Capítulo 5: Abra seu coração e mostre-me mais
| Dahyun
Sana já estava na quinta taça de champanhe, enquanto a minha não havia passado da metade e ainda era a primeira. Estávamos sentadas nas cadeiras da cozinha já havia um tempo, quase todas as meninas adormeceram há algumas horas, apenas nós duas acordadas, bebendo a garrafa de champanhe quase toda.
Eu estaria me enganando se falasse que a vontade de beijá-la era efeito da bebida, afinal, até mesmo Momo já sabia do que havia acontecido alguns dias atrás com nós duas. Sorri enquanto olhava para Sana, que passava o dedo indicador pela taça, contornando o desenho inteiro.
— Ainda é quinta-feira e hoje você tem trabalho, não é melhor parar de beber, querida? — Perguntei apoiando a minha cabeça na mão esquerda, me virando para a direção da menina.
— Eu sou sua querida? — Ela disse meio embolado, parando de passar o dedo na taça. — Sou?
— É sim. — Me aproximei dela, quase encostando nossos narizes. — Agora pare de beber.
Sana fez bico e virou o resto do líquido de uma vez, limpando a boca com a mão, depois me entregou a taça e a coloquei na pia junto com a minha, que tinha terminado um pouco antes delas me dar a sua. Voltei até onde estávamos antes, sentando ao lado dela.
— O que foi? — Ela perguntou com os olhos fechados, quase tombando a cabeça para o lado.
— Vamos, precisamos dormir. — Peguei a mão dela, começando a brincar com seus dedos.
— Mas Chaeyoung e Mina não chegaram ainda.
— Vai ficar tudo bem com elas, ainda estão tentando pegar a confiança dele. Venha, vamos dormir.
Levantei junto com ela, saindo da cozinha e indo até o corredor dos quartos. Sana segurava minha mão, se apoiando em mim, quase dormindo, então fui até a porta do quarto dela.
— Boa noite. — Sana deu um beijo na minha testa, eu fiz apenas carinho na mão dela.
Dei "boa noite" para ela também, voltando o caminho todo até a porta do porão, entrando e fechando-a. Fui até o computador, o liguei e comecei a organizar novamente os arquivos com as informações das missões. Passei um bom tempo ali, até Nayeon entrar no cômodo, com cara de sono.
— O que está fazendo aqui essa hora? — Ela falou cruzando os braços, enquanto me encarava.
— Só arrumando os casos, Nayeon, não se preocupe.
— Você precisa descansar. — Ela falou se sentando na cadeira ao meu lado. — Poderia fazer tudo isso no fim de semana, ou deixar para mim.
— Mas é o meu trabalho, não o seu. — Rodei a minha cadeira até que consegui ficar de frente para ela. — Vamos fazer assim, eu vou dormir, mas você também vai. O que está fazendo acordada?
Ela ficou em silêncio enquanto fazia círculos imaginários com o dedo indicador na mesa. Viro novamente para o computador, salvando o que tinha feito e desligando-o.
— Jihyo pediu para esperar Chaeyoung e Mina. Parece que hoje elas iriam dar um sonífero para ele é procurar provas do crime, algo assim.
— Quer que eu te faça companhia?
— Não precisa, pode ir descansar. — Nayeon falou sorrindo e depois se levantou.
Saindo do porão, ela ficou na sala e eu fui até o corredor dos quartos, abrindo a minha porta e entrando, contemplando o quão desarrumado e precisando de uma faxina ele estava, logo trancando a porta. Depois de ir ao banheiro e escovar os dentes, fui até minha cama e me jogo nela, tentando me acomodar logo em seguida. Fecho os olhos para tentar adormecer enquanto imaginava coisas boas e surreais demais, que nunca aconteceriam nesse universo.
Meus olhos já pesavam, já estava prestes a pegar no sono, quando ouvi algumas batidas na porta. Ainda sonolenta, procurei a chave na cômoda perto da porta. Destrancando-a, pude ver Sana com cara de sono e apoiada no portal.
— Posso dormir com você? — Falou com os olhos fechados, provavelmente ainda no efeito da bebida.
— Você está bem? — Perguntei cruzando os braço, ainda estranhando o pedido dela.
— Relaxa, eu tomei banho. — Sorriu, finalmente deixando os olhos abertos. — Posso? — Saio de frente da porta, deixando que ela entrasse no meu quarto.
Deitei na cama, sentindo o espaço ao meu lado afundar com a presença de Sana, o que me fez sorrir levemente. Apenas adormecemos uma ao lado da outra, mesmo que o cheio do sabonete usado por ela tomasse um pouco mais da minha concentração para dormir do que realmente deveria, posso dizer que dormi bem demais nessa noite.
O som do despertador me acordou, fazendo com que eu abrisse os olhos e ver o rosto de Sana, que parecia um pouco cansada tentando manter os olhos abertos. Nós nos cumprimentamos com um "bom dia" e depois Sana saiu do quarto para ir ao dela usar o banheiro, assim como fiz assim que ouvi o barulho da porta se fechando. Liguei a água gelada do chuveiro, tentando despertar para mais um dia, sentindo o líquido escorrendo por mim. A tentação de ficar sentindo a água era grande, já que o dia estava quente, mas a lembrança da conta de água do mês fez com que eu fechasse o registro e pegasse minha toalha.
Depois de escolher a roupa e arrumar o cabelo, fui até a cozinha, me sentando ao lado de Jeongyeon, que não parava de batucar os dedos contra a mesa, parecendo nervosa assim como Jihyo e Tzuyu.
— Aconteceu algo? — Perguntei ainda confusa, já que não estava ciente de nada.
— Chung-Ho é realmente o culpado do assassinato de CheonSa, isso já estava claro, mas ele também está envolvido em prostituição de menores e tráfico humano. Além de estar sendo cem por cento acobertado pela polícia, os pagando um valor imenso de propina. — Jeongyeon explicou, enquanto se levantava. —Mina e Chaeyoung precisam matá-lo o mais rápido o possível, isso acontecerá hoje.
Fiquei boquiaberta, aquele caso estava se mostrando perigoso demais. Minutos depois, Mina apareceu já arrumada, nem ao menos sentando-se para comer, saindo logo de casa, ao contrário de Chaeyoung, que me esperou, mas também não comeu.
Saímos de casa, estava tão aflita quanto a menina que andava ao meu lado, ainda em silêncio desde que me chamou para irmos. Me preocupava sempre com a possibilidade de dar tudo errado e sermos presas, não é como se eu não gostasse de participar do Twice, até porque sou imensamente grata a elas, mas também não quero apodrecer na cadeia.
— Está com medo?
— É apenas mais um caso, Dahyun, vai ficar tudo bem se confiarem em mim e em Mina.
— Não sei, isso está parecendo fácil demais. Alguém que realiza tantos crimes assim deveria tomar mais cuidado.
— Ele não precisa se preocupar, certo? Afinal, a polícia cai de joelhos para ele, por ter dinheiro e mulheres que clareamente servem como uma moeda de troca. — O volume da voz de Chaeyoung era baixo, mas a irritação dela estava explícita, parecendo que gritaria caso não estivéssemos no meio da rua. — Espero que Mina não dê importância se eu atirar um pouco mais do que ela.
Entramos na academia de dança quando já estava quase na hora da aula, nem ao menos nos despedimos, apenas corremos em direção até nossas respectivas turmas do dia, ignorando completamente todos os avisos de "Não corram no corredor" colados nas paredes. Abrindo a porta, vi todos meus alunos prontos, sentados no chão, o que me fez sorrir imaginando a bagunça que eles fizeram e apenas pararam ao ouvir meus passos, ou ao ver Chaeyoung correndo.
— Bom dia, crianças! — Falei colocando a minha bolsa no chão. — Quero que me mostrem a dança que combinamos na aula passada, certo? Pela ordem de chegada. — Peguei o papel colocado em cima da mesa, com as presenças anotadas pela própria letra deles. — Vamos lá. — Sorrio em uma tentativa de encorajá-los.
Ver a evolução deles era, mesmo em tantos anos trabalhando aqui, gratificante. Apesar de pequenos erros aqui e lá, estavam começando a pegar melhor o jeito da dança e se desenvolvendo cada vez melhor.
Como sempre, voltei para casa com Chaeyoung, mas dessa vez, escolhemos levar alguns pedaços de bolo para as meninas, pela probabilidade da noite ser tensa demais. Estranhamos a demora das últimas duas meninas que faltavam, ainda mais sem nenhum notícia, muito menos um aviso. Já passava das oito quando recebi uma ligação de Nayeon.
— Alô? — Falo assim que atendo a ligação, ouvindo uma conversa de fundo.
— Tzuyu já chegou?
— Não, ela já estava vindo? Não recebi mensagem alguma.
— Meu chefe está me prendendo aqui, ele quer conversar comigo quando todo mundo do meu departamento for embora, mas todos já foram e ele ainda não fala nada. Tzuyu disse que iria me esperar na cantina, fui até lá e a cozinheira falou que ela já saiu há muito tempo atrás. Mandei mensagens e ela nem visualiza, estou preocupada.
— Vou mandar Sana e Momo te buscarem aí, diga que houve uma emergência com uma de nós e você precisa acompanhá-la até o hospital.
— Certo. — Ela disse e pude ouvir alguém falando com ela de longe. — Estou indo. Já já chego aí em casa, tente conversar com Tzuyu, por favor. — Nayeon desligou a ligação, fazendo com que eu entrasse no aplicativo de mensagens, na conversa com Tzuyu.
Eu: Onde você está?
Eu: Nayeon está preocupada com você
Eu: Está chegando, ao menos?
Como as mensagens foram enviadas, mas não foram respondidas, resolvi fazer uma chamada. Corri até a sala, puxando Jihyo pelo braço para que ela fosse ao porão comigo, assim teria ajuda caso precisasse rastrear o celular dela. Iniciei a ligação, que contei cinco toques e foi rejeitada, ligando novamente, contei quatro e foi atendida.
— Tzuyu, onde você está? Nayeon está preocupada e...
— Ah, cale a boca! — Uma voz masculina me interrompeu. — Vá me dizer que nem ao menos imagina o que aconteceu com sua amiga?
— Quem é? — Falei colocando no viva-voz, enquanto Jihyo conectava meu celular ao computador.
— Nem ao menos uma suspeita? Poxa, Dahyun, assim você me deixa triste. — Riu logo em seguida. — Ah, isso será divertido. — E desligou.
Jihyo rodou a cadeira para trás, por sorte não esbarrando no sofá, passando a mão pelo cabelo curto e depois esfregando a testa. Bem na hora, Mina e Chaeyoung chegaram correndo pelas escadas, provavelmente para pegar armas.
— Viemos avisar que estamos indo e pegar algumas armas. — Mina avisou, colocando as mãos nos bolsos da calça jeans de lavagem escura.
Levanto da cadeira, ainda nervosa com a possibilidade de algo péssimo ter acontecido com Tzuyu, nem querendo cogitar a ideia de morte. Jihyo trabalhava com os dedos batendo no teclado rapidamente, apressada e parecendo ansiosa, e eu pensava em alguma forma de explicar a situação para as duas mulheres na minha frente.
De repente, Momo apareceu nas escadas, com Sana logo atrás, ambas seguravam o celular e corriam pelos degraus, fazendo um barulho consideravelmente alto, que se juntava ao do teclado de Jihyo. Passando a mão pelo cabelo, a mais velha das garotas me deu o celular, mostrando uma foto de Tzuyu, enviada às 21:29, com a legenda de "Uma já foi".
— Ela está morta? — Momo perguntou, com a voz baixa e as mãos tremendo um pouco ao pegar o celular.
— Eu não sei. — Passei a mão pelo meu cabelo, tentando pensar em alguma solução. Fui até Jihyo, observando enquanto ela rastreava a ligação.
Ela anotou o endereço em um papel, pegou o celular de Momo e voltou a digitar. Sem entender o que precisava fazer, apenas me sentei, tentando pensar em algo suficientemente bom, que não colocasse ninguém do Twice em perigo. Lembro do que falei para Nayeon, acabo por pegar novamente meu celular, cogitando se deveria ou não avisá-la.
Saio do porão com as quatro mulheres atrás de mim, duas delas confusas se iriam ou não ao encontro de Chung-Ho e as outras ainda abaladas com a foto de Tzuyu. Mandei Sana e Momo se arrumarem e buscarem Nayeon, enquanto pedi para as outras avisarem Jeongyeon que a queríamos no porão. Na cozinha, peguei uma faca afiada, descendo novamente ao porão, assim deixando o objeto na mesa, logo depois pegando duas armas e dois panos vermelhos grandes.
Por experiência, talvez até mesmo costume, minhas mãos não estavam suando ou eu tinha medo, a raiva falava mais forte e tudo o que queria era salvar Tzuyu, ter todas salvas na segurança de nossa casa enquanto montamos um plano. Levei as armas para as duas garotas que irão sair, descendo novamente a escada até o outro cômodo.
— Iremos ou não matar Chung-Ho hoje?
— Ainda não, Chaeyoung. Ouçam, vamos esperar Nayeon com as outras duas, montaremos uma estratégia e partiremos para o ataque. Precisaremos principalmente de Momo, Sana e, como em todos os casos, Jeongyeon. Iremos resolver isso da Tzuyu hoje, se minhas dúvidas estiverem corretas, temos mais de um ocorrido nessa história. — Encosto na cadeira, sentindo um pouco de dor, torci para não ser cólica e voltei a me concentrar no assunto principal. — Se tudo der certo, vamos precisar de uma folga. — Falei esfregando a testa.
Os segundos pareciam se arrastar até formarem os minutos, que corriam mais lentamente ainda, já as horas nem se falam, pareciam a tartaruga, enquanto minha aflição e a das outras garotas, visivelmente preocupadas e ansiosas, se fantasia como a rápida lebre, mas não temos vantagem alguma. Tentei até mesmo me distrair brincando com a barra da blusa, mas nada era capaz de tirar a angústia e ansiedade naquele momento.
A porta da frente se abriu com um forte estrondo, que foi seguido por passos rápidos e fortes, a batida do salto alto denunciava as mulheres que haviam saído. Logo, elas aparecem na ponta da escada, com a respiração acelerada. Jihyo as ajudou, fazendo com que se sentassem no sofá, saindo em seguida para buscar copos e a garrafa com água.
— Vamos, nos expliquem o que aconteceu. — A mais velha falou enquanto derramava a água no primeiro copo.
— Como já sabemos, Chung-Ho tinha mais esquemas do que imaginávamos no início e sabemos do envolvimento dele com a polícia. Mina e Chaeyoung, vocês contaram que viram alguns homens da delegacia lá, junto com um outro homem, certo? — As meninas citadas concordaram, afirmando com a cabeça. — Eles frequentam a boate e também participam do esquema de prostituição. Juntando os pontos daquela noite, mais algumas outras provas, eles chegaram a conclusão de que nós somos o Twice. Claro, não sabem o nome do nosso grupo, mas sim as coisas que fazemos, estão por trás das mensagens, assim como a ida para outro país do ex-namorado de Dara, foi tudo um esquema.
— Espera! Se eles sabem de tudo, por que estamos aqui ainda e não na cadeia?
— Eu fui demitida, Sana e Momo já sabiam disso. Querem nos colocar em dois lugares, como dançarinas na boate ou como garotas de programa, não na cadeia. — Nayeon passou a mão pelo rosto, parecendo tentar organizar as ideias. — Vejam, não é apenas a polícia envolvida nisso, muitas pessoas estão nesse negócio, precisamos tomar o máximo de cuidado e partir para a defesa. Ao menos resgatar Tzuyu e pararmos com o Twice, ou... — Ela sorriu, apoiando o braço esquerdo na perna e se inclinando um pouco. — Acabar com eles.
— Para isso precisamos de um plano. — Mina reclamou cruzando os braços, provavelmente insatisfeita.
— Por acaso, eu tenho um, mas preciso da aprovação de vocês. — Ela falou sorrindo, enquanto balançava os pés.
Todas sentandas em volta da mesa enquanto Nayeon explicava seu plano, traçando algumas linhas por um papel no centro. Era arriscado, mas nossa única opção. Depois de tudo planejado, fui até o computador, procurando os dados das armas e pedindo as melhores para Sana, logo liberando-as para se prepararem como quisessem por cinco minutos, seja trocando de roupa, ou comendo algo.
Exatamente onze da noite, todas estavam reunidas na sala, com suas armas e passos restritamente planejados. Temos a música, agora tudo dependia de como executaremos a dança.
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