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Procura-se

Oi, meus dengos! Tudo bem? Eu espero que sim, viu. Sei que demorei (como sempre), mas voltei mais cedo que antes, 10/10.

E olha, contar pra vocês que esse capítulo, eu não esperava que fosse ficar do tamanho que ficou, e eu ainda queria escrever mais, porém, vamos com calma porque ainda tem muitaaa coisa por aí. E é isso, guapos, boa leitura! Aproveitem! ♡

Ele não saía da minha mente.

Já se completavam dois meses desde que comecei a trabalhar na empresa onde modelava Choi Soobin, e o alfa em questão não deixava de atormentar meus pensamentos. E nada eu podia fazer, visto que o meu emprego não me permitia manter alguma distância dele, pois, ainda que não fosse sempre seu fotógrafo, Soobin encontrava uma forma de esbarrar comigo, provocar-me até o último fio de cabelo e se despedir com o sorriso mais sacana que pude um dia presenciar.

Puta merda.

Por que alfas lindos eram sempre tão idiotas? Eu realmente merecia lidar com aquela situação? Todavia, isso apenas servia para me comprovar que se não fosse por Beomgyu, eu fielmente acreditaria não existir algum alfa prestável. Porém, por mais que reclamasse, no fundo, bem no fundo, eu sabia gostar, sabia sentir o calor percorrer todo meu corpo e se filtrar com maior afinco em minhas bochechas. No âmago, eu tinha noção do quanto as investidas de Soobin eram bem recebidas pelo meu inconsciente — e consciente. Eu só não conseguia admitir. Talvez nunca pudesse, afinal, não era solteiro. E só algum ser superior poderia saber o quanto a culpa caía sobre meus ombros quando me dava conta da crueldade que praticava com Beomgyu ao me comportar em reciprocidade diante dos nada levianos flertes daquele alfa.

E era daí que os conflitos gerados em minha mente me faziam cansar, adoecer silenciosamente e adentrar em um estado de tristeza que há muito tempo não se apresentava, pelo menos o suficiente para me garantir firmeza com as minhas emoções. E sabia que, talvez, para as pessoas, eu fosse duro, fechado ou até mesmo arrogante. Contudo, o Yeonjun de dezessete anos e o Yeonjun de vinte e dois sabiam somente tratar-se de um modo de defesa barato.

Atitudes defensivas que, de alguma forma, não funcionavam com Choi Soobin. Eu só não podia dizer se era por este já ser um grande expert na arte de conquistar "indefesos" ômegas ou se ele apenas conseguia me ler com uma facilidade absurda, quase espontânea, e se fosse ser bastante sincero, a segunda opção me apavorava até o último fio de cabelo. Isso não podia ser certo.

Que tal o rosa?

Wooyoung perguntou ao telefone, tirando-me do transe provocado pelos meus pensamentos agitados e infernizados pela presença constante de Soobin. Estávamos organizando a festa de aniversário de San enquanto eu finalizava um relatório no meu dia livre do trabalho e da universidade. Pisquei os olhos, voltando a prestar atenção em si.

— Acho que o verde combinaria mais. Mas o rosa ficaria bom nos arranjos de flores, eu acho. As cores de destaque podem ressaltar a excelência da escolha em boas fotos, e isso é o charme.

Escrevi algumas palavras no documento aberto no notebook, bebendo um gole de café em seguida. Wooyoung suspirou, e eu já sabia que viria uma bronca a seguir, o que não demorou a acontecer.

"Mente vazia é oficina do diabo", mas a sua é das fotos. Você só pensa em fotos. Certeza que quer trabalhar no aniversário ao invés de só se divertir?

— Óbvio que sim. Não me perdoaria se deixasse algum mau fotógrafo estragar as fotos do dia especial do San. — Soprei o líquido quente para sentir o cheiro esparcir pelo ambiente. — E eu vou me divertir! Sabe que eu amo fotografar, é o que mais me diverte.

Você é um viciado em trabalho, isso sim. Não sabe aproveitar os bons momentos da vida. — Suspirou outra vez do outro lado da linha. — Só não se cobre tanto, por favor, ainda te queremos sóbrio e sem o cérebro carcomido por tanto trabalho, Jun!

— Sim, sim, como diga, mãe.

Eu com certeza seria uma melhor mãe pra você!

A gargalhada ressoou automaticamente pela minha garganta e foi inevitável não parar alguns segundos para retomar a compostura.

— Finalmente! Nunca achei que você diria algo assertivo, idiota.

Eu sempre digo algo assertivo, pirralho insolente. Não sei quem te deu essa intimidade toda.

Continuamos conversando por mais alguns minutos, entre organizar os detalhes do aniversário e implicar um com o outro a cada oportunidade, até que Wooyoung precisou voltar ao trabalho e desligamos, mandando-nos beijos. Passar um tempo com o meu melhor amigo sempre seria uma experiência tranquilizante e divertida, ele tinha esse dom, por mais que, normalmente, só parecesse um palhaço ambulante. E acredito que era esse o seu maior potencial, era uma qualidade única e encontrada especialmente nele. Não trocaria Wooyoung e a amizade deste por nada no mundo. E esse pensamento era ainda mais intensificado naquele momento porque meus pais não estavam em casa, o que significava que eu podia me guiar por onde quisesse sem preocupações, agindo normalmente, sem me atentar em manter um comportamento cujo não me pertencia. No fim, era um dia maravilhoso.

O triste? Dias maravilhosos acabam tão rápido quanto começam.

[...]

No dia seguinte à minha folga, já era hora de ir para a faculdade. Arrumei-me preguiçosamente e com um sono incompreensível, uma vez que fui dormir cedo, e me dirigi para a cafeteria onde Wooyoung deveria estar atendendo clientes universitários em massa durante aquele horário. E ele realmente estava. Ri um pouco da expressão de sonolência do outro, misturada a um outro sentimento que julgava ser tédio, um tanto parecida à minha, e pedi meu café de sempre ao atendente livre. Wooyoung me viu e acenou com um sorriso, o qual devolvi igualmente, deslizando a mão para fora do bolso do casaco e retornando-a rapidamente ao final do gesto.

E ao receber o pedido, pagá-lo e bebê-lo, decidi sair dali e ir direto para o lugar que estava tirando meu sossego há anos, porém, proporcionando-me a experiência com fotografia que eu tanto sonhei. Isso era o suficiente, até mesmo para mim, uma pessoa privada de satisfações. Contudo, talvez aquele dia não fosse tão tranquilo quanto o esperado, já que assim que pisei os pés dentro do instituto, meu celular tocou, vibrando incansavelmente no mesmo bolso do casaco onde antes repousava a minha mão. Ao pegá-lo, visualizei com atenção o nome "Manager Kim" aparecer em negrito, num tom branco e brilhante, um sinal muito maldoso de que eu deveria ir trabalhar a qualquer momento. Atendi a ligação.

— Taehyung-ssi? Aconteceu algo? Hoje eu não tenho horário — indaguei, curioso e um pouco ansioso devido à chamada inesperada, dando passos em direção ao meu prédio. Ouvi um suspiro do outro lado acompanhado por um barulho estranho. Franzi o cenho, bebendo mais do café gelado. — Está tudo bem aí?

Oi, Yeonjun! Desculpe o inconveniente! O cabeça oca do Soobin te ligou sem eu ver... "Igual uma criança mimada", não evitei pensar, ignorando o riso que escapou entre meus lábios ao subir os primeiros degraus da escada até o andar da minha sala. Não me surpreendia, pois sabia melhor que ninguém que Choi Soobin era bastante... insistente, se assim podia classificar as suas nada suaves investidas. — Mas, de fato, tenho um pedido para você. Está ocupado?

— Oh, não, não, pode falar, sem problemas — menti, estancando ao lado de um bebedouro, ainda mais curioso. Faltava apenas um andar.

Bem, o fotógrafo marcado para o ensaio das vinte sofreu um acidente e não conseguirá vir. Podíamos ter chamado outro, mas o Soobin insistiu em ser você, então, assim... teria como?

Se eu já não tivesse bebido um pouco mais do café, com certeza teria me engasgado. Ok, eu sabia que Soobin era persistente, mas a ponto de preferir um estudante a um verdadeiro profissional? Minhas bochechas enrubesceram só de pensar nas loucuras que aquele alfa poderia me dizer naquela noite. Meu corpo tremeu inevitavelmente, receoso ao mesmo tempo que ansioso pelas suas palavras, pelo seu olhar intenso e pelas mãos que pareciam um ímã, sempre tentando alcançar-me. Não sabia se seria uma boa ideia vê-lo, eu não me sentia nada preparado, já que, de qualquer jeito, não havia um real ensaio marcado comigo. Todavia, a paixão sem limites que eu nutria pela fotografia juntamente ao pensamento enganoso de que conseguiria lidar com os olhos azuis de um certo modelo me deixaram decidido.

— Tudo bem, eu aceito. Minha última aula acaba às sete e meia, não demoro mais do que trinta para chegar aí, posso atrasar uns cinco minutos no máximo.

Sério?! Muito obrigado, Yeonjun, você nos salvou! Te pago uma refeição depois!

— Não tem porquê, Taehyung-ssi, mas agradeço o gesto. Bem, minha aula vai começar, então tenho que desligar. Até mais.

Até mais, fotógrafo.

O arregalar de olhos e o arrepio que percorreu o meu corpo foram o resultado daquela voz que há quase uma semana não escutava tão próxima. A chamada foi finalizada logo após, mas eu ainda estava com o celular perto do ouvido, em uma patética esperança de repetir em minha mente o som baixo, suave, mas com um tom sarcástico misturado a uma provocação, quase presentes ali, saindo da boca volumosa e soprando contra a minha orelha. A única coisa que me fez voltar aos meus sentidos foi o tapa recebido na nuca — doloroso, por sinal — por ninguém mais que uma ômega de cabelos ruivos e cacheados, olhos verdes e lábios grossos, Tyra Martins, a minha amiga mais íntima naquela faculdade, tirando o San. Sua expressão de criança sapeca mostrava o quanto se divertiu com aquele ato.

— Que cara de tabacudo é essa? 'Tá babando por quem, sr. Choi? — perguntou, a voz doce ecoando de um modo engraçado. Sorri para ela, disposto a devolver na mesma moeda, observando as pastas que carregava.

— Bobinha, estava pensando naquele seu pai, um homem tão lindo e cheio de jovialidade para estar solteiro nessa idade — respondi, piscando um dos olhos. Ela riu enquanto me estapeava a nuca outra vez. Rapidamente pus a mão no lugar afetado. — Isso dói, Ty!

— Deixa de ser um palhaço, Yeon. Meu pai já está namorando para sua informação, ok? Uma quarentona bastante bonita e legal, inclusive, nem sei como ele conquistou ela com aquele mau humor dos diabos.

— Ah, é? Poxa, perdi a oportunidade de ser seu futuro padrasto. Faria loucuras pelo meu marido para tirar todo o seu mau humor.

Tyra fez uma expressão de repúdio e nós rimos, passando a andar lado a lado até a nossa sala da primeira aula. Felizmente, ela também estava no meu curso. A ômega não sabia do meu romance com Beomgyu, e nem do contexto completo da situação, porém, foi esperta o suficiente para perceber a atitude estranha dos meus pais e me questionar se precisava de ajuda. No dia, quis muito confessar tudo e pedir seu apoio, no entanto, não queria envolver outra pessoa na minha deplorável situação, e muito menos pôr em risco a imagem do alfa, o qual era admirado por muitos no campus. Entretanto, eu sabia que se precisasse, poderia correr para os braços de Tyra e ser acolhido com carinho.

— Mas o que é isso que você 'tá carregando? É do grupo de acolhimento estudantil? — indaguei, apontando para as cinco pastas presentes nos braços repletos de pelos alaranjados da ruiva, um dos detalhes lindos de uma moça tão bela como a Tyra.

— Hum? — Observei a forma que seus olhos piscaram, expressando uma nítida confusão. — Como assim, Yeon? São as fotos que o professor de Análise Técnica pediu para hoje. Inclusive, não vi as suas ainda. Onde estão?

Enquanto a ômega falava, a minha mente se distorcia em algumas palavras-chave, formando momentos anteriores que, de algum jeito, sumiram das minhas memórias durante todo o tempo até aquele dado instante. Análise Técnica. Pastas. Fotos. Minha cabeça processou tantos pensamentos ao mesmo tempo, mas a conclusão foi que eu estava extremamente fodido. A minha semana foi tão concentrada em trabalhar, fazer relatórios e apresentar seminários — e lidar com um alfa insistente — que me esqueci do bendito trabalho dessa matéria. O professor avisou que não tolerava atrasos e, ainda assim, eu fui capaz de me pôr, sozinho, em uma situação complicada. Já não sabia o que fazer, até que recordei ter algumas imagens em uma pasta na mochila. Só havia um problema: eram do trabalho, logo, Soobin estava posicionado, modelando algumas delas tal qual o profissional excelente e o homem irresistível que era. Mas não existia outro jeito naquele momento; era crítico, vida ou morte, esperança ou luto.

— Você vai ver depois, garanto! Guarda um lugar para mim, por favor, preciso ir rapidinho ao banheiro! — avisei minha amiga, não demorando a sair em disparada. Tyra não entendeu, eu tinha certeza, porém, consegui ouvir o seu "ok" de confirmação ao longe.

De imediato cheguei ao banheiro, pondo a bolsa sobre a bancada da pia de modo apressado. Dali, tirei as fotos, algumas editadas, outras com efeitos de teste e umas completamente originais, uma vez que todas foram guardadas por mim para que pudesse analisar o meu desempenho e melhorar no que estivesse precisando. Só não imaginava que além de servirem para análise, elas seriam a minha salvação e a minha chance de não reprovar na matéria. E pegando-as e juntando organizadamente por data, estilo e técnica — afinal, a disciplina era sobre isso — na pasta novamente, não pude deixar de pensar que Soobin era realmente um alfa em tanto. Suas expressões, a forma que o cabelo caía sobre os olhos azulados e até mesmo a posição relaxada e quase totalmente entregue na direção da câmera fizeram meu rosto e minhas mãos arderem como se eu estivesse dentro do próprio inferno. Quis rasgar aqueles pedaços de papel. Talvez assim ele fosse arrancado à força dos meus pensamentos.

Posteriormente, joguei uma água no rosto e retornei à sala, sentindo-me mais calmo. Ao longe, consegui notar a presença de Tyra e um espaço vago ao seu lado, lugar para onde me direcionei e sentei, disposto a relaxar durante os três minutos restantes antes do início da aula.

— Você é a melhor! Obrigado! — agradeci, deixando um beijo em sua testa e abraçando-a fortemente pelos ombros, enquanto minha amiga me direcionava um olhar desconfiado.

— Você vai me explicar assim que sairmos daqui, entendido? — falou com um tom de voz ameaçador. Engoli em seco e suspirei em seguida, assentindo. Ela sorriu e depositou batidinhas nas minhas costas. — Muito bem.

O restante da aula decorreu bem, com o professor prontamente dando início às apresentações. Algumas pessoas tinham, assim como eu, esquecido que a apresentação era naquele dia, outras desenvolveram trabalhos muito bons, inclusive Tyra, que trouxe diversas imagens do cotidiano de sua família, e, enfim, era a minha vez.

— Bem, primeiramente, bom dia. — Sorri em direção ao professor e, em seguida, à turma. — Começo afirmando que a temática do meu conjunto de imagens se deu, principalmente, no intuito de mostrar a diferença entre o que a moda atualmente põe como "só um rostinho bonito" e o verdadeiro talento por trás dos modelos coreanos. A maioria dessas fotos foram feitas com um único modelo, todavia, todas expressam a utilização de técnicas diferentes, desde a tomada de ângulos mais próximos até o manuseio das luzes do estúdio. Confesso que eu estava com muito medo no início, mas logo consegui.

Enquanto falava, distribuía as fotografias — eram por volta de quinze ao total — ao mesmo tempo que um colega as mostrava no quadro através do projetor conectado ao meu notebook. Por um segundo, observei a expressão no rosto do professor e pude notar um pequeno sorriso, automaticamente sentindo um peso sair dos meus ombros, pois sabia que ele havia gostado ou, no mínimo, achado um trabalho satisfatório. Posteriormente, percebi as faces surpresas dos meus colegas, em especial de Tyra, que me olhava com uma sobrancelha levantada, e eu já sabia que os dois tapas de mais cedo se duplicariam. Porém, não perdi a postura.

— Sei que é uma baita surpresa, mas sim, um dos modelos é Choi Soobin, já que, com toda sua fama e popularidade, ele seria ideal para o tema. — Indiquei que o garoto passasse as fotos. — Afinal, ele é ou não "só um rostinho bonito" como a mídia diz? E eu posso afirmar que não, pois ainda que com técnicas diversas e excelentes câmeras, se o modelo não for proativo, não há realmente um ensaio satisfatório. E Choi Soobin mostrou isso com excelência, com sua facilidade em se despir de máscaras para a câmera, e ser o mais profissional e natural possível. Agradeço bastante pela ajuda do sr. Choi, também ao professor Jeong por seu incentivo e conhecimento partilhados conosco, e finalizo a exposição grato a todos por me doar um pouco de sua atenção.

Não sabia dizer se o meu trabalho tinha alcançado a nota máxima quando retornei ao meu lugar, todavia, estava feliz e, de fato, grato por ter conseguido apresentar. Sabia que talvez isso fosse se tornar uma pedra no sapato com as pessoas se aproximando a fim de manter contato com Soobin, mas eu daria um jeito. Após isso, vieram mais algumas apresentações, contudo, logo terminamos. Tyra estava quase furando meu rosto com seu olhar curioso e furioso.

E ainda faltavam três longas aulas.

[...]

Andamos de um lado a outro, culpa minha por tentar, inutilmente, fugir das palavras e dos olhares ameaçadores da minha amiga. E no fim, apenas nos direcionamos ao espaço que reservamos especialmente para nós, de modo indireto e com a confiança de que ninguém, além de nós, pisaria os pés ali: um canto aleatório, quase abandonado, com algumas flores coloridas, duas latas de lixo e alguns jarros pintados com frases motivacionais entre o prédio de Artes Plásticas e o de Engenharias. Sentados no chão, ela indagou:

— Ele é seu modelo, não é? Naquela empresa. Você realmente planejou esse trabalho, Choi Idiota Yeonjun? Você sabe as consequências disso?! — Seu tom aumentava a cada pergunta, e eu tive que interrompê-la antes que alguém, o que era difícil de acontecer devido às circunstâncias locais, nos escutasse.

— Primeiro, sim, ele é meu modelo, mas nem sempre. Segundo, não, não planejei. — Suspirei, observando sua expressão de "eu sabia" antes de continuar. — E sim, eu sei, ok? Na verdade, foi de última hora, eu só me lembrei quando vi as suas pastas, então tive que improvisar. Ou era isso, ou levar zero. Pelo menos não é um problema porque todas essas imagens já estão divulgadas no site da empresa, como eu citei na apresentação.

Tyra passou alguns bons segundos me olhando, talvez pensando em qual resposta dar sem me xingar, talvez escolhendo os xingamentos.

— Eu só não te chamo de maluco porque você já sabe que é. Bem, admiro a sua coragem e sei que você está dando o melhor de si, e meus parabéns, suas fotos ficaram tão lindas! Soobin é gostoso pra caralho! — Abraçou-me com força, deixando mais algumas batidinhas, dessa vez no final das minhas costas. Sorri, aliviado.

— Obrigado por entender, Ty. Ficaria de mal se você não fosse você. — Beijei sua bochecha. — E... ele é, sim...

Hesitei muito em soltar as palavras finais, tanto que meu tom foi baixo, quase inexistente, com a intenção de fazer como se nunca tivesse acontecido, como se buscasse me desfazer de qualquer prova que evidenciasse a minha tensão sexual por aquele alfa. Mas eu não poderia negar a Tyra o que achava, uma vez que ela me conhecia bem o suficiente para saber os meus gostos e desgostos.

— Queria entender como você aguenta, porque eu iria ter um piripaque a cada vez que tivesse um ensaio com ele. Esse homem é um pedaço de mau caminho... na verdade, acho que mais que isso, ele é o mau caminho.

Enrubesci fortemente, apenas abrindo minha bolsa e tirando a marmita do dia, enfiando um grande pedaço de carne na boca com o intuito de evitar dar respostas à ruiva.

Pois eu concordava com tudo. E tinha mais piripaques do que gostaria.

— Você vai ficar só comendo, é? Guloso, nem oferece.

— Não é minha culpa se você só pensa em homens e esquece da comida — falei após terminar de mastigar.

— Claro, homens também nos alimentam, principalmente com leite...

— Tyra Martins, pelo amor de Deus! — interrompi-a, quase totalmente corado, dos pés à cabeça. — Você não tem um pingo de vergonha na cara, ou melhor, de sanidade.

— Pelo contrário, querido, eu sou a personificação da razão, sem mim, você já teria caído em várias armadilhas dos alfas cretinos desta universidade.

Queria implicar mais, porém, ela estava certa. Se não fosse pela ômega, diversos alfas já teriam tentado me assediar devido à minha aparência fragilizada assim que entrei no curso, diferente da que eu possuía naquele dado instante. Ela era meu pilar, assim como Wooyoung.

— Te odeio por estar tão certa.

— Sei que você me ama muito, babe.

[...]

Depois de dar nossa hora para a próxima aula, fomos até a sala designada, separando-nos somente ao final das aulas quando ela teve que seguir para seu cursinho de inglês enquanto eu precisava correr para chegar a tempo para o ensaio fotográfico. Soobin conseguia ficar bastante impaciente quando algumas situações saíam do seu controle, e eu estava mais que ciente disso. Por isso não demorei a pilotar o mais rápido que pude até a agência, chegando cinco minutos antes do esperado, um pouco ofegante, mas mentalmente — ou era o que eu pensava — disposto. Não demorei a ser cumprimentado gentilmente pela recepcionista da noite, uma moça coreana assim como eu, de olhos grandes, cabelos pretos e um sorriso simpático, Kim Dahyun. Era prima de Taehyung. Ele me contou. Devolvi o sorriso, sentindo-me um pouco mais tranquilo após ver sua face dócil. No entanto, esse sentimento durou pouco, já que logo estava no terceiro andar, seguindo até o estúdio.

— Boa noite — comentei em um tom consideravelmente baixo, cada vez mais nervoso, no momento que adentrei o lugar. Não pude deixar de perceber o sorriso ladino que surgiu nos lábios do alfa bem à minha frente, o qual estava... desgraçadamente irresistível.

Choi Soobin estava sentado em um sofá branco e trajava um conjunto de calça e blusa em tons pretos, a camisa em questão com três botões abertos, deixando uma parte de seu peitoral visível, enquanto a calça tinha o único botão aberto. Além disso, seus pés se viam descalços e sua boca manchada por algo que eu julgava ser batom matte vermelho. Era um ensaio sensual, simulando uma cena pós-sexo para divulgar uma marca famosa de maquiagem, conhecida por seus batons de alta qualidade.

— Boa noite, fotógrafo — falou, tirando-me de meu transe. Arregalei os olhos enquanto retomava a compostura, andando rapidamente até a mesa onde se encontravam alguns materiais que eu usaria naquele dia. — Não vai falar comigo? Você parece emburrado, mas antes estava tão tímido...

Eu estava de costas para o alfa, mas consegui notar como o som de sua voz se aproximava, por isso me virei, a fim de evitar que ele me abraçasse, todavia, não fui capaz de ecoar sequer uma palavra ao ter seus olhos colados nos meus a poucos centímetros do meu rosto. Seu olhar emanava desejo e suas mãos pareciam inquietas em busca do meu corpo. Engoli em seco e tentei manter a seriedade.

— Não estava tímido, Choi Soobin. Apenas não esperava por esse trabalho para hoje, só isso. Se afaste e me diga, onde está o Taehyung?

— Ele saiu para buscar uns cafés, disse que volta rápido. Mas sendo sincero, espero que não volte tão cedo, gosto quando estamos só eu e você.

Seu tom beirava uma maldade descarada, e eu apenas respirei fundo, tentando evitar a quentura que se apossava do meu rosto. Contudo, mesmo assim, mantive o olhar fixo no do outro, tentando passar uma imagem que com certeza não batia com o meu real estado. E o aroma que o alfa exalava só piorava isso, ainda que não estivesse forte.

— Uma pena porque eu penso diferente. Agora, sério, se afaste, ou eu saio desse estúdio nesse mesmo instante.

— Não fique bravo, Yeonjun-ah. Sei que sente o mesmo que eu desde o primeiro dia — disse, rente ao meu ouvido direito. Os pêlos da minha nuca arrepiaram como nunca enquanto, de imediato, eu me afastava bruscamente do corpo alheio.

O sorriso de Soobin era lindo, sempre começando pelo canto do lábio esquerdo até chegar à exposição de seus dentes, e toda maldita vez que ele me provocava e sorria descaradamente, eu me condenava mais um pouco. Nesses momentos, Beomgyu era a última coisa que me preocupava, porém, logo voltaria a ser a primeira.

Idiota — sussurrei, quase inaudível, esquecendo-me da boa audição que os alfas possuíam.

— Depende do ponto de vista, mas se esse for seu, confesso que mais me agrada do que irrita.

— Choi Soobin! — repreendi, corado, andando até o meu lugar, onde já se tinha a câmera posicionada e alguns painéis para controlar as luzes dispostas pelo lugar. O outro riu, seguindo até o sofá de frente para mim. Sentou-se com as pernas um pouco abertas, não demorando a deslizar as mãos para as coxas e bater os dedos, simulando um sinal de "vem aqui".

Se eu já estava vermelho, naquele instante fiz cosplay do Raiva de "Divertidamente". E o maldito responsável por isso apenas riu de novo, dessa vez tomando uma posição séria e inclinando o corpo, com as pernas ainda abertas e os braços cruzados. O olhar sério me dominou por completo. Não relutei em tirar a primeira fotografia da noite. Após ela, vieram diversas outras, em variadas posições.

Uma hora, Soobin estava com apenas um botão da camisa preso enquanto mantinha os braços atrás da cabeça e uma perna sobre a outra, com um sorriso de canto em que seus dentes tomavam com luxúria o lábio inferior. Odiava admitir que essa imagem diante de meus olhos gerou uma sensação ardente por todo meu corpo. Eu estava quase ofegando, porém, permanecia profissional, orientando e continuando a fotografá-lo até terminarmos.

Taehyung havia evaporado.

— Por que não vem um minuto aqui? — indagou o modelo, assim que eu dei por finalizada a sessão de fotos. Observei-o por cima da câmera e ele estava tranquilo, agora de braços cruzados.

— Você já teve suficiente de mim por hoje. Já deu a minha hora, preciso bater o ponto. Vou editar as fotos em casa, já que está tarde, e envio no e-mail pela manhã. Você sabe como funciona — expliquei, passando a organizar todo o material e as minhas coisas, desesperado por sair daquela bolha de tensão que se formava.

Mas não fui rápido o bastante, visto que Soobin, de uma hora para outra, estava ali, abraçando a minha cintura e me virando, ficando ambos de frente um para o outro. Arregalei os olhos, sentindo que a qualquer momento eles saltariam do meu rosto.

— Lindo, por que você me evita tanto? Você é tão cheiroso que me enlouquece — falou, deslizando o nariz pelo meu pescoço, ainda agarrando a minha cintura, apertando-a a cada fungada. Quase gemi. Isso era provocação demais para um indivíduo que não transava há séculos.

— Me solta, Choi. O que você acha que está fazendo? — Belisquei sua mão, no entanto, ele somente sorriu, com a face praticamente colada na minha clavícula.

— Não me machuque aí, amor, tenho uma imagem a preservar. Mas se quiser, tenho outras partes que podem te agradar.

— Não diz isso! — exclamei, surpreso e nervoso com sua ousadia, pois era essa coragem absurda que ele tinha que me fazia enlouquecer toda vez que estávamos juntos. E onde Kim Taehyung se meteu?! — Você está jogando muito baixo, sabe disso?

— Talvez eu saiba, mas prefiro isso a não tirar sequer uma casquinha de você.

Quase permiti um sorriso escapar, mas me contive, uma vez que isso só confirmaria ao alfa que eu gostava das suas investidas, e não, de forma alguma, eu poderia deixar acontecer. Todavia, algo que já vinha rondando minha mente passou como um vislumbre; uma ideia um tanto arriscada, porém, talvez, eficiente.

— Vamos fazer um acordo.

A interrogação presente nos olhos de Soobin me deixou um pouco vitorioso, contudo, o orgulho foi substituído por prazer quando suas mãos apertaram a minha cintura enquanto ele sorria em um misto de curiosidade e provocação. Mordi o lábio inferior antes de respirar fundo e começar a falar:

— Se até a confraternização que irá ter no fim do mês, você não conseguir o meu número, eu não faço nada contigo. — Sorri, um tanto malvado, e os meus dedos se enrolaram em seu cabelo ao passo que meus braços rodeavam seu pescoço. — Mas se sim... você tem uma chance de fazer o que quiser.

Com o rosto bem próximo ao do alfa, eu praticamente murmurei, soprando seus olhos em seguida e me desvencilhando do seu aperto.

— Até mais, modelo.

Agarrei minha bolsa e saí antes mesmo que Soobin pudesse reagir, satisfeito ao visualizar sua expressão completamente impactada pela surpresa. Soltei um sorrisinho e me prontifiquei a mandar uma mensagem para Taehyung, avisando sobre o término do ensaio e o dando uma bronca por me abandonar. Porém, ainda que diante disso... sentia-me bem até demais. E não sabia se deveria me orgulhar disso.

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