XVII - Dezessete - Final
Último capítulo do livro I.
Angie
Mais dois meses se passaram, três meses desde a última vez em que vi Ian Ledger. Eu tentei conversar com Steven para saber o que estava acontecendo, mas ele só disse que eu deveria deixar tudo isso quieto e parar de tentar conversar com Ian, já que ele não iria me atender.
Carter voltou para sua cidade, mas prometeu que voltaria o mais rápido possível. Segundo ele, só precisava resolver alguns assuntos e conversar com seus pais, e já estaria de volta.
Katalinna está indo muito bem na faculdade, é uma das melhores alunas, vive recebendo elogios dos professores. Tenho certeza de que ela vai ser uma boa professora de literatura — é o curso que ela está fazendo.
Mas uma coisa que me surpreendeu foi que Carter e Katalinna, realmente, começaram um relacionamento. Claro, era meio óbvio que isso fosse acontecer, mas eu pensei que fosse demorar mais tempo. E eu estou extremamente feliz pelos dois, eu os amo muito.
Kelly se demitiu da empresa, ao perguntar o por quê de ela ter feito isso, descobri que tinha sido apenas para que ela pudesse ficar com Robert sem nenhuma restrição.
E claro, Robert aceitou a condição, mas apenas depois de ela já ter conseguido outro emprego. Depois, como os dois não trabalhavam mais no mesmo lugar, puderam desfrutar da felicidade mais que merecida deles.
Adam continua o mesmo, fica quieto a maior parte do tempo, mas agora estamos ainda mais próximos. Depois de todos os acontecimentos, ele tentou descobrir o que estava acontecendo, mas eu obviamente não contei, e ele foi o primeiro a entender que eu não me sentia bem para falar do assunto, e não insistiu mais.
Neste momento, eu estou saindo do trabalho, é sábado e eu só trabalhei meio período. Eu ando trabalhando mais ultimamente, me ajuda a não pensar demais. No entanto, hoje é um dos poucos dias em que me sinto realmente cansada do trabalho, e é bem provável que eu vá fazer uma caminhada hoje.
Minha vontade é de fazer uma caminhada, no entanto, terei que ir sozinha, já que Katalinna está em semana de provas e não larga mais os livros.
Depois de entrar em meu carro e dirigir até meu apartamento, eu estaciono ele no estacionamento do edifício e desço, trancando o carro e caminhando lentamente até o elevador. Quando finalmente chego ao meu andar, eu caminho até a porta de meu apartamento e entro, tirando meus sapatos e os deixando ali na entrada.
— Kata, você ao menos comeu hoje? — eu perguntei ao ver minha amiga com a cara enfiada nos livros, sentada na mesa de jantar.
— Aham, de manhã — ela nem desviou sua atenção para responder.
Eu não receberia sua atenção, então o que eu fiz foi deixá-la ali e ir para o meu quarto. Chegando lá, eu tirei a roupa que estava usando, substituindo por uma mais confortável para caminhar.
Em seguida, fui até a cozinha, onde comi algo leve antes de encher uma garrafa de água e sair do cômodo, parando em frente a minha amiga mais uma vez.
— Vou sair para caminhar, se cuida aí, do jeito que está o apartamento pode pegar fogo e você não vê.
— É bem provável — nós duas rimos, ela finalmente desviou sua atenção para mim.— Ande com cuidado e não volte tarde.
— Claro! E não se esqueça de comer alguma coisa.
— Pode deixar.
Antes, Katalinna tinha o costume de responder com "sim, senhora" para quase tudo, isso até eu dizer como isso me fazia mal e lhe contar o motivo. Primeiro, ela ficou curiosa para saber do assunto, e queria detalhes das minhas poucas práticas, no entanto, ela percebeu como seria ruim para mim relembrar aquilo e não insistiu mais. Eu espero poder contar para ela algum dia.
Quando saí de casa, dei uma corridinha até o parque ali perto, chegando lá fiquei apenas andando, mas com passos rápidos.
Por um momento, eu acabei me distraindo, pensando em diversas coisas enquanto a música tocava em meus fones de ouvido. Distraída, eu esbarrei em alguém e quase fui parar no chão, o que não aconteceu graças a tal pessoa que me segurou.
Quando tirei os fones e me virei para agradecer, fiquei estática ao encontrar Ian ali, aparentemente estava correndo também. A forma em que ele me olhava era tão intensa, um misto de saudade e alguma coisa a mais que eu não consegui diferenciar, talvez mágoa, não sei. Ele não mudou nada, está exatamente da forma como eu lembrava, continua extremamente lindo.
Nenhum de nós falou nada a princípio, depois de um tempo eu finalmente tomei coragem para tomar a iniciativa da conversa.
— Nós podemos conversar, por favor? — meu tom de voz era calmo, o total contrário do que estou sentindo.
Ele pensou por um tempo, depois olhou em volta, passou a mão nos cabelos e olhou no relógio, tudo sob meu olhar ansioso.
— Eu só preciso de alguns minutos, eu paro de tentar se você julgar que o que vamos conversar não for útil.
— Tudo bem, vamos para o meu apartamento — eu conseguia perceber que essa não era sua vontade.
Nós fomos até seu carro, ele deu partida assim que entramos. Durante o caminho, eu tentei formular toda a nossa conversa, era uma forma de me acalmar. Quando chegamos, nós subimos até seu apartamento, com o mesmo silêncio do caminho para cá. Ao entrar, eu pude ver que tudo estava da mesma forma que da última vez que estive aqui, com a mesma decoração, que aliás era minha.
— Pode começar — ele disse.
— Ian, eu preciso saber o que aconteceu, por que você começou a me tratar assim do nada? E eu tenho certeza que não é porque eu não sirvo mais para você.
— Hipocrisia da sua parte dizer isso.
— O quê?
— Não se faça de ingênua, eu já sei tudo o que aconteceu entre você e aquele desgraçado, não vai adiantar ficar se fazendo de vítima.
— Ian, do que você está falando? Eu não estou entendendo — nós dois já estávamos meio alterados.
— Você... — ele começou, mas não deixei que ele terminasse de falar.
— Ian, me conta logo de uma vez o que aconteceu para você ter me deixado, me conta o que aconteceu para você ter agido feito um filha da puta! — eu com certeza não medi minhas palavras, e se depois disso tudo nós nos reconciliarmos, isso vai me custar muito caro.
— Quer saber mesmo, Angie? — assenti rapidamente.— Vitor Moura, esse nome soa familiar?
Aquele nome ecoou em minha cabeça, nada estava fazendo sentido. Vitor tinha algo a ver com isso? Claro, é óbvio.
— O quê...? — eu não tinha o que dizer.
— Vai dizer que não sabe? Ele me contou, Angie, contou que vocês estavam tendo um caso, e disse o quanto vocês se amam.
— Ian! Pelo amor de Deus, você vai confiar nele? Mesmo depois de tudo o que eu te contei? Você deveria ter vindo conversar comigo ao invés de simplesmente me julgar.
— Não me venha com essa — pude sentir em seu tom de voz que ele já não confiava tanto no que Vitor tinha dito.
— Eu não tive nada com ele, apenas o vi naquele bar àquela noite, isso depois de anos sem o ver, e você sabe o quanto eu o desprezo, o quanto eu o odeio — não consegui conter as lágrimas que escorriam em meu rosto, tudo isso estava doendo demais.
— Não pode ser verdade... Você está mentindo!
— Ian, pensa racionalmente, por que eu mentiria para você? Sendo que, na nossa relação onde nem sempre tem esse negócio de fidelidade, eu pedi para que fossemos exclusivos um para o outro. Se eu quisesse ficar com outra pessoa, eu teria dito, você sabe disso, você me conhece. E outra que, sendo um dominador, mesmo com a condição que eu impus, você nunca deveria ter agido assim! — eu estava estressada, nervosa por tudo o que ele disse, e pior, estava incrédula com a situação.
— Sabe o que é pior? — eu não respondi, apenas esperei que ele continuasse. — É que você tem razão, e eu me deixei levar por uma mentira — eu conseguia ver o quanto ele estava arrasado.
— Mas é óbvio. E sabe o que mais dói? Que você não tenha confiado em mim, que tenha acreditado em alguém como ele — minha voz já estava baixa, demonstrando o quão sem forças eu estava.
— Eu tentei não acreditar, mas ele foi tão convincente, me deixei levar e acreditei — ele se pronunciou, depois de um tempo sem dizer nada.
— Por quê? — era tudo o que eu queria saber. Por que ele agiu de forma tão impulsiva?
— Eu... Acabei me apaixonando por você, quando ele foi ao meu escritório e disse essas coisas, eu fiquei arrasado, de coração partido, então preferi te tirar da minha vida — eu não sabia o que dizer, só sabia que precisava de tempo para pensar.
— Você queria me tirar de sua vida, certo, você conseguiu — me virei para sair do apartamento, mas ele me impediu.
— Angie, me desculpe, eu fiquei louco de ciúmes, por favor tenta entender.
— Eu também saí machucada, Ian, você deveria ter pensado nisso antes de simplesmente me magoar e deixar por isso mesmo. Me deixe ir embora.
— Tudo bem, mas eu vou recuperar a sua confiança, custe o que custar.
Eu não disse mais nada, apenas saí dali, com uma vontade imensa de gritar, mas também, uma vontade imensa de acabar com Vitor Moura.
Continua...
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Esse foi o último capítulo, mas calma, ainda não acabou.
Essa história vai ter um segundo livro, no qual eu darei mais informações no próximo capítulo. Role a tela para saber mais.
Muito obrigada a todos que leram, eu agradeço do fundo do meu coração ♥️
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