Capítulo 14 - Pesadelo veio de volta a vida
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Gente algumas coisas abordadas nesse capítulo pode trazer e dar algum tipo de gatilho, em algumas pessoas 🚨
A Vovó se foi, ela definitivamente se foi, eu não queria creditar, mas ela se foi, e nunca mais estará aqui para me amar.
O funeral dela acabou, vinhemos para aonde era a cidade dela, e aonde mora grande parte da nossa família. Minha irmã teve que pegar um afastamento do trabalho, e eu tive que faltar a aula, iríamos de trem mas por algum motivo Sang-hun, o dentista que minha irmã tem um penhasco, decidiu nos levar com seu carro.
Nesse momento Sang está dirigindo, minha irmã no banco do passageiro ao seu lado, enquanto eu estou atrás, com a cabeça encostada no vidro da janela do carro.
O ceu lá fora estava ficando claro, estava amanhecendo. Quando soubemos sobre o falecimento da minha vó era na madrugada de ontem, nossos tios estavam vendo para ver como seria o velório e demorou até o hospital liberar, tivemos ainda que sair de Seul e ir até a cidade que dá algumas horas, o velório foi das dez da noite até agora as seis horas.
Ver a minha vó, ver ela pela última vez assim pessoalmente, me despedir dela me partiu de milhares formas diferentes, nossos momentos juntas vieram todos em minha mente no momento.
Eu só gostaria que tudo não passa-se de um pesadelo ruim, eu gostaria de acordar e ver que esta tudo normal, tudo bem, era apenas isso que eu gostaria.
Além de que uma das coisas que me deixaram mais triste, foi que minha mãe não estava presente, minha mãe não estava presente nem mesmo no velório de sua mãe. Papai estava lá, p que já era esperado, pois minha vó gostava muito de meu pai, o tratava como um filho de verdade, e eles se davam muito bem. Dava para ver em seu olhar carregado de lágrimas como estava abatido com aquele momento.
Apesar do lugar, e de como estávamos conversamos um pouco, meu pai disse que iria nos visitar mais tarde, iria até Seul e derrepente passar alguns dias com a gente, mas ele ainda iria pegar algumas coisas em casa, mas provavelmente de tarde ou de noite estaria lá.
Fico feliz em saber que vamos passar pelo menos um tempo juntos, eu sinto falta, mesmo que ele não passa-se muito tempo conosco antes, mas ainda sinto falta dele, querendo ou não faz muita falta.
-Vamos parar para comer algo? - Sung no banco do motorista pergunta, dando uma olhada de canto para minha irmã
-Acho melhor, não comemos nada desde que saímos
O carro circulou mais um tempo, por estar muito de manhã estava um pouco difícil de achar um lugar aberto, mas assim que achou uma cafeteria o carro parou em frente.
-Nana, vamos? - Minha irmã pergunta antes de sair do carro
-Não quero, estou sem fome
-Faz horas que não comemos nada, duvido que não esteja com fome!
-É sério! Não to com fome, pode ir vocês, eu fico aqui - Ela da um suspiro, provavelmente não queria me deixar aqui, mas então concorda
Os dois saem e vão até a cafeteria. Eu realmente não estava no clima, não estava no clima de ir em lugar nenhum na verdade, queria apenas me trancar em meu quarto e desejar nunca mais sair de lá.
Depois de receber a notícia da minha vó, eu me desliguei de tudo, não consegui ao menos fazer qualquer coisa normalmente, não toquei no celular, e se eu parasse para pensar um pouco, mais pensamentos negativos, pensamentos indesejáveis, pesadelos, e acontecimentos anteriores vinham em mente. A mente que já estava cansada de qualquer coisa, de cansada dessa realidade ficava ainda mais cansada, e sobrecarregada.
O meu celular estava em casa, nem ao menos tive vontade de pegar ele e colocar a pra carregar, eu apenas sai sem me preocupar com qualquer coisa.
Com a cabeça encostada no vídeos observo as pessoas lá fora, dou um suspiro, fecho meus olhos por um momento, sentindo que poderia ter momentos de paz estando de olhos fechados. Sou desperta minutos depois quando as portas de frente do carro são abertas e logo fechadas, os dois entraram novamente no carro e pareciam com frio.
-Toma - Minha irmã estende pra mim um copo e uma sacolinha marrom - Está frio, precisa se esquentar, e não vou deixar que fique com greve de fome ou qualquer coisa do tipo!
Pego sem questionar, no copo havia chocolate quente, e dentro sacolinha um croissant. Mesmo não sentido fome comi, sei como minha irmã é insistente e não sussegaria até que eu comesse.
Depois de algumas horas, finalmente chegamos, saímos do carro, paramos na rua de casa e Sung sai do carro, para se despedir de nós.
-Se cuidem, se precisarem de alguma coisa me chamem
Minha irmã assente, eu me viro e começo a andar indo para casa, logo minha irmã me alcanças abraçando de lado.
-Vai ficar tudo bem! - Ela diz, mas consigo sentir a dor em sua voz
Vovó era como uma mãe para nós, ela praticamente criou Sam, eu não tive muita essa oportunidade pois a velhice estava lhe trazendo alguns problemas, mas ela praticamente gritou Sam. Mesmo que ela não queria mostrar como está, consigo sentir, consigo perceber como ela está triste, como está quebrada.
-Está apenas tudo como sempre esteve, uma merda! - Falo e assim entro em casa
Quando entro em meu quarto, me deito em minha cama, exatamente aonde o meu pesadelo parece ter piorado, aonde eu acordei e recebi uma das piores notícias da minha vida. Eu conversei com ela, eu tive a oportunidade de me despedir dela, ela sempre se despedia, antes eu achava bobagem, afinal eu achava que ela ainda teria muitos anos de vida com a gente, mas dessa vez por algum motivo eu agradeci e me despedi diferente de todos as outras vezes, e eu fico feliz, pois tive a oportunidade de dar últimas palavras importantes para ela. Afinal nunca sabemos quando nós, ou os outros se vão.
Pego meu celular que estava jogado ao meu lado, o pego e coloco para carregar, mas eu ao menos queria mexer nele agora.
Após chorar mais e mais, acabei por cair no sono em minha cama.
Abri meus olhos com dificuldade, por conta o excesso de claridade que havia entrando em meu quarto, graças a cortina que estava aberta. Quando me dou conta já era duas horas da tarde, e eu me sinto um lixo, é como se o caminhão de lixo não tivesse me visto e passou por cima de mim.
Eu tomo um banho, me troco pois infelizmente não posso sumir simplesmente da minha Universidade, eu tenho que dar uma explicação plausível por faltar assim, e ainda presentar um documento constando que realmente a minha justificativa de que a minha vó morreu é verdade.
Sem força de vontade, sem vontade de fazer qualquer coisa, eu saio de casa, empacotada em várias blusas de frio, é vou caminhando até a faculdade.
Quando chego vou até a direção, tenho que conversar com algumas pessoas lá, apresentar o documento, com isso durou quase uma hora nessa diretória. Assim que saio da faculdade não queria ir para casa, na verdade o meu maior desejo nesse momento era sumir, desaparecer sabe, era isso que eu mais gostaria nesse momento.
Então eu vou até uma praça que ficava a alguns minutos dali, me sentei encostada em uma árvore, pego meu celular que até então estava desligado. Quando o ligo começa a chegar várias notificações, várias eram de Heeseung, mas realmente nesse momento eu não consigo responder ele, com tudo que tem acontecido, a carta, a dependência emocional, assim que tento o mandar alguma mensagem sequer, sinto um peso enorme em mim, minha consciência, desisto no meio da mensagem e a apago.
Coloco meus fones de ouvido, coloco na playlist aleatória ao máximo para realmente eu tentar me desligar totalmente do mundo ao meu redor, fico observando ao meu redor as pessoas, pessoas felizes, crianças, animais, tudo, tudo ao meu desde parecia tão bem, tão feliz, menos eu...
Depois de um tempo, na qual eu não sei muito bem quanto, sou despertada do meu mundinho pelo meu celular que tocava. Na verdade e estava com várias notificações, mas não estou com cabeça, nem pensamentos para responder qualquer uma.
-Nam? - Ouço a voz de minha amiga vindo do outro lado da linha
Nesse momento eu nem consegui falar direito, nenhum tipo de som saia pela minha boca, meus olhos se encheram de lágrimas, eu sinto um aperto enorme em meu coração. Sinto vontade de gritar, jogar para o mundo tudo aquilo que estava me prendendo.
-Amiga?
Eu começo a chorar descontroladamente, eu não sabia o que fazer. Não estava vendo mais sentido em nada, tudo parecia tão superficial derrepente, como se nada fosse real. Nesse momento eu gostaria apenas de chorar ao lado de Hay, estar ao lado dela, contar tudo, tudo que tem dentro de mim desde que eu era pequena, coisas que tenho insegurança até mesmo de lembrar muito sobre, mas eu acho que em momentos como esse nos tornamos mais inofensivos, ou então uma bomba relógio.
-Amiga... Estou aqui, quando conseguir falar vou escutar, eu espero...
Depois de alguns minutos, eu consigo de acalmar um pouco, a ligação ainda rolava, eu seco algumas lágrimas que é ainda desciam pelas minhas bochechas.
-Ela se foi... - A primeira coisa que consigo dizer - Parece que tudo está indo... Minha vó se foi... Hay, eu também sinto que estou perdendo ele, por mesmo que eu tente eu acho que isso vá acontecer, eu não sei o que fazer...
-Nam, meus pêsames pela sua vó, mas você gostaria de conversar sobre "ele" ?
Eu quero, mas não sei bem o que falar, contar a história toda? Eu nem ao menos sei o que vai acontecer daqui pra frente. Eu guardei isso, eu guardei minha relação de meus amigos, por medo de que algo acontecesse, e mesmo assim aconteceu, alguém sabe, e essa pessoa tem nós em suas mãos, a qualquer momento pode vazar algo, prejudicar o Hee e os meninos. Mas por mesmo que eu quisesse falar eu não consigo, sinto que as coisas podem ficar piores, mas ainda que já está.
Medo, eu tô com medo, medo do que pode acontecer, sinto uma angústia dentro de mim. Me sinto apreensiva em questão de tudo, o amanhã me dá medo, a cada hora, minuto, segundo que passa, é como se algo de ruim podesse acontecer a qualquer momento.
-Não...
-Ta bom, mas não guarde tudo para você, quando você se sentir confortável para falar sobre, estarei aqui para te escutar
Me sinto emocionada por ter uma amiga assim, quando me mudei tive medo, medo de tudo mudar, não a conseguir me adaptar, fazer amigos, ainda mais que não mantive contato com meus amigos do colégio. Mas aconteceu o contrário, eu fiz amigos incríveis, uma amiga que está aqui para quando eu preciso, me escuta, e me oferece seu ombro para chorar. Um amigo, que ama me fazer rir, um pouco dramático, e que precisa de um pouco de juízo, mas mesmo assim é meu amigo, e os dois fizeram esse tempo que eu estou aqui em Seul se tornar especial, e eu com certeza nunca vou me esquecer deles.
Depois de mais alguns minutos em ligação com Hay ela precisa desligar. Me levanto de aonde eu estava, começo a andar sem rumo, apenas andando dispersa.
Ouço um som familiar tocando, uma música, mas não me preocupo em ver do que se tratava, nosso fica repetindo diversas e diversas vezes.
-Com licença moça - Um homem me parou - Seu celular está tocando a um tempinho
-Ah! Obrigado - Disfarço e pego meu celular no bolso
Havia três chamadas perdidas da minha irmã, ele começa a tocar novamente com uma ligação dela. Se ela tem me ligado tanto assim, é porque algo aconteceu, é isso me preocupa mais ainda.
-Aonde você tá?! - Pergunta parecendo brava mais ao mesmo tempo preocupada - não responde mensagem, ligação, quer me deixar desesperada? - Eu permaneço em silêncio - Nam?
-Por que me ligou? Aconteceu algo?
-Preciso de você aqui em casa agora!
-Mas por que?
-Papai está aqui, e tem mais uma pessoa...
-Quem? Meu Deus Sam, fala logo!
-A mamãe! Ela apareceu aqui do nada, os dois não parecem estar muito bem um com o outro, mandei a mamãe para o seu quarto e o papai pro meu. Preciso de você aqui agora! Parece que um guerra ta começando!
-Já estou indo!
Vou o mais rápido que consigo para casa, não por que estava preocupada, e sim por estar com saudade de ambos, ainda mais que é uma surpresa, mamãe sumiu do nada e apareceu agora derrepente.
Quando chego entro e tiro meu sapato, na sala estava agora apenas o papai.
-Pai! - Me aproximo dele, ele se levanta do sofá que estava sentado e me abraça
-Oi, querida, sua irmã estava preocupada, aonde esteve?
-Estava vendo algumas coisas na faculdade. E a mamãe? - Sua expressão parece se fechar um pouco ao eu mencionar sobre ela, ele faz um sinal sinalizando para meu quarto
Eu vou indo em direção ao local, mas antes que eu entre lá, minha mãe sai sem ns olha. Estava com cara de brava, e dava para ver uma diferença em sua aparência, seu cabelo estava agora loiro, além de aparentemente estar com roupa, joias entre outras coisas novas. Ainda parecia brava ao olhar para mim.
- Mãe! Estive com tanta saudade de você! - Estava me aproximando para a abraçar, mas ela me interrompe colocando algo em minha frente, assim que olho para aquilo fico em choque
-Choi Nam Suk, o que é isso?! - Suas mãos estavam tremendo demonstrando o quanto ela estava com raiva, Sam aparece ao seu lado saindo do meu quarto, mas seu rosto estava com uma expressão triste
-M-mãe
-O que é isso? É por que tem uma ameaça nisso?
Ao mesmo tempo que estou triste, me sinto incomodada pelo fato de ela ter mexido mas minhas coisa, não é como se isso estivesse encima da minha cama bem a mostra, apenas quem mexesse no meio de cadernos é livros acharia isso.
-Mexeu mas minhas coisas?
-Isso não vem ao caso! Quem é esse e por qu-
-Vem ao caso sim! Você mexeu nas minhas coisas, vocês devia saber o quanto eu odeio que façam isso sem minha permissão
-Eu sou sua mãe! Você está namorando? Sua irmã não responde minhas perguntas, está?
Eu me mantenho em silêncio, o tanto de múltiplos sentimentos eu estava sentindo nesse momento, raiva por minha privacidade ter sido invadida, apreensão e culpa por estar respondendo e discutindo com minha mãe, medo por até então essas fotos não serem mais um segredo entre minha família, o que realmente era pra ser.
-Você não deve esconder as coisas as coisas de mim!
-Eu não devo esconder as coisas de vocês? Mas vocês esconderam as coisas de mim durante a minha vida inteira! E como eu poderia contar? Você sumiu, desapareceu, não respondia ligação, não respondia kdmsagsl, simplismente nós ignorava, mas isso não é muita novidade né!
-Nam... - Sam tenta me interromper mas ela sabia que era verdade
-Nam está certa, você não deu mais notícias para ninguém, nem mesmo para suas filhas - Meu pai tenta me defender, provavelmente ao ver a cara de raiva que minha mãe estava - Deixou elas preocupadas, deixou todos preocupados. Aonde está sua família? Nem comparecer ao velório de sua mãe você compareceu!
-É onde está a sua? Pelo que eu me lembre não estão mais vivos né! Então não venha falar da minha! Não somos mais casa dos, você não tem mais essse direito
-Eu pelo menos cuidei deles, me esforcei para estar com eles até o último suspiro, meus pais não tiveram a oportunidade de me ver crescer, mas eu pelo menos consegui aproveitar os últimos momentos deles
-Mas isso não vem ao caso - Olha voltar a olhar para mim - Você não pode esconder as coisas de nós, pois está doente!
-Não me trate como se eu tivesse nove anos, na verdade nem quando eu tinha essa idade vocês me tratavam assim, não tentem ser pais presentes agora, tentar me defender - Olho para meu pai - Tentar fingir que se importam comigo ou com a Sam- Olho para minha mãe - Vocês nunca foram assim
Sam, parecia tão abalada com tudo isso, que nem ao menos conseguia olhar agora a gente, ela olhava apenas para o chão ignorando nosso contato visual.
-Não esqueçam a fato de que eu sou uma adulta, não preciso mais dar satisfação da minha vida para vocês, o que na verdade era a única coisa que vocês exigiam né, satisfação, para ver se estava tudo sobre controle de vocês. Pois essa é a verdade! Vocês se importam qando não está como planejado, quando não está como vocês queriam, quando não estava bom o suficiente para as pessoas verem, e acharem que somos a família perfeita, pois sempre foi assim!
-Sempre fizemos o máximo para cuidar de vocês!
-Mãe, o máximo? Nunca estiveram presentes, eu fui criada a minha vida toda por uma governanta pois meus pais nunca estiveram presentes. Nunca fizeram um esforço para comparecer as minhas apresentações na escola, quando eu tentava chamar a tenção de vocês, a única coisa que eu recebia era bronca, gritos, d as mesmas palavras " Estou trabalhando agora, depois conversarmos " eu cheguei a implorar por atenção, nenhum filho deve implorar por tenção de seus pais! Vocês nunca estavam em casa, nunca estiveram presentes em algo da minha vida
Meu pai tenta me defender de alguma maneira, mas no meio daquilo tudo até mesmo ele estava errado, eu sinto que até mesmo eu estava errada.
-NÃO VENHA ME FALAR ASSIM, NÃO FALE COM OS E VOCÊ TIVESSE SIDO O FIEL A SUA FAMÍLIA, O FIEL A NOSSA RELAÇÃO!
-O que? - Agora Sam pergunta com seus olhos cheios de lágrimas - Pai, você traiu a mamãe?
-Não! Eu nunca trai! Eu sempre levei o respeito ao nosso relacionamento, a nossa família a sério. O problema é que agora que estamos divorciados estou seguindo minha vida! Estou atrás de novas experiências, e pelo visto ela está incomodada por talvez ainda não ter superado alguma coisa
-A me poupe! Não ter superado você? Me conta outra!
-Mas então fala ai! Assume, eu sempre respeitei a nossa relação, diferente de você né! - Nos olhamos para minha mãe e ela mesma parece surpresa com essas palavras
-Mãe - Falo quase que em um sussurro
-Diz pra elas, fala para elas que você me traiu, você me traiu com aquele seu colega de trabalho, que as vezes deixavas de estar em casa para estar em um "plantão" falso, para estar com ele!
O choque de realidade foi ainda maior, é tudo muito pior do que eu pensava. A minha família era uma farça, tudo ao meu redor era uma farça. Até mesmo eu era uma farça, tinha que fingir sorrir para campanhas, fingir estar bem para trazer uma boa aparência a família, para a candidatura do meu pai.
Tudo é falso
Tudo
Falso
Os meus pais discutiam sem parar, os dois super nervosos, Sam obviamente só queria sair dali, fugir daquela discussão.
Durante a minha vida, tudo parecia tão perfeito, tirando o fato de meus pais não serem presentes em minha vida, é fora meus outros problemas fora de casa, e comigo mesmas. Mas pelo que eu achava a minha família era perfeita, meus pais se davam bem, tinham bons empregos, não discutiam, se amavam.
Eu não tinha memorias da grande parte da minha infância, eu esqueci muitas coisas, a maioria das minhas memórias é de depois de que ter doze anos. Machuca memória de meus pais discutindo, brigando, tendo algum desentendimento.
Mas então, o meu pesadelo veio de volta a vida.
Quando olho para os dois em minha frente, sinto que eu estava voltando a anos atrás, no meu pesadelo mais profundo, e que eu desejei esquecer.
O sol quente, parque aquático, cheiro de protetor solar, além de muita diversão!
-Fica quieta Nam! - Sam na minha frente que passava protetor solar no meu rosto diz brava
-Passa logo! Eu quero voltar pra piscina logo! Por que você fica me chamando toda hora para passar protetor solar?
-É recomendado passar protetor solar três vezes ao dia, mas como você está muito na piscina ele sai, precisa passar sempre se não você vai se queimar, e você pode ficar doente!
-Mas se eu ficar toda hora voltando aqui pra passar protetor, eu vou perder muito do meu tempo que poderia estar na piscina, e olha falta só um pouco pra irmos em bora
-Não quero saber! Agora fica quieta que você já vai voltar pra piscina!
Depois de mais um tempo de Sam passado protetor solar em mim, eu me lenvanro animada para ir até a piscina, mas antes paro e me viro para ela.
-Cadê mamãe e papai?
-Eles foram lá para o quiosque, mamãe tava um pouco de mau humor, foi comprar algo pra comer papai foi atrás dela a pouco tempo
-Vou atrás deles, aproveitar e pedir para que eles comprem sorvete pra gente! - Saio correndo indo em direção ao quiosque
-Nam, nã-
Entro no quiosque aonde haviam várias pessoas, procuro meus pais e encontro eles sentados em uma medo de costas para aonde eu estava, decido surpreender eles. Ao lado da mesa havia uma parede mais baixa, que era um pouco menos que eu, aonde separava uma mesa da outra. Abaixada sem que eles vissem eu vou até a outra mesa, me sentando e ficando escondida atrás da parede. Me praparo para me levantar e dar um susto neles, mas eles começam a conversar.
-Amor, por que está tão estressada? Por que não aproveita um pouco para se divertir? - Ouço a voz de meu pai
-Amor? Eu já disse para não me chamar assim! - Minha mãe parecia estar nervosa - Aproveitar, nem era pra estar mas aqui, eu tô cheia de trabalho e vinhemos perder o meu tempo nesse parque patético, Nam não parava de encher o saco para vir aqui, tudo isso porque você não dizia um, não pra ela, você mesmo está sobrecarregado de trabalho e concordou em perdermos nosso tempo aqui, essa menina não para de nos encher um minuto, cada hora é algo diferente
-Eu concordei porque a eleição está chegando, você sabe que depois da eleição não passaremos mais tempos juntos, eu achei que poderíamos pelo menos aproveitar um pouco, talvez a Nam poderia gostar e sossegar um pouco
-Sossegar? Ela só vai insistir mais ainda pra gente sair, era só dizer um não! Nós dois somos ocupados, e não temos tempo para essas as idiotices ela tem que entender isso!
-Mas se estamos aqui agora é porque conseguimos um tempo
-Apenas atrasamos nossos trabalhos, você sabe muito bem que você vai passar a noite toda trabalhando para recuperar essas horas perdidas
-Ela está feliz pelo menos, nós nunca tínhamos passeado desse jeito com ela, com Sam quando ela era menor algumas vezes, mas depois que Nam nasceu você nunca mais arrumou tempo
-Depois que a Nam nasceu eu ganhei uma promoção, você sabe como o meu trabalho é importante. Tivemos momentos com a Sam, pronto! Agora ela tem dezesseis anos é já sai com as amigas, não precisa mais de nós para sair, a Nam podia ser assim também
-Ela tem nove anos!
-Ainda me pergunto por que inventamos isso!
-Eu não vou conversar sobre isso de novo! Aconteceu não tem mais o que fazer!
-Me fala você não se apreende?
-É nossa filha! Tomamos uma decisão, já faz nove anos por que vem falar disso agora?
-É a minha conciencia que vem me culpando. Se eu soubesse que a Nam nasceria assim tão, elétrica, falante, chata! Você acha que eu queria ter tido outra?
-Mas idai? Você deveria ter pensado que ela poderia a nascer diferente da Sam
-A Sam sempre foi um pouco mais idependente, a Nam veio precisando de ajuda pra tudo, até mesmo pra lição de casa, parece que ela não aprende na escola
-Se não temos tempo para ajudar ela, contrata um professor particular, simples!
-Não é assim, parece que mesmo que nós achamos uma solução ela vem e acha outro motivo para toda hora pedir algo, pedir para sair, para isso, aquilo! Parece que não sabe fazer nada
-Sua mãe disse que ela quer apenas atenção, é normal entre crianças
-Eu não tenho tempo para dar atenção pra ela! Foi um erro...
-Não fala isso...
-Foi um erro, achamos que dar uma irmã para a Sam seria bom para que ela tivesse companhia, mas foi um erro, devíamos ter deixado tudo como estava, nossa vida era mais fácil, só vem trazendo problema, a escola me ligou ontem falando sobre mais problemas com ela, que ela tem dificuldade, ela não aprende, por que tínhamos que ter outra filha?
-Vai se arrepender agora?
-Pequena, você tá bem? - Uma garçonete se aproxima da mesa que eu estava
Meu rosto estava todo molhado por lágrimas que escorriam dos meus olhos, me levando e meus pais me olham, pareciam assustados. Saio correndo para fora do quiosque, ouço a voz do meu pai me chamando mas eu apenas procuro um lugar para me esconder.
-Foi um erro! - Digo baixo e nenhum dos dois que discutinham me ouviram - FOI UM ERRO! - Grito e então os dois me olham surpresos - FALA AGORA, DIZ NA MINHA CARA QUE FOI UM ERRO!
-Nam do que você tá falando? - Meu pai pergunta
-No dia do parque aquático, quando vocês estavam descutindo no quiosque
-Do que você está falando? - Sam e pegunta confusa
-"Se eu soubesse que a Nam nasceria assim tão, elétrica, falante, chata! Você acha que eu queria ter tido outra? " Lembra mãe? - Ela arregala os olhos
-O-o que? Mas você havia esquecido! Sua psicóloga disse que você havia esquecido, que não havia nenhuma memória relacionado a isso, você conta tudo pra ela!
-Pois é, eu conto tudo pra ela, menos aquilo que eu aparentemente esquecido, o que foi o que vocês gostariam né!
-Nam-
-Os sonhos nós esquecemos, nós sempre esquecemos - Interrompo meu pai - Mas os pesadelos eles voltam para nós assombrar, principalmente aquele que mais te assombra!
-Vocês falaram isso mesmo? - Minha irmã parecia chocada com a informação - Como podem falar isso para a filha de vocês?
-Não era pra ela escutar! Não era! Não dizemos isso para ela, ela não devia ter ouvido
-Mas eu ouvi, eu ouvi mãe. Agora me elas vocês sentem pelo menos um pouco de arrependimento? De culpa? Ou a consciência de vocês pesa pela filha de vocês ter escutado palavras tão crueis assim? - Eles ficam em silêncio - Foi o que eu pensava!
-Nam, é claro que nos arrependemos
-Não parece que minha mãe se arrepende - A mulher me olha, nem mesmo em uma discussão como essa ela deixa seu orgulho de lado, e eu não esperava menos que isso, já era de se esperar - Agora me diz mãe, como é ter tido uma filha que só te causou problemas? Que é doente, segundo o que você disse! Que só te causou desprezo, que só te causou raiva, e perda de tempo! E pai como é ter uma filha que manchou sua imagem na cidade algumas vezes, por conta das doenças que ela adquiriu dentro de casa? Se vocês pudessem voltar no tempo, eu tenho certeza que eu nem ao menos teria nascido, pois é apenas isso que eu sou, um peso mas costas de vocês!
Corro para fora de casa, os gritos da minha irmã me chamando era altos, é chamava a atenção de algumas pessoas que passavam na rua, junto de seus guarda-chuvas. Corro em meio aquela chuva que caia me molhando por completa, não dava para diferenciar minhas lágrimas das gotas da chuva de chuva que escorriam pelo meu rosto.
Que eu arruinei a minha família, não é um segredo, só não era algo que eu me confirmava antes, eu negava, mas essa é a verdade, a mais pura verdade. Meus parentes sempre souberam disso, por isso eles não gostavam de mim, sempre me desprezando nas reuniões de família, a única que parecia gostar de mim, era minha vó, e ela não está mais aqui, até mesmo ela eu perdi.
Eu perdi a todos, perdi a minha vó, provavelmente os mais pais que depois de tudo não vão mais querer saber de mim, o meu namorado, a pessoa em uso eu mais amo eu não vou poder mais estar junto dele, pois estarmos juntos pode arruinar ele, a vida dele, e eu não quero arruinar a vida de mais ninguém.
O meu celular ele tocava, quando o tiro de dentro do meu bolso, que também estava encharcado por água. Quando olho na tela era uma ligação da minha mãe, sinto o ódio me consumir, a raiva. Por que eu não pude ser feliz com minha família? Por que meus pais nunca foram presentes comigo, o problema sou eu né! Eu sempre fui chata, sempre atrapalhei eles, eu nem devia estar aqui.
Jogo meu celular longe, fazendo com que ele caísse no meio da rua, e em seguida um carro passar por cima dele, o quebrando por inteiro, em vários e vários pedaços.
Se eu tivesse a oportunidade de sumir, seria isso que eu mais faria nesse momento. Eu me sinto um tremendo lixo, um erro, pois é isso que eu sou um erro.
As ruas de Seul estavam cada vez mais vazias, conforme a chuva ia aumentando, ficava cada vez mais tarde, as pessoas na rua me olhavam estranho, não é todo dia que você encontra uma garota andando no meio da chuva, enquanto todos correm para se proteger da chuva.
Depois de muito tempo, eu finalmente volto para casa, quando abro a porta, está tudo um complexo silêncio, a casa estava vazia, sinto um dejavu, de quando já vivi momentos parecidos com isso, quando estava ao ponto do abismo, é a casa estava vazia, não havia ninguém, apenas eu e a vontade absurda de fazer aquilo que minha irmã abomina, e já me causou muitos problemas.
Mas não havia nada, e nem ninguém que poderia me impedir disso agora.
Era isso, ia acabar tudo por aqui, eu estava decidida disso. Percebi o tanto que eu e Stavanger na ponta do abismo, ao ponto de me machucar de uma forma física, algo que sempre tive medo, e nunca pensei sobre, apenas usava outras formas, que não pareciam ser tão doloridas.
Graças a uma lâmina que eu eu minha irmã usa vamos para fazer a sombrancelha, antes que eu pudesse ao menos pensar sobre minha escolha, quando me dou conta do meu pulso já jorrava sangue.
Um choque de realidade veio até mim, a dor que aquilo estava me causando, o dano, mas o meu único pensamento era que aquilo era a única escolha, a única escolha de nunca mais atrapalhar a vida de ninguém, de não atrapalhar a vida de ninguém, e não viver com a culpa de ter estragado uma família.
A água que saia da torneira do banheiro, que passava pelo meu pulso e mudando a cor de toda a água, começo a me sentir cada vez mais estranha, um pouco mais fraca, e não raciociocinava mais direito.
Mas então algo, algo que em fez querer continuar aqui, algo que queria me dar outra escolha. O gatinho que estrou no banheiro, não entendendo nada do que estava contecendo, que olhou para mim e tentou se comunicar comigo da forma de um gato.
-Miaw
Foi isso, foi apenas isso que fez com que eu tirasse o pulso de baixo da água. As memórias de momentos bons que eu tive, momentos que eu me sentia bem, me sentia feliz, meus amigos, minha irmã, minha avó, com o Heeseung. Não valia apena eu deixar tudo isso, apagar totalmente essas memórias, ignorar que eu já existi.
Eu não sabia se era mesmo isso q que eu queria, na verdade eu não tinha certeza se valia apena continuar vivendo, mas de alguma maneira eu vou descobrir.
Me sentindo fraca e tonta, consigo andar até a sala, mas então eu caio no chão não conseguindo a miss andar direito, me arrasto até a mesinha ao lado do sofá, derrubando de cima o telefone. Consigo discar o número de minha irmã, e finalmente quando para de chamar, sinto um peso enorme encima de mim, mas consigo ao menos dizer uma palavra.
-socorro...
✧༺♥༻✧
Não tenho dinheiro para terapia, nem pra minha eu tenho.
Oi, não me matem.
Esse é o fim?
Não eu só tô brincando.
Gente chorei junto com a Nam. Sério me dói do coração ver que tem pessoas que passam por isso nas duas vidas, que muitas vezes não resistem, que não aguentam, e pensam que a única saída é essa, mas saiba que se coca já pensou nisso, e que você sabe pensa, essa não é a saída, se precisar de ajuda, vamos procurar os motivos para continuar juntos, não apague sua história dessa maneira.
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