
Diversidade na literatura
Traduzido por Bernardo Stamato.
Hoje eu quero falar sobre "role models" - pessoas que servem de modelo ou exemplo para muitas outras. Independente da gente gostar disso ou não, crianças procuram role models com quem possam se identificar e geralmente é alguém parecido com elas. Quando você pergunta a uma menina, ela invariavelmente vai nomear uma mulher. Pergunte a um menino e ele provavelmente vai nomear um homem. E o mesmo acontece com cultura, etnia e aparência.
Há um ano e meio, meu livro viralizou na rede social de leitura chamada Wattpad, alcançando 7 milhões de leituras até agora. Eu recebi dúzias de mensagens dos meus fãs todos os dias e duas perguntas foram feitas com mais frequência do que todas. A primeira é previsível: escritores aspirantes me pedindo para ler e comentar seus trabalhos. Mas a outra talvez lhe surpreenda. São pessoas me perguntando se eu sou indiano / paquistanês / asiático.
Demorou um tempo até eu entender por que isso estava acontecendo. Primeiro, eu pensei que fosse apenas curiosidade sobre meus antecedentes. Tem uma foto minha no meu perfil e eu sou uma mistura incomum: metade indiano, metade brasileiro caucasiano. Mas o que me chamou a atenção a respeito de quem perguntava foi que eles eram todos jovens asiáticos.
E as conversas subsequentes geralmente envolviam como eu havia os inspirado a escrever, ler e explorar a fantasia. Outros simplesmente se identificaram com meus personagens, principalmente os de pele escura, como Serafim de Conjurador: O Aprendiz. No fim das contas, me pareceu que eles buscavam role models, alguém com conquistas que eles pudessem buscar.
O National Literacy Trust faz um trabalho tão incrível, mas para mim, essa é uma das principais razões para eu trabalhar com eles. Eu acredito que as melhores pessoas para inspirar leitura e escrita são os próprios autores.
Ainda assim, é um fato triste que existam poucos autores de minorias que sejam representativos no Reino Unido, e eu frequentemente sou o único em eventos de autores. Eu não acredito que isso seja preconceito ou tendências racistas na indústria - longe disso. De fato, se tem uma indústria que luta abertamente por igualdade em todas as coisas, é a editorial; seja de gênero, etnia ou deficiência.
Eu acredito que o problema seja cíclico. A falta de autores de minorias para inspirar mais escritores gera escassez de minorias na próxima geração. E o problema é agravado na similar falta de personagens de minorias nos livros infantis, quando eles sequer existem. Isso manda uma mensagem não intencional às crianças de minoria - ler e escrever não é para elas.
Eu quero ajudar a quebrar esse ciclo, como escritores como Malorie Blackman estão fazendo. A melhor parte é que eu sei que não estou sozinho, pois centenas de autores, leitores, blogueiros e editores se uniram na campanha "We Need Diverse Books".
O National Literacy Trust me deu a oportunidade de conhecer crianças em toda o Reino Unido através do programa "21st Century Authors" e também equilibrou o desfoque de alfabetização entre gêneros com a iniciativa "Premier League Reading Stars". Essa causa é extremamente importante e eu sou um filantropo orgulhoso.
O pulo do gato nisso tudo é que eu comecei a escrever aos nove anos por esse motivo, criar personagens que compartilhavam minha aparência e dar a eles suas próprias histórias quando eu não conseguia encontrá-los nas outras histórias. Eu espero que outros autores de todas as origens façam o mesmo.
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Esse artigo foi publicado originalmente no welovethisbook.com, eu recomendo que você dê uma conferida neles!
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