III- t e n s ã o
Eu tenho algumas más intenções
Eu tenho algumas más intenções
Eu tenho alguns segredos que eu esqueci de mencionar.
bad intentions, niykee heaton
SEM REVISÃO
Ella
Que grande ironia.
Meu trabalho é uma grande ironia jogada em minha cara. Eu, a pessoa que menos teve relacionamentos – de todos os tipos – tendo que escrever sobre o assunto e dando conselhos para as leitoras da Hall. E ironia maior é isso funcionar, já que a minha coluna é uma das favoritas da revista. Recebo vários e-mails semanalmente de pessoas me contando o quanto as ajudei em seus relacionamentos e em suas vidas, o que me permitiu criar um espaço onde, em algumas edições, coloco os desabafos dos leitores junto com a matéria.
Quando terminei a faculdade de jornalismo me imaginava trabalhando em algum jornal noticiário, escrevendo meus próprios livros, ou pelo menos fazendo algo parecido com o que o Steve faz aqui na revista ─ Steve Sanders é o responsável pela coluna de notícias e política, é um cara sério, creio estar na casa dos trinta anos, com seus cabelos louros escuros, maxilar marcado e olhos verdes escuros ─ porém, com o tempo aprendi a gostar do que faço e entendi que sim, eu ajudo as pessoas com o que eu escrevo. Mesmo não vivendo um pingo do que passo para os meus leitores.
Saio dos meus devaneios sobre o rumo que minha vida tomou desde que me mudei para Nova York, e volto a trabalhar na matéria da próxima edição.
Quando ouço o elevador se abrir no andar, cometo o erro de olhar na direção do som, Gregory entra na redação cumprimentando a todos com um bom dia. Ainda estou o encarando quando seus olhos encontram os meus e sinto a mesma energia daquela noite na boate.
O que esse homem tem que me atrai tanto?
Desvio e olhar para a tela do computador, e tenho quase certeza de que estou corada pelo calor que sinto em meu rosto.
Mas que droga!
Eu não coro por um simples olhar.
Normalmente sou eu quem tomo a iniciativa num flerte, não tenho muita vergonha na cara com respeito a isso. Não sei o que está acontecendo comigo.
Droga, pode parar com isso, Ella!
─ Está sentindo esse cheiro? ─ me assusto com Angel que chega de repente ao meu cubículo. Coloco a mão no peito tentando me acalmar. Essa maluca tem a mania de chegar assim, um dia ainda vai me matar.
─ Ai! Doida, você me assustou. Que cheiro? Não estou sentindo nada. ─ franzo o nariz tentando identificar do que ela está falando.
─ Tem certeza amiga? Pois estou sentindo e está forte, acho que o prédio todo está sentindo.
─ Sério Angie, não estou sentindo cheiro nenhum. ─ olho assustada pra ela achando que pode ser algum vazamento ou algo do tipo, segundos depois vejo que ela está tentando conter uma risada, o que não tem muito sucesso.
─ Do que você está rindo, sua maluca?
─ De você, sério que não sentiu o cheiro da tensão sexual que vocês exalam? ─ ela diz ainda rindo.
─ Ah! Você me assustou.─ coloco a mão sobre o peito, aliviada.─ E não tem tensão sexual nenhuma, nós já pulamos essa parte, e não vai rolar outra vez. ─ digo desviando minha atenção para a tela do computador onde eu tento começar o texto para a próxima edição.
─ Dá uma chance pra ele, se dê uma chance, El. Está na cara que ele está afim de você. Nunca sabemos o que pode acontecer se não tentarmos. ─ antes que eu a interrompa, ela levanta a mão me mandando esperá-la terminar. ─ Não estou falando pra você se apaixonar e ter um relacionamento, amiga. Apenas quero que você se abra mais para as coisas da vida; curta o momento, se não der certo parte pra outra.
─ Com toda a certeza do mundo eu não vou me apaixonar. Eu já fiquei apaixonada. É doloroso e sem sentido e as pessoas dão uma importância exagerada para isso. ─ olho para a Angie e ela tem um olhar de compreensão para mim, pois ela sabe tudo que aconteceu. ─ Mas sobre o "curtir o momento" ... ─ digo fazendo aspas com os dedos ─ iria ser um pouco embaraçoso manter alguma relação que não seja a profissional com o nosso chefe, e além disso poderia ser interpretado de outra forma pelas pessoas.
─ E desde quando você se importa com o que os outros dizem? ─ indaga levantando uma sobrancelha, com um olhar de quem sabe o que eu estou tentando fazer.
─ Argh! Você não sabe brincar, tem que me apoiar nisso. Estou tentando ser racional aqui, me ajude, ok?! ─ aponto para ela em uma acusação clara, e ela ainda tem a audácia de rir da minha cara. Amiga da onça!
─ Amiga, para de drama. Você só está procurando mais desculpas. Só tenta, tudo bem?! ─ droga, ela está fazendo aquela expressão de quando quer algo e sabe que eu não vou negar. Tudo bem, eu já estava querendo isso, admito.
─ Ok, ok. Vou tentar ─ levanto as mãos em sinal de rendição, ela bate palminhas e sorri igual uma maluca. ─ Agora vai trabalhar, sua doida.
Angie sai e eu volto a trabalhar na minha matéria, que por sinal ainda não me veio nenhuma ideia decente, e isso está me corroendo. Pensa, Ella, pensa. O fechamento da edição está perto e a reunião já é amanhã.
Desvio a atenção da tela e é como se estivesse sentindo aquele olhar sobre mim, porque do outro lado da parede de vidro que separa sua sala do espaço onde ficam os cubículos, ele está me encarando como se conseguisse me despir apenas com o olhar, mas o pior é que ele não parece despir o meu corpo, como fez no final de semana passado, e sim a minha alma. Como se os seus olhos fossem uma maldito raio-x que pode atravessar paredes, pois sinto que todas as barreiras que construí a minha volta amolecem com esse olhar sobre mim.
Aguenta firme, Ella!
Dessa vez não desvio o olhar.
Ele não desvia.
Eu continuo.
A sala vai ficando cada vez mais quente. Ou sou eu? Sinto o calor subindo por minhas pernas e atingir o ponto no meio delas. Esfrego uma perna na outra querendo um alívio para toda essa tensão. Involuntariamente, mordo o lábio inferior e sinto os olhos pesados, quase os fecho, mas me forço a não quebrar o contato visual.
Ele levanta os lábios num sorriso malicioso digno de destruir calcinhas, o canto de seus olhos se contraem em um claro sinal de que ele está se divertindo com a cena. De repente ele quebra o contato e olha para a sua mesa, onde vejo a luz da tela de seu celular, ele se apressa em pegá-lo e o atende, claramente muito interessado no que a pessoa do outro lado tem a falar. Gregory levanta-se num rompante de sua cadeira e vejo preocupação em seu rosto. Ele fala algo e desliga. Pega sua pasta e sai da sala indo em direção ao elevador apressadamente, não fala com ninguém. Espero ele levantar o olhar para tentar descobrir o que aconteceu, mas isso não acontece. As portas se fecham e dois minutos depois eu ainda as estou encarando tentando entender o que aconteceu. Deve ter sido algo em sua família, mas pelo o que eu entendi nas pesquisas que fiz sobre ele ─ sim, eu procurei sobre ele na internet logo após o nosso encontro embaraçoso na empresa ─ ele tem apenas o senhor Edward, pois seus pais faleceram quando ele tinha quatorze anos.
Fico com isso em mente o resto da manhã, e se antes as ideias para a matéria não vinham, depois disso ficou impossível pensar em algo.
Gregory
A pele alva, os cabelos médios, escuros e macios, aquela boca macia e rosada, o corpo com curvas nos lugares certos, me deixaram louco. Há muito tempo uma mulher não me encantava tanto como Ella Jones fez. Aquele projeto de diaba me deixou babando.
Uma certa parte do meu corpo babou mais que a minha boca.
Ainda tenho a sua calcinha guardada em minha gaveta de cabeceira, o que me tem louco, desejando por mais daquela mulher.
Quando acordei no quarto de hotel sozinho não acreditei que ela havia ido embora, só confirmei quando encontrei seu vago bilhete sem nenhum sinal de que queria repetir o sexo maravilhoso que tivemos. Tê-la sob mim apenas com aqueles sapatos, ouvindo seus gemidos, sentindo-a me apertar enquanto convulsionava num intenso orgasmo foi inexplicável. Não é que eu nunca tenha experimentado algo assim, mas com ela foi diferente. Difícil de explicar.
Reencontrá-la na segunda feira e descobrir que trabalhava na Hall Publishing foi uma agradável surpresa, ainda mais quando vi a expressão assustada em seu rosto quando tio Edward nos apresentou.
Há quatro dias venho tentando achar uma oportunidade para abordá-la, mas ela sempre está fugindo, quando a encontro pelos corredores sempre desvia o caminho, no final do expediente sempre sai apressada e acompanhada da sua amiga. Em nada parece a mulher desinibida que rebolava para mim na boate.
Ella Jones é algo difícil de se decifrar, quando acho que estou lidando com uma rainha do gelo nata, ela me mostra uma fragilidade que me desarma e faz com que eu queira ir mais fundo nisso e descobrir tudo o que essa mulher esconde. Não é como se estivesse criando sentimentos mais complexos, mas a química entre nós era inegável.
Hoje quando cheguei à redação, mais uma vez ela fugiu do meu olhar, fiquei-a observando enquanto conversava com sua amiga, hipnotizado como aquela boca se movimentava, suas pernas cruzadas de uma forma totalmente sexy, aquelas pernas me deixavam louco.
Quero fodê-la de pé debruçada em uma mesa para ter total visão da parte de trás de suas pernas, com aqueles mesmos sapatos pretos.
Porra! Meu pau agora está tão duro que incomoda.
Não facilitando a minha vida, agora a diaba, não mais um projeto, me encara mordendo aqueles lábios, me provocando, me deixando no limite da minha sanidade e no grau de dureza que a minha excitação permite.
Lanço um sorriso cheio de promessas, para que ela entenda que a dose que me deu no domingo não foi o suficiente para matar minha sede por ela. No mesmo instante meu celular toca em cima de minha mesa, e o nome na tela me faz atender imediatamente. Ela nunca me liga quando estou na empresa.
─ O que aconteceu? ─ tamanha minha preocupação que dispenso mais enrolação.
─ Estamos indo para o hospital, e...
─ Já estou indo. ─ nem deixo Julie terminar de falar e já desligo o celular indo em direção ao elevador.
Que não tenha acontecido nada com ela. Não pode ter acontecido nada com ela.
Demorei mas cheguei com capítulo novo. Ele ainda não está revisado, então perdoem os erros, mas quis trazer pra não ficar tanto tempo sem postar.
Quem é Julie, hein?
O que Gregory está escondendo da gente?
Espero que tenham gostado do capítulo.
Não vai embora antes de deixar a estrelinha preenchida, vai me deixar muito feliz e ajudar que outras pessoas encontrem a história. Me digam nos comentários o que acharam.
Bom, é isso. Até o próximo, beijooos!
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