Lo incontrolable | 09
Estávamos muito perto das estrelas
Nunca conheci alguém como você, alguém
Caindo tão forte
Prefiro perder alguém do que usar alguém
Talvez seja uma bênção disfarçada (eu vendi minha alma por você)
Eu vejo o meu reflexo em seus olhos
─ The neighbourhood, Reflections
C a p í t u l o n o v e
"Lo incontrolable"
O controle tem faces, da mais genuína bondade até o pior do males.
As vezes, apenas escolher um lado pode ser fatal;
Talvez, só a simplória ação de fugir dos impulsos nervosos correndo por suas veias sanguíneas vorazes, seja a única justificativa para a sensação eloquente que viciava sua mente, uma espécie de transe, um desejo por mais destruição.
Adrenalina
Impulso
Domínio
Eram esses os lemas de Kim Taehyung em sua fatídica vida, contudo, por apenas uma maldita noite tudo quase desmoronou, como se o amargo sabor da derrota adentravasse em seu corpo e deixasse marcas por sua carne, perfurando com a obscuridade eufórica e roubando cada fôlego, matando lentamente suas chances de fugir.
Quem entrasse no Purple' bar conhecia o belo rapaz de fios tão escuros quanto uma noite sem estrelas no céu, com íris castanhas tão profundos que a correnteza da água se tornaria mortífera em apenas um único olhar seu, sempre trajando um jaqueta de couro e com seus inestimáveis anéis presos em lugares estratégicos para a derrota do inimigo. O andar confiante, a voz rouca melodiosa, a áurea sombria e um passado indefinido, todos os adjetivos se cruzavam quando nada mais se encaixava em definir Taehyung.
Tudo nele soava a enigma
Seus simples gestos eram como gatilhos para possíveis chances de se aproximar, alvo de olhares maliciosos ao mesmo tempo irritados com sua personalidade de poucas palavras, ninguém sabia defini-lo somente em linhas sem citar seus inúmeros mistérios. Era como se algo no jovem, tivesse a atração por mais, esperasse apenas uma única queda sua para descobrir quem era de verdade o garoto que gerava dúvidas sobre seu caráter duvidoso.
Entretanto, se fosse possível uma única palavra descrevesse seus pensamentos, Kim sentia a alegria momentânea, mas sabia que tudo àquilo era…tão falso.
Kim Taehyung sentia-se como uma farsa sobre si mesmo.
Conforme se encontrava, se perdia na mesma intensidade que seu reflexo mostrava seus restantes destroços, que imploravam para que a dor não chegasse mais uma vez.
Ele temia ser quebrado novamente
Não por alguém, mas apenas por sua própria predominância ao simplesmente sobreviver em fragmentos de tudo que já foi um dia.
Olhos opacos, aliados da escuridão, andar confiante que treinou por anos, que funcionava perfeitamente bem, o cigarro preso em seus lábios o colocavam em uma posição de poder, no qual foi adquirida apenas por seu comportamento reservado.
Taehyung era completamente entregue a uma situação que não o agradava em nada, todos o encaravam como um soberano sádico, talvez ele fosse, mas o incomodava em como recebia demasiada atenção.
Se perdeu e se reencontrou em uma linha tênue entre a frieza e a indiferença, onde nem os sentimentos alheios e os seus despertavam seu interesse.
Era impossível não ser consumido no poder
E com o passar dos tempos, o ingênuo garoto que acreditava em realizar seus sonhos, se tornou uma pessoa sombria, a representação de desistir de suas vontades e ostando-se ao vazio da tentação.
Kim era errado
Suas atitudes e ações para saciar sua vontade por adrenalina, o transformou em uma alma egoísta e viciado em sua própria degradação.
O garoto estava submerso, acorrentado em recomeços sem sentidos, em sempre ser deslocado de destino como não significasse nada. Era como nadar em um rio raso, sentir a aspereza das pedras machucando seus pés, ferindo sua pele enquanto a água não alcançava sua cintura, a ventania gélida deixava seu corpo vulnerável, os dedos trêmulos abraçando o corpo em uma tentativa de se aquecer, lutando contra sua consciência ao simplesmente não desistir de permanecer ali.
"Se afogue em seus próprios erros e morra sem esquecer a razão pela qual você está aqui, apenas para decepcionar as pessoas em sua volta."
Kim Taehyung gravava essas palavras como um mantra, um bloqueio que o impedia de aproveitar tudo, as sentenças eram como cicatrizes imersas em cada passo seu.
Passou as mãos pelos os fios de seu cabelo, nervoso com os acontecimentos de sua noite, ele quase perdia o controle, quase se entregaria ao estímulo de seus corpos juntos, da expressão degustada no rosto de Eleanor e seus lábios que clamavam para serem provados.
Se fosse qualquer outra pessoa, ele não se importaria tanto, o problema era que a bela jovem de cachos magníficos e olhos perdidos não estava ao seu alcance.
Eleanor era terrívelmente proibida para Kim.
Caminhou até o terraço do local, a procura por ar fresco para seus pulmões. A vista do alto da cidade era majestosa, o céu se fundia ao amanhecer, os fracos, mas iluminados raios de sol se manifestavam depois de um tempo na cidade de Madrid, a capital da Espanha era animada e elegante, repleta de lugares com belezas exóticas, as quase inexistentes estrelas no céu daquele despertar brilhavam de forma diferente de quando eram vistas de longe, próximas entre os diversos prédios no centro da cidade, o bar se localizava entre a calamidade do caos da indústria e perto das árvores, poucas mas incrivelmente grandes com poucas folhas.
Taehyung segurou o cigarro em sua mão, procurou em seu bolso até encontrar o isqueiro, aos poucos a sensação de segurança presenciou em seu sistema, em sua boca estava sua paz, o desastre mais fatal que ele teve a desgraça de conhecer.
E de repente tudo parecia tão impuro
O ambiente era calmo, o piso de cimento quadriculado, as grades de metais separavam a vista. Os grandes edifícios em luzes azuis e amarelas cintilavam conforme as nuvens moviam-se silenciosamente.
Purple' bar era o lugar dos mais depravados infortúnios, somente a luxúria e a obscenidade dominavam os seres presentes ali, o propósito era nítido, esquecer de seus problemas utilizado um ao outro para satisfazer seus segredos mais imundos.
Dividido em dois andares espaçosos, o primeiro era disponível para todos, o bom proveito da sensualidade e manipulação repercutia aos envolvidos, o luxuoso segundo andar, só podia ser acessado através de um elevador com um cartão passe, gravados com letras douradas sobre um papel roxo, tais usuários eram executivos, empresários e alguns políticos. Para ser designado para cima, as escolhas de funcionários era rígida e estritamente profissional, ao ser atribuído ao novo cargo um contrato de confiabilidade era assinado, nada do que acontecia no andar proibido podia ser falado, comentado ou sequer compartilhado.
─ Sabe que não pode ficar escondido para sempre, né?— o tom provocativo de Verônica soou despreocupado pelo ambiente, o cabelo loiro na altura dos ombros, os olhos azuis afiados encaravam o garoto encostando sobre a grade do terraço.
Os lábios carnudos estavam preenchidos por seu típico batom nude, usando um vestido preto de alcinhas acompanhado de sua jaqueta jeans rasgada, os saltos pretos com a caminhada segura, davam uma áurea de conquista e pretensão a cada passo confiante seu.
Verônica Martínez era inalcançável, alvo de inveja por partes da maioria das garotas, almejava sempre está no topo, sua família não era rica ou continha bens valiosos, por isso sempre possuir o fascínio dos outros era vantajoso, usava suas frustrações para seu benefício.
Era algo que aprendeu desde que era uma criança, o mundo era tão cruel e injusto com aqueles enfraquecidos, e não media esforços para destruir quem não possui dominação.
─ Sabe que as vezes é bom cuidar da própria vida, né?— Taehyung retrucou, batendo levemente a língua sobre a bochecha.
Um sorriso cínico foi formando no rosto de ambos.
─ Sua educação me comove.— cruzou os braços, se aproximando do rapaz, a fala ácida não passou despercebida.
Os olhares de Verônica e Kim se encontraram e o vácuo da melancólia torturou suas mentes.
Eles tinham apenas uma única coisa em comum: uma reputação que tentavam ao máximo construir.
Uma reputação inabalável
─ Problemas no paraíso, docinho?— seu rosto virou-se na mesma direção que o rapaz, ela sabia o que estava fazendo, irrita-lo era fácil e muito divertido, seu entretenimento era ver Taehyung a mandando ir ao inferno.
"Uma amizade peculiar eu diria"— pensou animada para provocar o amigo.
─ Quem acabou de terminar um relacionamento não foi eu, doçura.— com um sorrisinho pronunciou, o cigarro entre seus dedos sobressaiu junto a fumaça de seus lábios, a neblina densa os embalou em uma imensidade de corações vazios.
─ Nem me fale no puto do Manuel, o canalha ainda teve a coragem de dizer que me traiu porque não sabia se eu tinha sentimentos — a pele pálida foi preenchida pela vermelhidão da irritação crescendo em seu peito ─ Ele achou o que? Que eu sou um robô? Só porque não demonstro, não quer dizer que não sinto nada.
O resmungo frustrado da moça o fez rir, achando cômico a história da loira, Taehyung havia a alertado sobre os olhares indecentes do ex-namorado sobre as garotas do bar, mas a teimosia e o orgulho fizeram os amigos discutirem.
─ Eu avisei — a fumaça saiu vagamente de seus lábios, seus cotovelos encostaram-se sobre a grade de metal ─ Sabia que ele era um canalha.
Sua constatação fez a mulher revirar os olhos, Manuel era um bom parceiro — antes de traí-la, dono de um bom porte físico, cabelos castanhos claros lisos e olhos verdes, sua aparência a encantou e no final, ele foi sempre o que Verônica temia, um bastardo traidor.
Taehyung avaliou sua situação, seu modo de agir quase o fez perder o resquício de juízo que tinha, suspirou desconcertado enquanto sentia sua cabeça doer a medida que pensava na consequências.
─ Você está quieto demais — emitiu com as sobrancelhas franzidas, um ponto de interrogação era quase perceptível em sua face ─ Qual foi a merda de hoje? Brigou com alguém? Bateu no idiota do barman?
Verônica cruzou os braços curiosa, tentou desvendar o motivo da inquietude de Kim, todavia, nada podia ser feito, tentar compreendê-lo era como implorar por chuva em terras inférteis e almejar uma grande colheita.
─ Quase perdi o equilíbrio.— murmurou baixinho.
─ Com o que? Seja objetivo, Taehyung.— questionou expressiva.
─ Porra…eu quase beijei uma garota comprometida.— dizer aquilo era como uma fórmula suicida, um bloqueio crucial de volúpia e falsas sentenças.
A garota estava paralisada, o semblante supreso com tal afirmação. E, Taehyung sabia que era delirante em como a autodestruição era iminente, como uma espécie de aviso prévio sobre todas suas falhas.
─ Pura que pariu! — disse atordoada ─ Sempre soube que esse bar não prestava, mas não sabia que ele havia te contaminado.
O peso das palavras caíram sobre seus ombos, o cigarro fez seu trajeto até o chão, evitando distrações, as mãos geladas agarraram os fios ansiosamente, puxando até que seu couro cabeludo doesse.
─ Não aconteceu nada demais.— sua reposta fez com que ambos enxergarem a tensão que segurava suas respirações entrecortadas pelo clima ameno.
─ "Nada demais"— imitou a voz grave do garoto ─ Quem foi? Me diz, vai.— juntando as mãos, o encarou suplicante por respostas.
─ Não.— disse simplório.
─ Dá uma dica, vai! Foi uma mulher casada?— o choque em sua face era evidente.
─ Tecnicamente não, ela está noiva.
─ Só uma letra do nome — tentou precionar o rapaz em um tom incapaz de reagir.
─ Não.
─ A primeira letra do sobrenome, então.
─ Negativo.
─ Poxa, como você é chato, como ela era?
─ Chega desse assunto.— o timbre severo a intimidou.
Kim não tinha conhecimento de Eleanor quando a viu pela primeira vez na festa, contudo ao ser demitido pelo seu chefe rabugento, não imaginava que a garota que o seguiu era o motivo da celebração, precisamente seu noivado com outro homem.
Isso o deixou curioso
E louco para provocar a dócil Eleanor Davis.
─ O que faz aqui? Não devia está trabalhando?— ela mudou de assunto sabendo que arrancar uma fala do homem era praticamente impossível.
─ Tirando um tempo para pensar, e você?— ergueu sua cabeça encarando a visão glamorosa da específica região do luxo dos apartamentos.
Toda a sofisticação que o cercava naquele instante era tão repulsiva.
─ Sabe que amo seus shows— apoiando o rosto sobre a palma da mão, um sorriso depressivo expressou sua aflição ─ É bem melhor do que ficar com minha mãe drogada perguntando o tempo todo quando vou arrumar um emprego decente.
Verônica trabalhava como garçonete no Purple' bar, o salário era razoável e com seu temperamento explosivo conheceu Kim Taehyung, ambos tinham má índole e pouca importância sobre suas vidas, a conexão foi instantânea.
O garoto a olhou com compreensão, sabia dos problemas da amiga com a progenitora, principalmente por conta dos diversos esforços que a loira fazia para garantir o conforto para as duas, mesmo numa relação conturbada.
─ Conversou com seus pais? Recebeu um tiquinho de vergonha na cara e falou com eles?— voltando a interação provocativa, questionou.
Taehyung não ousou pronunciar sequer uma fala.
A dor preencheu seu corpo
As memórias de sua vida recorriam como ondas agressivas em marés tempestuosas.
Sentindo lamentoso
Quebrado e inteiramente consumindo por pedaços de uma debilidade danosa.
Assim que novamente seus olhares se cruzaram, as feridas em suas almas ficavam cada vez mais miseráveis e fracas ao fim.
A fatídica tragédia
No mundo, para ser temido é preciso ter súditos que invejam seu reinado, capazes de se sacrificar para entreter seu soberano, o jogo doentio entre a melhor autoridade comove a vulnerabilidade de impérios.
Kim Taehyung e Verônica tinham a fama como companheira, quanto mais falavam sobre eles, suas posição subiam, porque constantemente para viver é preciso possuir algo.
O poder era seu vestígio de vitória em meio a tantas derrotas sufocantes.
• • •
Na sobreposição das cores sobre desfoques intercalados em vibrantes tons de luminosidade, paisagens em uma divisão de valores se fundiam ao crepúsculo do início do dia.
Taehyung se movimentava como se quisesse deixar sua marca, coberto por luzes néons e gliter com um privilégio que parecia único, conduzir as pessoas ao delírio da vida entre o inferno e o céu.
Sua voz aos poucos adentrava pelas paredes e os gritos a procura de mais letras corrompidas pela instância soavam desesperados.
Seu corpo já lhe fornecia a exaustão, todavia ele continuava, não se permitindo descascar.
De alguma forma, tudo nele possuía essência, cor, cheiro e performace, como se pudesse olhar para além dele, além de sua imagem. A pulsação forte, os batimentos frenéticos, a liberdade incômoda, o vício desinibido, corrompido e o pesadelo desenfreado.
Uma vertente, uma sensação de euforia pungente, com altas doses de excitação e um sentimento de poder que extrapolava o senso comum.
Estava alterado, não sabia o porquê, mas desejava que aquele estado psicológico continuasse.
Consumindo cada resquício de raciocínio
E o que restava era apenas o fascínio
O doloroso foi induzido em um bem-estar físico e emocional exagerado, induzido pela nicotina mordaz.
O barulho das vozes sobressaindo uma as outras era como um triturar do submundo, uma canção violenta com uma sinfonia cruel.
Um sorriso maldoso foi posto nos lábios de Kim Taehyung.
O efeito lancinante da degradação
Kim era uma desordem, nebuloso, sujo, incompreensível e livre, aos que o colocavam em pedestal, criavam uma ideia errada do que ele era, numa comparação de problemas sem explicações, somente o belo rapaz sabia que era uma droga, a consciência de perceber que merecia está de joelhos, implorando por perdão, por manter seu lado pecador.
As partes que o compunha eram traumas
Medo de não ser o suficiente, receio de errar e decepcionar seus pais, medo de viver sendo guiado pela raiva, de não retornar a casa, tinha inúmeros casos em que sentia-se insuficiente, valia a pena tudo o que estava fazendo? Afastar as pessoas para que elas não se decepcionassem era tão importante assim?
Taehyung afastou esses pensamentos quando continuou seu show, ignorando a dor fulminante, as inseguranças perturbadoras.
Como sempre fazia, vivia em uma bolha de expectativas distantes demais, em pesadelos infinitos.
Talvez fosse seu destino, almas vazias não teriam chance de conhecer o paraíso.
✒
Continua?
Gostaram do capítulo?
Estam gostando da história? O que você sente ao ler Lost in your eyes?
O que acharam do Taehyung? Garoto misterioso ele.
Meus personagens são bem complexos e cheios de traumas, então esse capítulo foi bem difícil de criar dado que Kim é muito mais do que aparenta.
O cronograma deu errado pois fui para um lugar sem internet e não deu de postar o capítulo e nem revisar, mas teremos atualização de Lost in your eyes TODOS OS DOMINGOS.
❌ Aviso: A personalidade, as ações, atitudes e falas são todas fictícias, nada em LIYE tem pretensão de se relacionar com a realidade. Todos os personagens são criados por mim, da minha imaginação, o Taehyung é apenas o modelo, o rosto que compõe o personagem, ok?
Até domingo ❤
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