ten: visions.
⊰ 10 de Fevereiro ⊱
⊰ 4 dias para o Dia dos Namorados ⊱
Tudo está em caos.
Os Mundos entraram em guerra. Anjos e Kelpies lutando até morte para decidirem quem irá governar a Terra.
O Rei do Mundo do Pecado, Kim Namjoon, observa tudo com um sorriso no rosto. Ele está conseguindo o que quer e, se isso acontecer, é o fim de todas as raças existentes. Os Kelpies vão dominar a Terra e será o início de um apocalipse.
Uma chuva forte cai sobre nossas cabeças. O sangue na minha testa escorre pelo meu rosto. Sinto o gosto metálico.
Estou paralisado no meio do campo de batalha. O exército de demônios está perdendo. Escuto Jungkook gritar meu nome, mas não consigo me concentrar.
Sinto a presença dela. Ele está perto.
O Ser das Trevas aparece descendo dos céus. As grandes asas negras batendo no ar. Ela está em seus braços, desacordada.
Eu sabia que isso aconteceria. Como não percebi antes? Prometi que a protegeria, mas no final, coloquei sua vida em risco! Deveria tê-los reconhecido antes...
Namjoon olha diretamente para mim com um sorriso maldoso nos lábios. Suas orbes mudam para a cor vermelha.
Eu vou te salvar, Hyeri. Nem que eu morra tentando, você vai voltar para os meus braços! E quando eu conseguir, Kim Namjoon vai implorar por misericórdia!
Minha visão começa a ficar borrada. Tudo em volta desaparece. Um clarão ilumina meu rosto, é impossível enxergar.
Abri meu olhos em pânico. Isso foi uma visão! Foi muito específico, como quando Jungkook prevê o futuro. E se...?
- Não pode ser...
Me sentei no sofá com dificuldade. Minhas mãos estavam trêmulas. Meu peito descia e subia, pela respiração ofegante.
- Taehyung, o que foi? - ouvi a voz de Hyeri. Senti um tom de preocupação vindo dela.
Passei a mão no cabelo e notei que minha testa estava toda molhada, assim como meu pescoço.
- Teve outro daqueles pesadelos? - finalmente virei para olhá-la.
Ela estava ao meu lado, já vestida com o uniforme da escola. Só então percebi nossas mãos juntas. Eu a apertei tanto, que ficaram marcas dos meus dedos.
- E-Eu te machuquei - ignorei a pergunta. Não queria preocupá-la. - Desculpa... - falei, analisando sua mão.
- Não está doendo - ela abriu um sorriso fraco.
- Por que não me acordou? Estamos atrasados?
- Relaxa. Eu não consegui dormir essa noite. Por isso, acordei mais cedo.
Concordei com a cabeça, não dando muita importância.
Se meu sonho fosse verdade mesmo, de quem eu estaria falando? Quem eram as pessoas que eu deveria ter reconhecido antes? Teria que começar a prestar mais atenção em quem se aproxima de Hyeri. Seja quem fosse, não conseguiria levá-la. Eu não iria permitir.
Levantei devagar, já que minha cabeça doía num nível absurdo. Era como se tivesse sido atacado com o taco de baseball da garota.
Abri os armários da cozinha, procurando por um copo limpo. Hyeri se aproximou de mim e apontou para o último armário. Peguei um e o enchi com água.
Ela voltou para a sala e se sentou no sofá.
Acabei me lembrando da noite anterior. Não conversamos sobre aquilo, pois eu saí do quarto antes que ela falasse algo.
Eu deveria falar sobre o beijo? Foi rápido, quase não deu para sentir... E se tiver sido o primeiro beijo dela?
Sentei ao seu lado e criei coragem para começar o assunto.
- Sobre ontem... M-Me desculpe. Eu não sei o que deu em mim.
Ela desviou o olhar da televisão. Um sorriso fofo cresceu nos seus lábios.
- Tudo bem, Tae. Não foi nada.
- Por acaso, eu roubei seu primeiro beijo...? - as bochechas dela tomaram a cor vermelha.
- S-Sim... - me remexi meio incomodado. Como eu fui idiota! - Foi só um selinho.
"Só um selinho". Aquilo não poderia ter acontecido. Não era para o primeiro beijo dela ser com um cupido! Estava tudo dando errado...
- Não vai acontecer de novo - Hyeri abaixou a cabeça e encarou a bebida na caneca.
Lembrava muito pouco da nossa conversa no bar. Ficou tudo tão confuso. Mas, no banheiro, me recordava de cada detalhe. Eu nunca tinha ficado tão vulnerável à alguém.
Por isso que temos regras contra esses tipos de "pecados".
- Eu estava pensando... Sábado você vai embora, certo? - assenti. Bom, só se nada der errado. - Ótimo! É tempo suficiente.
Inclinei um pouco minha cabeça para o lado, confuso com o que ela disse.
- Tempo suficiente? O que vamos fazer?
- Vou te dar um tour grátis para conhecer as coisas que eu mais gosto em Seul! - ela abre um sorriso enorme.
Ver a animação da garota me deixou feliz. Por um momento, esqueci daquele sonho estranho e da remota possibilidade de toda a diversão acabar em um estalar de dedos.
Um estalar de dedos do Rei de Zardren.
༺•༻
Mais tarde no colégio, decidi conversar com esse tal de Jimin. Meu tempo estava acabando e eu tinha que me concentrar na missão. Me concentrar no real motivo de estar ali.
Aproveitei a hora do intervalo e escaneei o refeitório a sua procura. Quando o achei, fui até ele. Estava sentado com um outro garoto de cabelos castanhos e maçãs do rosto avantajadas. O mesmo amigo de Yoongi.
- Desculpe atrapalhar, mas você é o Jimin, certo? - ele me analisou dos pés a cabeça, trocando olhares com o amigo logo em seguida.
- Sim... E você é aquele amigo da Hyeri? - concordei com a cabeça.
- Queria conversar sobre uma coisa - olhei para o outro garoto. - Em particular, se possível.
Eles se entreolharam novamente. Jimin fez um sinal com a cabeça e o outro levantou, deixando a mesa. Me sentei de frente para ele.
De perto é ainda mais familiar...
- Sobre o que quer falar?
- Hyeri - ele arrumou a postura. - Quero saber quais são exatamente as suas intenções com ela.
Jimin soltou um risada fraca enquanto passava a mão no cabelo bagunçado.
Por algum motivo, não consiguia ler sua mente. O mesmo acontecia com Hyeri, mas achava que poderia ter relação com a sua espécie. Jimin era um garoto normal. Tinha algo errado?
- Por que isso é da sua conta? - franzi o cenho pela tom que usou.
- No momento, ela é minha responsabilidade. Só quero ter certeza do que você sente.
Ele desviou o olhar para sua mão em cima da mesa.
- Sou novo na cidade e estava meio perdido. Ela me ajudou e começamos a nos aproximar há um mês, talvez mais. É uma garota bem... especial. Gosto dela.
Sorri com a declaração. Ele pareceu estar falando a verdade.
- Acha que tem alguma chance com ela? - ele fez uma cara pensativa.
- Hyeri nunca demonstrou interesse a mais por mim. Eu jogo algumas indiretas, mas ela não entende...
Era de se esperar, já que ela nunca havia se apaixonado. É até meio triste pensar que, por não ser capaz, nós cupidos é que temos que achar seu par. Achar a sua pessoa ideal.
E o principal: não podemos, em hipótese alguma, errar.
- Não se preocupe com isso. O que você tem que fazer é chamá-la para o baile!
- Agora está me ajudando?
- Nunca falei que não iria. Ela só... é importante, digamos assim. Merece alguém bom e decente - ele sorriu estranho.
- Como sabe que sou esse alguém?
Ele estava certo. Eu não sabia. Só tinha como base informações do Banco de Dados dos Cupidos e o jeito como tratava Hyeri. Arrisquei tudo naquele garoto de cabelos claros.
- Não sei. Mas também não tenho tempo para descobrir - ele concordou, parecendo um pouco perdido na conversa.
- Então, vou fazer isso. Vou chamá-la para ir ao baile comigo - sorri e ele retribuiu o ato.
Agora, não tinha mais volta. Fizemos um acordo.
Fiquei realmente feliz pela Hyeri. Ela estava conseguindo. Iria finalmente sentir como era se apaixonar. Se sentir especial perto da pessoa que ama. Se sentir pretegida.
Eu não iria embora até ter certeza que tudo aquilo já tivesse sido realizado.
༺•༻
- Vai, por favor! Me conte onde estamos indo?
Após o término das aulas, Hyeri me arrastou para fora do colégio. Disse que iríamos começar o tour, mas não contou qual seria o primeiro lugar.
- Já chegamos!
Ela parou na frente de um prédio de altura média. Tinha enormes telões e letreiros coloridos, passando imagens de pessoas, como propagandas. Dentro, uma escadaria que levava até uma pequena cabine.
- O-O que é tudo isso?
- Um cinema. Nunca entrou em um, né? - meus olhos ainda estavam arregalados pelo tanta de informação que recebiam. - Vem.
Ela pegou minha mão e me puxou pelas escadas até a cabine. Um homem com um chapéu engraçado estava sentado lá dentro.
- Eu ia perguntar o que você quer assistir, mas está me parecendo muito perdido - ri da situação. Era a mais pura verdade.
- Quero saber o que os humanos chamam de "amor à primeira vista".
E eu queria mesmo. O único conceito de amor que aprendi a minha vida toda, foi o dos cupidos. Como se apenas o nosso ponto de vista importasse.
- Então o cupidinho quer ver um filme de romance? - assenti. - Eu prefiro terror, mas já que insiste...
Eu nem acreditava no tanto de experiências que vivia. Hyeri me possibilitou ter uma visão mais ampla da minha vida, além dos portões de Angelus.
Era errado eu estar gostando?
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a vergonha de aparecer aqui depois de >>quase<< um mês ;-;
mil desculpas! fiquei sem inspiração pro final desse cap e não sabia o que fazer aa-
mas já passou, eu voltei a ter ideias e to anotando tudo pq mds... a coisa vai ficar feia ;)
Até o próximo capítulo! ^^
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