Capítulo 7: Coruja, coelho e peixe
《 Jungeun 》
Eu pensei seriamente na quantidade de pessoas que moravam perto daquele lugar abandonado, porque para ter tantos panos pendurados daquele jeito era realmente muita gente. Acabei desistindo de correr pelo lugar ter muitas escadas. Então seguir uma caminhada não tão lenta e aproveitar a sensação boa de sentir o sol na minha pele. O dia estava lindo. Seria mais lindo ainda se eu encontrasse mais alguém, sim, eu me encontrei Yerim, mas agora reconheço que não foi uma ideia muito boa termos nos separado.
Subi as escadas com pressa. Não sabia se tinha alguém ali, mas pelo menos teria uma boa vista de lá de cima. Chegando lá, vi uma menina de cabelo castanho com um vestido florido, que se virou e sorriu.
- Oi, Jungeun. Como me encontrou? - Ela diz andando um pouco pra trás.
- Me desculpe, eu não lembro o seu nome... - Digo ainda parada no mesmo lugar.
- Haseul.
- Ah sim, agora eu lembro de você.
Ela ficou em silêncio um pouco, se sentou no chão do lugar e começou a falar.
- Como você passou pelos panos?
- Não foi tão difícil. - Eu ando até a beira da escada e aponto para os panos, que se balançam com o vento, mas quando me virei para olhar Haseul, ela tinha sumido.
Desci as escadas correndo, sem nem me importei se iria ou não cair. A única forma dela ter saído era pelas escadas que eu estava descendo ou não estar lá de verdade. Voltei todo o caminho até a estação, correndo até a entrada do lugar, convicta de que nunca mais voltaria lá.
Sabe quando estamos procurando algo e simplesmente não encontramos, mas quando não queremos mais achamos? Pois é, acabei de encontrar o caminho para a minha casa. Claro que queria a minha casa, mas encontrei o caminho depois que desisti de procurar.
Quando abri a porta e vi a minha mãe sentada no sofá, chorando enquanto via um filme na televisão, que curiosamente, é o meu favorito.
- Mãe... - Digo indo para perto do sofá parando em frente a ele.
Apenas sentei do lado dela mantendo certa distância. Simplesmente estar ao lado dela, mesmo sem ela me ver já era muito bom.
- Ah, mãe, desculpa por tudo, eu juro que eu volto. - Mas eu sabia que era mentira. No fundo já sabia.
Saí do sofá e fui para o meu quarto e após ter me deitado, olhei para o teto tentando relaxar o máximo possível e distrair a mente, mesmo não estando cansada. Passei a noite pensando o que eu faria depois daquilo. Com certeza eu iria dizer que amo a minha mãe e isso estava no topo da lista, depois poderia conhecer mais sobre as meninas que estão nesse Mobius comigo, poderia ganhar mais amigas assim.
O sol nasceu e fiquei o dia inteiro com a minha mãe, enquanto ela fazia comida, assistia televisão ou limpava algo. Foi assim durante um tempo, até ela receber uma ligação e sair de casa. Assim, decidi procurar as meninas durante esse tempo, mas não encontrando nenhuma delas. Foi assim durante vários dias, quase uma rotina, até a outra semana chegar.
- Alô? - Minha mãe diz após atender o telefone - Sim, eu sou mãe dela. - Ela se senta no sofá.
Comecei a prestar atenção na conversa, ouvi pouca coisa, mas minha mãe saiu de casa chorando. Decidi segui-lá, até que passei por aquele mesmo lugar dos panos e naquele mesmo lugar alto vi uma menina com cabelo castanho em cima de um terraço.
Subi as escadas rápido e chamei ela.
- Oi! Finalmente alguém! - Ela diz se virando.
- Você vai ficar? - Digo me aproximando - Qual seu nome?
- Me chamo Heejin, mas como assim ficar?
《 Heejin 》
Passei dias procurando as garotas, sem outra coisa que me distraisse, o que eu tinha para fazer era pensar. Reflexões confusas e que não eram algo normal para mim se tornaram frequentes, estava difícil de me acostumar.
A vida é realmente curta, nunca pensei assim antes, tenho que admitir. Parecia que a cada dia da minha vida ela parecia cada vez mais longa, muito longa. Não que eu desejasse morrer, realmente gostava de viver minha vida, mesmo ela sendo entediante e previsível, só não via sentido nessa frase. No entanto, com o Mobius tudo parecia correr mais rápido, talvez fosse apenas a minha cabeça que está tão cheia que não me deixa perceber o quão longo era o dia, ou apenas a vida era rápida e eu estava errada. Gostaria de saber que eu estava errada antes, quantas coisas eu posso ter feito errado por causa de pensamentos como esse?
Sempre acreditei muito que minhas ações refletiam na vida dos outros e vice-versa. Minha decisão de sair de casa e ir a procura de garotas que eu não conheço pode salvar elas, então eu farei.
Saio de casa, levemente cansada da rotina insatisfatória, e sigo um caminho diferente dos que fiz até então. A rua, preenchida por cordas suspendendo tecidos coloridos, era diferente de todo o resto de Seul, dando um contraste incomum entre tantos prédios. Avistei uma área mais alta, então subi a escada que levava até lá, aproveitando um pouco da vista.
- Garota! Pode me ouvir? - Olho para trás e me viro.
- Oi! Finalmente encontrei alguém!
Ela começa a andar para perto de mim.
- Você vai ficar agora? Qual o seu nome? - Ela diz enquanto anda.
Tentei não me assustar com o quão próxima aquela ação ficou de uma cena de um filme de terror e a respondi.
- Me chamo Heejin, mas como assim ficar?
- Isso não é importante agora. Você quer continuar na rua ou ir para casa?
- Eu não sei o caminho de volta para a minha casa.
Ela ficou quieta por um tempo.
- Tudo bem, vamos para a minha então. Até chegarmos lá já vai estar de noite, voltamos a procurar amanhã.
Eu concordei e começamos a andar. O silêncio era apenas de nossas vozes, já que era bem audível os pássaros cantando e o barulho dos carros. Nunca teríamos cem por cento do silêncio e, pensando bem, nunca conheci o parcial. Meus pensamentos faziam mais barulho nos momentos mais silêncios.
- O que você faz?
- Ah...
Era empregada e fazia mágica num teatro barato, dona de um coelho, escrevia músicas e gostava dos arco-íris, da cor rosa choque e das bolinhas de ping-pong amarelas da minha patroa. Como eu explicaria isso?
- Se não quiser falar, tudo bem, eu entendo.
- Não, eu não me importo de falar. - Digo sorrindo. - Eu trabalhava como empregada para uma mulher. - Parei de falar um pouco para pensar no que responder sem assustá-la.
- Era legal? A mulher, quero dizer...
- Bem arrongante na verdade. E também fazia shows de mágica. Você fazia o quê?
- Sou dançarina.
Chegamos na casa dela. Uma mulher estava sentada no sofá, parecia ter chorado muito, já que os olhos estavam inchados e o nariz um pouco avermelhado.
- Ela é sua mãe? - Pergunto reparando a semelhança entre elas, mas Jungeun apenas balançou a cabeça em forma de sim e me puxou pela mão até o quarto dela.
Nos dias seguintes , saímos de casa bem cedo. Em um dia em especial, o sol batia na janela e formava as cores do arco-íris no chão. Aquilo me animou, mesmo que pouco.
《 Jinsoul 》
- Merda, merda, merda... - Digo enquanto corria.
Eu tenho certeza de que as vi. Uma menina loira, junto de uma morena, provavelmente Jungeun e Heejin. Mas acabei não as encontrando novamente, estava cada vez pior. Faltava pouco tempo e eu ainda estava sozinha, os dias corriam rápido, nunca via nenhuma delas, apenas que mudou hoje.
Parei de correr, apenas andando por meio dos prédios, não era uma paisagem que eu considerava a mais bela, tinha sim suas partes que a fazia parecer bonita, porém eu achava outro tipo de vista mais agradável. E mesmo durante a noite eu segui andando, não podia dar-me ao luxo de parar, não iria e não devia.
Entrei em um prédio bem antigo. Minha mãe contou que quando era criança uma das amigas da minha avó morava nele e tinha uma filha que brincava com ela, que viraram amigas. A amiga da minha mãe também teve uma filha e brincamos juntas durante a maior parte da infância, até nos distanciarmos. Agora o prédio, que está em várias memórias minhas, estava abandonado.
Amizade é algo estranho para mim. Qualquer relação com pessoas quando se dão bem é assim, ao menos em meus pensamentos. Como nos sentimos tão bem com certas pessoas? De que forma começamos a querer estar com ela, simplesmente por ter uma boa companhia? Principalmente, como construímos a amizade? Sim, muitas vezes chegamos com a intenção, mas e quando não? Isso me fazia pensar muito, me levando a outras questões. Nós mudamos, isso é fato, assim os relacionamentos também. Algo que juravamos infinito, pode mudar em dias para algo finito, com o fim próximo, então o que faz as pessoas gostarem de nós, com todos os defeitos?
Fui para o estacionamento do lugar, quando o sol estava quase nascendo. Tinha uma pequena rampa, eu passaria por ela e sairia dali. Me alonguei, me preparando para correr, logo em seguida contando até 3 e correndo. Tinha apenas uma semana, muito pouco em minha condição de desespero. Precisava encontrá-las, ou estava destinada a morte. Parei de correr apenas ao ver as mesmas duas meninas de antes.
- Estou aqui!- Gritei o mais alto que eu pude e voltei a correr - Vocês me ouvem?
Elas correram até mim. A primeira a chegar, Jungeun me deu um forte abraço, enquanto Heejin ainda tentava chegar onde nós estávamos, mas quando conseguiu, também me abraçou.
- Vamos para minha casa, ou para a de vocês? - Heejin pergunta enquanto sentava em um banco.
- Não lembro o caminho até a minha.
- Podemos voltar para a minha então - Jungeun disse apoiando o cotovelo no banco.
Indo para a casa de Jung Eun, finalmente respirei aliviada. Estavam salva, teria mais uma chance de viver. Ou não. Ficamos juntas no quarto, não conversamos muito, estávamos muito cansadas psicologicamente para manter uma conversa amigável.
Deu meia-noite e ouvimos um barulho na janela. Algo batendo contra o vidro. Não estranhei nada, apenas me aconcheguei em Jungeun, com os gritos de Heejin ainda altos, implorando para que acordássemos. Mas apenas com outro barulho na janela, muito mais alto, consegui abrir os olhos, vendo a loira ao meu lado fazendo o mesmo.
- Achei que vocês tinham morrido de alguma fora, eu gritei tanto que se estivéssemos no mundo normal estaria rouca. - Heejin diz depois de ter se jogando na cama, caindo com as pernas em cima de Jungeun e o resto do corpo em mim, fazendo nós duas reclamarmos.
- Eu dormi tanto assim? - Jungeun diz tirando as pernas de Heejin de cima dela.
- Três dias é o tempo suficiente para que vocês tenham quase me feito surtar.
TO BE CONTINUED
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