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Não conte nada ao plano


15 de março de 1995 - 5 dias antes
— Jennie Kim








Não havia muito o que se fazer em Huimang Hill, ainda mais quando se era jovem e jogar bingo na praça ou tricotar no grupo de mães cristãs não parecia um hobby muito legal. Talvez seja por isso que as corridas na rota 87 tenha dado tão certo. Dirigir já era um hábito bem difundido na cidade, os filhos aprendiam com os pais ao completarem quinze anos — ou até menos — porque, mesmo que no papel estivesse claro que era proibido menores de 18 anos sem carteira de motorista pilotarem carros, na prática, principalmente em Huimang Hill, ninguém ligava o suficiente.

Foi impossível parar as corridas na rota 87, portanto, cabia aos adultos fingir que elas não existiam e torcer para que seus filhos não morressem em um acidente.

E, naquela noite, estava acontecendo mais uma.

O Chevette era um ser estranho para Jennie, uma casa não familiar, um abraço que não se encaixava, mas havia tantas outras coisas que pareciam estranhas agora, desde a sua volta para Huimang Hill, que acabava se tornando uma sensação confortável não ter controle sobre o volante. Era volátil demais por debaixo do aperto da sua mão. Ela não conseguiu ajustar o assento, de modo que seu pé estava longe demais do pedal.

O vento que entrava pela janela era como um tapa, mas não havia cabelos para farfalhar em seu rosto, não mais. A estrada estava mais escura que o normal, os postes de luzes queimados. Era uma sensação boa, flertar com a morte, ter um gostinho de descuido e saber que poderia ser fatal. Era bom extravasar todos os seus anseios, medos e raiva. Jennie ainda tinha muita raiva, ainda borbulhava em seu interior. Se ela perdesse o controle do carro morreria as três, ela, Lisa e Jisoo. Pensar nisso não a fazia diminuir a velocidade.

— Vamos ganhar essa porra! — gritou Lisa, rindo. — Mais rápido, Ruby!

Jennie sorriu, apertando o acelerador. Lisa enfiou a cabeça para fora da janela do carona, uma das mãos segurava o cinto de segurança com força enquanto a outra mantinha a garrafa de cerveja nos lábios. Em uma curva mais acentuada, alguns pingos da bebida acertaram Jisoo, no banco de trás.

— Lisa, ei! — Jisoo limpou o líquido no rosto. Elas eram uma bagunça, já que o vento sacolejava suas roupas e causava um barulho ensurdecedor. — Lisa, sai daí! Jennie!? Diminua a velocidade, estamos há bons metros à frente dos outros!

— Pare de ser uma vadia medrosa, Jisoo! — Jennie gritou mais alto que o vento.

Só o barulho dos pneus deslizando no asfalto poderia ser ouvido, era como se estivessem em um mundo paralelo. O escuro era onde as crianças de Huimang Hill tentavam desesperadamente morrer.

Antigamente, Jennie supôs que Rosé e Jisoo não ganhavam as corridas porque o chevette não era tão potente, mas ela estava errada, o carro era tão ou mais potente que o monza, elas só não eram corajosas o suficiente.

— A gente vai morrer! — gritou Jisoo, desesperada.

— A GENTE VAI MORRER! — gritou Lisa, maravilhada.

Jennie gargalhou, a última volta era sempre a mais difícil, precisava girar o volante quase que por inteiro e, ao mesmo tempo, diminuir um pouco a velocidade. Se ela não girasse o volante suficiente, o carro descia ladeira abaixo de encontro às árvores na ribanceira. Se ela não diminuísse a velocidade o suficiente, o carro derraparia na pista, capotaria e acertaria os carros que vinham atrás.

O pedal do chevette era um pouco mais duro, ela teria que levantar o pé aos poucos.

Jisoo puxou Lisa pela camisa, trazendo-a para dentro do carro. A curva se aproximava. Jennie puxou a garrafa de cerveja da mão da tailandesa e bebeu um gole, a luz dos faróis dos carros aparecia pelo retrovisor.

Jennie girou o volante com força e uma guinada fez todas serem jogadas para o lado. O pneu cantou no asfalto, o barulho foi ensurdecedor até os pneus conseguirem aderência o suficiente para que Jennie pudesse recuperar a velocidade.

— Porra, porra, porra! — Lisa bateu as mãos no painel, até mesmo Jisoo sorria em suspiros de surpresa. — Foi demais!

Jennie sentia o que elas estavam sentindo, adrenalina.

Era por isso que ela gostava tanto das corridas, era a chance de sentir aquela sensação na boca do estômago, aquela que antes só sentia na presença do irmão. Era ele o responsável pelas ideias erradas, pelas travessuras, por trazer a sensação de serem pegos a qualquer momento.

Após a curva, a linha de chegada estava próxima. Um amontoado de garotos e garotas na beira da estrada pulavam feito loucos, mas Jennie não parou ao cruzar a linha de chegada, ela prosseguiu pela estrada, deixando-os para trás.

— Ué, não vamos parar? — perguntou Lisa, olhando para trás.

— Vamos deixar o prémio para quem precisa — respondeu Jennie.

Jisoo se encolheu no banco, os olhos presos no que elas deixaram para trás.

— Você não quer que eles saibam que você chegou — concluiu ela.

Jennie a encarou pelo reflexo do espelho retrovisor.

— É, mais ou menos isso.

A adrenalina foi embora com a mesma rapidez que chegou.








Os pinheiros eram o mais distante de Huimang Hill que eles poderiam ir.

Foram plantados há muito tempo, mas perderam totalmente o propósito inicial: madeira barata de fácil plantio, e se tornaram apenas mais um lugar desinteressante que foi ressignificado por jovens cansados de tanto tédio. Lisa e Jennie descobriram aquele lugar, era ótimo para transar sem serem importunadas e era longe o bastante para fingirem não estar em Huimang Hill.

Os pinheiros foram plantados em espaços longos, elas conseguiam entrar com o carro no meio da mata e até certo ponto, dirigir com ele por lá. Era pacifico e tranquilo. Depois do sexo, elas fitavam o céu escuro entre as árvores, ouvindo nada mais que as cigarras e a brisa enquanto perdiam a lucidez a cada gole de cerveja quente.

— Como se sente, Jisoo? — perguntou Jennie, deitada em cima do capô do chevette. — Como se sente vencendo sua primeira corrida?

Jisoo sentou-se ao lado de Jennie. Elas perderam Lisa de vista, a tailandesa estava fazendo xixi.

— Me sinto bem por estar fazendo algo de errado. — respondeu Jisoo.

Jennie arqueou as sobrancelhas, rindo.

— Preciso admitir, estou surpresa por ouvir isso de você.

Elas deitaram lado a lado, dividindo uma garrafa de cerveja.

— Já estamos no inferno, certo? O que mais pode acontecer? — perguntou Jisoo.

O capô estava frio e os ombros delas se tocavam. Ambas caminhavam por aquela linha tênue que separava o mundo da sobriedade e da embriaguez.

— Eu já estive no inferno e, pode ter certeza, Huimang Hill perto dele parece ser um paraíso — sussurrou Jennie.

Jisoo a encarou por alguns minutos, os lábios molhados de saliva e as piscadas lentas.

— Sinto muito — murmurou em resposta.

— Não quero que sinta muito — rebateu Jennie. — Quero que me ajude a acabar com Rosé.

Jisoo suspirou.

— O plano?

— É, o plano.

Elas voltaram a beber, os cascos vazios estavam nos pés delas e as árvores começaram a balançar, dançar em meio a relva escura. Antes, beber era bom para Jennie, mas agora ela acabava em um espiral doloroso, presa ao que passou naquele lugar.

— Acha que fazer essa festa é mesmo a solução? Que... que você vai pensar em alguma coisa cruel o suficiente quando chegar lá? — A voz de Jisoo estava embargada.

Jennie jogou a garrafa no chão, encarando fixamente os seus pés balançando de lá para cá.

— Eu quero enfrentá-la, Jisoo. A festa é um pretexto. — Sua voz foi diminuindo aos poucos, até ser apenas um mover de lábios. — Se eu for longe demais posso sair dessa sem ser pega, afinal... a casa vai estar cheia de gente, certo?

Jisoo abriu a boca para rebater, mas nada saiu.

Um barulho de folhas amassadas soou no horizonte e o farol do monza clareou a escuridão. O carro parou de frente para o chevette e Kai e Lisa saíram do carro.

— Olha só quem eu encontrei no caminho! — Lisa pulou nos ombros de Kai.

Kai riu, passando o braço pela cintura dela. Eles se aproximaram, ainda rindo, presos em um momento no qual Jisoo e Jennie não foram convidadas.

— Achou que poderia ir às corridas sem mim? — Ele se inclinou para dar um beijo nos lábios de Jennie, mas ela recuou, cerrando os punhos.

O ciúmes era outro sentimento que ela teria que aprender a conviver, ou teria que fazer algo a respeito.

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