Reflexos na água
Assim que chega na beira do rio, a nova figura se abaixa e apoia as duas mãos no chão, depois de deixar sua luz ao seu lado. Nossa primeira figura se encolhe no mesmo lugar onde esperou parada a chegada da segunda figura, vendo, com dificuldade, um sorriso gentil se formar no seu rosto.
- "Olá!" - A segunda figura diz, parecendo estranhamente animada.
- "Hm...olá." - A primeira responde.
- "Qual o seu nome?" - A segunda figura responde, e automaticamente a primeira se lembra do que sua mamãe disse sobre dar informações pessoais a estranhos. Não era algo bom. Então, por medo, decidiu algo melhor.
- "A". - Ela responde.
- "A? Seu nome é uma letra? Que legal! Nunca vi ninguém com um nome assim na minha vila. Bom, já que você tem esse nome, vamos manter assim. Acho que fica misterioso. Divertido. Eu me chamo J"
J parecia muito empolgado, apesar de nunca ter visto A na vida. A não tinha certeza se podia conversar com um desconhecido, mas a animação de J estava a contagiando, de forma que escolheu ficar.
- "Sua luz é muito bonita e brilhante! A minha também costumava ser assim..." - J parece triste de repente, e sua expressão incomoda A.
- "...o que houve para ela ficar menos brilhante?"
J olha para a lua enquanto pensa, com um rosto triste, em como responderia a pergunta de A.
- "Estou fraco. Não temos comida direito na nossa vila. Então estamos sempre fracos. Doentes. Por isso minha luz está fraquinha. Mas vou ficar bem." - J parece se animar um pouco novamente.
- "...eu sinto muito." - A responde.
- "Oh, não! Não é sua culpa, A. Não se desculpe. Está tudo bem. Veja. Melhoramos um pouco nossas plantações. Os mais velhos viajaram pra longe e encontraram fontes novas de alimento. Estamos trazendo tudo para o vilarejo. Em alguns meses teremos fartura. Não se preocupe." - Saber disso alivia o coração de A, mas ainda assim, pensar que J ainda passaria fome por meses parecia triste.
- "Por que veio até aqui?" - A pergunta.
- "Ah, eu venho todas as noites. Minha vila é perto. No meio da floresta. Mas não consigo dormir bem de noite. Ao menos não tenho conseguido. Mas é bom vir aqui e ver essa paisagem. O rio, a campina, e as estrelas. A lua também. E sempre imaginei o que tinha além daquelas árvores." - Ele aponta na direção de onde A veio. - "E hoje, você apareceu. Você veio de lá?"
- "Uhum. Vim sim."
- "Uaau! Que legal. Sua vila também fica perto?"
- "Acho que não. Tive que passar pela floresta para chegar aqui. Onde minha casa fica, é outro campo aberto. Mas não é tão longe." - A explica lentamente.
- "Hmmm! Então você é uma aventureira. Muito bom, senhorita A! Tens um coração muito forte e bravo. Deve ser por causa da sua luz forte e brilhante também. Gosto de saber que desbrava o mundo dessa forma!" - J sorri, parecendo muito empolgado do outro lado do curto rio.
- "Não diria que sou corajosa ou aventureira. Estava quieto demais na minha vila, por isso resolvi vir. Mas...tive medo até das sombras no caminho." - Ela diz, com vergonha.
- "Ah, mas isso não quer dizer que és medrosa. Você não desistiu de explorar! Veio mesmo assim. Conseguiu chegar. E sozinha. Você é corajosa sim! Temer o estranho e o desconhecido é ser inteligente. Outra grande qualidade sua, então!" - A sente seu rostinho esquentar.
- "Valeu a pena vir...você me parece uma pessoa calma e boa. E aqui é muito bonito." - A diz.
- "Eu? Ah, obrigada! Você é muito gentil! E sim, aqui é muito bonito. Por isso venho todas as noites. Mas logo terei que ir embora."
A ouve e se sente um pouco triste porque logo sua companhia partiria.
- "Ah, escuta!" - J a chama de novo. - "Vou voltar aqui amanhã nesse mesmo horário! Quer se encontrar comigo aqui na beira do rio novamente?"
O coração de A se enche de alegria e sua luz brilha alegremente. J também parece feliz e sua luz parece se agitar mais do que o normal.
- "Sim!" - A responde.
- "Ótimo! Então nos vemos amanhã, senhorita A"
E aqui, uma nova amizade cresceu entre as figuras das duas vilas diferentes, divididas por um rio.
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