La oscuridad y la luz | 31
Talvez eu saiba, em algum lugar bem lá no fundo da minha alma
Que o amor nunca dura
E temos que achar outras maneiras de sobrevivermos sozinhos
Ou fingirmos que estamos de boa
E eu sempre vivi assim
Mantendo uma distância confortável
E até agora eu tinha jurado a mim mesma que estava satisfeita
Com a solidão
Porque nada disso nunca valeu o risco
Bem, você é a única exceção
Você é a única exceção
─ The Only Exception, Paramore
🎨
C a p í t u l o t r i n t a e u m
"La oscuridad y la luz"
Um abraço era o encontro de dois mundos em silêncio.
Um toque de luz na escuridão sombria.
O tempo pausou e o peso se dissolveu.
Eleanor não esperava mostrar aquele seu lado vulnerável dela, a máscara de menina feliz precisava permanecer, mas houve algo nele que a deixou relaxada, algo que quando os seus olhos avistaram a figura imponente de Kim, fez lágrimas presas descerem pelo seu rosto, braços apertarem o corpo masculino em uma espécie de salvação desconhecida.
Suas mãos tremiam, frágeis e geladas tateavam o acolhimento de Kim, o homem afastou por centímetros seus corpos a contragosto da mulher. Os dedos calejados seguravam sua face, Taehyung encarou a mais nova, a expressão do mais velho permanecia a mesma enquanto analisava a razão das lágrimas, as íris âmbar olharam com atenção cada traço de emoção da mulher.
─ O que houve, pequeno anjo?
Pela primeira vez Eleanor sentiu alguma emoção vinda de Kim Taehyung, era mais do que provocações ou frases incompletas que deixavam lacunas para a história que o compunha, era uma genuína preocupação.
Sua visão estava embaçando, os cílios trêmulos batiam para afastar as lágrimas, ela não tinha mais controle sobre as emoções que apertavam seu corpo, sua boca abriu três vezes mais nada saia, era como se o silêncio decidisse castigar seu comportamento.
Taehyung colocou uma mecha do seu cabelo para trás, fazendo uma leve carícia nos cachos, os dedos dele enxugaram os resquícios do choro, com uma precisão assustadora ele permanecia atento em cada traço, como se a qualquer instante algo fosse despertar um gatilho emocional.
Eleanor somente conseguia olhar para ele.
Focar nele.
Na figura que enxugava suas lágrimas, mas não ultrapassava os limites.
O peso doía, a realidade era dolorosa demais para suportar, contudo, quando Kim proporcionava conforto passageiro, ele desejou permanecer ali por mais tempo.
Ficar nos braços dele a fazia esquecer de tudo.
Ficar na presença de Kim era uma metáfora aberta sobre perdas e ganhos, um mar aberto de perguntas, mas a necessidade de estar em órbita dele era enigmática.
Eleanor recordou da mãe, dos dias em que ela estava em si, se a mulher falasse para Helena que estava tendo um caso, talvez ficasse chocada demais, mas a morena sabia que sua progenitora ficaria ao seu lado. A mulher gostava dos dias felizes, do desabrochar delicado de uma flor, ela gostava da paz, todavia, seu destino parecia contraditório.
Preferia o toque carinhoso do que aversão a sua figura.
Optava por conversas tranquilas do que a indiferença cruel da mãe.
Ele se segurava, mas até quando seria possível? Detestava demonstrar a vulnerabilidade, entretanto, quando aceitou ir ao encontro com ele sabia do efeito dele em seu organismo. Nada estava esperando pela postura tranquila e nebulosa de Taehyung, não esperava que somente o toque dele consolaria uma pequena parte do seu coração que doía.
Ele era errado.
E ela proibida.
─ Respire, Eleanor, e olhe nos meus olhos. ─ a voz era firme e segura, a morena não consegui desviar a atenção dele, apenas acenando com a cabeça.
Eleanor soltou de forma lenta o ar e o sugou novamente, o tempo todo esquecendo do mundo exterior e focando nele.
Kim era a queda de um império.
A epiderme do caos de sua existência.
Mas naquele instante, ele era a cura venenosa, a âncora instável.
─ Kim.
As íris castanhas levemente franzidas permaneciam como foco somente ela.
─ Muito bem, boa garota.
Eleanor não sabia como se sentia toda vez que ouvia ele falar aquilo, mas tinha a certeza que algo estava errado com ela, gostava demais daquelas palavras. O conforto que o rapaz proporcionava afastava seus pensamentos melancólicos, nos braços de Taehyung, não havia memórias distorcidas de um pai amoroso que agora mal a olhava nos olhos, não existia um fantasma na figura da mãe, que não conseguia aceitar a realidade que vivia e optava por ficar presa na própria mente, tudo simplesmente desaparecia, a cobrança excessiva, o noivado arranjado, entretanto, com as íris âmbar focadas nelas e a voz calma, em um sussurro suave. Habitava na sombria alma dele algo que a despertava, atraía para uma armadilha de emoções.
Eleanor juntou o ar dos pulmões e soltou de forma lenta, sentindo as mãos cálidas do rapaz em seu rosto, as lágrimas que antes pareciam insistentes, haviam interrompido o trajeto.
Ela precisava focar no agora.
No presente.
Estava com Kim Taehyung, em algum lugar onde seus pesadelos não poderiam persegui-la. Precisava estar vivendo o agora, não as distorcidas lembranças do passado.
Mesmo que todos parecessem ter seguido em frente e fosse a única a permanecer para trás. Continuava sentindo a mesma dor, o mesmo sentimento patético da culpa. Era apenas ela que permanecia imersa em algo que nunca mais voltaria, uma relação manchada pela ganância, miséria e autodestruição.
─ Você está aqui. ─ a voz trêmula saiu como se fosse uma afirmação.
Taehyung assentiu, limpando sua bochecha enquanto se afastava da mulher.
─ Por que estava chorando? ─ perguntou, parecendo preocupado, a garota encarou o chão, tentando esconder os vestígios da tristeza.
Eleanor não poderia ser fraca.
Ser fraca era o que acabava com ela todas as vezes.
Os dedos calejados de Kim tocaram seu queixo, erguendo sua cabeça até que seus olhos estivessem juntos.
─ O que houve, Eleanor?
Conte para ele.
Conte a ele que você está cansada de tudo.
Conte a ele que você é fraca.
A voz continuava sentenciando sua mente, perturbando seus pensamentos. A mulher observou a face de Kim, recordando dos detalhes insignificantes como os lábios macios e a textura sedosa, da pele marcada por algumas tatuagens que a mente recordava das frases jogadas no ar, ele disse que suas tatuagens possuíam histórias que a mais nova ficaria perturbada, contou que se a morena soubesse das razões das marcas em sua pele, ela se afastaria. Taehyung poderia entender sua dor, ele poderia ser o alicerce no mundo de sonhos destruídos, havia algo nele que refutava a razão, conectando seus íntimos na angústia delirante.
Olhando no castanho escuro, quase nublado, já imaginava as cores que poderia usar para conseguir alcançar o tom exato. Todavia, aquele olhar poderia desmontar suas contradições, as sobrancelhas franzidas mostravam a genuína preocupação dele com ela. Engoliu em seco, desviando sua atenção para o atrás dele, não precisava mostrar sua vulnerabilidade, pois logo aquele acordo chegaria ao fim.
─ Não é nada. ─ desconversou, abriu um sorriso falso ─ Podemos ir? Temos pouco tempo.
Ele enviou as mãos nos bolsos da calça jeans com alguns rasgos.
─ Pode se esconder o quanto quiser, pequeno anjo, mas farei questão de descobrir todos os seus segredos.
A mulher arfou, o ar supriu seus pulmões quando encarou a seriedade expressa no rosto de Kim, os olhos escuros pareciam determinados e implacáveis. O jeito como ele agiu, lento e cauteloso, fornecia a sensação de uma segurança imensurável, como se quisesse segurá-la além do tempo estipulado por ambos.
Aquilo a deixou surpresa, Taehyung era intenso em proporções que ela não poderia suportar, até sua passageira preocupação era capaz de fazer agir de forma impulsiva.
─ Se quer realmente descobrir algo, me tire daqui primeiro, Kim.
Eleanor tentou se recompor, impor alguma distância do corpo acolhedor e poderoso. Contudo, assim que deu três passos para trás, a mão firme do homem agarrou seu pulso, um aperto possessivo e dominante.
A garota franziu as sobrancelhas em confusão, mas o mais não parecia se importar em responder seu questionamento. Com a outra mão livre, ele segurou seu queixo, não deixando escolha para a mulher, a não ser, enfrentar as esferas penetrantes.
─ Não pense que irei esquecer disso, pequeno anjo, você vai me contar a razão de estar chorando antes de nos encontramos. ─ o tom era calmo, mas sombrio, como se pensar na possibilidade da garota machucada mexesse com seu temperamento, isso a confundiu, eles eram apenas um acordo com benefícios, então o que havia com o comportamento protetor dele?
─ Nosso acordo não envolve nossa vida privada. ─ Respondeu na defensiva, enxugando o rosto manchado pelas lágrimas.
Taehyung olhou sua face atento, os lábios se separaram em contradição e o brilho desafiador em seus olhos parecia quase hipnótico, os dedos cálidos fizeram uma carícia sutil na bochecha molhada, o toque suave contrariando completamente o modo como o homem a olhava, como se desnudasse a alma e soubesse todos os seus segredos.
─ É o que veremos, Eleanor
• • •
No carro de Taehyung, sentindo a brisa acariciar sua pele pelas janelas abertas, o sol da tarde acalentando o ambiente e mão dele sobre sua coxa esquerda enquanto a outra comandava o volante era a sensação de que aquilo era comum para eles, quase como uma rotina, e somente esse pensamento fez Eleanor corar. A estrada era familiar, um corredor de memórias, cada curva afastada da cidade indo em direção ao mesmo caminho da primeira vez que escutaram músicas enquanto o silêncio da noite cobriu seus segredos, as lembranças chegavam a cada sinal parado, distante da paisagem arquitetônica da cidade.
Uma melodia nostálgica tocava no rádio, uma música de rock, vibrante e cujo o refrão pegava todo ar do vocalista principal, a cabeça de Taehyung se movia conforme a música, como se o carro, a melodia e ele fossem um conjunto completo, uma extensão de sua personalidade mesclada na tensão senil da obscuridade da sua mente.
Sentiu o olhar inquietante dele sobre sua vergonha e soube pelo aperto forte em sua coxa, as malditas borboletas em seu estômago pareciam loucas.
─ No banco passageiro tem algumas sacolas com lanches, pegue e coma.
A atenção da garota virou-se novamente para o homem, em questionamento.
─ Continua pálida, coma.
Eleanor mordiscou o lábio inferior.
─ Está preocupado comigo?
Instantemente desviou seu olhar para a sacola deixada no banco de trás, reparando somente agora no cheiro fresco de pão quente que alegrou seu estômago, era uma mistura irresistível de conforto e calor, um aroma suave amanteigado e fermentado, não havia comido muito, as preocupações nublavam o apetite.
Enfrentou seu embaraço ao sustentar olhar para o mais velho, a figura masculina permanecia focada na estrada enquanto a pergunta dela prevalecia no ar.
Agarrou a sacola quentinha de pão e o cheiro delicioso fez seu estômago roncar, a massa folheada com cobertura de açúcar fino preencheu sua boca, não sabia estar com tanta fome ao notar que queria mais.
A mulher comeu mais pedaços, sentindo um sorriso cobrir seus lábios pelo cuidado de Kim com a refeição doce, um pouco de açúcar alegrava qualquer tristeza, pensou divertida. Calmamente, os dedos que seguravam sua coxa deslocaram-se para a boca manchada da morena pelo açúcar.
A garota deu um pequeno salto do banco pelo susto do contado repentino e notou a risada baixa de Taehyung pela interação.
Permaneceu surpresa enquanto o assistia limpar a sujeira que ela mesma havia feito, após terminar, como se não tivesse tido o bastante dela, o homem lambeu os dedos com farelos que antes estavam na boca dela, um sorriso provocador tomou conta de Kim ao notar a atenção incansável da morena sobre ele.
─ Sim, estou preocupado. ─ disse de repente, deixando-a sem palavras para responder mais nada.
O sol iluminava a estrada que serpenteava entre árvores imensas, com o desaparecer da modernidade e surgimento da paisagem natural.
─ Posso saber do que está fugindo hoje?
Ele voltou a insistir, deixando claro que não esqueceria facilmente da promessa, Eleanor se mexeu desconfortável, desviando o olhar para a janela, o medo não era por guardar segredo, não, era mais complexo que isso, porque a mulher tinha a certeza que quando avistasse novamente o mesmo olhar preocupado com ela, contaria o que estava a afligindo, contaria dos pequenos até os mais escondidos anseios, medos e inseguranças.
Kim tinha esse poder sobre ela, de convencê-la que sua fragilidade não seria julgada, que sua singela fixação por ele era normal, quando ambos sabiam que não era, a atração era doentia e necessitada demais.
─ Estou fugindo da minha família.
O silêncio prevaleceu por dez segundos torturantes que a mais nova calculou mentalmente.
─ Eu entendo, não se preocupe.
A morena engoliu em seco quando notou que aquela era mais uma das palavras curtas de Taehyung sobre algo do seu passado, algo que ele nunca estaria disposto a revelar.
Após no que se pareceram horas intermináveis, com mais precisão, quase uma hora depois até chegarem ao destino conhecido, o carro estacionou sobre um piso íngreme e o motor parou, Kim abriu gentilmente a porta do Mustang para ela, a morena estava controlando-se para não cantarolar de felicidade ao reencontrar a paisagem absolutamente linda, onde ao invés do iluminar pelo luar, estava sendo agraciado pelos raios solares, a mistura do alaranjado e amarelo-queimado do céu com o verde-escuro das folhas das árvores eram o cenário perfeito dos seus quadros.
A estrada estava vazia, linhas retas amarelas no centro do asfalto, árvores praticamente próximas umas das outras, o automóvel encostado na lateral do piso, perto de alguma placa sinalizando um ponto qualquer.
Entusiasmada pela vista, Eleanor se distanciou do homem, caminhando pelas folhas secas e terra úmida, levantou seus braços para o alto para sentir a ventania bater em seu rosto, a brisa era libertadora em uma felicidade febril, seus olhos se fecharam para receber as ações belas e simplórias da natureza, o vento bagunçou seus cachos, erguendo a barra do seu vestido fazendo-a sair do momento pacífico para impedir que o tecido subisse demais.
Ouviu a risada rouca de Kim atrás dela, achando graça do seu momento vergonhoso. Virou-se para poder encará-lo, mas nada a preparara para a visão encantadora.
Se Eleanor achava que conhecia o lado sombrio e misterioso de Kim, nada a preparou para o sorriso involuntário e o brilho de felicidade passageira que apareceu nas íris âmbar, os fios castanhos escuros cobriam o início da testa, quase alcançando os olhos.
Era único.
Especial.
E Eleanor quis manter aquele momento somente para ela, guarda na mente aquele momento para que quando pudesse, ousasse revivê-lo na hora que quisesse, a faceta descontraída de Kim era sua recompensa, os batimentos frenéticos e a falta de ar nos pulmões poderiam exemplificar isso.
─ A vista aqui é linda, não acha, Taehyung?
Quando seus olhos se encontram, a visão de uma pintura e a partitura de uma música se entrelaçaram, ambos sabiam que as próximas palavras não era a respeito do ambiente externo, talvez a representação dos sentimentos conflitantes.
─ Com certeza, pequeno anjo.
Eleanor caminhou até ele, sentindo o coração batendo dolorosamente, explodindo em uma euforia crua e inédita. Seus pés fazem o caminho até Kim, como se aquele fosse o único atalho que seu cérebro reconhecia.
Com o corpo masculino encostado na lateral do carro, a garota o abraçou, segurando firmemente quando os braços dele rodearam sua cintura.
Sua cabeça descansou perto do ombro do homem, próximo o suficiente para sentir a tensão emitida por Taehyung.
─ Meus pais se casaram por conveniência, sabe, uma fusão entre empresas para gerar mais lucro e continuar o legado. ─ disse erguendo a cabeça para que pudesse encarar Taehyung e ver sua reação a história que contava. ─ Eles não se amam, meu pai a enxerga como um troféu enquanto minha mãe ficou presa no passado, ambos estão condenados nesse casamento para manter as aparências.
A garota repousou a cabeça no peito do homem, sentindo seu coração bater com firmeza enquanto o aperto em torno dela aumentava.
─ Eu sempre acreditei que se me comportasse, se ouvisse as ordens do meu pai ou escondesse as minhas inseguranças da minha mãe, poderia ser uma boa filha, mas às vezes, desejo ter nascido em outra família, onde sentisse que pudesse viver sem o peso de decepcionar meus pais, às vezes eu não consigo sequer respirar.
Lágrimas voltaram a brotar em seus olhos, um peso vazio saindo ao desabafar com Kim, ainda que escondesse o pavor pela violência e a figura autoritária do pai, contar fragmentos da garota quebrada que era, tornava-se um alívio.
─ Tenho medo de errar, de não ser o suficiente, principalmente de repetir a mesma história dos meus pais, de acordar no futuro e perceber que me tornei um reflexo da minha mãe, isso é tão assustador.
Taehyung não falava nada, sequer julgava ou interrompia seu monólogo e ela estava grata por isso, a presença silenciosa e poderosa dele era suficiente para transmitir conforto.
─ Eu tenho sonhos, não de um casamento arranjado, mas, sim, de cursar artes e expandir meu conhecimento, aprimorar minhas técnicas, porém, toda vez que tento seguir com isso, meu pai diz que é inútil.
A primeira reação do homem após seu desabafo foi segurar com mais firmeza o corpo trêmulo da morena. Eleanor procurou apoio ao esconder o rosto na curva do pescoço dele, sentindo o aroma de hortelã junto ao tabaco preencher suas narinas, o garoto não se preocupou com o choro nada silencioso ou que as lágrimas deixariam sua camisa preta molhada.
Taehyung apenas esperou que a mulher encontrasse conforto em seus braços.
Ele aguardou o tempo que foi necessário para que conhecesse a realidade por trás da máscara de boa garota que Eleanor escondia, ela era quebrada, tão destruída quanto ele, isso não deveria ser algo positivo, entretanto, Kim não conseguiu conter a compreensão e obsessão incessante que o dominou.
─ Minha avó costumava dizer que sonhos nunca falecem, não importava o quão distorcido o caminho ficasse, se seu destino fosse seguir aquele determinado sonho, nada poderia mudá-lo, nem interferências externas, porque era algo que somente nós podemos decidir seguir em frente ou desistir.
Eleanor levantou o pescoço, prestando atenção na feição melancólica de Kim.
─ A música é a sua grande paixão? Sua avó que te incentivou? ─ questionou enquanto ele soltou um suspiro, acompanhado de um sorriso triste, que sua atenção foi voltada na paisagem a frente.
─ Minha avó apoiava tudo o que eu fizesse, contanto que seguisse um caminho diferente dos meus pais. ─ as palavras de Kim eram dolorosas. ─ Acho que o mesmo significado que a pintura tem para você, a música tem para mim ─ os olhos vagaram pela paisagem, profundos e vazios na mesma proporção ─ É a minha vida, o alicerce que me mantém vivo e sendo sincero, não acho que sobrevivia sem ela.
Kim sorriu, mas um sorriso triste.
A garota queria fazer mais perguntas, sobre o passado dele, sobre os pais que ele falava com tanto pensar, todavia, compreendia que tanto ela quanto o homem estavam ultrapassando as barreiras do acordo ao se apegarem mais do que o esperado.
─ Como era o seu lar?
Kim olhou para ela, fixamente para seus olhos, ora um tom âmbar claro, ora um esverdeado profundo.
─ Até os meus onze anos era como um lar deveria ser, acolhedor e repleto de brincadeiras que apenas a mente ingênua de uma criança poderia acreditar.
Uma sombra atravessou o olhar de Kim, uma tristeza antiga que se entrelaçava com o vento carregado, um aperto no peito de Eleanor reconheceu a dor de uma perda imensurável que o garoto havia sofrido.
─ E depois?
Taehyung ficou calado por um tempo, como se assimilasse o significado das próximas palavras que sairiam de sua boca.
─ Depois conheci o real significado de inferno, Eleanor.
A rigidez da postura do corpo do mais velho foi sentida pela garota e ela soube que aquele era o limite, que Kim não diria mais nada, a mulher se desvencilhou por centímetros, perto o suficiente para saber que a mente dele estava no passado, imersa em cicatrizes nunca curadas.
Da mesma forma como ele havia feito mais cedo como consolo, suas mãos deslizaram para agarrar a face do homem, que estremeceu pelo toque. Kim fechou os olhos, de modo que a carícia delicada em sua pele fosse forte o suficiente para desarmá-lo, a morena sentiu o estômago revirar ao imaginar quantas coisas mais ele escondia, a dor que os consumia era a mesma que estava unindo suas almas.
─ Foram os seus pais os responsáveis pelo seu inferno?
Sabia que estava indo longe demais, ultrapassando a linha tênue que havia criado, contudo, sua intuição a dizia que as rachaduras de Kim podiam complementar seus fragmentos.
─ Poderia dizer que eles foram o começo dele, principalmente minha mãe.
Taehyung continuou com os olhos fechados, recusando-se a admitir que também havia passado a zona segura, contou mais do que poderia, mas por que ao invés de sentir remorso pelo dito, parecia que uma luz adentrou pelas suas sombras?
Verônica tentou diversas vezes fazê-lo falar sobre seu passado na Coreia ou sobre a estrutura familiar desestruturada que possuía, porém, nunca havia conseguido pronunciar mais que algumas palavras. Com ela diferiu, a garota de olhar sonhador e quebrado ao mesmo tempo, parecia ter mais que sua atenção e fascínio, era uma obsessão incessante por mais dela, que intencionalmente, parte dele misturava com a paz que sentia com a presença feminina, Taehyung nunca sentiu que havia pertencido a algum lugar depois da morte da avó, entretanto, no íntimo da nicotina dispersa, na madrugada silenciosa e no vazio endurecedor, uma parte sua pertencia a ela, talvez a mais destruída, ou a escondida pelo vício na adrenalina, mas, com ela, tudo era real.
─ Meu pai foi o começo do meu também, Kim, então não se sinta vitorioso por ter uma péssima relação familiar.-murmurou traçando os dedos macios pelo maxilar do garoto, ao escutá-la, ele riu achando cômico como ela havia tentado aliviar o assunto.
─ Problemas com o papai, hein?
Bradou sarcástico e a mulher bufou.
─ Você sabe como quebrar um clima pacífico.
Eleanor resmungou, sentindo o peito de Taehyung vibrar com sua risada.
Por mais que soubesse que havia trazido a mente do homem para o presente, não conseguiu evitar absorver as mínimas declarações sobre a família de Kim, a maneira como seus olhos sempre pareciam vazios, como se sua essência estivesse se dissipando, a alarmou. Ela queria mais desse Kim feliz, mais dos beijos dele e o toque suave em suas bochechas, contudo, também queria saber mais do homem sombrio que parecia carregar traumas e fardos pesados demais para um só pessoa.
Lembrou-se da visita ao apartamento dele e como o rapaz disse sobre suas tatuagens, marcas que ele nunca poderiam apagar, mas que, de alguma forma, os desenhos em sua pele cobriam.
Queria ter o mesmo poder que ele teve para acalmá-la, desejava ser uma companheira com que ele pudesse desabafar, assim como estava sendo sua situação.
─ Sei o que está pensando, pequeno anjo, mas já passou.
O rapaz a puxou com cuidado, mudando de posição, inclinando em direção à morena, com o corpo levemente curvado, os braços envolvidos em um abraço caloroso, ele pressionou delicadamente sua cabeça na curva do pescoço dela, em um gesto íntimo e protetor, o rosto dele estava parcialmente escondido contra a pele dela com aromas de flores, transmitindo uma sensação de conforto e vulnerabilidade. A mulher, por sua vez, o acolheu com um semblante sereno, inclinando a cabeça levemente para o lado, como se quisesse amplificar o contato.
─ Você é enigma, Kim Taehyung.
Eleanor sorriu, satisfeita pela proximidade.
Sobre uma estrada vazia, com apenas a presença dos dois, o vento fresco e o iluminar caloroso do sol, o tempo fora generoso, enquanto a mente de ambos eram preenchidas por memórias preciosas e dolorosas, a mesma proporção do equilíbrio anormal que possuíam.
• • •
─ O que acha de observar o céu enquanto come mais dos pães recheados de açúcar?
Kim foi o primeiro a quebrar a bolha de segurança momentânea.
─ Eu acho que é uma ideia perfeita.
Eleanor seguiu sua ação, haviam se envolvido demais em suas declarações, não havia como retroceder, a relação que havia começado por uma tensão sexual eletrizante havia evoluído para uma aventura sem precedentes e com suas emoções em conflito.
O mais velho se distanciou, abrindo a porta do carro para ligar o rádio e pegar a sacola com os pãezinhos. Observou as costas largas, a blusa preta de manga curta realçando seu corpo, a tatuagem em seu antebraço chamava atenção, o desenho de uma rosa machucada, perfurada por duas mãos a segurando, os espinhos ao redor.
─ Um momento como esse exige trilha sonora.
Eleanor não ousou dizer nada, lembrava da última vez que havia escutado "Eleanor Rigby", e a música havia permanecido em sua mente por dias, principalmente porque o rapaz havia apresentado uma face dele que somente ela enxergou.
─ Essa é mais recente, é de uma banda norte-americana, Cigarettes After Sex, você conhece?
A garota negou.
De repente, uma melodia melancólica e calma, era perfeita para viajar no sentimento de saudades.
─ Qual é o nome?
Taehyung a olhou contente pela sua pergunta.
─ Se chama Apocalypse.
Got the music in you, baby, tell me why
(Tem a música em você, amor, me diga o porquê)
Got the music in you, baby, tell me why
(Tem a música em você, amor, me diga o porquê)
You've been locked in here forever
(Você foi trancada aqui para sempre)
And you just can't say goodbye
(E simplesmente não consegue dizer adeus)
O homem agarrou sua mão e a levou até a parte frontal do carro, convidando-a para sentar no capô do automóvel. O céu acima deles era tingido de tons alaranjados e rosados pelo pôr do sol, enquanto uma brisa suave balançava as folhas das árvores ao redor.
A garota segurou a sacola de doces e ofereceu um pedaço para o homem, ele negou em um balançar simples, com um sorriso despreocupado, ela mastigou um pedaço do chocolate presente no recheio, enquanto o som de uma música leve e nostálgica saia do rádio do carro, criando um ambiente acolhedor.
Entre risos e olhares tranquilos, a música embalava a atmosfera de cumplicidade e paz.
─ Aqui é uma vista perfeita para um quadro, não acha?
Kim inclinou a cabeça, refletindo, seus olhos brilhantes e profundos, com pensamentos que pareciam ocultar até a sombra das árvores.
─ Graças a você, vou conseguir lembrar cada detalhe desse dia para alguma futura inspiração.
Eleanor sentiu o rubor tomar conta das suas bochechas com sua fala, todavia, era a mais pura verdade, se não fosse por Taehyung aquele seria apenas mais um dia cinza.
Seus olhos foram atraídos para o mais velho, a luz alcançava o lado sublime do rosto, destacando o maxilar marcado, os lábios macios e as íris que estavam iluminadas pelos raios solares.
─ Obrigada, Kim.
Taehyung franziu a testa, confuso.
─ Pelo doce e por ter me salvado de um dia sombrio.
Desviou seu foco para a paisagem, arrependendo-se por falar demais novamente.
─ Se quer realmente me agradecer, mostre uma pintura sua.
Ambos se olharam em silêncio por um momento, envoltos na serenidade do momento. Tudo estava indo bem, mas ao declarar seu desejo, ele não fazia ideia do medo que percorreu o corpo da mais nova.
E se ele a achasse esquisita demais por desenhá-lo?
Eleanor não desenhava pessoas constantemente, preferia paisagens naturais ou figuras unidas, mas, nunca um rosto claro e visível que realmente existisse.
Sentindo o coração quase sair pela boca, ela levantou-se inquieta, surpreendendo o homem.
Ouviu o barulho atrás dela e soube que ele também havia descido, para poder segui-la.
─ Está tudo bem?, eu disse algo errado?
A morena ignorou sua pergunta, ainda de costas para ele, abriu a porta do carro e procurou por sua bolsa, tirando o papel dobrado com cuidado.
Ela estava mesmo fazendo aquilo?
─ Abra.
Virou-se tão abruptamente que não notou a proximidade que o homem a alcançou, sua testa bateu no peitoral dele enquanto o papel quase escorregou dos seus dedos, suor acumulava em suas mãos pelo nervosismo, assistindo Kim pegar o seu desenho com uma expressão em dúvida do conteúdo.
Eleanor quis fugir, correr e se esconder entre a floresta do local, tudo para não poder olhar para a reação de Taehyung. O barulho suave do desdobrar do papel a fez entrar em um transe.
Diga algo.
Pelo amor, só diga algo, Kim.
─ É lindo.
Seu rosto virou com a quebra do silêncio.
─ O quê?
Ela não poderia acreditar, talvez o garoto estivesse com pena dela ou não quisesse magoar seus sentimentos.
─ Não precisa dizer isso só para não me magoar, juro que eu aguento críticas, na verdade, sou ótima em lidar com elas, Alejandro diz que não, mas...
Seu balbuciar foi interrompido quando Taehyung segurou seu queixo com firmeza, direcionando seu olhar para ele.
─ Não estava brincando quando disse aquilo e não estou brincando agora, mi angel, está perfeito.
Na paleta de cores que a mulher usava para compor seus quadros, o azul-escuro junto ao preto, com respingos do branco e prevalência do cinza, a composição de Taehyung eram definidas, mas, o marrom vibrante era inovador, o exato tom do olhar admirado que ele lançava para o desenho mexeu com seu interior.
Ele era seu caos perfeito.
A obra-prima imperfeita que a complementava.
Kim mexeu em sua calça a procura de alguma coisa e quando achou fez questão de mostrar cada detalhe à mulher. Dobrando o papel cuidadosamente, ele o colocou dentro de sua carteira em uma expressão orgulhosa.
─ Sabe o que isso significa, ángel?
Atordoada com a ação, a garota piscou os olhos sem entender o ato.
Taehyung pareceu achar graça de sua confusão.
─ Que onde quer que eu esteja sempre levarei esse desenho comigo.
─ E por que você faria isso?
─ Por você, é uma lembrança do seu talento guardada sempre comigo. ─ sua voz era séria, ela não sabia o que significava, mas a determinação com que ele falou a deixou paralisada.
Naquele instante, algo nela, tão corajoso e impulsivo, sentiu a fagulha do orgulho preencher seu cérebro, em um ato sem pensar, ergueu os pés e beijou a bochecha do mais velho.
Santiago dizia que seu talento não valia a pena.
Mas Taehyung levava consigo na carteira o desenho que ela havia feito dele porque aquilo era a prova do seu talento, por ela o homem de andar confiante e áurea nebulosa guardava uma parte deles com ele.
Seu coração disparou. Antes que ela pudesse responder, ele virou seus corpos para que encostasse na lateral do carro.
O sorriso dele era provocador, sabendo que provavelmente ela estava envergonhada pela ação, seus olhos entregavam diversão.
─ Por que essa vergonha toda? ─ soou sair sarcástico ─ Foi você quem me beijou.
A morena abriu rapidamente a boca para negar a acusação.
─ Eu não te beijei, apenas agradeci o elogio.
Um sorriso de canto lento surgiu nos lábios dele.
─ Então eu também devo retribuir seu gesto, não acha?
A garota não conseguiu responder, as palavras pairaram no ar conforme o olhar dele descia em direção a sua boca, demorando ali no que pareciam segundos intermináveis. Estava presa entre o automóvel e o corpo musculoso do homem, nada afastava a tensão que sentia por ele, os beijos sempre consumidores do seu fôlego eram viciosos, as mordidas e os grunhidos eram marcas eloquentes do desejo que sentia.
Então ele a beijou.
Taehyung não foi suave ou gentil, foi bruto, uma mistura de fome e urgência, os lábios dele capturaram os seus famintos, a língua dele entrou em sua boca com a necessidade de dominar. Ele segurou sua nuca para controlar o beijo e impedir que ela fugisse, Kim queria a rendição dela, sua submissão voluntária, o gemido foi contido conforme ele a devorava com os lábios, era cruel e impiedoso.
O aperto possessivo era como se ele quisesse marcá-la, que ela não escapasse dessa atração perigosa e letal.
O beijo era intenso e profundo, a sensação da língua dele contra a dela, a fazia perder o fôlego, esquecendo do ar dos seus pulmões. Kim a fazia esquecer de tudo, ele a dominava, ela a tinha cativa dos toques dele.
Sempre queria mais.
Era um vício corrosivo.
Seus dedos se enterraram no cabelo dele, bagunçando os fios rebeldes, ansiando por mais, cada toque, cada respiração engolida pelos lábios de Kim. Uma chama que se recusava a ser apagar, a cada olhar, a cada desejo iminente.
O tempo passava rápido demais quando estava com ele, o entardecer estava próximo, o relógio quase parava naquele instante, não existia o mundo de fora, apenas eles.
─ Acho que deu nossa hora. ─ respirou fundo, se afastando dele, sabia que se ficasse perto, esqueceria de tudo.
Taehyung assentiu, contrariado.
A morena ajeitou-se conforme estabelecia uma distância segura, o olhar para o céu mostrava que seu tempo estava contado.
Observou quando o homem tirou um pequeno isqueiro do bolso e acendeu um cigarro, fazendo um movimento de concha com as mãos para que o vento não apagasse.
─ Quando fizer um desenho desse lugar, você pode me dá?
─ O que te faz pensar que vou fazer... e principalmente dar para você? ─ brincou, fingindo pensar.
─ Talvez porque sou seu fã e modelo também.
A garota piscou diversas vezes, mordendo o interior da bochecha, já sabendo do enrubescer em seu rosto.
─ Ei!
Kim continuou tragando seu cigarro, a fitando com diversão.
─ Se quer tanto esse desenho, pode tê-lo, com uma condição...
Taehyung a fitou curioso.
Eleanor não segurou a risada contagiante conforme se afastava do rapaz e corria em direção à terra úmida.
─ Venha e me pegue.
Ficou de costas para ele, aproveitando como as sombras alcançavam as plantas, deixando o frescor da terra e vegetação fértil. Sabia que seus sapatos ficaram sujos e partes do vestido manchado por farelos do pão, seu cabelo provavelmente seria uma luta para arrumar os cachos rebeldes, todavia, se sentia feliz com tudo aquilo, que nada mais importava.
Taehyung pisou sobre o cigarro apagado e caminhou em sua direção, e antes que ela pudesse reagir, os passos dele a alcançaram. Eleanor abriu a boca de surpresa, rindo enquanto Kim a abraçava por trás, sentia seus cachos espalhados no vento e na face do homem, isso a fez rir ainda mais.
─ Isso não é justo! ─ reclamou ainda rindo, tentando se desvencilhar dos braços dele.
─ Um acordo é um acordo, pequeno anjo.
A mulher não precisou olhar para ele para que soubesse que ambos estavam felizes, leves e divertidos. Apesar da brincadeira, Taehyung não se afastou ou os chamou de volta a realidade, ele continuou com o abraço, colocando seu queixo sobre a cabeça dela, como se ela fosse sua droga, o rapaz aspirou seu cheiro como um dependente, como se aquilo o acalmasse.
Imersos na bolha de segurança que ambos fizeram, a morena não queria voltar para a cidade, desejava permanecer no mundinho silencioso e simples que criaram.
O balançar das árvores altas com os ruídos dos grilos mesclavam com o som dos batimentos de Taehyung. Selvagens. Incontroláveis. Fervorosos.
─ Acho melhor pararmos por aqui. ─ a ausência de calor que sentiu quando ele se afastou já a preocupava, segurou o anseio de pedir para ficarem mais alguns minutos, mas optou por um aceno em concordância.
Era a hora de voltar para o mundo real.
Em um movimento delicado, o moreno segurou suas mãos e a levou de volta, a sacola de doces foi guardada no banco de trás e a faixa de músicas trocada por outra.
No caminho de volta, os dedos deles deslizavam por sua coxa em desenhos abstratos, diferentemente da ida, o som que acompanhava o caminho era Kim apresentando novas músicas, relatando curiosidades inusitadas sobre alguns cantores que de alguma forma, fizeram Eleanor ficar entretida pelo restante da viagem.
A garota, de modo automático, pensou se Kim fosse como as tatuagens na pele, marcantes, singular e nefastas.
Seus olhos não abandonaram o homem de vista em momento algum, contou com entusiasmo às vezes que um sorriso preencheu os lábios ou quantas vezes se pegou gargalhando das novidades esquisitas que ele trazia.
Quando o cenário urbano se tornou o ponto final daquela tarde, ela só queria mudar de ideia e continuar ao lado dele.
Avistou o mesmo beco que saíram e tinha a noção que quando saísse voltaria para a gaiola dourada, o medo, a insegurança e a dor voltariam a atormentar. Com Kim Taehyung, a liberdade pareceu ter sabor, cheiro e visão, revelando os sentidos espontâneos.
Contudo, tudo se dissolveu quando pensou em retornar para os portões imponentes da mansão Davis.
Santiago.
Sua mãe.
Seus irmãos.
E Lorenzo.
─ Esse ainda é nosso primeiro encontro, então não pense em fugir.
A sensação de sufocante sumiu quando a voz rouca dele a alcançou.
Eleanor queria ter mais um gosto daquele sentimento, seja da paixão desenfreada ou da impulsividade desastrosa.
Ela destravou o cinto de segurança assim que o carro estacionou, em uma olhada de soslaio para a rua, mirou o pouco movimento, seu corpo impulsionou para frente quando pulou para o colo de Taehyung.
O homem a fitou com cuidado, notando o pânico presente na feição dela.
─ Só mais um pouquinho.
Repetiu para si mesma antes de agarrar com as suas mãos o rosto de Kim e beijá-lo.
O homem pareceu sem reação por milésimos, antes de devolver o beijo no mesmo desespero que a garota colocava, rapidamente ele a dominou, agarrando a nuca para que não pudesse se afastar.
Havia saudades.
Desejo.
Devoção.
Os lábios de Kim devoraram os dela de forma lenta, ambos não querendo a despedida.
Quando suas bocas se desgrudaram e ele encostou suas testas, os olhos na mesma altura continham sentimentos não ditos, vícios não protegidos.
─ Até o próximo encontro, mi angel.
Taehyung beijou sua testa, desceu para suas duas bochechas e terminou com um singelo selar nos lábios, os cantos da boca da garota se ergueram em felicidade.
─ Até mais, Kim.
Aquela havia sido o momento mais agridoce que viveu e sabia que pensaria nele a noite toda.
Ao entrar no carro familiar e enxergar o segurança novato, pensou nele. Quando o restante das atrações sumia junto ao centro, ainda pensava nele.
Quando o sol se pôs e chegou até sua casa, tudo o que ela mais queria era dormir ou passar horas com o lápis entre os dedos. Ultimamente, todas as ideias que tinha eram sobre Kim, dos olhos castanhos misteriosos ao olhar encantador quando cantava.
A sala de estar sempre fria e inexpressiva não a machucou pela primeira vez, a riqueza dos móveis não incomodou e o farfalhar das conversas entre os funcionários não era ouvido. Kim Taehyung trouxe o sopro de liberdade que apenas a companhia dele trazia, a oposição entre suas personalidades unia o caos individual dos dois.
Pela primeira vez, sorrir não doeu.
Sua arte estava no modelo perfeito.
✒️
Continua?
O que acharam do capítulo?
Gente, esse é o capítulo mais fofo que escrevi do nosso casal, o vocês acharam?
E essa atitude do Kim em guarda o desenho da Eleanor na carteira? Eu amei demais.
O que estão achando da história?
Comente o que achou do capítulo e deixe seu voto para alegrar essa autora aqui ❤️
Até a próxima semana :)
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro