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𝟛 - 𝔸𝕔𝕒𝕓𝕠𝕦 𝕒 𝕒𝕘𝕦𝕒 𝕢𝕦𝕖𝕟𝕥𝕖

- HATHAWAY -

O CÍRCULO

CAPÍTULO TRÊS

Acabou a água quente

"Às vezes somente as vezes
eles descem do céus, eles tocam a terra."

Djaelson Ferreira Nascimento

O portal se abriu dentro de um quarto dessa vez. Como Jimin e eu pulamos juntos, nós dois chegamos juntos na França também, então assim que saímos do portal eu me sentei na cama e olhei pra ele.

— Tá, que horas são? — Jimin pegou a caixinha do bolso e a transformou em um relógio.

— Dez da manhã. — Ele prendeu o relógio no pulso e se sentou do meu lado.

— Beleza, temos quase duas horas, eu preciso raciocinar um pouco. — Me joguei pra trás e deitei na cama com as pernas jogadas pro lado de fora. Jimin continuou me encarando sem falar nada.

No momento em que o portal se abriu em Seul eu me recordei um pouco do meu passado, das vezes em que eu saia correndo do apartamento em uma rodovia tão movimentada quanto aquela para chegar na faculdade.

Engenharia. Era a faculdade que eu fazia.

Eu estava tão entorpecida para realizar aquela missão que enterrei todo o misto de emoções que eu estava sentindo e me dediquei pra fazer um bom trabalho.

Mas agora tudo caiu como uma bigorna na minha cabeça e eu precisava de um tempinho.

— Eu morri. — Foi a unica coisa que eu falei antes de sentir algumas lágrimas isoladas escorrendo pelo meu rosto.

Jimin ainda olhava pra mim sem se mover, talvez querendo me ajudar mas ao mesmo tempo respeitando o meu espaço, então olhei pra ele e repeti.

— Eu morri.

Jimin se levantou e deu a volta na cama para se sentar encostado na cabeceira, depois fez sinal pra eu ir pro lado dele. Passei a mão no rosto pra enxugar as lágrimas e me aproximei.

— Vamos conversar, uma hora ou outra você começa a se dar conta de tudo, eu passei por isso sozinho, você não precisa passar.

Balancei a cabeça concordando, eu estava encostada na cabeceira ao lado dele, mas não nos encostávamos.

— Eu morri afogada, em uma cachoeira. Se todos têm um guardião que os livra da morte, isso significa que o meu falhou? — Jimin olhou pra baixo e começou a brincar com o tecido de sua calça.

— Tem vezes que a nossa única missão é recolher a alma da pessoa, são as vezes que realmente chegou a hora dela morrer.

— Esse foi o meu caso? Eu tinha que morrer mesmo ou o meu guardião falhou? — Perguntei lembrando dos meus amigos que estavam comigo na cachoeira, dos colegas de classe na faculdade, vizinhos de apartamento, minha família.

Meu namorado.

Outra lágrima rebelde escapou de meus olhos.

— Só encontrando o guardião que foi designado pra você pra descobrir. — Acenei, concordando.

— Bom, essa é a minha nova vida agora, não é? — Limpei o rosto de novo e me esforcei ao máximo para olhar pra Jimin sorrindo.

— Sei que é um saco eu ser seu único amigo, mas com o tempo você vai encontrar uma família no Círculo, se pá vai até esquecer de mim, só fui a primeira pessoa a ter um contato proximo com você por causa do trabalho. — Ele falou tudo aquilo com a intenção de me fazer rir.

Ele conseguiu.

— Ah, não fale que vou te esquecer! — Dei um tapa em seu braço e Jimin gargalhou enquanto arrumava o cabelo. — Você é um cara legal, com excessão da vez que me deixou em um elevador prestes a cair porque não queria parar o boquete que estava recebendo.

Jimin arregalou os olhos e eu ri.

— Eu te salvei, não foi? E eu nem perguntei o motivo de estar com os peitos de fora, seduziu o cara? —Se guardiões têm sangue correndo nas veias então fiquei vermelha como um pimentão depois daquilo.

— Não consegui pensar em mais nada, mas do jeito que aquele cara estava agindo, tenho certeza que iria me estuprar no elevador se eu não tivesse chutado ele pra fora. — Jimin colocou os pés pra fora da cama e saiu andando até o closet do quarto.

— E o que disse pra ele quando o encontrou? — Respirei bem fundo antes de responder.

— Disse que eu tinha acabado de voltar da lua de mel mas meu marido era péssimo no sexo, então eu precisava de alguém experiente.

— Você o que? — Jimin saiu do closet sem camisa e eu quase dei um pulo na cama, seu rosto estava surpreso com minhas palavras, mas nem me prendi a isso com aquele corpo malhado tomando minha atenção.

— Disse que você era ruim de cama.

Olha pra outro canto, Ava. Você não vai babar no corpo do seu tutor logo depois de dizer que ele não presta fazendo sexo.

Desviei os olhos de Jimin e encarei a parede, eles não podiam me designar um guardião menos... Atraente?

— Isso é um ultrage! — Ouvi uma movimentação e depois a cama afundou ao meu lado, torci pra Jimin já estar vestido e me virei pra ele.

— Foi mal, eu tinha que tomar uma atitude rápido. — Acho que feri o ego do garoto.

Jimin estava abotoando uma camisa social branca em seu corpo, ele estava parcialmente vestido e uma parte de meu cérebro dava um adeus decepcionado a cada pedaço de pele que sumia quando ele prendia um botão.

— Dou dez pela criatividade, mas pegou pesado comigo.

Resolvi mudar de assunto.

— Por que está trocando de roupa? — Perguntei encarando a camisa social, apenas a camisa já que aquele abdômen sarado já tinha sumido.

— Estamos em um Cruzeiro, acho que isso já é motivo suficiente pra vestir algo mais adequado. — Ele ficou de pé e tirou as calças, tampei meus olhos antes que eu gostasse demais da visão.

— Caralho, Jimin! Se troque no closet! — Ele gargalhou e eu ouvi o barulho de seus passos se afastando.

— Desculpa!!

Esperei Jimin sair do closet pra me trocar também, ele estava vestindo um colete vinho por cima da camisa social branca e uma calça da mesma cor. Enquanto ele calçava os mocassins que estavam do lado da porta do quarto eu fui pra dentro do closet.

Olhei ao redor buscando qualquer roupa que combinasse com as cores que Jimin escolheu pra ele, mas estava difícil.

— Ae! — Gritei de lá de dentro. — Por que você não vestiu um terno preto? Não sei o que vestir pra combinar com esse seu vinho estranho.

— Deixa eu te ajudar. — Jimin falou de longe e depois apareceu do lado de dentro junto comigo.

Ele não demorou muito, tirou um vestido cinza de um dos cabides e colocou deitado em meus braços.

— Cinza sempre combina com vinho, veste que eu te ajudo a escolher os sapatos. — O guardião me largou lá dentro e voltou pro quarto.

O vestido que ele escolheu pra mim era simples mas sofisticado, tinha uma cinta grossa que delineava a cintura e a saia rodada dele ia até os joelhos. Depois que fiquei pronta e me olhei por mais alguns segundos no espelho eu voltei pro quarto.

— Como estou? — Abri os braços um pouco constrangida, nunca fui de vestir uma roupa chique e pedir pra alguém avaliar.

— Está linda! — Jimin pegou um cachecol da mesma cor de sua roupa e enrolou em meu pescoço, depois colocou uma boina cinza em minha cabeça. — Agora não tem quem diga que não viemos juntos.

E ele estava certo, minha roupa combinava perfeitamente com a dele. E eu pensando que ser guardião era só salvar almas e correr de demônios.

— Ainda temos tempo, o que vamos fazer? — Jimin largou sapatos de salto baixo na cor vinho na minha frente.

— Encontrar nossa humana e ficar aos arredores até chegar a hora de agir. — Calcei os sapatos e nós dois saimos do quarto, estávamos em um corredor branco com piso de mármore e luminárias caras, aquele Cruzeiro parecia ser bem sofisticado.

O corredor se abriu em um salão enorme com diversas mesas e cadeiras, aquela parecia ser a área de alimentação. Jimin me deixou sentada na mesa mais distante e se dirigiu até um dos garçons.

Os dois conversaram por uns minutos consideráveis, logo depois Jimin veio até mim e me estendeu sua mão, que eu prontamente aceitei.

— A senhorita Amélie é bem conhecida por aqui, é uma princesa aristocrata e está no último andar do navio. — Entrelacei meu braço no dele e saimos andando.

— Descobriu isso tudo conversando com o garçom? — Perguntei surpresa.

— Ainda temos um ano juntos, Ava. Você ainda vai se admirar muito com meus dotes de guardião.

Subimos um lance de escadas até chegar em um cassino, todos aqueles que estavam lá pareciam muito mais sofisticados do que os do andar inferior, ao menos as roupas que Jimin e eu vestiamos se misturavam bem na multidão.

Pardón, aceitam uma bebida? — Um dos garçons se curvou e estendeu uma bandeja cheia de drinques para nós dois, eu estava prestes a negar quando Jimin pegou duas taças e agradeceu.

Merci. — Jimin me estendeu uma das taças e o garçom se afastou.

— Eu nunca bebi na vida. — Comentei ao pegar a taça.

— Tudo existe uma primeira vez. — Jimin cheirou levemente a bebida. — Champanhe de cidra de maçã, você vai adorar, Ava. Tem tempo que não tomo desses.

— Pra que eu devo tomar isso? — Perguntei girando o champanhe na taça.

— Pra se misturar. — Jimin tomou um gole da sua bebida e eu tomei da minha também. O álcool desceu rasgando por minha garganta e eu me segurei pra não tossir e chamar a atenção de todos, – o que era o oposto de se misturar – mas fora isso, o gosto não era de todo ruim.

— Amélie, querida! Junte-se a nós mademoiselle! — Um homem bem trajado que estava jogando Poker chamou o nome da nossa humana, então uma jovem aproximadamente da minha idade se aproximou dele.

— Acho que encontramos a garota. — Falei empolgada para Jimin, mas quando olhei para sua cara eu vi tudo, menos felicidade.

— Acho melhor você ir pro quarto, Ava. Eu te encontro lá quando terminar a missão. — Ele falou sem olhar pra mim enquanto encarava um grupo de pessoas, olhei para eles sem saber o que estava acontecendo e depois virei pra Jimin.

— Ir pro quarto? Por quê? Jimin, a garota está bem ali! — Falei indignada.

— Eu não estou pedindo, Ava. Vá pro quarto. — Toda a pose descontraída de Jimin tinha sumido, ele me encarou durante as últimas palavras e eu dei dois passos pra trás com o peso do seu olhar.

— Não estou entendendo. — Falei ainda com um fio de esperança de ele mudar de ideia e me explicar o que o deixou assim, mas Jimin simplesmente me ignorou e voltou a encarar seja lá o que ele encontrou e não quer me dizer.

— Eu não vou falar de novo. — Ele disse sem me olhar.

— E eu não arrasto os pés daqui enquanto você não abrir a boca e falar o que houve.

Jimin olhou de mim para aquelas pessoas e depois passou a mão nos cabelos indignado.

— Porra, PORRA! — Ele segurou minha mão de forma brusca e me puxou pra fora do salão. — Vem comigo.

Desci as escadas aos trancos tentando não tropeçar e quebrar a cara no chão enquanto Jimin me puxava com rapidez, voltamos pelo corredor de mármore e quando entramos no quarto Jimin fechou a porta e a trancou.

— Você vai ficar aqui dentro e vai me esperar voltar, não abra a porta pra ninguém além de mim. — Ele já estava se preparando pra sair quando o agarrei pelo colete e o puxei pra longe da porta.

— Ficar aqui dentro, uma porra! O que você viu? — Ele passou a mão nos cabelos alterado e sentou na cama.

— Um demônio disfarçado e um Raper. — Curvei a cabeça confusa e um pouquinho apavorada.

— O que é um Raper? — Jimin olhou em meus olhos.

— Um mestiço de humano com demônio, eles podem ver todo o sobrenatural e, diferente dos demônios, não podem ser tocados por nenhum guardião, eles são humanos e estão vivos, um guardião matar um humano é crime no Círculo.

— Demônios podem transar com humanos? — Perguntei horrorizada.

— Você não sabe nem metade de como esse mundo funciona. — Jimin segurou minha mão e me puxou pra perto, então vi um resquício daquele garoto brincalhão aparecer no meio de toda a tensão. — Essa missão pra salvar Amélie se tornou extremamente perigosa pra você, ainda não tivemos chance de fazer nenhum treino de armas e um Raper não é coisa fácil de lidar, nem mesmo pra mim.

— Mas você não disse que eles só podem se alimentar da alma se o humano morrer? Podemos só salvar Amélie e partir para a próxima missão.

— Eles já sentiram a nossa essência, sabem que estamos aqui pra salvar alguém e estão loucos pra saber quem é, as coisas ainda estão calmas, mas um vacilo e esse Cruzeiro vai virar um pandemônio.

— E qual é o plano? — Perguntei ignorando o medo que eu estava daquele demônio e da cria dele.

— Vou desligar todo o sistema elétrico do navio alguns minutos antes da morte de Amélie, depois a gente pula no mar e parte pra próxima missão. Mas preciso que me espere no quarto. — Ele ainda insistia pra eu ficar aqui, isso me deixou furiosa.

— Por que está me excluindo da missão? Eu estou aqui pra aprender, Jimin! Como vou aprender se só quer me deixar presa dentro desse quarto como um gatinho assustado? — Falei um pouco alto demais, fazendo Jimin me encarar estupefato.

— Você é louca, garota? Não tem treinamento, não tem experiência, você chegou no Círculo ontem. ONTEM! Não quero ter que chegar de volta e notificar que perdi minha aluna porque fui imprudente. Pode ficar puta comigo pro resto da nossa vida como guardiões, mas eu não vou te perder pra aqueles demônios.

Ele estava certo. Eu odiava admitir, mas Jimin estava certo. Eu estava prestes a aceitar e me deitar na cama quando uma batida na porta chamou nossa atenção.

— Bom dia, guardiões! — Uma voz grossa soou do lado de fora e eu tremi. — Só viemos avisar que estamos de olho em vocês, boa missão. — O que não estava falando gargalhou do lado, só percebi que eu estava tendo um ataque de pânico quando Jimin me puxou e me fez sentar ao lado dele, colocando o braço ao meu redor e fazendo círculos em minha pele com o dedo pra me acalmar.

— Não me deixe aqui, Jimin. Eles vão me matar. — Falei olhando dentro de seus olhos, foda-se a missão, eu só não quero morrer.

Jimin colocou as duas mãos no meu rosto e me fez continuar o encarando.

— Eles não são burros, não vão fazer nada com a gente enquanto não descobrirem qual humano vai morrer hoje. Eles querem a alma dela, Ava. Mais do que a alma de nós dois.

— E como é que a gente salva ela? — Perguntei sentindo um pouco de dó da moça, ela nem imagina que está sendo perseguida por dois demônios.

— Quer mesmo ajudar, não é? — Eu queria completar a missão, mas agora não é mais tanto isso.

— Só não quero ficar sozinha nesse quarto esperando um deles entrar e me matar. — Jimin baixou a cabeça e pensou por um momento, depois levantou da cama.

— Eu conheço aquele Raper, já esbarrei com ele antes, então ele sabe que eu sou o mentor e você é a aluna, se eu sair sozinho eles vão pensar que eu te tirei da missão e vão me seguir. Vamos fazer o seguinte. — Jimin começou a andar em círculos pelo quarto. — Enquanto eu os distraio, você vai dar um jeito de entrar no quarto da Amélie e ficar com ela lá até o horário da morte, eu vou tentar desligar tudo antes, mas preciso que cuide dela. Melhor assim?

— Eles não vão atrás de mim? — Me chame de covarde! Eu estava me cagando de medo.

— Os dois não vão sair da minha linha de visão. — Nos encaramos por alguns segundos, depois assenti, ele era meu mentor, ele sabia das coisas. — Te encontro no deque assim que a energia acabar.

Jimin saiu do quarto e eu imediatamente tranquei a porta. Eu precisava respirar, então me sentei na cama e olhei pra o lustre que estava pendurado no teto. Além dessa, ainda tínhamos mais oito missões pra cumprir, não sei se conseguiria sair viva.

Dei um tempo no quarto e depois abri a porta pra sair, Jimin me garantiu que estaria de olho nos demônios, então apenas fingi que eu era uma garota comum e fui falar com um dos garçons.

— Bom dia! Sabe onde encontro Amélie Bauffremont? — O garçom me encarou por alguns segundos.

— A mademoiselle estava no último piso, mas desceu agora pouco para seus aposentos, posso lhe dizer onde fica.

Ele me passou o número do quarto de Amélie e eu corri pra lá, o tempo já estava apertado e provavelmente aqueles demônios estavam começando a ficar sem paciência.

Voltei para o mesmo corredor de mármore aonde ficava o meu quarto com Jimin. Aproveitei pra pegar uma toalha e segui em frente até a ultima porta à direita, respirei fundo e bati duas vezes.

Mademoiselle Amélie? — Chamei torcendo para que ela me respondesse.

— Quem está aí? — Uma voz feminina me respondeu do lado de dentro.

— Me chamo Ava, Ava Park. Sou sua vizinha. — Logo a mesma garota que Jimin e eu vimos no andar de cima abriu a porta.

Jovem, cabelos ruivos e olhos verdes. Ela tinha uma aparência doce, e se mostrou simpática ao meu cumprimentar.

— Olá! — Ela sorriu aberto. — Prazer conhece-la, senhorita. Posso ajudar?

— Estou sem água quente. — Tentei soar o mais convincente possível. — Queria saber se me permitiria tomar banho aqui.

— Ah. — Ela arregalou os olhos e abriu mais a porta. — Pode entrar.

Seu quarto por dentro era bem parecido com o meu, me senti um pouco acanhada por estar invadindo assim, mas pelo menos essa garota foi legal comigo, precisei quase transar com o cara do ultimo salvamento pra que ele não morresse.

— Pode ir agora, se quiser. Eu estava prestes a tomar banho, mas ainda tenho que arrumar algumas coisas, pode ir primeiro. — Amélie sorriu pra mim e entrou no closet.

— Desculpe o incômodo. — Ela riu.

— Eu mesma sei o quanto é horrível ficar sem água quente, não está incomodando, pode ir.

Entrei no banheiro e fechei a porta. Amélie já estava livre da morte porque entrei no lugar dela, novamente. Preciso parar com essa mania de assumir a hora da morte dos meus humanos.

Meus humanos... Que coisa estranha de se pensar.

Já era pra energia do navio ter caído, Jimin me disse que desligaria tudo antes do curto circuito no banheiro, mas faltavam alguns minutos e ele ainda não desligou.

Deixei a preocupação de lado e tirei a roupa, me enrolando na toalha que eu peguei no meu quarto. Liguei o chuveiro mas não fui pra baixo, eu não estava afim de morrer.

Quando faltava um minuto para o problema elétrico do chuveiro de Amélie e eu percebi que alguma coisa errada estava acontecendo com Jimin, abri a porta e chamei Amélie.

— Nem deu tempo de lavar o cabelo. Seu chuveiro está dando choque! — Ela se aproximou de mim e olhou pro lado de dentro.

— Como assim? — Assim que o minuto virou nós ouvimos um estalo, flashes de energia elétrica envolveram o box do chuveiro e uma fumaça escura começou a sair dele. — Meu Deus! — Amélie arquejou e deus dois passos pra trás.

Saímos do banheiro e eu fechei a porta.

— Se eu tivesse ficado mais um minuto lá dentro... Estaria morta. — Falei sentindo uma paz interior por ter livrado a garota daquilo.

— Se você não tivesse batido na minha porta quem estaria morta era eu! — Ela me abraçou logo em seguida. — Sei que não tinha como você adivinhar que isso iria acontecer, mas obrigada.

Devolvi o abraço sentindo pela primeira vez a recompensa por tê-la salvado. Isso me fez gostar um pouquinho do que eu faço.

— Acho que vou terminar o banho no meu quarto mesmo. — Falei enquanto vestia a roupa que eu estava usando antes.

— Se não se importa, posso ir junto? — Eu acenei com a cabeça sorrindo.

Levei Amélie para meu quarto torcendo para que não tivesse água quente, se não ela me pegaria na mentira. Mas pelo visto o problema elétrico no quarto dela detonou a água quente de todos os quartos.

Mesmo assim a energia ainda estava ligada.

Depois que ajudei Amélie a chamar alguém pra troca-la de quarto eu fui para o deque procurar Jimin, como imaginei, ele não estava lá me esperando.

Peguei o Espelho Celestial e liguei pra ele, mas o guardião não atendia. O desespero começou a tomar conta do meu corpo, eu não tinha como completar aquelas missões sem Jimin e odiava a ideia de ele ter sido devorado por aqueles demônios.

— Olha quem está aqui! — Um homem alto foi se aproximando de mim, ele exalava uma aura escura que me forçava a sair correndo, tive medo de descobrir quem ele era. — A aluna do guardiãozinho, está procurando o asiático? Porque ele já virou pó faz tempo.

Me recusei a acreditar que ele estava morto.

— O que você fez com Jimin? — Ele riu.

— Eu? Eu não fiz nada. Meu filho que cuidou dele, eu estou aqui por você, te deixo viver se abandonar a missão e me disser quem vai morrer hoje.

Então ele pensava que ainda não tínhamos cumprido a missão, ao menos isso.

— Não vou te falar nada. — Disse com o pouco de coragem que eu ainda tinha, a única coisa que girava na minha mente era a preocupação com Jimin.

— Que pena, então vou ter que me contentar apenas com a sua alma.

Seu corpo se desfez na minha frente e um cheiro pungente de enxofre me envolveu, uma criatura negra com fileiras infinitas de dentes na boca enorme tomou o lugar do homem que estava falando comigo e meu nariz se torceu de nojo com o cheiro da carne putrefata.

— Vou te devorar, guardiã! — Ele rosnou com uma voz grossa e assustadora e se aproximou de mim devagar, como se soubesse que meu pavor não me deixaria sair do lugar tão cedo.

Aquele cheiro e a imagem que eu estava vendo só me fazia querer sentar em posição fetal e chorar, eu era ingênua, idiota, não tinha treinamento nenhum pra lidar com aquilo.

Como alguém consegue matar aquilo?

— Me deixe foder ela primeiro, papai. — Um cara falou de trás de nós, devia ser o tal Raper, porque com certeza aquela criatura horrenda na minha frente era um demônio.

— Estou com fome. — Ele rosnou ainda olhando pra mim.

— Você pode comer a alma do humano que eles não vão salvar enquanto eu fodo essa aqui, já me livrei do guardião, a missão está condenada.

Senti náuseas com o linguajar daqueles dois, a água estava a poucos metros de mim, era só eu pular e estava livre.

A carne do demônio começou a fumegar e eu caí no chão entorpecida pelo cheiro, estava com uma vontade absurda de vomitar, mas não tinha nada no estômago.

Pouco a pouco o demônio reassumiu sua aparência humana, depois olhou para o filho.

— Faça o que quiser com essa aí, vou atrás da minha comida. Quando terminar de foder ela, a alma é minha.

O demônio saiu andando e o Raper imediatamente me tirou do chão puxando meus cabelos, senti uma dor absurda e o navio inteiro só não escutou meus gritos porque ele colocou a mão na minha boca.

— Não gaste sua voz agora, guardiã. Ainda vai gritar muito quando eu estiver metendo em você.

Me debati em pavor, eu não sabia como me livrar daquele cara e a adrenalina misturada com o medo que circulava dentro de mim estava destruindo o meu corpo. Posso não ser mais humana, mas sentia tudo como se ainda fosse.

— Me larga! — Falei como última reação desesperada contra aquilo.

— Largar? LARGAR? — Ele puxou mais meu cabelo e me encostou contra seu corpo. — Eu vou fazer tudo com você, menos te largar.

Pensei em usar minha força pra me jogar do deque na água junto com ele, mas Jimin disse que não podemos matar humanos, e esse filho da puta é um.

Jimin... Que ele não esteja morto, por todas as divindades existentes.

Se eu sair de perto da água não terei mais chance nenhuma de me livrar do Raper, e se Jimin estiver realmente fora de cena...

Bom, estou sozinha nessa.

Continuei me debatendo, mas não falei nada porque minha mente girava nas possibilidades de me soltar e pular na água, enquanto o Raper me arrastava, uma memória de meus dias na terra invadiu minha mente.

☁☁☁

— É um giro, Ava! Você está fazendo errado. — Jungkook riu e arrumou minha postura.

— Você fala como se eu fosse uma iniciante, dá um desconto "senhor faixa preta" — Falei enquanto realizava o giro e o chute perfeitamente.

— Viu? Uma pressãozinha basta pra você fazer direito. Só tem que confiar um pouco mais em si. — Ele estendeu as duas mãos pra frente de novo. — Sou todo seu pra chutar como quiser.

Voltei a realizar os golpes com precisão, Jungkook era faixa preta em Taekwondo e foi me incluindo nesse mundo pouco a pouco, e sendo sincera, eu gostava.

☁☁☁

Senti algumas lágrimas escorrendo pelo meu rosto, tanto pela força que meu cabelo estava sendo puxado quanto pela lembrança repentina que tive de Jeon.

Deixei isso de lado por alguns segundos e trouxe de volta pra mim os golpes de defesa pessoal que aprendi logo que entrei na academia, eu não precisava brigar com ninguém.

Só precisava me soltar e ir pra água.

Usei o cotovelo pra tirar o ar do Raper, assim que o acertei no peito a busca por oxigênio dele foi instintiva. Ele ainda me segurava com o aperto firme, foi aí que o dei três chutes certeiros em uma atitude desesperada pra me soltar.

No primeiro segundo em que sua mão deixou meu cabelo eu corri. O Raper correu atrás de mim tentando de todas as formas não me deixar chegar na água.

Mas foi tarde demais, assim que seus dedos roçaram em minha roupa eu pulei.

A água foi bem vinda, o pote de slime me abraçou e eu me permiti deixar as lágrimas rolarem por meu rosto. Cada vez que eu me lembrava mais da minha vida como humana, mais eu vivia o luto da minha própria morte, e agora estava vivendo o luto por Jimin também.

Não é possível que, com tantos anos como guardião, ele esteja morto. Justo agora que o conheci...

O portal se abriu na minha frente e coloquei meus dois pés pra fora, não tive chance de olhar qual era a próxima missão, então eu não fazia ideia de onde estava. Tirei meu anel do dedo e o transformei no Espelho Celestial, então abri o painel de missões.

Eu estava na Escócia.

Senti as lágrimas em meu rosto e deixei que elas rolassem enquanto eu me preparava pra cumprir a próxima missão sem Jimin. Quando eu voltasse ao Círculo reportaria o desaparecimento dele.

Não consegui dar três passos antes que alguém pulasse em cima de mim com a força de um touro.

Talvez um pouco mais forte.

— Você tá viva! — A criatura me abraçou com força, mas só pude reconhecer quem era quando ele me largou e olhou pra mim.

— Jimin? — Não consegui segurar as lágrimas e eu mesma pulei de volta nele pra o abraçar. — Pensei que você estava morto.

Eu não conseguia solta-lo, jurava que ele estivesse morto e minhas emoções já estavam no limite depois do meu quase estupro e das lembranças que tive de Jungkook.

— O Raper me pegou quando eu estava prestes a desligar o sistema elétrico do navio, o plano deles era separar nós dois porque sabiam que você era nova nisso tudo, então ele me jogou na água.

— Por que ele não te matou? — O soltei apenas para olhar seu rosto.

— Os únicos que podem nos matar são os demônios, e quando o Raper me pegou o demônio saiu pra procurar você. — Jimin se ajoelhou e segurou minhas duas mãos com a cabeça baixa. — Me perdoe. Prometi que ficaria de olho nos dois pra você não correr riscos, vacilei com você, Ava. Entenderei se reportar e pedir outro mentor.

Arregalei meus olhos em descrença e o puxei para que se levantasse.

— Não quero outro mentor, eu estava preocupada com você, Jimin. A forma que aqueles demônios estavam falando afirmava piamente que você estava morto. — Uma lágrima escorreu pelo rosto do guardião.

— Então eles te encontraram. — Ele estava com uma feição tão culpada que eu só estava com vontade de o abraçar e dizer que tudo ficaria bem.

— Pensaram que eu não tinha salvado a menina ainda, então tentaram sabotar a missão pra ter a minha alma e a dela, mas quando me encontraram Amélie já estava segura.

— Então você foi pra água. — Eu assenti, decidi não contar os detalhes pra Jimin não se culpar mais, eu estava viva e os dois ficaram pra trás, aquilo bastava. — Como se livrou deles?

— Eu lutava taekwondo quando era humana. — Dei de ombros, era resposta suficiente.

— Vamos terminar as missões, quando chegarmos no Círculo a gente conversa mais. — Eu assenti e nós fomos descobrir que humano precisava da nossa ajuda na Escócia.

Mesmo ocupada, o sentimento ruim de pensar que Jimin estava morto não sumiu, e o rosto de Jungkook não parava de passar em minha mente.

☁☁☁☁☁

𝕃𝕖𝕚𝕥𝕠𝕣 𝕗𝕒𝕟𝕥𝕒𝕤𝕞𝕒, 𝕖𝕦 𝕤𝕠𝕦 𝕠 𝕞𝕖𝕝𝕙𝕠𝕣 𝕘𝕦𝕒𝕣𝕕𝕚ã𝕠 𝕕𝕠 ℂí𝕣𝕔𝕦𝕝𝕠, 𝕔𝕠𝕟𝕤𝕚𝕘𝕠 𝕧𝕖𝕣 𝕧𝕠𝕔ê 𝕡𝕠𝕣 𝕒𝕢𝕦𝕚. 𝔸𝕡𝕒𝕣𝕖ç𝕒 𝕡𝕒𝕣𝕒 𝕠𝕤 𝕠𝕦𝕥𝕣𝕠𝕤, 𝕤𝕖 𝕕𝕖𝕚𝕩𝕒𝕣 𝕤𝕖𝕣 𝕧𝕚𝕤𝕥𝕠 é 𝕚𝕞𝕡𝕠𝕣𝕥𝕒𝕟𝕥𝕖 𝕡𝕒𝕣𝕒 𝕠 𝕖𝕟𝕘𝕒𝕛𝕒𝕞𝕖𝕟𝕥𝕠 𝕕𝕒 𝕞𝕚𝕟𝕙𝕒 𝕙𝕚𝕤𝕥ó𝕣𝕚𝕒. ⭐

𝔹𝕖𝕚𝕛𝕠𝕤 𝕕𝕠 𝕁𝕚𝕞𝕚𝕟!

(Em baixo, o mesmo recado escrito em outra fonte para os que não conseguiram ler nos outros capítulos)

Leitor fantasma, eu sou o melhor guardião do Círculo, consigo ver você por aqui. Apareça para os outros, se deixar ser visto é importante para o engajamento da minha história ⭐

Beijos do Jimin!

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