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Não conte nada aos seus medos

— Rosé

Eu fui enganada.

Dói dizer isso com todas as letras, mas eu havia prometido não mentir tanto para vocês e, mesmo que fira o meu ego, essa é a verdade que me assola a mais de uma semana.

Eu sabia que não deveria contar com a ajuda de Kai, não há ninguém que o conheça melhor do que eu, mas eu me permiti confiar, porque estávamos trabalhando juntos, porque tínhamos os mesmos interesse. Porém, o dele mudou de última hora e eu não fui avisada.

Na mesma noite que me despedi de Jisoo no pântano, dirigi até a saída da cidade. Então me toquei que nunca sai de Huimang Hill. É estranho, não é? Que a maioria de nós nunca tenha visto nada de diferente, sempre nessa mesmice chata e monótona, mas familiar. Me perguntei o que me esperava do lado de lá, se eu veria neve, arranha céus, sotaques diferentes, pessoas diferentes e até amores diferentes. Essa última questão me fez lembrar de Jisoo.

Eu teria que voltar para buscá-la, mas meu maior medo era que ela se recusasse a fugir comigo. Se fosse há alguns meses atrás eu acharia essa hipótese maluca, mas alguma coisa havia se quebrado nesse curto espaço e tempo entre nós duas.

Bati com as mãos no volante algumas centenas de vezes. Elas doíam, vermelhas e cheias de hematomas. A estrada estava calma, só o barulho de um riacho à minha esquerda cortava o silêncio.

Minha cabeça doía, meu cheiro era insuportável, suja de lama e sangue, fui amarrada, agredida — e isso em menos de um dia. Abri o porta luvas, tirando de lá uma tintura de cabelo, aproveitei a sujeira e pintei os cabelos com as mãos. O corte que Lisa fez ao bater minha cabeça no chão ainda está lá, ardendo em contato com a tintura, me lembrando de todos os meus últimos pecados.

A tesoura era pequena e cega e não cumpria muito bem com o que me propus a fazer. Mas, finalmente consegui, meus cabelos estavam cortados rente a nuca.

O reflexo que me encarava pelo espelho retrovisor sorriu de volta, com uma aparência totalmente diferente da antiga.

Assim que terminei, caminhei para o riacho com uma toalha e uma nova muda de roupas. O chevette estava todo equipado com roupas minhas e as que eu peguei de Jisoo sem que ela notasse, água, comida e dinheiro o suficiente para chegarmos à cidade grande, qualquer cidade grande. Era só isso que eu pensava, só isso que eu me permitia pensar enquanto a água do riacho levava embora a sujeira do pântano, sangue e resquícios da nova tonalidade do meu cabelo.

A noite era escura, por isso não o vi chegar até ser tarde demais. Me assustei ao vê-lo sentado na margem do riacho, me vendo tomar banho. Tentei não pensar nisso, nos olhos de Kai brilhantes e sérios no meio da escuridão, no total silêncio que pairava entre nós dois.

— Como elas estão? Lisa e Jennie? — perguntei.

— Arrependida? — retrucou ele.

Me afundei até o queixo na água gelada.

— Me responda logo, Kai.

— Bem... acabadas. — ele falou alto para que eu escutasse. — Deixei as duas em casa, disse que precisava respirar um pouco.

— E Jisoo?

Ele revirou os olhos.

— Ela não consegue fazer outra cara que não seja aquela? Digo... uma atuação melhor, sabe?

Mostrei o dedo do meio em resposta, ele se levantou, limpando a areia da calça.

— Castanho combinou com você. — E entrou no riacho, molhando acima dos joelhos para me entregar a toalha. Ele se virou e esperou eu me cobrir. Caminhamos até o solo firme, com ele do meu lado. — Para onde você vai agora?

Dei de ombros. Estava mais preocupada em refazer a trilha para chegar ao carro, trocaria de roupa lá, era mais seguro, mas Kai segurou meu braço. Empurrei suas mãos, mas elas ao menos se moveram.

— Ainda não sei, tenho que voltar para pegar Jisoo. — Sorri, acalmando minha respiração. Ele queria uma resposta? Acabei de dar uma resposta. — Agora me solta.

— Rosé, querida... — Ele gargalhou. —  Ainda não percebeu? Você não vai embora. — Os lábios dele quase não se moveram.

Tentei puxar o meu braço novamente, sem sucesso.

— Era esse o plano desde o início, esqueceu!?

— Eu não estava de acordo com essa parte desde o início, mas preferi falar só agora! — respondeu ele, rindo.

— O que? — bufei, incrédula. — Solte a porra do meu braço! Eu vou embora daqui você querendo ou não!

Me remexi, mas a cada balançar para frente e para trás, eu me tornava mais refém da força de Kai. Era como uma areia movediça. De repente, a trilha era estreita demais, as árvores intimidadoras demais, Kai estava irredutível. Nunca tive medo dele, mesmo sabendo e presenciando as crueldades que ele já fez. Algo dentro de mim me mantinha calma, como se Kai nunca fosse me bater, tentar me matar ou me machucar. Ali a ficha caiu, do quanto fui ingênua e boba por confiar no inexistente senso de justiça dele.

— Todas as minhas garotas me trocaram por outras garotas, isso é irritante, sabia? Primeiro Jennie e agora você...

— Eu nunca fui sua garota, maluco! — Tentei chutá-lo, mas meus braços já doíam, pareciam moles. O pânico me fazia arfar, minha respiração era frenética, enchia a noite, meus olhos estavam cheios d'água. Eu havia chorado alguma vez antes? Chorar de verdade? De pânico? Acho que não. — Kai... por favor... está me machucando... Me solte e eu prometo que podemos conversar, civilizadamente.

— Não use essa voz para falar comigo, sei que está mentindo, Rosé.

— Então vai pro inferno, caralho! Eu nunca vou ser sua garota ou qualquer outra merda que você imagina dentro dessa cabeça insana!

Ele riu, como se tivesse gostado da resposta e, ainda sorrindo, me deu uma cabeçada.

O impacto me deixou zonza, mais um baque na cabeça, ele me largou, mas não consegui dar mais de dois passos até suas mãos me alcançarem, me empurrando no chão.

Senti o gosto de terra misturado a sangue e pensei que fosse morrer ali. Na pior das hipóteses, seria violada e depois morta, nunca encontrariam meu corpo, Jisoo passaria o resto da vida se perguntando porque não mantive contato. Tudo por causa de Kai. Ele me virou e montou em cima de mim. Chorei, vergonhosamente chorei. Kai foi com as mãos até o meu pescoço, fechando minha glote e me impedindo de respirar. Era o jeito que ele fazia desde que éramos crianças, com coelhos, gatos, cachorros e Amber. Senti o desespero que ele também deve ter sentido nos segundos restantes de vida, quando percebeu que iria morrer.

Kai me disse que as últimas palavras de Amber foram um pedido para não machucar Jennie. Eu queria pedir algo parecido também, mesmo sabendo que não seria atendida, mas na emoção do momento, não consegui pensar nada bom o bastante, minha visão escureceu e eu enfim, apaguei.





Tive certeza que não estava morta quando abri os olhos, fitando o teto de madeira de um quarto grande.

Tudo ali era composto por madeira. Uma janela estava aberta na parede contrária, o sol entrava por ela, irritantemente iluminando tudo. Através dela havia copas de árvores e pássaros, piando pelo começo da manhã.

Puxei minhas mãos, com as juntas doloridas e machucadas, mas elas estavam presas por algemas na cabeceira da cama. Eu poderia me preocupar com isso, mas estava aliviada demais por estar com a mesma toalha que amarrei no meu corpo, no lago.

Ergui a cabeça e uma pontada de dor me atingiu com força, fechei os olhos, contando até dez na esperança dela passar, mas não, não passou, tive que me acostumar com ela. Pontinhos pretos dançavam pela minha visão, tentei engolir o seco, não consegui, minha garganta doía também, estava seca.

Voltei a deitar, apalpando meu corpo por cima da toalha. Não havia nenhuma dor lá embaixo. Ele não tinha feito nada comigo enquanto eu estava desacordada.

— Me acha tão ruim assim? — A voz de Kai saiu de um canto atrás da cama em que eu estava amarrada. Ele se aproximou do meu campo de visão, sorrindo. Vestia calças cargo, uma blusa gola rolê e carregava uma bandeja de café da manhã, quase como um marido recepcionando a esposa na lua de mel. — Eu nunca tocaria em você desacordada, tenho alguns princípios.

— Ah, tem? — Me arrependi assim que abri a boca, minha voz saiu em uma rouquidão dolorosa.

— Sabia que iria acordar sem voz, trouxe chá de orégano. — Ele se sentou na beira da cama. — Mas precisa me prometer que, quando eu abrir as algemas, vai se comportar.

Eu queria matá-lo, me imaginava pegando o cabo da colher dentro do iogurte e furando-o como um queijo suíço...

— Eu prometo. — Sorri, meus lábios se repuxaram, secos.

Kai tirou a chave do bolso para abrir as minhas algemas. Ele estava tão próximo a mim, o peitoral coberto pela blusa enquanto se inclinava para me destrancar, o cheiro de loção pós barba quase me fazendo vomitar, perfeito, aquela era a oportunidade perfeita.

Assim que ouvi o som das algemas se abrindo, acertei o pau dele com meu joelho.

Kai urrou de dor e caiu na cama. Por dois segundos de pura euforia me senti tentada a pegar a colher e realizar meu sonho, mas precisava focar em fugir. Minhas mãos estavam livres, meu pulso em carne viva onde o metal o pressionou durante a noite toda. Nada disso importava, minha cabeça, minha garganta, meus machucados, tudo estava em segundo plano. Meus pés pisaram em falso no chão e tropecei até a porta.

Estava fraca, não sabia quantos dias permaneci desacordada a ponto de não conseguir ficar de pé.

Agarrei a fechadura e puxei, mas a porta não abriu, soltei um palavrão, puxando e puxando de novo, até que me virei, atordoada. A porta estava trancada e Kai não estava mais na cama.

No minuto seguinte, meus cabelos estavam nas mãos dele e, com um único movimento, ele os puxou tão forte que meu corpo formou um arco para trás.

— Você prometeu, Rosé! — ele disse no meu ouvido, me arrastando pelos cabelos de volta para a cama. Eu não sabia se sentia dor pelo puxão, pelos gritos ou por tudo.

Me imobilizar e prender meus braços foi uma tarefa fácil, mesmo que eu estivesse me debatendo a todo o momento. E que se foda o resto da minha voz, continuei gritando por vários minutos depois, puxando meus braços até a algema machucar minha pele ainda mais. A toalha se desenrolou do meu corpo no processo, mas ele apenas voltou a amarrá-la em mim.

Eu estava ardendo em fúria, com raiva de mim mesma por não ter matado Kai quando tive chance, e as chances se reprisavam na minha cabeça. Das vezes em que ele acabou bebendo demais e dormiu na minha cama, eu poderia sufocá-lo com o travesseiro ou esfaqueá-lo. Enquanto preparava biscoitos para mim, no natal, eu poderia envenená-lo, mas perdi todas essas oportunidades.

— Já acabou o surto, querida? — ele perguntou.

Arfei, encarando-o com a melhor cara de ódio que eu conseguia fazer, já que não tinha voz para mandá-lo ir a merda.

— Bom, já que acabou, acho que posso conversar com você... quer dizer, você não pode falar, claro, só me ouvir. — Ele riu da própria piada, caminhando novamente para se sentar na beira da cama, mas eu o chutei. — Já que quer jeito difícil, tudo bem, Rosé, você vai ser a primeira dama.

Meu ódio deu lugar a confusão, acho que transpareceu na minha face, porque ele riu.

— Pensa bem, você pode aparecer e dizer que foi sequestrada por Jennie e Lisa. Nós montamos tudo, eu converso com o meu pai e ele paga uma boa quantia aquele investigador enxerido. Quem vai ligar para a Lisa presa? O pai de Jennie vai acreditar em tudo que meu pai disser... e ah! Eu quase esqueci, vamos inocentar Jisoo, é pegar ou largar.

E se eu dissesse "não"? Seria morta? Porque essa alternativa parecia bem melhor do que a primeira, onde eu não ganharia nenhuma vantagem em troca, morreria em Huimang Hill e ainda por cima teria que aguentar Kai como marido, era um pesadelo. Se continuasse ali, enrolando-o, poderia ganhar tempo e fugir, se Jisoo estivesse presa, tiraria forças do inferno para soltá-la, mas esse novo plano eu nunca aceitaria.

Como resposta, fiz uma bola de saliva e cuspi bem no meio da cara dele.

— Acho que precisa ficar mais um tempo aqui, com fome, para repensar na ideia. — Ele limpou o rosto com a manga da blusa e, sem olhar para trás, saiu.

Depois de horas, com o sol prestes a ir embora, percebi que tentar gritar e me descabelar não resolveria muita coisa. Ninguém me ouvia e suspeitei que aquela casa era uma das muitas que Kai e a família passavam férias, se fosse, seria um alívio, todas ficavam ao redor de Huimang Hill. Ele me disse uma vez que eram de difícil acesso, no meio do completo nada, mas me acalentava saber que não estava longe de casa.

Aquela posição doía como o inferno, o aço das algemas encostava na pele machucada do meu braço, chegava a ver estrelas. Eu precisava ser forte, porque a única solução para sair daquele lugar envolveria quebrar meu dedão.

Respirei e inspirei fundo algumas vezes e guardei ar nos pulmões, como se estivesse prestes a nadar, e puxei as mãos para baixo. A dor era tão forte que minha visão começou a me enganar, tudo rodava, o suor era tanto que molhava os meus cabelos e bochechas.

— É só um dedo... a porcaria de um dedo... — Repeti como um mantra, até ouvir um deles estalar.

O alívio foi tão grande que ultrapassou a dor, meu braço caiu ao meu lado, dolorido. O sangue escorria e manchava a cama.

Aproveitei a onda de adrenalina que não me fez sentir dor e usei mais força para puxar o braço que restava, deu certo.

Gargalhei, mesmo que agora tudo latejasse. Era uma pequena batalha ganha no meio de muitas outras perdidas.

Me arrastei até a bandeja de comida caída no chão e comi tudo, sangue misturado à poeira e tudo que estivesse naquele chão, eu não liguei, não estava na posição e querer coisa melhor, mas ainda sim, não consegui forças suficiente para andar. A porta do quarto continuava fechada. Me inclinei na janela, quarto andar, impossível que eu pule sem quebrar alguns — lê-se muitos — ossos.

— Bastardo, filho da puta... — Apertei meu pescoço, precisava poupar a voz também.

A televisão entrou no meu campo de visão. Eu estava tão ocupada arrumando uma maneira de fugir que não tinha me atentado a ela antes. Peguei o controle remoto na cabeceira da cama e liguei, o noticiário da tarde passava enquanto eu improvisava uma faixa para conter o sangue dos meus dedos quebrados.

... Mais notícias sobre o caso da jovem Park Rosé, o assassinato que chocou uma cidadezinha no interior... — Não pude deixar de sorrir. As pessoas estavam falando sobre mim, era a minha foto que estampava a tela da televisão. —... As três suspeitas do caso acabaram de ser soltas! Confira um trecho da entrevista concedida pelo investigador da divisão da polícia civil, Jackson Wang.

Franzi o cenho, tanto pela minha foto ser cortada, tanto pela cara do investigador aparecer em tela. Ele não era de Huimang Hill, parecia competente, o que era ruim.

Sim, sim... As suspeitas foram soltas, apareceram novas provas contundentes sobre o caso. Acho que estamos lidando com algo muito maior aqui... é só isso que posso dizer, por hora.

Engoli em seco, minha respiração se acelerava à medida que as palavras eram processadas... Jisoo estava solta, Jennie e Lisa também.

— O que significa novas provas? — Passei as mãos pelo cabelo, hiperventilado.

A porta se abriu de supetão e Kai apareceu por ela, com uma expressão de incredulidade que tomava todo o rosto. Algo dentro daqueles olhos gelou minhas espinhas.

Eu já li em algum lugar, há muito tempo atrás, que os monstros eram mais perigosos quando estavam com medo.

Kai estava com medo.

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