four: i'm a cupid.
— Q-Quem é você?
Eu não entendia. Ela não estava dormindo? E como ela podia me ver?
— Você consegue me ver? — perguntei de costas para ela.
— Acho que eu sou idiota? É melhor ir largando essa arma ou eu vou te acertar com meu taco!
Mesmo o quarto estando escuro, dei uma olhada cama de novo e percebi o quão bobo fui. Ela colocou alguns travesseiros embaixo do cobertor para fingir que era ela e eu nem percebi.
Droga, droga, droga!
Sem me virar, olhei discretamente para o botão que ativa a roupa de invisibilidade. Quando está ligado, a luz fica verde, mas não tinha nada. Nem a vermelha que indicava que estava desligado. Eu devia ter caído em cima e quebrado... Como eu não percebi?
Deixei aquilo para lá. Eu precisava pensar em alguma coisa rápido.
Fui me virando lentamente, ainda com a arma na mão. A garota estava apontando um taco de baseball na minha direção e não parecia nada feliz.
— Eu vou perguntar de novo. Quem é você e o que está fazendo no meu quarto?
— Calminha, não vou fazer nada! — vi que as mãos dela estavam tremendo.
Se eu a distraísse mais um pouco, talvez consiguisse pegar o taco.
— Eu vou gritar!
— Não! Gritar, não!
— Eu já chamei a polícia, é melhor você largar essa arma agora!
Tinha que ganhar tempo...
Abaixei devagar e joguei a arma do outro lado do quarto.
— Você chamou mesmo a polícia?
Tentei ler a mente dela, mas não conseguia. Era como um buraco negro. Nada.
Se ela tivesse chamado e eles chegassem, seria uma grande confusão e vamos ficaríamos encrencados.
— Invasão de domicílio, porte de arma e tentativa de assassinato. Vai ficar um bom tempo lá!
Aproveitei a distração da menina para tentar pegar o taco da mão dela. Para uma garota de 17 anos, ela era muito forte. Quando finalmente consegui tirar o objeto de sua mão, ela tropeçou e caiu de cabeça no chão.
— Hyeri!
Nenhum movimento.
Entrei em desespero. Ela estava morta! Meu deus, o que eu ia fazer? Se soubessem, eu vou iria ser expulso! Por que eu aceitei aquilo?
— Estrelas rosa são tão lindas... — falou tudo embolado.
Graças a Deus, estava viva...
— Taehyung, está tudo bem? — Jungkook me chamou na escuta. — Conseguiu? — olhei para a garota desmaiada na minha frente.
Não podia falar para eles. Se ficassem com problemas por minha culpa, eu não me perdoaria.
— Podem ir voltando para Angelus. Eu já completei a missão.
— É sério? Mas, escut...
— Deu tudo certo. Vou estar logo atrás.
— Ok... Estamos indo, então. Lucas me encontra na frente da casa.
Ia ter que achar um jeito de falar com o Jin. Talvez ele entendesse e me desse alguns dias.
Ainda bem que os pais dela não estavam em casa. Eu teria ter resolver a situação rápido.
༺•༻
⊰ 6 de Fevereiro ⊱
⊰ 8 dias para o Dia dos Namorados ⊱
Achei uma escuta reserva e conversei com Jin sobre o incidente. Ele era quase como um pai para mim, então com certeza iria entender. Demorou um pouco para decidir, mas no final ele cedeu. Me deu uma 1 semana — o tempo que os pais dela estariam fora — para completar a missão. Caso contrário, ele teria que relatar para o Conselho dos Cupidos, onde definiriam meu destino.
Eu sei que na Terra tem aquela típica frase que falam quando alguém comete um erro: "Ninguém é perfeito". Mas essa missão deu errado em tantos níveis! Além de ela ter conseguido me ver por um erro meu, ainda fiz ela bater a cabeça e desmaiar. Minha carreira estaria arruinada se aquilo pararasse na mesa do Conselho dos Cupidos!
Também falei com Jungkook e Lucas. Apenas dei a desculpa de que Jin me pediu para completar uma outra parte da missão sozinho. Combinei de falar com eles pelo menos uma vez ao dia, mas não seria preciso, já que ia acabar bem depressa.
Eu poderia ter injetado a poção nela, mas quem garante que ela acordaria em
condições boas ou se estaria viva? O melhor foi esperar.
Enquanto Hyeri não acordava, dei uma olhada no quarto dela. Mesmo tendo 17 anos, era bem infantil, com bichinhos de pelúcia nas estantes e livros de todos os tipos. O quarto não era tão grande, mas tinha um pequeno sofá no canto com algumas almofadas coloridas.
Comecei a me sentir culpado por ela ter batido a cabeça tão forte. Esperava que não tinha se machucado...
— Aigoo... Minha cabeça... — já era de manhã quando ela acordou.
Passei a noite a vigiando e checando se ainda estava respirando. Tive que amarrar as mãos dela no pé da cama. Ela é baixinha e forte. Não queria correr o risco de ser derrotado por um taco.
— Oi. Você acordou — quando escutou minha voz, a menina se encolheu com medo.
— P-Por favor, me solta! Eu não vou falar para ninguém!
— Eu não vou te machucar — falei, me sentando numa cadeira de frente para ela.
— V-Você apontou uma arma para mim!
— E você me ameaçou com um taco de baseball!
— Diz logo o que você quer e me solta, por favor!
Passei todo aquele tempo esperando ela acordar, mas não pensei direito no que ia fazer. Explicava ou apagava a memória dela de uma vez? Isso poderia trazer sequelas permanentes, como esquecer os pais ou até o próprio nome. Não queria prejudicar a vida dela, mas se eu desobedecesse uma regra do Livro dos Cupidos, seria exilado...
Reparei que o canto da testa dela estava sangrando um pouco. Levantei e me sentei no chão de frente para ela, com uma caixinha cheia de vidros com poções humanas e curativos que encontrei mais cedo.
— O-O que você está fazendo? Não me toca! — ela tentou me chutar, mas consegui segurar seus pés.
— Eu já disse que não vou te machucar, Hyeri. Sua testa está sangrando.
Se o sangue dela entrasse em contato com a minha pele, ficaria com um belo machucado.
— Como você sabe meu nome? Você é um daqueles stalkers loucos?
— Se não quiser ficar com a testa machucada, vai ter que me deixar ajudar — apontei para a ferida.
Não foi um corte tão profundo, mas ela bateu a cabeça bem forte.
— Eu estou com medo — parei de colocar o curativo e analisei seu rosto.
Hyeri tinha olhos pequenos e bem puxadinhos, cabelo preto longo e lábios rosados. Incrivelmente linda.
— Não precisa ter medo de mim. Meu nome é Taehyung — dei um pequeno sorriso para confortá-la, mas não a convenceu.
— Primeiro você aponta uma arma para mim e depois fala que eu não preciso ter medo de você? Não acha que tem algo estranho nessa história?
Se eu contasse para ela quem eu era e o que havia ido fazer lá, tinha três jeitos de ela reagir: acreditar e começar a gritar; não acreditar e continuar achando que eu sou um ladrão; e desmaiar.
Mas acho que a terceira opção não era tão provável.
— Se eu te contar, promete que vai guardar segredo?
— Eu não vou prometer nada para um desconhecido invasor de casas.
— Não sou invasor de casas e é você que não me conhece.
— E você me conhece? — ela riu irônica.
— Mais do que pensa — o que falei pareceu incomodá-lá. Talvez eu não me encrencasse tanto se explicar porque tive que contar. Jin vai entender... — Eu vim de um lugar bem distante daqui. Se chama Angelus, o Mundo dos Seres Mágicos.
— Para de brincar.
— Não estou brincando.
— Claro, super acredito. Fala logo o que quer. É dinheiro?
Do jeito que ela falava, parecia até que eu era um louco que invade casas por diversão. Mais difícil do que eu pensava...
— Hyeri, eu sou um cupido e vim fazer você se apaixonar por Min Yoongi — ela arregalou os olhos e abriu a boca espantada.
Não tinha como ser mais claro que isso.
— Eu sabia! Isso é uma pegadinha, não é? Você é o que dele? Primo, amigo...? Fala para o Yoongi que ele conseguiu. Agora me solta, por favor?
Já estava perdendo a paciência.
— Eu estou falando sério! Eu sou um cupido e vim de Angelus para fazer você se apaixonar por esse tal de Yoongi — peguei a arma do meu bolso e Hyeri deu um grito.
— Não me mata! — ela fechou os olhos com força.
Tirei o dardo com a poção de dentro da arma, guardando a mesma no bolso, em seguida.
— Hyeri — a garota ficou surpresa ao abrir os olhos e ver um líquido roxo brilhante através do frasco de vidro. — Era isso que ia te deixar caidinha pelo Yoongi.
— Ainda não acredito. Isso pode ser suco de uva.
Ela estava me irritando! Eu teria que provar de outro jeito, mas como?
Lembrei de minhas asas. Minhas preciosas asas. Assim que cupidos pousam na Terra para fazer missões, podem escolher entre esconder ou revelá-las quando quiserem. Para essa missão, tivemos que escondê-las.
Desabotoei minha camisa e me virei de costas para ela.
— Garoto! Você é louco? Coloca essa cam... Ei, o que são esses machucados nas suas costas?
— São minhas asas — respirei fundo e as liberei.
Não escutei Hyeri falar, nem fazer nada. Quando me virei para frente novamente, já com as grandes asas tampando inteiramente minhas costas, vi o que me deixou incomodado.
Ela estava com medo de mim. Como uma criança vendo um monstro pela primeira vez.
— C-Como...? V-Você é mesmo um cupido?
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os capítulos estão mto grandes??
Até o próximo capítulo! ^3^
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