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Conexión fatal | 29

Toda vez que nos tocamos, ouço os anjos chorando
Não, eles não querem que você seja minha
Nosso amor os deixou aterrorizados
Querida, você e eu fazemos os anjos chorarem
O chão desaba quando estamos juntos
O céu nunca nos deixará entrar

─ Make The Angels Cry, Chris Grey


🎨

Conexión fatal”

C a p í t u l o  v i n t e  e  n o v e

Quando o amanhecer chegou em um suspiro fugaz, dissipando a escuridão que se desfez ao toque da luz, as primeiras linhas da manhã pintavam o céu em tons de rosa, alaranjado e dourado, como se o sol tímido ainda surgisse no horizonte.

A brisa embora ainda tímida mexia as folhas secas, o ambiente continuava o mesmo, das paredes sólidas aos móveis perfeitamente organizados, contudo, a mente de Eleanor era a única coisa que parecia fora de si, após trocar poucas palavras com o irmão e ir para casa, sua cama era a opção mais formidável na situação, ela não conseguia entender como Kim mexia com sua cabeça, estava determinada em conseguir apenas uma noite, mas ele reverteu seus planos fazendo-a se contradizer, a mulher temia que apenas uma noite não fosse suficiente e estava certa, porque não havia sido e estava com medo que nunca fosse acabar.

Um acordo havia sido selado, o homem proporcionava a diversão antes do casamento e ela traria sua devoção pela devastação.

Ele parecia encarar a ruína como meta, se a noite nebulosa fosse uma personificação, ela teria o nome de Kim marcado nos escritos, teria os olhos gélidos de visão, as tatuagens na pele em sinal de pecados sórdidos e os lábios repletos de palavras de extermínio da lógica. A luminosidade nunca conseguiria alcançá-lo, pois ele parecia desejar o assolhamento das sensações, preferindo a euforia momentânea antes de se perder na escuridão nefasta da sua personalidade.

Taehyung tinha todos os alertas de caos, estampado em seu caminhar, óbvio no sombrio brilho no olhar âmbar, marcante pela voz que levaria direto ao purgatório das emoções, e ela sabia que a promessa dele não seria em vão, que ele a destruiria para qualquer futuro hipotético, quando após um banho demorado na banheira com seus sais de banho, tudo que Eleanor conseguiu fazer quando se deitou foi pensar nele, tocando as marcas espalhadas por seu corpo e o sentindo novamente, a boca dele sobre a dela, o fascínio de seus corpos juntos, pensar nisso era errado, tão fodidamente errado ao sonhar em acontecer novamente.

Por isso, quando dormiu ao lado do celular encarando a simples troca de mensagens trocadas, quis que estivesse errada, tomando alguma decisão precipitada ao invés de imaginar o próximo encontro, sonhar com os braços dele ao seu redor e a respiração cálida na curva do pescoço e ombro.

A mulher havia cedido no que esperava ser uma atração sexual.

Todavia, conforme sonhava, um lugar profundo em seu subconsciente almejou ainda estar no apartamento de Kim, vestindo sua camisa enquanto mexia na estante nostálgica, era a sensação passageira de um vento soprando leve, mas forte, espalhando a alma em milhares pedaços de brilho, uma sinergia das cores em limites que desaparecem e a gravidade aparentava um conceito distante.

Quando dormiu pensou nele, na essência dele e ao acordar seus pensamentos foram de novo para ele, um mantra silencioso que ecoava Taehyung, Taehyung, Taehyung.

Era cedo quando encarou o celular e tinha uma mensagem não lida do mais velho, eram palavras simples, quase comuns, que fez a garota se remexer na cama como uma criança empolgada.

Kim Taehyung:

Nos vemos amanhã, as 14h após meu turno na cafeteria acabar.

Não tente fugir, Eleanor.

Deveria ter bloqueado o contato ou talvez enviasse uma mensagem mais empolgada, entretanto, sua mente estava dividida em que tipo de emoção deveria sentir pelo rapaz. O que diabos estava acontecendo com ela? Por que aquele homem bagunçava tanto com seus sentimentos?

─ Terra para Eleanor.

A garota sobressaltou do lugar ao ouvir a voz de Alejandro, a xícara quente de chá quase derramando pelo susto.

─ Quer me matar de susto? ─ murmurou depositando a bebida na mesa, era início da manhã e somente a morena estava na mesa do lado de fora da mansão, queria evitar encontrar seu pai e o olhar decepcionado sempre dirigido a ela.

A aventura de ontem estava coberta por uma blusa bege de gola alta e uma calça branca de tecido macia, tentou cobrir com maquiagem, entretanto, parecia que Kim era um vampiro, pois as marcas ainda prevaleciam sobre a base. Alejandro estava na sua frente, perto demais para alguém que estivesse acabado de chegar, logo presumiu que o irmão estava a tempo demais encarando seu devaneio.

─ Em minha defesa, eu estava chamando você há três minutos, maninha. ─ o garoto ergueu as mãos em sinal de paz.

Com postura despojada de sempre, o mais novo sentou-se de qualquer jeito na cadeira, colocando os pés em cima da mesa. Com ambas mãos atrás da nuca, o jovem olhou fixamente para a irmã, avaliando suas roupas cobertas em um dia ensolarado e o cabelo preso colocado para frente. Alejandro conhecia o suficiente da mais velha para saber que algo estava errado, sua irmã era muito expressiva nas suas emoções, das bochechas coradas ao olhar para o chão até a risadinha para o vento, se não fosse sexo, ela estava certamente sob efeito de drogas.

─ Tá legal, vou te dar uma chance de me contar primeiro.

Eleanor devolveu o olhar desentendida.

─ Contar o quê?

Alejandro abriu um sorriso convencido enquanto pegava um pedaço de pão da bandeja.

─ Que você transou, Eleanor, está literalmente escrito na sua cara.

A mulher se engasgou, evitando olhar para o irmão.

─ Não sei do que você está falando.

A risada alta de Alejandro demonstrou que ele dificilmente acreditaria nela.

─ Tem certeza? ─ o garoto ergueu a sobrancelha sarcástico ─ Porque os chupões no seu pescoço contam uma história diferente.

Dramaticamente o mais novo apontou para seu pescoço, a fazendo colocar instintivamente as mãos sobre o tecido que cobria sua pele, perguntou-se como o moreno sabia das marcas, mas ao encarar o rosto entretido do irmão, havia percebido que caiu na armadinha. O que diria? Que foram mosquitos? Até ela não acreditaria nessa história barata.

Alejandro abriu um sorriso convencido, sua irmã dava todos seus pensamentos de bandeja, todos eles, e o que restava era lidar com ele, afinal fora o responsável para a saída da mais velha de casa e a levado em um lugar conhecido por algumas coisas divertidas demais.

─ Foi você quem me disse para me divertir. ─ retrucou dando de ombros, Eleanor pegou novamente a xícara, precisando do líquido para acalmar o constrangimento de falar sobre sexo com seu irmão mais novo.

Alejandro ajeitou a postura, o brilho de curiosidade iluminando suas feições.

─ Quem foi?

─ Não vou dizer.

O mais novo bufou frustrado com a resposta negativa.

─ Foi bom pelo menos? É bom meu conselho ter valido a pena.

Era estranho falar sobre esse assunto com seu irmão, mas ele era seu amigo, um dos poucos que confiava, fora as tentativas que ela precisou acobertar o irmão quando ele levava mulheres para casa, às vezes se assustava, o moreno tinha dezoito anos e já coletava uma lista gigantesca de corações partidos.

─ Ah — murmurou ─ É claro, foi bom. ─ pigarreou, deixando as ideias na sua cabeça perturbarem mais que seu juízo. Como se ela ainda estivesse algum resquício após claramente trair Lorenzo.  ─ Fiquei com outro cara mesmo estando comprometida, você não acha isso perturbador?

─ Vocês não se amam maninha, sequer queriam esse casamento, por que acha errado quando duvido muito que Lorenzo ficaria bravo com você?

A morena pensou nas palavras do irmão, Taehyung havia dito o mesmo e conhecendo a personalidade do loiro duvidava muito que ele ficasse bravo com ela, Lorenzo podia ser um perfeito homem de negócios, mas antes de tudo, era um amigo parceiro, assistia comédias dos anos 2000 ao seu lado e não reclamava, comprava seus doces preferidos, mesmo reclamando da quantidade de açúcar. De repente, a mulher percebeu que Lorenzo nunca havia ficado bravo com ela, apesar da insistência dela em mudar o rumo do casamento.

Ela não estava errada em se permitir prazer, repetiu na sua mente.

─ Vou encontrar com ele amanhã, fizemos um acordo de sexo casual até eu me casar.

Silencio.

Eram raras vezes que seu irmão ficava quieto, podia ver as engrenagens na mente dele recapitulando suas palavras, esperava qualquer coisa menos a gargalhada exagerada vindo do mais novo. Os olhos esverdeados até lagrimejaram devido à reação louca do moreno, Alejandro se curvou agarrando a barriga conforme continuava seu show particular.

─ Acho que corrompi minha própria irmã, perdi meu anjinho inocente para esse mundo depravado. ─ em tom dramático demais para a ocasião, o jovem colocou a mão no peito como se tivesse tendo um ataque cardíaco.

─ Seu merdinha…

─ Olha pelo lado positivo, querida irmã, você fez seu cardio de madrugada.

Eleanor revirou os olhos enquanto Alejandro voltava a rir da cara dela.

─ É sério, seu idiota, preciso sair amanhã, mas pela tarde ─ resmungou chutando a perna do moreno ─ Como vou distrair os seguranças?

Com a mudança de assunto, o moreno ficou pensativo, pensando nas alternativas.

─ Vamos trocar seus seguranças, Santiago vai passar o dia quase todo fora, posso convencer a colocar somente um guarda-costas com você.

A morena assentiu brevemente.

─ Conheço você maninha, sei que é cheia dos seus princípios, então o que esse misterioso homem fez para você mudar de ideia?

Eleanor desviou o olhar para a bebida ainda quente, seus dedos batendo sobre a xícara de porcelana. De repente, a vergonha era como uma mancha estendida sobre o peito, apertando a respiração, tornando o corpo estranho e desajeitado.

Um calor súbito subiu pelas bochechas, transformando a pele em um território inquieto, onde o silêncio se tornou um peso impossível de carregar, sua mente, em um turbilhão, buscou uma saída que não encontrou, enquanto os olhos evitavam o encontro com os outros pontos, temendo que cada olhar seja uma condenação, seu estômago se contraiu, como se procurasse um buraco no chão para se esconder, e as palavras, que antes pareciam tão fáceis, se embolavam na garganta, era o peso da vulnerabilidade, o desejo de desaparecer, como se o próprio corpo quisesse se esconder de algo invisível, mas palpável.

A sensação de dizer aquilo era de estar exposta, de ser um pontinho pequeno e desconfortável no meio de um destino maior do que se podia controlar, como uma chama que queima sem consumir, mas sem deixar de arder.

─ Ele fez eu me sentir livre, Alejandro, mesmo quando eu não sou.

Mais uma vez o silêncio.

─ Só tome cuidado, para não se apaixonar.

Eleanor retrucou com certeza.

─ Isso não vai acontecer, seu pestinha, ele é somente um passatempo.

─ Passatempo esse que você está ansiosa para encontrar novamente já que está pedindo para seu irmão mais novo ajudá-la.

─ Relaxa, Alejandro, ambos sabemos o limite um do outro.

O mais novo a encarou fixamente, erguendo os cantos dos lábios em pura ironia, a mais velha se questionava como ambos tão diferentes podiam se entender, cabelos pretos e olhos verdes profundos, blusas na maioria das vezes com frases de alguma banda de rock e temperamento explosivo, Alejandro era o estereótipo de filho rebelde de algum seriado americano, mas admirava sua coragem, sentia inveja da personalidade aberta do homem. Eram irmãos que brigavam, se implicavam mais que qualquer coisa e não poderia evitar em ficar feliz com a infantilidade do mais novo.

─ Como vai os planos para a faculdade?

O moreno lançou um longo suspiro, parecendo visivelmente cansado.

─ Santiago vai me mandar para Stanford para estudar administração duas semanas após do seu casamento.

Dessa vez foi Eleanor que permaneceu em silêncio, os custos anuais para estudar na instituição eram além do que a família Davis poderia pagar, contudo, após a fusão entre os herdeiros dos hotéis Davis e do império de construção dos Garcías em Madri, nada poderia impedir a ida do irmão.

Havia faculdades de prestígio na Espanha, as primeiras universidades começaram a ser criadas na idade média, no século XIII e com o passar dos anos surgiram instituições de grande qualidade em diferentes regiões do país, a Universidade Carlos III de Madri era a primeira opção, por ser reconhecida internacionalmente principalmente no campo de Negócios, em particular Economia. Contudo, seu pai queria enviar Alejandro para o exterior, na tentativa de discipliná-lo e mantê-lo afastado da família, e Eleanor não sabia se estava preparada para se despedir do irmão.

─ Pensei que ele havia mudado de ideia, com o estado da mamãe.

Uma expressão de desprezo tomou conta de Alejandro.

─ Ele acha que o meu comportamento rebelde precisa de disciplina, então pouco importa para ele o estado dela.

Eleanor resmungou frustrada.

─ Ela é a esposa dele.

Alejandro passou a mão entre os fios escuros de cabelo, seu rosto estava contraído com sobrancelhas franzidas, maxilar tenso e lábios comprimidos. O corpo transmitia sinais de desconforto e impaciência. Aquele era um assunto sensível entre eles, falar sobre o lado bom da mãe era permitido, todavia, dizer algo sobre os dias sombrios dela era estritamente proibido, entre eles e os funcionários, todos estavam preparados para a situação, era uma situação horrível que a mulher odiava com todas as forças pensar nas últimas vezes, podia lidar com o desprezo do pai, mas a indiferença de Helena machucava, perfurava cada espinho da torre dos sonhos bobos da garota.

Seu gesto brusco, balançando os braços e então a encarando novamente com pesar, uma frustração mal contida, paralisou cada resposta que ela pudesse dizer.

─ E ele não dá a mínima para isso, Eleanor, pensei que já soubesse disso.


• • •

Após a conversa voltar para um tópico seguro, a morena discutiu com poucos detalhes sobre o encontro com Kim, queria manter ao máximo a discrição.

De alguma forma, mantê-lo como seu segredo a fazia sentir-se bem.

Eleanor tinha muitos pensamentos, a agitação começava a tomar forma dela, por isso decidiu ir para seu quarto, precisamente, seu estúdio, alguns quadros inacabados estavam cobertos por um pano branco, os pincéis espalhados sobre a mesa e as tintas colocadas na prateleira, no fundo do cômodo colocado na parede que não chamava atenção sobre rabiscos aleatórias estava o quadro dele, dos olhos de Kim, brilhantes, perigosos e magnéticos âmbar sombroso.

Havia deixado o quadro escondido, com medo que seus irmãos ou alguém da limpeza encontrasse sua pintura favorita, aquele era seu trabalho mais detalhado e realista.

As esferas pareciam queimar sua pele, marcando a presença dele, por mais que não estivesse ali.

Eleanor tocou o quadro com a ponta dos dedos, pensando o que Kim pensaria se soubesse que ela havia pintado um quadro dele, ele gostaria? O homem aparentava estar curioso sobre seus quadros, curioso sobre a arte da mulher, mas o que ele pensaria a respeito da pintura? Que ela estava louca?

De repente, caminhou no espaço bagunçado, uma inspiração repentina tomando conta de seu corpo, as mãos tremiam ansiosas para colocar sua imaginação em arte, dessa vez optou em pegar um caderno reservado para desenhos, passou as folhas dos mais diversos tipos de paisagem.

A mulher apoiou o papel à mesa e sentou-se em uma cadeira confortável, inclinada levemente para frente, segurando um lápis firmemente entre os dedos, sua outra mão apoiou a folha de papel, que estava presa nas páginas passadas. A ponta do lápis deslizou suavemente, deixando linhas precisas, o ambiente estava silencioso, interrompido apenas pelo som sutil do grafite riscando o papel, seu olhar era concentrado, alternando a atenção entre a ponta do lápis e a imagem da sua mente, pequenos borrões de grafite mancharam levemente a ponta dos dedos juntos a borda da folha, destacando a intensidade do trabalho artístico.

Não eram mais os olhos dele o foco.

Era ele todo.

O rosto marcante de Kim foi tomando forma conforme suas mãos começavam a tremer, não era um quadro que ela guardaria na parede escondida do seu estúdio, aquele desenho era mais que isso.

Do maxilar marcado, das sobrancelhas grossas bem feitas, das pintinhas no rosto até os lábios macios, tudo era a composição de belas mentiras e lindas palavras. Sua garganta estava seca e os olhos piscavam para suavizar o tempo demasiado naquela posição, o tempo passava de forma poética enquanto Eleanor preenchia as lacunas da mente com a figura masculina.

Era belo demais para apenas ela ver.

O desenho permanecia sendo construído, mas a ansiedade por mais dele parecia impossível de conter.

No seu espaço seguro, havia perdido a noção de tempo, tamanha sua concentração na composição dele.

Fragmentos dos momentos intensos que vivenciou com Taehyung vinham em sua mente em flashes de luzes brilhantes, todas as interações eram únicas e borradas ao redor, o âmbar marcante das íris, as pupilas dilatadas quando olhavam para ela e o sorriso embora raro que iluminava a face quando as sombras alcançavam sua figura.

Eleanor estava cativa no encanto de Kim Taehyung.

Ele era seu segredo.

Seu pecado.

Seu erro.

E naquele momento, o modelo de suas pinturas, porque ele era tudo que a mulher enxergava.

Somente ele.


• • •

A atmosfera da cafeteria era acolhedora e convidativa, projetada para proporcionar conforto e tranquilidade aos clientes, as mesas e cadeiras de madeira, estavam lotadas, era o horário de pico para estudantes universitários e trabalhadores. A mistura elementos modernos e rústicos, composta por uma iluminação suave, com luzes pendentes, era o ponto certo para criar um clima aconchegante.

O aroma de café recém-passado dominou o lugar, acompanhado por sons sutis de música instrumental no fundo, mesmo com cortes de gasto o cardápio ainda oferecia uma variedade de cafés, incluindo expresso, cappuccino, latte e além de chás, sucos e outras bebidas, também era possível encontrar doces, bolos, tortas, croissants e sanduíches naturais.

Em geral, as cafeterias eram pontos de encontro para amigos, um refúgio para leitura ou estudo, ou simplesmente um lugar para apreciar uma pausa tranquila no dia. Contudo, para Taehyung ficar naquele lugar era esquecer cada traço de emoção ainda presente nele.

Era um dia bonito, ensolarado e ideal para passeios nos pontos turísticos de Madri.

Era um dia feliz.

Todavia, ele se sentia vazio.

Era como se a luz não alcançasse sua pele, a vida não conseguisse vencer a batalha interna que ocorria na sua mente. Possuía pequenos momentos de alegria, tão singelos e raros que duvidava que fossem durar mais de alguns segundos.

Era um sobrevivente da própria tragédia.

Um dos poucos momentos que se sentiu leve fora durante a madrugada, porque ela estava lá, a garota de sardas e pele que facilmente corava com qualquer comentário de segundas intenções. Possuía olhos curiosos e desafiadores, um comportamento sempre contraditório que nunca seguia a ação de suas palavras, cada movimento dela em sua cama, o aroma suave o envolvia, cada olhar pensativo quando encarava seus corpos emaranhados juntos aos lençóis, Taehyung reparou em detalhes que pareciam despercebidos e de alguma forma, o calor e simplicidade que ela forneceu preencheu um vazio que ele não sabia como definir.

O aroma que Eleanor exalava não poderia ser encontrado, era como se aquilo fosse a sua personificação, angelical e doce.

Ele sabia que não havia jogado limpo com o jogo deles, mas necessitava de mais doses da loucura desenfreada.

Vício.

Era isso que a garota era para Kim, uma sombra persistente, a sede insaciável de um mar sem fim, uma promessa vazia que desintegra em falas enganosas.

Era querer e sofrer.

Eleanor Davis havia se tornado sua prisioneira, imersa na atração que sentia por ele, a mulher estava vulnerável. Todavia, havia algo que o prendia nela, além de uma atração visceral, alguma obsessão distorcida por mais da mulher, ele viu por instante seu olhar ficar vazio, os tremores que sempre estavam presentes toda vez que o homem notava sua presença, a autodepreciação das ações toda vez que mencionava suas pinturas, a garota sentia medo, o mais real pavor quando se voltava ao passado, a guerra mental que ocorria no seu cérebro era visível para ele.

De quem ela sentia tanto medo? Do próprio noivo? De alguém da família? Eram perguntas que dominavam os pensamentos dele, havia algo naquela mulher que despertou sua curiosidade, a saciedade por caos não parecia encerar, ela era como uma luz pura que Kim queria apreciar, desfrutar até que suas sombras roubassem um pouco do brilho desafiador nos olhos gentis e toque inofensivo.

Encarou a mensagem que havia enviado para a morena, ela apenas havia respondido com mais um “OK”, os lábios se ergueram levemente, em um quase sorriso, era adorável o comportamento nervoso da mais nova.

Dócil Eleanor.

Desviou a atenção do aparelho para atender os clientes, havia ficado responsável pelo caixa, em uma troca com um dos funcionários, gostava daquela função, era mais simples e não tinha que aturar comentários ofensivos sobre o local, seus olhos passeavam pelas pessoas reunidas, até pousarem em uma família, um jovem casal alimentava seu filho, um menino de cabelos escuros cacheados que aparentava possuir seis anos, possuía as bochechas gordinhas meladas de calda de morango, os pais, um casal jovem, pareciam entretidos pela bagunça da criança, a mãe tentava limpar o filho enquanto o pai tirava fotos daquele momento.

Era um dia como qualquer outro, em que uma família saía para algum lugar para se divertir, mas Kim não podia impedir do sentimento de inveja que preencheu seu subconsciente.

Em algum local no fundo dos seus pensamentos, Taehyung almejou que aquela tivesse sido sua infância.

De brincadeiras bobas que viravam momentos especiais, de marcações na parede sobre a altura até histórias de contos de fadas para dormir. Se ele tivesse tido tudo isso, as coisas seriam diferentes? Se fosse amado, talvez aquilo poderia ter sido seu?

Um sonho bobo.

Era o que aquilo significava e logo o homem tratou de esquecer, empurrar os questionamentos para fundo dos seus desejos quebrados.

─ Taehyung, você pode atender a mesa sete? Preciso ir ao banheiro. ─ Jane questionou se aproximando, a ruiva sorrio suplicando por ajuda.

Kim voltou olhar para o aparelho quando o sentiu vibrar indicando uma nova mensagem, poderia ser Eleanor? Duvidava, ela era contida demais para formular mais de três palavras para falar com ele.

Três ligações perdidas.

Kim Min-Ji.

Preciso de dinheiro filho.

O restaurante está quase falindo.

Você pode me enviar?

Não se esqueça que você me deve.

Se não tivesse me roubado para fugir, nada disso estaria acontecendo.

Kim Taehyung, eu sou sua mãe.

De repente o vazio estava de volta ao lugar onde sempre pertenceu. Kim cerrou a mandíbula, suas mãos tremiam com a vontade de quebrar algo, a boca seca necessitava do cigarro, da substância que afastasse o ressentimento do passado mal resolvido.

Ele precisava disso, da destruição de si próprio.

Seu fim era de autoria própria.

Tateou as mãos pelos bolsos do avental, a procura por cigarros, poderia pedir alguns negar a oferta da colega e ir para os fundos se perder na própria mente, entretanto, ao alcançar uma fita de cabelo que por alguma razão ele levava consigo, não pode evitar segurá-la entre os dedos, o aroma dócil e aconchegante alcançou suas narinas, mesmo que tivesse lavado e tirado boas partes da mancha de sangue, ainda havia algumas gotículas permanentes.

Deveria devolver a dona, contudo, sentia vontade de ficar com aquele simples tecido, que carregava um aroma que acalmava seu juízo, era como se aquela fita fosse o significado da relação entre eles, Eleanor era simbologia da pureza e enquanto ele era a mancha suja que destruiria sua inocência.

Taehyung agarrou o tecido macio e enrolou na palma da mão, imitando da mesma forma que a garota havia feito. De alguma forma desconhecida, todo o seu corpo relaxou ao sentir o cheiro de lírios, não havia nada em sua cabeça, fora esquecido sua mãe, os problemas e suas ruínas, tudo que importava era o presente, o atual conforto que a presença mínima de Eleanor trouxe.

─ Posso sim.

Segurando o bloco de notas, passando entre as mesas e atendendo as pessoas, com o celular vibrando no bolso com mais cobranças. Taehyung permitiu que seu corpo tivesse descanso e sua mente sossegasse na áurea terna da garota fugitiva.

Não sabia como nomear ou definir o conforto que uma simples fita de cabelo significou em seu mundo sombrio, então optou por apenas desfrutar do vício benéfico até certo ponto.

Vícios e Eleanor poderiam se encaixar.

Ambos despertam o seu pior e melhor lado.

Anjos como ela não deveriam cobiçar a escuridão, entretanto, era tarde demais para uma rota de fuga.

Kim Taehyung apreciou o aconchego dos braços macios, a doçura dos lábios e o toque febril dos dedos curiosos.

Era um caminho sem volta.

A estrada da destruição.

Ela despertou algo ainda indefinido nele e teria que estar preparada para o acontecesse.

✒️


Continua?

Gostaram do capítulo?

O que estão achando da história?

Quis trazer como nosso casal estava se sentindo, acho que ambos ainda estão na fase de negação kkkkkk

Algo me diz que esse desenho vai parar nas mãos do Kim...

O que acharam do fato do Kim carregar a fita da Eleanor por onde passa? Já tinha colocado em outros capítulos e estava esperando vocês comentarem.

Estão gostando dos rumos da história? Dos personagens?

Não se esqueça de deixar um comentário para motivar essa autora e também votem no capítulo, para eu entender que vocês estão gostando de LIYE.

Até a próxima semana :)

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