Esperando por respostas.
Conrado narrando.
Eu queria tanto está no hospital esperando notícias da Júlia, mas não posso pois os investigadores quiseram falar comigo sobre o acontecido. O trabalho hoje foi suspenso pois o prédio está cheio de polícias, que conversaram com todos que estavam no prédio na hora do acontecido.
Menos com um segurança desprezível que não apareceu hoje, estão suspeitando que ele liberou a entrada do crápula. Com toda certeza era cúmplice daquele desgraçado.
Aquele ex marido da Júlia é tão ruim que tirou de mim o direito de matá-lo com minhas próprias mãos, como eu queria ter tido o prazer de bater nele até ver seus olhos perderem o foco.
— Senhor Ferraz, poderia me mostrar a sala de segurança? — O investigador Tavares pede e eu o conduzo até a sala onde fica a segurança com as TVs que mostram imagens de todas as câmeras.
Demiti o idiota que toma conta da sala pois descobri que o incompetente estava dormindo na hora da miséria que Júlia passou, aquele nem era um horário tarde pra ele se sentir no direito de dormir. Se o idiota estivesse cumprindo seu papel talvez nada disso teria acontecido!
— Boa tarde, você poderia me mostrar as imagens de ontem? A partir das... — Tavares olha pra mim em busca de resposta.
— Das 17:30 foi por aí que eu liguei pra ela e ainda estava tudo bem. — Digo e sinto meu coração apertar. Ela ainda estava bem, se eu tivesse ido busca-la naquele momento não teria acontecido isso.
Por que a ignorei o dia todo? Sou um idiota de merda, estou a todo tempo sendo grosso e desprezível. Não posso tratá-la assim, ela merece o mundo por tudo que viveu. E depois que ela sair dessa será exatamente isso que irei lhe dar, eu farei dela a mulher mais feliz desse mundo.
As filmagens do dia anterior passam rapidamente pela tela do televisor, cruzo os braços e fixo meu olhar até que Júlia aparece na tela. No canto superior marca 17:35 e ela está falando ao telefone, provavelmente era comigo.
A gravação é adiantada e às 17:45 o desgraçado entra na sala e a pega de surpresa. Eu olho toda a ação imobilizado, não consigo tirar os olhos da tela e exatamente às 17:57 Júlia cai no chão depois de ser atingida pelo fodido de merda. Soco a mesa e saio da sala batendo a porta. Minhas mãos tremem e minhas vistas estão embasadas pelas lágrimas.
Então meu pai aparece no corredor com um olhar assustado, eu precisei ligar pra ele, preciso que alguém fique aqui sendo responsável pois eu tenho que ficar perto da Júlia para quando ela acordar saber que eu estive lá o tempo todo.
— Filho. — Ele me abraça e eu retribuo o abraço fortemente e choro como nunca chorei na vida. Em tão pouco tempo Júlia conseguiu me fazer muito feliz. Jamais acreditei que aquela garota engraçada que encontrei no bar no primeiro dia que resolvi sair um pouco do meu mundo, iria me fazer tão bem. Seu sorriso me encantou, mas eu nunca falei isso. Nunca disse o quanto ela é maravilhosa e o quanto estou apaixonado por ela.
— Eu nunca estive com tanto medo... ela é tão importante pra mim. — Digo ainda com a cabeça no ombro de meu pai.
— Ela sairá dessa, eu ainda preciso ter um encontro com minha nora e conhecê-la de vez. Giordana está sempre dizendo o quanto ela é legal. — Ele diz e eu dou risada, até minha sobrinha ela conseguiu conquistar. E eu a culpando por algo que eu não falei, era minha obrigação ter dito que Gio não pode comer certas coisas. Meu Deus eu sou um babaca de merda!
— Eu preciso ir, tenho que saber como ela está. Mamãe está com Giordana?
— Sim, já estão no aeroporto. Gio reclamou pois queria ver a Júlia antes de ir, mas sua mãe soube enrolar ela. — Concordo e dou mais um abraço em meu pai antes de entrar no elevador. Assim que chego na recepção vejo o bendito do segurança conversando com um dos policiais e sem pensar duas vezes eu parto pra cima dele e o imobilizo contra a parede.
— Você permitiu a entrade dele não foi, idiota? — Os policiais me puxam pra longe dele.
— Ele me ofereceu dinheiro, eu não sabia que ele ia fazer isso. Eu precisava da grana, o homem só me falou que ia conversar com ela. — Me solto das mãos dos polícias e me jogo contra o cara o levando pro chão e começo a socar a cara dele inúmeras vezes. Eu estou com tanto ódio que é difícil me tirar de cima do desgraçado.
— Senhor Ferraz se o senhor não se acalmar eu serei obrigado a tomar atitudes legais.
— Se precisava de dinheiro por que não pediu? Você é um criminoso, será preso por ter sido cúmplice de um assassino. E só para deixar bem claro, você está demitido por justa causa e eu ficarei encarregado de fazer você apodrecer na cadeia. — Rosno perto de seu rosto que está sangrando por conta do meu ataque e saio da empresa em direção ao meu carro.
Charles vem logo atrás de mim, ele ficou o tempo todo ao meu lado mas não me impediu de agredir aquele homem, acho que ele sabia que eu precisava bater em alguém.
E em silêncio ele dirige de forma prudente até o hospital. Assim que entro vejo Alba e Rubens sentados ao lado de Taylor que está aqui desde ontem, eles conversam baixinho. Os cumprimento com um aceno de cabeça.
— Alguma notícia?
— Ainda não. — Rubens diz. Respiro fundo e cruzou os braços, odeio não ter notícias.
Eles só disseram que correu tudo bem com a cirurgia mas que tinham que esperar o sedativo passar para saber como ela de fato estava.
Depois de aproximadamente 30 minutos uma médica se aproxima.
— Familiares de Júlia Carter. — Todos se levantam na mesma hora.
— Somos nós.
— Bom, sinto em informar que o estado de saúde da paciente não é dos melhores. Ela está respirando com a ajuda de aparelhos, a bala acertou mais de um órgão. A cirurgia foi ok, mas depois do efeito do sedativo tivemos que entubá-la. Não sabemos quando ela vai acordar, pode ser breve ou pode demorar mais dias do que imaginamos. — Me sento derrotado e fecho os olhos.
Isso não pode ser real. Estou passando por um pesadelo.
— Ela precisa tanto ser forte. Ela é minha irmã Alba, não pode me deixar é a única pessoa que tenho na vida! Porra, eu mataria aquele cara outra vez, eu quero tirá-lo da cova e joga-lo na porra de um lixão pro seu corpo ser devorado por urubus nojentos. — Taylor diz entre dentes e aperta as mãos umas nas outras.
Eu queria fazer o mesmo, como eu gostaria de ter tido o prazer de tirar a vida dele. Eu seria preso com um puta sorriso no rosto.
***
4 dias depois e Júlia ainda não deu nenhum sinal de melhoras, continua na mesma. Não podemos vê-la pois onde está é proibido visitas, eu queria uma transferência para um hospital particular mas eles disseram que seria algo arriscado e não permitiram a transferência, eu estava louco com isso.
Não faço nada a não ser ficar aqui esperando por respostas.
— Aqui, trouxe pra você. — Taylor diz e coloca um copo de café em minha mão e um saco de churros, faço uma careta e nego a comida. — Coma Conrado, você não come nada desde ontem de manhã. Precisa se alimentar pra está forte quando a Júlia tiver alta.
Ele tem razão, volto a pegar o café e o churros e como tudo rapidamente.
— Quando ela tiver alta vou pedir que more comigo na Itália. — Digo e Taylor arregala os olhos.
— Você não pode fazer isso, eu não vou ficar aqui sozinho.
— Pois venha conosco, eu não posso vir morar aqui e preciso tê-la ao meu lado. E só para você saber já estava nos meus planos convidá-lo também já que ela não iria morar na Itália sem você. — Tinha plena certeza que Júlia não iria aceitar meu pedido se eu também não incluísse Taylor.
— Fico lisonjeado e aceito o pedido. — Ele diz e solta uma risada de leve. — Mas eu só vou se ela aceitar.
— Se ela não aceitar você fala que aceita mas que quer que ela vá também. Aí ela não terá escolha. — Dessa vez ele rir pra valer e me dá um abraço.
— Ela vai sair dessa.
— Espero que sim. — Respondo e tomo o restante do café...
Taylor está jogado na poltrona roncando suavemente quando a médica se aproxima. Meu coração acelera mas fico um pouco menos nervoso quando ela abre um sorriso reconfortante.
— Taylor? — Digo e ele pula do sofá tão de repente que chega a me assustar.
— O quê?
— Notícias. — Ele se concertar e fica ao meu lado.
— Bom, hoje tiramos os aparelhos da paciente e agora ela consegue respirar sem a ajuda deles. É um grande passo, a melhora é evidente mas ela ainda se encontra em coma. Se quiserem podem vê-la, mas só através do vidro.
— Seria ótimo. — Taylor vai primeiro e eu fico na sala de espera, esperando de forma impaciente.
Preciso ver como ela está, mesmo através de um vidro, só preciso olhar pro seu rosto e saber que ela ainda está aqui. Na última vez que a vi, ela estava tão pálida e tão sem vida nunca vou tirar aquela cena de minha cabeça.
Taylor volta minutos depois sendo acompanhado por um enfermeiro e eu logo o sigo para dentro do corredor.
— Aqui está ela. — O enfermeiro diz e eu me aproximo do vidro.
Seu rosto continua pálido, mas em um nível bem menor do que o de antes. Sua expressão é serena, minhas mãos coçam com vontade de toca-la.
Fique bem meu amor, seja forte. Lute e não me deixe, eu sei que você pode. Você precisa saber o quanto eu te admiro e o quanto te amo.
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