21- Pequena demais
Penúltimo capítulo antes do epílogo.
Hoseok
O som da chuva e dos trovões soam estridentes do lado de fora. A sensação fria do ambiente me faz ter vontade de me encolher e me cobrir ainda mais sob os cobertores na cama.
Minha preguiça em abrir os olhos está grande, então, apenas tateio o móvel ao lado da cama, em busca de meu celular para tentar descobrir que horas já são.
Ao não encontrá-lo, eu enfim abro um de meus olhos, me surpreendendo ao não o ver ali. Mas então, percebendo ser um lugar diferente de minha casa, eu abro o outro olho, despertando mais do que gostaria, olhando em volta e enfim reconhecendo o local.
Estou na casa de Taehyung, e claramente, passei a noite aqui com ele.
Ao olhar em volta mais uma vez, eu encontro meu celular na cômoda que está encostada na parede, um tanto distante de onde estou, e ao levantar rapidamente, eu posso sentir uma certa ardência em minha entrada, o que me faz corar em vergonha às lembras do que aconteceu com Taehyung. Mas além da vergonha, eu também estava feliz.
Ao pegar meu celular, eu vejo as horas, além das várias mensagens e ligações de Yoongi. Eu sabia que meu primo havia ficado preocupado, mas sua última mensagem, essa que dizia "já sei que está na casa de Taehyung. Aproveite", me deixa mais tranquilo em relação a querer avisá-lo imediatamente sobre meu paradeiro.
E, ao me atentar mais uma vez às horas e perceber que são apenas oito e meia da manhã, eu constato que, sim, dormi aqui.
Transei com Taehyung ontem, fizemos carinho um no outro, dormimos abraçados com ele me fazendo um cafuné, e ainda acordo em sua casa, com um clima tão gostosinho que me faz ter vontade de passar o dia todo fazendo um grande nada junto com ele. Tem como ficar melhor que isso?
E, ao ver que a porta é aberta e revela Tae entrando com uma bandeja de café da manhã em mãos, eu constato que, sim, pode ficar ainda melhor.
— Bom dia, bela adormecida. Pensei que não fosse acordar mais, está dormindo desde ontem a tarde — ele disse, colocando a bandeja sobre a cama, antes de vir até mim e depositar um selinho simples em meus lábios. — Trouxe café para você, e eu vou te fazer companhia — ele me deixa todo derretido com suas atitudes. Ele me puxa para que se sente com ele na cama.
— Eu estou muito feliz por ter passado a noite com você. Se eu pudesse, faria isso direto — eu disse, enquanto me acomodava melhor junto a si, antes de pegar uma das uvas que estava sobre a bandeja.
— E por que não pode? Vamos fazer isso sempre que quiser — ele respondeu, também comendo uma uva, enquanto fazia um leve carinho em minha cintura.
— Agora que eu finalmente terminei o colégio, preciso pensar em muitas coisas. Eu falei com a minha mãe, e ela não está muito contente com a ideia de me ver morando aqui agora — eu disse, desviando meu olhar para alguma coisa na bandeja, coisa essa que não teve verdadeiramente minha atenção.
— Como assim? Você já não mora aqui? — eu assenti, negando logo em seguida.
— Eu vim de Gwangju, você sabe. Mas eu tinha vindo apenas para cuidar do Yoongi porque ele estava doente, a intenção era que eu ficasse apenas até o fim do ano letivo e depois fosse embora.
Taehyung ficou em silêncio, apenas absorvendo toda a informação. Demorou menos do que eu imaginei que fosse demorar para que ele desse uma resposta.
— E você vai voltar? — eu não conseguia distinguir o tom de sua voz, era difícil saber o que ele estava sentindo.
— Não. Pelo menos não por vontade minha. Eu ainda estou tentando convencer a minha mãe.
Ele ficou em silêncio por um tempo, antes de depositar um beijo em minha bochecha, bebendo um gole de suco logo em seguida.
— Vai ficar tudo bem, okay? — por fim, ele disse, tendo um leve assentir meu, junto com um beijinho que também foi depositado na bochecha, dado por mim, dessa vez.
O restante do dia, apesar do assunto sobre onde eu vou morar, foi tranquilo e um tanto alegre. Conversando com Taehyung e o conhecendo melhor, eu descobri que seu aniversário está chegando, e mais precisamente, é no final deste mês.
Mesmo que ele tenha dito que não gosta de comemorar, por não lhe lembrar coisas boas, eu comecei a pensar em fazer algo, e de preferência, com apenas nós dois. Eu quero que essa data signifique coisas boas para ele, e se estiver ao meu alcance, quero tentar mudar seu ponto de vista, mudar o significado do dia trinta de dezembro e o tornar ainda mais especial do que deveria ser. Eu farei o que está ao meu alcance para ver o sorriso de Taehyung em seu rosto.
Antes que eu voltasse para minha casa, eu conversei com Taehyung sobre a possibilidade de contar aos meus amigos sobre o que está acontecendo entre nós, e aproveitar para contar sobre ele finalmente ter conseguido se livrar de toda a dívida e do trabalho na boate. Mas é claro, eu contaria apenas se ele quisesse. Felizmente, Tae concordou em contar para os meninos, e ele parecia animado para finalmente começar a nova fase de sua vida, e isso inclui fazer novos amigos, e mais especificamente, fazer amizade com meus amigos.
Com toda essa animação, eu mandei mensagem para todos eles, marcando de nos encontrarmos de noite. Foi difícil conseguir achar um lugar para irmos, e fiquei feliz quando Taehyung também chamou o Jin, já que ele também não sabia de nada. Lembrando do que Tae tem a falar, e o motivo do encontro entre nós sete, decidi que o melhor lugar seria minha casa, e Yoongi concordou em receber todos eles.
Com tudo combinado, eu decidi ir para casa, no meio da tarde, para conseguir organizar tudo e me arrumar. Entretanto, Taehyung deu a ideia de aproveitar para ir junto, então eu esperei até ele se arrumar, antes de enfim sairmos.
— Você não quer levar o Tannie? — eu perguntei, tendo a ideia subitamente. Seria bom levar o Yeontan. — Não vai ter problema, e ele gosta de ir lá em casa — parecia surreal a forma como os olhos dele brilharam agora.
— Eu posso mesmo? — eu assenti. Com sua entonação, ele parecia apenas uma criança empolgada para levar seu bichinho de estimação, e é impossível pensar que toda essa inocência tenha se perdido por causa do seu emprego como prostituto.
Taehyung, em determinados momentos, ainda parece apenas um bebê, e isso é porque não perdeu toda a inocência. Ele ainda fica feliz com coisas simples. Eu quero que ele se sinta cada vez mais feliz a cada dia.
Sendo assim, nós pegamos Yeontan antes de enfim sairmos da casa do Tae e caminharmos em direção à minha casa.
Chegando lá, depois de cumprimentar meu primo, Taehyung e eu subimos para meu quarto, com a ideia de me arrumar para a visita dos meninos. Como todos nós já nos conhecemos, eu decidi não me arrumar tanto. Mesmo assim, Taehyung não parava de dizer o quanto eu estava lindo, com o mínimo de arrumação. Mas ele diria isso mesmo se eu não tivesse me arrumado.
— Seu quarto é bonito — ele disse, sentado na beirada da cama.
— Ele ainda não está muito a minha cara. Não pensei que fosse querer continuar morando aqui depois que Yoongi ficasse bem e depois de terminar o ensino médio. Mas agora... Eu nunca mais iria embora se dependesse de mim.
— Nós vamos convencer sua mãe, Hobi, eu estou aqui para apoiar você no que precisar, e sei que seu primo e seus amigos também — ele disse, me vendo caminhar em sua direção.
Quando fiquei de frente para si, em pé enquanto ele ainda estava sentado, eu acariciei seus cabelos, sorrindo para ele. Taehyung também estava sorrindo, e consigo perceber que é totalmente verdadeiro, pelo simples fato de conseguir ver isso em seus olhos.
Inebriado pelo momento, eu me apoiei em seus ombros, antes de me sentar em seu colo, com uma perna de cada lado de si.
— Tae, você é incrível, sabia? — eu disse, com um sorriso tão grande que minhas vistas ficaram embaçadas, por causa dos olhos parcialmente fechados.
Naquele momento, era como se fosse só nós dois ali, em meio a tantas outras vidas no mundo, felizes e sem nenhum problema para resolver. Eu me sentia realizado por tê-lo comigo, e não reprimi o impulso de selar nossos lábios juntos, antes de o abraçar, tão forte quanto a intensidade em que sinto meu coração batendo nesse momento.
Então, naquele momento, parecia que "paixão" não era mais a palavra certa para descrever o que eu sinto, essa palavra parecia pequena demais para a intensidade do sentimento. Confesso, fiquei um pouco assustado com a percepção, mas não deixei que isso me assustasse ao ponto de acabar com o momento.
Mas... Eu amo ele? Será que realmente o amo?
Não saberia responder essa pergunta com certeza, e menos ainda agora. Mas eu vou pensar sobre isso mais tarde, nesse momento, tudo o que eu quero é aproveitar o momento com ele.
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