Capítulo 17: Rosa vermelha
"A Rosa vermelha significa o ápice da paixão, o sangue e a carne." — Brasil Escola.
《 Sooyoung 》
Fui torturada com pesadelos durante todo o tempo depois que aquelas pessoas falaram conosco. Mesmo tentando ficar acordada, meus olhos insistiam em fechar e me entregavam para sonhos horríveis, que eu via Vivi sendo morta por minha causa, pelo meu amor por ela. Além da dor física, que tomava conta de mim por inteira.
Já estava me cansando de toda aquela demora. Eu iria morrer de uma forma ou de outra, não podiam apenas me matar logo de uma vez e depois me mandar para o inferno? Às vezes pensava que aquilo era apenas uma grande pegadinha de um programa e logo vão entrar com câmeras gravando nossa reação ao saber que tudo não era sério.
Não quis chegar perto de Vivi, por mais que minha mente insistisse, em uma voz fraca e quase calada, que eu fosse até ela e a beijasse como eu sempre quis, aproveitando cada parte da boca dela e tentando demonstrar um pouco do meu amor. Ela também não veio até mim, por parte, eu estava agradecida, já pela outra, lamentava, gostaria de estar próxima dela, mesmo que fosse mínimo e não tivesse nenhum contato físico entre nós.
Meus pensamentos pareciam correntes me prendendo, impedindo minha liberdade e desfazendo toda a minha vontade de viver. Eu não queria morrer alguns dias atrás, como minha vida mudou tanto a ponto de me fazer ver a morte como a única opção, como uma mãe carinhosa que me chamava com os braços abertos e receptivos?
Respirei fundo, sentindo minha garganta arder pela força que puxei o ar, me dando vontade de tossir. Ouvi uma menina loira fazer o mesmo, tossindo contra a parte interna do cotovelo, ela olhou para mim, arregalou um pouco os olhos e veio deslizando facilmente até chegar perto o suficiente para me encarar.
— Não vê? — Ela perguntou, me encarando como se quisesse analisar o interior da minha alma. — Estão em cima de você.
— O quê? — Falei baixo, sentindo mais dor na garganta.
— Sombras. Três delas. — A menina sorriu, pareceu assustadora fazendo isso. — Me chamo Park Chaewon.
— Sombras?
— Sim. Qual seu nome?
— Você enlouqueceu?
— Não. — Chaewon disse, agora sorrindo mais gentilmente, parecendo fofa.
Revirei os olhos e me deitei. Ela continuou a me olhar, depois voltou para onde estava antes e também deitou, fechando os olhos. Um tempo depois, ela veio até mim, sorrindo.
— Quer sair daqui?
— Como? A porta está trancada.
— Tenho um plano, mas você precisa acreditar em mim.
Se sentando do meu lado com as pernas esticadas, ela começou a explicar seu plano. Tudo tão detalhado, faria sentido se desse certo, a única dúvida que eu tinha era sobre a existência daquelas sombras, ou anjos, como ela falou. Se um passo não der certo, o outro também não vai, estaremos no chão, prontas e entregues de bandeja para a morte, mas já estamos assim de qualquer forma, isso seria apenas um acréscimo.
Antes que eu pudesse deter as palavras, elas foram ditas com um sorriso. Estava ansiosa por alguma aventura, de qualquer forma.
— Vamos com isso. — Ela sorriu quando ouviu minhas palavras.
— Vou falar com as outras garotas. — Ela disse e se levantou.
Chaewon rodou pela sala falando com as meninas, algumas vezes ficando mais tempo falando com uma, outras eram bem rápidas. No final, ela voltou a se deitar, falando para fazermos o mesmo e descansar, já que amanhã começaremos nosso plano. Eu me deitei, fechando os olhos e contemplando aquela cor escura que me aparecia, meus sentimentos estavam expostos para os meus pensamentos julgadores, mas o sono dominava, mesmo que eu quisesse ficar acordada.
"Estava andando pelas ruas da cidade, admirando os vestidos das vitrines e o canto dos pássaros. Sentia minhas pernas doerem, assim como meus pés pelos saltos que eu estava usando, mas mesmo assim tinha que continuar andando. Um vento frio atingia meus braços, faltava pouco para chegar em casa e poder me deitar entre os cobertores quentinhos, mas observei uma movimentação perto dali e fui ver o que estava acontecendo.
— Queremos igualdade! Uma verdadeira e não apenas uma fachada para vocês se fazerem de bonzinhos! — Uma mulher gritava, tinha algumas pessoas ao redor dela. — Mulheres estão morrendo na mão de seus maridos, sendo mortas por motivos supérfluos! Outras estão morrendo simplesmente por amar, não vê?
Eu me aproximei das pessoas, tentando abrir o caminho para ver o que se passava. Vi uma mulher com um vestido rosa claro, com os cabelos presos em um rabo de cavalo. Ela tinha um homem agarrando seus braços, a menina se debatia e tentava se soltar, parecia prestes a chorar. O homem a olhava com raiva, como se fosse capaz de matá-la ali mesmo, na frente de todas as pessoas que presenciavama cena.
— Saia daqui! — O homem gritou e a soltou, passou a mão pelo cabelo curto e cruzou os braços.
— Você me trouxe até aqui, agora quer que eu vá? Já não bastou ter me afastado de Yves? — Ela falou e colocou as mãos no lugar onde o homem apertou anteriormente.
— Eu mandei nunca mais repetir esse nome. — Ele deu um tapa forte no rosto dela.
Não consegui apenas assistir aquilo, tirei meus saltos e corri até onde a menina estava. Fiquei abaixada na frente entre ela e o homem, que tinham os punhos fechados. Eu olhei para ela, procurando por algum machucado, mas encontrei apenas uma aliança no seu dedo.
— Yves? — Ela falou baixinho. — Vai embora, por favor. Posso aguentar isso sozinha. — A menina aproveitou que eu estava a olhando e colocou a mão no meu rosto. — Por favor, pela sua Kahei.
Senti algo gelado na minha barriga, passando para uma dor insuportável e manchas vermelhas no chão. Acabei ficando no chão, ouvindo os gritos da menina até que nada mais pareceu existir."
Acordei com Chaewon me chamando. Sentei rápido, ainda assustada com o sonho, olhei na direção de Vivi, que estava me olhando, ela desviou o olhar sorrindo. Pareceu tudo real demais, isso era o mais perturbador, eu fiquei sentida por causa de um sonho. Comecei a olhar para a menina loira do meu, que lado parecia agitada, contorcendo as mãos e sorrindo.
— Consegui as chaves. — Ela falou balançando um molho de chaves. — Podemos dar início ao nosso plano, mas não agora, vamos esperar um pouco, eles podem entrar aqui logo, essas são apenas as reservas.
Dito e feito. Eles entraram pouco tempo depois, sorrindo e falando entre si. Logo após a mulher ter fechado a porta, eles se viraram e começaram a falar.
— As chances da lua atingir o topo hoje são altíssimas, precisamos esclarecer as coisas para vocês. Isso facilitará o entendimento da morte de vocês, fará com que vocês concordem conosco, verão o quão repulsivas e dignas de nojo são. — Um homem falou, depois andou até uma garota com cabelos curtos, a mesma que ele tinha feito isso anteriormente. — Principalmente você e sua amiguinha.
— Que é sua irmã! — Ela falou um pouco alto, fazendo com que o homem desse um sorriso.
— Nessa vida, lembre-se. — Ele começou a andar até uma menina, provavelmente a mais nova entre nós. — Nunca te considerei minha irmã, por mim, tudo que fiz com Haseul eu faria com você.
— Você não disse isso... — A menina de antes tentou levantar, mas não conseguiu, caindo no chão.
— Chega! — A mulher falou. — Parecem crianças. — Ela revirou os olhos.
— Certo. Vamos lá, irei começar por Jiwoo. — O homem que apresentou o Mobius anunciou.
Um que eu não conhecia foi até ela, a pegando pelo braço, fazendo com que Jiwoo levantasse. Juntos eles foram até onde os outros estavam, o homem ficou atrás dela, a segurando pelos ombros.
— Se apaixonar por uma mulher já é motivo suficiente para condenarmos Jiwoo, mas além disso, beijou e fez mais do que isso com outras mulheres. Além de passar a noite em baladas se embebedando.
Eu a olhava, queria poder tirá-la daquela situação, mas o que poderia fazer? Eles irão dizer o mesmo sobre mim. O homem levou Jiwoo até onde ela estava antes, puxando Vivi pelo braço.
— Esta é outra! Se apaixonou por uma mulher, mas pelo menos nunca beijou uma. Seria melhor se nunca tivesse saído de Hong Kong, não estaria aqui agora.
Meu coração apertou, vê-la naquela situação me lembrava dos sonhos que tive. Saber que ela se apaixonou por uma mulher me encheu de esperança, em outra parte, também tinha o nervosismo de não ter certeza. Ela voltou para onde estava, o homem me puxou dessa vez.
— Outra que se apaixonou por uma mulher. Assim como Jiwoo, saía e se embebedava até cair. Uma inútil, como as outras.
— Se acha que me ofendeu está enganado. — Falei me soltando e voltando para onde eu estava anteriormente.
— Esta aqui. — Outro homem falou, puxando a menina de cabelo curto. — Me culpa pela loucura dela. Agora me digam, apenas toquei um pouco nela, como isso a afetaria?
— Realmente está perguntando isso? — Ela perguntou tentando se soltar. — Claro que isso iria me afetar! Iria gostar de alguém fazendo o mesmo que você fez comigo sem autorização? — A menina conseguiu se soltar. — Não chegue perto de Yeojin, mesmo se eu estiver no inferno, isso não vai me impedir de te matar.
Ela foi até o lugar dela, caindo assim que chegou, apoiou a cabeça na parede e fechou os olhos. Duas meninas foram puxadas ao mesmo tempo, uma loira e uma de cabelo castanho.
— Estas aqui foram egoístas. Poderiam ter continuado juntas, mas escolheram se separar e procurar outras meninas.
— E qual é o problema? — A loira falou. — Você foi pior que nós duas juntas, me tratava com tanto carinho, para isso? Esperava mais de você.
— Sinceramente... — Ele soltou o braço dela, logo depois largou o da outra garota.
Eles conversaram um pouco entre si novamente, logo depois passaram pela porta e a trancaram. Depois de um tempo, Chaewon veio até mim, se sentou do meu lado e balançou novamente o molho de chaves.
— É agora ou nunca. — Sorriu e me ajudou a levantar.
TO BE CONTINUED
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