Player One
oioi, o que acham de uma two shot fluffy???
eu não detalhei tanto o primeiro, confesso, mas em compensação o segundo capítulo vai estar recheado de detalhes, certo?
a capa lindíssima foi feita pela equipe do moonchildesigns (BunnyTeaser) e ambos capítulos foram betados pelo meu neném, kali. obrigada ♡
boa leitura ♡
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Toquei a campainha a minha frente pela terceira vez, ansiosa, esperando que ele viesse me atender logo. Nas minhas mãos se encontrava uma enorme caixa de presente azul marinho com um laço prateado na tampa, e no meu rosto um sorriso estampado, imaginando reação do mais novo ao ver o que lhe preparei. Confesso que estava, sim, animada para que Jungkook visse o que fiz para ele, mas em compensação queria que ele viesse logo abrir essa porta porque… argh, essa caixa ‘tá pesada.
Mas o que há dentro desse cubo de papelão azul, devem estar se perguntando.
Apenas as fotos e vídeos nossos juntos desde que éramos crianças que consegui e alguns objetos que fizeram parte de nossa infância (e uma camiseta do Homem de Ferro autografada pelo Robert Downey Jr. que ele tanto queria, porém não iremos revelar isso por agora). A caixa só está pesada porque trouxe isso tudo em álbuns e fitas cassetes — tirando os objetos, obviamente — só pra deixar mais bonito mesmo, porque tenho tudo salvo em um pen-drive que está no meu bolso traseiro.
Começo a estranhar barra me estressar com a demora do acastanhado. Batuco o pé e suspiro, impaciente. Quando me preparo para tocar a campainha mais uma vez, ouço passos apressados de quem está descendo as escadas correndo e um “já vai” é gritado por uma voz aveludada, angelical, magnífica, incrível, doce e suave — se ele souber que estou dizendo isso, não vai mais me deixar em paz — dentro da casa.
Escuto a chave ser colocada na fechadura, logo após abrindo-a.
Se você espera um Jungkook super sexy, de cabelos molhados sendo enxugados por uma toalha branca e que ele esteja vestindo uma bermuda jeans com uma regata cinza, sinto lhe informar, mas suas expectativas não foram alcançadas. Meus lábios se repuxaram em um sorriso automático ao visualizar Ggukie apenas com o calção do bob esponja que usa como pijama, com uma cara super amassada e com os olhinhos inchados de quem acabou de acordar
— Ah, o que você ‘tá fazendo aqui a essa hora da manhã? E por que está com uma caixa enorme de presente? — falou, com uma voz grogue.
— Não sei se você sabe, mas já é mais de meio-dia. E essa caixa enorme é para você, seu burro, hoje é seu aniversário — sua mente parece clarear e ele faz uma expressão de como se tivesse se lembrado de algo que tinha se esquecido e estava tentando recordar a todo custo, mas nada vinha. Tá, talvez eu conheça muito bem esse menino. — Agora pode me deixar entrar? Isso ‘tá pesado — nem o esperei responder, só adentrei a casa e deixei a caixa em cima do sofá.
Quando Jeon menos espera, eu já corro em sua direção e me agarro com ele, tendo suas mãos me tirando do chão, enchendo o seu rosto de beijinhos enquanto escuto sua risada gostosa tomar conta do ambiente calmo no qual nos encontramos.
— Feliz… — beijo sua bochecha esquerda — aniversário… — beijo sua bochecha direita — meu.... — beijo sua testa — coelhinho! Amo-te — finalizo selando a pontinha de seu nariz.
— Obrigado, EunHa. Muito obrigado. Eu te amo — ele aninha meu corpo ainda suspenso, segurado por seus braços fortes com o seu e deixa um selar casto em meu pescoço.
— Me recuso a acreditar que você tem 22 anos — digo, me recompondo do meu mini surto e desço do colo dele, ajeitando minha roupa.
— Mas você tem 22 também, dramática — ele brinca e vai em direção às escadas. Eu o sigo.
— É diferente. Ontem você era um pirralho chato e catarrento — entramos na primeira porta à direita e adentramos seu quarto.
— Ah, puxa. Tem certeza que era só eu? Me lembro quando você comia terra e grama fingindo que era comida de verdade, quando me obrigava a brincar de casinha — pega uma camiseta e uma bermuda qualquer no guarda roupa. — Ainda bem que eu não era fraco das ideias que nem você, nunca comi essas porcarias que você dava para suas bonecas.
— Como você ousa falar blasfêmias dos meu dotes culinários peculiares para bonecas, Jeon Jungkook!? — me pronuncio, falsamente indignada, e o vejo adentrar o banheiro do quarto com a muda de roupas em mãos. — E eram minhas filhas, mais respeito.
— Tadinhos dos seus futuros filhos se eles forem tratados que nem suas bonecas — ele eleva a voz em um tom que eu possa escutar, já que está em outro cômodo, e ouço sua risada debochada. Cretino.
— Eu quem devo dizer isso. Você era um péssimo pai, Jungkook.
— Ei, eu cumpria com minha obrigações de pai, tá? — sai do banheiro, prontamente vestido com a roupa que havia levado. — Eu levava elas para a escola e pro médico, trocava a lâmpada e dirigia aquele carrinho de madeira que os nossos pais fizeram ‘pra gente.
— Isso lá é papel de pai, Kook? Que pensamento ultrapassado — coloco minhas mãos na cintura. — Você não demonstrava nenhum afeto pelas suas filhas.
— Só o seu amor bastava.
— Você tinha que ter sido mais presente no dia-a-dia delas, seu palhaço. A Yuqi se formou e você nem ‘tava na formatura.
— Espera, você fez uma formatura para sua boneca?
— Ai, Jeon, francamente — reviro os olhos.
— Tá bom então. Não vou mais me defender — levanta as mãos em rendição. — Você já almoçou? — antes que eu fale alguma coisa a minha barriga ronca, fazendo um barulho alto. — Deixa pra lá, já tenho a resposta — ele ri e me puxa pelo braço até chegarmos à cozinha.
— A gente vai ter que cozinhar? — minha expressão é de pura preguiça.
— Vai sim, e não faça essa cara. É meu aniversário, eu decido as coisas por aqui.
— Você é um chato — lhe mostro a língua. — Como eu não tenho escolha, o que vamos fazer?
— Eu tava pensando em fazermos uma macarronada simples e depois fazermos algo doce para a sobremesa.
— O que vai ser esse "algo doce"?
— Ué, não é óbvio? Vamos fazer um bolo — bate palmas, sorridente, e esquece completamente que só ele já é um desastre na cozinha, e juntando comigo, piorou.
— Jungkook…
— Por favor, EunHa. Faz isso só hoje. Faz isso por mim — me olha com aquelas orbes negras brilhantes, assemelhando-se a um cachorro que caiu da mudança, e com as mãos juntas em forma de prece. Essa criatura sabe que não resisto quando ele faz isso, e só afirma mais minha teoria quando escuta meu suspiro derrotado e mostra seus dentinhos branquinhos em um sorriso. — Ótimo, vamos comprar os ingredientes.
— Faz tempo que comi o bolo de banana, talvez não seja uma má ideia.
— Quem foi que disse que vai ser de banana? — arqueia uma sobrancelha.
— Ué, o de banana não era o seu favorito?
— Era não, é. Mas estou com vontade de comer bolo de chocolate, e como é meu aniversário você não tem o direito de opinar em nada — coloca os sapatos rapidamente, pega a carteira e vai em direção à porta e começa a correr, me deixando para trás.
— Mas eu não disse nada — grito, e saio correndo atrás dele, após trancar a porta.
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Poucos minutos depois, voltamos para a casa de Jungkook com todos os ingredientes necessários para fazer o bendito bolo. PS: achamos melhor comprar lasanhas de microondas ao invés de fazer a macarronada, pois ia demorar demais para comermos; além de preguiçosos, somos impacientes. Não tinha como nossa amizade dar errado.
Eu disse que seria mais prático comprarmos o bolo em alguma doceria, ou se fôssemos arriscar na cozinha mesmo, comprarmos a massa pronta, só misturar ovos e leite. Tudo lindo. Mas nãaaao. Ele tem que complicar tudo dizendo que não gosta das massas prontas e que queria cozinhar seu próprio bolo, pipipi popopó. Como é seu aniversário, deixei passar. Apenas desta vez.
Despejamos as compras na mesa da cozinha assim que chegamos. No caminho até em casa, decidimos fazer o bolo primeiro para depois comer as lasanhas, já que eram mais rápidas. Fomos logo abrindo um tutorial no YouTube para não fazer nada errado; escolhemos o vídeo com mais visualizações, lavamos as mãos e já colocamos a mão na massa.
— Não era pra ser os secos primeiro, e depois os líquidos? — pergunto.
— Eu tenho certeza que se mistura os líquidos primeiro.
— Vamos voltar o vídeo.
— NÃO — ele berra quando aproximo a mão do telefone. — Sua mão ‘tá toda suja e sebenta de ovo, porque nem isso você sabe quebrar direito.
— Jungkook, cala a boca, eu tô te ajudando aqui! — suspiro. — De qualquer forma não adianta mais. Você já ‘tá misturando os líquidos.
E foi com base em discussões, farinha pro alto e disputas ‘pra quem ia raspar a panela que finalizamos o bolo. Limpamos toda a cozinha, comemos as lasanhas, lavamos o restinho de louça e fomos tomar banho enquanto o bolo estava no forno.
— Jeongguk, cadê as minhas roupas que eu deixei aqui da última vez? — pergunto fuçando seu guarda roupa, segurando a toalha no meu corpo.
— Você levou pra casa, esqueceu? — aparece do meu lado, observando a bagunça em eu estava transformando o roupeiro, enquanto penteava seu cabelo que antes estava branco de farinha.
— Ah, verdade. Então vou pegar uma camisa sua — pego uma qualquer e fecho as portas.
— Sério que você vai pegar a dos Beatles? Poxa, eu ia usar ela — reclama com um bico em seus lábios vermelhinhos.
— Falou certo, "ia". No passado, do verbo não vai mais — caminho até o banheiro novamente e coloco a blusa rapidamente, logo após usar o desodorante dele que estava na pia.
— Já te falei que você é muito folgada? — ele se aproximou assim que saí.
— Pensei que estivesse acostumado — me aproximo mais e aperto seu nariz.
Depois que cada um estava limpinho e cheirosinho, sentimos um cheiro forte e automaticamente nos olhamos com as orbes arregaladas:
— O bolo! — correndo em disparado para a cozinha, abrimos o forno e nos deparamos com o bolo quase queimado por completo.
— Meu bolo… — fez uma carinha triste depois que eu desenformei o pseudo bolo de chocolate.
— Eu acho que ainda dá pra comer. Só tirar essas partes queimadas, e quando jogar a cobertura por cima não vai nem sentir o gosto.
— Não sei...
— Ah, a gente vai comer sim! É o bolo do seu aniversário — ele suspirou forte e assentiu com a cabeça. Fizemos a cobertura de chocolate normalmente e jogamos por cima.
— Ei, você nem abriu o presente — o lembrei.
— Verdade! Vou abrir antes de comer — segue para a sala comigo em sua cola.
A caixa estava lá, em cima do sofá, intacta. Do mesmo jeito que deixei mais cedo. Vejo os olhos de Jeon brilharem em curiosidade para saber o que diabos tem nessa caixa para ser tão grande.
Ao retirar a tampa, Jungkook dá de cara com a camiseta do Homem de Ferro que fiz questão de deixar no topo, porque, cá para nós, esse presente foi espetacular.
Ele pisca uma,
Duas,
Três vezes.
— Ai-Meu-Deus — ele tira a peça do embrulho com cuidado e me fita com os olhos arregalados. — C-Como você…
— Tenho meus contatos — sorri.
Ele larga a camiseta no sofá e me abraça como se fosse o último toque humano que recebesse na vida. O escuto sussurrar palavras como “você é demais”, “nunca me decepciona”, “eu te amo”, mas eu só dou risada e retribuo o gesto afetuoso.
— Tem mais coisa, olha lá — digo e ele volta para perto da caixa. A primeira coisa que ele retira de lá é uma foto de nós dois juntos, com média de 6 anos, com sorvetes em nossas mãos e sorrisos banguelas. Ele continua com a expressão surpresa e pega outra foto, e mais outra, e outra.
— Como conseguiu essas relíquias? — pergunta ainda fuçando a caixa e retira todas as fitas e álbuns de lá.
— Nossos pais, ué. Com quem mais seria?
— Você já assistiu todos os vídeos? Já viu todas as fotos?
— Não. Eu não vi quase nada, para falar a verdade. Minha mãe que praticamente fez tudo, reuniu as fotos, transferiu os vídeos, e disse “veja com ele, vai ser um momento proveitoso para os dois” — ele entra em estado de choque ao se deparar com as fichas do fliperama que íamos todas as tardes quando fuçou mais a caixa.
Não se engane, não era qualquer fliperama. Era O fliperama. Todas as pessoas apaixonadas e viciadas em games do bairro iam para esse lugar gastar seu dinheiro e horas lá. De vez em quando tinha jogos novos, por isso ele era movimentado, pois atualizava com frequência as máquinas. Infelizmente o local fechou quando o dono o vendeu para um cara que ia construir um restaurante e que estava o oferecendo uma boa quantia em dinheiro.
Triste fim.
— Eu não consigo crer que você guardou as fichas ao invés de tê-las gastado no Mortal Kombat.
— Será que dá pra ser mais sentimental? Eu guardei pra ficar de lembrança.
— A gente tem as fotos, você deveria ter gastado. Olha o tanto de ficha que tem aqui. Acho que jogaríamos a tarde toda só com essas.
— Ai, Jeon. Não existe mais esse lugar, o que lhe resta é aceitar o presente, seu mal agradecido — emburro a cara.
— Ah, você vai ficar assim agora? — não o respondo. — Poxa, pequena… — me chama pelo apelido, deixa as fichas em cima da caixa e vem me abraçar. — Eu só ‘tava brincando com você, é claro que eu gostei que tenha me dado uma lembrança da melhor parte das nossas vidas.
— Não dá pra ficar com raiva de você — o retribuo.
— Mas então, estamos esperando o quê mesmo para voltarmos no tempo? — fala animado e me puxa para o sofá.
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\(・◡・)/
próximo capítulo (e último) vai ser voltado apenas para as lembranças da infância e adolescência dos protagonista... Olha eu já vou avisando que está digno de vomitar arco-íris haha
enfim nenis, espero que tenham gostado, não se esqueçam de votar e comentar para eu saber o que acharam. até mais :)
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