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╰┄꒰ Eu sei o que você é | chaesoo


Sinopse

Para Kim Jisoo tudo é possível, desde semideuses a bruxos e, principalmente, vampiros. Assim, quando os novos moradores ocupam a casa da frente, as habilidades de Jisoo não deixam dúvidas de que o comportamento estranho dos novos vizinhos é por um só motivo: Park Rosé e sua família são vampiros.

▬▬▬


Jennie e Lisa chegaram no horário combinado, cumprimentaram o meu pai, cortando os arbustos no jardim, e passaram alguns minutos brincando com o Floquinho, um vira-lata caramelo que adotamos há alguns meses atrás. Logo depois, elas entraram na casa.

Do sótão, ouvi a breve conversa que tiveram com a minha mãe. Elas subiram as escadas. Provavelmente, Jennie parou no quarto do meu irmão para jogar um charme e pedir a ele que fizesse o seu dever de matemática. Lisa esperaria no corredor, batendo os pés no chão, impaciente. Depois de exatos dez minutos, elas cruzaram a porta do sótão.

— E aí, Jis.... meu Deus? — Jennie parou de supetão, com os olhos arregalados.

— O que é isso? — perguntou Lisa, saindo de trás de Jennie.

Fria e calculista, apontei para as duas cadeiras em frente ao quadro branco.

— Sentem — pedi.

Jennie semicerrou os olhos, dando passos desconfiados até a poltrona indicada. Lisa prestava atenção nos penduricalhos, livros antigos e bordados da minha mãe, velharias que guardávamos no sótão e precisaram ser realocadas em um canto. Aquele pequeno espaço cheio de poeira e traças, agora era um covil secreto. Eu me vestia a caráter: de preto, e pedi que elas viessem no mesmo dress code, mas Jennie estava com um shortinho beira-cu e Lisa acabou de sair da academia.

Elas se sentaram na poltrona.

— Pois bem, chamei vocês aqui porque recentemente, descobri algo que pode mudar o mundo. — disse, gesticulando uma grande bola com as mãos.

Jennie arregalou os olhos.

— A cura do COVID?

Meu semblante se fechou.

— Óbvio que não — respondi.

Lisa se remexeu no assento.

— Como radicar a fome no mundo?

— Erradicar, Lisa, erradicar — corrigi. — E não, não descobri como acabar com a fome no mundo, esse trabalho é do Lula. — Bati no quadro branco. — Na verdade, o que eu descobri é algo bem mais perigoso.

Rodei em círculos, captando a atenção das duas, que, automaticamente, se arrastaram para a ponta do assento.

Olhei para elas, séria.

— Minha nova vizinha é uma vampira — confessei.

Elas piscaram algumas vezes, processando a informação. Depois de um longo minuto de silêncio, a gargalhada de Jennie ressoou no sótão.

— Ah, essa foi boa! — Ela deu tapinhas na coxa. — Eu aqui morrendo de medo e... — A expressão dela se fechou. — Você tá falando sério?

— Ela tá falándo sério — confirmou Lisa, em choque.

Grunhi, em uma birra.

— É óbvio que eu estou falando sério! — exclamei. — Foram anos e anos estudando mitologia vampiresca, eu tenho propriedade no assunto! Sei reconhecer um vampiro há quilômetros de distância!

— Ô Buffy, calma aí! — interrompeu Jennie. — Ler a saga Crepúsculo não é estudar mitologia vampiresca.

Lisa deu de ombros.

— Bem, a Stephanie Meyer cómeçou de algum lugar...

Apontei a caneta em direção a Lisa, orgulhosa, mas Jennie a encarou, incrédula.

— Isso não faz sentido, Lisa!

— Só éstou dizendo que precisamos ouvir o que ela tem a dizer! — rebateu Lisa.

— Obrigada, Manoban — Sorri vitoriosa, andando de um lado para o outro no pequeno espaço entre o quadro e as cadeiras. — Após ler em meu Face, mais especificamente na página "Como descobri se o seu vizinho é um vampiro" reuni algumas características pertinentes a "atividades vampirescas" — Fiz aspas com as mãos. — Características essas, pertencentes aos meus novos vizinhos.

Jennie se afundou na cadeira, rolando os olhos.

— Você está tentando falar difícil pra gente aceitar esse papinho aí — murmurou ela.

Lisa concordou.

— Eu náo entendi abilolulamente nada do que saiu da sua boca — respondeu ela, cruzando os braços.

Absolutamente, Lisa — Jennie e eu corrigimos, em uníssono.

Portugués é muito difícil! — Ela fez um biquinho, cruzando os braços.

Suspirei, massageando as têmporas. Foco, Jisoo, Foco. Era difícil ter concentração com Jennie me olhando impaciente e Lisa se distraindo com qualquer coisa, desde os raios de sol que batiam nas velharias a um pernilongo passando. Escrevi o primeiro tópico no quadro branco.

Lisa se aproximou, franzindo o cenho.

— "F" com "A" é "Fá"... então Fá... mí... lía... Park. — recitou ela, orgulhosa.

Jennie sorriu para Lisa, mas fechou a cara assim que olhou para mim.

— Pelo menos essa maluquice vai ajudar Lisa a aprender português.

— Se você passasse mais tempo ensinando ela a conjugar os verbos e menos tempo enfiando a língua na boca dela, Lisa aprenderia mais rápido. — rebati. — Agora vamos ao que interessa, a Família Park.

Apontei para o quadro.

Regra Número Um:
Vampiros brilham no Sol, portanto, você não verá o seu vizinho pela manhã. Fique de olho caso ele seja ativo nos horários noturnos.

— A família Park mudou durante a noite — disse. — O caminhão de mudanças chegou às sete horas da noite e, depois disso, houve movimentações atípicas durante as horas seguintes...

Jennie franziu as sobrancelhas.

— "Movimentações atípicas"? É claro que haveria movimentações atípicas. — Ela abriu os braços. — Eles estavam de mudança!

— O que é atípicas? — perguntou Lisa.

— Perguntas só depois que eu terminar! — interrompi. — Voltando a explicação: como as boas enxeridas que somos, mamãe e eu fizemos um bolo de boas vindas para, na verdade, descobri mais sobre os novos vizinhos. Batemos lá às nove da noite e demos de cara com o Senhor Park.

Anotei o nome dele debaixo da primeira regra.

— E adivinhem só: descobrimos que ele e a esposa são médicos, como Carlisle Cullen! — disse.

— Realmente, para terminar seis anos de faculdade mais alguns anos de especialização, só podem ser mortos vivos — murmurou Jennie, irônica.

— Mortos vivós abrange muita coisa, eles podem ser zumbis — rebateu Lisa.

— Ou lobisomens — sugeriu Jennie. — Como o Jacob.

— Lobisomens náo estáo mortos — lembrou Lisa.

— E Jacob não era bem um lobisomem — esclareci. — Ele era um metamorfo que podia se transformar em um lobo e...

— Entendo porque o Robert Pattinson odeia essa saga — balbuciou Jennie, rolando os olhos.

Conti uma sequência de palavrões, batendo novamente no quadro.

— Regra número dois!

Regra Número Dois:
Os vampiros são bonitos. Independente de cor ou gênero, eles se destacam naturalmente no meio dos meros mortais. Se o seu vizinho for bonito demais, desconfie.


Olhei para os lados, com medo de ser ouvida e, por isso, me aproximei delas.

— Eles são muito bonitos — sussurrei.

Jennie, de repente, se interessou pelo assunto. Ela se aproximou de mim, também sussurrando.

— Lindos como o Taylor Lautner em Eclipse ou lindos como o Chris Evans em Guerra Civil? Algo mais delicado como o Timothée Chalamet em Me Chame Pelo Seu Nome e Leonardo DiCaprio em Titanic? Ou algo rústico como Brad Pitt em Clube da Luta e Michael B Jordan em Pantera Negra? Ou algo mais brasileiro como o Rodrigo Santoro na última novela?

Pisquei algumas vezes, processando a avalanche de informações.

— Lindos como Zac Efron em 17 outra vez — sussurrei.

Jennie sussurrou de volta.

— Não são o meu tipo.

Lisa olhou para nós duas, confusa.

— Por que estámos sussurrando?

Me endireitei, voltando para o quadro.

— Por nada, por nada... — respondi. — O senhor Park, além de ser muito bonito, não aparenta ter mais de trinta anos, mas os seus filhos tem quinze e dezessete anos. Não é estranho se pensarmos em um contexto: vampiros não envelhecem. Ele e a senhora Park trabalham no plantão noturno, o que ajuda a confirmar essa ideia. Os outros membros da família não saem durante o dia e, vejam, todas as janelas estão tampadas.

Jennie e Lisa levantaram-se da cadeira e correram até a única janela do sótão. Elas se estapearam, à procura de uma boa visão da casa da frente.

— Que... estránho — cochichou Lisa, olhando para mim. — As cortinas ficam fechadas o dia todo?

Me aproximei, observando a casa pacífica a alguns metros à frente. Como a minha, ela possuía três andares, mas seu estilo era mais moderno, com janelas panorâmicas e cimento queimado, enquanto a minha era amarela, com um jardim cheio de hortaliças e um balanço de pneu enferrujado.

— Todas as janelas ficam assim o dia todo — respondi. — E todos estão lá dentro.

Jennie mordeu os lábios, pelo olhar temeroso que me lançava, eu tinha certeza que estava procurando uma explicação lógica para isso. Jennie era a mais cética de nós, sei disso porque nos conhecemos desde o maternal. Foi fácil me enturmar com a única garota de olhos puxados da turma. Lisa chegou havia três anos, ela era tailandesa dos pés a cabeça, mas o pai conseguiu uma boa vaga de emprego aqui e trouxe a família junto. Jennie se propôs a ensiná-lá português, o que no começo era uma boa ideia, já que ela era tão boa que participou de um Soletrando no programa do Luciano Hulk, mas duvido que as duas estudassem quando estavam sozinhas.

— Sua regra caiu por terra por um único motivo — argumentou Jennie, com o dedo apontado para mim. — Tem tempo que eu não vejo Crepúsculo, mas me lembro que eles escolheram Forks porque era uma cidade nublada. — Jennie fez uma pausa dramática. — Estamos na Bahia!

Lisa arfou, como se tivesse lembrado dessa informação naquele momento.

— Jennie tem um ponto! — disse ela, apontando para a Kim.

Jennie prosseguiu:

— Aqui faz Sol de dia e se bobear faz Sol a noite. Por que eles não se mudaram para algum estado do sul? Aqui só poderão sair à luz do dia na época do Carnaval.

Fiz uma careta.

— Quem em sã consciência se mudaria para o sul?

— Ela tem um ponto — Lisa repetiu, dessa vez, apontando para mim.

— Isso não muda o fato que é ilógico eles virem para cá! — rebateu Jennie, decidida.

Suspirei, partindo para o quadro.

— Então precisamos partir para a terceira regra.

Regra Número Três:
Os vampiros não se alimentam de comida, só de sangue, portanto, observe o hábito alimentar dos seus vizinhos.

— Lembram do bolo de boas vindas que a minha mãe fez para eles? — Olhei para Jennie e Lisa, para ter certeza que estavam prestando atenção. Elas manearam a cabeça em concordância. — Eles jogaram fora.

Jennie fez uma careta.

— Eles jogaram fora na sua frente?

— Óbvio que não! Vampiros são educados — respondi.

Entáo como você sabe que eles jogou o bolo fora?

Jogaram, Lisa, é na terceira pessoa do plural — Jennie corrigiu.

— Bom... — Engoli o seco. — Eu sei disso porque... — Coçei os cabelos. — Porque...

— Porque você mexeu no lixo deles — completou Jennie, entediada.

— Foi para uma causa maior! — retruquei.

— Você precisa ser internada, isso sim! — Ela se levantou.

— Calma, slowly, me escute. — Apertei os ombros de Jennie, forçando-a se sentar novamente. — Eu não achei nada.

— Nada? Como assim? — perguntou Lisa.

— Não achei nada no lixo deles. Eles estão aqui há uma semana e não produziram nenhum lixo orgânico. Só sacolas e plástico bolha dos móveis, fora isso, não achei nada de comida, nem embalagens de comida, nem isopor de hambúrguer. Nada.

Os olhos de Jennie se mexeram rapidamente, procurando argumentos, já os de Lisa estavam fixos na janela, nos telhados brancos da casa dos Park, despontando pelo céu ensolarado.

— Agora, vamos ao que importa — disse.

Regra Número Quatro:
Pegue os seus vizinhos vampiros no pulo.

Revirei algumas caixas de velharias até encontrar o controle do DataShow, apontei para o aparelho acima das nossas cabeças. Uma luzinha vermelha surgiu no meio do quadro branco. A imagem de Rosé ficou mais nítida depois de um tempo, era impressionante como ela ficava bonita mesmo em uma foto do Instagram projetada em um quadro escolar por um datashow que não era usado desde os tempos de professora de jardim de infância da minha mãe, há exatos vinte anos atrás.

— Essa é a família Park/Cullen. — Apontei para a foto que Rosé postou há sete dias atrás, ela e a família no carro a caminho da nova casa. — Eles têm dupla cidadania, australiana/brasileira. Rosé é a filha mais velha do casal James e Anne Park. — Apontei para os citados. — Esse é o irmão mais novo, Christopher, mas vamos ser sinceras, Rosé roubou toda a beleza da família... quer dizer, se ela for mesmo filha do James e da Anne Cullen. — Suspirei. — Olha como ela fica linda sorrindo... Rosé tem o mesmo comprimento de bochechas, eu medi, e os olhos pequenos e angulosos escondem segredos obscuros. Ela caça um alce e chupa todo o sangue dele com suas presas ao mesmo tempo que é apenas uma adolescente normal de 17 anos. Obviamente, seu charme vampiresco vai atrair muitos olhares na escola, mas ela não vai dar bola para nenhum deles... a menos, claro... — Joguei uma mecha de cabelo para trás. — A menos que uma garota em especial chame a sua atenção.

O queixo de Jennie caiu.

— Deixa eu adivinhar, a garota seria você? — Ela apontou para mim.

— Bom, já que ninguém se habilita, pode ser eu sim — respondi, zapeando o Instagram de Rosé. — Ela é lésbica, tá na bio. Uma vampira lésbica... porque ninguém pensou nisso antes? Além do mais, todas as fotos do Instagram foram tiradas no período da noite.

— Como vocé tem tanta certeza que eles sáo os vampiros de Crepúsculo? Nenhum deles tem os olhos... — Lisa estalou os dedos. — Qual o nome daquela cor? — Ela apontou para a minha blusa.

— Amarelo — respondeu Jennie. — Lisa tem razão, nenhum deles tem olhos dourados ou vermelhos.

— Porque eles usam lentes, obvio! — retruquei.

— Ou porque eles são vampiros de The Vampire Diaries — respondeu Lisa.

— Ou de Entrevista com um Vampiro, Blade, True Blood ou os mais clássicos, como o Drácula...

Olhei para as duas, sorrindo. Elas estavam discutindo as possibilidades com tanto afinco que me deixou emocionada.

— Vocês estão mesmo acreditando em mim!?

— Óbvio que não, Jisoo — respondeu Jennie, seca. — Seu irmão está fazendo o meu dever de matemática, estou esperando ele terminar. Além disso, é legal rir de você.

Lisa segurou um riso.

— Lembra quando ela leu os livros de Percy Jackson e pensou ser uma semideusa?

— Ou quando pensou que podia viajar no tempo! — lembrou Jennie.

— Ou quando ficou esperando a carta atrasada de Hogwarts!

— Ah, essa foi hilária! — Jennie gargalhou.

— Ei, ei! Dessa vez eu estou falando sério! — exclamei. — Vocês não viram todas essas provas?

— Todas as provas sáo fracas domais — admitiu Lisa. — Lá em casa, Bambam fica o dia anteiro no quarto com as janelas fechadas, vivendo à base de Lol, punheta e maconha, isso não quer dizer que ele é um vampiro.

— Bom, há controvérsias — respondeu Jennie. — Seu irmão tá mais pra um zumbi.

— É a maconha — respondeu Lisa. — Ou a falta de vitamina D.

— Ele ainda tá fingindo ser o ex-BBB? — perguntei.

Lisa fez uma careta.

— Não, as pessoas descobriram que era fake.

— Uma pena... — Jennie suspirou.

Encarei a pequena janela do sótão, o dia se mesclava em laranja e rosa. Faltavam poucas horas para anoitecer, o que significava que faltava pouco tempo para convencê-las que Park Rosé e sua família eram vampiros. Mas eu tinha uma carta na manga.

Saí do Instagram de Rosé e entrei na galeria do meu celular, escolhendo a foto e a projetando em zoom, bem na frente delas. Jennie, que estava rindo segundos atrás, engasgou. Lisa se aproximou da foto, franzindo o cenho.

— O que é isso? — ela perguntou.

— Uma bolsa de sangue — respondi. — Achei várias delas no lixo da casa dos Cullen.

As bolsas de sangue estavam em uma embalagem especial de lixo hospitalar que eu sabiamente não desembrulhei — não queria pegar nenhuma doença —, mas através do plástico reforçado, dava para ver nitidamente as bolsas de sangue vazias.

Lisa tapou a boca com as mãos, alarmada.

— Por que vocé náo disse isso antes!

— Isso... — Jennie engasgou. — Isso pode ser porque os pais dela são médicos!

— Ou pode porque sáo vampiros — respondeu Lisa e, ao receber o olhar surpreso de Jennie, acrescentou. — O qué foi? Tá na cara! Elés não saém a luz do dia, náo comem comida comum e ainda sáo bonitos!

— Muito bonitos — acrescentei. — Por isso, vou perguntar diretamente a Rosé se ela é mesmo uma vampira.

— O quê!? — Jennie e Lisa indagaram em uníssono.

— Meninas... — Suspirei, cansada do falatório. — Todas as minhas ações estão sendo baseadas na seguinte pergunta: "O que Bella Swan faria no meu lugar?" e nessa questão, a resposta é simples: ela procuraria provas e confrontaria Edward Cullen.

— Mas e se eles forem mesmo vampiros? — perguntou Jennie.

— Terei que procurar uma lobisomem para formar um triângulo amoroso — respondi. — Se eles não forem, vamos rir e eu vou parecer maluca, mas isso eu já pareço. Resumindo, não tenho nada a perder.

Lisa e Jennie se entreolharam.

— Ela tem um bom ponto — respondeu Lisa.

(...)

As sete horas, quando o sol sumiu completamente do horizonte e a lua nova iluminava o céu daquela noite quente, Jennie, Lisa e eu saímos de casa. A rua era pacífica, os únicos sons se resumiam aos ruídos de televisões sintonizadas em canais diferentes. Os pais Cullen saíram para o trabalho há vinte minutos atrás, somente Christopher e Rosé estavam em casa.

Nos escondemos atrás do arbusto da casa ao lado, observando o Park mais novo levar o lixo para fora.

— Ali deve ter centenas de bolsas de sangue, olha como ele está fazendo força para puxar o saco preto — sussurrou Lisa.

— Pode ser um corpo — sugeriu Jennie. — Um corpo desmembrado.

— Shiiiu! — Olhei para as duas. — Eles são vampiros vegetarianos!

Jennie bufou.

— Nem você acredita nisso.

— Jisoo, lémbre-se do que fazer se ela te atacar... — sussurrou Lisa.

— Eu sei, eu sei, vou mostrar que estou em live e o segredo deles pode ser revelado — Tirei o celular do bolso, balançando-o. — Agora é com vocês.

Jennie e Lisa se entreolharam, confiantes. Jennie saiu dos arbustos, puxando o short beira-cu para cima. Os cabelos em um rabo de cavalo balançavam de lá para cá enquanto ela caminhava até a casa dos Park. Christopher estava jogando o lixo na caçamba, calça de moletom e earpods no ouvido.

Jennie parou na calçada, em frente a caçamba.

— Ei! — ela chamou.

Christopher levantou o rosto.

— Você mesmo! — Jennie apontou para ele. — Chama o Pedro agora!

Ele tirou os earpods do ouvido.

— Desculpe, o que você disse?

— Disse pra chamar o Pedro, ele mora aqui! — Jennie gritou.

Meu coração bateu forte no peito, Lisa estava tão concentrada que mal respirava, suas mãos apertaram as pobres folhas do arbusto. Christopher olhou para a casa, depois para Jennie.

— Foi mal, não tem nenhum Pedro morando aqui...

Jennie maneou a cabeça, incrédula.

— Como assim? Aquele idiota me passou esse endereço! Ô Pedro! Saí daí e devolve o meu chip!

Christopher se aproximou, tentando apaziguar os gritos de Jennie.

— Moça, ei! Não tem....

— MEU CHIP!

— Eu não...

— Devolve o meu chip, Pedroooo!

Lisa me encarou, relutante.

— É agora.

Balancei a cabeça em afirmação e corri para os fundos da casa, ainda agachada, tapada pelos arbustos. Antes de pular a cerca que separava a casa dos Park e do vizinho, vi Lisa se aproximando deles, filmando o barraco. Essa era a nossa única arma, pensar que eles não gostariam de ter o seu segredo revelado. Apalpei o meu aparelho no bolso de trás da calça e endireitei meu corpo.

A grama estava recém aparada, ainda amarelada. Antes dos Park, aquela casa ficou anos abandonada.

Toquei na parede, andando devagar até os fundos da casa, onde entraria pela cozinha. O escuro ameaçava me engolir, minha respiração ficou mais alta que os gritos de Jennie. Eu era maluca, estava invadindo a casa da minha vizinha vampira. Isso me fazia uma stalker? Eu seria presa? Respirei fundo, encostando no muro da casa. Eu não podia fazer isso, na melhor das hipóteses Rosé se divertiria com a minha suposição, na pior delas eu a assustaria e acabaria com todas as chances. Fechei os olhos com força, sentindo minhas mãos trêmulas.

Eu voltaria para a casa.

Abri os olhos.

Rosé estava na minha frente.

— AAAAAAAH! — berrei.

— AAAAAAAH!? — ela berrou também.

Apertei o peito, sentindo meu coração sambar debaixo da minha mão. Rosé deu alguns passos para trás, o que fez a lanterna em sua mão lançar luz para todos os lados. Ela apontou o facho para o meu rosto.

— Quem é você!? — exclamou ela.

— Eu posso explicar! — respondi.

Coloquei a mão na frente do rosto, tentando enxergá-la através da luz cegante. Seus cabelos estavam soltos, os fios vermelhos escurecidos pela noite. Sua pele brilhava, mas não no sentido literal da palavra, parecia feita de porcelana, como se a lua só estivesse lá em cima para iluminar Park Rosé. Ela abaixou o facho da lanterna e se aproximou de mim, os passos eram tão graciosos que mal faziam barulho na grama.

— Ah, você é a vizinha que revira o nosso lixo?

Pisquei algumas vezes.

— O qu... como vocês sabem?

Ela deu de ombros.

— Você é tão delicada quanto um elefante.

Rosé esticou o pescoço, bisbilhotando o barraco protagonizado por Lisa, Jennie e Christopher.

— Vamos. — Ela me chamou com um menear, caminhando para os fundos da casa.

Engoli o seco, tropeçando atrás de Rosé.

— Vamos...? Ah... okay, vamos... vamos sim!... Para onde nós vamos?

— Para dentro — respondeu Rosé. — Não posso ouvir muitos ruidos, minha cabeça doí.

Meu corpo tremeu. A noite parecia mais quente agora, o ar saía rarefeito das minhas narinas e o suor se acumulava ao redor do meu rosto, debaixo dos braços, dos seios... eu era puro suor, mas nada daquilo atingia Rosé. Ela usava um vestido azul celeste abaixo dos joelhos e saltos, como se tivesse sido interrompida no meio de uma sessão de fotos. Ela olhou para trás, para averiguar se eu estava seguindo-a ou para que eu pensasse que ela precisava olhar para trás para saber se eu estava seguindo-a. Claro que eu a seguia, todo o meu extinto de sobrevivência deu pane. Eu não ouvia uma vozinha sequer implorando para que eu corresse.

Esse poderia ser o poder dela.

Rosé abriu a porta da cozinha, indicando para que eu entrasse primeiro.

Recuei alguns passos.

— Hmm, então, acho... acho que eu ouvi minhas amigas me chamando, foi bem baixinho, assim: "Ô Jisoo, vem cá"! — Sorri, forçado. — Você não ouviu?

— Na verdade, não. Eu achei que você quisesse conversar...

Olhei para trás, insegura. Eu queria conversar, mas agora parecia maluquice. Mesmo que Rosé não fosse uma vampira, ela era intimidante pra caralho.

— Você vem? — perguntou Rosé.

Olhei para a frente, mordendo os lábios.

— Okay, vamos conversar.

Passei por Rosé e entrei na casa.

(....)

A cozinha de Rosé era a cozinha que um vampiro teria. Nenhum dos eletrodomésticos cinza escuros pareciam ter sido usados e eu duvidava haver qualquer prato nas gavetas do armário. A bancada de mármore que cruzava a cozinha parecia ser de enfeite, somente um copo estava em cima, um copo de papel com tampa, talvez para não chamar tanta atenção. Rosé o afastou da borda e fechou a porta atrás de nós, me indicando um lugar para sentar.

— Desde que eu te vi mexendo no lixo, pensei que precisava de ajuda — disse ela, pesarosa. — Eu guardei algumas coisas para doação e...

Me sentei, sentindo todos os meus ossos estalando.

— Como assim "precisar de ajuda"? — perguntei, confusa.

Rosé arregalou os olhos, a expressão era tão inocente que eu esqueci o que estava fazendo ali. Apalpei o bolso de trás do meu jeans, sentindo meu celular lá, e me levantei. Estávamos bem próximas, se eu desse dois passos para frente ficaria cara a cara com Rosé. Ela era bem mais alta que eu, mais elegante também, e agora que sabia que eu saia por aí revirando seu lixo, me fazia parecer ainda mais maluca. Passei as mãos pelos cabelos, assentando os fios rebeldes.

— Eu achei as bolsas de sangue no seu lixo — disse, desafiante. — Eu sei o que você é.

Rosé arregalou os olhos.

— Leucêmica? — perguntou ela.

Fiz uma careta.

— O quê?

— As bolsas de sangue no lixo — respondeu Rosé, como se fosse óbvio. — Eu tenho leucemia.

O ar sumiu de vez dos meus pulmões, precisei sentar novamente, já que minhas pernas perderam a força.

— Então você não é uma vampira? — perguntei.

— Porque eu seria uma vampira? — retrucou Rosé, perplexa.

Olhei ao meu redor, para a cozinha reluzente. Se parar para pensar, ela poderia parecer intocável porque eles acabaram de se mudar, quanto a comida, bem, se eles colocarem o lixo orgânico para reciclagem, não vai estar misturado ao lixo comum, mas e... quanto às cortinas? A ausência de fotos no Sol?

— Eu pensei que você... sabe? — Fiz um rosnado, mostrando os caninos. — Porque nunca te vi no sol e... e tudo mais.

Falando em voz alta sobre isso com Rosé, eu percebi o quão idiota era.

Rosé segurou um riso, educada o bastante para não rir da minha cara e nem ligar para o hospício mais próximo. Suavemente, ela se encostou no balcão ao meu lado, e me olhou de esguia.

— Você é adorável, sabia?

Senti minhas bochechas quentes.

— Sou...?

— É sim — respondeu Rosé, sorrindo. — Essa foi a melhor cantada que eu já recebi.

Sorri, abobalhada, tampando as minhas bochechas com as mãos.

— Ah, se... se você diz.

Rosé sorriu mais largo.

— Por que você não salva o meu irmão das suas amigas e vamos assistir um filme? — sugeriu ela.

Todos os meus pensamentos sumiram da minha mente, deu tela preta.

— Você quer assistir um filme comigo? — perguntei, incrédula.

Rosé confirmou com a cabeça.

— Eu queria te chamar desde semana passada, quando te vi desejar boas vindas...

Eu agradeceria minha mãe pela ideia de recepcionar os novos vizinhos. O que começou com uma fofoca do bem terminou em um date.

— Pode ser Crepúsculo? — sugeri.

Rosé fingiu pensar.

— É, pode ser Crepúsculo.

Nós rimos, primeiro de tensão, depois por achar engraçado toda a situação. Normalmente, eu era bastante fantasiosa e, preciso admitir, uma partezinha de mim queria que fosse verdade, que Rosé fosse mesmo uma vampira e eu fosse uma versão de Bella Swan, enfrentando todos os problemas de ter um namorado super conservado de 100 anos de idade que pode me matar a qualquer momento. Rosé, como comprovação de que não era uma vampira, abriu os armários e me mostrou os biscoitos, a geladeira e os potes de comida. Me mostrou até o estoque de bolsas de sangue que o pai aplicava nela. Na saída, quando eu estava pronta para ser zoada por Jennie e Lisa até a minha morte, sem querer, passei pela bancada e esbarrei no copo.

Rosé estava na porta da cozinha, mas em um piscar, parou na minha frente, mas não rápido o bastante para impedir o copo de cair no chão.

O líquido escarlate respingou para todos os lados.

Um segundo que pareceu minutos se passou. Olhei para Rosé e a expressão dela a entregou.

Eu estava certa.

Park Rosé era uma vampira.

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Obrigada pelos 1k de seguidoreeees! Eu nunca esperei chegar tão longe no Wattpad, obrigada pelo apoio!
Espero que tenham gostado do pequeno presente e até mais ♥️

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