⚜️ 1×16
Hellen Mikaelson
—Pode começar, estou toda ouvidos.—Suspirei e meu pai...quer dizer, Klaus assentiu.
—A dezesseis anos um grupo de bruxas conspiravam contra nossa família, elas se aliaram a Mikael contra um outro grupo e em troca elas o ajudariam na sua incessante caça por nós.—Ele fechou os olhos por um instante, parecia se lembrar do que contava.—Elijah e eu matamos aquele clã, acabamos com toda a família menos...
—Eu.—Completei perplexa.
—Nós não sabíamos que havia uma criança na casa, não até Niklaus te escutar chorar.—Elijah se pronunciou.—Ele te salvou, meu irmão poderia ter te deixado para ser consumida pelo fogo, mas ele a salvou Hellen.
Minhas mãos e pernas ficaram trêmulas, sentia uma dor agoniante em meu peito quase como se tivesse sido atingida por uma lamina e meus olhos se encheram de lágrimas.
—Tudo bem, pode gritar e me odiar, eu vou entender.—Klaus mantinha seu olhar baixo e as lágrimas pareciam surgir em seus olhos.
—Como puderam?!—Indaguei permitindo que as lágrimas realmente caíssem.—Como tiveram coragem de mentir para mim durante todos esses anos???—Senti minhas pernas cederem e caí de joelhos no chão em prantos.—Eu amei vocês...acreditei que podiam me proteger do mundo!—Eu soluçava me sentindo fraca, burra, ingênua demais por ter acreditado por tantos anos nas palavras falsas que me disseram.
—Por favor, meu amor...—Klaus me olhou com dor enquanto lágrimas desciam por seu rosto.—Nós amamos você.
—Perdi meus pais.—O ar parecia não chegar em meus pulmões e as lágrimas pareciam impossíveis de se cessarem.—Agora perdi o Henry, quando é que isso para? Dói demais, por favor façam parar!!—Implorei chorando desesperadamente.—Eu não aguento.—Soltei entre soluços.
—Me perdoa, por favor!—Klaus me abraçou, chorava tanto quanto eu.—Eu juro, juro que nunca mais vou te decepcionar minha filha!
—"Filha"... Vocês dizem tanto me amar, mas será que dizem a verdade?—Tentava enxugar minhas lágrimas numa tentativa falha de fazê-las pararem.—São mais de mil anos cercados por violência e manipulando tudo à sua volta, por que agora decidiram ter compaixão por uma criança?—As lágrimas voltaram com tudo.—Me amam mesmo ou estão apenas brincando de casinha? Fingindo ser uma família, sem se importar com quem vive ou morre à sua volta. Me tratam como uma boneca, mas eu tenho sentimentos, eu sinto!
Eles me encaravam com os olhos carregados de culpa e lágrimas.
—Nos perdoe!—Rebekah pediu enxugando seu rosto.
—Você era minha melhor amiga...—A olhei com decepcionada, até Rebekah teve coragem de me magoar.
—Eu ainda sou!—Ela veio até mim.—Nada mudou.
—Tudo mudou, Rebekah!—Exclamei indignada.—Eu preciso de um tempo...de tudo isso.
Saí correndo dali, tudo o que eu precisava era de um tempo e ficar discutindo e mostrando o quão sensível eu sou não me levaria a nada.
Corri, corri como se não houvesse amanhã. Enquanto corria deixei minhas lágrimas escorrerem, por que fizeram isso comigo? Por que tinham que ser tão bons para mim e depois me decepcionarem tanto??
Parei de correr ao perceber que havia chegado na pequena ponte, na mesma onde Henry havia se declarado pela última vez. Meu choro caiu, era impossível cessar.
Por que isso tinha que acontecer comigo?! Eu o amava! Dói tanto, tanto que não consigo respirar! Eu perdi o meu primeiro amor!
Me aproximei da beirada da ponte, encarando meu reflexo nas águas quase cristalinas do rio e não pensei duas vezes, me joguei.
Não tentei nadar, não me debati, apenas parei de lutar. Talvez dessa maneira eu o encontrasse, ou então, apenas parasse de sentir aquela maldita dor.
Meu corpo se afundava nas águas a cada segundo, o ar já não entrava em meus pulmões e minha visão de escurecia.
Kol Mikaelson
Não havíamos dito nenhuma palavra após a saída de Hellen, todos concordávamos em silêncio que nós havíamos cometido erros terríveis em relação à ela.
—Ela nos odeia.—Nik quebrou o silêncio em que nos encontrávamos.
—Não nos odeia, Hellen precisa de tempo, são atitudes aterrorizantes demais para a mente pura de uma jovem de apenas dezesseis anos.—Elijah com as palavras certas, como sempre.
—Eu não quero perdê-la!—Minha irmã exclamou chorando baixinho.
—Não vai, Bekah.—Falei abraçando ela de lado.—Eu prometo que não vamos.
—E acha que ela simplesmente nos perdoaria?—Niklaus soltou incrédulo.—É ridículo pensar que não a perdemos!
—Eu não vou desistir dela fácil, não me rendo por tão pouco.—Disse indo em direção à saída.
—Onde pensa que vai?—Rebekah questionou atordoada.
—Convencer aquela bruxinha de que nós somos a família dela e de que não desistimos de quem amamos.—Falei convicto.
—Vamos nos separar e procurar por ela, quem a encontrar avisa os outros.—Nik disse e todos assentimos.
Saímos em velocidade vampírica.
Eu a procurava por todos os cantos e nada de encontrá-la, já estava começando a ficar desesperado.
Droga, Hellen! Você não pode ter ido muito longe!
Parei no meio da colônia, suspirando derrotado.
Não, não posso desistir de encontrá-la!
Andei em direção ao rio. Todas as vezes que há algo errado venho aqui para pensar.
Me aproximei da margem e vi algo, ou melhor, alguém desacordado imerso nas águas. Reconheci os cabelos negros e não, não podia ser...
—HELLEN!—Sem pensar duas vezes pulei na água e a puxei até a margem.—Por favor, esteja viva!
Ouvi seu coração com minha audição de vampiro e ainda batia, era fraco mas batia. Sua pele estava pálida, ela não respirava.
—Não, não, não...—Mordi meu pulso desesperado e coloquei em sua boca, meus olhos já estavam marejados.—Bebe por favor, faz isso coisinha...eu te imploro!
Ela não reagia, seu corpo estava frio. Se o sobrenatural não a ajudaria, o jeito seria usar os métodos humanos. Comecei a massagem cardíaca, passar um tempo com um médico quando não se estava preso num caixão finalmente me seria útil.
Continuei a massagem, mas nada de mudanças. Meus olhos se encheram de lágrimas, não podia perdê-la.
Senti a presença deles a minha volta.
—Ela não reage.—Soltei entre lágrimas, assim como todos ali, senti uma mão em meu ombro e levantei meu olhar.—Ela não reage, Nik!
Em todos esses mil anos nunca derramei uma lágrima sequer por ninguém, nunca me importei por qualquer mortal que está nessa Terra, mas dessa vez não, dessa vez eu me importei. Me importei tanto que senti como se estivesse perdendo uma parte de mim.
Não! Algo me diz que não posso desistir!
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