La cruel oscuridad | 16
Lost in your eyes é uma história muito importante para mim, é um uma construção de um enredo que sempre imaginei, por isso é uma honra ter vocês lendo e dando uma chance.
LIYE é um romance dramático, então se preparem para dar muitas risadas mas também chorarem rios.
Quero trazer o melhor para vocês e por isso a demora, espero de coração que gostem do capítulo, porque sem dúvidas ele é a introdução para o relacionamento entre os nossos bebês.
Acho que a partir de agora todos os capítulos vão ter mais que 4k de palavras kkkkkkkk
Surtem com amor, deixem sua estrelinha e não se esqueça de comentar, isso me ajuda tanto ❤❤
Oh, luzes se apagam
No momento em que estamos perdidos e encontrados
Eu só quero estar ao seu lado
Se estas asas pudessem voar
Oh, essas malditas paredes
No momento, temos três metros de altura
E como você me disse depois de tudo
Lembraríamos desta noite
Para o resto das nossas vidas
─ Birdy, Wings
C a p í t u l o d e z e s s e i s
"La cruel oscuridad"
Eleanor estava imersa numa noite tragicamente bela demais.
Algumas vezes, secretamente, a mente humana possui um limite, uma função significativa para detectar o perigo, uma espécie de sensação projetada em consequência da liberação de hormônios como a adrenalina, a resposta do organismo a uma estimulação física ou mental, cujo a função é prepara-se para uma possível fuga ou luta, denomina-se medo.
Se o risco, o desafio e a angústia eram os pilares que sustentavam aquele momento, e por mais que o desejo incendiassem seus corações e feriam dolorosamente suas razões, no fundo, ela queria que as chamas não fossem controladas.
Porque, mesmo escondendo-se em expressões previsíveis, a garota gostou, apreciou o prejuízo de apenas aceitar a presença dele.
Eleanor sentia medo por ter gostado daquilo, do toque quente em sua pele, a voz tão próxima ao seu ouvido e principalmente das palavras que marcavam sua mente.
Ela sonhava em fugir da realidade enquanto Taehyung a conduzia para uma proximidade cruel de anseios e impulsos.
Ali era apenas uma garota seguindo uma vida diferente, podia respirar sem ter medo de uma postura errada, não havia alguém controlando quando ela deveria falar ou quais seriam suas falas. A carga melancólica da mansão Davis demandava uma aflição sem fim, era respirar um ar poluente, caminhar sobre pregos finos e quase invisíveis e ser cego pela ganância que o poder trazia.
Por segundos sentiu-se calma até ele ficar sobre seu campo de visão novamente.
O fogo. A destruição. O estrago e a desordem.
Um conjunto de definições se aplicavam a Kim Taehyung, juntamente quando as pupilas profundas pareciam desvendar cada traço seu, com uma suspeita quase explícita.
Ambos pensavam a mesma coisa, quais as verdadeiras intenções e quais não se passavam de mentiras tão bem contadas que até rebuscadas sentenças não chegariam perto da complexidade, assim subitamente, a coragem de questionar tal fato dispersou suas ações.
Tudo sobre eles era feito inteiramente de incógnitas.
Taehyung notou o momento em que Eleanor ergueu seu olhar, contudo, parecia dispersa, as mesmas esferas que antes pareciam hesitantes, assemelhavam-se como se não pudesse enxergá-lo. Seus lábios pressionados um contra o outro, uma feição inexpressiva. Para Kim, a mulher estava estagnada, mostrando um lado seu controlado, enquanto tentava não transparecer sua teimosia, era engraçado o modo como a batalha de valores que acontecia em sua mete tornavam-se visíveis.
Ela parecia sempre querer não errar, discorrendo consigo mesma uma conversa mental sobre como tudo estava perigoso demais.
Em um instante era uma jogadora disposta e no outro uma garota inflexível.
─ Obrigada, por hoje.
A voz saiu num sussurro baixo, como se pronunciar tais palavras era um desafio difícil.
Eleanor suspirou, colando as mãos atrás do corpo, analisando a floresta como se tudo ao seu redor não tivesse uma escuridão encantadora, vê além da beleza da natureza, e quando Kim pareceu induzido na paisagem, as estrelas pareciam brilhar num firmamento entre sua persistente curiosidade e a sábia razão.
O rapaz encostou parte do corpo sobre o capô do carro, apontando com a cabeça para o lado, chamando-a. Tirou do bolso uma carteira de cigarros e acendeu seu vício, inalou a fumaça e deixou a nicotina adentrar por seus pulmões, alterar suas emoções, levando-o a euforia extrema, relaxando seus músculos rígidos, dominando cada frasco de resistência a substância em seu organismo e entregando-se completamente ao contínuo conflito.
Era o segundo cigarro usado e ainda sim não parecia o suficiente.
A dor não passava.
As lembranças continuavam ainda mais afiadas.
E, consequentemente o passado ainda parecia próximo demais.
Taehyung correu os dedos lentamente pelos cabelos castanhos, espalhando os fios naturalmente, organizando sobre a testa dos dois lados. Respirou fundo, encarando-a, a garota permanecia querer mais, parecia de alguma forma querer descobrir algo sobre ele, uma investigação com apenas suas interações rasas e falas impuras, como se quisesse adivinhar o problema e esquecê-lo amanhã, abraçar um segredo e se sufocar no emaranhado de despejo.
─ Pergunte o que quiser, você parece querer saber de algo. ─ suas sobrancelhas arquearam e a voz saiu numa mistura sutil de sarcasmo e diversão.
A morena não parecia notar que as vezes suas emoções eram tão evidentes que gerava uma parte humorística no rapaz. Fornecia em singelas doses suas adoráveis reações, beirando a curiosidade e entretenimento a ele.
─ Revelei algo sobre mim, agora me fale sobre você. ─ emitiu em um fio de coragem, vendo um sorriso presunçoso crescer nos lábios do rapaz.
Automaticamente ele fechou os olhos, com a força do som das palavras. Falar sobre ele, a vida inteira, apenas cometia ações passageiras, nunca se apegou a nada, sabia apenas dizer sobre suas atitudes, não conseguia boas motivações, e sem um raciocínio lógico. A imagem do rapaz podia parecer nítida aos outros, porém, somente ele sentia a distorção de quem realmente era, apesar de tudo, poderia falar sobre si sem ser relembrado das cicatrizes que carregava?
Então ele virou na direção dela.
Eleanor não soube o motivo daquilo ou a razão encoberta, em um movimento angustiado de acalmar seus nervos ansiosos, deu três passos para atrás.
Em uma distância segura ─ ao menos era o que ela achava ─, pensou que a fatídica ruína não estaria presente nele, irradiando por cada poro uma obscuridade cruel e esmagadora, alternou o olhar entre a estrada vazia até ele, e em um mínimo espaço de contato Kim mostrou profundezas lamentosas demais para suportar.
Seus olhos encontraram-se com os dela.
Mesclaram frases não ditas e desejos não concebidos.
Eleanor estava enganada quando pensou que ambos estavam no mesmo patamar de seus jogos provocativos.
Tremendamente enganada.
Porque, Kim Taehyung desde que a descobriu naquela festa de seu noivado, ele queria o impuro da forma mais crua e imoral, questionadora e obstinada, um segredo infernal de mais clemência aos seus toques. O homem despertava tantas sensações prazerosas e curiosas como parte de uma jogada, um tabuleiro de peças movidas ao seu comando.
Eleanor não conhecia aquela sua versão, uma parte atrevida que de alguma forma se encaixava na veracidade de Kim.
Por que aquilo parecia tão certo?
E por qual motivo todas as vezes que tentava falar de seu noivado não saía nada de sua boca?
─ Está tão curiosa sobre mim? ─ questionou casualmente. Apoiando o corpo sobre a parte frontal do carro, a luz refletia seus pensamentos, de canto, observou a mulher mordiscando os lábios, aquilo parecia um hábito nervoso seu que inconsciente fazia sem perceber. Tragou o tabaco, enxergando a neblina se dispersar na ventania.
O homem era um ótimo mentiroso, acostumando a mentir desde criança e ensinado a usufruir dos prazeres da vida sem preocupação com as pessoas, suas capacidades de dizer algo verdadeiro sobre ele eram quase nulas, afinal uma destruição arrebatadora era seu único abrigo, o seu reflexo.
─ Sim ─ retrucou de imediato ─ Você é como um enigma.
Ele parecia pensar. Analisar sua escolha de falas que poderia admitir ou o que optava por ocultar. E quando uma camada fina de fumaça escapou por seu nariz, junto com o cenho tranquilo, simplesmente deu de ombros.
Apenas sem aprofundamento algum.
─ Daqueles que são fáceis de resolver?
Seus devaneios são tomados pela surpresa repentina com seu comentário, como ele poderia ser tão cínico em tudo?
Acenou com a cabeça tentativa formular alguma resposta, era complicado conversar com Kim Taehyung, de uma forma que suas emoções instáveis não se descontrolassem, evitando ao máximo as suas cantadas descaradas e seus olhares intenso que pareciam querer tudo dela.
─ Não, está mais para os que são impossíveis de desvendar. ─ suas palavras soaram mais ríspidas do que pensou, antes que pudesse controlar.
Não demorou nem mesmo um segundo para que um sorriso ainda maior estivesse em seu rosto, ao responder:
─ Música, essa é a única coisa que precisa saber, sobrevivo apenas por ela.
Apenas uma confissão deixou claro seu desconforto ao falar sobre ele.
Por milésimos a garota almejou saber o porquê de tanta amargura em seu timbre ou a perdição envolta de seus olhos apáticos.
Contudo, a curiosidade durou pouco.
Até ele se aproximar.
A garota evitou encará-lo.
Antes que houvesse uma ação sua, sentiu os dedos gélidos erguendo seu queixo, deslizando por sua pele lentamente, em uma tortura frágil. Seus rostos a centímetros longe um do outro, o hábito quente acariciava suas bochechas frias, seus corpos emanavam calor quando próximos. Tão necessitados, tanto que seu coração esmurrava seus músculos com suas batidas frenéticas, preenchendo seus ouvidos com ruídos ansiosos.
A mulher oscilava em um ritmo descompassado de respiração, a adrenalina pecaminosa corria furiosa por suas veias.
─ Caos.
Eleanor soltou repentinamente, não tentou estabilizar seu tom e esconder o quão afetada estava. Suas íris forneceram a atenção somente nele, o desafiando prontamente, era tarde demais e nem mesmo se quisesse, poderia esconder o que Kim estimulava em seu corpo, ela sabia que era uma mentirosa e ele um excelente observador, capaz de capturar seu fôlego e juízo em acréscimos velozes.
─ O quê? ─ seus olhos se fixaram na face dela, inspecionando tudo que havia nele, dos detalhes mais delicados até as imperfeições. Extremamente perto, extrapolando os limites da atração, Taehyung olhou tão fundo dentro de seus olhos que a jovem estremeceu.
Demorou algum tempo até que reunisse força para procurar palavras boas ou significativas destrutivas. Ou talvez mergulhar na mera convicção de que tudo era passageiro.
─ É isso que você significa, Kim Taehyung.
Despejando de uma vez só, sucumbido ao instável e deixando-se entregar a uma explosão de verdades.
Kim a admirou silenciosamente, com as esferas brilhando ao fascínio. Era como se aquela simples palavra, tivesse despertado todos os sentimentos pressionados em um vazio nocivo.
Ele deixou escapar uma risada baixa, com a testa encostada na dela, e com os dedos acariciando seus lábios.
Suas orbes eram ondas marítimas fatais, ela os memorizou como um poema.
A mente arrastou-se lentamente até a recordação adocicada da sensação intensa do âmbar colidido com pequenos pontos cintilantes refletidos, a pintinha na ponta do nariz e textura macia dos fios escuros caídos em sua têmpora. Naquele segundo crucial, não foram necessários expressões ou falas, o fato de sua respiração quente acariciar suas bochechas rubras e o contato visual não ser quebrado, por nenhuma parte, foi a acolhendo em uma vasta matriz que impulsionava os primeiros segredos.
Os primeiros segredos nos quais ela guardaria para si, com toda devoção.
Taehyung.
Entregou-se ao privilégio de repetir seu nome, senti-lo tomar sua língua e circular sua pronúncia apenas para possuir novamente a infinidade fragmentada das constelações que pairavam sobre suas cabeças na estrada vazia.
─ Preciso ir, eu realmente não deveria estar aqui.
─ Espero verte de nuevo, Eleanor.
O sussurro manifestou-se entre os nuances introduzidos em Kim Taehyung, ao “maldito chico” que trazia aroma dócil, da colônia de hortelã e do perfume natural de verões ensolarados. A estrutura alta e bonita, revestida por uma jaqueta de couro preta, deslocando a imaginação harmoniosa a lacunas proibidas de serem ultrapassadas.
Desajustando seu juízo, assegurou o pouco resquício de consciência e com ele sentiu-se vitoriosa.
Pois manteve seu coração a salvo de possíveis catástrofes que Taehyung levaria.
• • •
A volta a realidade foi noticiada assim que o ar puro das árvores foi substituído pelo glamour da metrópole e os luxos dos grandiosos edifícios tomaram conta da visão dos jovens. Eleanor passou a viagem inteira em silêncio, não trocou nenhuma palavra ou provocação sequer com Taehyung, apenas o som das melodias clássicas dos anos 90 ecoavam seus pensamentos.
Todavia, a mão dele continuava em sua coxa, mesmo quando ela fazia questão de olhá-lo questionadora, o homem parecia não perceber suas investidas desconfiadas e isso a irritava. Estava mais brava com seu comportamento, justamente porque estava gostando da presença dele, o modo em como os dedos cálidos acariciavam sua pele e provocavam arrepios, um frio na barriga instalava-se todas as vezes que um sorriso ladinho aparecia em sua boca.
Kim Taehyung era um mistério.
Não do tipo que você quer saber apenas por meias palavras ou após algumas conversas, mas, da forma em que o máximo de atenção a cada mínimo detalhe e extensas análises poderiam alcançar o objetivo de conhecê-lo.
Porém, não podia se dedicar a descobrir razões. Pois a garota estava aprisionada em seus próprios problemas emocionais, mergulhada em uma tristeza e vazio amargo.
Era lógico o quão afetada estava com ele, porém não poderia ser deixada levar-se a um estado irracional.
Eleanor obteve sua certeza por aquela noite, ela e Kim eram dois extremos que nunca deveriam ter se cruzado.
Parando a alguns metros longe do bar, a pedido da mulher, despediram-se brevemente.
Ele com sua típica expressão tranquila e sombria.
Ela com o medo de ser descoberta.
Caminhou até a entrada, vendo o carro do rapaz seguir até os fundos do bar, ignorando veementemente uma parte sua que dizia para beijá-lo como almejava desde seu primeiro encontro no Purple’bar. Encarando de longe, virou suas costas e avançou até a entrada do local, correndo entre os batimentos frenéticos até avistar uma figura de pé, próxima ao letreiro, procurando por ela no meio da música alta.
─ Alejandro? O que faz aqui?
Ergueu uma sobrancelha, andando até ele, estreitou seu olhar para seu irmão mais novo. Seus cabelos pretos sempre bagunçados em contraste com suas íris esverdeadas, a camisa branca com alguma sigla de banda de rock, uma jaqueta jeans com broches aleatórios presos.
─ Onde você estava? ─ ele deu um leve tapa em sua testa ─ Sei que eu falei que era para se divertir, mas não para sumir do mapa, sou jovem e bonito demais para morrer de ataque cardíaco.– ele passou os dedos no cabelo dezenas de vezes, enquanto a perna direita batia no piso, uma mania que a fazia revirar os olhos.
─ Acho que fiz algo errado. ─ a mais velha resmungou encolhendo os ombros.
─ Merda! Pensei que essa era a minha função na família.─ Alejandro brincou dramático.
─ Largue de ser chato, pirralho. ─ estalou a língua no céu da boca, demonstrando sua irritação.
A mulher andou até o garoto, entretanto notou algo diferente no cenho do irmão, em seu olho para ser mais exato. Mordiscou o interior da bochecha contendo o riso.
Apesar de ter uma personalidade caprichosa, era sempre o mais novo que mais se metia em brigas, algumas vezes voltava para casa machucado, porém, na maioria das vezes sempre era o que mais batia.
Eleanor possuía um temperamento impulsivo, Alejandro tendia a ser mais explosivo e Marcos era o único paciente.
─ O que você aprontou?
Havia saído por apenas algumas horas e o deixou, evitando entrar na mesma situação de antes, ver seu irmão beijando duas garotas ao mesmo tempo não era uma visão agradável, no mínimo, traumatizante.
─ Dei em cima da garota errada e ela me deu um soco! ─ declarou evidentemente puto. A jovem sufocou a vontade de rir da cara dele, mas acabou não aguentando e gargalhou do infeliz infortúnio.
─ Devo parabenizar a garota? Ela fez um incrível feito.─ sugeriu zombeteira. O moreno continuou com seu semblante aborrecido.
Riu ainda mais vendo ele se estressar.
Alejandro arrasava corações, com seu senso de humor ácido e seu charme, qualquer pessoa caía facilmente nas conversas descontraídas. Quando estudava, até suas colegas pareciam interessadas na popularidade do garoto em ascensão, a admirava alguma mulher socar o rosto do irmão, principalmente porque ele tinha um encanto que atraía as pobres coitadas moças.
─ E você? Fez o que? ─ limpou a garganta, cessando a irritação.
─ Sai com um cara sem dizer a ele que vou me casar em breve.
Despejou de imediato, ele assentiu, manejando o pescoço.
─ Estamos fudidos.─ proferiu exasperado.
─ Isso não é novidade.─ piscou repetidas vezes, debochando cínica.
Ambos soltaram uma lufada de ar, nenhum diria mais a fundo sobre os acontecimentos daquela noite, era constrangedor demais para sequer ser compartilhado.
─ Como você tá? ─ mudou de assunto rapidamente, cruzando os braços, em seguida, voltou a fitar o mais novo.
─ Péssimo... não sei o que fazer, Santiago quer tudo de mim, estou quase me matando por aquela empresa para ele depois dizer que sou inútil.
Com os músculos rígidos confessou frustrado, mais uma vez, Alejandro passou as mãos pelo cabelo, puxando seu couro cabeludo, controlando seus nervos, era impressionante como a morena havia tirado facilmente sua sinceridade, não entregava sua confiança a todos, porém com sua irmã, sabia que podia contar com sua ajuda.
─ Nosso pai é fanático pelo dinheiro, estou trabalhando cada vez mais enquanto ele gasta nossa grana com apostas, bebidas.─ continuou discursando acelerado.
A mulher pigarreou, pronunciando angustiada:
─ Ele é assim, quanto mais você se esforça até não testar mais forças, é considerado um filho perfeito.
A inexpressividade rotineira da garota passearam pela face do jovem, sem mostrar uma reação.
Uma verdade cruciante que precisava ser dita.
─ Não sei o que fazer...
Alejandro piscou ainda cético, a confusão dominava suas decisões.
─ Não se esforce tanto para agradá-lo, fiz isso e agora essa é a minha situação. ─ comentou lamentosa, puxando o lábio inferior.
─ Eleanor...
Passou o braço pelos ombros da morena, a fazendo levantar a cabeça.
─ Você é mais que uma marionete na mão dele, não aceite esse tratamento, nunca abaixe sua cabeça. ─ balbuciou honesta, escondendo o fundo de tristeza que preenchia seu subconsciente.
Alejandro não respondeu, era muito para assimilar. Por mais que doesse escutar a exatidão da situação, era complicado carregar tantas responsabilidades em troca da segurança de sua família.
─ Isso é cansativo, não sei nem o que quero para o meu futuro, você vai se casar, nossa mãe nunca consegue ser feliz e Marcos pensa que Santiago é um herói.
Eleanor se endireitou.
─ Não se importa comigo, foque em você.
O moreno ponderou por alguns instantes antes de abrir a boca.
─ Lembra quando a gente brincava de contar histórias de terror e depois eu não conseguia dormir de tanto medo?
A garota estranhou seu comentário, mas concordou.
─ Você era um bebê chorão.
Demorou três segundos para prosseguir, era uma lembrança antiga, na qual ele sempre recordava quando pensava em explodir seus sentimentos.
─ Você entrou no meu quarto e me deu o seu ursinho de pelúcia preferido, porque dizia que ele evitava pesadelos, depois me fez prometer de mindinho que eu nunca ficaria sozinho porque estaríamos sempre juntos.
A feição dela explanou felicidade, Eleanor lembrou do passado, expressando empolgação em seus gestos.
─ Foi a partir daquele dia que me vi na obrigação de te proteger, dele e das coisas que te deixavam tristes ─ suspirou, e antes que ela falasse algo, adiantou.
─ Então saiba que mesmo quando estivermos na merda, eu vou está do seu lado, irritadinha.
Eleanor sempre lidou com suas problemas sozinhas, detestava colocar os outros em incômodos, seu irmão mesmo complicado e repleto de confusões, ainda continuava ao seu lado.
─ Obrigada, irmãozinho.─ comoveu-se abraçando o mais novo.
─ Me solta.─ exclamou animado, tentando escapar da demonstração de afeto.
─ Seu chato.
Empurrou o rapaz, resmungando enquanto ele ria para o nada.
─ Feia.
Mostrou a língua, escarnecedor.
─ Você ainda vai contar sobre esse olho roxo. ─ atenuou sarcástica.
─ Talvez. ─ disse fazendo uma careta, enrugando o nariz em desprezo.
Luzes ofuscante e hipnotizantes forneceram o desfecho de uma noite estrelada, de um garoto que alterou seu estado e sobrepôs o ímpeto de desejos passageiros.
• • •
Eleanor vagou com o olhar por todo seu quarto e ele parecia bem organizado.
As paredes eram em branco gelo com pequenos desenhos de pássaros dourados e a grandiosa janela que tinha cortinas finas brancas balançavam ao vento.
Caminhou até seu estúdio em passos lentos, tocando as pontas do pé delicadamente afim de não fazer muito barulho. Ligando o receptor, a vista de seus quadros arrumados, alguns inacabados e outros poucos emoldurados na parede, seus pincéis estavam espalhados sobre a mesa e alguns papéis rabiscados estavam soltos e igualmente como o resto, estavam desorganizados.
Seu quarto era o refúgio.
O único lugar em que podia viver sem restrições.
Enfim gostava de como era e estava satisfeita de ter uma parcela de controle de sua vida.
Saiu de seu espaço de pintura e resolveu tomar um banho, talvez isso a fizesse acordar sem distrações que levavam sempre ao mesmo destinatário, Kim.
Quando as luzes do banheiro ligaram e seu reflexo no espelho foi avistado, sentiu-se inquieta, seu cabelo levemente bagunçado, seu rosto corado e as sardas que iam do nariz até um pouco de suas bochechas destacavam o nervosismo. Voltou-se até a banheira e começou a enchê-la com água morna, depositado sais de banho espumante fragrância de lírios, assistindo diluir até fazer espuma, em seguida, deitou-se e permitiu seu corpo relaxar, sem tentar pensar no belo homem de sorriso hábil.
Quem era Taehyung?
Ele parecia sincero com suas palavras, sentiu seu coração acelerar com a lembrança dele apresentando The Beatles e principalmente na parte em que citou Eleanor Rigby como uma referência ao seu gosto musical.
No fundo, estava feliz por ter confessado seu sonho a alguém, demonstrou uma face debilitada na qual não deixava ninguém enxergar. Ele havia a conduzido para um desastre, quando alguém jamais a guiou até o fim.
Depois de terminar seu banho, foi ao quarto vestir uma camisola de seda com alças finas reguláveis, enriquecida com renda no decote V e na bainha. Observou tudo ao redor e percebeu a simetria das cores, pacíficas e calmas, diferentemente dele que era ao contrário, sombrio e destruidor.
Eram distintos demais.
Eleanor não quer pensar nele.
Ela não pode simplesmente pensar em alguém que apenas trocou provocações e invadiu seu espaço pessoal.
Deveria se lembrar que ele definitivamente era inalcançável, era nítido que teria que tirá-lo de sua mente.
Deveria evitá-lo e desse modo tudo voltaria a normalidade, seriam apenas dois desconhecidos. Não haveria olhares profundos e muito menos fariam um frio dominar seu estômago toda vez que se aproximava.
Custe o que custar, ela não seria imprudente de se relacionar com o rapaz, com certeza haviam outras garotas interessadas nele, dispostas a compartilhar parte de sua diversão.
Retornou ao estúdio, foi na direção de suas telas e escolheu uma de tamanho médio. A colocou no cavalete e fechou os olhos tentando recriar a imagem, a inspiração que necessitava para pintar.
De repente era tudo nítido.
A floresta.
O bar.
A dança juntos.
Seu primeiro encontro na festa de noivado.
Eram sempre as mesmas esferas impiedosas, ainda incendiando cada partícula sua e retirando todo o fôlego.
Eleanor moveu o pincel na tela, espalhando a tinta, pintava como se aquilo estivesse alimentado sua alma, como se fosse livre de todos os meios que a atormentavam. O que antes era branco, começava a ganhar forma, detalhando olhos que a levavam ao êxtase.
Suas mãos moviam-se precisas, como se sua consciência já conhecesse aquilo que reproduzia, as cores espalhadas pelos dedos, exibiam movimentos sutis e relaxados.
Não fez ideia do tempo que passou, horas ou minutos, isso não importava, porque quando desligou-se da magia da obscuridade, ela finalizou, piscou e suspirou atordoada.
Não havia pintado uma paisagem na qual amava.
Eleanor havia pintado brilhante olhos castanhos, perigosos, magnéticos e misteriosos olhos castanhos.
Eram os olhos de Kim Taehyung, e eles pareciam trazer a mesma sensação dos reais olhos dele sobre ela, mesmo uma pintura, despertava sua inquietude, o calor em seu corpo e o desejo.
E sobre as orbes dele eram possíveis enxergar os pequenos pontos cintilantes, o reflexo de um céu escuro através de suas íris.
Ela pegou o quadro com as pernas trêmulas em choque, não conseguia encarar aquele olhar, nem dele e nem da sua própria obra.
Estava louca.
Alucinada.
Embriagada.
O colocou colado na parede, distanciando-se para apreciar a vista inédita.
E antes que pudesse racionar, a voz continuava a repetir por sua mente.
"Entregue-se ao desejo, mi ángel."
Ele surgiu como um escape para sua vida lamentável e fatídica.
Mesmo distante.
Por mais que fosse momentâneo.
Kim Taehyung foi o sopro de uma curta liberdade para Eleanor.
✒
Continua?
Que capítulo foi esse? O que vocês acharam?
O que estam achando da aproximação entre o Taehyung e a Eleanor?
Finalmente estamos tendo uma evolução na relação dos dois.
Esses são os personagens mais complicados que já escrevi, então vamos surtar muito por conta deles.
Algumas informações foram dadas nesse capítulo, o passado do Kim e quem socou o rosto do Alejandro.
O que estam achando da história?
Está agradando vocês? Estam gostando dos personagens? Do enredo?
E o nosso casal, como acha que eles iram se conhecer melhor?
Deixe sua opinião sobre a história me motiva muito mesmo.
Sigua a playlist de LIYE no spotify, o link está no meu perfil.
Próximo capítulo sai sexta-feira, se preparem para mais revelações.
Até a próxima ❤
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