Chào các bạn! Vì nhiều lý do từ nay Truyen2U chính thức đổi tên là Truyen247.Pro. Mong các bạn tiếp tục ủng hộ truy cập tên miền mới này nhé! Mãi yêu... ♥

Não conte nada ao plano

— Jisoo

— Esqueci como é inconveniente conversar com advogados de cidade pequena — o investigador sorriu forçado, colocou os óculos novamente no rosto e prosseguiu com a conversa. — Jisoo, qual foi a última vez que viu Rosé com vida?

— A nossa cliente não tem obrigação de responder nenhuma das suas perguntas. — os advogados disseram em quase uníssono.

Jisoo preferiu permanecer calada.

— Então, não temos mais o que conversar... por enquanto. — Jackson a encarou uma última vez, era como se, com um olhar, deixasse claro que sabia de todos os seus segredos. — Volto mais tarde. — E saiu, fechando a porta em um estrondo.

A sala reinou no mais completo silêncio, como se estivesse vazia, até os advogados arrastarem a cadeira para que ficassem de frente para Jisoo. O ar de superioridade caiu por terra. O mais velho se apresentou como Eunhyuk e o mais novo como Heechul, assim, só com o primeiro nome, indicando a Jisoo que ela poderia confiar neles, que eram de alguma forma próximos.

— Criança, seus pais estão bastante preocupados com essa situação. Você precisa ser honesta conosco. — Eunhyuk disse.

— Se quer nos falar alguma coisa, agora é a hora. — Heechul  prosseguiu.

— Não... — Jisoo respirou fundo, buscando coragem para completar. — Eu não tenho nada para dizer, não tenho... não tenho envolvimento nenhum com o que estão me acusando. Rosé era minha melhor amiga, ela... — Encarou o chão, com medo da mentira ser visível em seus olhos.

— Você não foi vista em nenhum grupo de busca, as pessoas comentam... — Eunhyuk suspirou. — E onde está o carro? O chevette do seu pai?

— Não sei — Jisoo respondeu.

— Não sabe onde está o carro que você estava dirigindo no desaparecimento de Rosé? — Heechul parecia incrédulo.

— Eu emprestei a Rosé, depois nunca mais vi nenhum dos dois — justificou ela.

— Rosé disse para onde iria? — Eunhyuk se aproximou, esperançoso.

— Eu não perguntei.

— A sua pulseira... — Heechul apontou para o braço de Jisoo. — Onde está? Foi encontrada uma no pulso de Rosé, onde está o outro par? O seu par?

Jisoo engoliu o seco.

— Acho que joguei fora.

— Você "acha"? — Heechul  maneou a cabeça. — Olha, criança, vou ser sincero com você, a coisa tá feia, as únicas duas pessoas que podem confirmar o seu paradeiro durante a festa são suspeitas também, algumas pessoas viram você junto a Rosé e...

Eles continuaram a falar, mas as palavras não faziam sentido. Uma fadiga alcançava o corpo de Jisoo, era um cansaço aparente, estava cansada, cansada de parecer fraca e perdida, sempre precisando de ajuda, sempre se metendo em encrencas que não eram suas. Confiou em Rosé, esperou que ela apareceria e a tiraria dali, daquela cidade maldita, mas agora iria para a cadeia por isso. Por sempre esperar ser salva.

A melhor entre as piores escolhas pareceu a certa a se fazer naquele momento. Seria a sua própria salvadora. Estava decidida. Molhou os lábios secos de saliva.

— Eu prometo contar tudo o que eu sei, mas antes, quero conversar com uma pessoa.

Os advogados trocaram olhares confusos.

— E quem seria? — Eunhyuk perguntou.

— Kai — respondeu Jisoo, simplista.

— Kai Kim? O filho do prefeito? — Heechul  piscava várias vezes, talvez rezando para não ser quem achava que era. Mexer com gente importante não estava incluso no contrato.

— Sim, ele mesmo. Peça para ele vir aqui. Se ele recusar, digam que eu vou contar tudo diretamente ao investigador Wu.

Os advogados saíram da sala no mesmo momento, afrouxando a gravata e com olhares apreensivos. Algo na fala de Jisoo os indicou que, o que quer que tenha acontecido, era muito mais problemático que apenas um assassinato mal resolvido. E talvez seja, porque a garota dos Park fingiu a própria morte e matou uma pessoa para pôr no seu lugar, o caixão do filho mais velho do pastor estava vazio e o corpo enterrado numa vala. O assassino? O herdeiro do prefeito.

As mentiras que Huimang Hill escondia faziam parte da cidade, era como o pântano, ninguém queria falar sobre, mas ele continuava lá, crescendo, se alimentando de toda a sujeira jogada para debaixo do tapete.

As horas se passaram lentas, quando Jisoo precisava ir ao banheiro, batia na porta e algum guarda a acompanhava. Comeu um lanche de gosto ruim. Era difícil dizer se o dia tinha virado noite, a sala não possuía janelas, a luz amarela era incômoda, mas, quando o tédio ameaçou sufocá-la, a porta se abriu.

Kai chegou acompanhado de três advogados. Ele estava puto de raiva, mas sorriu para Jisoo, mantendo as aparências até onde conseguia. O rosto estava coberto por arranhões, como se tivesse brigado com um gato.

— Eu quero conversar com ele a sós — Jisoo pediu.

Os advogados concordaram. Kai ficou surpreso com a valentia de Jisoo enquanto ela não confiava em nada no autocontrole dele, mas esperava que Kai não botasse tudo a perder dentro de uma delegacia, mesmo que fosse seu sonho acabar consigo.

Quando fecharam a porta, a expressão dele mudou da água para o vinho.

— Como ousa me chantagear?

— Eu não tenho nada a perder. Eu vou ser presa por assassinato. — Jisoo se escorou em uma das paredes laterais. Estava cansada de ficar sentada.

— Que você é a cúmplice! — Ele se aproximou a passos lentos. — Que eu saiba, Rosé não estava sozinha naquele carro!

— Eu não vou levar toda a culpa nas costas e nem vou deixar Lisa e Jennie levarem também!

Kai gargalhou, como se tivesse ouvido uma boa piada. Ele passou as mãos pelos cabelos, jogando-os para trás num gesto premeditado para soar charmoso. Era surreal imaginar que todos os atos dele, desde a fala até a expressão, eram premeditados, que nada soasse natural, que ele não era natural. E, depois de saber dessa premissa, tudo que Kai fazia dava medo, por ser manipulador e um completo porra louca, por não ter internalizado nenhum comando social do mais básico. Imaginá-lo comandando uma cidade inteira era aterrorizante.

Ele foi se aproximando de Jisoo, que permaneceu parada. Não tinha para onde correr ali, suas costas estavam pressionadas contra parede fria enquanto repetia para si mesma que não abaixaria a cabeça para ele, não seria fraca, não daria esse gostinho.

— Você não tem um pingo de autopreservação, não é? — ele cochichou, com um meio sorriso no rosto.

— E você tem demais, não pensa em ninguém além de si mesmo — retrucou ela.

— Isso é ser inteligente, Jisoo. Me fala, como você vai provar para a cidade toda que Rosé e eu somos os culpados? Você vai ganhar uma passagem só de ida para um manicômio judicial... esqueceu que todos me acham uma "criança" exemplar? Rosé estava quase sendo canonizada como a santa de Huimang Hill, e você? Você sempre foi estranha demais, calada demais, quem sabe não nasceu com um retardo mental e matou a melhor amiga? É o que as pessoas dizem...

— Você que é doente, Kai, e todo mundo só acredita nessa merda porque essa cidade é o próprio inferno, amam bajular um demônio.

Ele riu, tocando com o indicador na ponta do nariz de Jisoo.

— Gosto de você assim, atrevida, me fez lembrar de Rosé. — Ele passou a língua pelos lábios, como se estivesse se deliciando com o momento. — Pena que agora quem decide sou eu, e eu não vou mover um músculo para te tirar da cadeia, muito menos Lisa e Jennie. O papel de noivo vítima da situação toda está sendo bastante proveitoso para mim e elas estão recebendo o que merecem pela traição.

Jisoo cerrou os punhos, furiosa. O rosto dele estava tão próximo do seu que era impossível não reparar novamente nos machucados que cruzavam a bochecha, queixo e testa. Pareciam ter sido feitos com unhas. Fazia uma semana que Rosé sumiu.

Ela poderia muito bem ter deixado Jisoo para trás, ou Kai tomou essa decisão por ela.

— O que você fez com Rosé? — Agarrou o colarinho dele, que deu um sorriso debochado em troca. — O que você fez com Rosé, Kai!?

— Rosé foi embora sem você! Ela não é lá muito confiável... achei que soubesse. — Ele a empurrou, num falso ar de tristeza.

Rosé voltaria para buscá-la. Jisoo sabia de todos os defeitos dela, todas as promessas quebradas, das milhares de vezes que foi manipulada e usada, mas ela não deixaria Kai no comando do jogo.

— Você está mentindo... — conseguiu dizer entre lágrimas. — Rosé, ela... ela...

Kai bocejou, fingindo tédio ao limpar as unhas.

— "Ela" o quê? Complete, por favor. Ela fugiu? Ela não conseguiu fugir? Talvez não tenha conseguido mesmo, quem sabe? Ela não pôde contar que eu fosse mudar as regras é a culpa é toda sua? Plausível. Ela queria voltar para te buscar e aquilo me encheu a paciência? — Kai alisou o queixo, fingindo pensar. — Na mosca!

Jisoo sentiu uma dor tão grande que ameaçou tomar conta de toda a sua sanidade. Kai estava ali, contando que deu "um jeito" em Rosé, que provavelmente a machucou ou a fez mudar de ideia forçadamente. Ele era a representação da impunidade e se vangloriava porque sabia que nunca seria preso, que ninguém ali ousaria mover um músculo para prender o filho do prefeito.

— Eu posso parar num manicômio, como você disse... — sussurrou Jisoo, as mãos estavam em punhos, sabia que não tinha chance nenhuma numa luta corporal com ele, mas não a impedia de sonhar. — Mas eu vou tentar, Kai, vou contar tudo. Você vai se arrepender do que fez.

Ele arqueou as sobrancelhas, riu, e antes de sair da sala se aproximou para um último recado.

— Boa sorte nisso aí, vou estar na primeira fila quando seu julgamento chegar.

E foi embora.

A sala pareceu mais vazia do que antes. Kai levou consigo uma parte de Jisoo. O ar abafado e as paredes cinzas a ajudaram a pensar melhor. Quando os advogados chegaram, outro nome saiu dos seus lábios, nunca teve tanta certeza do que iria fazer na vida.

O investigador chegou minutos depois, de olhar soturno e sorriso de lado, meio que já sabendo que contaria tudo, mas manteve a pose neutra ao se sentar na cadeira, indicando a outra para que Jisoo se juntasse a ele.

— Pediu para me chamar?

Ela assentiu positivamente, a boca estava seca, o coração batia rápido. Era agora ou nunca. Ensaiou mentalmente o que iria dizer, como iria se portar e as palavras certas no momento certo. Rosé sempre dizia isso, que mentir era uma arte, um teatro. Era necessário encarnar um personagem, fazer o ouvinte acreditar tanto naquela história até se tornar verdade.

— Investigador, imagine essa manchete... — começou, tranquila, com um olhar doce, vago, precisava soar convincente. — Uma cidade pequena, isolada e esquecida, governada há muito tempo por uma única família. Essa família possuía apenas um filho, um garoto abençoado, era o que diziam, mas a conduta dele não era lá muito ética. Ele matou o irmão da própria namorada, isso é que você precisa saber, por hora, mas ele queria mais, queria outra garota, queria muito ela, então planejou uma forma de tê-la só para ele. Ele atropelou uma desavisada na estrada que se parecia muito com a vítima da sua obsessão e a jogou no lago, só para raptar a verdadeira sem que ninguém descobrisse.

Jackson a encarou com desconfiança, mas nitidamente curioso. Ele se inclinou na mesa.

— Está me dizendo que Rosé está viva? Que aquele corpo enterrado não é o dela?

— Estou dizendo que Kai matou três pessoas: o filho mais velho do pastor, uma garota ruiva da cidade vizinha e talvez, talvez, tenha matado Rosé. Se ela não estava morta antes, está agora. Kai vai fazer de novo e acha que nunca vai ser pego.

Jackson respirou fundo, passou a palma da mão na boca, decidindo se valia a pena ou não confiar em Jisoo. Podia ver os neurônios dele trabalhando, as pupilas inquietas, as oportunidades passando freneticamente pelos seus olhos. Não era ingênua de pensar que Jackson a ajudaria apenas para fazer justiça, se ele conseguisse colocar as mãos em Kai seria o caso da sua carreira.

E era a mentira perfeita. Colocar a morte da garota ruiva na conta de Kai, poderia livrar Jisoo de um papel de cúmplice.

— Eu sempre soube, aquele playboy desgraçado... — A frase morreu no ar, Jackson parecia conversar sozinho até fixar os olhos em Jisoo. — Espero que saiba no que está nos metendo, garota, e espero que tenha provas. É a sua palavra contra a do filho do homem mais poderoso dessa cidade.

Jisoo escondeu um sorriso.

— Acho melhor começar a procurar no carro dele, mais específico, no porta-malas. Kai é idiota o suficiente para não ter mandado lavar por dentro. Tem sangue e cabelos de Rosé o suficiente lá para incriminá-lo e, enquanto isso... preciso que me tire daqui. Posso conseguir todas as provas que você precisa, se estiver livre.

Jisoo estava orgulhosa. Era uma boa mentirosa, no fim das contas.

Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro