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Capítulo 1 - No way.

Olá, meus amores! 

Como estão? Bom, vocês devem estar se perguntando "Ela não cansa de inventar fanfics?" kkk Mas enfim, não canso. Na verdade, esses dias eu estava sofrendo mais do que o normal por camren, e olhando a tl no twitter enquanto ouvia o hino No way, me deu uma enorme vontade de escrever algo das meninas dentro do grupo. Como estou cheia de fanfics para escrever, pensei em uma simples one-shot. Dividi a ideia inicial com as meninas (Sindy e Lari) que adoraram, e montaram comigo esse enredo. Eu espero que vocês gostem tanto quanto nós amamos fazer ela pra vocês. Garanto que cada pedacinho foi montado com todo amor e carinho, expressando todo amor que sempre quisemos ver entre Camila e Lauren. E quero aproveitar, e agradecer a Ju, que fez essa capa maravilhosa para a nossa one! Obrigada mesmo. - Evelin.

"Não tenho muito o que falar, primeiramente, que vocês fazem as coisas acontecerem e deixam elas mais legais, obrigada por sempre serem pacientes com a gente e receptivos, essa one a Tiger deve ideia de criar, e ela foi sendo desenvolvida e eu honestamente, acho que é uma one maravilhosa, espero que vocês gostem e apreciem e vejam o que propomos pra vocês.

Capitulo dedicado pras minhas amigas.. Aquelas que eu sei que posso contar sempre (Eve, Lari, Amanda, Thai, Sol, Je) e sim, to dedicando pras próprias autoras porque elas são importantes e especiais também. E pra minha namorada <3.. Que é muito além de amizade. - Sindy"

"Como eu disse no twitter: NÃO NÃO NÃO, MADRASTA AQUI NÃO ~~Gif Gretchen dançando~~ - Lari Rios."

Sem mais papos, vamos ao que realmente importa. Para essa oneshot eu preciso, na verdade é totalmente necessário que vocês escutem três musicas.

1° No Way - Fifth Harmony.

2° 1000 hands - Fifth Harmony

3°  Home - Gabrielle Aplin.

Todas as musicas vão ser indicadas na hora exata de dar play, enquanto isso, vocês podem deixar as musicas repetindo até que eu indique que inicie a próxima! 

Agora vamos lá, um grande beijo!


Lauren Jauregui's point of view.


No Way

I know you don't want me anymore

By the look on your face

They say when it rains it pours

You can tell by my face

Oh, and I know

And you know that we been here before

I think I know how it should end

We got an audience calling us crazy

Retirei os fones de ouvido antes de ouvir a doce voz de Camila. Não que eu não gostasse de ouvi-la cantar. Afinal, em todo esse mundo, ouvir Camila cantar era uma de minhas coisas favoritas. Eu amava seu tom de voz tão suave que inundava meus ouvidos com tanta emoção e sentimento. Era incrível como ela e a musica se faziam uma só, como se cada pedacinho daquela canção partisse de seu coração. E partiu, não só do dela, mas do meu também.

Flashback on

Amassei aquele maldito papel entre os dedos, deixando que as lagrimas caíssem, banhando meu rosto e liberando toda aquela dor que me consumia. As palavras de Camila escritas ali me roubaram todo o ar. Em cada letra eu sentia a sua dor, a minha dor. Deixei que minhas costas se arrastassem pela parede do quarto, até eu me sentar no chão. Eu me encontrava destruída, perdida e só. Minha vontade era de sair daquele quarto e procurá-la por onde quer que fosse, e pedir que voltasse para mim, que me deixasse curar todas as feridas que causei. Mas eu não poderia, não mais. Existia um mundo inteiro contra nós, e eu não tinha forças para ir contra ele.

- Droga, droga! – exclamei alto, sentindo meu peito arder.

Eu soluçava em meio ao choro doloroso. Era como sentir alguém esmagando o meu coração, retirando com força um pedaço dele. E era realmente o que estava acontecendo, eu estava perdendo, perdendo para mim mesma. Eu era o meu próprio carrasco. Encolhi as pernas, colocando meus braços envolta das mesmas, para que eu pudesse abaixar a cabeça e chorar.

"Eu cansei de tentar te entender, eu cansei de amar você. Isso dói, amar você dói."

As palavras de Camila se repetiam em meus pensamentos, torturando-me sem dó ou piedade. Era como se eu pudesse ouvi-la dizer tudo aquilo, como se eu pudesse enxergar naqueles olhos castanhos toda a dor e sofrimento que lhe causei. Eu poderia ouvir seus soluços ao escrever aquela carta, eu poderia sentir o quanto doeu. Por mais surreal que fosse, nós tínhamos uma conexão. E eu tinha certeza que onde quer que ela estivesse agora, estava sentindo tanto quanto eu.

"Nós poderíamos ter dado certo, mas você nunca quis...nunca aceitou."

- Eu quis! Eu quero, Camila. – murmurei baixinho em meio aos soluços e lagrimas. – Eu te amo.

Eu me perdi no tempo, chorei por horas, talvez. Eu sentia minha cabeça latejar, as têmporas pulsavam me fazendo gemer de dor, apesar de aquela dor ser a mais amena. Arqueei a cabeça para trás, encostando à parede. Puxei o ar com força para meus pulmões, enquanto fechava os olhos. O ar saiu por minhas narinas, enquanto os soluços sumiam gradativamente, deixando lugar apenas para o silencio e a dor. Deslizei a ponta da língua sobre meus lábios ressecados, encarando aquele pedaço de papel amassado ao chão. Camila não teve a coragem de vir até mim e falar tudo que estava engatado em sua garganta, como ela mesma havia dito em sua carta de despedida. "Eu já não suporto a dor do fim, não posso fazer isso outra vez. É como se você me atirasse no fundo de um poço e me deixasse lá, sozinha. Não precisamos nos despedir mais uma vez." Eu também não iria até ela, não diria tudo que estava sentindo. Eu responderia, mas da minha maneira.

[...]

- Lauren?? Jesus, acorde! Estamos atrasadas.

Ouvi a voz de Dinah inundar meus ouvidos, fazendo-me praguejar internamente por ter sido acordada. Me remexi sobre a cama bagunçada, puxando o travesseiro para cima de minha cabeça.

- Me deixe em paz.

- Eu deixaria, mas temos que ir para o estúdio. Estamos todas prontas, menos você.

Continuei parada, com o travesseiro sobre a cabeça na esperança que ela saísse. A ultima coisa que eu queria aquele dia, era sair daquele quarto. Mas Dinah parecia não entender aquilo.

- Deixa de preguiça, Laur. Vamos!

A loira retirou o travesseiro e me encarou, sua expressão se transformou no exato instante que colocou os olhos sobre mim. Dinah agora tinha o semblante preocupado e temeroso.

- O que aconteceu? Você está horrível. – disse ela ao sentar do meu lado na cama.

- Obrigada. – soltei em um tom indiferente.

- Não me diga que...

- Não quero falar sobre isso. – disse ao me sentar na cama.

Todas as meninas sabiam da minha quase relação com Camila. Nós não éramos um segredo nem para os fãs, imagine para elas? É claro que nada era concreto, tudo se baseava em suposições. Camila e eu sempre fomos um enigma para todos, até para nós mesmas. Nos últimos meses as coisas acabaram se intensificando e, se tornando cada vez mais pesadas e tensas. A partir de agora, tudo iria ficar cada vez pior.

- Lauren, você sabe que pode me contar o que aconteceu, não é?

Eu estava tão sensível que até Dinah sendo solidaria como meu estado deplorável me fazia ter vontade de chorar. Fechei os olhos que já se enchiam de lagrimas, tentando controlar aquela maldita sensação de fraqueza.

- Acabou, Dinah.

- Você e ela?

- Sim.

Dinah suspirou pesado e nada falou, apenas me puxou para um abraço apertado. E eu não pude segurar, eu chorei nos braços dela, deixando novamente aquela dor me consumir.

[...]

- Já temos todas as propostas aqui? – perguntou o nosso produtor musical.

- Acho que sim. – Normani falou ao meu lado.

Olhei pela quinta vez o papel entre minhas mãos. Eu estava em uma batalha interna ao redor da idéia de mostrar ou não o que eu havia preparado aquela madrugada. As horas que não dormi foram proveitosas para alguma coisa que não fosse minhas lagrimas. Eu respirei fundo, dobrando a carta de Camila, que em seu verso tinha a letra de uma nova musica.

- Eu não tenho mais nada. – Ally continuou.

- Você tem alguma coisa, Camila? – perguntou ele em direção a latina, que fez absoluta questão de sentar a metros longe de mim.

- Não.

Assim como eu, Camila permaneceu calada durante toda a reunião. Era bem nítido o clima pesado que se instalara entre nós, mas ninguém ousava sequer perguntar o que havia acontecido. Todos agiam como se estivesse tudo normal.

- E você, Lauren?

Levantei um pouco a cabeça, e encarei brevemente o nosso produtor. Eu estava de boné aquela manhã, na tentativa falha de tentar esconder um pouco o meu estado visivelmente acabado. Olhei mais uma vez para a carta, e logo depois para Camila que em nenhum momento me fitou.

- Eu tenho.

- Que ótimo! Quer nos mostrar?

- Ah, sim. Só preciso cantar. Fiz essa madrugada e ainda está um projeto meio bruto, vai ficar difícil entender esses rabiscos.

- Claro, podemos ir para o estúdio.

- Perfeito.

Seguimos todos para a sala ao lado, onde se encontrava a cabine do estúdio. As meninas logo arrumaram um lugar próximo ao piano, onde me sentei rapidamente. Camila se manteve ao lado de Dinah, próximo a calda do enorme instrumento musical, mas precisamente o mais longe de mim possível. Retirei o papel do bolso de meu casaco, esticando mesmo para deixá-lo mais apresentável. Os olhos da latina se arregalaram ao ver a carta que havia sido escrito pela mesma, e pela primeira vez aquele dia, Camila me olhou nos olhos. Segurei seu olhar por alguns segundos que pareceram intermináveis, sentindo toda aquela emoção e sentimento que nos prendia uma na outra.

- Espero que goste. – soltei baixinho para que só ela entendesse, e então fechei os olhos outra vez.

[Inicie No Way]

Deslizei os dedos delicadamente sobre as teclas brancas do piano, antes de pressioná-las com as primeiras notas. A melodia suave se espalhou por toda aquela sala, fazendo-me fechar os olhos lentamente e começar a cantar.

I know you don't want me anymore

By the look on your face

Minha voz saiu mais rouca que o normal, talvez pela noite mal dormida, ou simplesmente, pela dor que eu estava sentindo.

They say when it rains it pours

You can tell by my face

Abri os olhos lentamente, encarando as teclas do piano, antes de levantar a cabeça e fitar a mulher que eu tanto amava. Camila me encarava perplexa, sabendo exatamente que aquilo era para ela. Sua expressão se resumia em surpresa, emoção e dor.

Oh, and I know

And you know that we been here before

I think I know how it should end

We got an audience calling us crazy

We ignore those with opinions of hate

We're not like the rest of them

Friends with insanity as of lately

Fixei meus olhos nos dela. Como se naquele momento não existisse absolutamente ninguém naquela sala além de nós duas. Eu poderia enxergar naquela Iris castanha que ainda existia amor, que ela ainda me queria.

Everyone comes with scars

But you can love them away

I told you that I wasn't perfect

You told me the same

Camila desviou os olhos dos meus, abaixando a cabeça para que eu não a olhasse, para que eu não a sentisse. Ela negaria agora, negaria que me queria. E eu não poderia fazer nada para mudar, não mais.

I think that's why we belong

Together and unashamed

I told you that I wasn't perfect

No way, way, way

Way, way, way

No way

No way

Eu sentia cada palavra deixar a minha boca com tanta dor, como se eu estivesse sendo sufocada. Minha voz estremeceu, embargada pela maldita vontade de chorar. Eu fechei os olhos, respirando fundo para continuar. Meus dedos pressionaram as teclas com um pouco mais de força, enquanto a musica inundava todo aquele lugar com o meu amor por aquela mulher.

When I look in your eyes

I see through to my soul

I know the core of you is good

You're my tarnished hero

A encarei novamente, vendo as lagrimas deixar seus olhos tão tristes. Eu tinha certeza que ela sentia o mesmo que eu, absolutamente tudo. Camila e eu havíamos sido feitas uma para outra, mas por obra do destino, não ficaríamos juntas. O quão triste isso pode ser?

Oh, and I know

And you know how our story is told

Only we know what it is

We got an audience calling us crazy

We ignore those with opinions of hate

We're ain't like the rest of them

Friends with insanity as of lately

Ela ergueu a mão até seu rosto, limpando delicadamente as lagrimas que teimavam em descer. Eu queria poder fazê-la parar de chorar, mas eu precisava que ela soubesse o que se passava em mim. Precisava que sentisse que eu também estava sofrendo como ela, e com ela.

Everyone comes with scars

But you can love them away

I told you that I wasn't perfect

You told me the same

Elevei minha voz, deixando que toda emoção tomasse conta. As lagrimas rolaram por meu rosto, fazendo minha voz embargar. Parei por alguns segundos de cantar, recebendo os olhares assustados e surpresos de todos para mim. Retomei a letra da musica, e cantei olhando para ela que despencou em lagrimas.

I think that's why we belong

Together and unashamed

I told you that I wasn't perfect

No way, way, way

Camila soluçou em um choro doloroso que me rasgou o peito com tamanha dor. Dinah tocou em seu braço, mas a morena negou com a cabeça e seguiu para fora daquela sala. Aquele seria o nosso fim?

Way, way, way

No way

No way

No way

Flashback off.

Senti alguém colocar as mãos sobre meus olhos, na tentativa que eu adivinhasse quem poderia ser. Um sorriso escapou entre meus lábios, e antes que eu pudesse falar, a voz suave sussurrou em meu ouvido.

- Pensou que eu não viria?

Virei de frente para Lucy que me encarou com um sorriso largo.

- De forma alguma. Eu estava te esperando.

- Me atrasei um pouco, estava terminando de arrumar as malas.

- Não tem problema. Só temos que nos apressar, as meninas já estão no jatinho.

Lucy agarrou em minha mão, e com a outra ajeitou sua mochila nas costas. Caminhamos juntas em direção a pequena aeronave que tinha como destino o UK. O nosso novo álbum estava há dois dias do lançamento. O tão esperando 7/27, que fazia referencia ao dia que nos unimos como um grupo seria escutado por todo mundo, enquanto as meninas e eu faríamos a divulgação dele em Londres, e somente depois no restante dos lugares. Encontrávamo-nos extremamente animadas e felizes com o resultado, e mal poderíamos esperar para poder cantar nossas novas musicas para os harmonizers.

- Deixa que eu ajudo. – o piloto falou ao pegar a mochila de Lucy.

Soltei um sorriso simpático, e entrei primeiro no jatinho.

- Finalmente! – Normani falou ao fundo.

- Pensei que tinha se perdido no aeroporto. – Dinah exclamou em meio a uma risada.

- Ela já se perdeu uma vez, você lembra? – Camila completou rindo divertida.

- Engraçadinha. – resmunguei a cutucando.

O sorriso que estampava o rosto de Camila sumiu ao ver minha acompanhante entrar logo atrás. O jatinho ficou em repleto silencio por alguns segundos, mas Ally logo cumprimentou Lucy, seguido pelas outras.

- Não sabia que viria, Lu. – Dinah falou simpática.

Acomodei-me na poltrona do corredor, e Lucy na da janela. Dinah estava uma a frente, e Camila em outra de frente para Dinah. Enquanto Ally e Normani sentaram ao fundo.

- Eu fiquei sabendo que viria ontem, acredita?

- Nem eu consigo acreditar! – Camila soltou com uma ironia que só eu poderia perceber.

Ela sorriu para a morena que retribuiu da mesma forma. Camila nunca tratou Lucy mal. Até porque ela não tinha motivos pra isso, felizmente, ou não. Há pouco tempo estávamos experimentando um outro lado da nossa amizade. E parecia estar dando certo, já que Lucy Vives me conhecia perfeitamente bem, e sempre foi uma das pessoas essenciais em minha vida. Talvez eu precisasse daquilo, de alguém que pudesse me fazer tão bem novamente.

- Na verdade eu fiquei tão animada, e meio que me ofereci para vir. – a mulher ao meu lado falou divertida.

- Você vai adorar o UK. É mágico! – Normani falou ao se escorar em minha poltrona.

- Sim, pelo menos costumava ser. – Camila completou indiferente.

Olhei para ela, mas a mesma logo iniciou uma conversa animada com Dinah. Já havia muito tempo que Camila se tornou completamente indiferente com relação a mim. Nós restringíamos nossa convivência em relação a trabalho e algumas boas conversas sobre coisas do cotidiano e brincadeiras sutis. Confesso que sentia muita saudade do que um dia fomos, não era fácil vê-la tão próxima das outras e mais afastada de mim. Talvez por isso eu tenha me apegado tanto aos novos amigos, novas pessoas, em uma tentativa de preencher as lacunas que a menina Cabello deixou.

- Atenção senhoritas, fiquem em suas poltronas com os cintos afivelados. Vamos iniciar o vôo em cinco minutos. – O piloto falou pelas caixinhas de som que se dividiam pela extensão de nosso jatinho.

- UK, aqui vamos nós! – Ally gritou ao fundo, fazendo-nos comemorar.

O vôo estava sendo perfeitamente tranqüilo. Faltava apenas uma hora para desembarcarmos em Londres. O abafado barulho das turbinas era a única coisa que poderia se ouvir no silencia da aeronave. Todas estavam dormindo, exceto por Camila e eu. A latina se mantinha concentrada em um livro mais a frente, e eu apenas ouvia algumas musicas em meu celular. Nós não trocamos sequer uma palavra, não queríamos acordar nenhuma das meninas que pareciam exaustas. Lucy estava encolhida na poltrona ao meu lado, dormindo de forma serena. Fechei os olhos por alguns segundos, apenas ouvindo a musica em meus fones, quando senti os dedos finos se entrelaçando aos meus. Abri os olhos e a mulher encostou a cabeça em meu ombro, se acomodando mais próxima de meu corpo. Engoli em seco, e fitei Camila que pareceu não se importar em nada com a situação. Ela apenas folheou seu livro tranquilamente. Olhei para Lucy que suspirou ainda em sono, e logo depois para Camila que me fitava.

Flashback On.

- Fica quieta, Camz - sussurrei contida para não rir.

- Estou quieta.

Mentiu descaradamente ao se aconchegar em meus braços. Camila e eu estávamos sentadas lado a lado nas poltronas de nosso novo jatinho. Nossos produtores haviam se dado conta de que agora precisávamos de uma aeronave particular, não dava mais para viajar em linhas aéreas comuns, pois a quantidade de fãs havia se multiplicado e o trajeto se tornava difícil com acompanhamento de seguranças.

- O que está fazendo? – Camila riu baixinho para não acordar as outras meninas.

- Carinho, não gosta? – perguntei ao deslizar meus dedos entre os fios sedosos de seu cabelo.

- Eu amo quando me faz carinho, Laur.

- Eu amo fazer carinho em você, Camila.

- Pena que faz poucas vezes. – disse enquanto me encarava fixamente.

- Não sei quando posso fazer ou não. Vai que tento e você não quer?

Ela sorriu e se afastou um pouco, apenas para levantar o braço da poltrona que nos separava. Logo senti o calor do corpo da latina junto ao meu, dando-me a oportunidade de envolvê-la com os braços.

- Acho que agora eu quero muito.

Passamos praticamente o vôo inteiro assim, juntas. Camila agora dormia serenamente em meus braços, enquanto eu ainda fazia carinho em seu cabelo que tinha um cheiro tão bom. Normalmente a morena dormia com Dinah em nossas viagens interestaduais. Era incrível como ela e eu nos aproximávamos toda vez que colocávamos os pés para fora do EUA. Camz se remexeu devagar, soltando um suspiro que me fez sorrir. Desci com a mão de seu cabelo, deslizando a ponta de meus dedos pela pele delicada. Contornei as maçãs de seu rosto, como se estivesse desenhando cada mínimo detalhe, meu polegar arrastou devagar sobre os lábios carnudos e bem desenhados que eu tanto amava em Camila. Talvez eu tivesse certa obsessão por aquela boca.

- Gosta dela? – perguntou sonolenta, com um sorris de canto.

- Eu não queria acordar você, sinto muito.

- Tudo bem, Lo.

Deixei escapar uma risada nasal, que fez Camila franzir o cenho.

- Do que está rindo?

- "Lo" Só me chama assim quando estamos muito bem uma com a outra.

- E estamos, não é?

Ela ergueu um pouco seu rosto para me encarar. Olhei nos olhos castanhos intensos e suspirei.

- Isso é você quem tem me dizer, Camz.

Camila afastou-se, deixando sua coluna ereta, agora ficando virada de frente para mim. Eu fiquei calada, apenas esperando que ela falasse algo.

- Estamos fora do EUA, e por mais estranho que seja. Eu sinto como se o ar ficasse mais leve entre nós. Como se por alguns segundos fossemos pessoas diferentes, não sente?

- Sim, e gosto muito disso.

Ela sorriu de forma angelical, enquanto colocava alguns fios de seu cabelo atrás da orelha.

- Podemos aproveitar de uma maneira diferente? Eu sei que existe muita coisa que nos envolve. Mas estamos indo para um lugar lindo e mágico, e não consigo pensar em outra pessoa com quem eu queira aproveitar tudo isso, que não seja você.

- Eu quero muito, Camz. – levei a mão até seu rosto, retirando da frente os fios de cabelo que teimavam em cair. - Quero que a gente aproveite cada segundo desses dias juntas. Apenas você e eu, ok?

- É o que eu mais quero, Lauren.

Flashback off.

Puxei delicadamente a mão que estava entrelaçada a de Lucy, e me acomodei melhor em minha poltrona. A mulher remexeu-se ao meu lado, virando seu corpo para o lado da janela, puxei o cobertor azul, cobrindo seu corpo lentamente. Camila despertou minha atenção assim que se levantou de sua poltrona e passou do meu lado rapidamente, caminhando em direção ao fundo do jatinho. Acompanhei a morena com os olhos, vendo-a entrar no banheiro. Pensei em falar com ela, perguntar se estava bem, mas ela não teria motivos para estar mal, certo? Não demorou muito, e a latina saiu. Voltei a minha posição normal na poltrona, para que ela não percebesse nada; Camila sentou-se em sua poltrona, e voltou sua atenção ao livro.

[...]

Chegamos a Londres as sete da manhã. O aeroporto contava com uma boa quantidade de fãs a nossa espera, no qual fizemos absoluta questão de atender com direito a fotos e alguns autógrafos rápidos. A imprensa também estava presente, registrando nossa chegada para divulgação do 7/27. Fomos levadas para o carro com a equipe de segurança, enquanto os fãs pediam por mais atenção. E não só minha e das meninas, mas como de Lucy também.

- Eu adoro quando eles estão nos esperando! – Dinah falou animada ao sentar no banco da van reservada para nós.

- Eles são uns amores. – Camila falou ao sentar ao lado da mesma.

Me acomodei no banco de trás das mesmas, que estavam atrás de Normani e Ally. Lucy entrou por ultimo, logo após bater uma foto com uma fã.

- As fãs pegaram até você, Lucy. – Normani falou em meio a uma risada.

- Que loucura isso!

- Você ainda não viu o Brasil. Lá é mil vezes maior. Incrível demais.

Dinah falou entusiasmada.

- Deus, eu amo os brasileiros! Mês que vem vamos viver tudo aquilo de novo! – Camila falou em uma empolgação contagiante.

- E comer brigido.

- É brigadeiro, Mani. – falei rindo.

- Oh, céus. Sim.

- Você vai também, Lucy? – Ally virou de frente para nós.

- Não, tenho mil coisas da faculdade pra resolver. Essa é minha ultima semana com mais folga.

- Então, querida fique na sua faculdade mesmo! – Dinah soltou com certo sarcástico? Não.

Camila sorriu e negou com a cabeça.

[...]

Ficamos hospedadas no mesmo hotel de nossa ultima vez no UK, e eu não sabia se aquilo era bom ou ruim. Afinal, aquele lugar me trazia muitas lembranças, e todas elas foram ao lado de Camila. A manhã transcorreu tranqüila, e eu estava agradecendo aos céus por isso. O vôo havia sido cansativo, e nossa tarde e noite seria simplesmente lotada. Teríamos uma tarde inteira de autógrafos com os fãs, e de noite a apresentação no Britain's go Talent. Agora, estávamos todas reunidas no restaurante do hotel, em um almoço em conjunto com alguns de nossos organizadores. Sinu também compareceu uma hora depois de nossa chegada, no mesmo vôo que nossos produtores. Camila depois de uma fase difícil passou sempre a ter a presença de sua mãe, e eu achava tão bonito como as duas se tornaram mais do que mãe e filha, e sim, grandes amigas.

- Eu vou para o quarto, hija. – a mulher falou para Camila que estava sentada a minha frente.

- Tudo bem, mama. Vou ficar aqui com as meninas.

Durante toda manhã, Camila não trocou sequer uma palavra comigo, não diretamente. Ela permanecia grudada em Dinah o tempo todo, as duas pareciam irmãs siamesas outra vez.

- Os harmonizers estão surtando com a espera do álbum. – Ally falou ao virar seu celular para nos mostrar.

- Até eu estou. – soltei um riso fraco.

- Sinto que eles vão amar. - Foi a vez de Mani falar, enquanto mantinha a atenção concentrada no celular de Ally.

- Tenho certeza que vão, Mani. – Lucy falou sorridente ao meu lado.

Dinah e Camila estavam no canto na mesa entretidas com o snapchat, enquanto eu apenas conversava com o restante das meninas. Eu estava começando a me sentir incomodada com o fato que Cabello praticamente ignorava minha existência naquela mesa. A mesma conversava com todas, até mesmo com Lucy, menos comigo. Neguei com a cabeça, e capturei meu celular para entrar em minhas redes sociais. Destravei o touch, e pressionei o ícone do Twitter. A timeline inteira estava surtando com nossos today's, uns por Fifth Harmony, e outros por Lucy e eu. Será que Camila estava vendo tudo aquilo? Nos últimos tempos, a latina deixou bem claro que as redes sociais, mas especificamente o twitter, havia se tornado algo extremamente tóxico. Eu nunca pensei o contrario, é claro que havia uma enorme quantidade de verdadeiros fãs que estavam ali todos os dias se esforçando por nós, e transmitindo todo o amor possível. Mas existiam aqueles que faziam do ódio gratuito sua marca. Deslizei o dedo pela tela do Iphone, vendo inúmeras fotos de Lucy na entrada do hotel, com as legendas "L2" e alguns corações.

- Gostaram da minha vinda. – Lucy sussurrou em meu ouvido, dando um beijo suave em meu pescoço.

Olhei para ela um tanto desconfortável. Nós tínhamos nossos momentos de carinho, mas tudo muito particular. Eu não gostava de exibir minha vida particular, não mais. Dar motivos para que as pessoas especulem sobre o que faço ou deixo de fazer nunca foi uma coisa boa para mim.

- Parece que sim, Lu.

Corri os tweets pela timeline, vendo a alegria de uns pela presença de Lucy e a insatisfação de outros. Até a pobre da Nala entrou na discussão por estar nos braços de minha...amiga? Arrastei os tweets pela tela do celular, vendo algumas montagens de Camila comigo, eram tão perfeitas que se eu não soubesse que não estivemos daquela maneira, poderia jurar serem reais.

- Eles são firmes e fortes. Não desistem nunca. – disse risonha, ao repousar sua cabeça em meu ombro.

- São sim... – soltei um tanto distraída com a imagem.

- Talvez sintam que existe algo ainda.

Fixei meus olhos no dela por alguns segundos, mas ela deu de ombros como quem quisesse mudar de assunto e iniciou uma conversa com Dinah. Voltei a imagem para tela do celular, e nela, Camila e eu nos beijávamos. Neguei com a cabeça e travei o aparelho.

[...]

Work from home deixava as caixas de som em um volume alto, enquanto a fila de fãs só crescia na entrada do salão onde seria realizado a nossa tarde de autógrafos. Senti Normani segurar em minha cintura para que eu me aproximasse mais para as fotos com as outras meninas. Depois de uma pequena seqüência de fotos, caminhamos juntas para a mesa preparada para atender os fãs. Sentei na primeira cadeira que estava reservada com meu nome, logo ao meu lado se sentaria Camila, na seqüência por Dinah, Ally e Normani. Assim que a morena viu que se sentaria ao meu lado, pediu gentilmente para que Ally trocasse de lugar. Eu a encarei sem entender, mas ela nada falou. Allyson apenas assentiu, e sentou-se no lugar que era de Camila.

- Desculpe. – Ally falou sem jeito.

- Você não tem culpa de nada.

Fiquei um tanto distraída por alguns minutos, mas logo minha atenção foi completamente tomada pela entrada dos fãs no salão. Os primeiros logo começaram a subir perfeitamente enfileirados para receberem os autógrafos no encarte do 7/27. Eu adorava aquele contato com os harmonizers, era maravilhosa a sensação de você receber tanto carinho de pessoas que nunca sequer viu. Todos tentavam naqueles poucos minutos transmitir todo o amor que sentiam por cada uma de nós.

- Oh Deus, Lauren. Eu amo tanto você! – uma delas falou com lagrimas nos olhos.

- Ei, eu também amo muito você. Não chore.. – segurei na mão da fã com carinho, o que a fez chorar mais um pouco. – Me dê aqui seu encarte.

A jovem de cabelos escuros me entregou o encarte visivelmente nervosa. Escrevi meu nome ao lado do nome de Ally, e acrescentei um "eu te amo" que fez a moça abrir um largo sorriso para mim. Levantei-me um pouco, para dar um pequeno abraço na menina que se despediu chorosa. A tarde seguiu agitada, eu sentia minha mão doer de tantos autógrafos dados, quando por sorte Will deu uma breve pausa, para começar com o segundo lote de fãs.

- Descanso de vinte minutos, meninas!

- Obrigada, eu não consigo sentir meus dedos. – Dinah falou ao se levantar.

Caminhamos todas juntas para uma sala particular, uma espécie de camarim. Lá estavam todos reunidos, comendo e bebendo enquanto os organizadores preparavam o ultimo lote de fãs para encerrar a tarde de autógrafos.

- Meus dedos doem. – Ally falou com uma carinha sofrida.

Will se aproximou, repousando seu braço sobre os ombros da menor. Não era segredo para ninguém dos bastidores que Ally e Will estavam se envolvendo, mas cuidávamos de manter somente para nós.

- Cansada, meninas? – perguntou sorridente.

- As mãos sim! – Mani exclamou gesticulando com as duas mãos.

- Lucy não terá uma noite animada depois dessa tarde de autógrafos, não é Lauren? – o homem soltou em meio a uma risada divertida.

Todas nós olhamos para ele que no mesmo instante se calou. A piada infeliz trouxe um silencio constrangedor, e uma troca de olhar tensa com Camila. A latina ergueu as sobrancelhas e assentiu para o nada, com um sorriso sem humor estampado em seus lábios. Fechei os olhos e suspirei.

- Alguém quer café? – Ally perguntou para mudar de assunto drasticamente.

- Eu quero. – Dinah rapidamente falou.

- Vá pegar, Will. Por favor.. – a menor disse enquanto empurrava lentamente o homem para longe dali.

- Eu vou ao banheiro. – ouvi Camila falar para Mani que apenas assentiu.

Eu vi a garota se afastar em passadas largas, como quem precisasse sair dali o mais rápido possível. Meu olhar cruzou com o de Normani que parecia ter pensado o mesmo que eu. Eu iria atrás dela. Passei entre o grupo de pessoas que mantinha uma conversa entretida, e segui para o corredor vazio. Olhei para trás, e então entrei naquele cômodo. Ao fechar a porta me deparei com uma Camila séria diante da pia, enquanto lavava as mãos na água corrente. Eu nada falei, apenas me aproximei dela, parando ao seu lado. Camila ergueu a cabeça, fitando seu reflexo no espelho a sua frente. Ela arrumou seus cabelos delicadamente, ainda em um completo silencio.

- Está tudo bem? – tomei coragem e perguntei.

Ela demorou alguns segundos ainda concentrada em sua imagem, e então respondeu friamente.

- Sim.

- Tem certeza?

- Tenho.

- Não parece...

- Por que eu não teria, Lauren?

A morena virou de frente para mim, e me encarou com um semblante sério e raivoso. Camila estava linda aquela manhã, não diferente dos outros dias, é claro.

- Eu não sei, Camila. Você está tão... – Olhei em seus olhos frios e, perdi as palavras por alguns instantes. – Distante.

- Impressão sua. – ela girou sobre seus calcanhares e caminhou até o suporte de papel, para retirar um pouco e enxugar suas mãos.

- Eu conheço você, Cabello. Você nem olha na minha cara!

Camila abaixou a cabeça devagar e respirou fundo, ainda de costas para mim.

- Você quer o que, Lauren?

Seu tom de voz saía tão cortante. Era agonizante o clima que se instalara entre nós, como se fossemos duas perfeitas estranhas uma com a outra. Como se nunca tivéssemos existido sequer um momento de carinho.

- Quero que me diga o motivo disso, Camila. Que me explique porque me evita tanto! – soltei nervosa.

Ela negou com a cabeça e sorriu sarcasticamente, antes de virar de frente para mim. Seus olhos castanhos se fixaram em mim, trazendo tanta frieza em si, capaz de me congelar se isso fosse possível. Eu engoli em seco, e não desviei seu olhar.

- Você está falando serio?

- Estou.

- Céus, Lauren... Você é simplesmente inacreditável.

Camila meneou com a cabeça negativamente, e caminhou em direção a porta, sendo abruptamente puxada por mim.

- Espera...

Aquele contato foi como um transmissor de uma corrente elétrica entre nós. Ficamos cara a cara, nos encarando sem desviar o olhar. Eu nunca conseguiria entender o que se passava entre nós, tínhamos uma conexão diferente, forte e intensa. Como se o mundo inteiro parasse ao nosso redor. Eu ainda segurava em seu braço com um pouco de força, e ela permanecia calada. Seu olhar frio e imponente me acuava, mas eu não demonstraria isso.

- Precisamos conversar.

- Nós não temos nada pra conversar, Lauren.

- Mas...

- Os fãs não podem esperar lá fora. – disse ela antes de puxar seu braço e sair daquele lugar.

A porta bateu com força, e eu me escorei na pia do banheiro, sentindo minha cabeça fervilhar com tantos pensamentos e situações mal resolvidas. Camila parecia triste, irritada e chateada. E eu sabia que a culpa era exclusivamente minha.

- Droga, Lauren... O que você está fazendo?! – exclamei frustrada.

Não demorou muito, e a porta se abriu novamente, em um estalo de esperança olhei na direção a procura de Camila, mas quem surgiu foi Dinah. A loira me encarou com uma expressão confusa e receosa.

- Aconteceu alguma coisa? Eu vi Camila um pouco...tensa.

- Tentei conversar com ela, e não deu muito certo.

Dinah suspirou pesado, e escorou-se na pia ao meu lado.

- Lauren, você sabe muito bem o motivo de Camila estar dessa maneira.

- Sei?

Ela lançou um olhar em minha direção que mais dizia "Não seja idiota!"

- Sabe! E acho que já está passando da hora de resolver isso entre vocês. De alguma maneira isso terá que ser resolvido.

- Como?

- Acho que você já esta descobrindo como resolver isso, Lauren. Escute o que seu coração tem a dizer, garanto que terá a resposta que tanto precisa. No fundo eu tenho certeza que já sabe, e sempre soube, só não tem coragem para isso. Mas acho que vai ter que começar a tomar providencias mais rápidas, o amor é paciente, mas uma hora ele vai cansar de esperar. – Dinah falou tranquilamente enquanto me fitava com um olhar terno.

- E se eu fizer a escolha errada?

- Você já está na escolha errada. E você sabe disso.

Foram as ultimas palavras da loira antes de se colocar porta a fora daquele banheiro, deixando-me sozinha com aquela multidão de pensamentos. Por que tinha que ser tudo tão difícil? Bufei em frustração, sentindo a maldita vontade de sumir. Eu odiava deixar Camila daquela maneira, odiava ser o motivo de sua raiva ou tristeza. Mas ela me deixava tão confusa; em certos momentos nem sequer parecia se importar com minha existência, e em outros sente com minha nova vida? Eu estava apenas tentando seguir, como ela também estava fazendo, certo? Virei de frente para o espelho, vendo um reflexo cansado e um tanto sem vida. Eu sabia que havia algo de errado, e sabia também o que era, mas sentia como se aquilo não estivesse à disposição de uma escolha minha. Respirei fundo, tentando organizar minhas idéias antes de sair daquele banheiro e voltar para encerrar a sessão de autógrafos daquela tarde.

- Pensei que tinha morrido naquele banheiro. – Normani disse ao me guiar pelos ombros até a mesa.

- Quase isso.

Assim que me aproximei da mesa, Camila me lançou um olhar rápido e depois desviou.

- Vamos terminar isso, meninas! – Will informou ao fundo.

[...]

Voltamos ao hotel em uma correria sem fim. Em poucas horas deveríamos estar devidamente prontas para apresentação no programa britânico. Os preparativos estavam sendo feitos, enquanto as meninas e eu estávamos sendo devidamente arrumadas para a performance. O figurino contava retalhos de jeans, que caíram perfeitamente bem em cada uma. Graças a Deus nosso estilista novato estava fazendo um ótimo trabalho, e nos dando roupas bem melhores.

- Simon está lá fora apenas esperando por nós. – Dinah falou animada, enquanto arrumava seus cabelos loiros e rebeldes.

- Ouvi dizer que ele tem uma surpresa, alguém sabe o que é? – Foi a vez de Mani perguntar.

- Tenho a leve sensação do que seja, e estou querendo gritar.

Ouvi a voz de Camila soar alto na direção do banheiro. Estávamos todas reunidas em um camarim para os últimos preparos para apresentação, entre maquiagem e acessórios para cabelo. A morena logo se colocou para fora ao lado de Sinu que subia o zíper de seu vestido jeans enquanto ela caminhava. O vestido havia lhe caído perfeitamente bem, as pequenas fendas nas coxas a deixavam provocante e ainda mais atraente. Eu me crucificava quando era traída por meus próprios olhos que, não conseguiam desviar daquela menina- mulher que me tirava o juízo. Não era segredo para ninguém o quão fraca eu poderia ser por Camila Cabello.

- Quinze minutos para a apresentação. – o auxiliar do produtor informou retirando-me de meu mundo particular.

- Vamos lá meninas, temos que arrasar! – Dinah gritou, recebendo apoio de todas nós.

Caminhamos animadamente em direção aos bastidores do palco principal, os dançarinos fortes e musculosos já estavam seguindo para suas devidas posições. Enquanto as meninas e eu arrumávamos os últimos detalhes. O programa contava com platéia animada e alguns dos jurados. Simon assim que nos viu acenou com um belo e largo sorriso nos lábios. Retribui rapidamente da maneira mais gentil possível.

- Droga.

Olhei para Camila que tentava puxar o zíper de seu vestido mais uma vez.

- Quer ajudar? - perguntei já que as outras já haviam seguido para o palco, o programa começaria em poucos minutos.

- Por favor. – soltou com um riso fraco.

Me aproximei dela rapidamente, e segurei no pequeno zíper emperrado. Forcei para cima e para baixo, mas o mesmo nem sequer saia do lugar.

- Isso não deveria acontecer agora. – exclamou nervosa.

- Eu vou dar um jeito, se acalme.

Camila afastou seus cabelos para o lado, dando-me uma visão melhor. Eu segurei mais uma vez no maldito zíper, e empreguei uma força maior fazendo o mesmo abaixar rapidamente.

- Me diz que você vai conseguir subir isso, Lauren!

Uma risada nervosa escapou de minha boca, fazendo Camila rir da mesma maneira. Respirei fundo quando meus dedos tocaram suas costas agora parcialmente nuas, a pele macia da morena arrepiou-se com o ar frio daquele lugar, e eu senti a necessidade de tocá-la mais um pouco. Ela virou seu rosto de perfil, lançando-me um olhar intenso como quem sentisse o mesmo que eu naquele momento.

- Meninas! – Will gritou do palco.

Neguei com a cabeça e puxei o zíper do começo até o fim, normalizando o pequeno problema.

- Ai, obrigada! – ela agradeceu e me puxou pelas mãos até o palco.

A apresentação foi ótima, saímos do palco realmente satisfeitas, apesar da minha leve irritação pela base alta que colocaram no refrão da musica. Fora aquilo, estávamos todas muito alegres com a noticia que nosso single havia se tornado platina no UK. Era incrível como depois de tantos anos de esforço estávamos colhendo os bons frutos, não era para menos, tínhamos uma legião de fãs que davam a vida por nós. E se hoje estamos no topo, os responsáveis foram os harmonizers.

- Temos que comemorar isso! – Mani falou animada.

- Nem pensar! Amanhã temos um dia cheio! – um de nossos agentes informou cortando a animação de Normani.

- Sério? Somos platina no UK e sem comemoração?

- Exatamente, mocinhas. Todas para o carro.

Vi a mulher revirar os olhos insatisfeita, enquanto soltamos algumas bufadas frustradas.

- Vão poder comemorar no ultimo dia. Temos muito trabalho, ninguém quer ficar de resseca amanhã.

- Você tem toda razão. – Dinah concordou rapidamente. – Sempre tem.

As meninas e eu nos entreolhamos de forma suspeita; Dinah era sempre a ultima a concordar com tudo relacionado à quietude. Se conhecíamos mesmo Dinah Jane, sabíamos que algo ela estava tramando, só nos restava saber o que. Caminhamos todas juntas até o estacionamento, com a presença de alguns seguranças e algumas pessoas da equipe. A van preta de película escura estava a nossa espera; entrei primeiro, logo seguida por Dinah, Camila, Ally e Normani.

- Ok, meninas! Soube que está tendo uma festinha no bar do hotel essa noite, nós temos que estar presente para comemorar. – Dinah sussurrou para que apenas nós cinco pudéssemos ouvir.

- Sabia que estava tramando algo.

- Se não fosse, não seria Dinah. – Camila soltou risonha.

- Eu topo! – Ally cochichou.

- E se nos pegarem?

- Não vão, hoje é o lançamento do nosso álbum. Temos que comemorar! Fora que sempre somos as ultimas a dormir.

- Tem razão! – Mani disse com um semblante pensativo.

- Certo, vamos chegar ao hotel e dizer que vamos ficar no quarto. Depois nos encontramos no bar do ultimo andar, está tendo bebida e tudo.

- Como sabe de tudo isso? – Camila perguntou curiosa.

- Tenho minhas fontes. Hoje tem Drunk Harmony!

Gritamos em comemoração ao fundo da van, atraindo a atenção de Sinu e de alguns dos agentes no banco da frente. Soltamos uma risada divertida e tratamos de disfarçar o plano de Dinah, ou melhor, o nosso plano. O caminho inteiro foi bem animado, por uma fração de segundos eu senti o ar mais leve; Camila trocava algumas palavras comigo e até alguns sorrisos enquanto cantávamos com vontade a musica da Selena Gomez que deixava os alto-falantes da van, até Dinah se esticar e tentar ver com quem tanto a latina conversava no telefone.

- Hailee? Humm, Camila, Camila....

O tom que Dinah usou logo após ver as mensagens no celular de Camila me incomodou, não que eu devesse me incomodar, mas já não era de hoje que certas amizades da morena me deixavam incrivelmente desconfortável.

- Pare com isso. – a morena falou enquanto empurrava a loira para o meu lado, na tentativa de esconder a conversa.

- Deixe-me ver, está escondendo alguma coisa? – Dinah riu.

- Não, só..deixa pra lá.

Camila se acomodou no canto, e respondeu a mensagem com um sorriso idiota no rosto, o que me fez bufar em pura irritação. Não era ciúmes, só era...ciúmes.

- Mais um ponto. – Dinah sussurrou.

Olhei para a loira com uma expressão confusa, mas ela apenas deu de ombros e começou a cantar junto de Normani. Lancei um ultimo olhar para Camila que ainda tinha os olhos fixados na tela do celular. Fechei os olhos e repeti para mim mesma que aquilo só era um ciúme bobo entre amigas, e fui assim até chegar ao hotel.

- Vejo vocês em trinta minutos. – Dinah disparou ao entrar no elevador.

E os trinta minutos se passaram voando. Ao terminar de arrumar, vi um pequeno bilhete de Lucy em cima da cômoda.

"Encontro você mais tarde, fui resolver algumas coisas."

Dei de ombros e larguei o papel branco em cima da cama. Lucy tinha conhecidos pelo mundo inteiro, e mencionou que iria encontrar com alguns aqui, e eu concordei já que não poderia acompanhá-la em decorrência da agenda lotada. Olhei pela ultima vez meu reflexo no espelho da penteadeira, arrumando a jaqueta preta em meu corpo. Optei por uma calça escura com inúmeros cortes na perna, e uma blusa branca delicada, com um sapato relativamente alto nos pés. Coloquei o celular no bolso, e capturei o cartão do quarto antes de sair dali. Não demorou muito; o elevador me deixou no ultimo andar. O terraço contava com uma espécie de bar, que por sinal estava bem animado; ao entrar no lugar parcialmente iluminado pelo jogo de luz espalhados por todos os cantos, avistei as meninas no balcão em uma conversa entretida.

- Finalmente! – Ally disse ao se por ao meu lado.

Todas estavam ali, exceto por Camila. Normani logo me entregou um copo com uma bebida que eu nem sequer fazia idéia do que seria, mas aceitei.

- Onde está Lucy? Não quis vir? – perguntou ela.

- Ela saiu, disse que voltaria mais tarde. Deve estar chegando a qualquer momento.

- Espero que não. – disse Dinah ao erguer as sobrancelhas e tomar um gole do liquido em seu copo.

Franzi o cenho e neguei com a cabeça para ela que se fez de desentendida. Hansen sempre apoiou meu relacionamento com Camila; eu poderia dizer que muitas das vezes, ela foi a grande responsável pelas reconciliações, já que Camila e eu tínhamos nossos engates e desentendimentos que só eram resolvidos depois de boas conversas. Conversas essas ouvidas por Dinah, que com toda paciência do mundo nos aconselhou e guiou da melhor maneira possível. Não era segredo que a loira era uma das pessoas que mais torcia por nós, mesmo depois do fim. Tanto é, que mesmo na ausência de informações verdadeiras, os fãs a chamavam de capitã do barco camren, ou madrinha do otp, e eu não poderia discordar.

- Dinah... – a repreendi.

- Há coisas para se aproveitar hoje.

- O que?

- Veja.

Meus olhos seguiram para onde os de Dinah estavam fixos, foi quando avistei a coisa mais linda daquela noite sair do elevador. Camila saiu da caixa metálica com o olhar um tanto perdido, a nossa procura talvez, pois com certa dificuldade tentava ver entre o aglomerado de pessoas. A latina usava um vestido relativamente curto, de tecido soltinho com alças finas; ele se moldava perfeitamente justo em seu busto, contando com uma leve transparência na parte do abdômen, devido ao tipo de corte que o tecido tinha naquela região. O pano solto dava uma leveza à cor negra do vestido, e é claro, uma exuberância a mais nos quadris e bunda, que modéstia parte Camila não precisava. Ela tinha saltos tão delicados nos pés, e os cabelos estavam ondulados e soltos, da maneira que eu mais amava. Incrivelmente linda, foi a única descrição que me veio a cabeça.

- Assim a coitadinha vai perder uns bons quilos. – Dinah soltou sarcástica.

Lancei um olhar para a mesma que riu satisfeita com a maneira na qual eu literalmente sequei Camila. Não era para menos, Camila era dona de uma beleza magnífica, e eu não era a única a apreciar isso; ela tinha uma multidão de pessoas aos seus pés, eu só era mais uma delas?

- Camila! – Ally exclamou, acenando para a mesma que finalmente nos encontrou.

Ela graciosamente passou entre o aglomerado de pessoas que conversavam e dançavam em meio ao salão. A batida da musica e os jogos de luzes deixavam tudo com uma áurea diferente, intensa. Meus olhos se encontram com os dela, e para minha surpresa, ela o segurou com o seu.

- Pensei que não viria mais, Mila. – Dinah se aproximou.

- Como eu não iria vir? Você me obrigou.

- Você tem que se divertir, está quieta demais, até Sinu falou isso. Você concorda também, Lauren?

- Claro, Dinah tem razão. – eu falei sem tirar os olhos dela.

- Tudo bem, e o que estão tomando? – Camila perguntou ao se aproximar do balcão, ficando entre Normani e Dinah.

- Eu não faço idéia, Dinah que escolheu e nos serviu, mas é gostoso. – Mani falou ao sugar com o canudo um pouco da bebida alcoólica em seu copo.

- Eu acho que não vou de álcool. Quero estar inteira amanhã.

- Um pouquinho não faz mal. – Ally falou ao entregar o copo a Camila.

- Ally tem razão, Camila.

Ergui o copo para ela como quem fizesse um brinde; Camila sorriu e ergueu o seu em minha direção.

- Vamos fazer um brinde! – Mani exclamou em gritinho animado.

Nos aproximamos mais, agora ficando em um circulo. Nos entreolhamos com um sorriso largo no rosto de cada uma.

- Um brinde ao lançamento do 7/27!

Ally foi a primeira a erguer seu copo, sendo seguida por todas nós. Os copos se tocaram no alto, e o leve barulho do vidro batendo um no outro se fez presente.

- Um brinde a nova era! – soltamos em uníssono.

- Que a partir de hoje nós possamos conseguir ter tudo que sempre quisemos e merecemos.

Naquele momento meu olhar cruzou com o de Camila, que também fitou-me sem recuar. Ergui o copo para ela que uniu ao seu no mesmo instante. Era incrível como Camila e eu tínhamos uma conexão, como se em fração de segundos uma corrente elétrica passasse entre nós. O clima se tornava intenso, nossos olhares se aprofundavam, quase a ponto de nos deixar completamente perdidas uma na outra. Como se pudéssemos realizar tudo que sempre quisemos fazer apenas com o olhar.

- Vamos dançar, meninas.

- Vamos! – Camila exclamou ao seguir Dinah para o meio do salão.

Tomei o restante do álcool em meu copo e segui para junto das meninas que se divertiam no meio salão. Dançamos por um longo tempo; para nossa surpresa o DJ que tocava aquela noite fez uma espécie de homenagem ao lançamento internacional do álbum, tocando todas nossas novas musicas. Bebíamos, dançávamos e conversávamos, todas juntas em uma alegria gritante por novos tempos. Eu estava feliz, naquele momento eu parecia ter quase tudo para realmente ficar satisfeita. Quase. Ao som de All in my head (flex), cantávamos e dançávamos em um circulo no meio do ambiente. Os sorrisos que deixavam nossos lábios eram tão sinceros que me faziam pensar o quão feliz eu era por ter encontrado aquelas quatro garotas há anos atrás. Cada uma com sua particularidade, com suas virtudes e defeitos se tornavam uma parte essencial da família que havíamos nos tornado.

- Para quem não queria beber. – murmurei próximo ao ouvido de Camila, por conta da musica alta.

A latina virou-se para mim, com um sorriso encantador nos lábios.

- Eu nem bebi muito, Lo.

- Pelo visto pretende. – Apontei para o copo cheio em sua mão.

- Só um pouquinho, não faz mal, certo? Eu estou feliz nesse momento, Lauren!

- Tudo bem, Camz. - disse sem jeito, enquanto remexia os cubos de gelo em meu copo. - Eu também estou feliz agora.

- Está?

O fim da musica que tocava chegou, dando espaço para minha voz rouca soar pelas caixas de som. Só poderia ser brincadeira do destino. Camila deu um passo à frente, ficando mais próxima de mim, provocando meu coração que entrou em um ritmo mais rápido em seus batimentos.

- Quase.

Eu engoli em seco, ainda sobre os olhos intensos de Camila. Entramos novamente naquele mundo paralelo, onde só havia ela e eu. Apertei os dedos com mais força ao redor do copo de vidro, sentindo meu corpo inteiro estremecer sobre seu olhar. Eu podia ouvir os batimentos fortes de meu coração, que eram impulsionados pela adrenalina, nervosismo, ansiedade e sobretudo, amor. Era nesses momentos que eu tinha a absoluta certeza, que jamais, alguém nesse mundo poderia me fazer sentir todas as sensações causadas por Camila Cabello. Ela era única, especialmente única.

- Quase? E o que está faltando para ficar totalmente feliz?

A ponta de minha língua deslizou sobre meus lábios agora secos, enquanto minhas mãos formigavam por tocá-la. Eu sabia exatamente a resposta para aquela pergunta, e ela também sabia.

- Diz pra mim, Lauren.

Eu dei um passo a frente, a fazendo estremecer com o que estava por vir. Meus olhos captaram rapidamente as expressões nervosas e ansiosas de Camila, como de quem ansiasse por aquele momento tanto quanto eu. Eu sabia que não estávamos sós, mas algo em mim precisava daquilo, precisava dela. Eu não iria me conter, eu não iria parar. Eu a queria, eu sempre a quis.

Foi quando senti o toque suave em meu ombro, arrancando-me brutalmente daquele mundo.

- Laur? – Lucy chamou ao parar ao meu lado.

Foi como se um peso tivesse caído sobre minhas costas naquele momento. Encarei o olhar curioso de Lucy, alternando para o olhar decepcionado de Camila. Deus.

- Procurei você pelo quarto, mas consegui informação de que estava aqui. – Lucy falou ao beijar o canto de meus lábios.

- Eu não tive como avisar.

Menti descaradamente, e ela obviamente sabia disso. Eu me sentia mal, desconfortável, porque em poucos minutos tudo poderia ser diferente. Camila abaixou a cabeça, e negou devagar, talvez praguejando-se por ter me dado mais acesso a ela. Ela levantou a cabeça, com um sorriso sem humor, e um olhar vazio.

- Eu vou para o meu quarto.Tenham uma boa noite.

- Boa noite, Mila. – Lucy falou antes de Camila sair. - Interrompi alguma coisa?

- Não, ta tudo bem.

Lucy assentiu, e então caminhamos para próximo das meninas que estavam bebendo no balcão. Dinah me encarou com uma expressão nada boa, e eu nada falei.

- Onde está, Mila? – Ally perguntou ao olhar pelo salão.

- Ela já foi para o quarto, disse que estava cansada. – Dinah mentiu. – Eu vou lá com ela, quem sabe eu volte depois.

Suspirei pesado, sentindo um aperto no peito. Eu conhecia as duas perfeitamente bem para saber que Dinah iria apoiar Camila nesse momento que, novamente eu fui a causadora de magoas. Eu estava cansada daquilo, cansada de ter que conviver com o lema de ferir ou não ferir os sentimentos de Camila, ou de quem quer que fosse ao meu redor. Não era justo com ela, comigo e até mesmo com Lucy. Me despedi das meninas, e segui com Lucy para nosso quarto.

- Está tudo bem, Lauren? Está calada desde que saímos da festa. – perguntou ao entrarmos no quarto.

- Está sim.

- Laur, eu te conheço... É ela, não é?

Permaneci em silencio sobre seu olhar.

- É claro que é. – completou.

[Inicie 1000 hands]

Tanto ela quanto eu, sabíamos que nada estava bem. Mas Lucy não era o tipo de pessoa que interferia em meu espaço, na verdade ela sempre o respeitou. A idéia de nosso envolvimento começou em uma viagem que fizemos juntas no inicio do ano, onde conhecemos diversos lugares que desde novas planejamos visitar. Nossos pensamentos em comuns sempre nos aproximou de uma forma inexplicável, nossas idéias compatíveis, nossos gostos a respeito do mundo. Mas não era Lucy que preenchia meus pensamentos durante todas as horas do dia, não era ela quem me fazia soltar o melhor dos sorrisos, não era em nela que meu olhar se perdia. Não era Lucy que eu amava. Meu celular vibrou, e logo recebi uma notificação de Dinah.

- Eu vou dar uma volta, ok? – disse ao colocar o celular no bolso.

Recebi um olhar chateado, mas um aceno positivo. Ela sabia o que eu iria fazer naquele momento; Lucy me conhecia tão bem que eu nem sequer precisava falar para que ela soubesse o que se passava em mim. E eu agradecia por isso, agradecia por ela me compreender. Dei alguns passos a frente, e a envolvi em um abraço apertado que se entendeu por alguns minutos.

- Boa sorte, Laur. Eu espero que dê tudo certo. – disse ela ao se afastar lentamente.

Meus olhos lacrimejaram com a atitude de minha melhor amiga. Era isso que Lucy era, e sempre foi. Eu não poderia mudar o que já havíamos feito, e nem queria. Talvez eu precisasse daquilo para realmente me dar conta de tudo. Eu assenti para ela, deixando que algumas lagrimas deixassem meus olhos.

- Obrigada por isso.

Ela assentiu, limpando as lagrimas que escorriam por seu rosto tão delicado.

- Vai lá, faça o que tem que fazer.

Eu respirei fundo, sentindo meu coração se encher de esperança. Agora era o momento, eu não poderia mais adiar, eu precisava consertar tudo que eu estraguei durante todos esses anos, e o primeiro passo estava sendo dado agora. Em passadas largas caminhei na direção do quarto de Dinah, onde Camila estava naquele momento. Parei diante a porta, pegando o celular no bolso de minha jaqueta.

"Camila não está bem, e eu sei que só você pode mudar isso. Lauren, a escolha de mudar essa historia está nas suas mãos. Não desperdice essa chance. – Dinah J."

"Estou saindo do quarto agora, faça o que seu coração está mandando. – Dinah J."

As palavras de Dinah me deram o impulso para o que eu estava prestes a fazer. Olhei para a porta em minha frente, sabendo que apenas ela me separava do ato que poderia mudar toda uma historia de amor. Engoli em seco, sentindo meu estomago revirar de nervoso. Ergui uma das mãos e dei três leves batidas na porta.

- Se acalme, Lauren...se acalme. – repeti seguidas vezes em uma tentativa frustrada de me manter calma.

Não demorou muito, e a porta se abriu. Assim que Camila pôs seus olhos brilhosos e tristes sobre mim, a porta foi empurrada no intuito de ser fechada, mas em um reflexo rápido a impedi.

- Camila...

- Vai embora! – exclamou.

- Precisamos conversar, por favor. – disse ainda impedindo que a porta se fechasse.

- Nós não temos nada pra falar, Lauren. Por favor, me deixe em paz.

Sua voz melancólica revelava o quão devastada Camila se encontrava. E tudo que eu mais queria era poder entrar naquele quarto, e lhe tomar em meus braços para cuidá-la.

- Camz, por favor..Me deixa entrar.

- Não, não... Você não pode fazer isso sempre!

Encostei a testa na porta de madeira, ouvindo o choro do outro lado. Aquele som me fez sentir uma das piores pessoas do mundo, mais uma vez. Mais uma vez Camila estava ali, chorando por mim, como sempre fez. Minha covardia durante anos nos colocava na mesma cena, com os mesmos motivos e a mesma dor.

- Me escuta, por favor.

Ela não respondeu, apenas se afastou da porta lentamente, dando-me espaço para entrar. O quarto estava parcialmente iluminado pela lâmpada do abajur sobre o criado mudo, dando-me a visão de Camila que se afastava de mim. Fechei a porta com a chave, vendo-a se sentar sobre a cama, de costas para mim.

- O que você quer aqui? Foi Dinah que te chamou?

- Não, quer dizer...elas apenas me disse que sairia do quarto.

- Ela não podia...

Segui para mais próximo dela, sentando ao seu lado na cama. Camila se afastou rapidamente, e eu não ousei me aproximar.

- Eu só quero que me escute agora.

- Eu não quero ouvir nada de você, Lauren. Você nem devia estar aqui, me vendo assim. – seu tom de voz carregava magoa e rancor.

- Eu estou onde tenho que estar, Camz. Eu estou fazendo agora o que deveria ter feito há anos atrás.

- E é o que? Terminar o estrago? Realmente não precisa, eu acho que você já fez isso muito bem em todos esses anos. – Camila virou de frente para mim, revelando seus olhos tão tristes.

Eu vi as lagrimas descerem por seu rosto tão angelical, sentindo meu peito doer com aquela imagem. Só agora eu percebia o quão covarde eu havia sido durante todos esse tempo, tudo estava ali, estampado na profundidade daqueles olhos castanhos.

- Não, Camz...Eu vim pedir desculpas.

Uma risada fraca, sem humor, deixou os lábios da morena.

- Para, acho que nossa cota de desculpas está muito alta. Lauren, nós não precisamos disso. – disse ao se levantar da cama. – Vai embora.

Levantei rapidamente, e me aproximei mais dela. Ficamos frente a frente, nos encarando sem desviar.

- Não me pede isso. Camila, eu demorei anos para perceber o quão burra eu estava sendo. O quão insensível e imatura eu fui, mas...Agora eu sei, eu sinto tudo isso e me arrependo muito. – minha voz deu indícios de falha, talvez pela enorme vontade de chorar que me consumia.

- Só agora? Só agora sente e se arrepende? Lauren, eu sinto isso durante quase quatro anos, e você nunca ligou..

- Não fala isso, é claro que eu liguei!

- Ligou? Você não fez nada! Você nunca foi clara, sempre deu indícios, esperança...Mas no final matou todas!

Camila soltou em meio a lagrimas e magoas o que estava ali, guardado durante anos. Já tivemos conversas sobre nós, mas nunca ousamos jogar tudo que sentíamos para fora.

- Eu sei, eu sei...Eu sinto muito!

- Não, você não sente! Você não sabe o que é sentir, Lauren. Você alimentou isso em mim, deu uma migalha do seu amor.

Meu peito ardia, e aquele nó na garganta ficava cada vez maior. Eu queria chorar, e liberar todo aquele sentimento que estava me matando por dentro.

- Eu fui uma idiota com você, mas Camila, eu te amo.

Ela se afastou, negando com a cabeça repetidas vezes.

- Você não me ama. Eu sim amo você, eu amei você durante todos os malditos dias ao seu lado! Em todos aqueles que você me olhou tão intensamente, que me lançou um sorriso largo, que me tocou a pele com tanto carinho. Eu amei em todos aqueles dias que senti por uma fração de segundos que você era minha. Mas você nunca foi...

Abaixei a cabeça, deixando que as lagrimas caíssem por meu rosto. Eu respirei fundo, liberando aquela dor em um choro doloroso.

- Eu sempre fui sua, aqui. – exclamei apontando para meu peito. – Eu só não podia...eu não conseguia, eu tive medo. Me entenda!

- Medo... – aquela risada melancólica novamente se fez presente. – Acha que não tive medo? Acha que eu não sabia o quão difícil isso poderia ser? Eu tive, Lauren. Muito, mas eu sentia que tudo poderia ficar bem se eu tivesse você do meu lado. Eu não me importaria de enfrentar o mundo inteiro se você estivesse segurando minha mão. Eu estava disposta a te amar de todas as maneiras possíveis, estava disposta a dar minha cara a tapa, para o mundo inteiro se fosse preciso.

- Eu fui covarde, e admito isso. Fui fraca e não lutei pelo que eu sempre quis, mas quando me dei conta, você já não queria mais. Já parecia ter seguido em frente, e isso foi tão difícil...Eu sofri também, sabia?

- Eu só estava cansada. Cansada de amar você. Cansada de sofrer por alguém que nunca aceitou o que realmente é.

- Pra você sempre foi fácil, mas pra mim não, Camila. Eu tive minhas inseguranças, eu tive meus problemas, meus medos.

- Não seja hipócrita! Eu poderia acreditar nisso há anos atrás, com aquela Lauren do inicio. Mas essa aqui, essa não se importa com o que falam. O problema sempre foi comigo.

- Claro que não! Não fala isso... – exclamei alto.

- Não? Abra os olhos e veja! – ela quase gritou em meio as lagrimas - Poderiam colocar você com metade do mundo, que tudo bem, você nem sequer se importava. – Era de partir o coração a forma triste na qual ela jogava as palavras contra mim. - Mas comigo, comigo você fazia a absoluta questão de gritar aos quatro cantos que não tinha nada. Fazia questão de negar a porra desse sentimento! Você tem idéia do quanto isso doeu?

Eu nada falei, deixei que Camila liberasse de seu coração toda aquela magoa.

- Tem idéia do que é ver a pessoa que você mais ama, negando o sentimento que você mais queria para si? Como se não fosse o suficiente, você esfregava na cara de quem quer que fosse que estava namorando, e que estava feliz demais.

- Me perdoa, droga. Eu fui uma burra, idiota, eu só queria você.

- E você fez de novo. Está feliz? O mundo inteiro desconfia do seu caso com Lucy, tudo bem pra você, não é? Não se preocupe, Lauren. Eu garanto que essa é a ultima vez que vai me ver chorando por você.

Eu respirei fundo, erguendo a cabeça para fita-la. Seu rosto, mas precisamente as maçãs de seu rosto estavam molhadas pelas lagrimas que ali caiam. Eu não estava diferente, Camila e eu chorávamos com a mesma intensidade. Eu me aproximei dela, e segurei em suas mãos.

- Eu não estou feliz, eu nunca estive feliz longe de você. Você pode não acreditar em mim, mas eu quero que saiba, eu sempre te amei, Camila. Por muitos anos eu neguei isso, eu tentei esconder de mim mesma que eu estava perdidamente apaixonada por você. Mas hoje, depois de todo o estrago que lhe causei, eu quero o seu perdão. E uma única oportunidade para te mostrar que posso consertar tudo isso. Eu estou disposta a dar a minha cara a tapa, para o mundo inteiro. Mas eu preciso que segure a minha mão, e esteja ao meu lado.

Ela fechou os olhos, deixando que os soluços escapassem com tanta dor.

- Não faz isso, não faz planos que não pode cumprir. É tarde demais pra isso.

- Você não me ama mais?

Ela se afastou de meus braços, e limpou seu rosto.

- Infelizmente, eu te amo. Eu te amo com todas as forças existentes em meu corpo, e talvez eu te ame pra sempre, Lauren. Mas eu não posso mais me magoar, entende? Eu prometi que não iria mais fraquejar, e veja só onde estou? Não é a primeira vez. Eu estou cansada, cansada de sofrer. Eu não mereço isso.

Eu assenti lentamente. Camila tinha razão, ela não merecia isso, nunca mereceu. Desde o primeiro momento que coloquei os olhos sobre aquela garota algo diferente aconteceu, algo que eu nunca havia sentido antes. No inicio eu pensei ser admiração, ela era dona da voz mais doce que tive a oportunidade de escutar. Aquela que transmitia tanto sentimento que, seria impossível não se emocionar. Depois de poucos dias juntas, me dei conta que ela era muito mais do que aquilo. Com seu jeito doce e brincalhão ela me encantou, com seu sorriso moleque e seu olhar intenso ela me prendeu. A cada dia ao lado de Camila eu me descobria alguém melhor, a cada dia algo novo entrava em minha vida. A cada dia meu sentimento aumentava, eu só não queria enxergar, ou aceitar, que ela era a única responsável da nova Lauren que estava surgindo. Era ela quem me fazia estremecer, era Camila quem aquecia meu coração, era nela que eu pensava para os planos futuros. Era essa mulher a minha frente agora, que eu amava.

- Eu te amo. – falei ao dar um passo a frente.

Ela engoliu em seco, e permaneceu em silencio. Dei outro passo a frente, em sua direção.

- Hoje eu vejo que, desde o primeiro momento eu te amei, Camila. Desde a primeira vez que coloquei meus olhos naquela doce menina que de forma insegura e assustada cantou naquele palco. Eu te amei assim que ouvi o som da sua voz inundar meu peito com tanta emoção. Eu te amei quando você me parou e elogiou a minha blusa. – Mais um passo a frente, e lagrimas caindo. – Eu te amei quando sorriu e segurou na minha mão, mostrando que estava ali do meu lado em qualquer momento, ou quando me abraçou forte e disse que tudo iria ficar bem. Eu te amei quando você me amou, te amei quando você disse eu te amo pela primeira vez.

Eu parei a frente dela, deixando que as lagrimas incontroláveis deixassem meus olhos. Ergui a mão até seu rosto da forma mais delicada possível, e a obriguei a olhar em meus olhos.

- Eu te amo, meu amor. Como jamais vou amar outra pessoa em toda essa vida. Eu posso ter errado, ter tentando encontrar algo que eu só tenho contigo em outras pessoas. Mas hoje, eu vejo que foi em vão, não era o Luís, não foi Lucy, e não será ninguém, esse alguém tem que ser você. Só você tem esse poder sobre mim, só você consegue me tirar de orbita, é só em você que meu olhar se perde. – Eu sorri, deslizando o polegar sobre seu rosto. – Não é segredo para ninguém, Camz. Todos os nossos fãs sabem, e sentem...Eu sou sua, sempre fui, e sempre vou ser. Pode ser tarde demais pra dizer tudo isso, mas eu não posso voltar no tempo, por mais que eu queira muito.

- Lauren... – ela sussurrou.

Levei o polegar até seus lábios, em um pedido silencioso que ela escutasse. Eu não conseguia conter a emoção e as lagrimas que me dominavam naquele momento.

- Eu quero que olhe no fundo dos meus olhos, eles não mentem. Olhe para eles e veja, eu sou perdidamente apaixonada por ti, Camila. Eu amo cada mínimo detalhe que compõe você, e isso nunca e nem ninguém vai mudar. Agora eu tenho certeza. Nós fomos destinadas uma a outra, e por obra do destino ou de Deus nós existimos para nos completar. Somos o Sol e a Lua, não é?

- Eu te amo muito, Lauren...Mas...

- Eu sei, eu sei. É tarde demais pra consertar. – soltei seu rosto devagar. – Eu entendo isso agora, e sinto muito mesmo. Sinto muito por tudo que te causei, eu jamais quis que derramasse uma lagrima. Eu fui covarde demais, e tenho que arcar com as conseqüências.

Recuei alguns passos, afastando-me de Camila.

- Eu só quero que grave bem tudo o que eu disse aqui, foram as palavras mais sinceras em toda minha vida. Eu amo você, Camila Cabello.

Eu ouvia os soluços fracos de Camila, e já não queria mais olhar em seus olhos. Eu não queria enxergar o mal que lhe fiz durante todos esses anos. Ela tinha toda razão de me querer fora de sua vida, por mais difícil que fosse já que convivíamos. Mas eu tentaria, eu faria de seu jeito. Recuei mais alguns passos, e me virei em direção a porta.

- Lauren!

O som de sua voz encheu meu coração com um sentimento indecifrável, poderia ser amor e dor. Quando tomei impulso para sair, apenas senti Camila se aproximar e virar meu corpo em sua direção.

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- Você nunca fez o que eu queria, não tem que começar agora. – foram suas palavras antes de selar seus lábios nos meus.

Os lábios macios e delicados de Camila moveram-se lentamente sobre os meus, fazendo-me agradecer internamente por aquele momento. Eu fechei os olhos, e envolvi seu corpo com meus braços carinhosamente. Sentindo meu coração inflar com aquela sensação maravilhosa de tê-la pra mim. Camila moveu sua cabeça devagar, enquanto sua boca degustava da minha com tanto amor e carinho. Beijar aqueles lábios carnudos poderia ser a melhor coisa da vida, que só eu queria ter. Eu poderia sentir em minha boca o gosto salgado de nossas lagrimas que se misturavam, elas tinham sabor de recomeço, saudade de uma nova era. Eu apertei mais Camila contra mim, em uma tentativa de eternizar aquele momento, aquela sensação que eu imaginei que nunca mais fosse sentir. Ela puxou meu lábio inferior com os seus, e no pequeno intervalo resfolegou para continuar o nosso beijo. Sem afrouxar meus braços ao redor de seu corpo, eu dei alguns passos a frente, guiando Camila para o centro do quarto.

- Meu Deus, eu não acredito. – sussurrei com um sorriso surpreso e feliz.

Ainda com os olhos marejados, ela sorriu. Ela sorriu para mim, deixando aquelas lagrimas para trás. Eu olhei no fundo de seus olhos, e segurei seu rosto com as duas mãos.

- Eu te amo. – sussurrei, para em seguida tomar seus lábios mais uma vez em um beijo rápido. – Eu te amo muito, Camz. Você não vai se arrepender disso, eu prometo. Eu vou te fazer a mulher mais feliz por toda essa vida.

Camila me encarou com uma expressão doce.

- Me faça feliz hoje, Lauren.

- Me peça isso todos os dias, e eu farei.

- Então faça, só você pode fazer isso.

Levei novamente uma das mãos até seu rosto, tocando com delicadeza sua pele macia. Camila fechou os olhos lentamente, e em um suspiro aproveitou cada movimento que minha mão fazia sobre seu rosto. Era incrível a maneira como eu me sentia ao lado dela, como meu coração se aquecia com seu amor. Eu respirei fundo, sentindo-me completa.

- Você é amor da minha vida. – murmurei contra seus lábios.

Ela sorriu, e eu beijei seu sorriso. Nossos olhares se encontraram, e se eternizaram um no outro. Com a mão que estava em seu rosto, eu desci em direção ao seu pescoço, seguindo para seu ombro esquerdo. Meus dedos brincaram com a fina alça de seu vestido preto, quando ela por fim entendeu. Camila virou seu corpo lentamente, ficando de costas para mim. Eu engoli em seco, sentindo meu corpo estremecer com o que estava por vir. Com delicadeza ela segurou em seus cabelos, afastando para o lado. Eu abracei seu corpo por trás, sentindo o calor de seu corpo junto ao meu, enquanto meus lábios deslizaram com uma perfeita calma em sua nuca; descendo para seus ombros, tocando cada milímetro de sua pele tão macia. Beijando seu corpo, como se aquela fosse a ultima vez. Ela resfolegou, arqueando um pouco sua cabeça para trás, sentindo aquelas sensações da maneira mais duradoura que poderia. Soltei seu corpo, mas sem me afastar muito. Levei a mão até o pequeno zíper de seu vestido preto, e com lentidão abaixei até o final. Olhei para Camila que agora me encarava de perfil, ela assentiu como quem me desse permissão para continuar.

- Eu quero, Lauren.

Minhas mãos repousaram sobre seus ombros, para abaixar as finas alças de seu vestido bem devagar. Inclinei minha cabeça para beijar cada pedacinho de sua pele que ficava nua gradativamente. Vi os olhos de Camila se fechando, a cada toque de meus lábios em sua pele. O tecido preto foi ao chão, deixando-a somente com uma pequena calcinha branca, com tiras finas na lateral. Camila virou seu corpo de frente para mim, e eu a fitei por completo.

- Você é linda, Camila. Linda, e minha.

Ela nada falou, apenas se aproximou mais. Suas delicadas mãos foram de encontro a minha jaqueta, retirando de meu corpo sem tirar os olhos dos meus. Após a peça de couro cair ao chão, suas mãos seguiram para fina camisa que eu usava aquela noite, erguendo até o topo de minha cabeça, tirando por completo. Ela sorriu assim que me encarou de sutiã azul marinho, eu devolvi seu sorriso, e desabotoei minha calça jeans. Agora Camila e eu estávamos quase completamente nuas. Eu segurei em sua cintura com uma das mãos, e com a outra puxei seu rosto para mais próximo, tomando seus lábios em um beijo intenso. Deitei o corpo da morena sobre a cama macia, vendo seus cabelos longos e escuros derramados sobre o colchão, contrastando perfeitamente bem com a tonalidade clara de sua pele nua. Engatinhei sobre a cama, inclinando a cabeça para depositar alguns pequenos beijos sobre a coxa de Camila, rocei meus lábios por sua pele naquela região, subindo mais um pouco, agora chegando sobre o final de seu abdômen, perto de seu sexo. Camila se remexeu devagar, um tanto agitada, nervosa, ou até quem sabe excitada. Eu sentia meu corpo assumir uma temperatura mais alta, sentia minha pele e cada minúscula célula de meu corpo ansiar por aquela mulher. Beijei mais uma vez seu abdômen, um pouco abaixo do umbigo. Dei outro beijo agora no meio de sua barriga, roçando meus lábios molhados por ali.

- Eu amo tanto seu corpo. – sussurrei ao beijar um pouco mais acima.

- Eu amo você, Lauren. Eu te amo tanto. – ela murmurou um pouco perdida.

Eu sorri contra sua pele, beijando devagar. Eu queria aproveitar cada instante daquele momento, eternizar até mesmo os segundos de nosso recomeço. Beijei delicadamente por cima de seus seios, arrancando suspiros de seus lábios entreabertos. A pele fina e delicada estava em contato com minha língua que, deslizava sem pressa. Camila levou suas mãos até meus cabelos, emaranhando seus dedos entre as madeixas. Eu suspirei, e subi com os beijos por seu colo e clavícula, onde deslizei a língua devagar.

Pick up the pen, put it on the paper

Write on my skin, bring me to life

Can't start again, there ain't no eraser

All of my flaws, you got them so right

Camila era doce, em todos os sentidos possíveis e existentes nesse mundo. Mordi a pele de seu pescoço, e repousei meu corpo sobre o dela, sentindo o contato de nossas peles por completo.

Everything is blank until you draw me

Touching on my body like you know me

Ela agarrou meu corpo sobre o seu, como se quisesse me manter ali pra sempre. Eu continuei a beijar seu pescoço, deslizando a língua até o lóbulo de sua orelha. Um gemido baixo deixou sua boca no exato instante que chupei aquela região.

Write on me

Color outside the lines

Love the way you tat me up

Baby take your time

Write on me

Nossos olhares se fixaram um no outro, enquanto as unhas de Camila subiram e desceram por minhas costas. Através daquele olhar, nós nos declaramos da maneira mais sincera e bonita de todas. Ali, eu só tive a confirmação que eu não precisava de mais nada para ser feliz. Camila era o que me faltava para me sentir completa. E mesmo com todo um mundo contra nós, eu a queria. Queria poder viver ao seu lado todos os momentos de minha vida, e poder mostrar todos os dias como eu a amava. E eu faria isso.

- Você é tudo que eu quero, e será até o fim. – foram minhas ultimas palavras antes de amá-la da maneira mais intensa e pura de todas as nossas vidas.

E ai? Gostaram? 

Todos os erros eu arrumo depois, prometo!

Beijos e até mais!

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