre que possível está nos questionando se temos dificuldade em algo, buscando sempre o crescimento não só profissional como pessoal de seus empregados.

É uma das poucas pessoas que me permito manter algum tipo de afeto.

Não que eu seja uma pessoa esnobe que só pensa no próprio nariz e vive num mundo isolado da sociedade. Não, apenas não sou mais uma pessoa dada a sentimentos. São poucas as pessoas para quem eu libero um pouco de amor.

Minha amiga Angel é uma delas.

Olho para o outro lado da grande mesa onde ela está. Ela me olha no mesmo momento, mostrando apenas com o olhar que também aflita com o assunto dessa reunião.

Observo o restante da sala e encontro o olhar de Kathryn, uma morena alta, de olhos verdes e um rosto perfeito de modelo. Mas que não compensa o ser arrogante e maldoso que ela é. Ela é a responsável pela coluna de beleza da revista, e cobre alguns assuntos sobre moda já que foi modelo.

Ela estava me observado com os olhos cerrados e com uma expressão estranha no rosto. Quando percebeu que havia percebido não se incomodou em disfarçar e continuou me encarando. Acho que ela me odeia e realmente gostaria de saber o porquê.

Ouço a porta ser aberta e no mesmo momento o senhor Hall entra na sala esbanjando um grande sorriso.

­­­­­─ Bom dia pessoal! Desculpem o atraso. O trânsito estava horrível - cumprimenta com seu ótimo humor matinal. Não entendo como uma pessoa fica com bom humor a essa hora da manhã.

Alguns respondem já se ajeitando em seus lugares, tentando prever o que está por vir.

Não respondo porque no momento em que minha boca abriu para responder nenhum som saiu porque ele estava ali. O homem que me deixou nas nuvens ontem à noite. O gostoso da boate que eu nem sabia o nome. Ele estava bem em minha frente. O que ele está fazendo aqui? Grito mentalmente.

Merda!

Me viro rapidamente olhando para a grande mesa da sala como se ela fosse a coisa mais interessante do lugar, torcendo para que ele não tenha me visto.

­­­­­─ Vamos ao que interessa pessoal. Apresento a todos Gregory Hall, meu sobrinho.

Droga! Droga! Isso não pode estar acontecendo comigo.

Levanto o olhar e ele está me encarando com uma expressão confusa no belo rosto. Volto para minha posição de ficar encarando a mesa. Que coisa mais patética. Pensando nisso volto a levantar o olhar e decido prestar atenção no que o meu chefe diz.

Meu chefe continua com a apresentação. Durante sua fala descubro que o estranho da boate, que agora sei que se chama Gregory, é filho do irmão de Eduard e que estava em Londres onde trabalhava em uma revista local como editor-chefe.

Merda.

­­­­­─ Quero agradecer a presença de todos. Como todos sabem levo mais de trinta e cinco anos na direção da Hall, e sou muito grato pelo o que ela me trouxe. Mas chegou a hora de deixar que outra pessoa a conduza e a faça crescer cada dia mais, e é também o momento de ter o meu merecido descanso - diz com a face divertida - Então, Gregory tomará meu posto. Tenho certeza que vocês nem sentirão a minha falta.

Algumas pessoas riem de seu comentário bem humorado e outras murmuram sem acreditar que não será mais o senhor Hall que comandará a revista.

Olho para a frente, e encontro o olhar questionador de Angel, que diz claramente: o que aconteceu?

Tenho que aprender a disfarçar melhor.

Mas é um pouco difícil quando se descobre que você transou com seu chefe, que ainda não era seu chefe no momento. E que ele é um puta gostoso. Com seus ombros largos, braços fortes, aquela pele com bronzeado natural - que é improvável de obter vivendo numa cidade como Londres - os olhos num azul cinzento, cabelos negros que são tão macios quanto parecem, aquela boca perfeita e que faz maravilhas. E tem aquele traseiro, e que belo traseiro.

Nossa, está ficando quente aqui.

Droga. Achei que nunca mais o veria e minha frente e agora tenho que conviver todos os dias com ele. Sou mesmo muito azarada.

­­­­­─ Agradeço a todos pela atenção, podem retornar aos seus afazeres. Gregory estará comigo durante todo o dia para conhecer a revista e a partir de amanhã vocês já se reportarão a ele - diz já se levantando e todos imitamos seu movimento.

Enquanto todos estão cumprimentando o chefe e Gregory, espero já me preparando para quando chegar a minha vez. Enquanto isso Angel vem em minha direção e já sei que vem questionário por ai assim que disser a ela o que aconteceu.

­­­­­─ Por que está com essa cara de quem viu um fantasma? ­­­­­ ­­­­­── aponta para o meu rosto claramente curiosa.

­­­­­─ Não dá pra falar agora, depois te conto tudo ­­­­­ ­­­­­─ digo, e para meu alívio ela não insiste.

Quando quase todos já estão fora da sala me dirijo para junto do meu chefe que agora é ex-chefe para lhe cumprimentar, vejo Kathryn conversando com Gregory.

Com certeza está jogando seu charme pra cima dele.

­­­­­─ Senhor Edward, é realmente uma pena que esteja nos deixando, sentiremos muito a sua falta sim - estendo a mão para um cumprimento mas ele me puxa para um abraço caloroso.

­­­­­─ Ah, querida obrigada. Vocês estarão em boas mãos. Tenho certeza que se darão muito bem com meu sobrinho.

Ele desfaz o abraço e com um aceno para o outro da sala chama Gregory. Ele vem em nossa direção me lançando um olhar e um sorriso de canto, travesso.

­­­­­ ­­­­­ ­­­­­─ Gregory, esta é Ella Jones, uma de nossas melhores colunistas­­­­­ ­­­­­─ Eduard no momento em que ele chega ao nosso lado.

Nesse momento já quero virar um avestruz para enfiar minha cabeça em algum buraco.

­­­­­Ele estende a sua mão para cumprimentar-me e faço mesmo.

­­­­­─ Muito prazer, Ella - Ele diz como se estivesse saboreando meu nome - Com certeza é uma das melhores - Diz a frase com um sorriso malicioso no rosto, como se compartilhássemos um segredo.

Merda! Onde fui me meter?

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É isso pessoas. Me digam o que acharam do capítulo nos comentários. Já não tenho mais unhas, tamanha a ansiedade de saber o que acharam.

Não esqueçam da estrelinha, me deixará muito feliz.

Beijos, até o próximo.

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